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13 de janeiro de 2013

Heróis (A. Marinho Pinto)


Sempre me intrigou o conceito de herói. Entre a divinização efetuada pela mitologia helénica (os heróis eram homens que, por atos sobre-humanos, se transcendiam e se elevavam ao estatuto de deuses) e o achincalhamento da vulgata cínica (heróis são cobardes que não tiveram tempo de fugir) procurei sempre uma noção equilibrada entre a visível grandeza dos feitos praticados e a pequenez, muitas vezes oculta, da humanidade dos seus autores. Por isso, a maioria dos verdadeiros heróis são homens mortos. É raro encontrar heróis vivos, pois, torna-se muito difícil fazer a síntese entre a pequenez da sua humanidade e a grandeza do seu heroísmo.

No universo das minhas exigências éticas, ideológicas e culturais, só há um ser humano vivo a quem eu reconheço a condição de herói: um negro africano, que passou quase três décadas na cadeia acusado de terrorismo e que chegou a presidente da república de um país de negros dominado por brancos racistas. E é o meu herói, não pelos atos que o levaram à cadeia, nem sequer pela dignidade com que suportou essa longa provação. Nelson Mandela tornou-se merecedor do estatuto de herói pela grandeza que mostrou ao renunciar à justiça contra quem o tinha humilhado e perseguido, ou melhor: pela superioridade (heroísmo) que mostrou ao renunciar à vingança contra quem tinha perpetrado tantos crimes contra si e contra o seu povo.

Não se é herói à força ou por acaso. Só se pode sê-lo verdadeiramente quando se tem a possibilidade de o não ser. Só se é genuinamente grande quando se tem a liberdade de se ser pequeno. Só se é herói por decisão, por escolha ou por renúncia consciente à comodidade ou à cobardia de o não ser. Só se pode ser herói quando se tem tempo para fugir.

Ao renunciar a todos os ajustes de contas com os seus algozes, com os carrascos do seu povo, Nelson Mandela mostrou conhecer muito bem quão falível é a linha que, no terreno das coisas humanas, separa a justiça da vingança. E mostrou, sobretudo, saber que, quando não é possível apartar com nitidez uma da outra, é preferível renunciar a ambas. Mas, como advogado, ele sabia também que essa renúncia só seria genuinamente pedagógica e exemplar se não restassem dúvidas sobre a verdade dos crimes imputados e sobre a autoria de quem os praticou. Daí que, em vez dos tribunais, tivesse recorrido a uma Comissão de Verdade e de Reconciliação, pois a clemência só é «justa» em relação aos que confessam os seus crimes publicamente ou perante as vítimas. O perdão da vítima só é virtuoso diante do arrependimento do criminoso que se expressa na confissão livre e sincera. Não é o arrependimento que justifica o perdão, mas sim este que suscita aquele. Só assim a vítima se engrandece e o delinquente se redignifica; só assim a paz se restabelece de forma definitiva entre ambos.

Mandela percebeu como poucos que a justiça não é vingança e que a vingança não é justiça. Compreendeu sobretudo que a justiça feita pelas próprias vítimas aproxima-se muito da vingança e até se confunde com ela, justamente, porque nunca se consegue doseá-la de forma adequada. A justiça (feita em nome) das vítimas, facilmente gera novas vítimas e, consequentemente, novos sentimentos de vingança (ou de justiça) e assim sucessivamente, numa espiral de violência que conduzirá inevitavelmente ao aniquilamento de um dos lados. Além disso, a justiça (feita em nome) das vítimas jamais conseguirá realizar de modo equânime todas as finalidades ínsitas na própria ideia de justiça: reafirmar a validade do bem jurídico ofendido com o delito (a vida, a honra, a privacidade, a liberdade, o património, etc.); proteger a sociedade (prevenindo a prática de futuros crimes por esse delinquente ou por outros); ressarcir moralmente a vítima (fazendo-a recuperar a confiança na vida coletiva) e redignificar o criminoso (trazendo-o de novo ao são convívio social).

Por ter compreendido tudo isso, Mandela logrou estabelecer a paz quando tudo convidava à guerra; teve a grandeza de renunciar à justiça quando era fácil justificar a vingança; teve até a coragem de exigir a verdade, pois só assim poderia reconciliar os criminosos e as vítimas. Mais do que um herói ele é uma lenda viva.

Jornal de Notícias, 31/12/2012

19 de fevereiro de 2012

Banco da África do Sul emite notas com imagem de Mandela


Banco da África do Sul emite notas com imagem de Mandela

A África do Sul prepara-se para imprimir uma série de notas, da moeda nacional, o rand, com a imagem de Nelson MandelaDe acordo com a BBC, o presidente Jacob Zuma disse que as novas notas com a imagem de Mandela são "um gesto humilde" que expressa a "profunda gratidão" da África do Sul, ao primeiro presidente negro do país.

Zuma falava numa conferência de imprensa, no Banco Central, em Pretória, e adiantou que " com este gesto humilde, estamos a expressar a nossa profunda gratidão enquanto sul-africanos, a uma vida dedicada ao serviço do povo deste país e na causa da hum,anidade através do mundo
Ainda não existe uma data de entrada em circulação das novas notas, que deverá acontecer ao longo deste ano.

Designado pelos seus compatriotas de "Madiba", Nelson Mandela, hoje com 93 anos, foi libertado da prisão, em 11 de Fevereiro de 1990, após 27 anos de cativeiro.

O anúncio provocou de imediato um frenesim nos mercados, uma prova do bom momento que actualmente atravessa a economia sul-africana.

Sapo MZ, 13 de Fevereiro de 2012,

16 de setembro de 2011

Jorge Carlos Fonseca é o novo PR de Cabo Verde


Jorge Carlos Fonseca é o novo PR de Cabo Verde

Jorge Carlos Fonseca é o quarto Presidente da República de Cabo Verde. Fonseca venceu à segunda volta nas presidenciais e sucede Pedro Pires na Presidência da República. JCF é casado e pai de 3 filhas.

5 de outubro de 2009

Presidente da República Pedro Pires, ergueu a Taça do Mundo de Futebol para os cabo-verdianos

Pedro Pires ergueu a Taça do Mundo de Futebol para os cabo-verdianos O Presidente da República, Pedro Pires, tornou-se, esta segunda-feira, na quinta individualidade africana a erguer o Troféu do Mundo de Futebol de 2010, em cerimónia de apresentação pública do troféu na capital cabo-verdiana.
O Chefe do Estado deu sequência ao gesto do líder histórico sul-africano, Nelson Mandela, pelo que o responsável dos média da FIFA neste “Trophy Tour” considerou este gesto como o reconhecimento da FIFA pelo futebol cabo-verdiano e das autoridades nacionais. A Taça do Mundial de Futebol, o troféu mais prestigiado e cobiçado do planeta, totalmente em ouro maciço, saiu da sua vitrina de vidro para ser tocado apenas pelo Presidente cabo-verdiano, tendo regressado à sua montra para as fotos da posteridade da FIFA a todos os presentes no auditório. Pedro Pires considera que a passagem do Troféu do Mundial de Futebol por Cabo Verde tem uma carga simbólica forte, pois entende que a realização inédita do campeonato do Mundo de futebol na África do Sul, o primeiro no continente africano, representa para a África inteira, motivo de entusiasmo, de orgulho e de esperança. É que para o mais alto mMgistrado da Nação esta proeza simboliza um ganho importante, conquanto foi preciso vencer desconfianças e preconceitos para que a África se sinta capaz de desafiar o mundo em termos de ambição, de organização desportiva e de segurança. Pires acredita que este acontecimento desportivo universal também significa liberdade, igualdade e fraternidade, pois entende que a Taça do Mundo de Futebol simboliza o esforço, sacrifício e empenho e a boa vontade de vencer. Nesta sua intervenção, Pedro Pires manifestou o seu desejo para que a Copa do Mundo de 2010 seja um grande evento desportivo e cultural mundial de modo a contribuir para o engrandecimento do futebol e do desporto, particularmente, para o engrandecimento da África do Sul, com vista a reforçar a união e coesão do seu povo. Inforpress, 05 de Outubro de 2009

8 de setembro de 2009

Guiné-Bissau: Malam Bacai Sanha toma posse hoje, como Presidente da República

Guiné-Bissau: Bacai Sanha tome posse hoje Cinco chefes de Estado africanos, entre os quais Pedro Pires, de Cabo Verde, confirmaram a presença nas cerimónias de investidura, hoje, de Malam Bacai Sanhá como Presidente da Guiné-Bissau, soube-se domingo de fonte do Governo guineense. De acordo com a fonte, além de Pedro Pires, estão confirmadas as presenças dos presidentes do Senegal, Abdoulaye Wade, da Gâmbia, Yaya Jammeh, do Burkina Faso, Blaise Compaoré, e da Nigéria, Umaru Yar’Adua. Também está confirmada a presença do presidente da República Árabe Saharaui Democrática, Mohamed Abdelaziz. Dos restantes países de língua portuguesa, estão previstas as presenças do vice-primeiro-ministro de Timor-Leste, do vice-presidente do Parlamento de Angola, do MNE de Portugal, e do ministro da Defesa de Moçambique, Filipe Nyusi. Os Estados Unidos, Canadá, Líbano, Reino Unido, Israel, Gana, Correia do Sul, Índia, Paquistão e Japão serão representados pelos respectivos embaixadores ou encarregados de negócios, sendo que a maioria está baseada em Dakar, Senegal. A ONU será representada pelo subsecretário-geral para os assuntos políticos, Haile Menkerios, que já se encontra em Bissau, e pela presidente da configuração específica da comissão para consolidação da paz, para a Guiné-Bissau, Maria Luísa Viotti. A cerimónia de posse de Bacai Sanhá como Presidente da Guiné-Bissau, no Estádio Nacional 24 de Setembro, em Bissau, começa cerca das 11 horas locais. Após a investidura, Bacai Sanhá fará um discurso à nação antecedido do pronunciamento do presidente interino do Parlamento, Serifo Nhamadjo. De seguida, o Presidente guineense oferece um almoço “em honra dos ilustres convidados” numa unidade hoteleira de Bissau, local onde, à noite, dará uma recepção. Entretanto, os guineenses estão optimistas para “um arranque do país”, mas esperam que haja um “bom entendimento” entre o novo Presidente e o Primeiro-Ministro. Em declarações recolhidas nas ruas de Bissau, todos os entrevistados foram unânimes em afirmar que “é desta que o país vai arrancar” rumo ao desenvolvimento, desde que o Presidente, Bacai Sanhá, e o chefe do Governo, Carlos Gomes Júnior, tenham uma boa sintonia. Maputo, Terça-Feira, 8 de Setembro de 2009:: Notícias

18 de agosto de 2009

África do Sul: Zuma promete ‘fórmula pragmática’ para reforma agrária

África do Sul Zuma promete ‘fórmula pragmática’ para reforma agrária De acordo com o jornalista sul-africano, Bongani Mthethwa, do semanário Sunday Times de Joanesburgo, “milhares de propriedades agrícolas outrora produtivas, principalmente nas províncias do Kwazulu-Natal, Limpopo, Mpumalanga e Cabo Oriental, encontram-se votadas ao abandono, causando a escassez de produtos básicos”. Mthethwa salienta que a “África do Sul passou a importar mais comida do que exporta, e a produção de cereais, frutas e vegetais já não consegue seguir o ritmo de crescimento populacional registado no país”. Pretoria (Canalmoz) - O presidente sul-africano, Jacob Zuma, anunciou ontem que o seu governo “planeava introduzir mudanças significativas” no método de redistribuição de terras assente no princípio de “acordo mútuo entre comprador e vendedor”. Falando na Província do Limpopo, por ocasião do lançamento do Programa de Desenvolvimento Rural, Zuma referiu que o seu governo havia “reconhecido que para se avançar de forma decisiva com o programa de redistribuição de terras, teriam de ser feitas mudanças significativas”. O presidente sul-africano disse que teriam de ser “investigadas alternativas menos onerosas de aquisição de terras”, salientando que “a opinião geral é a de que o modelo de acordo mútuo entre comprador e vendedor não está a dar resultados”. Em face disso, acrescentou, “iremos procurar uma fórmula mais pragmática de redistribuição de terras”. Desde a subida ao poder do ANC em 1994, o governo sul-africano tem vindo a adquirir propriedades pertencentes a agricultores comerciais oriundos predominantemente do sector “branco” da população. Já foram transferidos mais de 3 milhões de hectares de terras aráveis para o sector “negro” da população da África do Sul através do modelo de acordo mútuo entre comprador e vendedor. O objectivo do governo é transferir 25 milhões de hectares até o ano de 2014, apesar dos resultados até agora obtidos serem pouco animadores, e de entidades com o Banco da Terra terem alertado não ser possível gerir de forma eficaz as terras até agora adquiridas, razão pela qual era oportuno reconsiderar essa meta. De acordo com o jornalista sul-africano, Bongani Mthethwa, do semanário Sunday Times de Joanesburgo, “milhares de propriedades agrícolas outrora produtivas, principalmente nas províncias do Kwazulu-Natal, Limpopo, Mpumalanga e Cabo Oriental, encontram-se votadas ao abandono, causando a escassez de produtos básicos”. Mthethwa salienta que a “África do Sul passou a importar mais comida do que exporta, e a produção de cereais, frutas e vegetais já não consegue seguir o ritmo de crescimento populacional registado no país”. O jornalista refere que “a incerteza em torno do processo de reforma de terras fez com que um largo número de agricultores comerciais deixasse de investir no sector agrícola sul-africano, enquanto outros optaram por emigrar para regiões mais estáveis, como é o caso da indústria de frutas tropicais e de cereais em Moçambique, e da pecuária no Botswana.” (Redacção / The Times / Sunday Times) 2009-08-18

Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, chega amanhã a Luanda

Jacob Zuma amanhã em Angola O Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, chega amanhã a Luanda, para uma visita de dois dias a Angola, a primeira como Chefe de Estado, desde que foi eleito, em 9 de Maio, confirmou, ontem, o ministro junto da Presidência sul-africana. Collins Chabene falava no final de uma audiência com o Primeiro-Ministro, António Paulo Kassoma. Acompanhado do embaixador sul-africano em Angola, Themba Kubheka, Collins Chabane foi à Cidade Alta tratar dos preparativos da visita de Jacob Zuma. “Vim a Luanda para tratar dos preparativos da visita do Presidente Zuma, que chega no dia 19, quarta-feira”, disse. Collins Chabane frisou que a visita de Jacob Zuma vai reforçar a cooperação entre Angola e a África do Sul no domínio económico e lançar as bases para uma cooperação económica mais estreita entre os dois países. A importância da visita, referiu, traduz-se pelo número de ministros e empresários que vão integrar a delegação presidencial. “O número de delegados da parte ministerial e empresarial fala por si. Penso que, reforçando a cooperação entre os dois países, estamos a unir os dois povos, que têm estado um pouco distante nos últimos tempos”, disse Collins Chabane, acrescentando que o principal objectivo da vinda de Jacob Zuma a Angola é elevar as relações comerciais para “níveis muito altos”. Presidente do Parlamento recebe enviado de Zuma O presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, abordou, ontem também, em Luanda, com Collins Chabane, a preparação da visita a Angola do presidente Jacob Zuma. No final do encontro, Collins Chabane disse ter recebido garantias do presidente da Assembleia que os preparativos decorrem a “bom ritmo”. O ministro sul-africano manifestou a sua satisfação pelos trabalhos que estão a ser realizados em torno da visita, que acontece amanhã. Jornal de Angola, 18 de Agosto de 2009

30 de julho de 2009

Guiné-Bissau: Kumba Yala assume derrota e Bacai Sanhá assume «vitória do povo»

Desfecho das eleições presidenciais Guiné-Bissau: Kumba Yala assume derrota e Bacai Sanhá assume «vitória do povo» Bissau - Kumba Iala, adversário do vencedor nas eleições presidenciais guineenses, Malam Bacai Sanhá, aceitou formalmente a decisão popular, depois de, na semana passada os dois candidatos se terem comprometido a respeitar os resultados. O candidato derrotado fica assim, tal como acordado, com o estatuto de um antigo chefe de Estado, com segurança pessoal, residência e meios de transporte. Quanto ao novo Presidente de República, Malam Bacai Sanhá, tem pela frente a tarefa de tirar o país na crise em que se encontra, quer a nível político quer de segurança. A reforma das Forças Armadas parece ser uma prioridade assim como o combate ao narcotráfico. «Esta é uma vitória do povo da Guiné-Bissau», disse o vencedor, que falou da sede do seu Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder), Bacai Sanahá, de 62 anos de idade, é natural de Cubisséco, sector de Empada, região de Quinara. Diplomado em Ciências Sociais e Políticas na ex-República Democrática Alemã, onde estudou com uma bolsa de estudos do seu partido, o PAIGC - onde é militante desde 1962 - Malam Bacai Sanhá acumulou ao longo do seu percurso político experiência na gestão da administração pública. Depois de ter terminado os estudos, Sanha assumiu as funções de Administrador da Região de Biombo, em 1975, foi governador da região de Bafata e Gabu e em 1986 entra para o Governo como Ministro da Província Leste. Nos anos de 1990 e 1991 passa a exercer a função de secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné-Bissau (UNTG) e ainda em 1992 já era Ministro da Informação e das Telecomunicações. Entre 1992 e 1994 assumiu a pasta da Reforma Administrativa Função Publica e Trabalho e, com a realização das principais eleições multipartidárias na Guiné-Bissau, em 1994, Malam Bacai Sanhá foi eleito Presidente da Assembleia Nacional Popular. Com o fim do conflito político-militar em 1999, Sanhá assume o cargo do Presidente da República Interino, até ao ano 2000. Malam Bacai Sanhá apresentou-se a dois pleitos eleitorais como candidato presidencial do PAIGC, em 2000 e 2005, tendo sido derrotado por Kumba Yala e João Bernardo «Nino» Vieira, respectivamente. Em 2009 é finalmente eleito pelo povo guineense, Presidente da República da Guiné-Bissau. Jornal de São Tomé e Príncipe, 30 de Julho de 2009

13 de julho de 2009

No 34º da independência: PR são-tomense apela à transparência

No 34º da independência : PR são-tomense apela à transparência O Presidente da República de S. Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes, apelou ontem ao Governo a que resista “ao apelo de protagonismo desnecessário” nas vésperas das eleições, numa mensagem por ocasião dos 34 anos da independência do país que ontem se assinalaram. “O Governo deverá redobrar a sua eficácia e ser mais transparente nas suas decisões. Para o Presidente são-tomense, o “reforço dos níveis de simplicidade e humildade” de todos os membros do executivo constitui uma forma de “merecerem o estatuto de governo de missão, solução política que esteve na base de sua criação”. Fradique de Menezes reconhece que “o cepticismo e o pessimismo avassaladores ameaçam tomar conta do país” e entende que o Governo “tem enorme responsabilidade neste olhar de avaliação” que as populações fazem dos resultados da independência alcançada de Portugal, antiga potência colonial, em 12 de Julho de 1975. Tem, entretanto presente que “o 12 de Julho cumpriu as suas promessas fundamentais de descolonização e de democratização”, faltando “o mais importante, que é o desenvolvimento”. Reconhece também que os tempos mudaram e que “o entusiasmo galvanizador e trepidante de então, vão restando cada vez mais tímidos sinais de uma teimosa de resistência às dificuldades e contrariedades dos tempos modernos”. “Com todos os percalços conhecidos, qualquer balanço sério e isento não poderá deixar de reconhecer que, em 12 de Julho de 1975, resgatámos a nossa dignidade e a dignidade do nosso país”, acrescenta o Chefe de Estado são-tomense para quem “os cortes radicais com o passado não lograram resultados totais”. “Persistiram os defeitos decorrentes de um estado centralizado, excessivamente burocrático, com uma justiça a todos os títulos ineficiente, uma produtividade de trabalho incapaz de progredir como convinha”, acrescentou o Presidente da República. Citou “o desperdício das despesas do Estado, a desumanidade dos hospitais, a violência nos costumes, a marginalidade social, a exclusão, o desemprego, a corrupção na política e o aumento da criminalidade” como factores que não permitiram um “digno percurso” ao longo dos 34 anos de independência do Arquipélago. Para ele, “o actual Governo deverá chamar a si desempenhos políticos que galvanizam um entendimento nacional, solidificando os entendimentos políticos parlamentares actuais, sem excluir a contribuição fiscalizadora da oposição em matéria de decisiva importância nacional”. Maputo, Segunda-Feira, 13 de Julho de 2009:: Notícias

30 de maio de 2009

Morreu Luís Cabral, primeiro presidente da Guiné-Bissau

Morreu Luís Cabral, primeiro presidente da Guiné-Bissau O primeiro presidente da Guiné-Bissau, Luís Cabral, irmão de Amílcar Cabral, morreu este sábado em Lisboa vítima de doença prolongada, noticia a agência Lusa. O extinto vivia desde os anos oitenta em Portugal, depois de afastado do poder por um golpe de Estado liderado por Nino Vieira. Com o irmão Amílcar, Aristides Pereira, Fernando Fortes e Abílio Duarte e Elysée Turpin, Luís Cabral integra a lista dos fundadores do PAIGC, partido formado em meados dos anos 50 do século passado, em Bissau, e que pugna pela independência da Guiné e Cabo Verde. Luís e Amílcar Cabral eram meio irmãos, pelo pai Juvenal Cabral, professor primário e figura destacada do seu tempo. Amílcar e Luís, a par de outros irmãos, nasceram na Guiné e trazidos depois para Cabo Verde, quando Juvenal e a família se transferem para a ilha de Santiago, mais concretamente para Santa Catarina, de onde era natural. Depois da morte de Amílcar, em Janeiro de 1973, Luís assume a co-direcção do PAIGC, com Aristides Pereira. A 24 de Setembro desse mesmo ano é eleito pela Assembleia Nacional Popular, em Madina do Boé, presidente da República da Guiné-Bissau, proclamada na mesma ocasião, unilateralmente, pelo PAIGC. Luís Cabral foi afastado do poder a 14 de Novembro de 1980 através de um golpe de Estado capitaneado pelo seu então primeiro-ministro, João Bernardo “Nino” Vieira, morto em Março passado. Esse golpe acaba também por representar o fim do projecto da unidade entre a Guiné e Cabo Verde, surgindo em Cabo Verde o PAICV a 20 de Janeiro de 1981. Depois de alguns meses retido em Bissau Luís Cabral é finalmente autorizado a embarcar para Cuba, onde permanece por algum período, altura em que viaja para Cabo Verde. Aqui também permanece pouco tempo, fixando finalmente residência em Portugal, onde agora acaba por morrer. Luís Cabral é autor de “Crónicas de libertação”, publicado em Portugal nos anos oitenta, onde narra a história do PAIGC e a sua própria trajectória pessoal. Há anos que acalentava publicar um segundo livro, neste caso, para contar a sua experiência presidencial e o que se seguiu. Ele tinha 78 anos, feitos a 10 de Abril passado. TSF, 30 de Maio de 2009