29 de junho de 2009

Lisboa: Restaurante Alcaide, para esquecer a saudade

Lisboa: Restaurante Alcaide, para esquecer a saudade Capoeira, bairrismo, música, copos, intimismo, gargalhadas, África, Walter e Sandra. É na junção destas características com a peculiar forma de receber e dinamizar de Walter Lima e Sandra Sapage que se forma a originalidade do Snack-bar/Restaurante Alcaide, em Lisboa. Este restaurante situa-se num dos bairros mais típicos e mais antigos da cidade – a Mouraria. Por entre ruas e ruelas, entre a baixa e o Castelo, chegamos ao Alcaide como se, de repente, uma lufada de carinho e alegria nos enviasse para um local bem longe da movida da capital portuguesa e aterrássemos num caricato ambiente festivo e acolhedor, bem distante da indiferença e frieza próprias de uma capital. Aqui se encontram moradores do bairro e amigos dos donos. Pessoas do mundo da música e um grupo de capoeira fazem a festa, incentivados pelas brincadeiras de Walter Lima. Pode esta não ser a casa das pessoas, mas todos agem como se tal fosse. A Mouraria é quase como uma representação física daquilo a que chamamos saudade. É antigo, sinuoso, apertado, belo e cinzento. O Alcaide vem contradizer todo o saudosismo que vemos passear neste bairro levando até ele o urbano e o moderno. As risadas têm como pano de fundo a música dos saxofones e da guitarra, assim como de alguns outros instrumentos feitos de improvisos. Aldo Milá faz deste espaço o seu estúdio, animado com a sua guitarra. E outros músicos a ele se juntam, em números inventados à pressão, mas com óptimos resultados. Uns dançam, outros cantam, outros assobiam. E não são raras as vezes que o grupo de capoeira de presença habitual decide arredar as mesas e começar a gingar e a jogar. O líder dos capoeiristas quase podia ser uma outra mascote do nosso portal, pois, qual espanto, tem um nome que quase poderia ser – mas não é – uma homenagem: Mestre Sapo. “Gostamos do espaço, a comida é boa…”, diz o Mestre Sapo, e atenção ao antecedente “Mestre”, não vá o Sapo ser confundido com o nosso sapinho que também dança. Aqui há gastronomia portuguesa e africana. Mas nem por isso podemos considerar este local um restaurante africano. Walter Lima prefere que o apelidemos de restaurante lusófono. E assim é, dado que a mistura está aqui bem patente. Aliás, o prato de hoje é Moqueca de Camarão, em memória do Brasil, ou mais precisamente da Bahia. Noutros dias, podemos contar com outros pratos de origens diversas, como a Moamba ou o Calulu. O mais importante para o casal que gere este restaurante é “o cuidado com a apresentação e com aquilo que oferece”. De resto, diz Walter, “a juventude é a maior aliada”, disposta a passar noites mexidas e alegres na companhia dos amigos. Helga Costa Sapo MZ, 29 de Junho de 2009