27 de março de 2009

Moçambique: Nyamssoro, médica tradicional que evoca os espíritos

Nyamssoro, médica tradicional que evoca os espíritos

Moçambique: Levar os utensílios futuros da noiva a casa do noivo

Levar os utensílios futuros da noiva a casa do noivo

Moçambique: Senhoras da Ilha de Moçambique

Senhoras da Ilha de Moçambique

26 de março de 2009

Portugal: A ilha do Rato, no Tejo, com vista para o Barreiro, Montijo e Moita vai ser licitada, em leilão, pelo preço base de um euro

Ilha do Rato A ilha do Rato, no Tejo, com vista para o Barreiro, Montijo e Moita vai ser licitada, em leilão, pelo preço base de um euro, aquilo que o proprietário, Ismael Duarte, apelida de "forma diferente de comercializar". Foto@Lusa/Mário Cruz - 26 de Março de 2009

Cabo Verde: Ilha do Sal

Ilha do Sal Com belas praias de areia branca, a ilha do Sal oferece condições ímpares para a prática de actividades relacionadas com o mar; praia, natação, surf, windsurf, mergulho, pesca e passeios de barco. Vale a pena visitar Pedra de Lume, uma imponente cratera de vulcão extinto. No interior do anel de montanhas circulares que a delimitam, desvela-se um cenário arrebatador de salinas em tons de azul, rosa e verde - conforme o estado de formação do sal. A ilha do Sal é a mais árida de todo o arquipélago cabo-verdiano. A sua paisagem lunar é constituída por planícies rochosas acastanhadas e desertos de areia depositada pelos ventos que a açoitam constantemente. Rocha, sal e areia batidos pelo vento, eis os elementos que sobressaem nesta ilha. Apesar da forte erosão, o aspecto ressequido do Sal vai-se atenuando à medida que caminhamos para Sul. É também a ilha mais plana de Cabo Verde, tendo no Monte Grande (a Nordeste), com 406 metros, a sua maior altitude. A sua superfície ocupa 216 km2, distribuídos por 30 km de comprimento máximo, no sentido Norte/Sul, por 12 km de largura, no sentido Leste/Oeste. Pertence ao grupo de ilhas do Barlavento cabo-verdiano, situando-se no extremo oriental do arquipélago. A costa oriental é regularmente visitada por tartarugas e as salinas por pernalongas, aves da família dos pelicanos. Um pouco de história Consta que antes de Diogo Gomes e António Noli terem avistado o Sal, em 1460, a ilha já era conhecida pelos mouros devido às suas ricas salinas – de onde, aliás, provém o seu nome. No entanto, a aridez que a caracteriza fez com que o povoamento inicial de Cabo Verde tenha passado ao lado do Sal que, durante séculos, serviu apenas de pastagem para rebanhos de cabras, habitat de flamingos e tartarugas e, esporadicamente, habitação para os escravos que exploravam as salinas ao sabor das flutuações da procura internacional desta matéria-prima. Só em meados do séc. XIX é que a exploração intensiva do sal para exportação (Brasil e África) determinou o povoamento consistente do Sal. Mas, a prosperidade efectiva da ilha começou, realmente, em 1939, com a construção de um aeroporto vocacionado, de início, para o reabastecimento de aviões de longo curso e, depois, usado como infra-estrutura para o desenvolvimento turístico da ilha. Hoje, o Sal é a ilha do arquipélago de Cabo Verde onde o turismo está mais desenvolvido. Os seus 10 mil habitantes distribuem-se entre Santa Maria, situada no extremo Sul da ilha, e Espargos, a capital, situada no centro, a 2 km do aeroporto.

Cabo Verde: Ilha do Fogo

Ilha do Fogo A subida ao Pico do vulcão, com 2.829 metros de altura, partindo de Chã das Caldeiras, é uma experiência inesquecível. Como alternativa, existem itinerários na cratera do vulcão – que tem 8 km de diâmetro – onde sobressaem inúmeros picos que testemunham outras tantas erupções. Para os adeptos de espeleologia, a ilha do Fogo proporciona itinerários de grutas, cavernas e fontes de água subterrânea, situados entre o Pico do Fogo e São Lourenço. Contrate um guia em São Filipe ou nos Mosteiros. Com uma superfície de 476 km2, a ilha do Fogo é, literalmente, um vulcão que ainda está em actividade. No interior da sua extensa cratera, chamada Chã das Caldeiras, ainda se sente o odor sulfuroso da última erupção, ocorrida em Abril de 1995 a Sudoeste do vulcão – este último, com 2.829 metros de altura, é o ponto mais alto da ilha e do arquipélago. O Fogo pertence ao grupo do Sotavento cabo-verdiano e dista 50 km para Ocidente da ilha de Santiago. O relevo muito acidentado da ilha, com falésias íngremes irrompendo do oceano e elevando-se até à altura das nuvens, confere-lhe o aspecto ameaçador de uma fortaleza inexpugnável; fluxos de lava negra, resultantes de milénios de erupções, deslizaram lentamente para Leste, até ao oceano, cobrindo também de flocos vulcânicos o solo fértil da cratera onde, a Norte, na concavidade interior, se cultivam vinhedos. Na encosta exterior Norte da cratera, a caminho de Mosteiros, existem florestas de eucaliptos, jacarandá e acácias – no parque florestal de Monte Velha – e, nos vales, cultiva-se o café. A ilha do Fogo possui um potencial energético geotermal importante devido à permeabilidade dos solos através dos quais a água das chuvas se infiltra em reservatórios subterrâneos com temperaturas que oscilam entre os 200 e os 300º C. Um pouco de história Descoberta em 1460, a ilha do Fogo foi chamada de São Filipe até 1680, data em que uma erupção de proporções devastadoras impôs a actual designação. A história do Fogo é indissociável do ritmo caprichoso do vulcão que vai moldando a geografia da ilha ao sabor de cada nova erupção, acrescentando-lhe novos picos e subtraindo-lhe pedaços de terra, lançados sem apelo no fundo do oceano. A proximidade com Santiago, por um lado, e o seu potencial agrícola, por outro, fez com que fosse a segunda ilha do arquipélago a ser povoada. Na centúria seguinte à sua descoberta povoavam o Fogo cerca de 2.000 escravos que cultivavam algodão e se dedicavam à tecelagem – muito apreciada. A seguir ao colapso de 1680, uma parte da população emigrou para a vizinha ilha Brava. Em 1785 uma nova erupção eclodiu, erguendo o Pico do Fogo. Desta vez a lava derramou-se pela encosta Nordeste da cratera, originando a saliência sobre a qual está construída a actual vila de Mosteiros. Repetiram-se erupções em 1799, 1847, 1852 e 1857, a que se seguiu um século de acalmia, interrompido pelas erupções de 1951 e 1995. A imprevisibilidade das catástrofes fez com que durante o séc. XIX muitos habitantes do Fogo se tivessem alistado nos baleeiros norte-americanos como tripulantes, fixando-se depois nos EUA, onde criaram uma comunidade cabo-verdiana significativa. Actualmente a ilha do Fogo tem 40 mil habitantes e São Filipe, a capital, situada na costa ocidental da ilha, é a terceira maior cidade de Cabo Verde.

Cabo Verde: Ilha de Santiago

Ilha de Santiago As melhores situam-se nas costas Sudeste e Noroeste da ilha; a praia de S. Francisco e Ribeira da Barca, por exemplo. Para mergulho, surf e outros desportos náuticos, o melhor lugar é o Tarrafal. Visite a Cidade Velha, antiga capital do arquipélago, deambulando pelo Forte de S. Filipe e pelas ruínas daquela que foi a primeira cidade europeia nos trópicos. Santiago é a maior ilha do arquipélago de Cabo Verde. Orientada no sentido Noroeste/Sudeste, esta ilha ocupa uma área de 990 km2, com um comprimento máximo de 55 km por 29 km de largura. Juntamente com as ilhas Brava, Fogo e Maio, forma o grupo do Sotavento cabo-verdiano. A sua origem vulcânica está bem patente nas duas cordilheiras de montanhas que se estendem no seu interior a todo o comprimento formando como que a espinha dorsal da ilha: a Serra do Pico d’Antónia, que culmina no ponto mais alto de Santiago, com 1.392 m, e a Serra da Malagueta, situada mais a Norte. Se as ilhas do arquipélago de Cabo Verde apresentam características geológicas extremas – umas desérticas e outras tão montanhosas que quase não têm um palmo de terra ao nível do chão – então, Santiago, é a mais equilibrada, variada e saudável de todas elas. O seu interior é atravessado por montanhas altas e escarpadas, arborizadas no sopé. A meia altura estendem-se vales verdejantes, onde se desenvolve a agricultura. A Sul, campos irrigados; a Sudoeste paisagens estéreis; a Norte e Sudeste, uma linha de praias. Um pouco de história Na ilha de Santiago, o contraste entre os ingredientes culturais negros e brancos do passado do arquipélago revela-se com nitidez. Na costa Sul, a 10 km da cidade da Praia, a primeira capital de Cabo Verde – Ribeira Grande – revela ainda hoje a sua ascendência europeia, enquanto que as populações que habitam nas montanhas – cujos antepassados foram escravos que fugiram à repressão – denotam comportamentos culturais tipicamente africanos. Os navegadores António Noli e Diogo Gomes chegaram a Santiago em 1460 e estabelecer am a primeira colónia portuguesa na Ribeira Grande (actual Cidade Velha). A cidade prosperou como entreposto comercial, reabastecendo navios e no tráfico negreiro. A vulnerabilidade da sua orla costeira, exposta a constantes ataques de piratas e corsários, determinou o seu declínio e transferência, em 1770, da capital e sede do governo do arquipélago para a cidade da Praia. Entre os corsários famosos que atacaram a Cidade Velha, destacam-se Francis Drake que, em 1585, a saqueou e, em 1712, o pirata francês Jacques Cassard repetiu a façanha. Santiago tem actualmente 260 mil habitantes, dos quais cerca de 120 mil residem na cidade da Praia.

Cabo Verde - Ilha do Maio

Ilha do Maio Visite Maio pelo silêncio das suas belas praias desertas. Porque o turismo ainda é incipiente aqui, respira-se uma tranquilidade sem mácula. Na Vila do Maio e em Porto Cais pesca-se nos pequenos portos junto às praias, usufruindo da grande variedade de peixes. Tartarugas visitam a Baía de Santana no Verão. A ilha de Maio é uma planície com o aspecto de um deserto ressequido, interrompido, ocasionalmente, por florestas de acácias e, no Sul, por campos agrícolas e plantações de palmeiras. A topografia e o clima árido da ilha são idênticos aos das ilhas do Sal e da Boavista – faltando-lhe o desenvolvimento turístico da primeira e o exotismo das dunas com oásis da segunda. Tal como elas também, tem belíssimas praias de areia branca e água azul, mas impregnadas de uma paz incomparável que só os lugares isolados possuem. Está situada no extremo oriental do grupo de ilhas do Sotavento cabo-verdiano, a 25 km de distância da ilha de Santiago. A sua superfície é 269 km2, repartidos entre um comprimento máximo de 24 km, no sentido Norte/Sul, por uma largura de 16 km, no sentido Este/Oeste. A ilha de Maio é um velho vulcão que adormeceu há muitos milhares de anos e vem sendo lentamente erodido pelo vento. A sua particularidade reside no facto de o impulso titânico que empurrou a rocha vulcânica para a superfície ter arrastado consigo sedimentos marinhos com 190 milhões de anos, que ainda são perceptíveis – os cientistas suspeitam que a ilha de Maio seja a mais velha de Cabo Verde. O seu ponto mais elevado é o Monte Penoso que tem 436 metros de altura. Existem duas enormes salinas, com alguns quilómetros de extensão, a Sudoeste e Noroeste da ilha, respectivamente. Maio tem sido alvo de campanhas intensivas de reflorestação de acácias, tendo actualmente o maior perímetro florestal do arquipélago – 3.500 hectares de floresta plantada. Um pouco de história Há quem afirme que Maio é a ilha esquecida de Cabo Verde, a única que ainda não se encaixou no xadrez identitário e produtivo do arquipélago. Foi descoberta em 1460, mas o seu povoamento só começou no séc. XVI. Antes disso, foi usada para a criação de gado caprino. Entre os séc. XVI e XIX a principal – e quase exclusiva – ocupação produtiva da ilha foi a extracção de sal, levada a cabo por ingleses. A presença inglesa nesta ilha foi de tal modo avassaladora que até o forte da Vila do Maio – indispensável para suster as investidas constantes de piratas – foi mandado construir em 1588 pelo corsário inglês nobilitado, Sir Francis Drake. O sal extraído das salinas da ilha era enviado para Santiago que depois o exportava para a Europa, África e Brasil. Durante todo o séc. XVII, uma média de 80 navios anuais ingleses ancoravam na ilha de Maio, carregavam cerca de 200 toneladas de sal e partiam para a pesca do bacalhau noutras paragens. O séc. XX foi fustigado por períodos recorrentes de seca que motivaram fluxos de emigração massiva. Actualmente a ilha tem 4.000 habitantes, distribuídos entre a capital, Vila do Maio, e Calheta.

Cabo Verde: Ilha de Santo Antão

Ilha de Santo Antão A principal atracção desta ilha, a mais verde de Cabo Verde, são as caminhadas a pé ou em carroça na zona das Ribeiras, percorrendo os vales acidentados da parte oriental da ilha, perto de Ribeira Grande, ou na estrada que liga Porto Novo a Ribeira Grande. O grogue (aguardente nacional à base de cana-de-açúcar) de Santo Antão, fabricado ainda hoje artesanalmente – sobretudo no Paúl - é o mais afamado de todo o arquipélago. Estão ainda em funcionamento alguns trapiches, engenhos tradicionais de moagem da cana-de-açúcar. Com uma superfície de 779 Km2, Santo Antão é a segunda maior ilha do arquipélago de Cabo Verde, logo a seguir a Santiago. Está situada no extremo ocidental do grupo de ilhas que formam o Barlavento cabo-verdiano e dista apenas uma hora de viagem de barco de São Vicente. Com 43 km de comprimento por 24 km de largura, Santo Antão é rasgada por uma cordilheira montanhosa orientada de nordeste para sudoeste, culminando num pico vulcânico chamado Topo da Coroa, com 1.979 metros de altitude, a segunda montanha mais alta do arquipélago, precedida apenas pelo Fogo. A ilha apresenta contrastes paisagísticos muito marcantes oferecendo, a norte, belíssimas paisagens verdejantes de pinheiros e cedros, em contraste com a desértica aridez do sul da ilha. A beleza imponente dos vales, descendo as ravinas montanhosas em direcção ao mar – pontuados aqui e além por pequenas povoações alcantiladas nos desfiladeiros –, proporcionam panorâmicas de grande impacto e beleza. A parte ocidental da ilha oferece um espectáculo apocalíptico de penhascos abruptos. Um pouco de história Apesar de ter sido descoberta em Janeiro de 1462, a ilha de Santo Antão só começou a ser colonizada pela Coroa portuguesa noventa anos mais tarde, devido à sua topografia inacessível. Durante os sécs. XV e XVI só era referida devido ao facto de o Tratado de Tordesilhas instituir que a linha imaginária norte-sul que dividia o mundo a descobrir entre portugueses e espanhóis passava 370 léguas a Oeste de Santo Antão. No início do séc. XVII, Santo Antão foi doada ao Conde de Santa Cruz. Contudo, o filho do quarto Conde, raptou Mariana Penha de França, esposa de um nobre lisboeta, e teve de fugir para Londres onde, em 1732, hipotecou a ilha a credores locais. No entanto, este episódio foi prontamente saneado pela Coroa portuguesa. Hoje, a sua população ronda os 50 mil habitantes, distribuídos maioritariamente na parte oriental da ilha, entre Porto Novo, Ponta do Sol e Ribeira Grande. A sua maior cidade é Porto Novo, cujo porto oferece boas condições de navegabilidade. Ribeira Grande é o centro administrativo da ilha. As suas principais actividades económicas são a pesca, a agricultura e a extracção de uma lama vulcânica usada no fabrico de cimento. O turismo começa a ser encarado como uma actividade produtiva lucrativa.

Cabo Verde: Ilha de Santa Luzia

Santa Luzia Santa Luzia, a única ilha de Cabo Verde que não é habitada pelo homem, está declarada, desde 1990, património público e é considerada uma importante reserva natural do arquipélago. Em Calhau, na costa oriental da Ilha de São Vicente, consegue contratar um pescador que o/a transporta num bote de pesca até Santa Luzia por 5,000$, ida e volta no mesmo dia (máximo 6 pessoas mais carga). A travessia demora duas horas. Para voltar no dia seguinte, o preço passa a 8,000$ e 10 litros de gasolina. Devido ao seu clima muito seco e à falta de água constante, a ilha de Santa Luzia nunca foi persistentemente colonizada. Apesar dos períodos de seca recorrentes terem gorado as inúmeras tentativas de povoamento da ilha, ela foi durante muito tempo utilizada para a criação de gado, sendo a carne, os produtos lácteos derivados e o couro oriundos de Santa Luzia considerados de excelente qualidade. Durante o séc. XIX, Santa Luzia chegou a ser habitada por uma pequena comunidade de cerca de 20 pessoas que se dedicava à pastorícia, à pesca e à extracção de urzela (líquen de que se obtém uma tinta violeta) em grande quantidade. Santa Luzia tem apenas 35 km2 de superfície e uma altitude máxima de 395 metros, espraiando-se nos seus 13 km de comprimento por 5 de largura. A vegetação é muito escassa mas, apesar disso, a ilha possui contrastes topográficos assinaláveis entre a costa Sul, com praias de dunas, e a costa Norte, mais escarpada. A Sudeste de Santa Luzia – entre esta ilha e São Nicolau – situam-se os ilhéus Raso (7 km2) e Branco (3 km2). Ambos têm falésias escarpadas que sobem, no primeiro, até um plateau com 170 metros de altura e no segundo, até um planalto coberto de guano branco com 327 metros de altura. Os dois servem de refúgio para uma série de aves marinhas raríssimas, entre as quais a Calhandra do Ilhéu Raso.

Moçambique: Planta da cidade de Maputo

Moçambique: Planta da cidade da Beira

Angola: Cidade de Luanda

Cabo Verde: V Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP realizada dia 25 de Março

GUINÉ-BISSAU: Declaração Final do encontro da Praia A cidade da Praia acolheu esta quarta-feira, 25, a V Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP, em que se debruçou sobre a situação na Guiné-Bissau. No final dos trabalhos, os ministros tomaram a "Declaração da Praia" que passamos a publicar. O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reuniu-se, sob Presidência Portuguesa, na Cidade da Praia, Cabo Verde, no dia 25 de Março de 2009, em sessão extraordinária, para analisar a actual situação na República da Guiné-Bissau. O Conselho de Ministros foi informado pela Ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, Sra. Maria Adiatu Djaló Nandigna sobre a actual situação na Guiné-Bissau, sobre as prioridades e medidas adoptadas pelo Governo para a restauração da ordem institucional. Tendo condenado de forma inequívoca e veemente os trágicos acontecimentos recentemente ocorridos no país, envolvendo o assassinato do Chefe de Estado e do Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, à memória dos quais os Ministros renderam sentida homenagem, foi sublinhada a necessidade do país dar passos firmes para a restauração e normal funcionamento das instituições democraticamente eleitas e no pleno respeito da ordem constitucional. Neste âmbito, o Conselho de Ministros condena a continuada prevalência de situações de impunidade que minam as instituições democráticas e o Estado de Direito e saúda a iniciativa da CEDEAO de facilitar o estabelecimento, em coordenação com a União Africana e com a ONU, de uma Comissão Internacional de Inquérito. O Conselho de Ministros adoptou um conjunto de iniciativas e acções visando o reforço do regime democrático e das instituições do Estado, a estabilização política e governativa do país, bem como a adequada mobilização dos apoios internacionais à implementação de reformas estruturais vitais para a consolidação do Estado de Direito e para o desenvolvimento económico e social do país. Assim: Reconhecendo a importância e premência da realização de eleições presidenciais, os Ministros dos Negócios Estrangeiros da CPLP apelam às autoridades e às forças políticas da Guiné-Bissau que mobilizem todos os esforços com vista à sua concretização. Constatando as dificuldades que se colocam à organização das eleições presidenciais num curto prazo, a CPLP e os seus Estados membros, asseguram à Guiné-Bissau que envidarão todos os esforços com vista a garantir a rápida disponibilização de apoio financeiro e de assistência técnica necessários, dando, desta forma, um sinal decisivo ao povo guineense e à Comunidade Internacional quanto à necessidade de respeito pela ordem constitucional do país. Nesse sentido, o Conselho de Ministros mandatou o Secretariado Executivo para colaborar activamente neste processo. Conscientes dos constrangimentos que decorrem do actual quadro político-constitucional e do risco de paralisia das instituições políticas do Estado Guineense até à eleição de um novo Presidente da República, os Ministros decidiram disponibilizar apoio jurídico, nomeadamente através de uma equipa de juristas, para prestar assessoria aos órgãos de soberania da Guiné-Bissau. Reconhecendo o papel crucial, para a consolidação da ordem constitucional democrática da Guiné-Bissau, da estabilização das Forças Armadas, e a necessidade premente de se prosseguir, com carácter de urgência, com os programas de reforma do sector de defesa e segurança, os Ministros acordaram em encetar acções coordenadas de carácter bilateral e de apoio a iniciativas multilaterais que contribuam para a reestruturação, redimensionamento e modernização das Forças Armadas e, no curto prazo, para a criação de melhores condições de vida para os militares no activo e para os desmobilizados. Neste contexto, os Ministros sublinharam a importância do contributo da Missão UE/PESD na área da Reforma do Sector de Segurança, tendo ainda manifestado disponibilidade para a integrar e apoiar com as modalidades existentes. Os Ministros manifestaram a sua concordância com a CEDEAO no sentido de mobilizar a Comunidade Internacional, a pedido da Guiné-Bissau, em coordenação com a União Africana e sob mandato das Nações Unidas, para um posicionamento de contingentes militares e/ou policiais para garantir a protecção das instituições, de altas individualidades e do processo eleitoral na Guiné-Bissau. A CPLP e os seus Estados membros envidarão todos os esforços no sentido de, em estreita coordenação com a CEDEAO, promover a mobilização dos parceiros internacionais da Guiné-Bissau para a Mesa Redonda, a ter lugar a breve trecho na Cidade da Praia, sobre a reforma do sector de segurança e defesa, centrada na coordenação e imediata implementação dos projectos e programas já identificados. Os Ministros decidiram ainda concentrar esforços, em coordenação com os parceiros internacionais, com o objectivo de constituir um Fundo Internacional para Pensões de Reforma e para a Formação, visando a reintegração sócio-profissional dos militares desmobilizados. Os Ministros acordaram ainda na realização, logo que possível, de uma Conferência Internacional de Doadores, para mobilizar os recursos necessários à reconstrução económica e ao desenvolvimento da Guiné-Bissau. Conscientes dos riscos e do efeito desestabilizador do narcotráfico no exercício do poder legítimo na Guiné-Bissau, os Ministros reiteram o seu compromisso de apoiar as autoridades guineenses no combate eficaz ao narcotráfico, continuando a mobilizar para o efeito os parceiros internacionais. Neste contexto, consideram que o Plano Operacional para Prevenir e Combater o Tráfico de Droga na Guiné-Bissau e Promover o Estado de Direito e Uma Efectiva Administração da Justiça, aprovado em Lisboa, em Dezembro de 2007, cuja formulação e gestão foram atribuídas á UNDOC, deverá ser revitalizado, de forma a cumprir os objectivos nele estabelecidos. Comprometeram-se ainda, no mesmo contexto, a apoiar a implementação do Plano de Acção da CEDEAO, emanado da Conferência Ministerial da CEDEAO sobre o Tráfico Ilícito de Drogas como Ameaça à Segurança na África Ocidental, realizada na Praia, a 28 e 29 de Outubro de 2008. O Conselho de Ministros exorta o Governo da Guiné-Bissau e todos os actores políticos e sociais a trabalharem em conjunto para a criação de condições que permitam o estabelecimento de um verdadeiro diálogo com vista à reconciliação nacional que ponha fim à instabilidade, lançando as bases para o desenvolvimento efectivo do país. Os Estados-membros da CPLP, colectiva e individualmente, comprometem-se a trabalhar com a Guiné-Bissau na prossecução desse objectivo. Os Ministros foram recebidos em audiência por Sua Excelência o Presidente da República de Cabo Verde, Pedro Pires. Ciente da importância que a CPLP atribui à coordenação coma CEDEAO, o Representante Especial adjunto para a Guiné Bissau do Presidente da Comissão daquela organização, Isaac Aggrey, foi convidado a apresentar uma comunicação ao Conselho. Os Ministros agradeceram ao Governo e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades de Cabo Verde pela organização, eficiência e calorosa hospitalidade que marcou a V Reunião extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP. Expresso das Ilhas, 25 de Março de 2009

Quem manda aqui? (Paulina Chiziane, in: "As Andorinhas")

Quem manda aqui?
1. Depois do pasto de xima branca, branquíssima, silada no alguidar, acompanhado de nhewe cozido, leite coalhado e carne grelhada, sente muito calor, o imperador! Não era da comida, não. O calor vinha do sol e das banhas daquele corpo de elefante. O imperador era moderado e muito requintado no prato. Ao pequeno-almoço tomava leite coalhado ou leite fresquinho que saída quentinho da vaca. Gostava de carne grelhada, mal passada, e xima azeda. Tomava o seu copo de aguardente, mas pouco. A natureza faz por vezes isto: tamanho grande, feito de pouca comida. Era de boa raça, o imperador! Desloca o grande corpo para o repouso predilecto, debaixo da sombra da grande phama. Deita-se de papo para o ar, ao lado da sua dama preferida. Poisa os olhos no horizonte criador. Descobre que são seus os espaços terrestres e o infinito celeste. Que são suas as estrelas que à noite brilham e as árvores que transportam a brisa do entardecer. Contempla a sua obra e suspira de orgulho – fui eu quem transformou tudo isto em vida. Coloquei luz nos olhos dessa gentalha. Quando aqui cheguei, a terra era selvagem e era macho. Domestiquei-a. Tornei-a fêmea, é toda minha, faço o que quero. Dá-me bons frutos, cereais, gado. Dá-me sol e chuva. Nesta terra fêmea, os homens me servem de joelhos, porque já não são homens. Sou o único macho na superfície da terra. Uma andorinha canta alegrias no espaço. De pança também cheia, baila. Liberta os intestinos e a caganita balança na cloaca. Cede à gravidade e cai no olho do imperador. O corpo gordo se ergue como uma mola, movido pela fúria. Dos olhos túrgidos, solta-se o dragão que dorme por dentro. O imperador podia resistir a tudo menos àquele ultraje: cocó de pássaro? Não, não podia suportar. Ele que venceu todas as batalhas, que transformou a vida, que vavou as orelhas dos cativos, que fecundou todas as mulheres da terra, que ngungunhou tudo à sua medida, não podia ser abusado por um simples pássaro. Desvairado, chama pelos seus guerreiros. Hoje ele é dragão, ele é leão. Ele ruge. - Nguyuza? Lumbulule? Marivate? Khumalo? Sithole? O grito que solta corta a respiração de quem o escuta. Os homens vieram correndo. Ajoelhados diante do soberano, recitam em uníssono. - Às ordens, alteza. - Quem manda debaixo do sol? - Deus – respondem de novo em uníssono. - Deus? – a raiva do imperador cresce. - Sim. - Quem é Deus aqui? O Nguyuza é o primeiro a falar. É o chefe. A ele cabe a primeira palavra e ao imperador a última. - O imperador é Deus. É o Mambo dos Mambos, o Nukulunkulu! Eles respondem a mesma ladainha de sempre, com tremor acrescido naquelas vozes de guerreiros. Pressentem que nada de bom virá daquele chamamento. - Ordenei o silêncio – barafusta o gordo imperador. - A aldeia inteira está em silêncio – responde Lumbulule – nem uma mulher a pilar. Nem uma criança a chorar. O silêncio é total. - E aquele pássaro? - Que pássaro? – pergunta Khumalo. Poisados no tecto do céu, os olhos dos homens iniciam a busca. Descobrem. O calor da hora recolheu os pássaros ao aconchego dos seus ninhos. Na sombra da grande phama elas balançam, elas bailam. Trazem nos bicos pios alegres que chovem aos ouvidos como a frescura da brisa. - São vozes das andorinhas, majestade – responde Marivate. - Foram enviados pelos espíritos para cantar louvores à sua majestade, embalar o seu repouso, Hosi! - acrescenta Lumbulule. - São vozes divinas prenunciando a paz – diz o filosófico Sithole, sem convicção nenhuma. – No magnífico canto afirmam que é o mais potente dos homens e fecundará todas as mulheres do mundo. Dizem também que as vacas ficarão prenhes e as galinhas terão mais ovos. Prenunciam que os celeiros abarrotarão de grão, na próxima colheita. - Conhece a linguagem dos pássaros, Sithole? – questiona o imperador. - Não conheço, mas entendo. - Não conheces e nem entendes, seu cabeça de galinha, cala-te! - Eles dizem que o nosso imperador é o eterno Deus, o rei sobre todos os reis – acrescenta Khumalo atiçando a fúria de Sua Majestade. - Estúpidos, silenciem todas as andorinhas – ordena – apanhem-nas. Tragam-nas aqui ao castigo, para que todas as aves do mundo saibam quem manda aqui! Os homens esquecem as ladainhas habituais de “sim, alteza, viva, alteza”, por tudo e por nada. Treinados para a guerra, são cegos cumpridores das ordens, mas hoje questionam em silêncio: - Estará o imperador no uso da razão? - Terá bebido um copo a mais? - Terá fumado daquelas ervas que crescem livres nos campos? Na mente do imperador, a loucura e a lucidez bailam no mesmo compasso. Parece que a demência começa a marcar presença. Subtilmente. - Silenciar as andorinhas, majestade? – Pergunta Nguyuza. - Não ouviste? Perdeste os ouvidos? - Perdão, majestade. A pergunta é meramente técnica. Só queria confirmar a ordem para melhor estruturar as regas, depurar o método, refinar a estratégia desta missão. - Nguyuza, quero silêncio, muito silêncio. Que a natureza à volta se cale na hora do meu repouso. - Sim, alteza. Poder invisível armadura que eleva o espírito humano aos píncaros do absurdo. Pelo poder os guerreiros sangram a terra e castram a virilidade dos homens. De tanto poder, o imperador sente-se no pico das montanhas de Zulwine, esquecendo o pormenor mais importante: no topo da pirâmide o seu corpo de elefante não tem equilíbrio. Cairá. - Ordem está dada – remata o imperador. - Estamos aqui para obedecer-lhe, alteza – completa Nguyuza – as ordens serão cumpridas a rigor. De resto, as andorinhas, são aves inúteis que nem servem para comer. Não respeitam o nosso imperador nem o nosso império. Vamos castigá-las. - Quero uma solução rápida, de qualidade! - Sim, alteza. Só preciso de algum tempo para organizar uma expedição forte para dar lição a esses insubmissos. - Assim se fala, General, assim é que gosto – sorria o imperador acariciando o ventre reluzente dos bons manjares. - A estratégia será infalível, alteza – assegurou Nguyuza – a vitória será retumbante. Traremos esses passarinhos ao magno julgamento, juramos. Serão castigados e aprenderão na dor quem manda nos raios do sol e na direcção dos ventos. Todas as andorinhas do mundo saberão, de uma só vez, quem ordena as tempestades e as trovoadas medonhas que ngungunham o mundo! - Concede-vos apenas esta noite para se preparem. - Sim, alteza. - Agora, desapareçam da minha frente. Todos baixam a cabeça e batem as palmas em sinal de total submissão. Eles sabem que cada palavra do imperador é um escarro sobre a vida. Ali mata-se. Ali morre-se. Para perder o sopro basta apenas pisar o mais ínfimo risco. - É para já, alteza! – responde Marivate. - Longa vida, alteza! – diz Lumbulule com voz de mulher. Com a alma empanturrada pela grandeza, o imperador regressa ao seu repouso e ronca, sereno. Era ele Mudungazi, o Nungunhana! Que ngungunha homens e mulheres, por isso o mundo lhe pertence! 2. Nguyuza sente calor e frio. O estômago se comprime numa náusea profunda e o vómito vem a caminho. Os intestinos também se rebelam e ele corre para a moita. Defeca e vomita fel, muito fel. Já livre do desconforto procura repouso na sombra predilecta. A purga traz-lhe clareza da mente. Pensa nas ordens acabadas de receber. As palavras do gordo imperador são o prenúncio da dança de sangue à volta do fogo. Com a história das andorinhas, o imperador busca o pretexto para uma nova sangria, as suas ordens são mais mortíferas do que as balas dos portugueses. Seria mais fácil receber ordens para matar um homem. Mas um pássaro? Na capital do império o luto ainda enjoa as pobres viúvas. Na semana finda, guerreiros valentes foram atirados à vala comum, como gatos mortos. Tudo porque o gordo imperador mandou silenciar uma manada de hipopótamos que se refrescava no lago, em pleno sol. Organizou uma expedição e os homens fizeram-se ao desafio. Hipopótamos e humanos não lutam com as mesmas armas. Enquanto os guerreiros nadavam e tentavam desferir golpes com as frágeis lanças de ferro, os hipopótamos, numa só dentada, quebravam o guerreiro pela coluna e atiravam o corpo para dar de comer aos peixes! Cem guerreiros mortos é o balanço. Outros cinquenta e tal ganharam graves mutilações. Perderam os braços, perderam as pernas, perderam a cabeça. Agora é a guerra aos pássaros. Quantos se irão perder desta vez? Na diarreia acabada de ter, a expressão de medo. Naquele vómito, o espelho do pânico. Nguyuza começa então a falar sozinho como um louco. De revolta. Faz um exame do seu percurso e conclui: a vaidade deste gordo eu é que sustento. Consumi a minha vida de batalha em batalha, de conquista em conquista, somando vitórias só para sustentar a grandeza que o enlouquece. O pôr-do-sol vem e dialoga com a sua imagem que se reflecte nos últimos raios de sol. Espelha-se. Renega-se. Não, não é minha aquela imagem de sanguinário estampada no sol que parte, correndo atrás do imperador, na conquista do nada, não, não posso ser eu. De onde me veio esta cegueira, a ponto de me deixar montar como um cavalo louco, correndo ao gosto do imperador, aperfeiçoando a arte de matar para sobreviver? Que poder é este, que destrói, que derruba, que elimina? Eu preciso de ser outro. Gostaria tanto de nascer outra vez, para ser outro e não este! Outras andorinhas dançam na copa da mafurreira. Nguyuza levanta os olhos e observa atentamente. Tenta identificar a que logrou a maior proeza da história. Sorri. Cagar no olho do imperador? Bravo macho é essa andorinha! Ousou desafiar a virilidade do mais alto do império, o Ngungunhana, que ngungunha todos os homens e todas as mulheres do planeta. Ah! O riso traz nova inspiração. Irá, sabiamente, preparar a melhor estratégia militar para abrilhantar a carreira dos bravos guerreiros com uma caçada de pássaros só para aplcacar a ira do soberano. Irão todos armados de escudo e lança. Com que armas se vão defender as pobres andorinhas? Uma brisa repentina arrebata-lhe para o outro lado da vida, num sono de magia e os deuses se revelam. No curto sonho vê primaveras e flores. Vê muito espaço azul e muita nuvem branca. Descobriu que estava no céu. Os seus olhos machos procuram um encanto celeste, uma estrela, uma anja, um pedaço de céu, para guardar na memória e recordar. Foi então que viu uma andorinha fêmea de penas sedosas, reflectindo cores de diamante. Atraído por tanta beleza, transformou-se em pássaro, voou em direcção a ela. Esta, mais veloz, eclipsou-se entre as nuvens. Ele foi voando, voando, procurando desesperadamente aquela imagem deslumbrante. Acabou entrando na fortaleza do reino das andorinhas. Ficou morto de espanto. A fortaleza não tinha paredes, nem tecto, nem armas. No meio dela viu um palácio de pérola e cristal, sem guardas nem generais, completamente adornado de estrelas e protegido de correntes de ar puro. Na entrada do palácio estava um velhinho simpático, dormindo a sesta. - Bom velho, não viu por aqui passar a andorinha mais bela do mundo? - Ah – respondeu o velho – ela te espera no horizonte do sonho. - É tão bela! Eu a amo tanto! Onde fica o horizonte do sonho? - Dentro de ti. - Como a encontrar? - Encontrá-la-ás. Mas é muito caprichosa e só abre o coração aos seres livres. - Eu sou um homem livre. - És um general! 3. Depois do mágico sono, o doce despertar. Nguyuza corre à da sacerdotisa, para decifrar o enigma. Respira fundo e diz tudo num só fôlego. - Tive um sonho. Eu flutuava como um pássaro, no mais alto dos céus. - Sonho bonito – confirma a sacerdotisa – és um homem de sorte. - Sorte? - Sim. Só as almas abençoadas vencem o peso, voam no alto e alcançam a sagrada dimensão! Nos olhos da sacerdotisa o mar de ternura se reflecte. Nguyuza mergulha na imensidão desse mar e se perde. Sorve todas as ondas de frescura e se engasga. O coração navega em sentimentos novos. Suspira. Meu Deus, como ela é bela, como é pura! - Decifra o meu sonho – implora o general. - É a chave do teu destino. - Destino? Que destino posso esperar na loucura do imperador? - A lucidez e a loucura são filhas do mesmo parto. Quando se fundem no mesmo ponto, o destino se revela. Nguyuza sorri. - Fala-me então das cores do destino. - No Zulwine, o reino das andorinhas te aguarda. - Eu? Lograrei conhecer esse lugar maravilhoso, com estes olhos que a terra há-de comer? – pergunta Nguyuza, inspirado. - Já lá estiveste. - Eu? - De lá todos partimos. - Marchei a vida inteira e nem cheguei perto desse lugar. - É o útero da vida, sem o qual nenhum ser existiria. Regressar é a sorte de poucos. - Onde fica? - Zulwine é o princípio. É o fim. É aqui ou qualquer lugar. - Chegarei? - Escolhe. Entre a lucidez e a loucura. A via longa ou a via curta. Qual dos caminhos prefere? - Ah, sacerdotisa bela! Sou um simples guerreiro, não se decifrar os enigmas do destino. Vem comigo, e ensina-me o caminho. - Oh, grande honra! – diz ela emocionada – como posso recusar o pedido do mais poderoso dos generais? Envolvem-se num abraço com sabor a mel. A sacerdotisa se transforma na andorinha do sonho, e Nguyuza num homem livre. De braços dados, voam no azul em direcção ao horizonte. No silêncio do general, a inspiração, a poesia: eu te admiro, sacerdotisa, eu te amo. Os teus olhos de mar incendeiam o meu corpo. O teu sorriso massaja-me o peito num fogo cálido, ah, sacerdotisa! Ele e ela ardem de desejo, mas não se beijam. Ela é uma eleita pelos deuses, é celibatária, é virgem como todas as freiras. Freiras na versão bantu, evidentemente. Se nguyuza ousar Se Nguyuza ousar possui-la, mesmo por amor, sofrerá o supremo castigo: a impotência. E ela será repudiada pelos espíritos. Ficará cega, surda e coberta de pústulas. - Partiremos antes do nascer do sol, prepara-te, doce sacerdotisa. Como uma criança no despontar da aurora, Nuguyuza ganha leveza na alma. Caçar andorinhas? Um encanto. Que melhor diversão podia ter um velho general cansado de guerras? Na voz do general, o lamento do tempo perdido. Meu pobre imperador: a geração que vem buscará a nossa grandeza em monumentos de pedra, sem perceber que nós, antepassados, escrevemos a nossa história em monumentos de sangue. Os nossos descendentes rir-se-ão das nossas crenças, das nossas rezas, comerão peixe e todos os insectos marinhos, sem se importarem com a nossa realeza feita de penas de pavão, tudo muda, ah, meu gordo imperador! 4. O sol surge, dourado, do ventre-mãe da nascente. Está tudo organizado. Zelosamente. Meticulosamente. As estratégias refinadas cuidadosamente. Os rapazes farão as fisgadas. As raparigas farão a colecta de andorinhas presas ou mortas. As mulheres irão tecer as redes e armadilhas caso seja necessário. Os guerreiros farão a protecção contra as feras. Mobilizam-se famílias inteiras: pais, mães, filhos e até mesmo avós. Ninguém fica. O imperador manda soltar as fanfarras para celebrar a partida dos guerreiros. Enche os ouvidos dos homens com palavras de ordem, mesmo sabendo que não se tratava de missão nenhuma. Era simples teatro. Diversão. Gozando dos poderes que tem, pondo gente em movimento, por actividade nenhuma. Os guerreiros, apesar de contrariados, reconhecem no líder louco inegáveis talentos. Bom estratega. Cérebro astuto, que o conduziu, de vitória em vitória, à construção do Império de Gaza. Aquela farsa era para privar os guerreiros da gordura e preguiça, sabiam. Era para mantê-los ocupados e não perder habilidades de guerra, há muito que não havia combates. O imperador repara que Nguyuza mobilizou os melhores guerreiros, mas não se rala. Tratava-se de uma caçada de pássaros, no final da tarde estariam de regresso e o império não ficaria privado de segurança. - Nobres guerreiros do império, desejo-vos sorte no cumprimento da vossa missão – grita o imperador. - Sim, alteza. As mentes ainda sonolentas dos guerreiros resmungam. De tanto poder, o imperador já não sabia o que fazia. Por isso respondem aos gritos e sem a menor excitação, dizendo o que ele gostava de ouvir. De resto não iam matar. Nem morrer. Iam dar um passeio pelos campos, regressar ao leito e dormir. - Quero ver todas as andorinhas de castigo e em silêncio – repete o imperador. - Sim, alteza! - Na vossa missão, aproveitem a ocasião para ngungunhar os chopes, esses infelizes. - Porquê os chopes, agora alteza? – questiona Nguyuza – eles andam bem quietinhos e já não provocam os habituais distúrbios. - Os chopes? Só eles podem enviar-me as andorinhas para provocar. Só eles. Estão interessados no meu desassossego. Os infelizes confiam nas suas flechas e nos seus arcos, porque não querem reconhecer que é a mim que o poder pertence. - Acha, então, que a andorinha que cagou no seu olho é mágica, majestade? - Não acho, tenho a certeza. Os chopes, esses insubmissos, têm o dom do feitiço, e só eles podem fazer-me essas afrontas! - Usando cocó de andorinha para derrubar um império? - Ah, vê-se mesmo que não conhecem os poderes maléficos desses infelizes! Parem de fazer perguntas e cumpram as minhas ordens! - Sim, majestade! O sentimento do imperador é de temor e respeito pelos chopes, esse rebeldes machos de arco de flecha que o desafiavam continuamente. Era o único povo a quem não conseguiria ainda subverter. Por isso os humilha sempre que pode. - Agora repeti o grito de guerra, que os chopes devem escutar – ordena o imperador. - Submetei-vos, chopes malditos, - gritam os guerreiros – submetei-vos ao nobre imperador e sereis salvos. Ele venceu os infiéis. Invadiu a pátria dos Khambane e matou o poderoso Mbinguana. Invadiu a terra dos N’wanati e construiu a capital do grande império. Quem não crê nele, morrerá! - Dizei-me, bravos guerreiros – incita o imperador – que tratamento se deve dar a esses chopes, esses bastardos? - Transformá-los em fêmeas. Vavar-lhes as orelhas e enfiar-lhes brincos de mulher. - Para quê – questiona divertido o gordo imperador – para quê? - Para que a grandeza do império se reconheça à distância. Para que os bastardos exibam no corpo a falta de virilidade. - E se encontrarem os nobres trabalhando nos campos? - Saudá-lo-emos de joelhos. Colocar-lhe-emos com o m’boti, a coroa negra, destinada aos iluminados do império. PAULINA CHIZIANE - In: “As Andorinhas” Maputo, Quarta-Feira, 25 de Março de 2009:: Notícias

Cabo Verde: Ilha da Boa Vista

Ilha da Boa Vista Uma linha de praias com dunas de areia branca com 55 km de extensão e mar cristalino – cor de turquesa – são motivos mais do que suficientes para visitar a ilha da Boa Vista. Entre os desportos náuticos mais concorridos, destacam-se o windsurf (na Baía de Sal Rei) e o mergulho nos recifes de corais, abundantes de vida e cor – onde repousam também os destroços de 40 navios abalroados. Integrada no grupo de ilhas do Barlavento cabo-verdiano, 50 km a Sul do Sal, Boa Vista é a ilha do arquipélago de Cabo Verde que está situada mais perto do Continente africano. Embora os primeiros navegadores a tenham baptizado de São Cristóvão, o seu nome actual resulta de ser o primeiro pedaço de terra firme que os navegantes do Renascimento avistavam na sua perigosa aventura atlântica. Com uma superfície de 620 km2, é a terceira maior ilha do arquipélago e, tal como o Sal e Maio, é plana, à excepção de um maciço rochoso situado a oriente, que atinge o píncaro no Pico d’Estância, com 390 metros de altura. A sua paisagem costeira é de dunas altas flutuantes de areia branca, embelezadas ocasionalmente por oásis de tamareiras e lagoas. O interior da ilha alterna desertos de areia – semelhantes ao Sahara – com planícies rochosas (a Norte). A orla marítima é envolvida por um anel de recifes de corais e rochas com forte campo magnético – o que contribuiu para o desnorte de muitas embarcações. Um pouco de história Devido às suas características geológicas e climáticas, a ilha da Boa Vista – tal como sucedeu com o Sal – após ter sido descoberta, a 14 de Maio de 1460, caiu no esquecimento durante os 150 anos seguintes – sendo utilizada apenas como pastagem para cabras. Cristóvão Colombo aportou na ilha em 1498 e fez uma descrição terrífica das dificuldades com que deparou. De resto, o curso do tempo na ilha da Boa Vista foi sendo pontuado por sucessivos naufrágios, resultantes da conjugação de circunstâncias peculiares: Ventos tempestuosos associados a correntes muito fortes; recifes rochosos pouco profundos prolongando a costa plana, envolta, muitas vezes, em neblina – com fraca visibilidade. Por volta de 1620, alguns marinheiros ingleses, constatando a boa qualidade do sal desta ilha, estabeleceram-se em Povoação Velha para explorar economicamente este recurso natural. No entanto, os ataques constantes de piratas impediram o desenvolvimento económico regular da ilha, até que, em 1820, na sequência de um saque devastador, a população mudou-se para Porto Inglês (actual Sal Rei) e construiu um forte no ilhéu defronte. A partir de então, a ilha da Boa Vista conheceu uma prosperidade relativa, alcançando até um significativo relevo cultural – ao ponto de o estilo musical emblemático de Cabo Verde (a morna) ter nascido nesta ilha. Actualmente, a indústria do turismo está em expansão, mas as infra-estruturas turísticas e rodoviárias disponíveis ainda não lhe permitem explorar as suas imensas riquezas naturais. A densidade populacional da Ilha da Boa Vista é das mais baixas do arquipélago, com apenas 5 mil habitantes.

Cabo Verde: Ilha de São Nicolau

Ilha de São Nicolau No interior montanhoso da ilha de São Nicolau estão sinalizados diversos itinerários pedestres que proporcionam caminhadas esplêndidas, com desfiladeiros ou o Atlântico como pano de fundo. Nos portos de Tarrafal e Preguiça organizam-se grupos de pesca desportiva vocacionados para peixes de grande porte. Explore também as angras e grutas espalhadas pela Baía de São Jorge, alugando um barco de pesca na praia do Carriçal, situada no extremo oriental Sul de São Nicolau. Com sete picos acima dos 500 metros de altura, formando entre vales estreitos e escarpados, a ilha de São Nicolau – tal como a de Santo Antão – é uma das mais imponentes do arquipélago cabo--verdiano. O pico mais elevado é o do Monte Gordo, com 1.304 metros, situado na confluência de duas cordilheiras vulcânicas orientadas, respectivamente, nos sentidos Norte/Sul e Noroeste. Este pico dista de Ribeira Brava, capital administrativa da ilha, apenas 8 km, para Ocidente. A Norte de Monte Gordo, no coração de São Nicolau, espraia-se o Vale da Fajã e, a Noroeste, o Vale de Ribeira da Prata, as duas zonas mais férteis, bonitas e verdejantes da ilha, onde serpenteiam ribeiros de água tépida durante o ano inteiro e se cultivam, no sopé dos vales, a cana-de-açúcar e a banana e, nos socalcos superiores, o milho e o feijão. Para Ocidente do maciço central situam-se planícies pedregosas e para Leste um espinhaço rochoso estéril, em forma de dedo apontado em riste, percorre a ilha, a toda a largura, até Castilhano formando, a Sul, a Baía de São Jorge – a maior de Cabo Verde. São Nicolau está integrada no grupo de ilhas do Barlavento cabo-verdiano, entre Santa Luzia, a Oeste, e a ilha do Sal, a oriente. A sua superfície de 343 km2, reparte-se entre um comprimento máximo de 25 km, no sentido Norte/Sul e uma largura máxima de 50 km, no sentido Este/Oeste. Um pouco de história A ilha de São Nicolau foi descoberta em 1461, provavelmente no dia consagrado ao santo – 6 de Dezembro. No entanto, o relevo muito acidentado da ilha, salvaguardando dos olhares furtivos o interior fértil e a existência de cursos de água permanentes favoráveis à agricultura e à pecuária, adiaram o seu povoamento por mais de um século. Em 1683, um marinheiro inglês relatou que em São Nicolau habitavam apenas 100 famílias e descreveu com surpresa os vinhedos verdejantes e a abundância de madeiras existentes no interior da ilha. Por outro lado, a sua exposição fácil à rapina dos corsários fez com que só depois da construção do Forte de São Jorge (em 1818), na pequena povoação de Preguiça, São Nicolau oferecesse condições de segurança para novos colonos. Em 1866, o médico e filantropo Júlio José Dias – filho de um fazendeiro abastado – doou a sua mansão de Ribeira Brava para a instalação do primeiro Seminário de Cabo Verde. A escola anexa ao Seminário ministrava um ensino de qualidade equivalente às universidades portuguesas, proporcionando aos seus alunos ingressarem nas carreiras da administração civil e eclesiástica do império colonial. As mentes mais brilhantes do arquipélago dirigiram-se, a partir de então, para São Nicolau, transformando Cabo Verde no pólo de irradiação da evangelização portuguesa na África ocidental e a ilha de São Nicolau no centro da produção intelectual do país durante os 60 anos seguintes – até ao encerramento definitivo do Seminário, em 1917. Foi aí que nasceu, em 1936, o importante movimento literário ‘Claridade’, protagonizado por Baltazar Lopes, Manuel Lopes, João Lopes e Jorge Barbosa. São Nicolau tem actualmente 20 mil habitantes, a maior parte dos quais residem na vila piscatória do Tarrafal.

Cabo Verde: Ilha Brava

Ilha Brava De relevo acidentado, orla marítima escarpada e mar bravio, a Brava proporciona caminhadas com belas vistas panorâmicas. Visite esta ilha apenas pela intrigante beleza do local que fica longe de tudo. Não vá em busca de desportos náuticos. A melhor praia situa-se perto do porto de Fajã d’Água, onde também existem lagoas seguras para a natação. Situada no extremo ocidental do grupo do Sotavento cabo-verdiano, a uns escassos 20 km do Fogo, a Brava faz jus ao seu nome: Mar encapelado, flagelado pelo vento, costa escarpada, com muitas baías, e, no interior, montanhas abruptas mergulhando em vales fundos. À medida que nos aproximamos da ilha por mar a massa escura e indistinta perceptível à distância assume a configuração de falésias de lava caindo a pique no mar, salpicadas de casas brancas empoleiradas nas montanhas. Apenas algumas vilas piscatórias estão instaladas ao mesmo nível do mar. Todavia, este espectáculo desassombrado esconde um segredo; o interior fértil e muito húmido da ilha, abundante em espécies vegetais como o dragoeiro, o hibisco, a buganvília e o jasmim. Não é por acaso que a Brava era também conhecida por "ilha das Flores". É a mais pequena das ilhas habitadas do arquipélago. Tem apenas 64 km2 de superfície e uma extensão máxima que não excede os 9 km. É também uma das ilhas mais montanhosas, atingindo no Pico das Fontainhas, com 976 metros, a sua altitude máxima. Infelizmente, a persistência de períodos prolongados de seca durante o último século tem vindo a modificar, no pior dos sentidos, as características paisagísticas da ilha. Geologicamente, a Brava é uma extensão do Fogo. No canal que separa as duas ilhas a profundidade do mar é de apenas algumas centenas de metros enquanto que o fundo do oceano em torno do resto da ilha atinge os 4 km de profundidade. Embora não exista actividade vulcânica na ilha há 10 mil anos, são ainda frequentes os abalos de terra de baixa intensidade. Um pouco de história Tudo nesta ilha apela ao segredo. A topografia couraçada, a sua condição extremo-atlântica e a inacessibilidade natural afastaram-na dos ventos de mudança que ao longo dos séculos moldaram o quotidiano das restantes ilhas do arquipélago e abandonaram-na sozinha, isolada, no torpor de uma deriva contemplativa e nostálgica do mar imenso... Foi com este sentimento que Eugénio Tavares recriou a morna moderna exprimindo, simultaneamente, o sentido da alma bravense. Apesar de ter sido descoberta em 1462, o povoamento da Brava só começou realmente em 1620 com a chegada de marinheiros da Madeira e dos Açores. Por isso, mas também porque a ilha se manteve à margem do comércio esclavagista, uma parcela significativa da sua população é hoje de pele mais clara do que nas outras ilhas do arquipélago. Em 1680, na sequência da erupção apocalíptica que devastou a ilha do Fogo, uma parte dos habitantes desta ilha refugiou-se na ilha vizinha e por lá ficou. A Brava acordou pela primeira vez para o bulício mercantilista do mundo moderno em 1730 quando o militar britânico George Roberts adquiriu os direitos de exploração da urzela que cobria as suas encostas. A sua população duplicou em menos de 50 anos. No final do séc. XVIII, quando os baleeiros de Rhode Island e New Bedford se aventuraram nos mares do Sul encontraram na Brava as condições ideais para reabastecer navios e reforçar a tripulação com marinheiros experimentados. Este intercâmbio originou um surto inusitado de emigração de cabo-verdianos da Brava e do Fogo para a costa de Nova Inglaterra. Em 1843 instalou-se um consulado americano na Brava e em 1850 foi inaugurada uma escola secundária que atraiu estudantes de todo o arquipélago e, até, da Guiné-Bissau. A Brava era então uma das ilhas do arquipélago mais agradáveis para se viver. As remessas dos americanos – assim eram conhecidos os emigrantes cabo-verdianos nos EUA – eram a "árvore de patacas" que faltava. Mas a depressão americana de 1930 e as secas prolongadas que se seguiram cortaram cerce os sonhos de bem-estar deste recanto atlântico. A ilha tem hoje 8 mil habitantes, a maior parte dos quais reside em Vila Nova de Sintra, a capital da ilha.

Maputo: Adriana Calcanhotto lança hoje o seu livro “Saga Lusa”

Adriana Calcanhotto lança hoje “Saga Lusa” É lançado hoje, às 18 horas, no Indy Village, o livro “Saga Lusa”, da autoria da conceituada cantora brasileira Adriana Calcanhotto. Esta obra com que a autora nos brinda há 24 horas do seu grande concerto, amanhã a partir das 20:30 horas no Centro Cultural Universitário da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, é um relato da sua viagem a Portugal numa digressão para lançar o disco Maré. O mesmo foi publicado no ano passado. O relato mostra como foram as 120 horas em que a artista ficou sem dormir, somente a delirar devido ao efeito causado por uma mistura de remédios que havia tomado para curar uma forte gripe. A escrita feita nos momentos de delírio, insónia e medos torna-se a única actividade que Adriana, sentada em frente ao seu computador, realiza e com muito bom humor. O livro está repleto de passagens engraçadas nos momentos de delírio, onde a própria escritora ri de si mesma. O livro foi lançado pela Editora Cobogó (Brasil) com capa em 4 cores diferentes e por Quasi Edições (Portugal). Ela estará em palco com Moreno Veloso e Domenico Lancelloti, num concerto em que foi convidado João Cabaço para proceder à abertura. Temas como “Justo Agora”, de Adriana Calcanhotto, “Hoje”, de Moreno Veloso”, “Borboleta”, de Domenico Lancellotti, poderão ser ouvidos no espectáculo, cujos ingressos estão à venda ao preço de mil e quinhentos meticais. Maputo, Quinta-Feira, 26 de Março de 2009:: Notícias

25 de março de 2009

Cabo Verde: Funaná