7 de maio de 2010

Moçambique: Prepara-se "II Aldeia Cultural" em Maputo


Em Maputo: Prepara-se "II Aldeia Cultural"

Maputo (Canalmoz) - A Casa de Ferro, em Maputo, edifício onde se encontra alojada a Direcção Nacional de Cultura, colheu recentemente um encontro entre a Iodine e a Logaritimo Produções, entidades mentoras do programa “Aldeia Cultural”, com as demais instituições parceiras na sua materialização, como o Ministério da Cultura, o Teatro Avenida, para além de alguns artistas com a finalidade de clarificar alguns aspectos aos envolvidos bem como solicitar o engajamento de todos, muito em especial da comunicação social.
Ao que tudo indica, este projecto que neste ano se realiza pela segunda vez consecutiva, ainda carece de apoios à medida de sua envergadura. É um dos maiores programas culturais que Moçambique possui depois do Festival Nacional de Cultura (FNC). Envolve quase todos os quadrantes culturais, inclusive uma parte do FNC na província de Maputo.
Poderão ainda tomar parte deste certame cultural, instituições de ensino de artes e cultura, como o Instituto de Arte e Cultura, a Escola de comunicação e Artes, Escolas Nacionais de Música e de Artes Visuais, escolas de dança, etc., agregando assim diversas modalidades de actividades e manifestações culturais, como o teatro, a dança, a gastronomia, a literatura, o cinema, as artes visuais, o canto e dança e tudo que se puder criar no âmbito de arte.
Falando, na ocasião, a directora do teatro Avenida, Manuela Soeiro, explicou que a inclusão dos estudantes do Instituto de Cultura e Artes (ISAC) é uma forma de consubstanciar o que os alunos aprendem na escola, uma vez que “há estudantes que terminada a formação enfrentam dificuldades na implementação dos conhecimentos na prática”. Por outro lado, Rui Martins, docente daquela instituição, aceitou os ditos da directora, acrescentando que “a participação do ISAC no TA, assemelha-se à colocação de um peixe na água, na medida em que as escolas não fazem milagres para o sucesso das actividades culturais, mas preparam profissionais qualificados para que facilmente herdem de grandes artistas que o país possui”.
Grosso modo, apesar da convicção na sua efectivação, os organizadores deste evento ressentem-se da indiferença do empresariado nacional no apoio do mesmo, chegando inclusive a condicionar os patrocínios a situações tendencialmente contrárias à filosofia do mesmo. Situação que vem resultando no abandono dessas propostas por parte dos mentores, como Soeiro afirmou na ocasião.

Queremos que o artista seja a estrela do nosso festival

Contrariamente à forma suave com a qual alguns dirigentes deste projecto abordam a exiguidade de apoios para a efectivação do projecto, a directora do Teatro Avenida, Manuela Soeiro, que anda com “cara de poucos amigos” devido à falta de sensibilidade cultural de que resulta a suposta indiferença, revelou, de forma objectiva, que “não temos nenhum apoio”.
Isto equivale a dizer que contrariamente às cores vistosas das principais empresas mecenas culturais deste país, como é praxe quando de eventos culturais realizados em “casas de cultura comercial”, na “Aldeia Cultural” não se verifica nenhuma coloração do género. Esta situação faz-nos perceber que o mecenato não percebe a filosofia da “Aldeia Cultural” – “a busca pela elevação da identidade de povo moçambicano”.
É por essa razão que Manuela Soeiro acabou afirmando que: “Percebemos que a agressividade dos mecenas pode ofuscar a visibilidade do artista”.
“Queremos que o artista seja a estrela do nosso festival, e não a bandeira de qualquer empresa que seja, como nos condicionaram”. No entanto, “queremos contar com o apoio da Imprensa, porque se um artista faz um trabalho e não é mediatizado é como se ele não tivesse feito nada”, acrescenta Manuela Soeiro.
Participaram da II edição da “Aldeia Cultural” artistas de renome como Lucrécia Paco, Mário Mabjaia, os Gorowane, Maria Helena Pinto, Mingas entre outros que se juntaram a uma moldura humana de novos talentos, artistas anónimos, e o público em geral, num evento a realizar-se ao longo da avenida Samora Machel, em Maputo, na penúltima semana do corrente Maio.

(Inocêncio Albino)
2010-05-07