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29 de maio de 2019

Pedro Tinoco Faria: "A maçonaria manda na tropa"



Este sábado realizou-se o almoço de homenagem ao comandante dos Comandos exonerado. Tinoco Faria diz de sua justiça

O seu pai era do exército. Qual a sua ligação à tropa além da familiar?

O meu pai era oficial paraquedista. Foi morto em combate na Guiné em 1966. A minha mãe é professora de Geografia. Eu, na realidade, nunca quis ser militar, mas tive uma juventude um bocado atribulada e, como não me portava bem, a minha mãe decidiu “agora vais para a tropa para seres um homem”. Foi ela que me colocou na vida militar, o meu sonho era outro e, entretanto, ingressei na Academia Militar em 1982 e terminei em 1988 e a partir daí ingressei no Regimento de Comandos.

22 de julho de 2017

Carta de Ana Catarina Costa enviada por email ao Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa



Ao Excelentíssimo Presidente da República Portuguesa, Professor Marcelo Rebelo De Sousa;
Ao Excelentíssimo Senhor Primeiro Ministro da República Portuguesa, Dr. António Costa;
Ao Excelentíssimo Provedor da Justiça, Professor José de Faria Costa;
Aos Excelentíssimos Ministra da Administração Interna, Doutora Constança Urbano de Sousa, e Ministro do Trabalho e Solidariedade Social, Dr. José António Vieira da Silva.
Aos Exmos. Senhores Presidentes / Demais cargos dirigentes da União das Misericórdias: Manuel Augusto Lopes de Lemos, José Albino da Silva Peneda, Francisco Rodrigues de Araújo, Licínio Pina, Paulo Gravato, Rui Filipe Rato, Carla Nunes Pereira, Joaquim dos Santos Guardado

Venho, por este meio, na qualidade de irmã da Sara Elisa Dinis Costa (mãe do menor de 7 anos, X), falecida no incêndio de Pedrógão Grande, questionar onde é que estão as ajudas tão apregoadas.

Agradou-me o facto de ter recebido uma mensagem do Excelentíssimo Presidente da República, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, no funeral, mas por outro lado choca-me não ter sido contactada por ninguém com responsabilidades mandatado para o auxílio das vítimas. Também gostaria de saber qual o destino das doações recentemente efetuadas à “causa” das vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande.

27 de março de 2017

País de alarves (Francisco Moita Flores)



Para combater a violência doméstica, o poder dá uns trocos, por caridade.

Em dois dias, cinco cidadãos, a maioria mulheres, foram assassinados, em contexto de violência doméstica, às mãos de alarves. É nossa a gente que morre.

Infelizmente, também é nossa a gente que mata. Somos isto. Um país culturalmente subnutrido. Analfabeto no que respeita  a competências de cidadania.

Somos o país onde a violência doméstica é praga e quando dela se fala, apetece zurzir polícias indiferentes, procuradores negligentes e juízes de grande tolerância.Porém, é fácil disparar contra a Justiça. É quem está mais à mão. É o reduto do poder por onde passa aquilo que está criminalmente consumado.

Mas o País é bem mais do que um sistema judiciário. É a história de um Ministério da Educação, multiplicador de reformas, incapaz, incompetente, medíocre, governo após governo, que se preocupa com a Matemática, com o Inglês, mas que é indiferente à educação e formação de boas pessoas. É um Ministério da Saúde vaidoso, arrogante e medíocre que, governo após governo, desprezou a saúde mental, que encolhe os ombros aos apelos de psiquiatras e psicólogos que denunciam um País sem apoios para controlar psicopatas. É um Ministério da Segurança Social antissocial, que governo após governo, trata a protecção de menores, a monitorização de famílias em risco através de burocratas. É este país, infestado por todos estes alarves, que assiste, dia após dia, à chacina de inocentes. Morreram em Portugal mais vítimas de violência doméstica nos últimos dez anos do que vítimas de terrorismo em toda a Europa. Se para os ideólogos do securitários, o poder está de perna aberta, para a violência doméstica, o poder dá uns trocos por caridade. É este poder assustado e alarve quem está no banco dos réus de tantas mortes. 

Por indiferença, por omissão, por ser herdeiro legítimo de Pôncio Pilatos. Quantas vítimas serão necessárias para que despertemos deste longo pesadelo?


Correio  da Manhã. 26 de Março de 2017

30 de maio de 2014

Portugal 40 anos depois


Desde o famoso Golpe Militar de 25 de Abril de 1974, o poder político foi tomado de assalto pela machimba dos politiqueiros, pela corja de bandidos, pelos corruptos gananciosos, pelos mafiosos desonestos, pelos prepotentes e ditadores, pelos covardes e traidores, pelos vampiros e sanguessugas, pelos esclavagistas cruéis e desumanos.

Uma gentalha de oportunistas, de analfabetos sem escrúpulos, muitos deles detentores de “canudos falsos” e “outros são tão ocos que não têm nada lá dentro”, mas que não olha a meios para atingir os fins a que se propuseram os cobardolas de abril: enriquecer de geração em geração, saqueando o seu próprio país custe o que custar, deixando-o na bancarrota, pondo o seu próprio povo trabalhador no desemprego e os reformados e pensionistas na miséria, para o aterrorizar e para o poder subjugar.

O PSD - Que sabem eles o que que significa "Democracia"? - Nada.

O PS - Que sabem eles o que significa "Socialismo"? - Nada

O PCP - Que sabem eles o que significa "Comunismo"? - Nada

Dizem eles que antes havia em Portugal o "fascismo", nada mais estúpido, havia sim uma ditadura, como se percebe eles nem sabem distinguir o significado entre "fascismo e ditadura".

O que mudou afinal em Portugal com o Golpe Militar do 25 de Abril de 1974 perpetrado por traidores?

- Dizem eles que veio a Democracia. Mas que Democracia é que existe? - Nenhuma, nem nunca existiu! 

- Para o povo nada mudou, o povo pode ter vivido iludido ou ludibriado, mas na realidade nunca foi beneficiado em nada!

- Os funcionário públicos e os reformados que não roubaram nada a ninguém, é que foram infelizmente os escolhidos como bode expiatório, para pagarem uma crise financeira que não a fizeram, mas que tem sido feita há muitos anos pela corja dos políticos e dos banqueiros corruptos e ladrões que foram "ao pote" e continuam a ir e puseram Portugal na bancarrota.

- Os trabalhadores sempre foram explorados, sempre foram escravizados, sempre foram ferramenta de trabalho e sempre foram mão-de-obra barata.

A machimba continua a ser sempre a mesma, o que tem mudado são só os moscardos.

Esta escumalha instalou-se, alastrou-se, propagou-se e perpetuou-se.

Fonte: Arquivo Pessoal

18 de dezembro de 2013

Que raio de país é este (José Goulão)


1º de Maio de 1974, momento ímpar de mobilização colectiva de que os portugueses rapidamente desistiram, o dr. Soares fez-se notar por um trabalho oratório, glosando, com toda a razão e propriedade, o mote “Que raio de país era aquele!?” – aludindo ele ao Portugal de Salazar e Caetano, da Pide e dos banqueiros, da guerra e da brutalidade, da miséria e ausência de direitos que, julgavam os presentes e muitos ausentes, acabara de ficar para trás.

Uns lembram-se, outros não, outros ainda fazem por esquecer, mas o facto entrou para a História. Agora acompanhem-me um pouco na evocação de acontecimentos dos últimos dias, escolhidos ao acaso entre outros do mesmo jaez, nesse país chamado Portugal. Dizem as notícias que a PSP, o corpo de polícia que manda os seus agentes comprar as fardas de trabalho e que deve dinheiro a três mil deles, gastou 300 mil euros na compra secreta de instrumentos marítimos e aéreos, entre os quais dois drones (aviões sem piloto), máquinas assassinas que têm feito as delícias do presidente Obama e das autoridades israelitas quando se trata de proceder a execuções extra judiciais de “terroristas” – seja lá o que isso for – através do mundo. Digamos que o drone tem funcionado como um longo braço de foras de lei, definição que assenta que nem uma luva ao caso de Portugal, onde, como têm afirmado as instituições competentes, não há enquadramento legislativo para uso de tais meios – deve ser culpa da Constituição. E tal como a compra foi um acto secreto, também as finalidades reservadas aos engenhos potencialmente letais são apenas do conhecimento das almas do negócio.

E por falar em negócio, recordo que, também segundo as notícias, o signatário da transacção, então comandante da PSP e entretanto demitido por, segundo o governo, não ter estado à altura dos acontecimentos na escadaria da Assembleia da República por ocasião das manifestações de agentes de forças policiais, foi colocado em Paris num cargo milionário que não existia. Falta-nos saber de quem são e em que apertos estarão presos os rabos dos envolvidos nesta criação de uma prateleira dourada na cidade luz para um alto funcionário do Estado demitido por indecente e má figura – foi essa, então, a interpretação governamental.

Dizem ainda as notícias que os quinhões principais dos CTT, essa empresa pública que sabia merecer os esforços dos contribuintes portugueses, ficam nas mãos de duas conhecidas entidades privadas, logo de bem, o Goldman Sachs e o Deutsch Bank. Do Goldman Sachs sabemos que o seu presidente se define como “um banqueiro a fazer o trabalho de Deus”, coisa meritória se partirmos do princípio de que foi abolido – o mais certo é ter sido em segredo - o mandamento “não roubarás”. O mundo vai conhecendo as tropelias de tal instituição e os portugueses também sabem que, além do falecido gestor responsável pelas privatizações, também o secretário de Estado do primeiro-ministro de Portugal tutelando as privatizações e as ligações com a troika foi um alto quadro do Goldman Sachs. Ele há coincidências, é verdade, mas em dois anos o governo português rifou a preço de saldo a EDP, a REN, os aeroportos, os CTT e os Estaleiros de Viana, e o mais que vier a seguir se lhe derem tempo.

Tudo boas áreas de negócio e que por um qualquer desígnio divino, quem sabe se devido à intermediação privilegiada entre o presidente do Goldman Sachs e o Senhor, têm de pertencer ao sector privado – ao mercado, pois, como sinónimo de liberdade e democracia. Quarenta anos depois, e dispensando o labor oratório, basta perguntar exclamando ou exclamar perguntando – que raio de país é este!?

Jornal de Angola, 17 de Dezembro, 2013

8 de outubro de 2013

Um caso grave de tortura em Portugal (José Goulão)


Os acontecimentos dos últimos dois anos demonstraram que o governo da República Portuguesa, tutelado pelo conluio de credores formado pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI, vulgo troika, é capaz de tudo para obrigar o povo a pagar a ganância dos agiotas internacionais.

As últimas notícias confirmam que quando se escreve “capaz de tudo” não é, neste caso, uma frase feita, uma muleta de retórica. É mesmo tudo, incluindo torturar o povo.

Torturar o povo? Não será exagero do escriba? Não é. Encontram outra interpretação para a intenção manifestada de cortar nas pensões de sobrevivência dos viúvos com a finalidade de financiar bancos, bolsas e especuladores que se alimentam da dívida portuguesa, jogando com ela a juros cruéis?

A expressão “pensão de sobrevivência” é eloquente: sobrevivência, um montículo de migalhas para acudir à montanha de custos e encargos que todos os dias se ergue no horizonte dos cidadãos mais desfavorecidos.

Pensões de sobrevivência são os rendimentos das viúvas e viúvos de Portugal, a quantia, na maior parte dos casos em formato de esmola, de que dispõe o cidadão que ao perder o cônjuge perde igualmente grande parte do rendimento familiar. A pensão é o resíduo que o sobrevivente recebe do que o companheiro descontou durante a sua vida de trabalho.

O governo de Portugal, no rescaldo de uma visita dos esbirros da troika, parece então disposto a assaltar as pensões de sobrevivência dos portugueses na sua estratégia de procurar “aqui e ali”, como ameaçou o Vice-Primeiro Ministro Paulo Portas, os milhares de milhões necessários para pagar uma dívida impossível de pagar e que não se deve, por certo, a desmandos cometidos pela maioria dos portugueses, mas sim pela elite que os assalta.

O que se poupa atacando as pensões de sobrevivência? Uns trocos inúteis (100 milhões de euros, só os juros do primeiro resgate são 38 mil milhões...) perante a imensidão de uma dívida que chega aos 130 por cento do PIB e que, por alturas do início da intervenção da troika, precisamente para pagar essa dívida, estava à beira dos 90 por cento do PIB. Nesse tempo, dizia o Presidente da República, tal dívida era “insustentável”. Hoje, 40 pontos percentuais acima desse nível, tornou-se “sustentável”, segundo o Presidente da República, que por sinal é o mesmo – Aníbal Cavaco Silva.

Uns trocos retirados a rendimentos reduzidos, em muitos casos insultuosamente miseráveis, que são inúteis contra a dívida mas que, para muitas e muitas vítimas, representam a fronteira entre a sobrevivência e a morte lenta, entre a saúde e a doença, entre um mínimo de dignidade e a humilhação. Trocos que, além disso, simbolizam a infâmia do comportamento que é confiscar os legados que os cidadãos mortos deixaram às famílias e ao país.

Diz o já citado Presidente da República que os portugueses, esmagados pelo regime de austeridade, são “masoquistas” por insistirem em dizer que não é possível pagar a dívida. Ora o assalto às pensões das viúvas e viúvos de Portugal, que não resolve problema algum na situação actual do país, é por isso um caso de punição gratuita e vingativa, com o requinte de ser uma tortura de aplicação lenta. Pelo que as elites que hoje governam a República Portuguesa atingiram o patamar supremo da desumanização, o da crueldade sádica.

Jornal de Angola, 8 de Outubro, 2013

1 de outubro de 2013

A broa dos velhos (Por Alberto Pinto Nogueira, Procurador-Geral Adjunto)


A República vive da mendicidade. É crónico. Alexandre de Gusmão, filósofo, diplomata e conselheiro de D. João V, acentuava que, depois de D. Manuel, o país era sustentado por estrangeiros.

Era o Séc. XVIII. A monarquia reinava com sumptuosidades, luxos e luxúrias.

A rondar o Séc. XX, Antero de Quental, poeta e filósofo, acordava em que Portugal se desmoronava desde o Séc. XVII. Era pedinte do exterior. A Corte, sempre a sacar os cofres públicos, ia metendo vales para nutrir nobrezas, caçadas, festanças e por aí fora.

Uma vez mais, entrou em bancarrota. Declarou falência em 1892.

A I República herdou uma terra falida. Incumbiu-se de se autodestruir. Com lutas fratricidas e partidárias. Em muito poucos anos, desbaratou os grandes princípios democráticos e republicanos que a inspiraram.

O período posterior, de autoritarismo, traduziu uma razia deletéria sobre a Nação. Geriu a coisa pública por e a favor de elites com um só pensamento: o Estado sou eu. Retrocedia-se ao poder absoluto. A pobreza e miséria dissimulavam-se no Fado, Futebol e Fátima.

As liberdades públicas foram extintas. O Pensamento foi abolido. Triturado. O Povo sofria a repressão e a guerra. O governo durou 40 anos! Com votos de vivos e de mortos.

A II República recuperou os princípios fundamentais de 1910, massacrados em 1928.

Superou muitos percalços, abusos e algumas atrocidades.

Acreditou-se em 1974, com o reforço constitucional de 1976, que se faria Justiça ao Povo.

Ingenuidade, logro e engano.

Os partidos políticos logo capturaram o Estado, as autarquias, as empresas públicas.

Nada aprenderam com a História. Ignoram-na. Desprezam-na.

Penhoraram a Nação. Com desvarios e desmandos. Obras faraónicas, estádios de futebol, auto-estradas pleonásticas, institutos públicos sobrepostos e inúteis, fundações público-privadas para gáudio de senadores, cartões de crédito de plafond ilimitado, etc. Delírio, esquizofrenia esbanjadora.

O país faliu de novo em 1983. Reincidiu em 2011.

O governo arrasa tudo. Governa para a troika e obscuros mercados. Sustenta bancos. Outros negócios escuros.

São o seu catecismo ideológico e político.

Ao seu Povo reservou a austeridade. Só impostos e rombos nas reformas.

As palavras “Povo” e “Cidadão” foram exterminadas do seu léxico.

Há direitos e contratos com bancos, swaps, parcerias. Sacrossantos.

Outros, (com trabalhadores e velhos) mais que estabelecidos há dezenas de anos, cobertos pela Constituição e pela Lei, se lhe não servem propósitos, o governo inconstitucionaliza aquela e ilegaliza esta. Leis vigentes são as que, a cada momento, acaricia. Hoje umas, amanhã outras sobre a mesma matéria. Revoga as primeiras, cozinha as segundas a seu agrado e bel- prazer.

É um fora de lei.

Renegava a Constituição da República que jurou cumprir. Em 2011, encomendou a um ex-banqueiro a sua revisão. Hoje, absolve-a mas condena os juízes que, sem senso, a não interpretam a seu jeito!!!

Os empregados da troika mandam serrar as reformas e pensões. O servo cumpre.

Mete a faca na broa dos velhos.

Hoje 10, amanhã 15, depois 20%.

Até à côdea. Velhos são velhos. Desossem-se. Já estão descarnados. Em 2014, de corte em corte (ou de facada em facada?), organizará e subsidiará, com o Orçamento do Estado, o seu funeral colectivo.

De que serviu aos velhos o governo? E seu memorando?

Fonte: Público, 4 de Setembro de 2013

17 de junho de 2013

O 10 de Junho (por Baptista-Bastos)


Bláblábláblábláblábláblábláblábláblá

A magistratura presidencial destina-se a manter a coesão nacional bláblábláblábláblábláblá

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Não governo nem sou corresponsável pela política do Governo bláblábláblábláblábláblá

blábláblábláblábláblábláblábláblá

A agricultura nunca esteve tão bem como nos últimos anos bláblábláblábláblábláblá

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28 de maio de 2013

Portugal deve devolver investimentos angolanos ilícitos (David Mendes)



Lisboa - O advogado angolano David Mendes disse esta sexta-feira, em Lisboa, que Portugal compactua com a corrupção em Angola ao aceitar investimentos com origem ilícita deste país, instando o Estado português a investigar e devolver estes recursos à Angola.


«Facilmente pode-se chegar à conclusão que Portugal tem interesse em que este grupo que sustenta a corrupção em Angola continue (a atuar), porque entram em Portugal, semanalmente, quase 40 milhões de dólares» (30,9 milhões de euros), disse Mendes, que integra também a Associação Mãos Livres.

O advogado angolano fez estas declarações à margem de uma audiência pública, organizada pela eurodeputada socialista Ana Gomes, em que se discutiu um relatório sobre corrupção em Angola.

O documento, da Corruption Watch e da Associação Mãos Livres, aponta o alegado envolvimento de figuras do regime angolano, incluindo o Presidente angolano José Eduardo dos Santos, e intermediários num contrato que terá lesado Angola em mais de 700 milhões de dólares (541 milhões de euros), num acordo para restruturar a dívida de Angola à Rússia que data dos anos de 1990.

«O fluxo de dinheiro de Angola para Portugal é superior aos investimentos feitos em Angola», afirmou Mendes.

25 de maio de 2013

Não, não temos um Tiririca!




Foto by MOZ (retirada da Internet)


Não, não temos um Tiririca! (in O JUMENTO)

«Pessoa que provoca o riso ou não pode ser levado a sério.» Dicionário Houaiss

Portugal não tem dinheiro e quem não tem dinheiro não tem vícios, quem tem muito dinheiro é o Brasil e é natural que aquele país tenha vícios, não só tem vícios como se dá ao luxo de ter um Tiririca no parlamento. Nós no parlamento não temos tiriricas, temos juristas, doutores de muitas artes e múltiplos empregos, mas Tiririca não temos, mesmo que algum o tentasse ser não o conseguiria, quem vai achar graça a gente tão séria e circunspecta, ainda por cima em tempos de crise em que rir é quase uma manifestação de subversão, veja-se a forma estranha como o Gaspar reagiu às gargalhadas, como se rir fosse algo tão condenável como mostrar o pirilau em público.

Se no parlamento não conseguimos ter um Tiririca muito menos o teríamos no Palácio de Belém, se no parlamento é tudo entediante imagine-se o Palácio de Belém, por ali se alguém ri à gargalhada arrisca-se a que lhe caia um pedaço, no mínimo, a que se estrague um penteado. É mais fácil encontrar alguém a rir às três da manhã no Museu da senhor Tussaudus, em Nova Iorque, do que ouvir alguém a rir à gargalhada no Palácio de Belém.

27 de março de 2013

Luís Amado// Acabou o tempo da imposição’



Luís Amado, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, considerou esta quinta-feira, em Luanda, as tensões existente nas relações com Angola como uma herança colonial, cuja solução assenta no princípio do equilíbrio, reciprocidade e respeito mútuo.

Falando sobre as relações entre Angola e Portugal, no ciclo de conferências promovidas pela Embaixada de Portugal e o Centro de Estudos Estratégicos de Angola, o ex-ministro recorda que o processo de descolonização foi violento, brutal, situações que pesam ainda hoje nas relações entre esses países.

Luís Amado diz, no entanto, que o “tempo de imposições acabou”, e que as empresas portuguesas devem encarar o contexto como sendo de igualdade, cooperação e reciprocidade. “As empresas portuguesas têm de olhar para Angola como uma oportunidade de mercado, no qual deverão concorrer com as outras sem contudo a possibilidade de imporem as suas vontades, pois o contexto ê outro, de igualdade entre os Estados e de reciprocidade”, disse Luís Amado, ex-ministro do governo de José Sócrates.

17 de fevereiro de 2013

O cu das faturas (Francisco Moita Flores)



O esforço recoletor de impostos recorda o xerife de Nottingham, que esbulhava os contribuintes.

O escrito de Francisco José Viegas sobre o sítio para onde manda qualquer fiscal que o intercetasse para saber se tinha fatura do café ou da pastilha elástica que acabara de comprar ergueu um coro de comentários jocosos e, pelo meio, os protestos dos beatos do costume, ora por causa da linguagem desapropriada, ora porque um ex-membro do governo não pode tecer críticas contra o executivo do qual fez parte. Como é habitual, discu-tiram-se formas e não o âmago da questão. A obrigação de um prestador de serviços é emitir fatura. Um consumidor tem direito a essa fatura. Justifica um gasto e pode, se o entender, fazer um histórico diário das suas despesas. Mas não tem o dever de exigir fatura.

Sobretudo quando esse consumo não tem reflexos na sua contabilidade, nem na relação que esta estabelece com o Estado através do aparelho de coleta das Finanças. Amarrar um consumidor ao dever de pedir fatura, pelas bagatelas do dia a dia, é conferir-lhe atos de controlo sobre o dever de outros, ou seja, fazer de cada cidadão/consumidor um polícia fiscal. Esta imposição torna-se mais ridícula se a levarmos até às últimas consequências. Ninguém imagina os fiscais, os tais que só podem realizar o ato de vigilância e praticá-lo em flagrante delito, a perseguir de olhar sobranceiro os milhares de putos que levam para a escola dinheiro para comprar um berlinde ou um gelado, um caderno ou um lápis. O que este esforço recoletor de impostos recorda é o desespero do xerife de Nottingham, que, pela força, sem olhar a meios, esbulhava os seus contribuintes com razias de medo e morte. A diferença é que não existe um Robin Hood.

Percebe-se a necessidade de acabar com as economias subterrâneas e paralelas. Um Estado justo não as aceita e combate--as. Porém, essa ação deveria começar pelos sítios onde em larga escala se foge aos impostos, desde as offshores, por onde passam milhões e milhões de euros clandestinos, até aos gigantescos mercados e feiras por esse País fora, onde faturas é papel quase desconhecido. O Francisco José Viegas deve estar divertidíssimo com a onda de indignações das viúvas oficiais. E como cidadão livre e de bons costumes tem o direito de proclamar a iniquidade desta decisão. Mandando-a meter em qualquer sítio. Mesmo que cheire mal. Os disparates não merecem tratamento assético.

Francisco Moita Flores, Professor Universitário

Correio da Manhã, 17 de Fevereiro de 2013

Vai tu



Caro Viegas,

Antes de mais deixe-me dizer-lhe que de um ex-secretário de Estado da Cultura do meu país, ainda que de um governo de gente que poderiam ser classificados de bárbaros, eu esperava mais educação. Esperava também que um ex-governante tivesse mais sentido de Estado e respeito pelas instituições do Estado e (como se diziam antigamente) pelos seus servidores.

Infelizmente constato que há gente a governar a cultura que têm linguagem de camionista e que fala de milhares de funcionários usando uma terminologia de taberneiro. Foi esta besta quadrada que andou a gerir dossiers como o CCB, os nossos teatros, os nossos museus? Francamente, a linguagem do senhor é mais digna de um xulo da Intendente do que de um governante de um país europeu.

Talvez o senhor ache que em vez de dizer na peida dizer cu, ou em vez de mandar levar optar por mandar tomar está a ser mais fino, mas não o senhor é alguém muito rasca e de muito baixo nível ético e moral, para usar a sua própria linguagem o meu amigo não vale um peido.

Ó seu grande filho da mãe, para não dizer filho da puta por respeito à sua pobre progenitora, então o senhor, manda levar, perdão, tomar no cu aqueles que são obrigados a aplicar uma lei de um governo ao qual pertenceu na época em que essa lei foi aprovada? Está esquecido de que esteve presente ou fez-se representar nas reuniões de secretários de Estado por onde todas as leis passam antes de irem a conselho de ministros? Ignora que o dinheiro que andou a gastar ou a esbanjar com motoristas meninos foi cobrado por esses a quem manda tomar no cu?

Ó seu grande irresponsável, então um membro do governo que foi mais troikista que a troika, que cortou em tudo e em todos, que ajudou a levar milhares de empresas à falência, escolheu o dia em que o país soube que quase tinha batido o recorde histórico de recessão, na mesma semana em que se soube que ser português quase significa ser desempregado, que está sob ocupação externa por causa da situação financeira, escolhe precisamente aqueles que cobram impostos para os mandar tomar no cu. É uma pena que não se lembre de ir para o meio de uma batalha dizer-lhes para irem tomar no cu, talvez levasse um tiro nesses cornos e era muito bem dado.

Porque enquanto o senhor manda os do fisco tomar no cu há desempregados a ficar sem subsídios por falta de dinheiro, há hospitais a cortar nos medicamentos e até o senhor foi escolhido para secretário de Estado da Cultura precisamente por não haver dinheiro e sem dinheiro qualquer idiota serve para o cargo.

Compreendo que o senhor não goste de pagar impostos, que enquanto os pobres que ganham o ordenado mínimo pagam o IRS com as taxas normais, o senhor tenha andado muitos anos a pagar apenas 50% por conta do trabalho cultural. Mas para que o senhor possa viver à conta da cultura com IRS reduzido a 50% outros terão que pagar impostos pela medida grossa e muitos outros terão de assegurar que os impostos sejam cobrados.

Alguém que foi secretário de Estado e tinha ao seu serviço quatro motoristas a receberem ordenados superiores a 1800 euros, um deles com apenas 21 anos, o melhor que tinha a fazer era ficar calado, em vez de andar a mandar os outros “tomar no cu”.

É uma pena que não se possa demitir da condição de ex-secretário de Estado do meu país, porque enoja-me saber que o meu país é governado por gente como o senhor, sinto vergonha de ser concidadão de um governante que se comporta como o senhor. Como não posso fazer mais nada resta-me fazer uma sugestão A Vossa Excelência ao responder-lhe como lhe estarão a responder muitos portugueses, vai tu, vai levar nessa peida alimentada com os impostos dos contribuintes portugueses.

O Jumento, 13 de Janeiro de 2013

Curto e grosso



Fernando Alves decidiu transformar o Viegas num herói porque mandou o fisco "tomar no cu". Independentemente dos argumentos a favor ou contra a lei, ou os moralismos invocados por Fernando Alves a verdade é que Francisco José Viegas não é um herói desta história como pretende o comentador da TSF. É antes o vilão cobarde.

Pessoalmente sou contra a lei mas poderei, em limite, vir a ser obrigado a abrir um processo contra um qualquer cidadão, e isso é possível porque o actual governo estendeu ao consumidor final uma regra que já existia para as empresas. Ora, uma alteração do código do IVA só é possível no parlamento ou por iniciativa do governo mediante uma autorização parlamentar, umas e outras costumam constar na lei do orçamento.

Ora, Francisco José Viegas participou em todo o processo de adopção da norma que agora usa para se armar em heróis e decidir quem deve tomar ou não no cu. Ele até pode invocar como argumento em seu favor que a norma é da competência das Finanças, mas isso só lhe ficaria mal, significaria falta de solidariedade com aqueles de quem foi par no governo, além de significar igualmente incompetência e ignorância. Todas as leis antes de irem a conselho de ministros são discutidas em reunião de chefes de gabinete de secretários de Estado, isto é, se o próprio Viegas não aprovou a norma alguém o fez em seu nome.

Assim, se alguém deve ir tomar no cu por causa desta norma é o Francisco José Viegas e os deputados da sua maioria e não os funcionários do fisco que aplicam as leis que o próprio Viegas ajudou a serem adoptadas.

Dar nas vistas

Já se percebe a atoarda do Viegas, foi para fazer fogo de artifício agora que regressa à direcção da revista Ler. Mas sera para dar nas vistas e fazer publicidade à revista não precisava de ofender tanta gente.

Sexta-feira, Fevereiro 15, 2013
O Jumento

3 de fevereiro de 2013

Portugal: Privilegiados contra desesperados (Rui Ramos)

População Estrangeira em Portugal


Privilegiados contra desesperados (Rui Ramos)

"Milhares de portugueses desesperados formam diariamente filas intermináveis nos Centros de Emprego e outros largos milhares ainda é noite e lá vão para Alcântara na tentativa esperançosa de conseguir um visto para Angola, a nova Terra da Promissão.

O povo português é tradicionalmente um povo pobre, povo de olhar o chão para ver se encontra centavos, tostões ou cêntimos. Mas de repente votou num poder que lhe abriu as portas do paraíso artificial. Desatou a contrair empréstimos para comprar primeira, segunda e terceira habitação, carros para cada membro da família, computador para cada membro da família, cão para cada membro da família, um telemóvel por cada operadora para cada membro da família.

Os bancos fizeram o seu trabalho de casa, deram empréstimos a cada membro da família, deram cartões de crédito, cinco para cada membro da família, até bebé tem cartão de crédito e empréstimo bancário em Portugal.

Narizes empinados, até pareciam ricos. Parecia que estavam a crescer, a subir. Tinha até motorista de autocarro 463 que não parava na paragem quando trabalhadora cabo-verdiana tocava. Trabalhar para pretos?

Menina mais castanha era chamada de “suja”, vai para a tua terra. Presidente da Câmara de Lisboa apanhou sol desde os tempos dos avós e muitas pessoas chamavam-lhe “o preto da Câmara”. Gostam muito de chamar “pretinho”, gostam mesmo.

De repente acabou a teta da loba, secou, voltou ao que era, como sempre foi: país muito pobre. Quase dois milhões no desemprego para o resto da vida. Prosperam negócios ilegais, nas cervejarias trafica-se droga na cara da polícia, à luz do dia assaltam-se pessoas e supermercados impunemente, a polícia diz que não pode fazer nada.

7 de outubro de 2012

República insultada (Francisco Moita Flores)


A bandeira de todos nós, que se agita nas ruas, nas honras do Estado, era transformada em trapo.

Aquilo que se passou nas comemorações do 5 de Outubro é um retrato confrangedor, humilhante, diria mesmo insultuoso, daquilo que são os valores essenciais inscritos na utopia republicana. Inscreve valores superiores. A luta pela paz, pela liberdade, pela igualdade e pela fraternidade. A luta pela dignidade do Estado e dos cidadãos, pela afirmação da identidade da Pátria, tendo como símbolos maiores desta universalidade de princípios fundamentais o poder do povo expresso no voto universal, o hino nacional, a bandeira nacional. Comemorar significa comungar o mesmo tempo de memória. Partilhar a recordação de forma evocativa, actualizando esses valores principais, utilizando-os como cimento social que potencia a confiança no futuro.

Aquilo a que assistimos ontem não teve nada disto. Foi um acontecimento pífio que mais pareceu as Cortes de Lisboa, cercadas por militares e polícias, onde esteve o clero partidário, a nobreza dos políticos, e o povo representado pelo alcaide formado nas hostes da nobreza mais atávica. O verdadeiro povo passava para lá das grades ou, pura e simplesmente, ignorava o evento para o qual não foi convidado a partilhar. As Cortes falaram das tricas do costume que preocupam os altos dignitários, e a República nem sabe o que foi dito. Porque já fora insultada previamente quando hastearam um dos símbolos supremos da alma republicana. A bandeira de todos nós, que se agita nas ruas, nos campos de futebol, nos comícios, nas honras do Estado, era transformada em trapo subindo ao mastro maior da Câmara de Lisboa. Pode ter sido um lapso. Mas aquela varanda estava cheia de bispos da política e de marqueses do poder e é espantoso como ninguém, absolutamente ninguém, percebeu que no dia da República, na varanda onde foi proclamada há 102 anos, se humilhava a ideia que se procurava comemorar, ou melhor, evocar.

Num outro canto da cidade, outra galeria dos mesmos actores gritava pela unidade das esquerdas, valha isto o que valer, desnorteados, esquecidos do povo porque são aristocratas da mesma cepa, exactamente iguais aos que se reuniram nas Cortes, convencidos de que são povo. Esse que morre de fome e de esperança e no silêncio das suas amarguras é insultado, como a sua República, por homens que já perderam o norte da Pátria e do País.

Francisco Moita Flores, Professor Universitário
Correio da Manhã, 07 de Outubro de 2012

República de pernas para o ar (Raquel Oliveira)


As cerimónias oficiais do 5 de Outubro em Lisboa já estavam envoltas em polémica, com a escolha do Pátio da Galé, um espaço fechado e com acesso restrito, para os tradicionais discursos dos presidentes da República e da Câmara de Lisboa, em vez dos Paços do Concelho. Mas ninguém estava à espera de que as celebrações da implantação da República ficassem marcadas por um incidente simbólico: Cavaco Silva e António Costa hastearam a bandeira nacional virada ao contrário.

Símbolo de rendição perante o inimigo, a bandeira esteve de pernas para o ar durante largos minutos e só foi hasteada correctamente já o Presidente da República e a comitiva se tinham instalado na tribuna do Pátio da Galé. Apesar do acesso restrito, controlado por seguranças, aquele espaço a escassos metros dos Paços do Concelho foi palco de mais dois incidentes: uma mulher desempregada, de 57 anos, irrompeu pela sala protestando contra a situação do País. Cavaco Silva prosseguiu o discurso, enquanto os seguranças arrastavam Luísa Trindade para fora do recinto. No final, novo protesto, protagonizado pela cantora lírica Ana Maria, que entoou ‘Firmeza’, de Fernando Lopes Graça. No exterior, apenas meia dúzia de pessoas apuparam os convidados à saída, tornando desnecessárias as várias carrinhas da PSP.

"CULPA NÃO É DOS PORTUGUESES"

Durante as comemorações da Implantação da República na cidade do Porto, que foi organizada pela Associação Cívica e Cultural 31 de Janeiro, Paulo Morais, vice-presidente da Organização da Transparência Internacional, deixou claro que a culpa da crise é dos políticos que usaram e abusaram do dinheiro do Estado. "A culpa não é dos portugueses, fizeram-nos acreditar que vivemos acima das nossas posses, mas isso é mentira. A culpa é dos políticos e dos privilégios malditos que possuem", afirmou.

Raquel Oliveira
Correio da Manhã, 07 de Outubro de 2012

12 de agosto de 2012

Os custos da Presidência da República (Nelson Santos)



Um jornal descobriu agora qua e Presidência da República custa 16 milhões de euros por ano (163 vezes mais do que custava Ramalho Eanes), ou seja, 1.5 euros a cada português. Dinheiro que, para além de pagar o salário de Cavaco, sustenta ainda os seus 12 assessores e 24 consultores, bem como o restante pessoal que garante o funcionamento da Presidência da República. A juntar a estas despesas, há ainda cerca de um milhão de euros de dinheiro dos contribuintes que todos os anos serve para pagar pensões e benefícios aos antigos presidentes. Os 16 milhões de euros que são gastos anualmente pela Presidência da República colocam Cavaco Silva entre os chefes de Estado que mais gastam em toda a Europa, gastando o dobro do Rei Juan Carlos de Espanha (oito milhões de euros) sendo apenas ultrapassado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy (112 milhões de euros e pela Rainha de Inglaterra, Isabel II, que “custa” 46.6 milhões de euros anuais. Bonito!

Nelson Santos

O Crime, 26 de Julho de 2012

10 de março de 2012

Os Lusíadas na versão cleptocrática



Os Lusíadas na versão cleptocrática

I
As sarnas de barões todos inchados

Eleitos pela plebe lusitana

Que agora se encontram instalados

Fazendo o que lhes dá na real gana.

Nos seus poleiros bem engalanados,

Mais do que permite a decência humana,

Olvidam-se de quanto proclamaram

Nas campanhas com que nos enganaram!

II

E também as jogadas habilidosas

Daqueles tais que foram dilatando

Contas bancárias ignominiosas,

Do Minho ao Algarve tudo devastando,

Guardam para si as coisas valiosas.

Desprezam quem de fome vai chorando!

Gritando levarei, se tiver arte,

Esta falta de vergonha a toda a parte!

III

Falam da crise grega todo o ano!

E das aflições que à Europa deram;

Calam-se aqueles que, por engano,

Votaram no refugo que elegeram!

Que a mim mete-me nojo o peito ufano

De crápulas que só enriqueceram

Com a prática de trafulhice tanta

Que andarem à solta só me espanta.

IV

E vós, ninfas do Tejo onde eu nado,

Por quem sempre senti carinho ardente,

Não me deixeis agora abandonado

E concedei engenho à minha mente,

De modo a que possa, convosco ao lado,

Desmascarar de forma eloquente

Aqueles que já têm no seu gene

A besta horrível do poder perene!

Luiz Vaz Sem Tostões

Recebido por e-mail. Reencaminhe

5 de março de 2012

Portugal visto por Guerra Junqueiro (1896)


"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
(...)

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."


Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896.