7 de outubro de 2012

República de pernas para o ar (Raquel Oliveira)


As cerimónias oficiais do 5 de Outubro em Lisboa já estavam envoltas em polémica, com a escolha do Pátio da Galé, um espaço fechado e com acesso restrito, para os tradicionais discursos dos presidentes da República e da Câmara de Lisboa, em vez dos Paços do Concelho. Mas ninguém estava à espera de que as celebrações da implantação da República ficassem marcadas por um incidente simbólico: Cavaco Silva e António Costa hastearam a bandeira nacional virada ao contrário.

Símbolo de rendição perante o inimigo, a bandeira esteve de pernas para o ar durante largos minutos e só foi hasteada correctamente já o Presidente da República e a comitiva se tinham instalado na tribuna do Pátio da Galé. Apesar do acesso restrito, controlado por seguranças, aquele espaço a escassos metros dos Paços do Concelho foi palco de mais dois incidentes: uma mulher desempregada, de 57 anos, irrompeu pela sala protestando contra a situação do País. Cavaco Silva prosseguiu o discurso, enquanto os seguranças arrastavam Luísa Trindade para fora do recinto. No final, novo protesto, protagonizado pela cantora lírica Ana Maria, que entoou ‘Firmeza’, de Fernando Lopes Graça. No exterior, apenas meia dúzia de pessoas apuparam os convidados à saída, tornando desnecessárias as várias carrinhas da PSP.

"CULPA NÃO É DOS PORTUGUESES"

Durante as comemorações da Implantação da República na cidade do Porto, que foi organizada pela Associação Cívica e Cultural 31 de Janeiro, Paulo Morais, vice-presidente da Organização da Transparência Internacional, deixou claro que a culpa da crise é dos políticos que usaram e abusaram do dinheiro do Estado. "A culpa não é dos portugueses, fizeram-nos acreditar que vivemos acima das nossas posses, mas isso é mentira. A culpa é dos políticos e dos privilégios malditos que possuem", afirmou.

Raquel Oliveira
Correio da Manhã, 07 de Outubro de 2012