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12 de janeiro de 2015

Moçambique: Paz é inseparável da independência - visão de Samora Machel

 
 
Paz é inseparável da independência - visão de Samora Machel que se estivesse vivo completaria hoje 75 anos de idade (2008)

A PAZ é inseparável da independência – visão de Samora Moisés Machel, primeiro Presidente de Moçambique, figura carismática que, se estivesse vivo, completaria hoje 75 anos de idade. Peça incontornável na história da luta armada de libertação nacional, Samora Machel mostrou esta sua visão à delegação colonial portuguesa, liderada pelo então Ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Soares,  quando em Lusaka foi proposto à Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) um cessar-fogo e consequente realização de referendo para decidir se os moçambicanos queriam ou não a independência. Samora recusou a proposta e expandiu as operações militares, facto muito propalado pela Imprensa,  levando Lisboa a mudar de atitude até assinar em 7 de Setembro de 1974 os Acordos de Lusaka.

6 de outubro de 2011

Samora Machel: estrondosa ovação ao vate!


Samora Machel: estrondosa ovação ao vate!

“O coração de Samora continua a bater ao ritmo do tambor africano”. - Samito Machel Júnior

Moçambique parou para prestar tributo ao filho de Chilembene e um dos mais nobres rebentos do nosso país e de África: Samora Machel. Foi uma homenagem prestada a um homem ímpar, que soube viver para além da situação imposta no seu tempo pelo sistema colonial implantado no país. Ela aconteceu justamente no dia em que completaria 78 anos de idade, 29 de Setembro, e também no ano a ele dedicado, pela passagem dos 25 anos depois do seu assassinato, pelo regime do Apartheid, nas colinas de Mbuzini, na África do Sul.

O percurso histórico de Samora Machel merece toda a pompa. Até porque, tal como fizeram questão de referir várias individualidades, nenhuma homenagem a Samora é suficiente se tivermos em linha de conta que dele foi a responsabilidade de edificar o Estado moçambicano. Contudo, é importante continuar a realizar acções de reconhecimento ao seu trabalho, à sua grandeza e a sua entrega pelas causas mais nobres da Nação moçambicana, sobretudo a luta por si abraçada pela Independência Nacional.

E a terra onde ele nasceu foi pisada por gente de todas as latitudes, não tendo passada despercebida a presença de figuras que com ele privaram, como é o caso do Presidente do Congo Brazaville, Denis Sassou-Nguesso, que para vincar a sua amizade com Samora trouxe e exibiu várias imagens fotográficas que juntos tiraram naquela época. Igualmente marcou presença no local o Chefe do Estado do Botwsana, Seretse Khama Ian Khama.

Um verdadeiro embondeiro da Nação Moçambicana, Samora Machel foi um exímio militar, estratega militar, político e diplomata, daí que se diga que homens da sua estatura nunca morrem, mas sim separam-se do mundo dos vivos, tal como referiu o secretário-geral da Associação dos Combatentes da Luta Armada de Libertação de Moçambique, para quem o saudoso estadista continua a inspirar gerações e gerações de jovens.

30 de setembro de 2011

Samora recusou ser presidente segundo Joaquim Chissano


Samora recusou ser presidente

Segundo Joaquim Chissano.

O antigo chefe do Estado moçambicano, Joaquim chissano, diz que Samora Machel recusou-se a ser presidente quando indicado para o cargo depois da assinatura dos acordos de Luzaka, que davam direito de Moçambique criar o seu próprio Governo pela conquista da independência.

Segundo Chissano, o primeiro presidente de Moçambique independente nunca pensou em ser presidente da República, depois da independência.

“Samora queria apenas continuar como homem de combate. Quando indicado a presidente, não aceitou”, revelou Chissano, que falava ontem numa palestra a propósito das comemorações do Ano Samora Machel, pela passagem dos 25 anos da morte deste líder. Contudo, o primeiro presidente de Moçambique independente foi convencido pelos “camaradas” a tomar o cargo, uma vez que só pensava em servir o povo.

O ex-presidente da República defendeu ainda que Samora era um homem que contagiava a todos pela rapidez do seu pensamento e de tomada de decisões.

“Ele pensava rápido em tudo o que fazia. Essa rapidez no pensamento, nos actos, foi transmitida a todos durante as conversas e em todos os momentos em que estivemos juntos”, disse.

André Manhice
SAPO MZ, 28 Setembro 2011

10 de junho de 2011

Moçambique: Ano Samora Machel


Moçambique: Ano Samora Machel

Samora Machel sempre foi amigo do povo

@Sérgio Costa/SAPO MZ

19 de outubro de 2009

Moçambique: Passam hoje 23 anos após a morte de Samora Machel

Passam hoje 23 anos após a morte de Samora Asinala-se hoje em todo o país a passagem do 23º ano da morte trágica do primeiro Presidente de Moçambique independente, Marechal Samora Moisés Machel. Samora Machel morreu nas colinas de Mbuzini, na África do Sul, quando regressava de Mbala, na Zâmbia, em mais uma missão de busca da paz para Moçambique e para a região, em particular, e para o continente e o mundo, em geral. Com ele pereceram várias outras personalidades governamentais e diplomatas estrangeiros que integravam a comitiva presidencial. As causas da tragédia de Mbuzini continuam ainda por esclarecer, havendo indicações da necessidade de se ter que dar prosseguimento às investigações. Líder carismático, Samora Machel dirigiu a revolução moçambicana após a morte do fundador da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), Eduardo Mondlane, em 1969, e proclamou a independência do país em 25 de Junho de 1975, no majestoso Estádio da Machava. A guerra de desestabilização contra Moçambique, levada a cabo pela Renamo, com o apoio dos regimes minoritários da então Rodésia (Zimbabwe) e do “apartheid”, na Africa do Sul, levaram Samora Machel a intensificar as acções diplomáticas de busca da paz para o país. A data assinala-se numa altura em que o país se encontra envolvido em campanha eleitoral com vista à realização das quartas eleições gerais multipartidárias e primeiras para as assembleias provinciais, o que inspira os moçambicanos a tudo fazerem para a consolidação da paz e da democracia duramente conquistadas. Maputo, Segunda-Feira, 19 de Outubro de 2009:: Notícias

1 de setembro de 2009

Moçambique: Ruptura no negócio entre BCP e Graça Machel em Moçambique



Millennium-bim mexe com nomenklatura Ruptura no negócio entre BCP e Graça Machel em Moçambique Maputo (Canalmoz) - A venda de 10% do BIM está à beira de falhar. Graça Machel quer ficar com as acções, mas quer, simultaneamente, afastar o Dr. Mário da Graça Machungo, que foi ministro do seu ex-marido, Samora Moisés Machel e o primeiro primeiro-ministro de Moçambique. A actual esposa do líder histórico do ANC sul-africano, Nelson Mandela, quer substituir o actual presidente do banco do BCP em Moçambique, Mário Machungo, pelo seu filho. A notícia foi avançada ontem pela jornalista Maria Teixeira Alves, no jornal português Diário Económico. O negócio de venda de 10% do BIM (banco maioritariamente detido pelo Millennium BCP) à sociedade Whatana, liderada por Graça Machel, está à beira da ruptura. A proposta de compra apresentada pela ex-primeira dama moçambicana, em Janeiro deste ano, tinha como data prevista para a concretização do negócio o mês de Junho. Falhado este prazo, as partes acordaram um novo adiamento, desta vez até Outubro. Mas entretanto em Moçambique têm saído notícias que não só dão por garantido que Graça Machel vai comprar 10% do BIM, como, após a venda, o actual presidente Mário Machungo seria substituído pelo filho de Graça Machel. Essas notícias não caíram bem dentro do BIM, e desagradaram à administração portuguesa do BCP, soube o Diário Económico, deixando as negociações, que até agora estavam num impasse, muito próximas da ruptura, escreve aquele diário português na sua edição de ontem. Contactada, a administração do BCP não quis fazer qualquer comentário, refere a autora da notícia. O BCP e a sociedade de Graça Machel já tinham mesmo chegado a um acordo quanto ao preço da venda, mas desde então, os moçambicanos não mais avançaram para um acordo. Mário da Graça Machungo foi primeiro-ministro do primeiro governo liderado por Joaquim Chissano. (Redacção) 2009-09-01

7 de dezembro de 2008

Elegia na morte de Samora Moisés Machel (Carlos Domingos)

ELEGIA NA MORTE DE SAMORA MOISÉS MACHEL (Poema inscrito no livro de condolências da Embaixada da República Popular de Moçambique) Não venho trazer-te flores, mas um grito. No teu sangue derramado lateja a minha dor e a minha raiva. Dentro de mim estremeceu o mundo e o mar ferveu, os sorrisos voaram em estilhaços e desmoronou-se a torre em construção. Agora estamos nus sob os escombros e a tua ausência é um vento frio soprando por dentro. Mas nada poderá deter-te, nem a morte! De súbito, surgiste ao nosso lado, sentimos a tua mão de confiança, continuas de pé, jovem, invencível, com a vitória a sorrir-te nos lábios. Nada poderá deter-nos, Samora Machel. As nossas mãos, a nossa voz, as nossas armas velarão a tua memória e arrancarão os frutos renitentes à terra ainda em flor. Carlos Domingos (22 de Outubro de 1986)

29 de setembro de 2008

Samora Moisés Machel se estivesse vivo completaria hoje 75 anos de idade

PAZ É INSEPARÁVEL DA INDEPENDÊNCIA SAMORA MACHEL SE ESTIVESSE VIVO COMPLETARIA HOJE 75 ANOS DE IDADE A PAZ é inseparável da independência – visão de Samora Moisés Machel, primeiro Presidente de Moçambique, figura carismática que, se estivesse vivo, completaria hoje 75 anos de idade. Peça incontornável na história da luta armada de libertação nacional, Samora Machel mostrou esta sua visão à delegação colonial portuguesa, liderada pelo então Ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Soares, quando em Lusaka foi proposto à Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) um cessar-fogo e consequente realização de referendo para decidir se os moçambicanos queriam ou não a independência. Samora recusou a proposta e expandiu as operações militares, facto muito propalado pela Imprensa, levando Lisboa a mudar de atitude até assinar em 7 de Setembro de 1974 os Acordos de Lusaka. Samora Moisés Machel conseguiu organizar a guerrilha de forma não só a neutralizar a ofensiva militar portuguesa, comandada pelo General Kaulza de Arriaga, a quem foi dado um enorme exército de 70 mil homens e mais de 15 mil toneladas de bombas, mas também organizar as zonas libertadas que abrangiam cerca de 30 por cento do território nacional. Além disso, Samora dirigiu uma ofensiva diplomática em que grangeou apoios, não só dos tradicionais aliados, mas inclusivamente do Papa que era um tradicional aliado de Portugal. Samora Moisés Machel nasceu na aldeia de Madragoa, hoje Chilembene, aos 29 de Setembro de 1933. Passam hoje 75 anos. Filho de um agricultor relativamente abastado, Samora entrou na escola primária com 9 anos, quando o Governo colonial português entregou a "educação indígena" à Igreja Católica. Quando terminou a escola primária, o jovem de cerca de 18 anos quis continuar a estudar, mas os padres só lhe permitiam estudar teologia. Samora decidiu tentar a vida em Lourenço Marques, hoje cidade de Maputo. Teve a sorte de se empregar trabalho no principal hospital da cidade e, em 1952, começou o curso de Enfermagem. Em 1956, foi colocado como enfermeiro na Ilha da Inhaca, na cidade de Maputo, onde casou com Sorita Tchaicomo, de quem teve quatro filhos, nomeadamente Joscelina, Edelson, Olívia e Ntewane. Samora Machel foi educado como nacionalista e, como estudante, foi sempre um "rebelde". Tomou conhecimento dos importantes acontecimentos que se davam no mundo: a formação da República Popular da China, com Mao Tsé-Tung, em 1949; a independência do Gana, com Kwame Nkrumah, em 1957, seguida por vários países africanos. Mas foi o seu encontro com Eduardo Mondlane de visita a Moçambique, em 1961, que nessa altura trabalhava no Departamento de Curadoria da ONU, como investigador dos acontecimentos que levavam à independência dos países africanos, que juntamente com a perseguição política de que estava a ser alvo, levou à decisão de Samora abandonar o país, em 1963 e juntar-se à FRELIMO, na Tanzania. Para lá chegar teve a sorte de, no Botswana, encontrar Joe Slovo com um grupo de membros do ANC que ofereceu boleia a Samora num avião que tinham fretado. Dado que nessa altura já a FRELIMO tinha chegado à conclusão do que não seria possível conseguir a independência de Moçambique sem uma guerra de libertação, o jovem enfermeiro Samora Machel foi integrado num grupo de recrutas e recebeu treino militar na Argélia. No seu regresso à Tanzania, ele tornou-se imediatamente comandante. Em Novembro de 1966, na sequência do assassinato do então Chefe do Departamento de Defesa e Segurança da Frelimo, Filipe Samuel Magaia, Samora foi nomeado chefe do novo Departamento de Defesa, com as mesmas funções do anterior, enquanto Joaquim Chissano foi nomeado chefe do Departamento de Segurança, tratando dos problemas de espionagem que estavam a minar o movimento de libertação. Em 1967, Samora Machel criou o Destacamento Feminino para envolver as mulheres moçambicanas na luta de libertação e, em 1969, casou-se oficialmente com Josina Muthemba, de quem teve um filho, Samora Machel Jr. Em 1968, foi reaberta a "Frente de Tete", que foi a forma de Samora responder a dissidências que se verificaram dentro do movimento, reforçando a moral dos guerrilheiros. Em 3 de Fevereiro de 1969, Eduardo Mondlane, então Presidente da FRELIMO, foi assassinado. Uria Simango, o Vice-Presidente, assumiu a presidência, mas o Comité Central, reunido em Abril, decidiu rodeá-lo de duas figuras – Samora Machel e Marcelino dos Santos, formando um triunvirato. Simango, em Novembro desse ano, publicou um documento dando apoio aos antigos dissidentes (que não tinham sido ainda afastados do movimento) e acusando Samora e vários outros dirigentes de conspirarem para o matar. Em Maio de 1970, noutra sessão do Comité Central, Simango foi expulso do movimento e Samora Machel foi eleito Presidente da FRELIMO, com Marcelino dos Santos como Vice-Presidente. Nos anos seguintes, até 1974, Samora conseguiu organizar a guerrilha de forma não só a neutralizar a ofensiva militar portuguesa, comandada pelo General Kaúlza de Arriaga, a quem foi dado um enorme exército de 70 000 homens e mais de 15 000 toneladas de bombas, mas também organizar as Zonas Libertadas, que abrangiam cerca de 30% do território. Para além disso, Samora dirigiu uma ofensiva diplomática, em que granjeou apoios, não só dos tradicionais aliados socialistas, mas inclusivamente do Papa, que era um tradicional aliado de Portugal. Em Julho, cercou um destacamento português que se rendeu; este facto, muito propagandeado pela imprensa, levou Lisboa a mudar de atitude e, em 7 de Setembro de 1974, foram assinados os Acordos de Lusaka entre o Governo português (cuja delegação era então dirigida por Melo Antunes, Ministro sem Pasta), em que se decidiu que no mesmo mês se formaria um Governo de Transição, integrando elementos nomeados por Portugal e pela FRELIMO, e que a independência teria lugar a 25 de Junho de 1975. A FRELIMO decidiu que o Primeiro-Ministro do Governo de Transição não devia ser Samora, mas Joaquim Chissano, ainda chefe do Departamento de Segurança. Entretanto, Samora fez várias viagens aos países socialistas e a países vizinhos de Moçambique, para agradecer o seu apoio durante a luta armada e solicitar apoio para a construção do Moçambique independente. Durante uma sessão do Comité Central, realizada na praia do Tofo (Inhambane) e dirigida por Samora, foi aprovada a Constituição da República Popular de Moçambique e decidido que Samora Machel seria o Presidente da República. No plano interno, Samora sempre assumiu uma política populista, tentando utilizar nos meios urbanos os métodos usados na guerrilha e angariar o apoio do povo para o desenvolvimento do país em bases socialistas. Menos de um mês depois da independência, Samora anunciou a nacionalização da saúde, educação e justiça; passado um ano, a nacionalização das casas de rendimento, criando a APIE (Administração do Parque Imobiliário do Estado), que arrendava as casas a valores monetários que tinham em conta de acordo com o rendimento do agregado familiar; lançou grandes programas de socialização do campo, com o apoio dos países socialistas, envolvendo-se pessoalmente numa campanha de colheita do arroz. Conseguiu ainda o apoio popular, principalmente dos jovens, para operações de grande vulto, tais como o recenseamento da população, em 1980, e a troca da moeda colonial pela nova moeda, o Metical, no mesmo ano. Outras políticas populares foram as “ofensivas” a favor do aumento da produtividade e contra a corrupção, geralmente anunciadas em grandes comícios, com grande participação da população. No entanto, poucas destas campanhas tiveram êxito e, em parte, levaram ao abandono do país de grande número de residentes de origem estrangeira, o que provocou a paralisação temporária de muitas empresas e, mais tarde, por falta de capacidade de gestão, ao colapso de muitos sectores, tais como a indústria têxtil, metalúrgica e química. Na frente externa, Samora sempre seguiu uma política de angariar amizades e apoio para Moçambique, não só entre os "amigos" tradicionais, e unindo os países vizinhos numa frente de integração regional, a SADCC, mas até entre os seus "inimigos", tendo sido inclusivamente recebido por Ronald Reagan e assinado um acordo de boa-vizinhança com Pieter Botha, o Presidente da África do Sul dos últimos anos do "apartheid" (o Acordo de Nkomati). Samora empenhou-se depois na guerra que, iniciada logo a seguir à independência pelos vizinhos regimes racistas (a África do Sul e a Rodésia de Ian Smith), provocou cerca de um milhão de mortos e cinco milhões de deslocados e destruiu grande parte das infra-estruturas do país. Não conseguiu, no entanto, ver realizados os seus propósitos, uma vez que, em 19 de Outubro de 1986, quando se encontrava de regresso duma reunião internacional em Lusaka, o Tupolev 134 em que seguia, com muitos dos seus colaboradores, despenhou em Mbuzini, em território sul-africano, mas perto da fronteira com Moçambique. Referência: Samora – Uma Biografia, de Iain Christie