20 de novembro de 2008

Casa de José Craveirinha para património da cidade de Maputo

Casa de José Craveirinha para património da cidade A Casa-Museu do poeta-maior José Craveirinha, da Mafalala, vai ser transformada em museu e património cultural da cidade de Maputo. Esta acção surge na sequência de uma proposta do Plano de Actividades e Orçamento para 2009, apresentado ontem pelo Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Eneas Comiche, no decurso da XXV sessão ordinária da Assembleia Municipal. A residência onde viveu o maior poeta moçambicano foi transformado em casa-museu em 2005, e em meados do presente ano, o Chefe do Estado, Armando Guebuza, descerrou uma lápide com os indicativos da Casa-Museu. É uma acção que decorreu no ano em que se o poeta fosse vivo completaria, em 28 de Maio, 85 anos. Armando Guebuza exaltou a coragem e determinação do homem que “soube fazer da literatura uma arma para a libertação dos moçambicanos”. OS feitos de José Craveirinha, falecido a 6 De Fevereiro de 2003, em muito se identificam com as mais nobres causas que os moçambicanos abraçaram ao longo do tempo. Um homem de cultura e desporto, passando pelo jornalismo, constitui um importante factor de exaltação e celebração da moçambicanidade. A casa-museu contém um vasto espólio de trabalhos já divulgados e outros inéditos do poeta, que constituem um rico legado para a memória cultural e histórica de Moçambique. Dentre muitas obras de arte e de literatura existentes na casa do poeta-maior consta uma representativa colecção de obras de arte, com trabalhos de artistas como António Bronze, Malangatana, Samate Mulungo, João Júlio, Chichorro, óleos de Bertina Lopes, desenhos de Idasse Tembe, Zeca Craveirinha. Encontram-se ainda esculturas de arte makonde, cerâmicas, máscaras, reproduções de telas de Gauguin, Cézzane e de Pablo Picasso, para além de uma colecção da indumentária do poeta. Estão ainda na casa do poeta discos de grandes artistas do jazz como são os casos de Duke Ellingtin, Lady in Saty, Billy Holiday, Count Basie, Charlie Parker, John Coltrone, Jazz Naturaly, Johnny Hartman e Mahalia Jackson. Está ainda uma boa colecção de Fanny Mpfumo. Na biblioteca consta um espólio de mais de três títulos, bem como um manancial de caixas de outros locais onde estão guardados materiais inéditos. Consta ainda uma infinidade de medalhas, certificados de méritos e diplomas de honra que o poeta arrecadou, bem como as insígnias e os prémios com que o poeta foi distinguido, um dos quais é o Prémio Camões, em 1991, que é a maior distinção literária da Língua Portuguesa. CRAVEIRINHA HERÓI NACIONAL Um dos mais importantes poetas de África e dos países oficiais de Língua Portuguesa, José Craveirinha – o poeta dos vatícinios infalíveis e pai do nacionalismo moçambicano – foi uma figura de intervenção social, política e cultural, e perdeu a vida a 6 de Fevereiro de 2003, numa das clínicas da África do Sul onde se encontrava a receber cuidados médicos. Devidos aos seus feitos heróicos e em reconhecimento da sua dimensão multifacetada e da sua vida e obras, a após a sua morte, Craveirinha foi elevado à categoria de Herói Nacional. Com o seu desaparecimento físico decretou-se Luto Nacional, e o Povo, sobretudo, os habitantes da Mafalala, saiu à rua para testemunhar a passagem do cortejo fúnebre rumo ao momento dedicado aos Heróis Moçambicanos. Na ocasião, o então Presidente da República, Joaquim Chissano, disse que a única consolação para Moçambique e o seu Povo era a semente que o poeta-mor deixava e que a sua obra permanecerá para todo o sempre, porque intemporal. Um guerrilheiro da palavra e militante político, Craveirinha esteve preso durante quatro anos (1965-1969) na Cadeia Central, pela Polícia Colonial Portuguesa (PIDE). Sendo auto-didacta, José Craveirinha exerceu a profissão de jornalista, tendo usado vários pseudónimos, designadamente José Manchangane, Mário Vieira, J.C., Jesuíno Cravo, Abílio Cossa e António Sousa. Iniciou a sua profissão como jornalista no O Brado Africano e posteriormente trabalhou e colaborou, respectivamente, no Notícias, Notícias da Tarde, A Tribuna, A Voz de Moçambique, Notícias da Beira, Voz Africana, O Cooperador, Revista Nova e Revista Tempo. Foi funcionário público, desportista, associativista, ensaísta e folclorista. Na década de 50 desempenhou um papel de relevo na Associação Africana, chegando a ser presidente desta agremiação no início dos anos 60. Dentre os vários livros publicados ainda vivo e outros em edição póstuma contam-se “Xigubo”, “Karingana ua Karingana”, “Cela-1”, “Hamina e Outros Contos”, “Babalaze das Hienas”, “Obra Poética”, “Cantico a une dia de catrame”, “Poemas da Prisão”. Três meses após a sua morte, a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) anunciou a criação do Prémio Literário José Craveirinha, com um valor pecuniário de cinco mil dólares americanos com patrocínio da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e que tem por objectivos valorizar a literatura moçambicana, associando-o a um grande nome da cultura moçambicana. Com a independência, em 25 de Junho de 1975, José Craveirinha não se eximiu de abraçar novas causas, como a da construção da nação, ao que contribuiu continuando a produzir importantes trabalhos literários. Foi durante vários anos vice-presidente do Fundo Bibliográfico da Língua Portuguesa (FBLB), cargo que ocupou até à sua morte, ocorrida a 6 de Fevereiro de 2003 na África do Sul vítima de sucessivas complicações de saúde. PRÉMIOS Prémio Cidade de Lourenço Marques 1959 Prémio Reinaldo Ferreira, Centro de Arte e Cultura da Beira, 1961 Prémio de Ensaio, Centro de Arte e Cultura da Beira, 1961 Prémio Alexandre Dáskalos, Casa dos Estudantes do Império, Lisboa, Portugal, 1962 Prémio Nacional de Poesia de Itália, 1975 Prémio Lotus, Associação dos Escritores Afro-Asiáticos, 1983 Medalha de Nachingwea do Governo de Moçambique, 1985 Medalha de Mérito, Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, Brasil, 1987 Prémio Camões, 1991 Prémio Voice of Africa, da Ordfront Publishing House, Suécia, em 2002 Maputo, Quarta-Feira, 19 de Novembro de 2008:: Notícias