Moçambique destacado no Índice Global de Paz
Moçambique ocupa a 53ª posição, com 1765 pontos, no Índice Global de Paz (GPI) publicado na semana passada, a seguir à Bósnia Herzegovina, Gabão e Gana, classificados na 50ª, 51ª e 52ª posições, respectivamente. Apesar de ter melhorado a sua pontuação, de 1909 pontos e 1803 pontos, em 2007 e 2008, respectivamente, Moçambique caiu três posições na classificação geral devido aos avanços registados por outros países.
O Botswana é o país africano melhor classificado na presente edição, ocupando a 36ª posição, com 1643 pontos.
A escala varia de 1 a 5, sendo que corresponde aos países mais pacíficos e menos pacíficos, respectivamente.
De um modo geral, refere o relatório, o mundo tornou-se ligeiramente menos pacífico em 2008 como resultado da intensificação dos conflitos violentos em alguns países do mundo, uma situação que é exacerbada pela crise financeira global.
Aliás, este facto foi aparente no início de 2008, quando a economia mundial começou a se precipitar para uma recessão global. Paralelamente, a maioria dos indicadores do GPI, incluindo a probabilidade de manifestações violentas e instabilidade política, também acabaram por se deteriorar.
No entanto, a Islândia é um dos exemplos mais claros da associação entre a vitalidade económica e a paz.
No ano passado a Islândia assumia a liderança do GPI, com 1176 pontos, tendo descido para a quarta posição com 1225 pontos na presente edição como consequência do colapso do seu sistema financeiro.
Ainda na semana passada foi publicado um estudo do impacto da violência, o primeiro do género, cujas estimativas indicam para uma perda anual de 4,8 triliões do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. O referido estudo confirma que a paz é fundamental para a criação da riqueza.
Steve Killelea, fundador do GPI, diz que “os benefícios da paz estão a tornar-se mais aparentes, bem como o substancial benefício económico líquido para a humanidade. A paz tem um grande valor económico, para além do próprio valor humanitário a ela associada. Estudos indicam que o impacto da perda da paz na economia mundial durante um período de 10 anos é de 48 triliões de dólares”.
Um dos maiores apoiantes deste projecto é Sir Mark Moody-Stuart, Presidente do Conselho de Administração da companhia Anglo American e Presidente da Global UN Compact.
Comentando sobre o assunto, Moody-Stuart sustenta que “o GPI do corrente ano mostra claramente que existe uma associação clara entre a paz e a prosperidade económica. A comunidade empresarial pode beneficiar sobremaneira quando existe um ambiente não violento. Por isso, talvez seja a altura de começar a pensar até que ponto as práticas transparentes, sólidas e o respeito pela ética empresarial poderão desempenhar um papel mais abrangente na busca da paz e estabilidade.
Na presente edição a Nova Zelândia foi classificada como sendo a nação mais pacífica do mundo, seguida pela Dinamarca e Noruega.
Uma outra particularidade é o facto de os países pequenos, estáveis e democráticos estarem a assumir posições cimeiras de uma forma mais consistente.
Aliás, 14 dos países que integram um grupo de 20 no topo da classificação são países ocidentais ou democracias da Europa Central. Todos os cinco países escandinavos constam no grupo dos 10 países mais pacíficos do mundo no ranking do corrente ano.
Por outro lado, os EUA subiram seis lugares na classificação, para assumirem a 83ª posição, registando uma queda na sua pontuação, o que reflecte o potencial de risco de atentados terroristas.
Outro factor negativo que contribuiu para a fraca posição dos EUA no ranking é o facto de possuir a maior população prisional do mundo comparativamente aos restantes países classificados na presente edição do GPI.
Pelo terceiro ano consecutivo, o Iraque, Afeganistão e Somália assumiram os últimos lugares do ranking Índice Global de Paz.
O Madagáscar é o país que registou a maior queda, 30 lugares, devido à crise política que se instalou nesta ilha do Oceano Índico e que culminou com o derrube do presidente democraticamente eleito, Marc Ravalomanana.
Enquanto isso, a Bósnia Herzegovina foi o país que registou a maior subida, 23 lugares, tendo passado da 73ª posição para a 50ª que era ocupada por Moçambique.
No presente ano o GPI foi alargado para cobrir 144 países, englobando actualmente cerca de 99 por cento de toda a população mundial.
O GPI foi compilado com base em 23 indicadores qualitativos e quantitativos externos e internos de paz, incluindo os níveis de democracia e transparência, educação e bem-estar material.
O mesmo conseguiu conquistar o apoio de um grupo de personalidades, incluindo os laureados com o Prémio Nobel, o arcebispo Desmond Tutu, Professor Joseph Stiglitz e o antigo Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, bem como empresários de renome, tais como Sir Mark Moody-Stuart e Sir Richard Branson.
O GPI foi fundado por Steve Killelea, filantropo e empresário australiano. O mesmo é parte integrante do Instituto para Economia e Paz, uma nova instituição internacional que se dedica à pesquisa e educação da relação entre a economia, negócio e paz.
(AIM)
Maputo, Sábado, 13 de Junho de 2009:: Notícias