26 de janeiro de 2010

Manifestações em várias capitais mundiais a favor dos Bosquímanos


A favor dos Bosquímanos

Manifestações em várias capitais mundiais

Pretoria (Canalmoz) - A organização «Survival International» tem projectada para o próximo dia 3 de Fevereiro uma série de manifestações defronte dos estabelecimentos comerciais da Tiffany em Londres, Paris, Berlin, Madrid e São Francisco em protesto contra o financiamento de furos de água destinados a animais selvagens em território pertencente aos bosquímanos. O povo bosquímano do Botswana está impedido de ter acesso aos seus próprios furos de água. A Tiffany é uma empresa dedicada ao comércio de artigos de joalharia, incluindo diamantes extraídos de minas situadas nas terras dos bosquímanos no Botswana.

Estima-se em 100.000 o número de bosquímanos a viver presentemente no Botswana, Namíbia, África do Sul e Angola. Trata-se de um povo indígena da África Austral, aí residindo há dezenas de milhares de anos.

Na região centro do Botswana situa-se a Reserva Central de Animais Bravios do Kalahari Central (CKGR). Esta reserva foi criada no intuito de se protegerem as terras tradicionais de 5.000 bosquímanos Gana, Gwi e Tsila (e os Bakgalagadi, seus vizinhos), e espécies de animais selvagens das quais esse povo depende.

Nos princípios da década de 80 foram descobertos diamantes na reserva de CKGR, após o que o governo do Botswana informou os bosquímanos de que deveriam abandonar as suas terras. Em três grandes operações de limpeza levadas a cabo em 1997, 2002 e 2005, o governo procedeu à evacuação forçada de quase todos os bosquímanos, tendo as suas casas sido desmanteladas. Foram encerradas escolas e postos de saúde. O abastecimento de água às zonas residenciais dos bosquímanos foi destruído.

A maioria dos bosquímanos vive agora em aldeamentos foram da zona da reserva CKGR, estando impedidos de caçar. A «Survival International» acredita que caso os bosquímanos sejam impedidos de regressar às suas terras ancestrais, o seu modo de vida social impar ficará destruído para sempre e muitos deles acabarão por morrer.

Embora em 2006 um tribunal do Botswana tivesse decretado o regresso dos bosquímanos às suas terras ancestrais, o facto é que o governo do Botswana tudo tem feito para impedir que tal aconteça. Concretamente, o governo de Gaborone proibiu os bosquímanos de terem acesso aos respectivos furos de água, recusou-se a passar uma única licença de caça para que os bosquímanos pudessem caçar para a sua própria alimentação, para além de ter interditado o acesso de gado caprino dos bosquímanos aos pastos situados no interior da reserva CKGR.

As manifestações programadas para o dia 3 de Fevereiro enquadram-se nas acções de solidariedade para com os bosquímanos do Botswana e de defesa dos seus legítimos direitos. Um dos líderes do povo bosquímano anunciou recentemente que iria recorrer ao Tribunal Internacional de Justiça em face da recusa do governo do Botswana em acatar as ordens do tribunal deste país.

(Redacção / Survival International)
2010-01-26