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26 de fevereiro de 2013

Moçambique: Envio de contingente militar para leste da RDCongo


Governo moçambicano aprova envio de contingente militar para leste da RDCongo

Maputo, 26 fev (Lusa) - O Governo moçambicano aprovou hoje uma proposta de envio de um contingente militar para a República Democrática do Congo, a ser integrada numa força de paz da ONU, anunciou o porta-voz do Conselho de Ministros de Moçambique.

Segundo Vítor Borges, a proposta deverá ser enviada, para aprovação, ao Presidente moçambicano, Armando Guebuza, que constitucionalmente é também o Comandante-em-Chefe das Forças Armadas de Moçambique.

"A definição do tamanho e da missão do contingente será da competência do Presidente da República" de Moçambique, disse Vítor Borges, em declarações aos jornalistas.

Até agora, três mil militares fazem parte da força da SADC em estado de alerta, ativada por decisão da cimeira extraordinária da organização, e que farão parte da FIN.

A manutenção de uma força neutra vai custar aos países da SADC cerca de 100 milhões de dólares (74 milhões de euros), segundo estimativas da SADC.

A RDCongo está envolvida num frágil processo de paz desde a segunda guerra do Congo (1998-2003), que implicou vários países africanos e desencadeou o destacamento da maior missão de paz da ONU.

16 de dezembro de 2012

Morte de Samora Machel: Procuradoria confirma presença na investigação



A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou ontem, em Maputo, que as autoridades nacionais participam nas novas investigações sobre a morte do primeiro Presidente de Moçambique independente, Samora Machel, bem como a existência de novos dados sobre o despenhamento do avião (Tupolev) que vitimou, a 19 de Outubro de 1986, o estadista e outros 33 acompanhantes nas colinas de Mbuzini, África do Sul.

Maputo, Sábado, 15 de Dezembro de 2012:: Notícias

Em entrevista à Televisão de Moçambique (TVM), Ângelo Matusse, Procurador-Geral Adjunto, disse, porém, não poder entrar em detalhes por se estar a meio de uma investigação confiada a uma comissão mista composta por técnicos moçambicanos e sul-africanos.

14 de outubro de 2012

Moçambique: Ao “Maravilhoso Povo” não deve caber apenas pagar salários



Maputo (Canalmoz) - Não há uma obrigação legal para que o chefe de Estado ou outro dirigente, que tem poderes em suas mãos para nomear e exonerar servidores públicos, venha a público explicar as razões que o levam a agir desta forma, mas por uma questão de transparência das decisões públicas, pensamos nós que devia se dar esclarecimentos ao povo.

Se para o caso das nomeações, parece não exigir muitas explicações, uma vez que parece ser óbvio que se nomeia quem tem potencial para servir na função para qual é indicado, já na exoneração, esta lógica parece não funcionar assim tão linearmente.

Se ao nomear podemos inferir que se viu potencialidade no nomeado para servir aquele sector, a inferência já não deve ser tão linear quando se exonera a meio do trabalho iniciado. A coisa fica mais complicada quando há outros que são transferidos de um ministério para o outro e outros que são transferidos de um Governo local para o Governo central e vice-versa. Então se dissermos que são exonerados os incompetentes e nomeados os competentes, não faria tanto sentido tirar um incompetente do Turismo com a esperança de que seja competente na Juventude e Desportos; ou tirar um incompetente do Governo provincial para ser competente no Governo central.

20 de maio de 2012

“Há pessoas que gostariam que continuássemos colonizados e pobres”


“Há pessoas que gostariam que continuássemos colonizados e pobres”

O Presidente da República, Armando Guebuza, escalou, ontem, a localidade de Mulotana, no distrito de Boane, no âmbito da presidência aberta que vem efectuando na província de Maputo, desde a passada quarta-feira. A edição 2012 da chamada presidência aberta - marca da governação de Guebuza desde o primeiro ano de mandato - incide nos postos administrativos, localidades e povoações.

Em Mulotana, Guebuza dirigiu um concorrido comício popular, onde lançou críticas a “pessoas” que, na sua opinião, se têm engajado a subverter o valor das conquistas do povo moçambicano, desde o significado da luta de libertação nacional, passando pelo sentido da independência, desaguando no combate à pobreza.

Logo no início da sua intervenção, Armando Guebuza disse que queria, antes de mais, “lembrar” que todos os moçambicanos estavam na mesma batalha e “unidos” na luta contra a pobreza. “É essa unidade que nos fez vencer as grandes dificuldades que tivemos no passado. Sem a unidade, não estaríamos onde estamos hoje”, disse Armando Guebuza, para de seguida lançar o seguinte recado:

“Há pessoas que pensam que a independência chegou porque tinha que chegar, que não era necessário lutar por ela; que nós, automaticamente, ficaríamos independentes. A maior parte dessas pessoas que pensam assim fazem-no por ignorância, na medida em que não conheceram a dominação estrangeira”.

Hoje, o Presidente Guebuza escala, a disputada localidade da Ponta de Ouro, no distrito de Matutuíne, onde será confrontado com questões ligadas a disputas de terra entre nativos e empresários nacionais e estrangeiros.

Sapo MZ, 18 de Maio de 2012

8 de abril de 2012

O INE já publicou a versão rascunho do Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS) de 2011


Moçambique: O INE já publicou a versão rascunho do Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS) de 2011

Alguns dados interessantes e encorajadores para Moçambique:

Mortalidade infantil baixou consideravelmente (de 147 em 2008 (MICS) para 97 em 2011).

Na área da nutrição:

Desnutrição crónica: 42.6% (MICS 2008: 44%)

Desnutrição aguda: 5.9% (MICS: 4.2%)

Baixo peso para idade: 14.9%

Anemia nas crianças: 69% (Estudo 2002: 75%)

Anemia nas mulheres: 54% (Estudo 2002: 48)

A situação do aleitamento materno exclusivo nas crianças de 0-5 anos melhorou: 41%

O documento ainda não contem dados sobre a suplementação com vitamina A e o consumo de sal iodado.

Se quiserem comparar podem encontrar o estudo realizado anteriormente em IDS 203.

Sapo MZ

18 de março de 2012

David Simango dançando com as mamanas



Mamanas levam o Edil de Maputo a dar um pé de dança no dia da homenagem ao Ex-Presidente da Camara de Roma.

Sapo MZ

19 de fevereiro de 2012

Armando Guebuza é o 15º melhor chefe de Estado africano


Armando Guebuza é o 15º melhor chefe de Estado africano

O Presidente da República de Moçambique, Armando Guebuza, foi considerado o 15º melhor chefe de Estado africano, numa lista revelada esta semana pela revista The East African Magazine. O Presidente do Botswana, Ian Khama, lidera o ranking.

Armando Guebuza ocupa o 15º lugar da lista, com 50,6 pontos e com uma nota C-. Moçambique subiu sete lugares, já que no ano passado ocupava a 22ª posição, com 49,35 pontos e com uma classificação de D+.

O Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, ocupa o 2º lugar da lista, com uma pontuação de 73,2 e uma classificação A. No ano passado, a classificação foi, igualmente, A, embora o Presidente da altura, Pedro Pires, tenha obtido 78,91 pontos.

Angola está na 40º lugar, com 28,78 pontos e com a nota Morgue. No ano passado, José Eduardo dos Santos ocupava a 43ª posição, com 30,17 pontos e com uma nota de ICU, um dos níveis mais baixos da classificação.

Esta classificação é feita com base em seis critérios: o índice Mo Ibrahim (15%), o índice da democracia (15%), o índice da liberdade de imprensa (15%), o índice da corrupção (15%), o índice do desenvolvimento humano (5%) e o índice de política NMG, que avalia o empenho dos líderes em vários sectores, como o investimento em infra-estruturas, segurança alimentar e políticas públicas que melhorem a segurança dos Estados (35%).

13 de fevereiro de 2012

Moçambique: Ainda sobre o assassinato do jornalista Carlos Cardoso


AYOOB SATAR TRANSFERIDO PARA COMANDO DA CIDADE DE MAPUTO

Caso BCM e assassinato de Carlos Cardoso

Maputo, 13 Fev (AIM) – Ayoob Satar, um dos co-réus no “Caso BCM” e no assassinato do jornalista moçambicano Carlos Cardoso, foi transferido na companhia de mais dois reclusos da Cadeia de Máxima Segurança (B.O), onde se encontravam a cumprir pena de prisão, para as celas do comando da Polícia (PRM) a nível da cidade de Maputo.
Ayoob junta-se ao seu irmão 'Nini' e a Vicente Ramaya, que foram transferidos na semana passada.

Assim, o quarteto envolvido no assassinato do jornalista investigativo Carlos Cardoso, que inclui os três reclusos ora detidos e Aníbal dos Santos Júnior (Anibalzinho), este último também encarcerado nas celas do Comando da PRM, volta a estar próximo.
Segundo informações publicadas pelo jornal “O País”, a transferência de Ayoob e de outros dois reclusos ocorreu nas primeiras horas do último sábado.

A transferência destes, bem como de Nini e Ramaya é justificada pelo facto de serem suspeitos de envolvimento nos sequestros de proeminentes empresários de origem asiática e de seus familiares directos, para em troca receberem resgates milionários.

“O País” avança que os cinco suspeitos estão, neste momento, a ser interrogados por uma equipa especial constituída por quadros da Procuradoria-Geral da República (PGR), do Ministério do Interior e dos Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE). A referida brigada terá sido constituída por recomendações de alto nível.

Moçambique: Portugueses tentam saída para a crise num "país de oportunidades"


Todos os meses chegam mais portugueses a Moçambique, tentando num país em grande crescimento a saída para a crise na Europa. Segundo a cônsul-geral de Portugal em Maputo, Graça Gonçalves Pereira, actualmente "há mais chegadas de portugueses a Moçambique, mas é um movimento que não começou agora, já se verifica desde 2010".

Maputo, 13 fev (Lusa) - Filipa Botelho veio "por muita sorte", em 2010, realizar um estágio em Moçambique e, em apenas um ano, criou a sua empresa, resultado da experiência profissional colhida em Portugal, onde "as coisas estão más" devido à crise.

Todos os meses chegam mais portugueses a Moçambique, tentando num país em grande crescimento a saída para a crise na Europa. Segundo a cônsul-geral de Portugal em Maputo, Graça Gonçalves Pereira, atualmente "há mais chegadas de portugueses a Moçambique, mas é um movimento que não começou agora, já se verifica desde 2010".

Desde há dois anos, o ritmo de entradas no país duplicou, refere a cônsul, ilustrando a afirmação com os cerca de 120 a 140 registos por mês no consulado, contra as 60 a 80 inscrições que se verificavam anteriormente aquele ano. "Podemos dizer que atualmente chegam pessoas com todos os perfis e para todos os tipos de atividade", que se instalam não só em Maputo, disse à Lusa Graça Gonçalves Pereira. De acordo com diversas estimativas, 25 mil portugueses vivem Moçambique, a maioria na capital do país.

23 de outubro de 2011

Festejámos a tua morte, Samora! (Lázaro Mabunda)


Festejámos a tua morte, Samora!

Querido camarada Samora! Sou estranho para ti. Com razão. Quando morreste, eu ainda estava nas matas do posto administrativo de Nalaze, distrito de Guijá. Tinha apenas 10 anos e poucos meses. Mas isso não interessa. O que interessa é o que te quero confidenciar. Ora, o que te quero transmitir é que, anteontem, festejámos efusivamente a tua morte. São 25 anos. Cantámos, dançámos, comemos e bebemos. Tínhamos convidados de luxo: Keneth Kaunda, Seretse Iam Khama, Robert Mugabe, Dilma Rousseff, Jacob Zuma, entre outros. As principais cadeias televisivas transmitiram a mega-festa da tua morte em directo. E mais: no passado dia 29 de Setembro, organizámos uma grande festa do teu aniversário. Eram 78 anos de vida que completavas. Festas do teu aniversário e da tua morte são coisas ímpares. Os teus camaradas demonstram o quão te amam. Não é fácil celebrar aniversário dum morto. Daqui a dois anos, prepararemos uma mega-cerimónia, quando completares 80 anos.

O que me entristece é que, anualmente, as festas da tua morte são celebradas com os mesmos discursos: “os que mataram Samora serão encontrados” ou “devemos viver dos ideais de Samora”. Acontece que os que deviam explicar a tua morte estão a morrer um por um, sem deixar as pistas que nos possam levar a seguir os tais criminosos. Os arquivos da tua morte estão a ser queimados pelo tempo, estão a expirar o prazo. Dentro de duas décadas, ficaremos sem nenhuma pista. Isto leva-me a crer que a tua morte foi organizada interna e externamente.

Quando são questionados sobre as circunstâncias da tua morte, respondem que a tua morte é um enigma. É igual a de Kennedy, de Olof Palm e a de outras grandes figuras. Por seres uma grande figura, não se pode esclarecer as circunstâncias da tua morte nem revelar os que te mataram. É o que pude subentender.

Ficámos a saber, agora, que, no dia da tua morte, os aviões caças, que te deviam receber à entrada do país, não levantaram voo. Ninguém consegue explicar porquê. Dizem que deve ter havido negligência de pilotos, mas o que sabemos é que os pilotos obedecem a um comando. Não levantam o voo sem uma voz que os ordene. Ficámos a saber que houve um problema que não se consegue explicar com o homem da torre de controlo do Aeroporto de Maputo. Essa pessoa existe, porém, não se diz onde ela mora. Está algures. E nunca ouvimos que foi ouvido pela Comissão de Inquérito. Passam 25 anos. Igualmente, nunca ouvimos que os pilotos de caças foram ouvidos para explicar por que razão não levantaram o voo e quem os terá ordenado para que não o fizesse. Sabemos também que o teu governo não estava na tua delegação. Baldou. Pura coincidência.

Excelência, os teus camaradas imortalizaram-te em estátuas e dizem que devemos viver dos teus ideais. No entanto, eles não dão exemplo. Aqueles teus conselhos - "queremos chamar atenção ainda sobre um aspecto fundamental: a necessidade de os dirigentes viverem de acordo com a política da Frelimo, a exigência de, no seu comportamento, representarem os sacrifícios consentidos pelas massas” e “o poder, as facilidades que rodeiam os governantes podem corromper o homem mais firme” - caíram em saco roto. Por isso, não querem viver modestamente com o povo, fazem da tarefa recebida um privilégio e um meio de acumular bens ou distribuir favores. O sistema de vida que estavas a destruir – corrupção material, moral e ideológica, o suborno, a busca do conforto, as cunhas, o nepotismo, isto é, os favores na base de amizade e, em particular, dar preferência nos empregos aos seus familiares, amigos ou a gente da sua região – foi reconstruído.

Os teus camaradas ex-socialistas, além dos salários chorudos por serem dirigentes, são proprietários de quase todas as empresas, são administradores, PCA das empresas públicas e simultaneamente deputados, têm direito a um carro protocolar, um carro de afectação e um carro para levar a família (filhos para escola e mulher para o mercado). São capitalistas puros.

O teu lema segundo o qual “os dirigentes devem ser os primeiros no sacrifício e os últimos no benefício” foi invertido. Agora é: “Os dirigentes devem ser os primeiros nos benefícios e os últimos no sacrifício”.

Tem razão a tua filha quando diz que, se ressuscitasses, morrias no minuto seguinte. É que Moçambique é como uma casa com apenas a base – fundação – e o tecto, sem paredes e vigas para suportar a estrutura toda. Quer dizer, está constituído por um grupinho de ricos, no topo (tecto) e de uma maioria pobre (na base). Não temos uma classe média que possa servir de elo e de intermediação nos conflitos entre o topo e a base – ricos e pobres. As tais paredes e vigas. Podemos falar de estabilidade?

Até Setembro e Outubro do próximo ano, quando festejarmos mais um ano da tua vida e da tua morte, respectivamente.

Lázaro Mabunda
O País, 21 Outubro 2011

E se Samora fosse vivo? (Júlio Muthísse)



E se Samora fosse vivo?

Mais do que admirar as estátuas que o vêm imortalizar, o país precisa de conhecer Samora Machel, apropriar-se do seu legado para servir de alicerce na construção da cidadania e como catalisador na busca constante do bem-estar de todos nós.

Quando a 19 de Outubro de 1986 o avião que transportava Samora Machel e sua comitiva despenhou em Mbuzini, Moçambique prostrou-se e chorou o desaparecimento físico de um líder, um símbolo, um guia. Foi há 25 anos. São 25 anos de espera pela verdade sobre quem e por que foi morto esse grande filho desta nação. Continuamos na esperança que justiça seja feita, tal como têm prometido os sucessivos governos de Moçambique.

Passam 25 anos com muitos “ses”. 25 anos de mistificação da figura de Machel. Os ventos de mudança no rumo que o país tomaria já se anunciavam mesmo antes de 1986. A viagem de Samora aos EUA, os contactos com as instituições financeiras internacionais etc. já prenunciavam uma viragem de rumo e de orientação estratégica do Estado.

A derrocada da URSS e, com ela, do bloco socialista e do próprio socialismo que já vinha em crise antes da morte de Machel é outro dado que podemos chamar à análise. Dos países comunistas da época restam hoje a China, que experimentou mudanças profundas, a Coreia do Norte, que se arrasta como país, e Cuba, que parece iniciar um processo de reformas, apesar do fardo constituído pelas sanções impostas pelos EUA.

Neste contexto, passados 25 anos, não podemos pensar que as coisas teriam permanecido na mesma. As coisas boas de que nos lembramos da governação de Samora Machel tiveram o seu contexto e nem o país, nem a região muito menos Samora Machel se poderiam constituir como uma ilha, completamente, alheia às dinâmicas internas e externas.

E se Samora fosse vivo? De certeza que teríamos a mesma clarividência adaptada aos desafios e às transformações que vão ocorrendo não só na sociedade moçambicana mas, também, a nível global. Teríamos Samora Machel no contexto de hoje século XXI, assumindo os desafios desta era marcada pela globalização, mercados comuns, HIV/Sida, crise internacional, pobreza, emprestando seu carisma, saber e determinação como catalisador nas várias batalhas que o Estado tem que travar rumo ao tão almejado bem estar.

Se considerarmos que com a abertura ao Ocidente e suas instituições, iniciada antes de 19 de Outubro de 1986, a pretensão era buscar parcerias para o fortalecimento/financiamento do Estado face à crise do bloco socialista, então teremos que concluir que Samora Machel se teria adaptado aos programas de reabilitação económica implementados em Moçambique e, inclusive, à abertura económica que instituições do género preconizam, com consequente adopção para mais ou menos das medidas adoptadas com a CRM de 1990, abrindo espaço para o aumento da competição entre os indivíduos que traria, necessariamente, novos desafios em matérias governativas. Considerando este factor, não é de estranhar que Samora tivesse que enfrentar, nos dias de hoje, maior criminalidade e corrupção, fenómenos que, a meu ver, independem da sua personalidade e perfil, tendo, isso sim, a ver com o relaxamento da pressão colectivista da sociedade e mais incentivos à iniciativa e promoção do indivíduo. Tem a ver com a eliminação dos controlos que um dia tivemos com os chefes das 10 casas, chefes de quarteirão, milicianos e outros agentes omnipresentes no modelo de ontem. A abertura/viragem que se experimentou desde uma determinada altura (mesmo antes da morte de Machel conforme referido acima) teve muitas vantagens económicas e sociais. Desde logo, a circulação mais livre de pessoas, maior oferta de bens e serviços no mercado, maior crescimento económico, maior abertura ao debate de ideias, etc., com as consequências que advém daí. A conjuntura impunha mudanças.

Podem ter sido gloriosos os tempos de governação samoriana, mas o país, a região, o mundo, tudo mudou. Até os blocos de então se esfumaram. Sem embargo das crenças igualitaristas de alguns, o país avançou por um processo de liberalização económica que, sendo contrário ao modelo anterior, libertou a iniciativa empreendedora das pessoas. E nisto, o país não está a inventar nenhuma roda. Foi deste mesmo modo que foram construídas as economias de sucesso que hoje admiramos como Suécia, Canadá, Dinamarca, Noruega, Estados Unidos da América, Espanha, França, em cujos fundamentos pôs-se claramente de lado qualquer veleidade igualitarista. Pelo contrário, os sistemas colectivistas sucumbiram e esfarelaram-se todos. Resta a Coreia do Norte para exemplo!

Samora vive! As manifestações que assistimos por estes dias mostram o quão querido era este filho da Nação moçambicana cuja vida foi interrompida quando ainda tinha muito a dar por este país. A romaria a Mbuzini no dia 19, o movimento popular em Maputo do dia 19, o memorial construído em Mbuzini, a presença de líderes da região e do mundo parecem-me indicativas de uma dimensão de Samora que ultrapassa as fronteiras de Moçambique.

Mais do que admirar as estátuas que o vêm imortalizar, o país precisa de conhecer Samora Machel, apropriar-se do seu legado para servir de alicerce na construção da cidadania e como catalisador na busca constante do bem-estar de todos nós. Vamos imortalizar Samora Machel “operacionalizando o seu pensamento e transformá-lo em instrumento de acção quotidiana para a mudança radical da vida do povo moçambicano para o almejado bem-estar material, social e cultural” como escreve Salomão Moyana no “Magazine” de 19 de Outubro de 2011, mas adaptando esse pensamento ao contexto de hoje.

Júlio Muthísse
O País, 22 de Outubro de 2011

Família Machel não se conforma, quer a verdade


Família Machel não se conforma, quer a verdade

“Esta dor vive, permanentemente, connosco. A dor recusa-se a morrer." Graça Machel

A família Machel aproveitou as comemorações dos 25 anos da tragédia de Mbuzini, que vitimou Samora Machel e outros 33 membros da sua comitiva, para pedir maior empenhamento ao Governo na investigação das circunstâncias da morte do primeiro Presidente da República Popular de Moçambique.

O Presidente da República, Armando Guebuza, esforçou-se, em todos os seus discursos, esta semana, em garantir que ia fazer tudo para reabrir o dossier Mbuzini. Mas, pelos vistos, a mensagem não passou no clã Machel. Primeiro foi Graca Machel, num discurso acutilante, na Praça da Independência, exigir o esclarecimento cabal das circunstâncias que ditaram a morte do seu marido. “Esta dor vive, permanentemente, connosco. A dor recusa-se a morrer. Em grande parte porque só conhecemos uma parte das circunstâncias da morte (...) e nós, 25 anos depois, só queremos a verdade”, disse, para depois acrescentar que “se os governos de moçambique e África do Sul dedicarem toda a atenção para trazer a verdade à luz do dia, acredito que ela pode ser conhecida ainda no meu tempo de vida. É um direito que assiste a nós como família e ao povo moçambicano”, disse Graça Machel, que solicitou ajuda ao presidente zimbabweano Robert Mugabe, presente no pódio, para pressionar os seus homólogos de Moçambique e África do Sul no assunto. Aliás, Graca virou-se para Guebuza e Zuma e pediu-lhes para darem prioridade ao dossier Mbuzini. Um dia mais tarde, no programa “Debate da Nação”, Olívia, filha do segundo casamento de Machel, foi mais cáustica: “o Governo não se está a empenhar o suficiente para investigar o acidente de Mbuzini”. Olívia deu ainda a entender que foram os companheiros do pai que ajudaram à sua liquidação. E foi ainda mais longe: a Frelimo, o partido que Samora ajudou a fundar e liderou rumo à Independência Nacional, está a erguer estátuas de Samora Machel com fins eminentemente eleitoralistas. “Estão a fazer o seu dever ao homenagear Samora. Esperamos que não parem por aí. Moçambique tem de ser para todos. Esperamos partilhar os recursos deste país de igual forma”, atirou em jeito de provocação.

Os 25 anos de Samora serviram de pretexto para uma semana cheia de eventos e, sobretudo, para reabrir as discussões em torno da morte de Samora. A UEM organizou um simpósio e juntou no Centro de Conferências intelectuais, camaradas de armas de Samora, Robert Mugabe, presidente do Zimbabwe, Kenneth Kaunda, primeiro presidente da Zâmbia e homem que facilitou as negociações entre a Frelimo de Samora Machel e o Governo colonial, que culminaram com a assinatura dos Acordos de Lusaka, entre outros.

Na quarta-feira, deposição de coroa de flores, na Praca dos Heróis, inauguração de estátua, na Praça da Independência, banquete de Estado, na Ponta Vermelha, e uma gala cultural, no Centro Cultural Universitário. E para abrilhantar a festa, os presidentes da África do Sul, do Brasil, do Botswana, do Zimbabwe. Da Tanzania veio o vice-presidente. Faltou...José Eduardo dos Santos. Nada que seja novidade.

Redacção
O País, Sábado, 22 Outubro 2011

22 de outubro de 2011

“Força Aérea cometeu um erro muito grave ao não escoltar avião de Samora Machel”


“Força Aérea cometeu um erro muito grave ao não escoltar avião de Samora Machel”

Revelações do coronel Sérgio Vieira

Olívia Machel, entretanto, acusa o partido Frelimo e o Governo de usarem as homenagens a Samora para tirar dividendos políticos.

25 anos após o acidente de Mbuzini, que vitimou o primeiro presidente de moçambique independente, continuam por esclarecer as causas que terão ditado aquele acidente. Tal facto não impede, porém, o surgimento de novas versões e factos até aqui desconhecidos.

No programa Debate da Nação, da STV, exibido na última quarta-feira, a filha de Samora Machel, Olívia Machel, descreveu um conjunto de circunstâncias anormais que terão acontecido naquele dia 19 de Outubro. De acordo com a filha de Samora Machel, era norma, sempre que Machel regressasse de uma viagem de avião, ao entrar no espaço aéreo, “a força aérea escoltar o avião até aterrar”, facto que não aconteceu naquela noite.

Instado a explicar este facto, Sérgio Vieira, que na altura desempenhava as funções de ministro da Segurança, confirmou este facto. “Eu posso dizer que foi um erro muito grave, não diria um crime, do Comando da Força Aérea, que não fez descolar os aviões”, disse Sérgio Vieira que, em seguida, acrescentou: “Pode ser que esse erro possa estar ligado ao facto de o Comando da Força Aérea não ter tido todo o conhecimento da hora de saída do avião de Mbala”, justificou Sérgio Vieira.

Vieira concordou com a filha de Samora, quando ela perguntou se não era estranho um chefe de Estado viajar e a segurança e as forças armadas não estarem em prontidão. “Devia estar tudo a funcionar mas (...), disse Vieira, para, depois, negar a ideia de uma acção deliberada. “Não temos indicativo que tenha sido uma acção deliberada.”

Só que, ao tentar explicar as possíveis razões que terão levado a Força Aérea a não levantar os aviões e escoltar o Tupolev presidencial, Sérgio Vieira confirmava uma outra tese, até aqui rebatida pela história oficial e levantada pelo investigador João Cabrita no referido debate: os pilotos do avião presidencial não elaboraram o plano de voo, um dos erros apontados por Cabrita para sustentar a sua tese, segundo a qual, o avião caiu por causa de sucessivos erros dos pilotos e não por indução do VOR falso.

É que, se a força aérea não sabia a que hora o avião iria chegar, é porque não havia nenhum plano de voo, um facto que consubstancia um erro grave, principalmente, quando se trata de um voo que transporta um chefe de Estado. Ou seja, os próprios serviços de segurança, dirigidos por Sérgio Vieira, falharam no seu papel ao não exigir o plano de voo, de acordo com a teoria de João Cabrita.

Diz Cabrita que “o avião foi reabastecido em Lusaka, quando ia para Mbala e, de lá até Mbuzini, não foi reabastecido e os pilotos não tinham nenhum plano de voo, em violação ao protocolo”.

Falta de vontade política

Num outro momento do debate, Olívia Machel acusou os sucessivos governos da Frelimo de não se terem empenhado no máximo para esclarecer as causas e os supostos envolvidos na acção contra o Tupolev presidencial.

“O governo do Apartheid caiu há muito tempo (...). E o que Moçambique fez e está a fazer para esclarecer este caso? O que nós, a nível interno, estamos a fazer? Em que passos estamos?”, indagou Olívia Machel para, em seguida, não excluir a hipótese do envolvimento de altas figuras do Estado moçambicano na suposta conspiração contra Samora Machel.

Redacção
O País, 21 Outubro 2011

9 de janeiro de 2011

Moçambique: Fronteira de Ressano Garcia é símbolo de apartheid


Fronteira de Ressano Garcia é símbolo de apartheid

- Considera o gestor do projecto de “Paragem Única” que está a ser implementado em Ressano Garcia

Maputo (Canalmoz) - A fronteira terrestre de Ressano Garcia, o maior ponto de trânsito entre Moçambique e África do Sul, guarda as marcas do extinto regime segregacionista sul-africano: o apartheid. As autoridades moçambicanas dizem, portanto, estarem empenhadas em corrigir a forma como esta fronteira foi erguida, através da construção da “Paragem Única”, que se encontra já na fase conclusiva.
O delegado regional Sul, da Autoridade Tributária de Moçambique, Daniel Tovela, que é também gestor moçambicano do projecto de “Paragem Única”, explicou o que no seu ponto de vista há de “apartheid” na fronteira.
Tovela disse que a localização da fronteira foi estrategicamente pensada pelo regime de apartheid, “para dificultar a circulação de pessoas e bens, entre os dois países”.
A fronteira de Ressano Garcia está erguida num ponto estreito, entre o ponto mais alto dos Montes Libombos, Rio Inkomati e Kruger Park.
“Quem foge da Polícia na fronteira é pegado pelo crocodilo do Inkomati. Se escapar do crocodilo é devorado pelo leão do parque”, disse o delegado regional Sul, da Autoridade Tributária de Moçambique, ao Canalmoz.

19 de novembro de 2010

A voz dos que não tinham onde falar (Jorge Rebelo)


A voz dos que não tinham onde falar

Porque é que, tantos anos após as suas mortes, Carlos Cardoso e Siba-Siba Macuácua continuam a ser recordados e evocados com tanta admiração, estima, respeito e mesmo carinho pela maioria da população moçambicana? É que eles eram homens íntegros, impolutos, verdadeiros patriotas. Porque amavam a sua pátria e recusaram o caminho fácil e seguro da aliança com os corruptos.

Digo corruptos e não corrupção que é um termo demasiado vago: porque a corrupção tem um rosto, quase sempre camuflado, mas cuja máscara aqueles dois patriotas procuravam desvendar nos casos em que se envolviam. Como jornalista, Carlos Cardoso aderiu nos primeiros tempos da independência aos ideais defendidos e praticados pela Frelimo. Identificava-se com eles e empenhou-se activamente na sua materialização.

Mas a sua “militância” rompeu-se quando constatou, a dada altura, que o novo poder estava a desviar-se do projecto inicial de servir os mais desfavorecidos e não uma elite dirigente. Ele poderia acomodar- se, mas a sua integridade e sentido de justiça não lhe permitiram pactuar com os desmandos a que assistia. O caminho que escolheu foi distanciarse do poder e criar instrumentos que lhe permitissem analisar esse poder, apontar-lhe os erros, na perspectiva de corrigilo e melhorá-lo. Era esse o seu objectivo, por ele várias vezes reiterado: corrigir, não destruir.

“Quando se encontra uma causa já nada mais importa”


“Quando se encontra uma causa já nada mais importa”

Nuno Cardoso, o irmão caçula de Carlos, abriu para @ VERDADE algumas páginas da vida do irmão que, segundo ele, morreu por querer contar a verdade aos moçambicanos. Aqui ficam os principais pontos da conversa.

Qual é a recordação mais longínqua que tens do teu irmão Carlos?

Nuno Cardoso (NC) - Lembro- me de quando ele estava a estudar na África do Sul, na Witbank High School, e vinha cá a Moçambique passar férias. Em 1972, lembrome de ir com ele e com toda a família a Portugal passar férias e de ele me ter levado ao estádio da Luz.

O livro “É Proibido pôr Algemas nas Palavras” refere que Carlos Cardoso terá tido uma infância austera. É verdade?

(NC) - O meu pai era duro, rigoroso, muito disciplinado. Aliás, quando os meus dois irmãos começaram a chumbar a algumas cadeiras o meu pai resolveu metêlos num colégio interno na África do Sul, em 1964. Comigo já não foi assim. Lembro- me que o meu irmão José Manuel tinha medo do meu pai. Já o Carlos não, e, muita vezes, enfrentava-o. Mas esta austeridade vem da avó Maria, mãe do meu pai, que tinha uma escola. O meu irmão mais velho conta que um dia estava na aula e pela porta viu a avó Maria passar com o Carlos pendurado pelas orelhas. Ele tinha ido à carteira da avó roubar o dinheiro todo para comprar sorvetes para a malta toda do bairro. Foi sorvete para o povo todo.

Em 1975, quando chega a independência, ele adere imediatamente aos ideais da Frelimo.

(NC) - É preciso que se diga que ele foi expulso da África do Sul pelas suas convicções políticas. Foi depois deportado para Portugal e voltou a Moçambique para assistir à independência, em Junho de 1975. Nessa altura engajou- se logo no marxismo/ leninismo ao qual a Frelimo tinha aderido.

Esse mergulho de alma e coração não causou choques familiares?

(NC) Não. O meu pai saiu aqui de Moçambique porque, como dizia, “já era velho demais para ser comunista”. Foi-se embora em finais de 1975, um bocado influenciado por toda aquela gente que estava em debandada. Mas, que eu saiba, nunca discutiram os ideais do Carlos. Não havia qualquer confronto entre eles. Encararam sempre a luta do meu irmão através do jornalismo como algo de positivo.

Mas o teu pai não era um homem de esquerda?

(NC) Não, não era. Ele dizia, com graça, que a política “era um filho de uma mãe solteira sem pai certo.” Política, para ele, não existia.

Algumas das reacções à morte de Carlos Cardoso


Algumas das reacções à morte de Carlos Cardoso

@ VERDADE reproduz aqui algumas das reacções à morte de Carlos Cardoso publicadas na edição do Metical nº 866 do dia 24 de Novembro de 2000.

Cardoso a Quente

Fiquei chocado quando ontem me perguntaram se conhecia anedotas do Carlos Cardoso, no rescaldo do horror tantas vezes antecipado em conversas restritas, inclusive com o próprio. Percebi e percebo agora que a recordação dos momentos mais desconcertantes na companhia do Cardoso têm sido para mim a melhor terapia para lidar com a situação. Passam-me pela mente, em “flashes” sucessivos, o “projecto berlindes por sementes de papaieira”, o “serviço de poesia via telex” e a pintura no forno de cozinha. Eu explico-me.

Na sua luta muito pessoal contra o repolho e o carapau dos anos 80’, o Cardoso resolveu utilizar as relações institucionais entre a agência noticiosa moçambicana e as suas congéneres estrangeiras para que fossem enviados berlindes para Maputo. Milhares de berlindes, que eram trocados por pés de papaieira, árvore de crescimento rápido e de frutos de reconhecido valor nutricional.

Ainda hoje estou a ver o formalíssimo director geral da ADN da RDA com um saco enorme de berlindes a desembarcar em Maputo. Meses depois coube a vez ao director da cooperação da então ANOP portuguesa. Neste folhetim, eu representava a parte conservadora, fazendo-lhe lembrar que era inaceitável misturar berlindes com cooperação inter-agências.

No assunto as poesias, o Cardoso, fascinado pelo matraquear dos telexes ao comando das fitas picotadas, era completamente surdo aos meus argumentos de inviabilidade económicocomercial. A “pintura do forno” tem a ver com genialidade e paixão. Ao guache, aguarela e graxa para sapatos, adicionou um toque de forno às suas telas. Era assim. O Cardoso era inimitável. Era igual a si próprio e talvez por isso, dado a frequentes cogitações de umbigo. Em todas as suas tendências, ele adicionava sempre um toque de talento - na viola, no canto (e daí o “nickname” de Cat via apelidado Stevens), no futebol, na dança (é verdade, este radical varria salões, na poesia (...os cheiros chamanculos invadindo a Friedrich Engels), nos afectos. E por isso, quando a paixão do jornalismo entrou em crise em 1989, dedicou-se à pintura.

No seu idealismo - com mesclas de ingenuidade - Cardoso acreditava que libertando-se de director, tinha finalmente espaço para escrever. O sistema, que já não era socialista mas mantinha intactos os estigmas autoritários, condimentado com um substituto burocrata e medíocre mataram-lhe extemporaneamente o sonho. O liberalismo não o deslumbrou.

Na revolução, quando os inveterados que nunca deixaram de estar presentes nas diversas direcções da ONJ/SNJ diziam ámen, Cardoso pediu eleições democráticas.

O último editorial do Mestre (Escrito por Carlos Cardoso, 22/11/2000)


O último editorial do Mestre

Escrito por Carlos Cardoso

A edição de “O Metical” nº 864, correspondente ao dia 22 de Novembro de 2000, foi a última que teve a participação do seu director, Carlos Cardoso, que seria brutalmente assassinado ao início da noite desse dia na Avenida Mártires da Machava, em Maputo. O jornal, que chegava aos leitores por fax, contava nesse dia com sete temas e o Editorial tinha como título: /Pressionando Morgado/ Ironias.

@ VERDADE reproduz, com a devida vénia, o último editorial de Carlos Cardoso.

Pressionando Morgado

Está quase a fazer um ano que Carlos Morgado foi nomeado ministro da Indústria e Comércio. Estamos em crer que chegou a altura de ele sofrer alguma pressão forte para se interessar pela revitalização da indústria do caju. Dele se conhece alguma preocupação - e trabalho - na questão das indemnizações aos trabalhadores despedidos. Ao abrigo do debate económico e fiscal anunciado pela ministra Luísa Diogo, falta, agora, pressioná- lo a sentar-se à mesa com os donos das fábricas fechadas pois tudo aponta para o imperativo do regresso à indústria. Vejamos.

Os preços ao apanhador estão pelas ruas da amargura. Assemelham- se aos preços dos anos 40. O FOB não chega aos 550. A qualidade da nossa castanha está péssima. Ano após ano a Índia diminui os volumes de castanha importada de Moçambique, pelo que há que perguntar: Para que serve o esforço de cura dos cajueiros e plantio de novas árvores? Para vender a quem?

Cardoso: eterno defensor da indústria do caju


Cardoso: eterno defensor da indústria do caju

Além de ter sido considerado o percursor do jornalismo de investigação em Moçambique, Carlos Cardoso também foi pioneiro na luta pela defesa da indústria do caju. O jornalista não concordava com as políticas das instituições de Bretton Woods (Banco Mundial e do FMI) de liberalizar o comércio daquele produto no país. Na altura em que o país começou a dar os primeiros passos no relançamento da economia de mercado e em que se procurava definir uma estratégia de recuperação do sector de caju, os defensores da indústria de descasque viram-se numa situação desconfortável.

Na sua maioria, não viam com bons olhos a ideia de que, em lugar de se tentar continuar a exportar a amêndoa, o país devia exportar castanha em bruto – medida esta sugerida por iniciativa do Banco Mundial que pretendia tornar Moçambique eterno exportador dessa matéria-prima. Aliás, aquela instituição financeira entendia que a privatização da indústria, só por si, não era suficiente para assegurar a viabilidade económica do investimento.

O Banco Mundial justificou a sua posição através de um diagnóstico, apontando a ineficiência do sistema produtivo, responsável pelo valor acrescentado negativo, gerado pela actividade de descasque; o baixo preço a que era remunerado o produtor, comparado com o preço de exportação, explicava a queda da produção de castanha; as receitas resultantes da exportação da amêndoa - assim, a decisão de exportar amêndoa em vez de castanha de modo a evitar-se perda de divisas -; e o balanço da campanha de 1993-94 permitiu concluir que o mercado do caju foi dominado por um escasso número de comerciantes grossistas.

As reacções dos agentes envolvidos no sector da castanha de caju começaram a fazer-se sentir. As autoridades nacionais responsáveis pela implementação das políticas económicas, divididas entre as imposições das instituições de Bretton Woods e os interesses da sociedade, mantiveram-se indiferentes diante da situação. Os industriais e os sindicatos moçambicanos viram os meios de comunicação social privados como uma espécie de aliado, os quais vieram a ser determinantes na denúncia pública da cumplicidade entre o Banco Mundial, o Governo e aproveitamento de alguns comerciantes.

É nesse momento em que Carlos Cardoso se destaca como o primeiro jornalista a insurgir-se contra desindustrialização do sector. Iniciara a sua luta pela protecção da indústria do caju no jornal Mediafax, onde trabalhava como editor, e depois no Metical.

27 de outubro de 2010

Hotel Serena Polana renasce como 5 estrelas "de prestígio mundial"


Hotel Serena Polana renasce como 5 estrelas "de prestígio mundial"


O Hotel Serena Polana, na capital moçambicana, Maputo, "está a viver a sua segunda vida", após um investimento de 25 milhões de dólares (cerca de 18,37 milhões de euros) para restituir "o esplendor, luxo e glamour dos seus tempos áureos" a este "ícone intemporal de todo o continente africano", que abriu as suas portas a 1 de Julho de 1922.