16 de Outubro de 2009

Moçambique: Distrito de Malema na província de Nampula, um verdadeiro celeiro

NAMPULA: MALEMA UM VERDADEIRO CELEIRO Pouco mais de 244 mil toneladas é a quantidade de produtos alimentares diversos contabilizados até ao momento pelas autoridades governamentais do distrito de Malema, interior da província de Nampula, que espelham os resultados das colheitas da presente safra, como tendo sido um sucesso para o qual contou a forte sensibilização para o incremento das áreas de cultivo e garantia de incentivos aos produtores com fundos de financiamento de iniciativas locais, vulgarmente conhecido por “sete milhões”. Na campanha agrícola 2007/2008, o distrito de Malema produziu cerca de 177 mil toneladas de produtos diversos, com destaque para o milho, feijões e hortícolas, além da mandioca e algodão, quantidades que na sua maioria foram comercializadas, uma vez que aquela região do oeste de Nampula está há vários anos livre da fome. De acordo com Henrique João, director distrital dos serviços de actividades económicas em Malema, a campanha 2008/09 foi caracterizada por um clima favorável à prática da agricultura, aliada à queda e distribuição regular da chuva, o que catapultou os produtores para o trabalho, munidos de insumos agrícolas alocados pelo Governo, com enfoque para fertilizantes e sementes de culturas diversas. Malema possui recursos hídricos abundantes para irrigação dos campos, o que permite aos produtores fazer o máximo de quatro épocas e o mínimo de duas, dependendo do tipo de culturas desenvolvidas na região. Nas últimas três campanhas agrícolas, o distrito tem focalizado o cultivo de feijões, milho soja, no quadro do programa de incremento agrícola para fazer face à crise alimentar global. Para garantir a prossecução do referido programa, o Governo de Malema recorreu aos fundos de financiamento de iniciativas locais num montante estimado em vinte milhões de meticais aplicados num período de três anos. Segundo Henrique João, o volume de colheitas tem estado a registar um incremento considerável e as vendas revelam uma contribuição positiva na subida dos níveis de qualidade de vida das famílias. PRODUTORES DE FEIJÕES ARRECADAM UM MILHÃO Os produtores de Malema já efectuaram a colheita da maior parte das 277 mil toneladas de produtos alimentares conseguidos até à última semana, mas a cultura de feijão bóer é aquela que concentra a atenção dos produtores locais, devido à oferta por parte dos intervenientes no processo de comercialização de preços que superam a expectativa. O distrito produziu na presente safra cerca de 75 toneladas de feijão bóer, sendo que até ao momento foram compradas mais de cinquenta toneladas daquela leguminosa a preços que variam entre quinze a 20 meticais o quilograma, e segundo contas feitas pelos produtores de Malema estimam que as suas receitas rondam perto de um milhão de meticais. O feijão bóer, tanto quanto outras espécies daquela leguminosa, é praticado de forma consorciado com as outras culturas alimentares, de acordo com Henrique João, sendo por essa razão difícil estimar o número de produtores envolvidos na sua produção. O feijão bóer comprado nos distritos do oeste de Nampula destina-se a fornecer o mercado asiático, com destaque para a República da Índia e do Paquistão, cuja população na sua maioria defende hábitos alimentares baseados em vegetais, segundo dados em nosso poder. A nossa Reportagem questionou a Lopes Almeida, produtor de Malema, as razão da azáfama que tem caracterizado a comercialização de feijão bóer naquele distrito, tendo respondido que “este valor que atingiu os 20 meticais o quilograma deve ser aproveitado porque a qualquer momento pode variar no sentido negativo, sobretudo quando a quota do mercado asiático atingir o pico de satisfação”. O nosso entrevistado acrescentou que, nas duas últimas épocas agrícolas, o preço de feijão bóer por quilograma estava fixado a uma média de dez meticais. Explicou que a sua subida gradual do preço nos últimos dois anos se prende com a qualidade do vegetal que é praticado sem a aplicação de fertilizantes, o que torna o produto preferido nos países da Ásia e Europa. O milho é outra cultura tradicional e que nos últimos dois anos tem registado índices de produtividade bastante notáveis em Malema, mas que a sua comercialização ainda não atingiu o patamar do feijão bóer. Artur Muquissirima, dos serviços distritais de actividades económicas naquele distrito, explica que o facto se deve à estratégia adoptada pelos produtores visando vender a sua produção a preços concorrenciais para compensar o seu esforço, segundo preconiza a política de mercado actualmente aplicada. A meta de produção do milho para Malema relativa à campanha finda é de 38 mil toneladas, contra as 25 mil colhidas na safra 2007/08, mas Artur Muquissirima assegura que a mesma foi largamente superada, o que vai contribuir para o aumento das receitas dos produtores acima das suas expectativas. ESTRATÉGIA DE PRODUÇÃO FOI O SEGREDO DO SUCESSO Para a campanha agrícola finda, o Governo de Malema cedo iniciou o processo de mobilização dos produtores visando incrementar as suas áreas de cultivo e informar sobre a existência de sementes melhoradas de culturas alimentares, incluindo as formas de aquisição que gozam de descontos além de o seu pagamento poder ser efectuado depois das colheitas. Adicionalmente, efectuou a distribuição atempadamente de juntas de bois devidamente treinadas para a tracção animal aos produtores e associações que mais se tem evidenciado na gestão daquele processo de maneio do gado bovino para produção agrícola. Além de facilitar o aumento das áreas de cultivo, o uso de tracção animal no processo de produção agrícola facilita a realização de três a quatro campanhas numa só, sobretudo nas culturas de milho, gergelim, incluindo hortícolas que são uma das principais fontes de arrecadação de receitas das famílias. No capítulo de sementes, o distrito adoptou o uso de sementes melhoradas comercializadas pela Pannar. Segundo Luís Muquissirima, a semente de milho Pan 67, tem registado índices de produtividade assinaláveis, pois produz três a quatro espigas em cada planta. “Este ano propomo-nos a massificar o uso de adubos para aumentar o volume de produtividade por hectare de milho a partir da semente Pan 67”, revelou o nosso informador para depois acrescentar que o Fundo das Nações Unidas para a Alimentação (FAO) acaba de garantir a disponibilização de um fundo não revelado para suportar a compra de fertilizantes visando a distribuição aos produtores que, entretanto, deverão comparticipar com metade do custo das suas necessidades globais em relação ao preço praticado no mercado normal. CONDIÇÕES DE VIDA MELHORAM A nossa Reportagem questionou ao director dos SDAE, em Malema, Henrique João, se as novas construções de habitações à base de material convencional e misto um pouco por todo distrito têm alguma relação com o incremento dos índices de produção que se vem registando nos últimos anos, tendo afirmado que “a melhoria dos níveis de vida no distrito não se pode medir apenas recorrendo às condições de habitação, mas também pela aquisição de viaturas de carga, motos e motorizadas, sem excluir alguns tractores por parte de grupos de produtores”. Acrescentou que o comércio, em Malema, sofre um outro tipo de exigência por parte da população local, sobretudo para colocar nos estabelecimentos em funcionamento aparelhos de televisão, sonoros de alta potência, antenas parabólicas que facilitam a informação do que se passa noutros pontos do mundo. Contudo, o Governo de Malema mostra-se preocupado com o facto de os produtores locais não dominarem os princípios que regem o mercado agrícola, uma situação que os coloca numa posição de vulnerabilidade em relação aos potenciais intervenientes no processo de comercialização que em muitos casos arbitram os preços dos produtos que pretendem comprar. “Os produtores precipitam-se em colocar a sua produção nos momentos em que o mercado regista preços relativamente baixos. O desafio do overno é capacitar o produtor com ferramentas que o permitam saber interpretar o comportamento dos mercados e isso vai resultar em vendas positivas dos seus excedentes para o bem da sua família e comunidade em geral” – disse Henrique João. O interlocutor frisou que o treinamento dos produtores em gestão de negócios deve ser desenvolvido num curto espaço de tempo, porquanto a próxima campanha que já está em processo de preparação promete ser muito mais promissora que a última. Com efeito o Governo de Malema acaba de adquirir um total de 156 cabeças de gado bovino para formar 52 juntas para tracção e fomento animal. Os animais já se encontram no distrito em processo de treinamento devendo arrancar a lavoura dos campos logo no próximo mês de Novembro. Com fundos do FIL, o distrito adquiriu três tractores que se encontram posicionados nos postos administrativos de Chuhulo, Mutuali e de Malema, prestando um auxílio notável aos produtores no processo de produção agrícola. Carlos Tembe Maputo, Sexta-Feira, 16 de Outubro de 2009:: Notícias