26 de abril de 2009

Cabo Verde: Campo de Tarrafal vai-se transformar num património cultural

Simpósio Cabo Verde: Campo de Tarrafal vai-se transformar num património cultural Luanda – A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, anunciou hoje, em Luanda, que o Campo de Concentração de Tarrafal, em Cabo Verde, vai se transformar num espaço cultural e histórico, para perpetuar a memória de todos quantos por aquele local passaram. Rosa Cruz e Silva fez este anúncio à Angop no Aeroporto Internacional “4 de Fevereiro” minutos antes da sua partida para aquele país africano, a frente de uma delegação angolana que participará de 29 do corrente mês a 2 de Maio no Simpósio Internacional sobre o Campo de Concentração de Tarrafal, A governante referiu que durante o encontro, um grupo de historiadores angolanos que integram a comitiva governamental vai fazer estudos sobre a temática do evento, nomeadamente, o registo do património e a sua defesa, razão pela qual as autoridades cabo-verdianas pretendem transformá-lo num centro cultural. Com a realização do simpósio, pretende-se valorizar aquele que já é considerado um monumento histórico, pela sua simbologia e que representa um dos patrimónios emblemáticos da história da luta comum dos povos de Angola, Cabo Verde, Portugal e Guiné-Bissau. Angola vai participar no encontro com 48 delegados, 24 dos quais estiveram no Campo de Tarrafal durante a luta de libertação nacional. O evento é organizado pela Fundação Amílcar Cabral, em colaboração com os Ministérios da Cultura de Angola e Cabo Verde. O vice-ministro da Comunicação Social, Manuel Miguel de Carvalho “Wadijimbi”, faz parte da delegação angolana ao certame, para além de outros especialistas. O Campo de Concentração do Tarrafal foi instituído pelo regime fascista português, pela primeira vez, em Abril de 1936, sob o nome de Colónia Penal do Tarrafal/Campo de Trabalho de Chão Bom. A Colónia Penal do Tarrafal ou “campo de morte lenta”, nome por que ficou conhecido por aqueles que lá estiveram, visava aniquilar física e psicologicamente os opositores portugueses ao regime fascista de Salazar, colocando-os longe dos olhares do Mundo, em condições desumanas de cativeiro, maus tratos e insalubridade. Durante os cerca de 18 anos em que funcionou, estiveram no campo 340 presos políticos, muitos dos quais ali morreram. AngolaPress, 26 de Abril de 2009