Mostrar mensagens com a etiqueta Ricardo Rangel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ricardo Rangel. Mostrar todas as mensagens

22 de junho de 2009

Moçambique: Ricardo Rangel sepultado ao som de Charlie Parker

HOMENAGEM - 1924-2009: Ricardo Rangel sepultado ao som de Charlie Parker 15 de Junho, Salão Nobre do Conselho Municipal da Cidade de Maputo. “Now’s the time”, do fabuloso jazzman norte-americano Charlie Parker soa na sala vindo dos talentosos saxofonistas moçambicanos, Professor Orlando, Balói e do trompetista Guilherme, trio a que minutos depois se juntou o Moreira Chonguiça. Começava assim a despedida de Ricardo Rangel, “pai” e decano do fotojornalismo moçambicano. Assim começou porque não havia outra forma de procurar dizer adeus àquele corpo inerte à espera de ser levado à terra. Ricardo Rangel era um amante incondicional do jazz, sendo Charlie Parker o seu favorito. Tinha chegado a hora. Familiares, amigos, apreciadores da sua arte de fazer fotografia, representantes do Governo e de outros segmentos da sociedade iam chegando ao Paços do Município de Maputo. Primeiro no átrio onde havia sido colocados dois livros de condolências e depois no Salão Nobre, lugar onde com honras de Estado foi lhe rendido a devida homenagem. Todos curvaram-se perante o corpo inerte de Ricardo Rangel que, aos 85 anos, partiu silenciosamente sem que mesmo a dona Beatriz, sua inseparável esposa, desse conta. A morte por vezes tem disso, chega silenciosamente. Todos curvaram-se porque, tal como disse Eduardo Constantino, Secretário-geral do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), “na verdade, Ricardo Rangel não é mais um simples mortal que se foi. É, sim, um, único e inigualável homem de cultura, do inconformismo lúcido que marcou gerações e construiu um legado que se tornou património para todos os moçambicanos e para todo o mundo”. Amava o jazz um estilo de música estranho para muitos moçambicanos que lhe chegou pela via das emissões dos países aliados durante a II Guerra Mundial. Os primeiros discos são lhe oferecidos por marinheiros que escalavam o Porto de Lourenço Marques, actual Porto do Maputo. Tornou-se especialista. Diz-se que possui a maior discoteca de jazz, cheia de raridades. Lamentavelmente, como um dia escreveu o seu amigo Luís Bernardo Honwana, não tocava nenhum instrumento e por isso não participava como músico nas dezenas de jam-sessions que organizou. “Mas há um aspecto da cultura jazzistica que confessadamente incorporou na sua actividade profissional. O dramatismo do contraste extremo, o uso do plano aproximado e o grão propositadamente excessivo de alguns dos seus trabalhos fotográficos – são lições da chamada fotografia de jazz de que se diz praticante”, escreveu Luís Bernardo Honwana. Amava Charlie Parker, Thelonios Monk, Duke Ellington, Davis e outras figuras lendárias como Count Basie, Benny Goodman, entre outros. Desse amor fundou uma das maiores bandas de jazz do país, o “Grupo Internacional de Jazz de Maputo” no qual militavam praticantes de várias nacionalidades. O pianista era suíço, o saxofone-tenor era holandês, o sax-alto era dinamarquês, o sa-baritono era inglês, o guitarrista era canadiano e o trombone estava a cargo de um sueco. Internamente foram recrutados o contrabaixo Messias, Guilherme no trompete, Baloi no soprano, Mundinho no piano, Jacob e Paco na bateria, Filipe Tembe e Rachid no tenor. Mas antes deste agrupamento, Ricardo Rangel realizou vários concertos e jam-sessions na cidade da Beira e Maputo, influenciando várias pessoas para o gosto do jazz. Não foi por acaso que o seu velório e sepultura foram ao som de jazz. Tinha que ser assim para fazer jus à sua pessoa. Depois de “Now’s the time” os metais dos nossos talentosos músicos Orlando, Balói, Guilherme e Chonguiça, soltaram “Blue Monk”, tema de Thelonios Monk e de seguida “My one and only love”. Quando eram 13 horas e 20 minutos, o mestre de cerimonio anunciou o início de velório e Charlie Parker volta para o Salão Nobre, desta ao som audio. “A Night in Tunísia” era o tema que cruzava o espaço, depois foi “Dizzy Atmosphere”. Foi um momento solene, sobretudo impar que comoveu a todos, em particular àqueles que tinham pouca informação sobre a ligação que o finado tinha com o jazz. Chegou a Primeira-Ministra Luísa Diogo, eram 13.52 horas. Mais uma vez o mestre-de-cerimónias usa da palavra anunciando o início do acto de apresentação das mensagens oficiais de condolências, intercaladas com cânticos do Grupo Coral da Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Aqui falou-se do fotojornalista que nos anos 60 denunciou com os seus “cliques” as humilhações e injustiças sociais perpetradas pelo regime colonial. Ricardo Rangel foi merecidamente reconhecido pela sua acção na luta contra a dominação estrangeira e contra a agressão, pelo esforço que empreendeu na luta contra a pobreza e no reforço da auto-estima dos moçambicanos. O contributo humano e profissional de Ricardo Rangel foi enaltecido nas mensagens de condolências da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Associação Moçambicana de Fotografia (AMF), dos autarcas de Maputo, do Partido Frelimo e do Governo Central, representado na ocasião pela Primeira-Ministra Luísa Diogo. O FOTOJORNALISTA RICARDO RANGEL Nasceu na então cidade de Lourenço Marques em 1924. Em 1941, entrou como aprendiz para o laboratório de fotografia do caçador de elefantes e fotógrafo profissional, Otílio Vasconcelos. Em meados dos anos 40 mudou-se para o laboratório do estúdio fotográfico " Focus ", onde começou a ganhar fama como impressor a preto e branco. Trabalhou para o diário bilingue " Lourenço Marques Guardian " e posteriormente para o jornal "Notícias". Em 1952 integrou a equipa do jornal " Notícias da Tarde ". De 1960 a 1964, foi fotógrafo chefe do recém fundado " A Tribuna ", e em meados dos anos 60 trabalhou como fotógrafo na Beira para os jornais " Diário de Moçambique" e "Voz Africana", e posteriormente para o " Notícias da Beira ". Muitas das suas fotografias da época foram banidas ou destruídas pela censura colonial e muitas perderam-se. Em 1970 e juntamente com um grupo de jornalistas fundaram a revista "Tempo", a primeira revista a cores do país. Em 1977, após o êxodo da maioria dos fotógrafos da imprensa nacional, Ricardo Rangel foi nomeado fotógrafo chefe do jornal "Notícias" e foi-lhe confiada a direcção e formação de uma nova geração de fotojornalistas. Em 1978, foi um dos fundadores do Sindicato Nacional dos Jornalistas - SNJ e em 1981 foi nomeado director do semanário "Domingo". Também em 1981 foi um dos fundadores da Associação Moçambicana de Fotografia - AMF. Em 1983, foi nomeado para fundar e dirigir o Centro de Formação Fotográfica - CFF, onde trabalhou como director até a data da sua morte. João Fumo Maputo, Quarta-Feira, 17 de Junho de 2009:: Notícias

13 de junho de 2009

Moçambique: Restos mortais de Ricardo Rangel vão a enterrar segunda-feira

Restos mortais de Rangel vão a enterrar segunda-feira Os restos mortais do foto-jornalista moçambicano Ricardo Rangel, falecido na noite da última quinta-feira na sua residência, em Maputo, vão a enterrar segunda-feira, pelas 15 horas no Cemitério de Lhanguene, num acto antecedido de velório às 13 horas nos Paços do Município de Maputo. As exéquias estão a cargo do Estado moçambicano, através do Ministério da Educação e Cultura (MEC) e do Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM). O decano do foto-jornalismo moçambicano perdeu a vida de forma súbita, no intervalo entre as 19.40 e 19.55 horas, enquanto aguardava pelo início do serviço noticioso das cadeias televisivas nacionais. Beatriz Kiener, viúva de Ricardo Rangel, contou que se apercebeu do funesto acontecimento por volta das 19.55 horas, quando chamou pelo esposo para lhe dar conta do início dos noticiários da televisão. Disse que momentos antes estiveram a conversar sobre a milionária transferência do futebolista português Cristiano Ronaldo, do Manchester United para Real Madrid. Entretanto, desde Setembro de 2006 Ricardo Rangel padecia de problemas cardiovasculares, tendo ficado hospitalizado durante perto de um ano. Por causa deste problema foi-lhe amputada uma das pernas em 2007. Vinha recuperando, apesar de algumas recaídas de quando em vez. Ricardo Achiles Rangel foi um dos primeiros jornalistas de imagem, cuja carreira iniciou no tempo colonial. Ao longo do regime colonial português, diversas fotografias de Ricardo Rangel foram banidas devido ao seu carácter crítico. Aliás, em entrevista à BBC em Junho de 2005, Ricardo Rangel chegou a dizer que os “censores” da era colonial não eram muito inteligentes. “Muitas vezes eles não se apercebiam da mensagem que transmitia certo texto ou determinada fotografia: não sabiam ler as fotografias. Passaram algumas que eram declaradamente contra o regime, mas a maioria só foi publicada depois da independência”, disse na altura. Ao longo da sua carreira, Ricardo Rangel fotografou diversos acontecimentos que documentam diversos factos de carácter socio-económico e cultural do país. O trabalho de Ricardo Rangel foi reconhecido internacionalmente, sendo que parte do seu espólio foi publicado em livros. Considerado “pai” do foto-jornalismo moçambicano, Ricardo Rangel foi responsável pela formação uma nova geração de fotógrafos, tendo fundado o Centro de Formação Fotográfica (CFF), de que era director desde 1983. Fez parte do grupo de jornalistas da revista “Tempo”, a primeira publicação a cores do país, bem como trabalhou para os jornais Notícias da Tarde”, ”Notícias”, “A Tribuna”“ e “Domingo”, onde foi director entre 1982 e 1983. Ano passado, a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a maior e mais antiga instituição do Ensino Superior do país, distinguiu Ricardo Rangel com o título de Doutor Honoris Causa em História Visual, em reconhecimento da sua contribuição para o país ao longo do seu percurso humano e profissional. Maputo, Sábado, 13 de Junho de 2009:: Notícias

Moçambique: Morreu Ricardo Rangel (1924–2009)

Fotografia, Jornalismo e Jazz, de luto Morreu Ricardo Rangel (1924–2009) Maputo (Canal de Moçambique) – O foto-jornalista Ricardo Rangel morreu ontem, 11 de Junho de 2009, cerca das 20 horas, na sua residência na Av. Julius Nyerere, em Maputo. Morreu tranquilamente. Estava a repousar. Ricardo Rangel nasceu em 1924, em Lourenço Marques, cidade que a partir de 1976 passou a designar-se por Maputo. Ficará para a história como o primeiro jornalista não branco a entrar (1952) para uma equipa de um jornal em Moçambique, como repórter fotográfico do “Notícias da Tarde”. Fez da fotografia a sua arma de luta contra o colonialismo e, depois da independência nacional, de denúncia de abusos e arbitrariedades das autoridades. Era filho de um homem de negócios grego, com uma ascendência de uma mistura étnica rica, com origens na Europa, África e China. Cresceu em casa da sua avó nos arredores da cidade de Lourenço Marques e viveu em várias cidades de Moçambique, onde sobressaiu a sua passagem pelo Diário de Moçambique criado na Beira pelo bispo católico que se notabilizou a denunciar as arbitrariedades e a discriminação racial e social, opondo-se ao regime colonial. Trabalhou no Notícias da Beira em meados dos anos 60, como repórter-fotográfico, altura em que se notabilizou por ter sido quem registou as imagens do incêndio de gás do Pande. Na Beira trabalhou ainda para a Voz Africana, um jornal editado pelo Centro Africano. Iniciou a sua notável carreira como fotógrafo profissional, em 1941, como aprendiz de laboratório de fotografia do caçador de elefantes que se tornou fotógrafo profissional, Otílio Vasconcelos. A sua bibliografia publicada por Christoph Merien Veriag, em “Iluminando Vidas”, diz ainda que em 1940 Ricardo Rangel foi trabalhar para o laboratório do estúdio fotográfico “Focus” onde começou a ganhar fama como impressor a preto e branco. Depois passou a fazer revelações fotográficas na câmara-escura no jornal bilingue “Lourenço Marques Guardian”.
Em 1970 tornou-se co-fundador da revista «Tempo» e seu editor fotográfico. Fundou o Centro de Formação Fotográfica de Maputo onde está hoje preservada uma colecção de alto nível de imagens do País. Foi também fundador do «Domingo» semanário de que se tornou o primeiro director, sendo assim a primeira vez que no País um foto-repórter ascendia a tal cargo. Era casado com a cidadã Suiça, Biatrice. Foi recentemente elevado à categoria de Doutor em História da Fotografia pela Universidade Eduardo Mondlane. Tem as suas obras permanentemente expostas em algumas das mais conceituadas galerias do Mundo. Era o decano dos fotógrafos e jornalistas moçambicanos e um aficionado e activista do Jazz que percorreu mundo impulsionando o gosto por esta forma musical e de arte de que era possuidor de uma vasta e rica discoteca.
Foi fundador da Associação Moçambicana de Fotografia (AMF) e seu primeiro presidente. Era seu presidente Honorário Vitalício. Os jornalistas do «Canal de Moçambique» rendem aqui a Ricardo Rangel a sua última homenagem e endereçam à família enlutada as mais sentidas condolências. (Redacção)
12 de Junho de 2009

28 de outubro de 2008

Fany Mpfumo e Ricardo Rangel graduados "Honoris Causa" pela Universidade Eduardo Mondlane

FANY MPFUMO E RICARDO RANGEL GRADUADOS DOUTORES "HONORIS CAUSA" PELA UNIVERSIDADE EDUARDO MONDLANE Duas das mais destacadas figuras do panorama artístico e cultural moçambicano, o compositor e intérprete musical Fany Mpfumo e o fotojornalista Ricardo Rangel, foram ontem graduados como doutores "Honoris Causa" pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM), que vê neles personalidades que, em vários sentidos, contribuíram para a construção de Moçambique. A decisão do maior estabelecimento de Ensino Superior do país de atribuir este grau honorífico àqueles proeminentes artistas consubstancia-se num amplo plano do Governo e de várias instituições nacionais para reconhecer e exaltar a vida e obra dos moçambicanos em várias vertentes da sua vida política, económica, social e cultural, segundo destacaram nas suas intervenções o Ministro da Educação e Cultura, Aires Ali, e o Reitor da UEM, Filipe Couto. Intervindo na cerimónia de graduação de António Mariva, nome de registo de Fany Mpfumo, representado pela filha, Ilda Mpfumo, também cantora, e Ricardo Rangel, o ministro elogiou as duas figuras por inspirarem a moçambicanidade. Reafirmou o cometimento do Governo na promoção e divulgação do trabalho de cidadãos que, com a sua capacidade intelectual e com conhecimentos técnico-científicos desenvolvem acções relevantes que contribuam para o desenvolvimento do país. "Esse desafio compromete-nos a levarmos a cabo acções de reconhecimento, como distinções, premiações ou outras formas de homenagem àqueles que, quer no passado, quer no presente, trabalharam ou trabalham de forma abnegada na preservação, valorização e divulgação do património cultural nacional", apontou o governante. Tanto Fany Mpfumo como Ricardo Rangel podem ser considerados, para além de exímios artistas, cada um na sua área, grandes nacionalistas. O músico é um dos percursores da marrabenta. Neste estilo, compôs inúmeras canções, através das quais interpretava, quando fosse necessário de forma crítica, o quotidiano de Moçambique. No período colonial, por exemplo, chegou a ser, devido ao conteúdo de alguns dos seus temas, procurado pela PIDE, a polícia política portuguesa. Só não foi detido porque, apercebendo-se do facto, conseguiu emigrar para a África do Sul. Depois da independência continuou a cantar Moçambique, inspirando outros artistas, alguns deles interpretando suas canções. Faleceu aos 57 anos de idade, em Novembro de 1987. Ricardo Rangel é tido como um dos percursores do fotojornalismo moçambicano. Ingressou no "Notícias da Tarde" em 1952 e começou daí a testemunhar, por via da sua objectiva, a História do nosso país. Denunciou as atrocidades do colonialismo português em Moçambique, o que lhe valeu pelo menos uma vez a detenção pela PIDE. Com o advento da independência, para além de fotografar para si e para os diversos órgãos de informação para que trabalhou, contribuiu para a formação de outros profissionais, sobretudo no Centro de Formação Fotográfica, de que foi co-fundandor. O reitor Filipe Couto apontou que a UEM continuará a trabalhar na identificação e reconhecimento público de personalidades moçambicanas e estrangeiras que tenham contribuído para o engrandecimento do nosso país. Neste sentido, proximamente receberão o "Honoris Causa" um veterinário português e uma cidadã sueca que contribuiu para o desenvolvimento do Ensino Superior em Moçambique.