30 de março de 2009

José Maria Neves: Um Príncipe entre as mulheres cabo-verdianas

José Maria Neves: Um Príncipe entre as mulheres cabo-verdianas A sala do hotel Sana encheu-se na tarde de sexta-feira, 27, para a homenagem às mulheres cabo-verdianas. Mulheres de todas as idades e profissões colocaram os seus melhores vestidos e retocaram o cabelo e a maquilhagem para melhor se apresentarem na cerimónia. A presidi-la iria estar José Maria Neves, o Primeiro-Ministro de Cabo Verde em pessoa. A efeméride, que se realiza há vários anos, em Cabo Verde, aproveitou a passagem do chefe do governo das ilhas para, de forma simbólica para homenagear todas as mulheres, e relembrar o seu "valioso contributo na afirmação de Cabo Verde no mundo". Depois de um pequeno momento musical com a cantora Danae, foram convidadas a tomar da palavra algumas mulheres, simbolizando as diferentes gerações de mulheres emigrantes, desde das primeiras a chegar, ainda nos anos sessente, até à mais jovem, uma descendente de trinta anos, militar da Guarda Nacional Republicana. Histórias de vida que contagiaram a sala e emocionaram todos, numa comunhão de patriotismo que haveria de ser aproveitado pelo embaixador Arnaldo Andrade, ao recordar o papel da mulher na sociiedade cabo-verdiana. A finalizar, José Maria Neves, num longo discurso emotivo, socorreu-se de um conjunto de imagens iconográficas do quotidiano: " A gota d'água... a lata d'água... o cimbron", bem como passagens épicas de poemas, num lirismo crescente e inspirado na plateia feminina que parecia beber as suas palavras. Terminou denunciando a irresponsabilidade do homem cabo-verdiano, a recusa em assumir a paternidade; a violência doméstica. No entanto, inspirado pela vertigem do sucesso das suas palavras e antes de começar a distribuir rosas pela sala, não resisistu em contar um pequeno conto. Aconteceu no México, num encontro de trabalho. "Foi em 2002, acabava de ser eleito e ainda não tinha cabelos brancos. A filha do presidente mexicano Vicente Fox estava curiosa e fez-me muitas perguntas sobre Cabo Verde. Mesmo depois de lhe explicar, continuava a não ter uma ideia das ilhas. Entretanto alguém falou comigo e mencionou o nome de Cesária Évora; e ela então voltou-se para mim: mas a Cesária eu conheço! Então conheço o seu país! Então Cabo Verde é um país democrático, não é? Sim, respondi. Então você foi eleito? Sim. É que eu pensava que Cabo Verde era um Principado e que você era um príncipe! Sapo CV, 30 de Março de 2009