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9 de janeiro de 2011

Moçambique: Fronteira de Ressano Garcia é símbolo de apartheid


Fronteira de Ressano Garcia é símbolo de apartheid

- Considera o gestor do projecto de “Paragem Única” que está a ser implementado em Ressano Garcia

Maputo (Canalmoz) - A fronteira terrestre de Ressano Garcia, o maior ponto de trânsito entre Moçambique e África do Sul, guarda as marcas do extinto regime segregacionista sul-africano: o apartheid. As autoridades moçambicanas dizem, portanto, estarem empenhadas em corrigir a forma como esta fronteira foi erguida, através da construção da “Paragem Única”, que se encontra já na fase conclusiva.
O delegado regional Sul, da Autoridade Tributária de Moçambique, Daniel Tovela, que é também gestor moçambicano do projecto de “Paragem Única”, explicou o que no seu ponto de vista há de “apartheid” na fronteira.
Tovela disse que a localização da fronteira foi estrategicamente pensada pelo regime de apartheid, “para dificultar a circulação de pessoas e bens, entre os dois países”.
A fronteira de Ressano Garcia está erguida num ponto estreito, entre o ponto mais alto dos Montes Libombos, Rio Inkomati e Kruger Park.
“Quem foge da Polícia na fronteira é pegado pelo crocodilo do Inkomati. Se escapar do crocodilo é devorado pelo leão do parque”, disse o delegado regional Sul, da Autoridade Tributária de Moçambique, ao Canalmoz.

19 de novembro de 2010

A voz dos que não tinham onde falar (Jorge Rebelo)


A voz dos que não tinham onde falar

Porque é que, tantos anos após as suas mortes, Carlos Cardoso e Siba-Siba Macuácua continuam a ser recordados e evocados com tanta admiração, estima, respeito e mesmo carinho pela maioria da população moçambicana? É que eles eram homens íntegros, impolutos, verdadeiros patriotas. Porque amavam a sua pátria e recusaram o caminho fácil e seguro da aliança com os corruptos.

Digo corruptos e não corrupção que é um termo demasiado vago: porque a corrupção tem um rosto, quase sempre camuflado, mas cuja máscara aqueles dois patriotas procuravam desvendar nos casos em que se envolviam. Como jornalista, Carlos Cardoso aderiu nos primeiros tempos da independência aos ideais defendidos e praticados pela Frelimo. Identificava-se com eles e empenhou-se activamente na sua materialização.

Mas a sua “militância” rompeu-se quando constatou, a dada altura, que o novo poder estava a desviar-se do projecto inicial de servir os mais desfavorecidos e não uma elite dirigente. Ele poderia acomodar- se, mas a sua integridade e sentido de justiça não lhe permitiram pactuar com os desmandos a que assistia. O caminho que escolheu foi distanciarse do poder e criar instrumentos que lhe permitissem analisar esse poder, apontar-lhe os erros, na perspectiva de corrigilo e melhorá-lo. Era esse o seu objectivo, por ele várias vezes reiterado: corrigir, não destruir.

“Quando se encontra uma causa já nada mais importa”


“Quando se encontra uma causa já nada mais importa”

Nuno Cardoso, o irmão caçula de Carlos, abriu para @ VERDADE algumas páginas da vida do irmão que, segundo ele, morreu por querer contar a verdade aos moçambicanos. Aqui ficam os principais pontos da conversa.

Qual é a recordação mais longínqua que tens do teu irmão Carlos?

Nuno Cardoso (NC) - Lembro- me de quando ele estava a estudar na África do Sul, na Witbank High School, e vinha cá a Moçambique passar férias. Em 1972, lembrome de ir com ele e com toda a família a Portugal passar férias e de ele me ter levado ao estádio da Luz.

O livro “É Proibido pôr Algemas nas Palavras” refere que Carlos Cardoso terá tido uma infância austera. É verdade?

(NC) - O meu pai era duro, rigoroso, muito disciplinado. Aliás, quando os meus dois irmãos começaram a chumbar a algumas cadeiras o meu pai resolveu metêlos num colégio interno na África do Sul, em 1964. Comigo já não foi assim. Lembro- me que o meu irmão José Manuel tinha medo do meu pai. Já o Carlos não, e, muita vezes, enfrentava-o. Mas esta austeridade vem da avó Maria, mãe do meu pai, que tinha uma escola. O meu irmão mais velho conta que um dia estava na aula e pela porta viu a avó Maria passar com o Carlos pendurado pelas orelhas. Ele tinha ido à carteira da avó roubar o dinheiro todo para comprar sorvetes para a malta toda do bairro. Foi sorvete para o povo todo.

Em 1975, quando chega a independência, ele adere imediatamente aos ideais da Frelimo.

(NC) - É preciso que se diga que ele foi expulso da África do Sul pelas suas convicções políticas. Foi depois deportado para Portugal e voltou a Moçambique para assistir à independência, em Junho de 1975. Nessa altura engajou- se logo no marxismo/ leninismo ao qual a Frelimo tinha aderido.

Esse mergulho de alma e coração não causou choques familiares?

(NC) Não. O meu pai saiu aqui de Moçambique porque, como dizia, “já era velho demais para ser comunista”. Foi-se embora em finais de 1975, um bocado influenciado por toda aquela gente que estava em debandada. Mas, que eu saiba, nunca discutiram os ideais do Carlos. Não havia qualquer confronto entre eles. Encararam sempre a luta do meu irmão através do jornalismo como algo de positivo.

Mas o teu pai não era um homem de esquerda?

(NC) Não, não era. Ele dizia, com graça, que a política “era um filho de uma mãe solteira sem pai certo.” Política, para ele, não existia.

Algumas das reacções à morte de Carlos Cardoso


Algumas das reacções à morte de Carlos Cardoso

@ VERDADE reproduz aqui algumas das reacções à morte de Carlos Cardoso publicadas na edição do Metical nº 866 do dia 24 de Novembro de 2000.

Cardoso a Quente

Fiquei chocado quando ontem me perguntaram se conhecia anedotas do Carlos Cardoso, no rescaldo do horror tantas vezes antecipado em conversas restritas, inclusive com o próprio. Percebi e percebo agora que a recordação dos momentos mais desconcertantes na companhia do Cardoso têm sido para mim a melhor terapia para lidar com a situação. Passam-me pela mente, em “flashes” sucessivos, o “projecto berlindes por sementes de papaieira”, o “serviço de poesia via telex” e a pintura no forno de cozinha. Eu explico-me.

Na sua luta muito pessoal contra o repolho e o carapau dos anos 80’, o Cardoso resolveu utilizar as relações institucionais entre a agência noticiosa moçambicana e as suas congéneres estrangeiras para que fossem enviados berlindes para Maputo. Milhares de berlindes, que eram trocados por pés de papaieira, árvore de crescimento rápido e de frutos de reconhecido valor nutricional.

Ainda hoje estou a ver o formalíssimo director geral da ADN da RDA com um saco enorme de berlindes a desembarcar em Maputo. Meses depois coube a vez ao director da cooperação da então ANOP portuguesa. Neste folhetim, eu representava a parte conservadora, fazendo-lhe lembrar que era inaceitável misturar berlindes com cooperação inter-agências.

No assunto as poesias, o Cardoso, fascinado pelo matraquear dos telexes ao comando das fitas picotadas, era completamente surdo aos meus argumentos de inviabilidade económicocomercial. A “pintura do forno” tem a ver com genialidade e paixão. Ao guache, aguarela e graxa para sapatos, adicionou um toque de forno às suas telas. Era assim. O Cardoso era inimitável. Era igual a si próprio e talvez por isso, dado a frequentes cogitações de umbigo. Em todas as suas tendências, ele adicionava sempre um toque de talento - na viola, no canto (e daí o “nickname” de Cat via apelidado Stevens), no futebol, na dança (é verdade, este radical varria salões, na poesia (...os cheiros chamanculos invadindo a Friedrich Engels), nos afectos. E por isso, quando a paixão do jornalismo entrou em crise em 1989, dedicou-se à pintura.

No seu idealismo - com mesclas de ingenuidade - Cardoso acreditava que libertando-se de director, tinha finalmente espaço para escrever. O sistema, que já não era socialista mas mantinha intactos os estigmas autoritários, condimentado com um substituto burocrata e medíocre mataram-lhe extemporaneamente o sonho. O liberalismo não o deslumbrou.

Na revolução, quando os inveterados que nunca deixaram de estar presentes nas diversas direcções da ONJ/SNJ diziam ámen, Cardoso pediu eleições democráticas.

O último editorial do Mestre (Escrito por Carlos Cardoso, 22/11/2000)


O último editorial do Mestre

Escrito por Carlos Cardoso

A edição de “O Metical” nº 864, correspondente ao dia 22 de Novembro de 2000, foi a última que teve a participação do seu director, Carlos Cardoso, que seria brutalmente assassinado ao início da noite desse dia na Avenida Mártires da Machava, em Maputo. O jornal, que chegava aos leitores por fax, contava nesse dia com sete temas e o Editorial tinha como título: /Pressionando Morgado/ Ironias.

@ VERDADE reproduz, com a devida vénia, o último editorial de Carlos Cardoso.

Pressionando Morgado

Está quase a fazer um ano que Carlos Morgado foi nomeado ministro da Indústria e Comércio. Estamos em crer que chegou a altura de ele sofrer alguma pressão forte para se interessar pela revitalização da indústria do caju. Dele se conhece alguma preocupação - e trabalho - na questão das indemnizações aos trabalhadores despedidos. Ao abrigo do debate económico e fiscal anunciado pela ministra Luísa Diogo, falta, agora, pressioná- lo a sentar-se à mesa com os donos das fábricas fechadas pois tudo aponta para o imperativo do regresso à indústria. Vejamos.

Os preços ao apanhador estão pelas ruas da amargura. Assemelham- se aos preços dos anos 40. O FOB não chega aos 550. A qualidade da nossa castanha está péssima. Ano após ano a Índia diminui os volumes de castanha importada de Moçambique, pelo que há que perguntar: Para que serve o esforço de cura dos cajueiros e plantio de novas árvores? Para vender a quem?

Cardoso: eterno defensor da indústria do caju


Cardoso: eterno defensor da indústria do caju

Além de ter sido considerado o percursor do jornalismo de investigação em Moçambique, Carlos Cardoso também foi pioneiro na luta pela defesa da indústria do caju. O jornalista não concordava com as políticas das instituições de Bretton Woods (Banco Mundial e do FMI) de liberalizar o comércio daquele produto no país. Na altura em que o país começou a dar os primeiros passos no relançamento da economia de mercado e em que se procurava definir uma estratégia de recuperação do sector de caju, os defensores da indústria de descasque viram-se numa situação desconfortável.

Na sua maioria, não viam com bons olhos a ideia de que, em lugar de se tentar continuar a exportar a amêndoa, o país devia exportar castanha em bruto – medida esta sugerida por iniciativa do Banco Mundial que pretendia tornar Moçambique eterno exportador dessa matéria-prima. Aliás, aquela instituição financeira entendia que a privatização da indústria, só por si, não era suficiente para assegurar a viabilidade económica do investimento.

O Banco Mundial justificou a sua posição através de um diagnóstico, apontando a ineficiência do sistema produtivo, responsável pelo valor acrescentado negativo, gerado pela actividade de descasque; o baixo preço a que era remunerado o produtor, comparado com o preço de exportação, explicava a queda da produção de castanha; as receitas resultantes da exportação da amêndoa - assim, a decisão de exportar amêndoa em vez de castanha de modo a evitar-se perda de divisas -; e o balanço da campanha de 1993-94 permitiu concluir que o mercado do caju foi dominado por um escasso número de comerciantes grossistas.

As reacções dos agentes envolvidos no sector da castanha de caju começaram a fazer-se sentir. As autoridades nacionais responsáveis pela implementação das políticas económicas, divididas entre as imposições das instituições de Bretton Woods e os interesses da sociedade, mantiveram-se indiferentes diante da situação. Os industriais e os sindicatos moçambicanos viram os meios de comunicação social privados como uma espécie de aliado, os quais vieram a ser determinantes na denúncia pública da cumplicidade entre o Banco Mundial, o Governo e aproveitamento de alguns comerciantes.

É nesse momento em que Carlos Cardoso se destaca como o primeiro jornalista a insurgir-se contra desindustrialização do sector. Iniciara a sua luta pela protecção da indústria do caju no jornal Mediafax, onde trabalhava como editor, e depois no Metical.

27 de outubro de 2010

Hotel Serena Polana renasce como 5 estrelas "de prestígio mundial"


Hotel Serena Polana renasce como 5 estrelas "de prestígio mundial"


O Hotel Serena Polana, na capital moçambicana, Maputo, "está a viver a sua segunda vida", após um investimento de 25 milhões de dólares (cerca de 18,37 milhões de euros) para restituir "o esplendor, luxo e glamour dos seus tempos áureos" a este "ícone intemporal de todo o continente africano", que abriu as suas portas a 1 de Julho de 1922.

LAM vai ter voo próprio Lisboa – Maputo a partir de Abril


terraÁfrica forma agentes no destino Moçambique

LAM vai ter voo próprio Lisboa – Maputo a partir de Abril

A companhia aérea moçambicana, LAM, que tem comercializado as ligações entre Lisboa e Maputo em voos da TAP, através de code-share, vai introduzir voos próprios a partir do próximo mês de Abril, com duas ligações por semana em avião Boeing B767-300 ER.
A novidade foi avançada ontem pelo delegado para a Europa das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), Cândido Munguambe, numa acção de formação para agentes de viagens organizada pela terraÁfrica, marca do operador Sonhando, que decorreu no Holiday Inn Continental Lisboa.
Cândido Munguambe avançou ao PressTUR que esta rota deverá potenciar viagens de negócios, com uma aposta na qualidade da classe executiva, beneficiando também o turismo de lazer no destino, quer à partida de Portugal quer de outros países europeus, utilizando Lisboa como centro de conexões.
A LAM oferece actualmente quatro voos por semana em code-share com a TAP.


24 de outubro de 2010

Morte de Machel em Mbuzini: Investigações encalhadas na PGR


Ainda a morte de Machel em Mbuzini

Investigações encalhadas na PGR

Dossier Mbuzini “é um processo bastante complexo” – afirma o Procurador Geral da República, Dr. Augusto Paulino, em declarações exclusivas ao Canalmoz e Canal de Moçambique

Maputo (Canalmoz) - Em Maio de 2008, a Presidência da República de Moçambique remeteu o dossier Mbuzini à Procuradoria-Geral da República “com vista a imprimir nova dinâmica às investigações” sobre a morte do fundador do Estado moçambicano, Samora Moisés Machel. De acordo com um comunicado divulgado a 18 de Outubro de 2008 pela Presidência da República de Moçambique, dando conta da diligência, “a descoberta da verdade sobre a morte do Presidente Samora Moisés Machel foi e continua a ser uma prioridade da Nação Moçambicana”.
Agora, mais de dois anos após a PGR ter constituído uma equipa dirigida pelo Dr. Augusto Paulino, passando então a trabalhar no dossier, ainda não se sabe como se encontram as investigações. Estas, segundo se deduz das declarações prestadas ao Canalmoz e ao Canal de Moçambique pelo Dr. Augusto Paulino, permanecem envoltas em secretismo.

27 de setembro de 2010

Moçambique é corredor de drogas para Europa e África do Sul

Moçambique é corredor de drogas para Europa e África do Sul

– revela um estudo da Chatham House, uma organização não governamental sedeada em Londres

Maputo (Canalmoz) – Mais um estudo internacional aponta Moçambique como um dos grandes corredores de tráfico de diferentes drogas, mormente heroína, mandrax, cocaína e suruma, cujo destino preferencial é o mercado europeu e da vizinha África do Sul.

O relatório denominado “Moçambique: Equilibrando o Desenvolvimento, a Política e a Segurança”, concluído em Agosto último, está a circular já no país, desde a semana passada.

A Chatham House, anteriormente conhecida como Royal Institute of International Affairs – uma organização não governamental sedeada em Londres – diz que há um abastecimento constante de mandrax, vindo da Índia e destinado principalmente ao mercado sul-africano, via Moçambique.

Para além disso, a cannabis sativa e seus derivados – vulgo suruma – a heroína e a cocaína também transitam pelo país com destino a vários países. Dessas drogas, a cocaína que vem da América do Sul é tida como a que mais transita cada vez mais por Moçambique com destino à Europa.

22 de setembro de 2010

Moçambique: Arranha Céus de 47 andares projectado em Maputo


Maior que 33 Andares: Arranha Céus de 47 andares projectado para a capital moçambicana

O Grupo Green Point Investment, uma empresa de capitais maioritariamente israelitas, vai investir 110 milhões de dólares americanos na construção de um edifício de 47 andares na zona baixa da cidade de Maputo, capital moçambicana.

Trata-se do maior edifício do país, constituído por 32 pisos para escritórios, cinco para estacionamento de viaturas, e os restantes para centros comerciais, um heliporto, entre outras facilidades.

Baptizado com o nome “Maputo Business Tower”, este edifício resulta de uma parceria formada em Abril do ano passado pelo Grupo Green Point Investment e a empresa pública Correios de Moçambique.

A empresa Correios de Moçambique, que participa no projecto através da concessão do espaço onde será edificada a “Torre”, será detentora de parte do património após a conclusão das obras.

21 de setembro de 2010

Vale do Zambeze: Canal de Opinião por Noé Nhantumbo


Canal de Opinião: por Noé Nhantumbo

NO MEIO DE TANTA FANFARRA SOBRE A FOME SERÁ POSSÍVEL ESQUECER O VALE DO ZAMBEZE?

Beira (Canalmoz) - Compreender que as medidas tomadas ou ensaiadas pelo governo face à escassez de alimentos e alto preço de produtos é fácil como do conjunto de medidas anunciadas se pode perceber que o que agora se está a tentar fazer há muito tempo que já deveria ter sido feito. Mas lá diz o ditado: “Mais vale tarde do que nunca”. Pena é que o governo não tenha percebido – pese embora o primeiro aviso de 05 de Fevereiro de 2008 – que tem de trabalhar.

Mas no esforço de entender o significado amplo das tais medidas agora precipitadas e atabalhoadamente anunciadas, algumas interrogações surgem que merecem tratamento adequado sob risco de uma vez mais ficarmos por meias medidas sem aquele impacto de que o País tanto precisa nestes dias que primeiro se começou por dizer que era mal que nunca nos chegaria, mas que agora se admite que são realmente de “crise”.

Mas temos de compreender que a solução dos problemas, por mais complexos, não acontece pela única via de locação de recursos financeiros. Dinheiro só gera dinheiro com muito trabalho e boa gestão, sobretudo uma gestão austera.

Em experiências anteriores, como a do financiamento dos Antigos Combatentes pela Caixa de Crédito e Desenvolvimento Rural do ex-BPD (o tal Banco Popular de Desenvolvimento) provaram-se falhanços porque não havia da parte dos receptores dos fundos, conhecimentos, experiência, orientação e condições logísticas que completassem aquela injecção de fundos. Foi como jogar fundos para a drenagem uma vez que os objectivos definidos jamais se concretizaram e os fundos não foram devolvidos. Por outras palavras: tratou-se de mais uma operação de crédito concedido sob condições completamente politizadas. Talvez se tenha conseguido adiar a contestação de um segmento de pessoas que havia participado na luta armada de libertação nacional. Sossegou-se um grupo de pessoas através do saque puro de fundos de um banco estatal mas não se resolveu o problema da escassez de agricultores privados comerciais cuja tarefa é a participação na produção de alimentos e outras culturas em moldes comerciais para abastecimento nacional, em primeiro lugar, e exportação.

6 de setembro de 2010

Moçambique: Chineses projectam bairro na KaTembe


Chineses projectam bairro na KaTembe

Um bairro residencial para a comunidade chinesa deverá ser construído, no distrito municipal KaTembe, na cidade de Maputo, num projecto a ser desenvolvido no quadro do acordo de gemelagem existente entre os Municípios de Maputo e de Xangai.

A edilidade de Maputo, na pessoa do seu presidente, David Simango, disse recentemente que o empreendimento vem em boa hora e tem enquadramento na visão geral sobre o desenvolvimento daquela região da capital, que além de uma ponte rodoviária ligando as duas margens da baía, inclui a construção de uma cidade moderna, entre outras acções de urbanização, para evitar que se instale anarquia na utilização do solo.

O Contrato Social (José Flávio Pimentel Teixeira)

Canal de Opinião : por José Flávio Pimentel Teixeira, 3 Set, 2010, 1h45

O Contrato Social

Maputo (Canalmoz) - Paulo Granjo, antropólogo português que há muito vem trabalhando em Moçambique, publicou no jornal Público o artigo “A Razão e o Sentido de Dois Motins”, sobre a situação em Maputo. Para ler com atenção, em articulação com o texto que colocou no seu blog: “Novos Motins em Maputo e Maria Antonieta na Costa do Índico“. Face a este último texto, mais completo (o jornal tem limites de espaço), tenho duas notas: uma irritação profunda; e uma discordância.

A irritação. Ao saber da proposta da substituição do pão (base da alimentação urbana) pela batata-doce e outros produtos imediatamente me lembrei da história de Maria Antonieta. Para quem não a saiba aqui a resumo: diz a história, muito provavelmente apócrifa e que contra ela foi usada na altura, que esta rainha de França tendo sido defrontada pelos pobres com pedidos de pão lhes terá respondido “se não têm pão que comam brioches”. O dito, por mais falso que tenha sido, ficou como símbolo da insensibilidade governativa – até pelo triste fim que a rainha veio a ter (guilhotinada após a revolução de 1789). E Paulo Granjo antecipou-se na “postagem”, inutilizando-me um proto-post, coisa que os bloguistas encartados raramente perdoam.

Libertaram o povo e esqueceram-se dele (Daniel Oliveira)

Canal de Opinião: por Daniel Oliveira, in (www.arrastao.org)

Libertaram o povo e esqueceram-se dele

A violência em Maputo explica-se pelo abandono a que o povo está entregue e o autismo em que vive a elite política. Os moçambicanos aceitam o poder instituído. Aceitam que ele coma mais do que todos. Mas não aceitam que coma sozinho.

Maputo (Canalmoz) - Como em 2008, Maputo explodiu em violência. Dez mortos. A miséria explica. A dúvida permanente em relação ao mais elementar que a sobrevivência exige também explica. Se nada é previsível não há ordem possível. E se o abandono é total e as elites políticas não garantem o mínimo dos mínimos não há autoridade que mereça ser respeitada.

Maputo: A razão e o sentido de dois motins (Paulo Granjo)

Canal de Opinião: por Paulo Granjo (*), in Jornal Público, Lisboa 02 Setembro 2010

A razão e o sentido de dois motins

Maputo (Canalmoz) – A revolta de 1 e 2 de Setembro corrente, em Maputo, vista, de Lisboa, pelo antropólogo Paulo Araújo, mereceu a nossa atenção e aqui a reproduzimos com a devida vénia:

Tal como em 5 de Fevereiro de 2008, Maputo viveu ontem um dia de barricadas de pneus ardendo nas ruas, pedradas a carros e montras, cidadãos mortos pelas balas das forças policiais.

Também como nesse Fevereiro, o motim foi convocado em rede por SMS e boca-a-ouvido, alastrando em bola de neve de um bairro popular a outro, à medida que o fumo das barricadas vizinhas ia sendo avistado.

Como em 2008, o móbil imediato dos protestos foi a brusca subida de preços. Então, dos "chapas", periclitantes carrinhas que servem de transporte público à esmagadora maioria. Agora, da água, electricidade, pão e arroz - sua base alimentar.

3 de setembro de 2010

Quando a arrogância governativa virou a marca registada de um governo...

Canal de Opinião, por Noé Nhantumbo

QUANDO A ARROGÂNCIA GOVERNATIVA VIROU A MARCA REGISTADA DE UM GOVERNO...

Falhanço do Black Economic Empowerment?... É preciso olhar para além do óbvio...

Beira (Canalmoz) - As características dos regimes políticos instalados em Maputo e Pretória só diferem de dimensão e de língua oficial utilizada. Pode haver de facto outras diferenças quanto aos manuais de procedimentos mas na essência estamos vivendo sob o signo de dirigentes políticos nacionais mas com a suas economias completamente dominadas por outras pessoas ou corporações que vão ditando o que se faz ou deixa de fazer na esfera económica. Quem governa supunha que entregando de mão beijada tudo ao capital internacional teria todos os problemas resolvidos.

27 de agosto de 2010

Moçambique: Prioridade no caju é triplicar as plantas

Moçambique: Prioridade no caju é triplicar as plantas

Moçambique vai continuar a privilegiar os trabalhos de reposição da capacidade de produção da castanha de caju, através da distribuição de mudas e combate a doenças que afectam os cajueiros. O Director Nacional Adjunto do Instituto de Fomento do Caju, Raimundo Matule, disse que a curto prazo a prioridade do Governo é triplicar os actuais níveis de distribuição que variam entre 1,3 e 1,5 milhão de plantas.

Mais importante do que propriamente colocar as mudas junto do produtor, Raimundo Matule falou necessidade de garantir uma monitoria permanente para saber se as plantas estão a desenvolver-se dentro dos patrões técnicos recomendáveis.

O país não tem ainda produtos de pesquisa aplicada suficientemente abrangentes, razão por que está a distribuir apenas quatro clones de cajueiro, numa altura em que países como a Índia têm por volta de 50 variedades.

7 de maio de 2010

O Acidente de Mbuzini (A morte de Samora Machel), por Luís Brito Dias

O Acidente de Mbuzini (A morte de Samora Machel) por Luís Brito Dias*1


*2 Sérgio Vieira Ordenou aos Pilotos da LAM que se "Mantivessem Calados"


Li com muita atenção as declarações do Sr. Sérgio Vieira a respeito do desastre de Mbuzini (jornal O País, 15 de Agosto de 2008), assunto que me interessa sobremaneira, pois trabalhei em Moçambique como piloto da DETA /LAM durante 17 anos. Presentemente trabalho no Extremo Oriente como comandante de uma transportadora aérea, pilotando aviões do tipo Boeing 747-400. É evidente que o Sr. Sérgio Vieira mente descaradamente pois ele era na altura do acidente o Ministro da Segurança, portanto com responsabilidade no que veio a acontecer. Samora teve uma morte inglória e claro que ele também foi o responsável pelo que aconteceu pois entregou a sua própria vida nas mãos de pilotos que revelaram desleixo, negligência e incúria. Todos os pilotos que voavam na LAM na altura sabem perfeitamente que o acidente de Mbuzini deveu-se a negligência e incúria por parte da tripulação técnica. Aliás, após o acidente, o Sr. Sérgio Vieira fez chegar aos pilotos da LAM a mensagem, tipo ameaça bem clara, para se manterem calados e não abrirem a boca. Foi por essa razão que nenhum Comandante foi nomeado para fazer parte da comissão de inquérito. O único que foi nomeado foi um co-piloto da LAM, que tinha sido da Força Aérea e era membro do Partido Frelimo, e por isso facilmente controlável. Este co-piloto começou a ver a nojeira que era a Comissão de Inquérito e arranjou maneira de se baldar rapidamente pois em consciência não podia participar na deturpação da verdade. Os pilotos soviéticos além de terem pouca experiência, voavam muito pouco e as licenças de voo que foram apresentadas no inquérito são falsas. Foram emitidas posteriormente.

Samora Machel morreu devido a ‘desleixo’ da tripulação soviética


Acidente de Mbuzini

Machel morreu devido a ‘desleixo’ da tripulação soviética

– revela jornalista da LUSA em Moscovo, autor de livro a ser lançado hoje em Lisboa

Pretoria (Canalmoz) - O despenhamento do Tupolev presidencial em Mbuzini e que provocou a morte do presidente moçambicano, Samora Machel, em 1986, foi causado “por desleixo da tripulação soviética da aeronave”, afirmou o jornalista José Milhazes, que relata a tragédia no seu mais recente livro.
Em declarações à LUSA, o autor de “Samora Machel - Atentado ou Acidente?” disse pensar ter conseguido “responder (à questão do título do livro), pois não se tratou de um atentado, mas sim de um acidente. O avião caiu devido a um erro humano, mais propriamente, ao desleixo da tripulação do avião presidencial, como disse um dos técnicos”, referiu o jornalista, que é correspondente da Agência Lusa em Moscovo.