10 de março de 2012

Os Lusíadas na versão cleptocrática



Os Lusíadas na versão cleptocrática

I
As sarnas de barões todos inchados

Eleitos pela plebe lusitana

Que agora se encontram instalados

Fazendo o que lhes dá na real gana.

Nos seus poleiros bem engalanados,

Mais do que permite a decência humana,

Olvidam-se de quanto proclamaram

Nas campanhas com que nos enganaram!

II

E também as jogadas habilidosas

Daqueles tais que foram dilatando

Contas bancárias ignominiosas,

Do Minho ao Algarve tudo devastando,

Guardam para si as coisas valiosas.

Desprezam quem de fome vai chorando!

Gritando levarei, se tiver arte,

Esta falta de vergonha a toda a parte!

III

Falam da crise grega todo o ano!

E das aflições que à Europa deram;

Calam-se aqueles que, por engano,

Votaram no refugo que elegeram!

Que a mim mete-me nojo o peito ufano

De crápulas que só enriqueceram

Com a prática de trafulhice tanta

Que andarem à solta só me espanta.

IV

E vós, ninfas do Tejo onde eu nado,

Por quem sempre senti carinho ardente,

Não me deixeis agora abandonado

E concedei engenho à minha mente,

De modo a que possa, convosco ao lado,

Desmascarar de forma eloquente

Aqueles que já têm no seu gene

A besta horrível do poder perene!

Luiz Vaz Sem Tostões

Recebido por e-mail. Reencaminhe