28 de fevereiro de 2010

Luís Amado: «Só oiço dizer mal de Portugal em Portugal»


Amado: «Só oiço dizer mal de Portugal em Portugal»

O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, confessou que só ouve dizer mal de Portugal em Portugal, em contraste com elogios ao país que ouve constantemente de dirigentes dos países que visita no mundo.

Em declarações à agência Lusa no final de uma visita oficial ao reino da Suazilândia, e no dia em que embarca com destino ao Lesoto, Amado reagiu a um comentário feito pelo seu homólogo suazi, segundo o qual «Portugal é um gigante na diplomacia africana».

«Em todas as partes do mundo em que ando existe um grandes respeito pela importância histórica de Portugal e pelo que a nossa História representa, quer em África quer na Ásia, por que há consciência do que foi o papel extraordinário da diáspora portuguesa de séculos em todas as regiões do mundo», referiu o membro do governo.

Para o responsável pela diplomacia portuguesa, «é muito gratificante testemunhar a importância crescente da língua portuguesa no mundo» e a aproximação que um número crescente de países empreende em relação a Portugal e à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

No Grupo Desportivo Português, em Mbabane, Luís Amado e a sua delegação, na qual se incluíram o embaixador de Portugal em Moçambique e o cônsul-honorário português em Mbabane, Carlos Madureira Lopes, tiveram ontem à tarde um encontro com um grupo de portugueses residentes à longa data na Suazilândia, e que transmitiram ao membro do governo um optimismo crescente pelas oportunidades existentes no reino e na região em geral.

Muitos dos cerca de um milhar de portugueses residentes na Suazilândia estabeleceram-se no país a seguir à independência de Moçambique, em Junho de 1975, mas o seu número tem diminuído substancialmente nos últimos anos uma vez que muitos regressaram a Moçambique beneficiando da abertura política e económica daquele país, segundo disseram ao ministro Luís Amado os presentes.

A única professora de português destacada pelo Estado português para a Suazilândia revelou que o número de alunos não pára de crescer, assim como o interesse de grupos, indivíduos e instituições pela língua portuguesa.

Luís Amado, que termina o seu périplo pela África Austral terça-feira, quando deixará a Namíbia com destino a Maputo, onde se juntará à comitiva do primeiro-ministro José Sócrates, insistiu na ideia de que a região Austral será «o motor do desenvolvimento do continente nas próximas duas a três décadas».

«Esta região será, e disso não tenho quaisquer dúvidas, o foco dos nossos interesses estratégicos nas próximas duas a três décadas. Há muito que fazer nesta região e provavelmente nenhum Estado europeu está melhor equipado e tem tanta vantagem competitiva como Portugal para se relacionar com esta região», referiu o ministro.

Amado defende que Moçambique oferece enorme potencial a empresas portuguesas, com vantagens mútuas para os dois países, isto depois de «alguma obsessão com Angola e com o seu crescimento económico em tempos recentes».

Lusa/SOL, 28 de Fevereiro de 2010