30 de setembro de 2008
Malangatana Valente Ngwenya (Biografia)
Publicada por
MOZ
Etiquetas:
Moçambique
29 de setembro de 2008
Samora Moisés Machel se estivesse vivo completaria hoje 75 anos de idade
Publicada por
MOZ
28 de setembro de 2008
Aiué (Cochat Osório)
AIUÉ Dominga num qué chorár. Os minino já tá no vapor. E bana co mão e bana co lenço: mmammann, mmamman, mmamman... Dominga num qué chorár. E si vai chorár num vai ver mais esse vapor, nim os minino que tá nesse vapor, nim... Num pode, não; Dominga num pode. Dominga num qué chorár. Sô Gome tá inda na escada. E conta as imbamba. E ráia neses negro que tá a le estragar a maios mior, esse mala que Dominga rumou cos coisa desses minino. Mas os minino já tá memo no vapor. Dominga tá ver eles. E bana co mão e bana co lenço. E Dominga les ouve qui fara: mmamman, mmamman, mmamman. Dominga les ouve nesses confusão toda. Cos home que tá raiá nesses negro que ruma os saco. E esse máquina que tá sempre a pitár. Esse branco que manda-le sair todo o tempo e passa co máquina grande e despois já num vai, só quer é vortár. Dominga les ouve no coração: mmamman, mmamman, mmamman... Ma Dominga tem o coração pêsado no disgosto. E os óio tá co a vontade, ma Dominga num deixa-les chorár. E se Dominga les deixa, atão já sabe cos óio num vê mais esse vapor. E Dominga num qué, Dominga num qué chorár. Dominga percebeu. Nesse dia qui sô Gome vendeu o roça. Num farou nada. Despois, sô Gome qui diz: - Dominga, me deixa levá os minino no Puto. Qui, vai dar é mulato safado nesses muceque. Eu põe no colégio dos branco. Vai ter educação... Dominga num qué: é os minino dera, os minino que mamou nesses peito. Dominga num qué. Num pode. Num qué le deixár! - Atão?!... Dominha num qué chorár. E os minino já tá no vapor: mmamman, mmamman, mmamman... E bana co mão e bana co lenço. E Dominga num tá querêr. E despois num percebe. E esse branco le grita e fasta-le do máquina. E esse máquina vai; e despois já num qué só qué é vortar, caté parece ´s os óio de Dominga que tá só co vontade ma num pode mais chorár. E Dominga num tá repará nesses confusão todo. Sabe só que sô Gome tá a les pagar nesses negro o siriviço. E cos minino já tá no vapor e... Dominga num qué chorár. Esses minino é os minino dera, mamou nesses peito. Atão?! E despois... Quando Gome le disse, Dominga num qué deixár. Dominga... Como é?... Atão vucê num viste qui num pode?! Rispondeu-le nessa hora: - Zeca, diga nesses minino que fara no sua mamã, que escreva no sua mamã, que... Os minino num vais vortár. Dominga é que sabe. Os minino num vais votrár. Já tá é nesse vapor. E bana co mão e bana co lenço. E Dominga les ouve que fara no sua mamã. Mas é só Dominga que les percebe e panha esses voz nos confusão. E Dominga é que sabe no coração qué o voz dos minino dera. Le chamou de Zeca treis veiz. Primeiro, inda é minima. Foi no loja. Sô Gome trabaia no loja. E Dominga le diz: «me dá o fuba, ân, e o azeite de palma, ân e...» Sô Gome tá só é a le ver. «Atão?!, me despacha! Sô Gome... ná... Sô Gome le põe as mão nesses peito. Dominga le diz: Sô Gome!..., num mexe!; que vucê tá fazer?, ân? Juízo! Vucê qué me desgraçár?» Despois... eh!... Despois os coisa aconteceu. Atão... Que tem? Atão Dominga le diz: - Zeca, vucê me desgraçou! Ma Gome le queria nessa negra Dominga. E deu-lhe os pano. E os cordão de missanga. E risorveu esses coisa cos famíria, caté pagou alembamento. Dominga migou co branco. E foi no casa do branco. Dominga num é mais negra de sanzala. Num é já como esses negro servage, esses negro de sanzala: migou co branco. E os negro, nessa hora, já tá a le chingár. Caté le chama de desgraçada. Bandonou o sua raça. O Deus vai le castigár. - Atão?!... - Mêmo. E nessa hora eles percebe ou num percebe, tá ver, e diz que Deus é branco. - Atão, si Deus é branco... os negros num é fio de Deus?! Atão?!... E vucê tá a me ráiár porque eu faz os meus fios... fio de Deus?! - Tu vai fazer é mulato. - Mulato?! - E tu num sabe que mulato num tem sangue? Porque tu num diz no sô Gome que vê nos livro? Tá lá. Mulato num tem sangue. Num tá. Dominga sabe. Aqueres minino tem sangue. É os minino dera. E tá no vapor. E vai no Puto. E num vai vortár. Dominga se lembra. Les disse nos véio: «desgraçado é vucês, ân, vucês é qué desgraçado». Ma Dominga tá ficar co medo. É medo dos feitiço. E vai no quimbanda. Dominga migou co branco. Tá na casa do sô Gome. E Dominga toma conta. E já vai ter os minino. E despois vai ficar véia. E fica véia, fica... Já tá mêmo véia. Sô Gome le manda dormir no esteira. E sô Gome, tá ver, ele faz o que quére. Dominga percebe. Ma Dominga tem esses minino qué os minino dera. Dominga migou co branco. Num é mais negra de sanzala, não. Ela sabe co sô Gome... Que tem?!... Tem muito, eh! Ma Dominga é que tá no casa e toma conta e tem os minino pa le dar fericidade. Os outros negro vem só quando... quando cabou o fuba, quando qué le pedir o... o... coisa, quando qué le vender o ovo... Dominga percebe... Mas ela tem os minino, esses minino bom qué os minino dera. E Dominga les juda. E num zanga. Assim é que é. Atão sô Gome deixou o loja. Faz o roça nesses lavra qué dos famíria dera. E les diz que... bem! Que tá tudo bandonado. E co café é o café do passarinho. E aqueles já tá é perder os direito. Atão, sô Gome disinvorveu. E... eh!... E o roça já tá é mais grande. E sô Gome já tá o home co dinheiro. E quére os lavra dos outros. E les compra. E só mêmo esses véio é que bana co cabeça e fara que... bem! Que num tá certo! E fara co Gananzambi vai le castigár. Ma Gome num le importa. E Dominga tem é os pano bonito, os panos mais mior. E os purseira. E o cordão. Chamou-le Zeca outra veiz, quando minino morreu. Sô Gome bateu! - Negra safada! Atão vucê leva o minino no quimbanda e eu mando no dòtor? Dominga num percebe. Dominga num pode. E tá chorá mêmo: - Zeca, os minino morreu! Sô Gome também tá chorár. E num le bate mais na mamã dos minino. Os minino morreu! Despois le chamou Zeca essa veiz. E le diz: - Zeca, diga nos minino que escreva na sua mamã... E os minino vai'mbora. Sô Gome é bom. Mêmo bom. E queria le dar esse casa no cidade, esse casa nova. E pôr os dinheiro no Banco e... Dominga num ceita: Dominga é negra, ela sabe, negra de pano. E Dominga... Dominga le diz: - Me dê o casa de pau a pique no Bairrà Pêrário. E co quitanda, ân?! E ranja o licença, ân?! E... Me deixe!... Eu vive nesse negócio. Não pricida os dinheiro, não precisa os casa no cidade. Eu é negra, ân?!, tu sabe. Ma diz nesses minino que escreve no sua mamã, que fara no sua mamã. Ouviu? Dominga, ela sabe, minino num vai vortár. Num vai mêmo. Nim escreve no sua mamã. Os minino... Tá ver, esses minino já tá no vapor. E bana co mão e bana co lenço. E... mmamman, mmamman, mmamman... Dominga num qué chorár. E se vai chorá, num vair ver mais esse vapor. E Dominga qué ver esse vapor. Num pode, ela sabe, esses minino num vai vortár. Dominga... Os minino vai ficar nesses corégio dos minino branco. Num vai dar mulato safado nesses muceque. E despois os outros minino vai le perguntár: - Quem é o sua mamã? - Mia mamã?, - minino tem cabelo de carapinha - Mia mamã? É fia do soba lá na mia terra. Vucê leu no história aquela rainha que sentou no escrava e despois que diz: num levo cadera? É mia avó. Minino pricisa ter mãe portante; minino pricisa é ter orgúio, ân?! E Dominga, ela sabe... Dominga... Esses minino num vais vortár. E si vais vortár, é iguar. Já vem é home co dinheiro. Sô Gome les dá esse quitári do roça e fica portante. E Dominga sabe: esses minino num vai querer bem nessa mamã que é negra de pano e tem o quitanda no Bairrò Pêrário. Os minino num vai vortár na sua mamã. Num vai vir mêmo. Num vai escrever mais. Primeiro manda retrato. E manda mucanda. E despois, nem nada. Dominga sabe: os minino num vair vortár. Ma Dominga deixa-les ir. Os óio é que tá querê chorár, ma Dominga num quére. Os minino tá no vapor. E si Dominga vai chorár os óio num vê mais esse vapor. E Dominga les vê, caté les ouve e panha esse voz dos fio dera nos confusão desses home que traz os saco e traz os imbamba e desse branco desgraçado que tá sempre a le fastar e passa co máquina e vorta co máquina... Caté quando esse desgraçado pára esse máquina e tapa-le os minino. Dominga tá ver... Antonica... Tão bonia!... Tonica que tá tão bonita com esses lacinho vermeio nos cabelo... E... E Bastião que vai é mijar esses carça qué de fazenda... Num tem a sua mamã pa le tomar conta... E Zèquita... Tão grande!... Botoou os botão todo do casaco caté em cima... Zèquita também... E Tonica que canta tão... Canta mêmo!... E Dominga tá pensá que Tonica vai cantár é nos rádio. E quando esses povo tá ouvir esses música que mexe co gente, esses cantiga qué bom pa dançár, esses... ân?!... Tonica é que tá cantár, Tonica, a fia da Dominga, desse corpo, e... Dominga num qué chorár, num pode mais chorár e si vai chorár, Dominga, ela sabe... Não, num pode chorár, quesse branco já fastou-le outra veiz e Dominga qué ver é esses vapor e... Bastião, tão lindo! Tem tanto esperto nos cabeça, o Bastião!... E si Bastião vai estudar muito? E si vai ser é dótor? E esses povo vai le chamar dótor Bastião... Dótor Bastião, qué fio dessa negra Dominga... Tu sabe, aquera que tem o quitanda li no... Dótor Bastião... Dótor... E Zeca!... Tem tanto jeito na bola o Zeca! Coitado do zeca... Tá ver quando ele tá no muceque. Tá ver ele a correr no trás desse bola. E si Zeca tem tanto jeito na bola? E si Zeca vai jogár bola? E quando esses home tá no pé dos terefonia, nos rádio, e tá mêmo a ouvir... e começa vançar... E fará mais depressa caté... E já tá gritár: Ze-ca!, Ze-ca!, ZE-CA! GOOOLOO!!! É Zeca! Mêmo o Zeca! Esse Zeca que saiu desse corpo! Dessa negra que taí nesses confusão do porto! Dessa Dominga que tem... Tu lembra essa negra véia co quitanda, ân?!... Dessa mamã que tá mêmo... Não, num tá. Num pode. Num qué Chorár. Qué ver é o vapor. E os minino E si vais chorár esses óio num pode mais les ver. Atão Dominga fica a les óiar. E o vapor pitou. E tá mexer. E fastou. E Dominga num tá ouvir os minino que diz mmamman, mmamman, mmamman. Vê só é esses minino que bana co mão, que bana co lenço. E Dominga atão num pode mais sigurár esses óio. E se senta. E joéia. E garra os cabeça de carapinha com esses mão que num tem mais os minino pa fazer os festa. E chora. Chora. E fara co disgosto: aiué!... aiué!... aiue!... E esses branco que tá passár num le percebe: - Essa negra tá piruca! Num tá piruca, não! Dominga num bebeu. Dominga sabe só que num vair ver mais os minino. E quesses minino num vais vortár. E si vais vortár num vai mais si lembrá desses mamã negra de pano. E vê nesses óio, que já tá todo a chorár, vê só os minino que bana co mão e bana co lenço e..., mmamman, mmamman, mmamman, mmamman, mma... Cochat Osório
Publicada por
MOZ
Etiquetas:
Contos Angolanos,
Cultura
27 de setembro de 2008
Um homem nunca chora (José Craveirinha)
UM HOMEM NUNCA CHORA
Acreditava naquela história
do homem que nunca chora.
Eu julgava-me um homem.
Na adolescência
meus filmes de aventuras
punham-me muito longe de ser cobarde
na arrogante criancice do herói de ferro.
E agora tremo.
E agora choro.
Como um homem treme.
Como chora um homem!
José Craveirinha
Publicada por
MOZ
Etiquetas:
Autor,
José Craveirinha,
Moçambique,
Poesia
Ao meu belo pai ex-emigrante (José Craveirinha)
AO MEU BELO PAI EX-EMIGRANTE
Pai:
As maternas palavras de signos
vivem e revivem no meu sangue
e pacientes esperam ainda a época de colheita
enquanto soltas já são as tuas sentimentais
sementes de emigrante português
espezinhadas no passo de marcha
das patrulhas de sovacos suando
as coronhas de pesadelo.
E na minha rude e grata
sinceridade não esqueço
meu antigo português puro
que me geraste no ventre de uma tombasana
eu mais um novo moçambicano
semiclaro para não ser igual a um branco qualquer
e seminegro para jamais renegar
um glóbulo que seja dos Zambezes do meu sangue.
E agora
para além do antigo amigo Jimmy Durante a cantar
e a rir-se sem nenhuma alegria na voz roufenha
subconsciência dos porquês de Buster keaton sorumbático
achando que não valia a pena fazer cara alegre
e um Algarve de amendoeiras florindo na outra costa
Ante os meus sócios Bucha e Estica no "écran" todo branco
e para sempre um zinco tap-tap de cacimba no chão
e minha Mãe agonizando na esteira em Michafutene
enquanto tua voz serena profecia paternal: - "Zé:
quando eu fechar os olhos não terás mais ninguém."
Oh, Pai:
Juro que em mim ficaram laivos
do luso-arábico Algezur da tua infância
mas amar por amor só amo
e somente posso e devo amar
esta minha bela e única nação do Mundo
onde minha mãe nasceu e me gerou
e contigo comungou a terra, meu Pai.
E onde ibéricas heranças de fados e broas
se africanizaram para a eternidade nas minhas veias
e teu sangue se moçambicanizou nos torrões
da sepultura de velho emigrante numa cama de hospital
colono tão pobre como desembarcaste em África
meu belo Pai ex-português.
Pai:
O Zé de cabelos crespos e aloirados
não sei como ou antes por tua culpa
o "Trinta-Diabos" de joelhos esfolados nos mergulhos
à Zamora nas balizas dos estádios descampados
avançado-centro de "bicicleta" à Leónidas no capim
mortífera pontaria de fisga na guerra aos gala-galas
embasbacado com as proezas do Circo Pagel
nódoas de cajú na camisa e nos calções de caqui
campeão de corridas no "xituto" Harley-Davidson
os fundilhos dos calções avermelhados nos montes
do Desportivo nas gazetas à doca dos pescadores
para salvar a rapariga Maureen OSullivan das mandíbulas
afiadas dos jacarés do filme de Trazan Weissmuller
os bolsos cheios de tingolé da praia
as viagens clandestinas nas traseiras gã-galhã-galhã
do carro eléctrico e as mangas verdes com sal
sou eu, Pai, o "Cascabulho" para ti
e Sontinho para minha Mãe
todo maluco de medo das visões alucinantes
de Lon Chaney com muitas caras.
Pai:
Ainda me lembro bem do teu olhar
e mais humano o tenho agora na lucidez da saudade
ou teus versos de improviso em loas à vida escuto
e também lágrimas na demência dos silêncios
em tuas pálpebras revejo nitidamente
eu Buck Jones no vaivém dos teus joelhos
dez anos de alma nos olhos cheios da tua figura
na dimensão desmedida do meu amor por ti
meu belo algarvio bem moçambicano!
E choro-te
chorando-me mais agora que te conheço
a ti, meu pai vinte e sete anos e três meses depois
dos carros na lenta procissão do nosso funeral
mas só Tu no caixão de funcionário aposentado
nos limites da vida
e na íris do meu olhar o teu lívido rosto
ah, e nas tuas olheiras o halo cinzento do Adeus
e na minha cabeça de mulatinho os últimos
afagos da tua mão trémula mas decidida sinto
naquele dia de visitas na enfermaria do hospital central.
E revejo os teus longos dedos no dirlim-dirlim da guitarra
ou o arco da bondade deslizando no violino da tua aguda tristeza
e nas abafadas noites dos nossos índicos verões
tua voz grave recitando Guerra Junqueiro ou Antero
e eu ainda Ricardino, Douglas Fairbanks e Tom Mix
todos cavalgando e aos tiros menos Tarzan analfabeto
e de tanga na casa de madeira e zinco
da estrada do Zichacha onde eu nasci.
Pai:
Afinal tu e minha mãe não morreram ainda bem
mas sim os símbolos Texas Jack vencedor dos índios
e Tarzan agente disfarçado em África
e a Shirley Temple de sofisma nas covinhas da face
e eu também Ee que musámos.
E alinhavadas palavras como se fossem versos
bandos de se´´cuas ávidos sangrando grãos de sol
no tropical silo de raivas eu deixo nesta canção
para ti, meu Pai, minha homenagem de caniços
agitados nas manhãs de bronzes
chorando gotas de uma cacimba de solidão nas próprias
almas esguias hastes espetadas nas margens das úmidas
ancas sinuosas dos rios.
E nestes versos te escrevo, meu Pai
por enquanto escondidos teus póstumos projectos
mais belos no silêncio e mais fortes na espera
porque nascem e renascem no meu não cicatrizado
ronga-ib´´rico mas afro-puro coração.
E fica a tua prematura beleza realgarvia
quase revelada nesta carta elegia para ti
meu resgatado primeiro ex-português
número UM Craveirinha moçambicano!
José Craveirinha
Publicada por
MOZ
Etiquetas:
Autor,
José Craveirinha,
Moçambique,
Poesia
Mc Roger - Dança marrabenta
Publicada por
MOZ
Etiquetas:
Dança,
Marrabenta,
Moçambique,
Música,
Videoclip
25 de setembro de 2008
Marrabenta! - Cinema Manuel Rodrigues, L. Marques, 1970
Publicada por
MOZ
Etiquetas:
Dança,
Marrabenta,
Moçambique,
Música,
Videoclip
24 de setembro de 2008
Sementeira (José Craveirinha)
SEMENTEIRA
Cresce a semente
lentamente
debaixo da terra escura.
Cresce a semente
enquanto a vida se curva no chicomo
e o grande sol de África
vem amadurecer tudo
com o seu calor enorme de revelação.
Cresce a semente
que a povoação plantou curvada
e a estrada passa ao lado
macadamizada quente e comprida
e a semente germina
lentamente no matope
imperceptível
como um caju em maturação.
E a vida curva as suas milhentas mãos
geme e chora na sina
de plantar nosso suor branco
enquanto a estrada passa ao lado
aberta e poeirenta até Gaza e mais além
camionizada e comprida.
Depois
de tanga e capulana a vida espera
espiando no céu os agoiros que vão
rebentar sobre as campinas de África
a povoação toda junta no eucalipto grande
nos corações a mamba da ansiedade.
Oh! Dia de colheita vai começar
na terra ardente do algodão!
José Craveirinha (1955)
Publicada por
MOZ
Etiquetas:
Autor,
José Craveirinha,
Moçambique,
Poesia
Depoimento autobiográfico (José Craveirinha)
DEPOIMENTO AUTOBIOGRÁFICO, JANEIRO DE 1977
"Nasci a primeira vez em 28 de Maio de 1922. Isto num domingo. Chamaram-me Sontinho, diminutivo de Sonto. Pela parte da minha mãe, claro. Por parte do meu pai fiquei José.
Aonde? Na Av. do Zichacha entre o Alto Maé e como quem vai para o Xipamanine. Bairros de quem? Bairros de pobres.
Nasci a segunda vez quando me fizeram descobrir que era mulato. A seguir fui nascendo à medida das circunstâncias impostas pelos outros. Quando o meu pai foi de vez, tive outro pai: o seu irmão. E a partir de cada nascimento eu tinha a felicidade de ver um problema a menos e um dilema a mais. Por isso, muito cedo, a terra natal em termos de Pátria e de opção. Quando a minha mãe foi de vez, outra mãe: Moçambique.
A opção por causa do meu pai branco e da minha mãe negra.
Nasci ainda mais uma vez no jornal "O Brado Africano". No mesmo em que também nasceram Rui de Noronha e Noémia de Sousa. Muito desporto marcou-me o corpo e o espírito. Esforço, competição, vitória e derrota, sacrifício até à exaustão. Temperado por tudo isso.
Talvez por causa do meu pai, mais agnóstico do que ateu. Talvez por causa do meu pai, encontrando no Amor a sublimação de tudo. Mesmo da Pátria. Ou antes: principalmente da Pátria. Por causa da minha mãe só resignação.
Uma luta incessante comigo próprio. Autodidacta.
Minha grande aventura: ser pai. Depois eu casado. Mas casado quando quis. E como quis.
Escrever poemas, o meu refúgio, o meu país também. Uma necessidade angustiosa e urgente de ser cidadão desse país. muitas vezes altas horas da noite."
José Craveirinha, Janeiro de 1977
Publicada por
MOZ
Etiquetas:
Poetas e Escritores de Moçambique
Tanja Rinas (José Craveirinha)
TANJA RINAS
I
Serão palmas induvidosas todas as palmas que palmeiam os discursos dos chefes?
Não são aleivosos certos panegíricos excessivos de vivas?
Auscultemos os gritos vociferados nos comícios,
E nas bichas são ou não são bizarros os sigilosos sussurros?
Em suas epopeias de humildade deixam intactos os sonhadores.
Sabotagem é despromover um verdadeiro poeta em funcionário.
Não bastam nos gabinetes os incompetentes?
Ainda mais alcatifas e ares condicionados?
Aos dirigentes máximos poupemos os ardilosos organigramas.
Como são hábeis os relatórios das empresas estatizadas
Prosperamente deficitários ou por causa das secas
ou porque veio no jornal que choveu a mais
ou por causa do sol ou porque falta no tractor um parafuso
ou talvez porque a polícia de trânsito não multou Vasco da Gama infringindo os códigos na rota das especiarias de Calicute.
E os nossos tímpanos os circunjacentes murmúrios?
Não é boa ideologia detectar na génese os indesmentíveis boatos?
Uma população que não fala não é um risco? Aonde se oculta o diapasão da sua voz
E quanto ao mutismo dos fazedores de versos? Não sai poesia será que saem
nos verões crepusculares dos bairros de caniço augúrios cor-de-rosa?
Quem é o mais super na meteorologia das infaustas notícias?
Quem escuta o sinal dos ventos ante da ventania e avisa?
II
Na berma das avenidas asfaltadas de lixo olhemos perplexos
os sarcásticos prédios por nós escaqueirados. Não dói?
Nas escolas é maningue melhor partirmos as carteiras e estudar no chão?
E nas fábricas que mãos são estas nossas proletárias mãos que só desfabricam?
Mas nesta colmeia muita atenção ao mel das abelhas aduladoras.
E o que é que se passa com o engordecido responsável
sempre a mandar-se em missão de serviço nos melhores hotéis das Europas?
Ou no espólio no saco cheio
vale mais a carência nacional do que ter sido um pide
vale ou não vale nosso esperto milícia Fakir?
III
Que os camionistas heróis dos camiões emboscados a tiro nas viagens
tragam as saborosas tanjarinas d'Inhambane ao custo das ciladas
mas descarreguem primeiro nos hospitais nas creches e nas escolas
que o futuro do País também está na doce doçura das tanjarinas d'Inhambane
e o poder sobrevive na força de um povo com tabelas de amor e não de preços.
Mas os auspiciosos cajus purpurinos já não nos dão tincarôsse porgi
Especular a pátria não é guiar a viatura nova contra os muros e os postes?
Ilegalidade só é ilegalidade nos outros? Quizumba só é quizumba no mato?
Então juro que tanjarina d' Inhambane é tanjarina de Moçambique.
Eu adoro trincar voluptuosamente os sumarentos gomos da tanjarina d'Inhambane.
E desde leste a oeste quem não gosta das saborosas tanjarinas d'Inhambane?
Então os que abjuram os sagrados frutos da terra façam lá mulher e filhos.
Façam lá um pai e uma mãe. Façam lá tios e sobrinhos. Façam lá uma família.
Façam lá irmãos e irmãs. Façam lá amigos e amigas. Façam lá colegas e camaradas.
Façam lá com a incompreensão ternura amor e paz se são capazes!
IV
As orientações de alguns directores desorientam os juízes... (de'es também)
Mas quem disse que não tenho pena dos conjuntos safaris embrulhando-os
fresquinhos e sem problemas de suores originários deste instável clima tropical?
Quem disse que não lamento vê-los penosamente dos "Ladas" com suas poses
as incalejadas mãos deles sem aguentarem sequer abrir-se a porta
e assentados esperem que seja o motorista irrevogavelmente
dê a volta ao mundo do fatalismo e cumpra ainda hereditariamente essa tarefa?
Quem é que disse que não tenho pena? Quem disse que não sinto este drama?
V
Depressa você Madalena vai bichar lenha deixa bicha de carapau.
Vóvó fica bichar na comprativa amanhã tem arroz.
Titia sai na bicha de capulana vai bichar pão.
Toninho com Quiristina vai bichar água.
Sexta-feira antepassada mamana Júlia dormiu lá mesmo.
Bichou toda a noite no Jone Uarre mas chegou vez... nada!
Aontem tomar chá não tomou... foi no serviço.
Aoje não toma vai tomar amanhã.
Não toma amanhã toma a outro dia.
Ou quando encontra toma de noite.
E quando não toma de noite então dorme.
Mas quando sonhar amendoim já tomou chá e já comeu.
VI
A gente faz favor quer cascar com unha de dedo grande as tanjarinas d'Inhambane.
Olha lá! Você estás cansada da tua terra? Salta arame... vaiaaaiii...
Você não gosta bandeira? Leva documento... famba!!!
Antigamente 'panhava mais fome mas não ficava aqui?
Antigamente era palmatoada. Não estava? Não ia na estiva?
Antigamente sapato não era corrente de ferro? Agora só quer "Adidas" não é?
Antigamente sentava no xibalo. Agora senta no Scala não senta? Mas quem deu?
Antigamente escrevia nome? Aonde? Capaz? Agora manda carta no jornal p'ra dizer
que pão não presta.
Antigamente encontrava passaporte? Agora não 'panha passaporte fica triste.
Fica muito zangado. Faz barulho. Antigamente não era só caderneta?
Sim, agora come carapau. Não é peixe? Batata doce e mandioca não é comida?
Nossa barriga alembra bife com batata frita e azantona. Alembra bacalhau
mais grelos e aquele azeite d'oliveira com vinho tinto de garrafão lacrado.
Mas nós tinha isso quando queria ou quando restava? era nossa casa? Qual casa?
Lá naquela casa a gente puxava otoclismo p'ra nosso cu p'ro cu dos outros?
Vá! Fala lá! A gente não ficava de cócoras na sentina. A gente tinha mais o quê?
VII
É verdade chuva na machamba não chove. Mas a gente espera. Chuva vai vir.
É verdade a gente come couve com couve carapau com carapau farinha com farinha
Mas senta na nossa mesa. Toda a família senta em casa no prédio. Amigo também senta
Ir embora não voltar mais? Não pode. Deixar aqui. Ir aonde? Capaz!
Mudar moçambicano ficar o quê? Mudar a cara ficar qual cara?
Fugir há outro que vai fugir. Moçambicano próprio não foge.
Quando homem é homem é só um coração. Não é dois.
VIII
Mesmo quando não tem senha de gasolina não faz mal. Não há crise. Candonga tem.
Mas quem disse que aquelas saborosas tanjarinas d'Inhambane não vem mais?
É preciso, nós vamos fazer estratégia de mestre Lénine
e vamos avançar duas dialécticas cambalhotas atrás
moçambicanissimamente objectivas
concretissimamente bem moçambicanas.
IX
Agora alerta camarada Control. Vem aí o camião com tanjarinas d'Inhambane.
Tira o dedo do gatilho e faz um aceno d'alegria aos estoico motorista.
Ganha metical mas desde Inhambane, desde Chai-Chai, desde Manhiça
ele está a guiar mas ele só sabe que chegou quando está a chegar.
Camarada Control: Aldeia é aldeia não é vila.
Camarada Control: Vila é vila não é cidade.
Camarada Control: Cidade é cidade não é distrito.
Camarada Control: Distrito é distrito não é província.
Camarada Control: Província é província não é nação.
Camarada Control: Control é Control não é Governo.
Camarada Control: nosso território nacional é desde o primeiro grão d'areia em Cabo
Delgado até ao último milímetro na Ponta D'Ouro.
X
Camarada Control: Abre o teu mais fraterno sorriso no meio da estrada
e deixa passar de dentro para dentro de Moçambique
nossas preciosas tanjarinas d'Inhambane.
Agora casca uma tanjarina e prova um gomo mais outro gomo.
É doce ou não é doce Camarada Control?
Pronto!
Muito obrigado Camarada Control!
E viva as saborosas tanjarinas d'Inhambane!!!
VIVA!!!
José Craveirinha (1982-1984)
Publicada por
MOZ
Etiquetas:
Autor,
José Craveirinha,
Moçambique,
Poesia
23 de setembro de 2008
Natal (José Craveirinha)
NATAL A cidade acordou em festa. Natal! Natal! A Baixa encheu-se de gente. Nas lojas os brinquedos atraíam os pais com as crianças pela mão. Maguébe o negrinho, sobraçando seu monte de aspargos, parou em frente de uma montra. Os olhos abriram-se gulosamente perante as maravilhas tão perto e tão longe dele, que aquilo tudo era um sonho boiando nas pupilas redondas e cheias de todas as fomes de África. Triciclos, motos, camiões, aviões e tantas coisas mais, feitiçaria misteriosa para Maguébe, estavam ali atrás do muro de vidro. Maguébe seguiu depois, rua fora, com seu grande ramo verde debaixo do braço e no pensamento: «a shitututo, a mimova, a shitimela... oh... inkuasu psa Quissimuce ya valungu!» Um búzio grande soprava na alma de Maguébe as ânsias de um menino sem um balão sequer na mão escura, um reles balão encarnado para ele assoprar, o balão inchado como um sapo enorme. Os machimbombos passavam pejados de gente com pressa. Nas lojas há um entra-e-sai initnerrupto como formigueiro. Maguébe cruza a rua, um carro buzina e passa, rápido, um olhar zangado do motorista da cabeça aos pés. No bazar as pessoas iam e vinham, de banca em banca, numa lufa-lufa de batatas, legumes e frutas do Transval e também outras coisas que Maguébe nunca tinha comido e cujos nomes não sabia. Maguébe passou no bazar, vendo, ouvindo e cheirando. Mas o maior milagre de Culucumba era a falta de espaço para a cobiça na alma do pequeno vendedor de ramos de aspargos. Ele não sofria e nunca provara aquelas coisas bonitas que brilhavam do outro lado do vidro das montras. A filosofia de Maguébe nascia e vivia de não saber. Talvez fossem coisas boas, mais gostosas que o sumo de caju; a tincarosse; a mapsincha madura, mais coisas que não tinha perdido porque nunca as tivera. Talvez mesmo fossem melhores que mavunga!... Maguébe, agora que estava morando na cidade, sentia vontade de provar as coisas dos mulungo. Quando ele descia as ruas gritando: - Aspargo minha sinhôr!!!, havia senhoras que tinham pena dele e davam comida, às vezes bolos que ficavam do dia de anos do menino. Maguébe ficava contente e comia até lamber os dedos. Maguébe ficava sentado debaixo de uma sombra de cajueiro, descobrindo o gosto dos bolos até ao lamber dos dedos. Hoje, véspera de Natal, Maguébe sai caminhando rua acima, buscando as moradias, a boca gritando: - Aspargo minha sinhôr... - e os grandes olhos amarrados ainda às paredes de vidro das casas grandes de chilunguine. - Aspargo minha sinhôr!!! Mas a voz hoje perde-se no burburinho da cidade e no barulho dos motores dos automóveis que são os donos das estradas negras de alcatrão: - Dá bocadinho de pão minha sinhôr... Espreita nos portões, grita através das grades mas o apelo morre na lufa-lufa dos preparativos do Natal. Maguébe olha, ajeita o ramo de aspargos no braço nu e lá vai estrada em estrada com o Natal nos olhos, nos ouvidos e no nariz achatado e a luzir em vão no ar embuzinado e festivo: - As... par... go... minha sinhôr... Já longe o pregão de Maguábe ainda corta a atmosfera festiva da cidade, paira no ar como um balão suspenso: - As... par... go... minha sinhôr... E nas veias do menino que veio do fundo da Munhuana com seu ramo de aspargos, um batuque estranho bate e repercute pelo corpo todo como se mil demónios dançassem chibugo dentro da sua barriga: Qui... ssi... mu... ce! Qui... ssi... mu... ce! José Craveirinha
Publicada por
MOZ
Etiquetas:
Contos Moçambicanos,
Cultura
Kamina Gente (A Minha Gente)
Publicada por
MOZ
Etiquetas:
Autor,
Moçambique,
Poesia
22 de setembro de 2008
Reza, Maria (José Craveirinha)
REZA, MARIA
(1ª versão)
Suam no trabalho as curvadas bestas
e não são bestas
são homens, Maria!
Corre-se a pontapés os cães na fome dos ossos
e não são cães
são seres humanos, Maria!
Feras matam velhos, mulheres e crianças
e não são feras, são homens
e os velhos, as mulheres e as crianças
são os nossos pais
nossas irmãs e nossos filhos, Maria!
Crias morrem à míngua de pão
vermes na rua estendem a mão à caridade
e nem crias nem vermes são
mas aleijados meninos sem casa, Maria!
Do ódio e da guerra dos homens
das mães e das filhas violadas
das crianças mortas de anemia
e de todos os que apodrecem nos calabouços
cresce no mundo o girassol da esperança.
Ah! Maria
põe as mãos e reza.
Pelos homens todos
e negros de toda a parte
põe as mãos
e reza, Maria!
José Craveirinha
Publicada por
MOZ
Etiquetas:
Autor,
José Craveirinha,
Moçambique,
Poesia
Quero ser tambor (José Craveirinha)
QUERO SER TAMBOR
Tambor está velho de gritar
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
corpo e alma só tambor
só tambor gritando na noite quente dos trópicos.
Nem flor nascida no mato do desespero
Nem rio correndo para o mar do desespero
Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero
Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.
Nem nada!
Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra
Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra
Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.
Eu
Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.
Oh velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia.
Só tambor ecoando como a canção e força e da vida
Só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até à consumação da grande festa do batuque!
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor!
José Craveirinha
Publicada por
MOZ
Etiquetas:
Autor,
José Craveirinha,
Moçambique,
Poesia
20 de setembro de 2008
Naturalidade (Rui Knopfly)
NATURALIDADE
Europeu, me dizem.
Eivam-me de literatura e doutrina
européias
e europeu me chamam.
Não sei o que escrevo tem raiz a raiz de algum
pensamento europeu.
É provável... Não. É certo,
mas africano sou.
Pulsa-me o coração ao ritmo dolente
desta luz e deste quebranto.
Trago no sangue uma amplidão
de coordenadas geográficas e mar Índico.
Rosas não me dizem nada,
caso-me mais à agrura das micaias
e ao silêncio longo e roxo das tardes
com gritos de aves estranhas.
Chamais-me europeu?
Pronto, calo-me.
Mas dentro de mim há savanas de aridez
e planuras sem fim
com longos rios langues e sinuosos,
uma fita de fumo vertical,
um negro e uma viola estalando.
Rui Knopfly
Publicada por
MOZ
Etiquetas:
Autor,
Moçambique,
Poesia,
Rui Knopfly
Povo e Cultura de Moçambique
POVO E CULTURA DE MOÇAMBIQUE
Moçambique sempre se afirmou como pólo cultural com intervenções marcantes, de nível internacional, no campo da arquitectura, pintura, música, literatura e poesia.
Nomes como Malangatana, Chichorro, Mia Couto e José Craveirinha entre outros, já há muito ultrapassaram as fronteiras nacionais.
Moçambique possui uma rica tradição cultural de arte, cozinha, música e dança.
Importante também e representativo do espírito artístico e criativo do povo moçambicano é o artesanato que se manifesta em várias áreas, destacando-se as esculturas dos Macondes do Norte de Moçambique.
Também na área do desporto se tem destacado em várias modalidades, como a Lurdes Mutola no atletismo.
Isto reflecte a diversidade da história e valores familiares moçambicanos que em conjunto criam as identidades do Moçambique moderno.
Moçambique possui uma longa tradição de coexistência de diferentes raças, grupos étnicos e religiosos.
Ao contrário de muitos outros lugares no mundo, a diversidade cultural e religiosa (cristianismo, islamismo e cultos tradicionais), raramente tem sido uma razão para conflitos em Moçambique.
Etnias
Moçambique é um mosaico cultural constituído por várias etnias, destacando-se as seguintes a norte do Zambeze: os Suahílis, os Macuas-Lomués, os Macuas e os Ajauas; e a sul do Zambeze: os Chonas, os Angonis, os Tsongas, os Chopes e os Bitongas.
Línguas
A diversidade linguística de Moçambique é uma das suas principais características culturais. Para a maioria da população (principalmente no campo), estes idiomas nacionais constituem a sua língua materna e a mais utilizada diariamente.
As diversas línguas nacionais, são todas de origem bantu, sendo as principais: cicopi, cinyanja, cinyungwe, cisena, cisenga, cishona, ciyao, echuwabo, ekoti, elomwe, gitonga, maconde (ou shimakonde), kimwani, macua (ou emakhuwa), memane, suaíli (ou kiswahili), suazi (ou swazi), xichangana, xironga, xitswa e zulu.
Devido à considerável comunidade asiática radicada em Moçambique, são também falados o urdu e o gujarati.
Com o objectivo de criar uma identidade nacional, o Português foi adoptado como língua oficial depois da independência.
Publicada por
MOZ
Etiquetas:
Cultura,
Moçambique