10 de novembro de 2011

1º Festival Kampfumo em Maputo nos 2 e 3 de Dezembro de 2011


1º Festival Kampfumo

Recinto ao lado dos CFM - 2 de Dezembro 17h30 - 3 de Dezembro 14h30

Um grande festival no centro da cidade de Maputo num recinto ao lado da Estação dos Caminhos de Ferro.
Dois dias de música e festa com 11 bandas provenientes de Moçambique, África do Sul e Portugal.

Bilhetes à venda a partir de 14 de Novembro

Bilhete Normal - 1 dia: 1.000MT -2 dias: 1.500MT

Bilhete VIP - 1 dia: 2.000MT - 2 dias: 3.000 MT

DILON DJINDJI

Músico moçambicano, nascido a 14 de Agosto de 1927, é carinhosamente conhecido como o pai da marrabenta.

Manifestando desde cedo gosto pela música, construiu, aos 12 anos, a sua própria guitarra, com apenas três cordas, a partir de uma lata de óleo. Três anos depois, teve a sua primeira guitarra e com ela começou a tocar em casamentos e em festas particulares. Nessa altura, tocava os populares estilos musicais zukuta e mágica.

Em 1945, após a conclusão dos estudos secundários, frequentou um curso de estudos bíblicos da missão suíça, no Seminário Ricalta, uma instituição ecuménica dos arredores de Maputo. Em 1947, tendo concluído aquele curso, foi exercer as funções de pastor na ilha Mariana (actual ilha Josina Machel, província de Maputo). Nessa ilha, iniciou-se nos recentes ritmos da marrabenta, um estilo musical urbano típico do sul de Moçambique. O seu espírito e energia contribuíram para popularizar esse novo estilo musical. Em 1950, para ganhar algum dinheiro, foi trabalhar como mineiro para a África do Sul e, em 1954, regressando a Moçambique, foi trabalhador numa cooperativa agrícola.

Em 1960 criou o seu próprio grupo de música, Estrela de Marracuene, em 1964 actuou pela primeira vez na rádio, na estação Voz Africana e gravou o seu primeiro álbum, Xiguindlana, em 1973, através da casa discográfica Produções 1001, na qual trabalhou como coordenador de produção. Em 1994, ganhou o N-goma-Moçambique, um concurso da Rádio Moçambique, na categoria de canção mais popular, com a música Juro Palavra d'Honra, Sinceramente Vou Morrer Assim, através da qual exprime as dificuldades em viver em Moçambique.

A partir de 2001, lançou a sua carreira, a nível internacional, como membro do grupo Mabulu. Naquele ano, actuou pela primeira vez fora de Moçambique e demonstrou uma inesgotável energia e uma grande agilidade para a dança. Em 2002, gravou o seu primeiro trabalho internacional, a solo, num cd intitulado Dilon, no qual a marrabenta é apresentada de forma mais acústica e minimalista.

O seu reportório é constituído por canções sobre o amor e as relações humanas, como Maria Teresa, Angelina, Achiltanwana, Maria Rosa, Hilwe-Wa Santi, canções sobre Moçambique, das quais se destaca Sofala, Marracuene, canções sobre os problemas que afectam a sociedade do seu país, entre muitas outras. O seu trabalho musical tem influenciado vários artistas, tais como Alexandre Jafete, Eusebio Johan Tamele, Francisco Mahecuane e Alberto Langa.

JIMMY DLUDLU

Jimmy Dludlu tinha 13 anos quando pegou numa guitarra pela primeira vez. Aprendeu a tocar sozinho imitando Música Jazz e Africana que ouvia na rádio.

Iniciou a sua carreira nos anos 80 tocando em várias bandas como a Impandze da Swazilândia, com o cantor Jamaicano Trevor Hall, Kalahari e Satari do Botswana, bem como a banda Anansi, com o saxofonista do George Lee, oriundo do Gana. Durante este período, destaca-se a sua actuação com Anansi nas comemorações da Independência do Botswana em 1986.

Em 1990, em Joanesburgo, Jimmy trabalhou com McCoy Mrubata e a sua banda Brotherhood, tendo conquistado o Gilbey's Music of Africa, um ano depois. Em 1991, foi membro fundador do grande grupo de sucesso Loading Zone, fazendo uma tourneé pelo continente africano na companhia de vários artistas sul-africanos de sucesso, como Hugh Masekela, Miriam Makeba, Brenda Fassie, Chico e Sipho Mabuse. Durante este período, Jimmy Dludlu gravou com Miriam Makeba o álbum Eyes on Tomorrow e participou em Sun City na produção de Sax Appeal, com Rene McLean, Winston Mankunku, Robbie Jansen, Victor Ntoni e Duke Makasi. Destaca-se, em 1992, a tourneé dos Loading Zone pela Nigéria com o apoio de Papa Wemba, do Zaire.

Em Julho de 1993, o saxofonista Morris Goldberg convidou-o para uma actuação com a sua banda Ojoyo no Smirnoff Jazz Festival em Grahamstown. Jimmy volta ao mesmo festival no ano seguinte com a lenda do jazz, Herb Ellis. Nessa altura, Jimmy decide continuar os seus estudos no Cape Town’s College of Music.

A partir de 1994, o seu estilo inconfundível torna-se evidente, acabando por chamar a atenção da indústria de produção musical sul-africana. Nesse mesmo ano, participa nos festivais Johannesburg's Arts Alive e Guinness Jazz com a sua banda.

O seu primeiro álbum, Echoes from the Past, foi lançado em Setembro de 1997, tendo sido premiado, em 1998, com dois FNB SAMA nas categorias de Revelação do Ano e Melhor Álbum Contemporâneo de Jazz, nos SAMA Music Awards. O álbum foi vendido também nos Estados Unidos, Itália, Suíça, Suécia e Hungria.

Em Março de 2000, vence nas categorias de Melhor Artista Masculino e Melhor Álbum Contemporâneo de Jazz, com o álbum Essence of Rhythm, nos SAMA Music Awards.

O seu mais recente disco, Tonota in The Groove, homenageia uma vila do Botswana, que se situa a 30 quilómetros de Bulawaio, Zimbabwé, onde o guitarrista, depois de sair de Moçambique, viveu e amadureceu como músico de referência internacional. Trata-se do sétimo álbum do guitarrista Jimmy Dludlu, lançado no passado dia 25 de Maio, na vizinha África do Sul, sob chancela da Universal Music.

"Tonota conta uma história cheia da minha vida, basicamente um regresso aos primeiros anos e passos da minha carreira musical” Jimmy Dludlu.

NAPALMA

Os Napalma são o resultado de um espontâneo intercâmbio entre a África e o Brasil. Ritmos tradicionais africanos e brasileiros encontram-se com estilos de música electrónica. Uma mistura explosiva que inflama as pistas de dança por onde passam.

A liberdade de experimentar e de interagir com quem quiser entrar são os alicerces do NAPALMA, que desrespeitam as regras do rock, as normas do reggae e as convenções da música electrónica, para quem a distância entre o público e a banda não existe. Todos participam e constroem o espectáculo.

Juntos desde 2004, iniciaram a sua carreira no Brasil, e utilizam o inglês, o português e o changana, oferecendo uma exótica mutação não só rítmica como linguística. Nas tournées que têm feito pela África, Brasil e Europa, os Napalma procuram agregar nas suas músicas as experiências vividas nos sítios por onde passam.

Os Napalma são constituídos por Ivo Maia, de Moçambique, Rafael Jabah e Cid Travaglia do Brasil.

LIZHA JAMES

A conceituada cantora moçambicana, Lizha James, tem feito de 2011 um ano de arromba, no seu regresso aos palcos. É uma das cantoras mais conhecidas de Moçambique e ganha prémios praticamente todos os anos, o último no ano passado, quando foi considerada a melhor artista da África Austral no Channel O (da África do Sul), com a música Xitilo xa Khale.

Lizha James começou a cantar aos sete anos na Igreja Metodista Unida de Moçambique e aos 12 fazia parte do grupo coral da igreja. Dois anos depois, e até aos 17 anos, integrou um grupo na altura muito conhecido, Electro Base. Há 10 anos lançou o seu primeiro álbum a solo, Watching You. E desde então nunca mais parou.

Em 2005, Lizha James lançou o seu segundo álbum, Rainha do Ragga, e ganhou também o seu primeiro prémio. No ano passado apareceu com um novo álbum, Sentimentos de Mulher.

Em 2006, ganhou o prémio Channel O Music Awards na categoria de Melhor Artista Feminina de África. Em 2007 e 2008, conquistou o prémio de melhor vídeo feminino, com os vídeos Nuna wa mina e Ni ta mu kuma kwini, respectivamente. Em 2009 ganhou o prémio de Melhor Cantora da África Austral.

MARLLEN

A moçambicana Marllen estudou teatro e dança antes de descobrir sua paixão pelo canto. Isso revela-se no seu desempenho na interpretação, na grande expressividade e no domínio de palco, que encantam quem a vê.

Seu primeiro álbum foi lançado em 2008, em Maputo. Desde então, a carreira tem evoluído significativamente, graças à sua presença energética em palco. Na Costa do Marfim fez enorme sucesso e foi baptizada pelos fãs de Pantera Negra.

Na sua música ressalta a beleza, as riquezas naturais e o desenvolvimento de sua terra natal, dando ênfase para o importante papel da mulher na sociedade moçambicana.

TIMBILA MUZIMBA

Os Timbila Muzimba são uma das mais emblemáticas orquestras moçambicanas de música tradicional. O seu percurso vem do entusiasmo. Em 1997, um grupo de jovens bebeu das origens o ritmo que a UNESCO classificou como património da humanidade e juntou-se formando esta orquestra que desde o início seduziu audiências no país e no estrangeiro.

Os sons das timbilas, congas e todos os outros instrumentos que os Timbila Muzimba criaram ao longo dos anos, geram uma grande cumplicidade entre a banda e os fãs. A música dos Timbila Muzimba estabelece uma fusão entre os sons e ritmos tradicionais das timbilas com os dos instrumentos modernos.

O nome do grupo, Timbila Muzimba, assentou, por um lado, no nome do instrumento da família dos xilofones, a timbila, tradicionalmente da província de Inhambane e que se tornou num dos símbolos da cultura moçambicana; por outro, no termo muzimba (que significa corpo) e que se relaciona com o corpo dos bailarinos que se movimentam vivamente ao som da música.

Em 1999, receberam o 1º Prémio do Concurso Music Cross-Roads e desde então já actuaram em vários países, nomeadamente na Alemanha, Noruega, Suécia, Portugal, Luxemburgo, China, para além das participações em intercâmbios e oficinas.

Dedicam-se ainda à pesquisa dos ritmos, canções, danças e técnicas de construção e execução de instrumentos musicais tradicionais de Moçambique. Em 2003, gravaram o CD “ Por Conta Própria”

As Timbila são os xilofones do povo Vachopi, que habita o sudeste de Moçambique, nas províncias de Gaza e Inhambane. A Timbila foi considerada património mundial da Humanidade pela UNESCO em 2004.

MONA

Mona é uma banda de Rock tipicamente moçambicana formada por 3 elementos (dois rapazes e uma rapariga) com um estilo de ritmos tradicionais não-comuns.

Tudo começou num dia com céu azul, quando 'Goro' e 'Monace' andavam a procura de uma pessoa perfeita para fazer a banda de sucesso, fizeram vários testes com vários vocalistas que chegaram a fase de desistência quando entrou 'Mel Vicious' uma bela personagem que pegou no microfone e no baixo encaixando com a necessidade da dupla e disse…"On The Line". Após estas 3 palavras todos sabiam o que era necessário fazer.

PROJECTO KAHORA BASSA

Xixel, filha de Hortênsio Langa, começa sua carreira musical a solo a partir dos seus 19 anos, num bar de música ao vivo, e desde então nunca mais parou, tendo já arrecadado prémios no meio musical.

Xixel e Cheny wa gune, criam o Projecto Kahora Bassa com o conceito de que Cahora Bassa fornece energia a uma boa parte da África Austral, e assim este seria o nome ideal para o seu estilo musicala timbila groove energic, o que logo se percebe levando em conta a quantidade de energia que os dois juntos irradiam.

Os dois criam uma miscelânea de sons que se sustentam. Criam um casamento perfeito e mesmo que cada um tenha sido talhado em escola diversa da do outro, quando se encontram nadam em rios profundos, de ritmos que começam em Moçambique e dão volta a toda a África, experimentando sons persuasivamente maravilhosos.

Sons temperados de uma África tipificamente de dança, de ritmo, uma África de cor e luz natural, de sol abrasador, das estrelas que brilham de forma peculiar, de uma lua espontânea que desponta sempre que lhe apetece como a voz de Xixel, como a sua dança ritmada que corre desde as danças tribais dos zulus, o inocente discorrer das ancas da marrabenta, até aos rodopios do centro da África.

A sua voz é um eixo de luz, uma voz que transporta sons terapêuticos, que quando resolve transporta complexas sonoridades de marcas de gigantes como Salif Keita, Papa Wemba, Mori Kanté, com misturas de um afrobeat forte e invulgar que lembra Ramsome (Fela Anikuapo Kuti), Manu Dibango.

O Projecto Kahora Bassa tem estado a actuar na cidade de Maputo numa pequena tourneé que tem tido uma grande adesão e suscitado grande interesse por parte do público.

KUSSONDULOLA

Os Kussondulola são uma banda de reggae angolana residente em Portugal. O líder da banda é o angolano Janelo da Costa. Dançam no Huambo e Perigosa foram colossais êxitos que influenciaram gerações, bem como outros temas dos dois álbuns posteriores, Nós somos rastaman, Rock steady, Apanha flash e Boda do leão.

Os Kussondulola, tornaram-se em 1995 numa das bandas pop mais populares em Portugal, conseguindo um expressivo sucesso artístico, mediático e comercial com o seu álbum de estreia, significativamente intitulado Tá-se Bem.

Poucos sabiam, contudo, que o projecto Kussondulola existia já há quase uma década. Kussondulola é na realidade um colectivo de formação flutuante tendo o cantor e compositor Janelo da Costa, angolano radicado em Portugal, como pólo central, com novos músicos entrando e saindo consoante as disponibilidades e necessidades do projecto e dos músicos.

Ao longo de uma década de composição e actuação, os Kussondulola, com o seu visual garrido, misto de Jamaica e África, e a sua efusiva presença em palco, foram conquistando gradualmente um público entusiasta, até ao ponto em que, a meio da década de 90, eram considerados a maior sensação de palco em terras lusas e africanas, cada novo concerto uma festa a que o público aderia sem reticências.

O seu último álbum lançado este ano é recheado de temas originais que falam da vida e do quotidiano no mundo afro-luso, do regresso às origens, da África onde nasceu, dos amigos, da terra, mas também da facilidade que tem em sair de situações de sufoco, em não perder a fé. Às vezes, factores como a falta de identificação o emprego ou fortalecer o amor na terra, apelam à alegria de viver e à fé em Jah.

Tudo isto foi fonte de inspiração para AmaJah já que os grandes temas da humanidade complementam o que os Kussondulola sempre fizeram: escrever, musicar e alertar a sociedade para os seus problemas mais profundos. Aliás, questões como o ataque às forças políticas são temas constantes, a par da erradicação da pobreza, como se pode escutar em Custo de Vida, um dos mais clarividentes depoimentos sobre o crescente fosso entre ricos e pobres, no mundo de hoje. O amor a Jah é, como sempre, a chave das letras.

Ao fim de vinte anos de existência, Kussondulola sabe que está quase a ocupar o espaço deixado vazio pelo álbum Tá-se bem, de 1995. Mesmo sem ser uma obra de viragem na sua carreira, AmaJah é um álbum sem cedências. Se hoje o seu grito ecoa por milhões de ouvidos, é por mérito e não por a banda alguma vez ter cedido ao sistema.

Fiéis aos seus princípios, os Kussondulola continuam a comunicar através de palavras cortantes e sons originais em que a exigência é ponto assente para os músicos. AmaJah reflecte a vida de um dos mais cortantes e interventivos grupo de reggae dos PALOP e não é especialmente diferente dos anteriores o que, neste caso, é um bom sinal de fidelidade a ideias muito próprias.

Sapo MZ, 12 de Novembro de 2011