24 de março de 2012

Aulas de Salazar (Domingos Chipilica Eduardo)



Benguela - As lições do passado que os angolanos sofreram, perseguições, torturas, assassinatos e prisões animam a minha alma. As cadeias de Tarrafal, São Nicolau e outras foram verdadeiros centros de concentrações de homens destemidos e solidários para a conquista da liberdade e opressão colonial.

Os pedacinhos de história que ainda nutro, permite-me afirmar que os meus nacionalistas eram tratados cruelmente pelo inimigo da independência. Os lutadores eram indígenas e não cidadãos. Pois somente possuíam deveres. A celebre frase de Salazar “fazer um cidadão dura séculos” navegou e comandou o regime.

Indaguei alguns amigos se naquela altura da luta de libertação nacional, o direito a imagem, bom nome, reputação, injuria, … Eram respeitados por parte dos indígenas? Parece que foram unânimes em responder: o objectivo era apenas Livrarem-se do tormento e não se olhava a “dor das palavras”. Diziam-se palavrões a Salazar e os seus sequazes, ladrões, assassinos, corruptos… E os supostamente ofendidos mandavam os seus homens massacrar, prender … Cumprindo cabalmente os planos satânicos do colono.

Actualmente o mundo é banhado por ondas libertadoras de manifestações sangrentas, mortíferas e pacíficas. Motivadas por fins egoísticos, pessoais e raramente colectivos. Enquanto o apego ao poder e a sua perpetuação não permitem comunhão. Resultado, a herança colonial! Como afirmou o Chefe” herdamos a pobreza e os problemas”. E nós acrescemos, As perseguições, agressões, “as sentenças que não são sentenças”, “negócios de amigos” e as ordens superiores que são verdadeiras leis! Cópia fiel!

As violações do Direito por parte de muitos não devem continuar impunes. Todavia sabemos que um sistema judicial forte sem pressão tornaria a cadeia um lugar da elite. Entretanto o vazio institucional para liberdade de expressão, satisfação das necessidades colectivas, respeitando e posicionando o cidadão como prioridade são prejuízos a Nação. Quem sempre crítica ou contraria com fundamentos e sugestões aos argumentos do chefe, nas reuniões, nos partidos, nas ONG´s , nas igrejas, nas Escolas enfim invés de criar-se um clima harmonioso e cordial habitualmente surge o afastamento, a exclusão …Cada um de nós deve fortalecer a democracia sob pena de construirmos um espaço de medrosos .

Fracamente sentir-me-ia felicíssimo, Se eu estivesse como vítima nos massacres de 4 de Janeiro, 4 de Fevereiro, sentir-me-ia felicíssimo se eu passasse nas cadeias da Pide, por acreditar numa Angola livre. Sentir-me-ia grato, se o meu nome constasse, no processo 50, no 15 de Março, 11 de Novembro e em todos os acontecimentos históricos despidos da carga excessiva partidária mas sim patriótica. Aí se o nome constasse! Já me sinto feliz em saber que me registaram nos serviços.

Fonte: Club-k.net (18 Março 2012)