27 de agosto de 2010

Moçambique: Prioridade no caju é triplicar as plantas

Moçambique: Prioridade no caju é triplicar as plantas

Moçambique vai continuar a privilegiar os trabalhos de reposição da capacidade de produção da castanha de caju, através da distribuição de mudas e combate a doenças que afectam os cajueiros. O Director Nacional Adjunto do Instituto de Fomento do Caju, Raimundo Matule, disse que a curto prazo a prioridade do Governo é triplicar os actuais níveis de distribuição que variam entre 1,3 e 1,5 milhão de plantas.

Mais importante do que propriamente colocar as mudas junto do produtor, Raimundo Matule falou necessidade de garantir uma monitoria permanente para saber se as plantas estão a desenvolver-se dentro dos patrões técnicos recomendáveis.

O país não tem ainda produtos de pesquisa aplicada suficientemente abrangentes, razão por que está a distribuir apenas quatro clones de cajueiro, numa altura em que países como a Índia têm por volta de 50 variedades.
Na componente de comercialização, a fonte reconhece algumas deficiências de articulação com as entidades locais com vista a um processo regrado, mediante a implementação do regulamento sobre a matéria, nomeadamente a venda da castanha em função da sua qualidade.

Quanto ao processamento, os constrangimentos têm a ver com a falta de linhas constantes de financiamento para a indústria. “O nosso sector empresarial precisa de ter sistemas de financiamento mais estruturados e previsíveis para que os investimentos sejam feitos e rentabilizados”.

Neste momento as necessidades da indústria nacional em termos de matéria-prima estão fixadas em cerca de 40 mil toneladas, o que significa que o país é obrigado a exportar em bruto cerca de 50 toneladas. Ainda assim, o Governo tem vindo a concertar com o sector privado para assegurar que as fábricas de processamento não fiquem sem castanha para operar.

“Na área dos mercados externos temos constrangimentos para aumentar a presença do nosso produto no mundo. Precisamos de penetrar mais no mercado e identificar nichos que estejam de acordo com a nossa capacidade de processamento, precisamos de melhorar a qualidade e a apresentação do nosso produto”, frisou.

Actualmente, Moçambique coloca amêndoa em países da União Europeia, Estados Unidos da América, África do Sul e, recentemente, nalguns mercados do Médio Oriente.

Entretanto, o Governo está a promover o processamento da polpa do caju através da produção de sumos, aguardente e vinhos. Com efeito, está a ser instalado um projecto- escola de processamento industrial no distrito de Meconta, província de Nampula, numa primeira experiência do género no país e que envolve o Estado, sector privado e sociedade civil.

Trata-se de uma experiência que se espera sirva de ponto de referência e de aprendizagem sobre as melhores formas de processamento do fruto.

“A unidade industrial vai funcionar como escola, mas obviamente com alguma vertente comercial”, disse Raimundo Matule, falando recentemente numa conferência de Imprensa, em Maputo, para anunciar a realização este mês da V Conferência Anual da Aliança Africana do Caju.

Maputo, Sábado, 28 de Agosto de 2010:: Notícias