24 de novembro de 2008

Abril de brados mil (João Craveirinha)

ABRIL DE BRADOS MIL (1974/2005 - 25 de Abril) Abril em Lisboa, brados Mil Cravos, Flores, floriram Rostos sorriram, mas… Áfricas ensanguentadas, gemiam Angola, Guiné e Moçambique Maquela do Zombo, Madina do Boé e Mueda Irmanadas, nas granadas rebentadas Metralhadoras G3 e canhões estremeciam Kalashenikoves – metralhadoras, e minas bailarinas Bailando no baile da morte anunciada Viúvas e órfãos de soldados vivos De luto antecipado vestidos Soldados mancebos, outros, Dormindo com a morte, a fiel amante. África em Guerra Soldados portugueses, longe do Norte Africanos guerrilheiros, a Sul, nas suas Terras Abril de brados Mil e Em Lisboa, não choveram balas nem obuses Choveram flores emancipadas Emancipando as armas e os barões não assinalados Passaram ainda além do Chiado e dos Algarves Ao largo, no Tejo, A Armada, seu fado aguardava Em África o luso soldado, sua amada, chorava Em Portugal o Povo desesperava Contra os canhões marcharam, marcharam Cravos de liberdade e de brados mil, armados A 25 de Abril, 1900 e 74, O Dia ficou mais Dia E a Noite menos noite Raiou o Sol da esperança… Esperança da mulher ser mais mulher, Da criança mais criança, Do homem mais homem, …E do Amor, mais Amor, e, sobretudo, falar sem Temor Apesar de esquecida ficar, Timor!! João Craveirinha 05.04.2005 (Poema lido pelo autor na Suécia em Abril 2005 a convite da Associação Portuguesa de Estocolmo por ocasião da efeméride do 25 de Abril naquele País Nórdico)