27 de março de 2012

África do Sul: Basson admitiu ter trabalhado em defesa da humanidade

Pretória, 27 MAR (AIM) – O antigo chefe do programa de armas químicas do abolido regime do apartheid “Delta Coast”, na África do Sul, Wouter Basson, admitiu, na segunda-feira em tribunal, que o seu envolvimento naquele projecto visava prevenir a perda de vidas humanas e exacerbação da violência entre as forças de segurança e manifestantes.

Falando no Tribunal Supremo de Pretória, a capital sul-africana, perante o “Comité de Conduta Profissional do Conselho de Profissões Sanitárias da África do Sul” (HPCSA), Basson, mais conhecido por “Médico da Morte”, disse que ao idealizar e pôr em execução o programa da manufacturação de armas químicas durante a segregação racial visava beneficiar a humanidade.

“O que fiz no programa Delta Coast foi de prevenir mortes e a exacerbação da violência no país,” admitiu.

O ex-médico pessoal do falecido chefe do Estado do apartheid, Pick W.Botha, revelou ter fornecido às forças policiais gás lacrimogénio, como uma alternativa, em vez de balas vivas que causariam a morte dos manifestantes anti-apartheid.

A sua conficção entrou em choque com uma gravação exibida pela sua defesa, retratando casos de violência durante o apartheid. As imagens mostram pessoas mortas por espancamentos e outras queimadas vivas por agentes de segurança do regime.

Basson, cardiologista de profissão, dirigiu o programa durante os anos 80 e 90. Ele não pediu aministia durante a “Comissão da Verdade e Reconciliação” (CVR), instituída aquando do governo do Presidente Nelson Mandela, para investigar abusos contra a humanidade.

Ele foi acusado pelo HPCSA de violação da ética deontológica da profissão dos médicos.

Em Janeiro, o conselho retirou do rol das alegações dois casos relacionados com má conduta, devendo assim responder por outros quatro, incluindo a produção de drogas e gás lacrimogéneo em grande escala e de morteiros que posteriormente foram fornecidos ao movimento rebelde angolano “UNITA”, agora partido de oposição .

Basson também produziu substâncias com o poder de desorientar as vítimas e cápsulas para fins de suicídio em caso de militares sul-africanos fossem capturados pelo “inimigo”.

Ele explicou detalhadamente o seu envolvimento no programa Delta Coast, pertencente as extintas Forças de Defesa da África do Sul.

Durante os anos 80, parte das armas químicas produzidas por Basson foram usadas nos Estados vizinhos, como Angola e Moçambique, com o pretexto de o regime impedir o que chamava de avanço do Comunismo na região, numa referência ao apoio prestado aos movimento de libertação sul-africano, ANC.

PRETORIA NEWS/JD/dt

(AIM) 27-03-2012