25 de outubro de 2014

Rir é mesmo o melhor remédio



Já se percebeu que Passos Coelho é o dono deles todos e que nem a coligação rompe nem Cavaco convoca eleições antecipadas, isso significa que teremos de aguentar estes gajos durante mais um ano. Teremos de aturar o Crato com aquele ar de cão de raça abandonado, a ministra da Justiça a dizer baboseiras com pinta de catedrática, o Opus Macedo em perante propaganda que evidencie as suas grandes qualidades de gestor, o Miguel Macedo a pedir a todos os anjinhos que chova em Agosto e por aí adiante.
 
Não vale a pena levar a sério um debate sobre a reforma do Estado conduzida por Passos Coelho com base no guião de Paulo Portas. Até porque com as entidades internacionais não se brinca e se a memória não me atraiçoa este governo chegou a encomendar um estudo ao FMI (Janeiro de 2012) e foi a partir daí que o Portas elaborou o seu guião (Junho de 2013) que, por sua vez, foi aprovado em reunião do Conselho de Ministros de 30 de Outubro de 2013 com direito a mais uma conferência de imprensa de Portas. Na ocasião o Luís Marques Guedes, ministro da Presidência, até esclareceu que o Guião correspondia a medidas já adoptadas e que a reforma do Estado já estava em curso.
 
Isto é, o muito divertido Passos Coelho vem sugerir ao país que debate agora uma reforma que já foi feita, que seguiu um guião já aprovado e que teve em conta as propostas do FMI? Passos Coelho está a gozar com o Paulo Portas, com todos os membros do seu governo, com os portugueses ou com o FMI? É óbvio que este governo começa a dar sinais de demência mental e não pode ser levado aa sério. Resta-nos ver as coisas pelo seu lado positivo e como bons portugueses que somos podemos iludir as dificuldades inventando anedotas em torno de um governo que já é também uma anedota.
 
Há melhor anedota política que uma desastrada Paula Teixeira da Cruz que depois de se ter espetado com a sua reforma que estava por fazer há 200 anos e agora promoveu uma caxa às bruxas para identificar os culpados para o desastre que ela própria promoveu? A senhora que prometeu o fim da impunidade anda agora em busca de responsáveis no plano disciplinar que a poupem de responsabilidades políticas.
 
 
Mais expedito na caça às bruxas foi o Crato que não precisou de qualquer processo de averiguações para identificar o director-geral que devia ser demitido e agora que o problema persiste descobriu que, afinal, a culpa era do sistema de colocação de professores, uma sugestão do grande especialista em questões de ensino, um tal Cavaco Silva que em tempos foi professor e que faz lembrar o tal professor que foi colocado em mais de cinquenta escolas, também Cavaco tinha um horário na Universidade Nova onde faltava para poder dar aulas na Católica. Pelos vistos o nosso divertido presidente ficou a perceber muito de horários e de colocação de professores.
 
Este governo é uma anedota e já nem vale a pena fazer manifestações ou esperas para gritar contra a presença dos seus ministros. O melhor mesmo é ver as coisas pelo lado positivo e se a economia não dá alegrias a ninguém resta-nos rir por conta das palhaçadas a que vamos assistindo. Palhaçadas como aquela de os que não fazem filhos terem de pagar mais IRS para financiarem os preservativos dos que já têm muitos filhos através de um benefício fiscal.

Levar a sério os discursos do Cavaco, as inconfidências do marques Mendes, a reforma do Estado do Passos, os palpites do Marcelo, os processos de averiguações da Paula Teixeira da Cruz, as encenações conta o ébola do Paulo Macedo, as informações sobre jihadistas do Miguel Macedo, as fórmulas dos concursos do Crato, os guiões do Paulo Portas, os benefícios fiscais amigos da família do Núncio Fiscólico ou as preocupações sociais do Lambretas? Pura perda de tempo, o melhor que temos a fazer não é debater, protestar, berrar ou dialogar, a única coisa que há a fazer e a melhor oposição afazer a esta gente é rir, rir à gargalhada.
 
Fonte: O Jumento, 23 de Outubro de 2014