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14 de setembro de 2011

“Angolanos olham para o Brasil, mas brasileiros não para Angola”

“Angolanos olham para o Brasil, mas brasileiros não para Angola”


Quem o diz é Pepetela

Enquanto os angolanos vêem o Brasil como um “irmão mais velho”, os brasileiros pouco sabem sobre o país africano com quem partilham raízes lusófonas, diz o escritor de Angola Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, de 69 anos, conhecido por Pepetela.

Em entrevista conduzida por Júlia Dias Carneiro, à BBC Brasil, o escritor angolano disse que, embora as relações económicas e políticas entre Brasil e Angola venham crescendo, as relações culturais entre os dois países ainda deixam a desejar, e são predominantemente de mão única. Vencedor em 1997 do Prémio Camões, o maior reconhecimento literário da língua portuguesa, Pepetela tem a história angolana como pano de fundo para as suas ficções, abordando temas como o colonialismo, a luta pela independência e a guerra civil angolana. O escritor esteve no Rio de Janeiro para lançar o livro “O Planalto e a Estepe” (Editora LeYa) na Bienal do Livro.
Como vê as relações entre Brasil e Angola?

As relações estão mais desenvolvidas do ponto de vista político e económico, e também no trânsito de pessoas de um lado para o outro. Nesse aspecto, deveria haver uma maior fluidez. Nem é por mal, mas por uma questão da burocracia angolana, demora-se muito tempo para conceder vistos. Ultimamente, o Brasil também está retaliando. Agora, um angolano tem de pedir o visto brasileiro com um mês de antecedência. É retaliação, também não resolve. Prejudica até empresas brasileiras, cujos trabalhadores têm dificuldade em ir trabalhar lá. Prejudica Angola, portanto, porque a empresa não está a trabalhar como deveria. Mas penso que na parte cultural é onde há menos relacionamento, e deveria ser mais intenso. É verdade que alguns escritores (angolanos) vêm ao Brasil, e escritores brasileiros vão a Angola, ainda que raramente. Às vezes vai um músico, sai um livro, aparecem algumas coisas. Mas é muito pouco, tinha que ser muito mais.