8 de setembro de 2011

X Jogos Africanos intitulado “África Mítica”: Um presente para África


X Jogos Africanos intitulado “África Mítica”: Um presente para África

O espectáculo de abertura oficial dos X Jogos Africanos, intitulado “África Mítica” apresentado na noite do último sábado, no Estádio Nacional do Zimpeto, foi, sem sombra de dúvidas, o maior presente que Moçambique ofereceu ao continente e ao mundo, por ocasião da sua escolha para acolher as chamadas olimpíadas africanas.

Através da música, dança e teatro, Moçambique mostrou a sua realidade desde o longínquo período de invasão imperialista até ao período actual.

Com um bailado corporizado por cerca de oitocentos bailarinos, 150 músicos e um “back vocal” constituído por oito intérpretes, Moçambique trouxe aos olhos do mundo a história passada, recente e a perspectiva do seu futuro.

“África Mítica” é um espectáculo corrido ao longo do qual são relatados diferentes momentos da história de Moçambique e por analogia, a de grande parte dos povos africanos.

De forma teatralizada, aborda-se a vitalidade das culturas e tradições moçambicanas, incluindo os jogos como factores de socialização e de desenvolvimento.
Num texto escrito por Domingos Artur, director Industrias Culturais, a peça expressa igualmente, as emoções e conquistas, os processos de retroalimentação das culturas e civilizações, propiciando e acelerando o progresso dos povos.

A apresentação do bailado “África Mítica” foi na verdade um momento único, marcante e inolvidável e que marcará a história dos presentes jogos africanos de Maputo.

“África Mítica” é a designação usada pelos antigos visitantes do continente africano, que, entretanto, segundo os seus produtores, pode parecer hoje controversa, mas que na verdade África continua até hoje um mistério.

Segundo eles, a designação “África Mítica” é actual, pois a África continua a surpreender pela sua capacidade de conviver com a sua grande diversidade, com o seu passado, com as inovações tecnológicas do presente e com um futuro promissor, resultado do trabalho abnegado das suas gentes.

Antes da apresentação desta história teatralizada, a sessão cultural da cerimónia de abertura oficial dos X Jogos Africanos do Maputo foi marcada, igualmente, pela actuação de dois categorizados artistas nacionais, nomeadamente o saxofonista Moreira Chonguiça e o multifacetado Casimiro Nhussi, bailarino, músico e coreógrafo.

Moreira Chonguiça, acompanhado pelos alunos da Escola Nacional de Música, apresentou a canção “Vozes do silêncio”, com a qual chama à nossa consciência sobre os perigos que o HIV/SIDA representa para a humanidade.

Casimiro Nyussi, um dos mais renomeados bailarinos de Moçambique, interpretou, por seu turno, a canção “Moçambique” para exaltar a Unidade Nacional e a moçambicanidade.

Cena 1 - A grande abertura

O bailado propriamente dito, inicia com o que os autores chamam de “Grande Abertura”, através de um interlúdio de tambores a volta de uma fogueira. Exaltou-se o simbolismo do tambor e da fogueira nas comunidades moçambicanas, como veículos de comunicação, de união e de celebração.

Foi o rufar do grande tambor ali mesmo no centro do Estádio Nacional do Zimpeto. Convocou-se os espíritos para a festa que Moçambique oferece ao continente e ao mundo até ao 18 do corrente mês.

Ribombou a bem ribombar o grande tambor para anunciar o arranque oficial dos X Jogos Africanos do Maputo ao mesmo tempo que despertava a todos para o espectáculo que se seguia.

Começava a ganhar corpo o bailado “África Mítica” com a primeira cena que os autores decidiram chama-la “Despertar” para ilustrar a realidade do país.

Cena 2 - Despertar

Tratou-se de uma encenação que trouxe o dia-a-dia das comunidades. Foi demonstrada a vida das comunidades, por intermédio de tarefas domésticas, sociais e económicas com destaque para produção agrícola, caça, pesca, educação, cultura, desporto, recreação, entre outras.

Assistiu-se a uma encenação que retratava todo processo de socialização do Homem moçambicano, desde as brincadeiras que marcam a infância, passando pela adolescência, juventude e por fim a fase adulta já comprometida com o trabalho.

Seguiu-se a dança Ngalanga para exprimir o ambiente de harmonia e trabalho das comunidades. Esta dança de origem Xopi foi escolhida porque transmite alegria, uma manifestação característica do povo moçambicano.

Foi também um momento para mais uma vez exibir-se a timbila, instrumento Xopi proclamado pela UNESCO em 2005, Património Oral e Imaterial da Humanidade.

Cena 3 - Ocupação Colonial

Porque “África Mítica” foi produzido para contar a história de Moçambique, seguiu uma encenação sobre a ocupação colonial.

A ocupação colonial é retratada como tendo sido ela a responsável pela destruição do tecido social do povo moçambicano baseado na harmonia e alegria.

Esta destruição é teatralizada com a entrada em cena da força repressiva do colono, representada por sipaios, cuja missão era de reprimir os moçambicanos e pilhar suas riquezas, facto que aconteceu ao longo de séculos.

Durante a cena foram, com uso da força, reprimidos as revoltas e acções de negação a opressão.

Cena 4 - Nacionalismo

Inspirado em parte, pelas acções de resistência contra a ocupação colonial, organizadas por vários chefes locais, o povo organiza-se de forma decidida para expulsar o colonizador.

Narra-se o surgimento dos três movimentos nacionalistas para a libertação de partes do território Nacional, mas a acção de mediadores e mobilizadores permitiu juntar os três movimentos (papel do Presidente Eduardo Mondlane), constituindo a Frente de Libertação de Moçambique.

Cena 5 - Independência Nacional

Makwaya dança típica de algumas Províncias de Maputo, Gaza, Sofala e Manica, é introduzida para celebração da Independência Nacional, entre outras conquistas, nomeadamente nos campos de educação, saúde, inovações e acesso às tecnologias de informação e comunicação, entre outras.

Ainda na província de Manica foi se buscar mutxongoyo para representar as onze províncias do país que mais tarde se unem, simbolizando a Unidade Nacional, solidariedade, entre outros valores que resultam na realização dos X Jogos Africanos em Moçambique.

Cena 6 - Apoteose

Explora a Canção Oficial dos Jogos, para representar a alegria e ganhos colectivos dos X Jogos Africanos, bem como o apelo ao Fair-Play, através das ricas e diversificadas tradições e criações rítmicas e coreográficas.

FICHA TÉCNICA

Texto: ......................... Domingos do Rosário Artur

Guião: ......................... David Abílio e Domingos do Rosário Artur

Coordenação geral: ..... Maria Luisa Mugalela

Coreografia: ................ Pérola Jaime

Figurinos: .................... Calisto Namburete e Cândida Mata.

Assistente iluminação: Quito Abrão Tembe.

Produção: .................... Alvim Cossa.

Supervisão técnica: ..... David Abílio Mondlane.


João Fumo
Maputo, Quarta-Feira, 7 de Setembro de 2011:: Notícias