30 de junho de 2013

José Reis: "Dinheiro está a ir para grandes banqueiros"



Diretor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, sobre o défice ter chegado aos 10,6 por cento

Correio da Manhã – Há razões para ficarmos preocupados com o facto do défice ter ultrapassado os 10% no primeiro trimestre do ano?

José Reis – Devemos ficar preocupados. Esse valor é um reflexo claro da política de austeridade que está a ser seguida e mostra o momento difícil que se está a viver.

– E considera plausível que o Governo cumpra a meta do défice de 5,5% no final do ano. É possível?

– É uma excelente questão. Gostava de ver o primeiro-ministro a responder como é que mantém essa meta de 5,5%.

– Mas ainda vamos piorar?

– Esse défice mostra que não estamos a criar riqueza e mostra-nos sobretudo que já passámos a fase da crise económica e entrámos numa situação de Estado colapsado. Pode piorar e a realidade é que não há limites para até onde pode afundar.

– O que justifica um défice tão elevado?

– Há uma série de fatores mas alguns são fáceis de identificar. Não são as despesas com os salários no Estado ou com a Segurança Social. O dinheiro está a ir diretamente para os grandes banqueiros. Os 700 milhões de euros do Banif são um caso concreto que prejudicaram as contas nacionais.

– O Estado não devia ter feito esta intervenção no Banif?

– O que isso mostra é que este Governo deixou de lado o compromisso com a população, os trabalhadores e com a justiça social mas mantém a ligação direta a pessoas muito influentes, como os banqueiros.

– Para acabar com a política de austeridade é preciso outro ministro das Finanças?

– Não vou responder diretamente mas se fizer essa pergunta a Passos Coelho de certeza que lhe dirá que Gaspar está desgastado.
Por: Pedro H. Gonçalves

Correio da Manhã, 29 de Junho de 2013