6 de outubro de 2008

Xigubo (José Craveirinha)

Xigubo Minha mãe África meu irmão Zambeze Culucumba! Culucumba! Xigubo estremece terra do mato e negros fundem-se ao sopro da xipalapala e negrinhos de peitos nus na sua cadência levantam os braços para o lume da irmã lua e dançam as danças do tempo da guerra das velhas tribos da margem do rio. Ao tantã do tambor o leopardo traiçoeiro fugiu. E na noite de assombrações brilham alucinados de vermelho os olhos dos homens e brilha ainda mais o fio azul do aço das catanas. Dum-dum! Tantã! E negro Maiela músculos tensos na azagaia rubra salta o fogo da fogueira amarela e dança as danças do tempo da guerra das velhas tribos da margem do rio. E a noite desflorada abre o sexo ao orgasmo do tambor e a planície arde todas as luas cheias no feitiço viril da insuperstição das catanas. Tantã! E os negros dançam ao ritmo da Lua Nova rangem os dentes na volúpia do xigubo e provam o aço ardente das catanas ferozes na carne sangrenta da micaia grande. E as vozes rasgam o silêncio da terra enquanto os pés batem enquanto os tambores batem e enquanto a planície vibra os ecos milenários aqui outra vez os homens desta terra dançam as danças do tempo da guerra das velhas tribos juntas na margem do rio. José Craveirinha