14 de março de 2009
13 de março de 2009
12 de março de 2009
Reclusos do Tempo (Alex Dau)
Reclusos do Tempo (Alex Dau) A chuva caía rigorosa e implacável. De tempo, a tempo o vento fazia uma investida, e derrubava uma árvore, um tecto de palha, ou mesmo uma palhota, também machambas eram engolidas pela investida, depois vinha uma trégua a permitir às vítimas recolherem os seus bens, que haviam ficado à mercê do vendaval. No negrume do dia, o céu cinzento engolia o sol, deixando a terra mergulhada numa misteriosa escuridão e a manhã ficava incerta. Os habitantes de Duanga, contemplavam a intempérie, olhando-a por debaixo das sobrancelhas humedecidas, pareciam perguntar-se a si próprios que mal haveriam feito para merecerem tal desgraça. O régulo Makene falecera na tentativa de silenciar a tempestade, mas esta só amainou horas depois da sua morte. Os seus conterrâneos acreditavam que Makene se sacrificara fazendo frente ao temporal, para lhes devolver o sossego que mereciam, depois de horas intermináveis de pavor. O sol já espreitava mesmo a tangente de uma nuvem cinzenta, e os habitantes já experimentavam um sossego animador. Horas antes, Makene e seus seguidores ajoelhavam-se diante do embondeiro sagrado, pactuando um acordo com seus ancestrais, para apaziguar o tempo, pois o dia afogara-se nas trevas facultadas pela ira dos espíritos que se haviam revoltado. - Rogo-vos que devolvais o bem-estar à minha gente! – e sua prece foi abafada pelo vento que assobiava. - Faremos tudo o que for preciso! –seu rogo foi devorado por um ribombar de um trovão. Só depois de várias horas de negociação, eles decidiram privar o régulo do seu corpo, enquanto o seu espírito ficava vagueando pela terra, os espíritos haviam-se vingado da ousadia de Makene. Os espíritos de seus ancestrais estavam desgostosos com o seu povo, por estes na última colheita terem ignorado o ritual que sempre efectuavam e que consistia em fazer oferendas aos espíritos. Infelizmente, nesse ano, não houvera boa colheita, por isso não se realizou a tal cerimónia. O pouco que haviam colhido não chegou nem mesmo para mitigar as necessidades alimentares da aldeia. Buzueque, neto primogénito de Makene, foi nomeado, por concordância do conselho de anciãos, para regular o distrito de Duanga, pois era o único indivíduo em quem Makene confiara durante a sua governação. O único descontente com a nomeação de Buzueque foi Ozias, primo de Buzueque, filho de seu tio Valembe, que aspirava ocupar o lugar, logo que o tio Makene morresse. Buzueque tomou posse, logo depois da cerimónia fúnebre de seu avô, que, segundo a sua vontade, foi sepultado junto ao embondeiro. Tornou-se o régulo mais novo de toda a região. Com apenas vinte e um anos, fora incumbido da difícil missão de dirigir os seus semelhantes, reconstruir a aldeia, e libertar o espírito de seu avô. A trégua dada pelos espíritos era para procederem ao funeral de Makene e realizarem o ritual de oferecimento que os ancestrais exigiam para que a vida em Duanga voltasse à normalidade. A fome que assolava a região não deixava alternativa que não fosse buscar auxílio nas autoridades administrativas. Ozias queria derrubar a liderança Buzueque , pois este era ainda muito jovem para dirigir os conterrâneos, poderia governar mais tarde, enquanto que a ele não lhe restava muito tempo, com cinquenta e oito anos, não dava para esperar pela morte do primo. Ozias tinha que mostrar que seu primo era incapaz de liderar o seu povo. Quando soube das pretensões de Buzueque, de visitar o Administrador, antecipou-se, fazendo saber ao Administrador que Buzueque havia de vir sob pretexto de angariar o apoio da Administração para realização da cerimónia, quando, na verdade, os bens que pretendia eram para fins pessoais. Os preparativos se alongaram e, numa manhã agreste, com a luz do sol ainda a refugiar-se por detrás das nuvens, Buzueque partiu, na companhia de dois velhos, em direcção à sede de sua localidade. Ozias arranjou uma desculpa para não os acompanhar. Passaram-se horas e horas antes do grupo voltar. Ozias esperava-os ansioso, e quando os viu regressarem de mãos a abanar regalou-se com o seu empreendimento. O sol continuava ainda dormente, hospedado condicionalmente algures, a noite chegou mais depressa. Buzueque mais o seu grupo de trabalho decidiram reunir os aldeãos, para lhes explicarem o resultado da visita que fizeram ao Administrador. – Precisamos de alguns géneros alimentícios, para ofertarmos aos espíritos! – solicitou prontamente o novo régulo.– O administrador mostrou-se indisponível em ajudar-nos. – continuou Buzueque, precisamos de contribuir com nossos pertences para se podermos trocar por comida. – Nada temos! – comentou Ozias, procurando a anuência dos demais. – Qualquer coisa que puderem dar será bem vinda! – afirmou o régulo, com uma expressão grave. Uma hora depois, alguns artigos foram recolhidos, muitos sacrificaram algo em prol do bem que almejavam. O manto que cobria a vila foi-se descobrindo gradualmente, ficando somente uma pequena parte do céu ainda enegrecida. O vento voltou a assobiar no momento em que a lua tentava impor a sua luminosidade de avermelhada. Ozias vendo que estava prestes a perder a batalha a favor de seu primo, recorreu à feitiçaria, para aniquilar seu inimigo. Pela madrugada, um grupo indicado pelo régulo partiu em direcção à sede do distrito, com alguns bens recolhidos entre a população, para trocar por géneros alimentícios de que precisavam para poderem realizar o mukutto. Regressaram com as alcofas contendo mandioca, batata-doce, farinha de milho, arroz e outros produtos que conseguiram. A manhã era habitada pela ausência parcial do sol, como sempre acontecia nos últimos dias. O régulo Buzueque já se preparava para ir dirigir o ritual, quando depara com a cobra mamba, de dimensões anormais e cor indefinida. A cada movimento que Buzueque fazia, a cobra ameaçava-o. E Buzueque ficou recluso da mamba ,enquanto os seus súbditos esperavam impacientes pela chegada de seu soberano, para dirigir a cerimónia. A trégua dada pelos espíritos começava a escassear e o medo açambarcava todos os corações. O corpo de eruditos, agora sem o comando do régulo, começava a desesperar. Tiveram mesmo que recorrer aos bons préstimos de curandeiro confiança. O mau sinal dado pela posição adquirida pelos objectos do curandeiro fez com que o grupo fosse a casa do Buzueque. A liberdade do régulo só foi conseguida, quando o curandeiro, auxiliado pelo espírito de Makene, se aproximou da cabana de Buzueque, queimando um incenso que deixou o bicho atarantado. A víbora precipitou-se então em direcção a Ozias, que acompanhava o grupo, e este perante o flagrante, precipitou-se em fuga. O réptil perseguiu-o, alcançou-o, e ferindo-o de morte. O mukutho recomeçou, o céu reabriu, o sol foi espreitando gradualmente, emitindo seus raios de luz dourada, que se reflectiam nas dentaduras encardidas dos Duanganas, que sorriam felizes. Maputo, Quarta-Feira, 11 de Março de 2009:: Notícias
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"Ranking" da FIFA: Moçambique sobe dois lugares
“Ranking” da FIFA: Moçambique sobe dois lugares
A Selecção Nacional de Futebol subiu dois lugares no “ranking” da FIFA divulgado ontem em Zurique, Suíça, passando da 95ª para 93ª posição, somando agora 377 pontos. A nível do Continente Africano, os “Mambas” também tiveram um registo positivo de dois degraus, ascendendo do 27ª para o 25º lugar.
A progressão de Moçambique deve-se ao facto de ter ganho ao Malawi, por 2-0, num desafio amigável realizado no mês passado no Estádio da Machava, e que serviu de preparação para o Campeonato do Mundo e Africano-2010.
A Nigéria, primeiro adversário do combinado nacional na fase de qualificação para as referidas provas, caiu um lugar, ocupando o 24º lugar a nível “mundial” e o 2º em África.
O “ranking” continua a ser liderado pela Espanha, enqunto a Alemanha mantém-se em segundo.
Outra nota de destaque vai para a entrada no top “ten” da selecção portuguesa, que está exactamente na décima posição.
Eis a lista dos dez primeiros classificados: 1º Espanha (1666 pontos); 2º Alemanha (1333); 3º Holanda (1317); 4º Itália (1284); 5º Brasil (1260); 6º Argentina (1219); 7º Croácia (1169); 8ª Rússia (1128); 9º Inglaterra (1083) e 10º Portugal (1025).
Maputo, Quinta-Feira, 12 de Março de 2009:: Notícias
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Uma fábrica de montagem de computadores vai entrar em funcionamento este mês em Maputo
Moçambique vai ter fábrica de computadores
Uma fábrica de montagem de computadores vai entrar em funcionamento este mês em Maputo, numa iniciativa do Governo, através do Ministério de Ciência e Tecnologia, em parceria com uma multinacional especializada no ramo, denominada Sahara.
Os computadores a serem produzidos na fábrica terão a marca “Dzowo”, em homenagem ao primeiro Presidente da FRELIMO, Eduardo Mondlane. Serão montados computadores portáteis e de mesa, para serem vendidos no mercado nacional a um preço equivalente a pouco mais de um terço do dos equipamentos importados, facilitando a aquisição por aqueles que deles necessitam.
No mercado nacional, um computador portátil é actualmente vendido a um valor aproximado a 1000 dólares norte-americanos, o que corresponde a cerca de 26 mil meticais. Já o produto nacional será colocado a um preço que varia entre nove e 10 mil meticais.
Falando ontem após a apresentação do empreendimento, o Ministro da Ciência e Tecnologia, Venâncio Massingue, disse que a escolha do nome da marca fez-se tendo em atenção o facto de o Governo ter decidido que 2009 é o Ano Eduardo Mondlane (“Dzowo”), pelo que faz muito sentido que o projecto entre em funcionamento este ano.
Por seu turno, o Ministro da Indústria e Comércio, António Fernando, disse que existe a possibilidade de os computadores “Dzowo” poderem ser comprados com recurso a crédito bancário.
No que concerne à capacidade de produção, soubemos que a fábrica vai montar no primeiro ano 48 computadores por dia, o correspondente a 960 unidades por mês e 11.520 unidades por ano. No segundo ano a produção deverá subir para 80 unidades diárias, 1600 por mês 19.200 por ano.
A multinacional parceira do Ministério da Ciência e Tecnologia é especializada no ramo de fabrico e montagem de computadores e está sediada em Joanesburgo, África do Sul, com escritórios e centros de investigação e desenvolvimento em diferentes países africanos como o Botswana, Quénia, Namíbia e ainda na Inglaterra, China, Dubai e Índia.
A Sahara é a primeira companhia a promover este serviço em Moçambique.
Maputo, Quinta-Feira, 12 de Março de 2009:: Notícias
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11 de março de 2009
“Magnífica”, o mais recente álbum da cantora moçambicana Liloca, será lançado no próximo dia 13 de Março
Liloca lança "Magnífica" sexta-feira!
“Magnífica”, o mais recente álbum da cantora moçambicana Liloca, será lançado na próxima sexta-feira, dia 13 de Março.
Recorde-se que, em Novembro de 2007, Liloca lançou o seu primeiro álbum discográfico, “Tic-Tac” e, no mesmo ano, concorreu para o top “Ngoma Moçambique”, com o tema Muyive, tendo ganho o prémio Revelação em Dezembro de 2007.
Natural da cidade de Tete, Liloca completa no próximo Abril 24 anos de idade.
Sara Novais c/ Mbila, 10 de Março de 2009
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9 de março de 2009
Amarildo Valeriano relança "Falas Impossíveis” em Maputo
Amarildo Valeriano relança "Falas Impossíveis” em Maputo
“Não se trata do lançamento do meu livro mas sim de um relançamento”, esclareceu ao SAPO MZ o jovem poeta Amarildo Valeriano, a propósito do encontro ocorrido esta sexta-feira, ao final da tarde, no bar Gil Vicente, em Maputo.
Efectivamente, “Falas Impossíveis”, assim se chama a estreia literária de Amarildo, havia tido o seu lançamento oficial no passado dia 19 de Dezembro, mas a proximidade do Natal, o auge do período de férias em Moçambique, fez com que muitos admiradores e amigos não pudessem estar presentes “pelo que resolvi relançar o livro”, explica o autor.
Pelo meio, o jovem Amarildo, de 28 anos, foi a Itália – o livro é bilingue (Português/Italiano) – e apresentou a obra em três cidades diferentes: Turim, Roma e Milão. “O surgimento do italiano deve-se ao facto de eu ter participado num intercâmbio que envolvia estudantes moçambicanos e italianos, aqui em Moçambique. Estou também a fazer o curso livre de italiano na Universidade Eduardo Mondlane.
Em “Falas Impossíveis” cada poema é dedicado a uma personalidade, instituição ou a valores. Deste modo há poemas em honra de Samora Machel, José Craveirinha, Noémia de Sousa, Martim Luther King – a sua grande referência –, Madre Teresa de Calcutá, Luís Vaz de Camões, à Liberdade, ao Amor, etc.
Amarildo não pretende fazer uma literatura exclusivamente lírica, que aborde só as questões românticas, mas sim uma literatura de intervenção, porque “como disse o poeta americano Ezra Pound, os poetas são as antenas da sociedade, porque captam transformações, tendências, denunciam perigos, alertam.
Quanto mais a sociedade marginaliza a poesia, mais precisa dela. Marginaliza porque não quer pôr em discussão a sua organização injusta, as suas leis rígidas e mecânicas, onde só a economia, o mercado contam e decidem os parâmetros e as possibilidades de vida de milhões de pessoas”, revela Amarildo. E acrescenta: “É esse o papel que eu quero desempenhar como poeta, quero dar esse contributo à sociedade.”
Amarildo não tem dúvida que nesta altura o país necessita de uma poesia de intervenção. “As minhas maiores referências na poesia moçambicana vão para nomes como Noémia de Sousa e José Craveirinha que atacaram o colonialismo, contribuindo muito para a independência do país.
No plano internacional, as minhas referências são o Vladimir Mayakovski e o Edgar Allen Poe que foram igualmente poetas revolucionários. Precisamos de uma literatura que passe valores, princípios, interpretações e incentivos para a tomada de certas atitudes”, concluiu o autor de “Falas Impossíveis.”
João Vaz de Almeida Sapo MZ, 09 de Março de 2009
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