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2 de julho de 2009

Lisboa: 34 anos depois, Cabo Verde fala e canta independência

Lisboa: 34 anos depois, Cabo Verde fala e canta independência Olhares cruzados sobre Cabo Verde 34 anos após a Independência será o centro de uma conferência que terá lugar na Universidade Lusófona, sexta-feira, pelas 17H00, no âmbito da evocação da data histórica. A conferência contará com particular presença de estudantes cabo-verdianos de sectores académicos de várias cidades, mobilizados pela União dos Estudantes Cabo-verdianos de Lisboa. Debate coordenado pelo diplomata Eduardo Jorge Silva e Teresa Damásio da ULHT, o encontro terá como oradores Fredric Mbassa, José Luís Neves, Rony Moreira, Suzano Costa, Nilson Mendes e Démis Almeida. Para além das comemorações este ano centradas oficialmente no Seixal, com a presença do primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, haverá várias realizações um pouco por todas as zonas onde se concentram as comunidades populacionais de Cabo Verde. Também no dia 3, haverá, na Universidade Nova de Lisboa, uma festa organizada pelo Núcleo dos Estudantes cabo-verdianos para comemorar a independência, em ambiente jovem e familiar. Este sábado dia 4 , no “Armazém F”, junto ao Rio Tejo, o 34º Aniversário da Independência de Cabo-Verde será celebrado ao som de músicas conhecidas como: Narina, Batuku, Alegria, Estudante, entre muitas outras. Músicas de Orlando Pantera e Ildo Lobo, cantadas e tocadas por um leque "Especial" de artistas cabo-verdianos, dão ritmo a uma Gala com início às 20 horas e que promete muitas surpresas. A Associação de Solidariedade Social, do Alto Cova da Moura, organiza para o dia 11 de Junho a festa evocativa, juntando também as celebrações do dia da Independência de São Tomé e Principe e o Festival Internacional de Capoeira, Percursão e Danças. Haverá um cortejo a partir das 15h30 pelas ruas do bairro e a actuação de dez grupos de artistas, com músicas e danças alusivas especialmente aos países de língua comum. Entretanto, no passado dia 27, com a colaboração da Câmara de Évora e organizado pela “Etnia”, teve lugar um espectáculo cultural de Cabo Verde nesta capital património da Humanidade, com a actuação da grande cantora da morna Titina e outras artistas cabo-verdianos. Ol A Semana, 2 de Julho de 2009

27 de junho de 2009

Moçambique: Marcelino dos Santos apela diáspora a desenvolver o país

Marcelino dos Santos apela diáspora a desenvolver o país O veterano da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) Marcelino dos Santos apelou, no fim-de-semana em Joanesburgo, África do Sul, aos moçambicanos residentes no país a participarem no processo da consolidação da independência económica e a estreitarem laços com os sul-africanos com vista a assegurar a construção de uma África Austral livre de todas as formas do “apartheid” e do colonialismo. Aquele político fez tal apelo num encontro destinado à eleição de representantes das comunidades moçambicanas radicadas em várias regiões deste país vizinho. No encontro foram eleitos Gabriel António Chaúque para presidente, Natalino Soto, vice-presidente, e Aida Machava para secretária das comunidades no país. Na reunião em que estiveram presentes mais de 70 moçambicanos, entre delegados e convidados, o membro fundador da então Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), hoje partido no poder, disse que a grande luta a ser travada no nosso país é a luta pela independência económica, na qual todos os moçambicanos devem ser parte activa. Referiu ainda que nesse processo de construção económica a diáspora é chamada a envolver-se, através de várias iniciativas de desenvolvimento. Sublinhou que os moçambicanos devem ser donos da economia, “por isso vocês aqui na África do Sul são chamados a fazer parte do processo”. Marcelino dos Santos afirmou que, apesar dos moçambicanos estarem independentes, a economia não está ainda nas suas mãos, vincando, todavia, a necessidade de todos trabalharem de modo a que sejamos os donos da economia. Lembrou que no seu congresso em 1962 a Frelimo afirmou que queria um Moçambique livre e próspero, em que os moçambicanos sejam proprietários da economia. Descreveu que quando “alcançámos a independência em 1975, que foi a primeira grande fase do processo de libertação de Moçambique, começámos imediatamente a construir a independência económica”. Nos primeiros anos da independência, segundo lembrou o veterano da Frelimo, Moçambique optou pela via socialista. “No processo, foram lançados grandes projectos e em 1980 elaborado e aprovado o Plano Prospectivo Indicativo (PPI), que iria terminar em 1990, mas fomos assaltados pelos regimes do apartheid, na África do Sul, e do Ian Smith, na antiga Rodésia do Sul, hoje Zimbabwe”. Marcelino dos Santos convidou os moçambicanos residentes na vizinha África do Sul a não esquecerem do que se passou com Moçambique, cujo tecido social foi totalmente destruído pelos regimes rodesiano e do “apartheid”. Indicou que Moçambique aplaudiu a libertação da figura que viria a ser o primeiro Presidente negro da RAS, Nelson Mandela, o mesmo hoje em relação a eleição de Jacob Zuma, por contribuir para a independência dos moçambicanos. A grande luta hoje a travar-se em Moçambique, de acordo com Marcelino dos Santos, é a construção da independência económica, processo que não se pode fazer num único dia. “É um processo contínuo e que culminrá com os moçambicanos a assumir, de facto, a propriedade da economia”. Nesse trabalho, frisou o interlocutor, a diáspora é chamada a envolver-se. “Vocês os escolhidos aqui hoje têm a responsabilidade de representar os moçambicanos em cada lugar onde estiverem e devem fazer conhecer aos sul-africanos o quão difícil foi o processo da libertação de Moçambique. Estou contente por ver que os moçambicanos na África do Sul estão a organizar-se, pois todo o sucesso resulta da organização”, frisou. O membro fundador da FRELIMO instou aqueles cidadãos para que estejam unidos com os sul-africanos. “É necessário que estejam unidos com os cidadãos sul-africanos como forma de construir uma África Austral e um mundo melhor, onde sejamos completamente libertos de todo tipo de exploração. É preciso que o “apartheid” acabe completamente na face da humanidade, quer dizer morram todas as suas formas”. O grande modo de desenvolvimento de Moçambique, de acordo com Marcelino dos Santos, é a organização que se tornou uma exigência no nosso país, por assegurar sucesso. Recordou que em 1970 a Frelimo foi construindo a unidade nacional, que possibilitou a derrocada da ofensiva “No Górdio”, lançada pelo General Kaúlza de Arriaga. Lembrou que quando as tropas coloniais viram que a FRELIMO havia atravessado o rio Zambeze, em Tete, e aberto a frente de Manica e Sofala, viram-se obrigadas a lançar o golpe de Estado em Portugal. “É isso que os moçambicanos devem compreender que foi a força da organização e unidade que nos permitiu conquistar a independência, depois de 10 anos de luta armada. É preciso que os moçambicanos saibam disso, que estejam informados disso e vocês têm a tarefa de fazer conhecer o que neste momento está a acontecer em Moçambique”, explicou. A dado momento, Marcelino dos Santos manifestou-se satisfeito pela liderança das comunidades moçambicanas na África do Sul incluir mulheres. “Se não tirássemos emancipação da mulher não teríamos nenhuma revolução em Moçambique a triunfar”. CAPITALISMO GEROU A CRISE MUNDIAL No encontro com a diáspora moçambicana na África do Sul, Marcelino dos Santos, falou ainda da crise mundial, afirmando tratar-se duma crise do sistema capitalista no seu todo. Apontou que a partir de agora os capitalistas e os pobres têm a tarefa de gerir este período de transição para o socialismo. Entretanto, depois da sua intervenção, aplaudida várias vezes pela audiência, o embaixador moçambicano na África do Sul, Fernando Fazenda, encorajou os seus concidadãos a prosseguir com o movimento associativo em todas as regiões onde residem. De acordo com Fernando Fazenda, a direcção das comunidades moçambicanas deverá assegurar o seu trabalho nas largas associações na África do Sul em busca de sua maior abrangência. Fernando Fazenda pediu aos presentes para que sejam mais unidos e secundarizem as diversidades. Jorge Dick, em Joanesburgo Maputo, Sábado, 27 de Junho de 2009:: Notícias

26 de junho de 2009

Independência de Moçambique: A guerra era entre um povo e um regime

Independência de Moçambique: A guerra era entre um povo e um regime Pedrosa Lopes, presidente da Assembleia Geral da Camera de Comércio Portugal-Moçambique diz que para quem viveu e conheceu este país antes da independência e fez a guerra de Libertação de Moçambique pelo lado português- que foi o seu caso, este é um dia muito feliz. Primeiro porque após este conflito quando regressou a Moçambique foi recebido de braços abertos. “O que ficou provado que a guerra não era entre povos mas sim entre um povo e um regime. Passados 34 anos não há qualquer tipo de animosidade. Pelo contrário: são relações de cumplicidade.” Teresa Cotrim SAPO MZ , 26 de Junho de 2009

Marcelino dos Santos - "A independência política foi alcançada, o que importa hoje é construir a independência económica"

Marcelino dos Santos - "A independência política foi alcançada, o que importa hoje é construir a independência económica" "Desde 25 de Junho de 1962 que a História da Frelimo passou a ser a História de Moçambique, a história do povo moçambicano. Com o desencadear da luta armada, o objectivo da Frelimo era construir uma pátria livre e independente, construir um Moçambique livre de toda a forma de descriminação." Foi assim que Marcelino dos Santos começou o seu discurso do dia da independência nacional. Passados mais de 10 anos, o objectivo que a Frelimo traçou para o povo moçambicano fora alcançado. No dia 25 de Junho de 1975 deu-se a independência nacional. "A independência política foi alcançada, o que importa hoje é construir a independência económica. Neste momento o nosso desafio é liquidar a pobreza", enfatizou Marcelino dos Santos. O orador afirmou que sempre acreditou que a independência um dia chegaria a Moçambique. Essa visão esteve sempre presente nas suas poesias: "A vontade de ver o meu país livre, serviu de inspiração e instrumento para organizar ideias para as minhas poesias", acrescentou. O homem que viu o seu país a passar do socialismo para o capitalismo, como forma de assegurar a independência conquistada, sempre defendeu o sistema Marxista - Leninista como forma ideal de aproximar o Estado do povo, acredita que Moçambique está a caminhar novamente para o socialismo. Para o político, "o capitalismo fomenta a desigualdade entre o Estado e o povo. A ideia primeira do nosso Estado é o desenvolvimento do capitalismo e do empresariado, esquecendo-se, por exemplo, da classe operária e da classe camponesa." “O processo de libertação nacional construiu um homem novo. Por isso, devemos continuar a acreditar em nós próprios, acreditar no nosso valor, na grandeza daquilo que foi o processo de libertação nacional e ofereçamos ao mundo tudo aquilo que foram as ideais que construímos para o benefício do nosso povo, mas também, para o benefício de toda África”, concluiu o político e poeta. Sílvia Panguane SAPO MZ, 26 de Junho de 2009

Embaixador de Moçambique em Portugal comemora o dia da Independência

Embaixador de Moçambique comemora o dia da Independência A música ouvia-se na rua que alberga a Embaixada de Moçambique em Portugal. Situada no Restelo com o Tejo por companhia. Os convidados foram recebidos com passadeira vermelha temperada com o já conhecido simpático sorriso moçambicano. Na piscina rodava uma bola gigante com uma bailarina lá dentro. Muito bonito. O som da marrabenta embalava o ambiente aquecendo o convívio, enquanto alguns convidados se iam deliciando com os petiscos enquanto reavivavam memórias ou simplesmente falavam dos temas da actualidade. Miguel Costa Mkaima, Embaixador e Plenipotenciário da República de Moçambique em Portugal é um homem afável, simples e acolhedor. Fez questão de ser fotografado ao lado de Eduardo Mondlane, por se completar 40 anos após a sua morte e, por 2009 ser o ano dedicado a este “soldado”. Eduardo Mondlane foi um dos fundadores e primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), a organização que batalhou para que este dia chegasse. Eduardo foi assassinado por uma encomenda-bomba. Essa data é, por isso, assinalada como o Dia dos Heróis Moçambicanos. Mas o Embaixador fez ainda questão de tirar uma foto ao lado da sua mulher Glória. Relembra o dia em que esteve no estádio da Machava e que viu a nova bandeira a subir até ao céu. “Jamais esquecerei a imensa alegria que senti.” E conta que é do tempo da luta. Foi membro da Frelimo e agradece a Deus ter sobrevivido aos ataques dos aviões portugueses. Quando lhe pedimos que nos conte uma história que o tenha marcado, diz que são muitas. Mas puxando pela memória ressalta a ocasião em que estava no Festival Mundial da Juventude em Berlim e que jovens portugueses que iam para a guerra se abraçavam aos jovens moçambicanos que viviam sob o poder colonial. Cada um tinha de cumprir um destino…
Interessante que passados 34 anos nesta casa se reencontraram ex soldados portugueses com ex elementos da Frelimo. Hoje são amigos. Hoje deixou de haver dois lados da barricada. Hoje comia-se arroz com carne, bolinhos de canela, pãezinhos de leite e fiambre e saboreavam-se outras iguarias. Hoje era um dia feliz para todos. Hoje era dia de festa. Teresa Cotrim e Pedro R. Curto SAPO MZ, 26 de Junho de 2009

25 de junho de 2009

História de Moçambique: De Norte a Sul… (Teresa Cotrim)

Independência de Moçambique História de Moçambique: De Norte a Sul… Em meados do Séc.XX, a influência portuguesa em terras de África Oriental era limitada. Os seus movimentos no interior eram quase sempre ameaçados por reinos africanos que se tinham fortalecido durante o comércio de escravos, explica Aurélio Rocha no seu livro Moçambique História e Cultura. No Sul do território, a autoridade portuguesa só tomou forma após ter vencido o maior foco resistente centrado do Estado de Gaza culminando com a prisão e deportação do Rei Gungunhana e dos seus principais colaboradores entre os quais o seu filho Godido. Segundo a mesma fonte no Centro de Moçambique, só após uma série de longas guerras as forças portuguesas conseguiram instituir uma administraçãp. O Norte seria ocupado e conquistado no final do Séc. XIX e algumas partes apenas no inicio do Séc. XX. Teresa Cotrim Sapo MZ, 25 de Junho de 2009

Independência de Moçambique: Onde é que estava no 25 de Junho?

Onde é que estava no 25 de Junho? Fernando Sousa Foi o dia de todas as emoções. Recordo-me particularmente do hastear da bandeira. Foi arrepiante. Finalmente éramos livres. Foi o dia de toda a alegria, foi lindo e, sem dúvida, que nos marcou a todos para sempre. Todos desejávamos muito o que se estava ali a passar. Era, acima de tudo, um desejo colectivo. Sapo MZ, 25 de Junho de 2009

Independência de Moçambique: Onde é que estava no 25 de Junho?

Onde é que estava no 25 de Junho? Victor Desejado Passei o dia independência em Quelimane, minha terra natal, e nesse dia completei 15 anos. Fui ao campo do Sporting de Quelimane assistir às cerimónias centrais com os meus amigos. Lembro-me que a juventude estava eufórica com os ensinamentos da Frelimo e abraçaram a causa sem pestanejar. Aquela marcha do Samora do Rovuma ao Maputo é que nos consciencializou efectivamente para a independência. Aquele que aos olhos dos portugueses era o turra apresentava-se agora como libertador. Recordo-me que houve um grande discurso no estádio e muita actividade cultural nos bairros. Seguíamos o discurso de Samora pela rádio. Sai de estádio por volta das quatro da madrugada. Quando cheguei a casa tinha um bolo com 15 velas para apagar. Sapo MZ, 25 de Junho de 2009

Independência de Moçambique: Onde é que estava no 25 de Junho?

Onde é que estava no 25 de Junho? Mussagy Geichande Devido aos meus compromissos profissionais, nesse dia cheguei muito cedo ao estádio da Machava. Eu trabalhava com o vice-ministro Manuel do Santos, que era chefe de protocolo do Governo de Transição, por isso chegámos bem cedo para receber as individualidades. Ver a bandeira a flutuar lá em cima foi um momento único. Comoveu-me ver moçambicanos de todas as cores a festejar efusivamente. Agora, depois do fim do apartheid, fala-se muito de “rainbow nation”, mas nós, naquela altura, já tínhamos o nosso arco-íris e de uma dimensão impressionante. Estávamos muito galvanizados e todos nos sentíamos identificados com a causa da independência e inevitavelmente com a Frelimo. Quando o Marcelino dos Santos diz que todo o povo é Frelimo, naquele momento eu entendo bem as suas palavras. Todos nos identificávamos com aquele partido, sobretudo pela forma correcta como a luta tinha sido conduzida. Nessa noite não me deitei. Quando sai do estádio vim para o bairro militar onde vivia porque na altura fazia parte das FPLM. Festejei até de manhã com os meus camaradas e vizinhos. Sapo MZ, 25 de Junho de 2009

Moçambique celebra hoje os 34 anos da independência nacional assinalada a 25 de Junho de 1975

CONSOLIDAR A INDEPENDÊNCIA - APELA A FRELIMO O país celebra hoje os 34 anos da independência nacional, assinalada a 25 de Junho de 1975. Trata-se duma data que marcou a derrocada final do colonialismo português em Moçambique, dando termo a 500 anos de colonização e dez de luta de libertação nacional. A efeméride não só constitui um momento de festa como também de reflexão sobre os desafios presentes e futuros. O combate à pobreza absoluta, a necessidade da consolidação da independência nacional e de o país se fortificar economicamente são alguns dos desafios a ter conta, segundo defenderam os partidos políticos e algumas agremiações sociais a propósito da efeméride. Afirmaram ser também pertinente que os moçambicanos consolidem a unidade nacional, cerrem fileiras contra a corrupção e todos os outros males que ainda enfermam a sociedade. Lançaram apelos para uma participação massiva dos cidadãos com idade de votar, no processo de actualização do registo eleitoral em curso no país, visando as eleições legislativas e presidenciais, bem assim as primeiras para as assembleias provinciais a ocorrerem a 28 de Outubro próximo. O partido Frelimo apelou ontem a todos os moçambicanos para que continuem unidos na consolidação da independência nacional, através da consolidação da unidade nacional, da paz e da participação activa na luta contra a pobreza e pelo bem-estar de todos os cidadãos, numa mensagem alusiva aos 34 anos da independência nacional que hoje se assinala. Na mensagem, um apelo foi também dirigido aos jovens para que se apropriem da história da Luta de Libertação Nacional, buscando nela as referências e a inspiração para enfrentar e superar os desafios do presente e do futuro. “A Frelimo exorta a todos os cidadãos em idade eleitoral activa para que participem no processo de actualização do recenseamento eleitoral e na votação nas eleições presidênciais, legislativas e das assembleias provinciais que terão lugar no dia 28 de Outubro próximo, pois votando estarão a exercer a soberania resultante da conquista da independência nacional. Exortamos ainda a todos os moçambicanos para que façamos do processo eleitoral um momento de festa, de reforço e consolidação da cultura de paz, estabilidade política, harmonia social e cultura democrática”, indica a mensagem do partido no poder. Num outro passo, a Frelimo frisa que a celebração do 25 de Junho de 2009, o 34º aniversário da proclamação da independência nacional, coincide num período proclamado como “Ano Eduardo Mondlane”, em homenagem ao fundador, primeiro Presidente da FRELIMO e Arquitecto da Unidade Nacional. Coincide igualmente com a celebração do 47º aniversário da fundação da FRELIMO e do 45º aniversário do desencadeamento da Luta Armada de Libertação Nacional, “a qual tinha como objectivo conquistar a independência total e completa para libertar a terra e os homens”. RENOVAR COMPROMISSO COM A UNIDADE E LIBERDADE - EXORTAÇÃO DO PDD O PDD, Partido para a Paz, Democracia e Desenvolvimento, exortou os moçambicanos para que renovem continuamente o seu compromisso com a unidade, a liberdade, a justiça, a igualdade e o respeito pelos direitos e liberdades fundamentais estabelecidos há 60 anos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e juridicamente consagrados desde 1990 na Constituição da República de Moçambique. O apelo vem expresso numa mensagem daquela agremiação política, por ocasião do 34º aniversário da independência nacional que hoje se assinala. “O dia 25 de Junho simboliza desde 1975 a inauguração de uma nova página na história de todos os moçambicanos, pois a partir daquela data a terra, a soberania, as riquezas e a direcção dos destinos da nação passaram a estar por lei sob controlo dos nacionais. É justo aqui sublinhar que há 34 anos deixou de existir, nos termos da Constituição e da lei, a segregação entre indígenas, assimilados, portugueses de 2ª e de 1ª classe. Por outras palavras, quer isto dizer que com a independência os moçambicanos conquistaram o direito à dignidade e à igualdade perante a lei”, refere a mensagem do PDD. Segundo a missiva, os moçambicanos partilham desde os tempos da escravatura aos da colonização efectiva um longo período comum de repressão, discriminação e segregação. “O futuro deve ser perspectivado tendo em conta que os sofrimentos do passado jamais voltarão a ser impostos ao povo moçambicano, qualquer que seja o Governo”. CONSOLIDAR A PAZ - MIGUEL MABOTE, LÍDER DO PT A necessidade de consolidação da paz, foi realçada na mensagem do Partido Trabalhista (PT) alusiva a mais um aniversário da independência nacional. O presidente daquele movimento, saudou a todos os moçambicanos pela passagem da efeméride, considerando que o 25 de Junho é um marco indelével na história do país, por ter selado a vitória da luta secular e heróica contra o colonialismo português. “O Partido Trabalhista entende que com a paz e com a liberdade todos os cidadãos moçambicanos devem empenhar-se com afinco nas tarefas de produção para o combate à pobreza absoluta, ao HIV/SIDA, à criminalidade, consolidando firmemente a unidade nacional e a democracia, que são os pilares para a garantia da prosperidade e justiça social”. O PT aproveitou a ocasião para exortar os moçambicanos com capacidade eleitoral activa para participarem massivamente no processo de actualização do processo de recenseamento eleitoral visando as eleições legislativas e presidenciais, bem assim as primeiras eleições para as assembleias provinciais a decorrer simultaneamente a 28 de Outubro do ano corrente. JOVENS DEVEM PRESERVAR PATRIOTISMO - SEGUNDO PARLAMENTO JUVENIL O Parlamento Juvenil também associa-se às celebrações dos 34 anos da independência nacional, apelando aos jovens para preservarem o espírito de patriotismo. Para aquela organização juvenil, o desafio da juventude de hoje reside em buscar inspiração nos ideais de Eduardo Mondlane, abandonando o comodismo e equacionando de forma patriótica e sábia os interesses individuais com os desafios que se impõem no âmbito do Estado de Direito que se pretende que Moçambique seja. “A independência moçambicana é fruto do esforço e entrega do povo que, liderada pela sua juventude, percebeu a necessidade de se libertar do jugo colonial português e caminhar rumo à sua independência, tarefa que o nosso sofrido povo persegue até aos dias de hoje”. O Parlamento Juvenil ressalta ainda que o grande desafio de hoje é assegurar uma independência em todas as suas dimensões, com destaque para a económica. “Compete ainda à juventude de hoje inspirar-se nos mais elevados princípios da moçambicanidade, que se consubstanciam nos nobres valores da paz, da democracia e da unidade nacional, como condições indispensáveis para a superação das nossas adversidades. Os jovens, independentemente das suas crenças religiosas, convicções partidárias e classe social, não devem medir esforços para a sua união quando diante da procura de soluções para os problemas do país”, refere a mensagem. Indica igualmente que a data deve também servir de reflexão para uma maior entrega de todos os moçambicanos na luta contra a pobreza, contra a corrupção, contra a violação dos Direitos Humanos e outras formas de abusos por aqueles a quem compete servir com zelo o povo. Maputo, Quinta-Feira, 25 de Junho de 2009:: Notícias

15 de abril de 2009

Maputo: Vida e obra de Mondlane em simpósio internacional

Vida e obra de Mondlane em simpósio internacional A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) anunciou ontem, em Maputo, a realização de um simpósio internacional sobre a vida e obra do seu patrono, a ter lugar nos dias 18 e 19 de Junho próximo na capital do país. O evento, que reunirá cerca de 250 convidados nacionais e estrangeiros, acontece no quadro do Ano Eduardo Mondlane, decretado pelo Presidente da República, Armando Guebuza, por ocasião dos 40 anos do desaparecimento físico do primeiro presidente da FRELIMO e Arquitecto da Unidade Nacional, assinalados a 3 de Fevereiro último. Joel das Neves Tembe, porta-voz da UEM, disse ontem a jornalistas que o referido simpósio marcará um dos principais momentos das comemorações do Ano Eduardo Mondlane e nele estarão reunidos académicos, políticos e estudiosos da vida e obra daquela figura emblemática do nosso país, da África e do mundo. No encontro, para além de se apresentarem estudos académicos e pesquisas feitas em torno da vida de Eduardo Mondlane, serão apresentados testemunhos e relatos de pessoas que ao longo da sua vida tiveram o privilégio de conviver com Eduardo Mondlane, quer na sua infância, a nível da escola primária; quer na juventude, quando se transferiu para Lourenço Marques (hoje Maputo) para prosseguir com os seus estudos; ou em idade adulta, na universidade ou nos locais onde trabalhou. “Para este simpósio foram convidadas pelo menos seis individualidades de renome internacional que estudaram a vida e obra de Eduardo Mondlane, quer através de pesquisa, quer por via de teses de mestrado ou doutoramento”, afirmou Joel das Neves Tembe. Para além do simpósio, o mês de Junho será ainda altura de realização de uma maratona. A prova de atletismo terá lugar no dia 20 em Nwadjahane e contará com a participação de residentes locais, estudantes e atletas profissionais que se deslocarão de Maputo para aquele local. No âmbito das actividades da UEM para assinalar o ano do seu patrono, o maior estabelecimento do Ensino Superior nacional projecta ainda fornecer obras e escritos ao Museu Eduardo Mondlane, erguido em Nwadjahane, para além de fotografias para o enriquecimento da exposição que ali se encontra patente. A UEM também vai instalar uma sala de vídeo-conferência no referido museu. O porta-voz da UEM referiu ainda que as actividades promovidas pela UEM não ficam por aqui. Explicou que as faculdades e outros núcleos daquele estabelecimento de ensino estão, de forma individual, a promover palestras, exposições e/ou actividades culturais e desportivas para assinalarem a efeméride. “Também temos a nível central acções programadas para os próximos meses, uma vez que o Ano Eduardo Mondlane vai até Dezembro”, enfatizou sem entrar em pormenores em torno do que está previsto para depois de Junho. Maputo, Quarta-Feira, 15 de Abril de 2009:: Notícias

7 de abril de 2009

Dia da Mulher Moçambicana: Uma homenagem a Josina Machel

Dia da Mulher Moçambicana: Uma homenagem a Josina Machel No dia 7 de Abril comemora-se o Dia da Mulher Moçambicana, uma data em que se assinala a morte da heroína moçambicana, Josina Machel, sendo também feriado nacional. A partir das 17 horas de Portugal, o salão nobre da Embaixada de Moçambique em Lisboa, vai estar aberto ao público com um vasto programa de actividades entre as quais podemos destacar uma exposição de fotografia, a apresentação da dança tradicional makway, intervenção de mulheres moçambicanas em diversas áreas, e terá como convidados o antigo presidente da Assembleia da República de Moçambique e membro do Conselho do Estado, Marcelino dos Santos, o artista plástico Malangatana, entre outros. Apesar de não ligar a datas, Conceição Queiroz, Jornalista da TVI, em Portugal, considera o 7 de Abril um marco na história moçambicana: "A mulher moçambicana tem um papel fundamental na sensibilização das populações, especialmente no que se refere a campanhas de saúde e educação. Josina Machel é uma heroína, ela lutou". A embaixatriz em Portugal, Glória Mkaima, considera a data muito relevante, ressalvando que o papel da mulher moçambicana revela o "amor que ela tem por si própria". Josina Machel constitui o símbolo da mulher emancipada, da mulher que lutou pela sua libertação e ao mesmo tempo, pelo bem estar, felicidade e justiça social. Josina Abiatar Muthemba (seu nome de solteira) nasceu a 10 de Agosto de 1945, na província de Inhambane. Frequentou o ensino primário em Porto Amélia, e mais tarde foi para Manica e Sofala, acompanhando as transferências a que os seus pais estavam sujeitos. Em 1956 viajou para Lourenço Marques onde continuou com os estudos, matriculando-se no ensino secundário na Escola Comercial, que frequentou até ao 4º ano. Ela fazia parte de um núcleo de estudantes, o NESAMO (Núcleo dos Estudantes Secundários Africanos Moçambicanos). Era um grupo de estudantes revoltados contra o regime de opressão imposto por Portugal. Este espírito de revolta cedo chamou a atenção da polícia política que servia o regime fascista, a PIDE, e valeu-lhe a sua primeira detenção quando tinha apenas 19 anos. Samora Machel percebeu e admirou a sua determinação e coragem e não tardou a encarrega-la de tarefas de mobilização e educação das mulheres moçambicanas. Josina Machel entregou-se com todo o seu empenho à causa da luta de libertação nacional, e teve uma contribuição muito significativa no papel de relevo que as mulheres desempenharam nesta luta. Estas lutaram lado a lado com os homens nas frentes de combate. Mas foi antes, em 1966, que o Comité Central do Partido para a Libertação de Moçambique (FRELIMO) decidiu que as mulheres moçambicanas deviam participar de forma mais activa na luta de libertação, e que deviam receber treino político e militar para melhor executar essa tarefa. E logo em 1967 começou a ser treinado o primeiro grupo de raparigas das províncias de Cabo Delgado e Niassa com essa missão. Esta primeira experiência de envolvimento das mulheres na luta foi considerada um sucesso e o primeiro grupo de raparigas combatentes formou então o Destacamento Feminino, a que mais tarde se fundiu a Liga Feminina de Moçambique (LIFEMO). Josina abraçou o apelido Machel quando, em 1969, casou com Samora Machel, que um ano mais tarde seria eleito Presidente da FRELIMO. Esta Heroína moçambicana foi responsável do Destacamento Feminino, Chefe da Secção de Assuntos Sociais, assim como da Secção da Mulher, do Departamento de Relações Exteriores da Frente que conduziu Moçambique à independência. Contudo, a saúde de Josina começou a deteriorar-se e a 7 de Abril de 1971 Josina Machel morria, deixando para as gerações vindouras o seu exemplo de determinação, coragem e luta pela libertação do seu povo e emancipação da mulher moçambicana. Sílvia Panguane Sapo MZ, 6 de Abril de 2009

Pela passagem do 7 de Abril: Moçambicanas em festa

Pela passagem do 7 de Abril: Moçambicanas em festa A mulher moçambicana está hoje em festa, comemorando mais um 7 de Abril, seu dia e de homenagem à heroína Josina Machel. Por ocasião da data, várias actividades estão desde a semana passada em curso em todo o país, devendo atingir o ponto máximo hoje, com uma cerimónia de deposição de flores no Monumento aos Heróis Moçambicanos, em Maputo, com a participação do Presidente da República, Armando Guebuza. Serão ainda inauguradas as novas instalações do Ministério da Mulher e Acção Social e lançado um livro sobre Josina Machel. Ontem realizou-se no Cine-África um espectáculo de dança intitulado “Mulher, Nossa Heroína”, um bailado produzido por Virgílio Sithole, da Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD), em tributo à mulher moçambicana pelos seus brilhantes feitos em prol do desenvolvimento da sociedade nos demais aspectos da vida sócio-cultural e político-económica do país. O Chefe do Estado presenciou este espectáculo de gala.
No período da manhã o general na reserva António Hama Thai proferiu uma palestra subordinada ao tema “O Papel de Mondlane na Emancipação da Mulher, na qual enalteceu das moçambicanas durante a luta armada, acrescentando que “a luta continua”. Ainda enquadrado nas cerimónias alusivas ao 7 de Abril, foi ontem inaugurado na capital do país o primeiro dos novos gabinetes de atendimento às vítimas da violência doméstica. Na ocasião foi revelado que os tumultos nos lares moçambicanos, acompanhados de violência doméstica, estão a registar um assinalável crescimento, sendo que 1571 casos foram registados no país apenas nos primeiros dois meses deste ano, numa média diária de 27 ocorrências. De acordo com os registos da PRM, 869 casos recaíram sobre mulheres, 390 contra crianças e os restantes 312 tiveram como vítimas homens. Os números divulgados por Lurdes Mabunda, chefe do Departamento de Atendimento à Mulher e Criança Vítima de Violência Doméstica no Comando Geral da PRM, indicam que durante o ano passado a corporação acolheu, aconselhou e encaminhou 14.281 casos do género em todo o território nacional, ou seja, uma média de 1190 casos por mês. Lurdes Mabunda disse ainda que do universo dos casos registados em 2008, 4414, cerca de 30 por cento, deram-se na cidade de Maputo, tendo acrescentando que os números clarificam que o fenómeno é, de facto, uma realidade no país. Denominado Gabinete Modelo de Atendimento à Mulher e Criança Vítimas de Violência Doméstica, a infra-estrutura ontem inaugurada na capital do país é a primeira de uma nova gama daquelas unidades de aconselhamento e tratamento dos casos de maus tratos daqueles dois grupos sociais nos respectivos lares. O gabinete ontem inaugurado pela Ministra da Mulher e Acção Social, Virgília Matabele, possui compartimentos equipados onde as vítimas podem repousar e obter aconselhamento mais personalizado. Para além da ministra, a cerimónia contou com a presença de outras figuras relevantes, com destaque para o vice-ministro do Interior, José Mandra, Jorge Khalau, Comando-Geral da Polícia, Leila Pakkala, representante do UNICEF no país, e do Encarregado de Negócios da Embaixada de Portugal, João Côrte-Real, que nas suas intervenções condenaram a prática, destacando que impede o desenvolvimento do país. A unidade ontem inaugurada resultou do apoio técnico e financeiro destas duas últimas instituições estrangeiras, segundo dados avançados no local. Ao nível da cidade de Maputo, está programado para hoje que a esposa do presidente do Município, Celestina Simango, ofereça um enxoval ao primeiro bebé a nascer no Hospital de Mavalane. Por seu turno, o núcleo da OMM no Ministério da Agricultura irá oferecer produtos diversos, fruto da contribuição dos seus membros, ao Infantário 1º de Maio. Maputo, Terça-Feira, 7 de Abril de 2009:: Notícias

23 de janeiro de 2009

O Edifício Sede dos CFM: Um Pouco de História (Paulino Sicavele)

O EDIFÍCIO SEDE DOS CFM: UM POUCO DE HISTÓRIA A construção da estação central dos Caminhos de Ferro de Lourenço Marques (Maputo), hoje totalmente encoberta pela imponente fachada que depois se lhe acrescentou encimada pela magnífica cúpula em cobre com a esfera armilar, havia sido começada no ano de 1908. Veio substituir a antiga - de madeira e zinco, construida pela companhia concessionária, que existia do outro lado da avenida 18 de Maio, defronte do actual Posto médico dos CFM. Fachada principal da Estação Central dos CFM - Maputo Tendo sido dada por concluida, ela foi solenemente inaugurada no dia 19 de Março de 1910. Tratava-se de um melhoramento importante que se ficava a dever ao engenheiro Lisboa de Lima, autor do projecto. Freire de Andrade, então Governador geral, solicitara ao Ministro e Secretário do Estado da Marinha e do Ultramar que fossem enviados «dois escudos de Armas Reais portuguesas, lavrados em mármore, para serem afixados nos pórticos». Mas elas só chegariam em 1911, depois de proclamada a República, e as armas tiveram que ser alteradas. Mesmo assim, jamais lá seriam colocadas por incúria dos que sucederam a Freire de Andrade: Para o pórtico da estação, por iniciativa, do Governador geral, Freire de Andrade fora requisitada de Lisboa um Escudo Nacional em mármore lavrado, o qual tendo chegado a Lourenço Marques (Maputo) em 1911 a bordo do paquete «Beira», depois se perdeu. Por fim recuperado nos nossos dias, foi solenemente colocado no seu lugar em Julho de 1970 por iniciativa do Gabinete de História dos Caminhos de Ferro de Moçambique - CFM. O Escudo Nacional, trabalhado em pedra de liós, é uma obra de arte de muita valia, tendo sido executado em Lisboa nas oficinas de Germano José de Salles & Filhos. Ao acto solene da inauguração da nova estação, mesmo sem o escudo das Armas Reais, fez-se nesse dia aos 19 de Março de 1911, com a saida dos dois primeiros comboios para S. José de Lhanguene, onde se celebrava a festa de S. José, padroeiro daquela missão, presidiu o Governador geral Freire de Andrade. sete meses depois deste acontecimento proclamava-se a República. Uma vez implantado o novo regime, passado o período de entusiasmo pela vitória da revolução, inicia-se o da fúria demagógica na perseguição movida pelos «carbonários» de Lourenço Marques, que se intitulavam de «vigilantes da República», contra Freire de Andrade e certos directores e chefes de serviços públicos tidos por desafectos à República e por «reaccionários e traidores ao novo regime». Exige-se a demissão imediata de tais entidades e a sua expulsão de Moçambique, o que por fim veio a verificar-se em 8 de Abril de 1911. Era então nomeado Governador geral da Província (Moçambique), o capitão-tenente Freitas Ribeiro. O engenheiro Lisboa de Lima, vítima também dessa desconcertante incompreensão popular fomentado pelos «carbonários», demite-se do cargo de director de porto e do Caminho de Ferro de Lourenço Marques. É substituido pelo engenheiro Lopes Galvão. Este, por sua vez, é substituido em 1912 pelo engenheiro João Henrique Von Haffe. Porém, a confusão política, com reflexos na administração pública da Província, continua. Em 14 de Março de 1912 regressam a Lourenço Marques os cidadãos que em 2 e 5 de Julho de 1911 haviam sido, pelo Alto Comissário Azevedo e Silva, mandados desterrar para diferentes pontos da Província, como «carbonários». As grandes figuras republicanas da época julgam então ter chegado a altura de submeter ao Ministro das Colónias uma representação-protesto reclamando melhoramentos imediatos para Moçambique. Em sessão magna reuniram-se os dirigentes da Associação dos Proprietários, dos Empregados de Comércio e da Indústria, dos Lojistas e da Cámara de Comércio. Os Seviços dos Caminhos de Ferro de Moçambique, estiveram sempre em mãos de engenheiros distintos, com sobejas provas da sua capacidade e a eles coube solucionar diversos e intricados problemas do pôs-guerra, num ambiente de ligeira trégua política. Assim, deu-se por concluido o majestoso edifício sede dos CFM, um dos mais belos de Lourenço Marques (Maputo - Moçambique) e não só; construiram-se em Ressano Garcia 4 casas de alvenaria para a moradia de 10 famílias de empregados dos CFM; construção de uma nova ponte metálica de 80 metros de vão sobre o Rio Matola; construção de 3 novos hangares para o serviço dos armazéns gerais; nova gare de triagem ao quilómetro 3; assentamento de novas feixes de linhas para o serviço da carvoeira; ampliação das linhas da estação de Ressano Garcia para se adequarem ao novo serviço de carvão; construção de 2 reservatórios de cimento armado de 200 metros quadrados de capacidade; instalação de um aparelho central de manobra e encravamento de agulhas e sinais na estação de Lourenço marques; instalação de agulhas automáticas nas estações de Moamba e Incomáti; construção de triângulos de inversão em Lourenço marques, Moamba e Ressano Garcia [...]. A entrada de Portugal na guerra resultara, a despeito de todos os sacrfícios impostos à nação, de certo modo benéfica, pois deste modo se salvou a integridade do Ultramar, de modo especial de Moçambique e de Angola. Paulino Sicavele (editor) 22 de Janeiro de 2009