11 de maio de 2009

Postal de Lisboa: Numa nesga de terra sobrante, Adelino Semedo, cuida da sua horta familiar

Numa nesga de terra sobrante, entre o sulco de auto-estradas onde passam vertiginosamente centenas de viaturas, Adelino Semedo, cuida das batatas, das favas, do milho, num acto de sabedoria de quem acarinha os frutos da terra-mãe fertilizada. Este cabo-verdiano desempregado há quatro anos, entre a estimativa de quinze por cento na comunidade, meio milhão de cidadãos em Portugal e 20 milhões globais, diz que cuidar da horta “desaborrece a cabeça”. “Até lá ao fundo é meu”, apontou-me este homem de 60 anos, “sempre cabo-verdiano”, acentuou, apesar de estar em Portugal desde os 23 anos. Nunca pediu a nacionalidade. “Quero ser fiel ao meu país”, afirma. Mesmo quando tinha trabalho nos empreiteiros, sempre vinha à “sua” terra aos sábados e domingos de manhã cedo. Em Picos, na ilha de Santiago, Adelino Semedo aprendeu de menino o que era agricultura. “O meu pai tinha vacas… cabras… muito chão para semear… mas não chovia. Agora já chove alguma coisa”. Neste pedaço de terra de ninguém, Semedo, um homem cordial e franco, possui leiras de cebolas, alhos, alfaces, couves viçosas e cuidadas, “sapatinha” (feijão manteiga e catarino) e o imprescindível milho. Sabe que, de quando em vez, aparecem as autoridades da estradas a avisarem que vão arrasar esses pedaços de terra cultivada para deles fazerem jardins ou paredes para evitar o desabamento de terras, mas ainda assim arrisca. Logo ao lado, há um outro talhão cultivado. “Este é de um vizinho, de Santo Antão”. Mais ali, do outro lado, há uma mulher. Todas as manhãs Semedo se curva sobre a enxada, indiferente ao barulho dos carros que passam em direcção a Sintra. Pedreiro de profissão Adelino Semedo já fez por conta de empreiteiros milhares de casas de bairros na zona do Cacém, Sintra, Amadora, Cascais, Oeiras. “Só fiz casas! Muitas”, diz o viúvo e pai de quatro filhos. A “horta dá jeito, ajuda… umas batatas…um feijão para a cachupa…” Morador no bairro Cova da Moura, outrora uma zona de quintas e hortas sacrificadas à expansão urbana da capital portuguesa, Semedo caminha todas as manhãs, a pé, contornado pontes metálicas e passadeiras demarcadas, para “desaborrecer a cabeça”, como diz, mas acima de tudo, fazer desse cultivo, um acto de amor, superior à azáfama de quem corre sobre rodas, sabe-se lá para onde… Então como rega as plantas hortícolas se aqui não tem água? - questionei. “Aqui não há problemas de água. Semeámos em Dezembro e Janeiro. A chuva que cai é suficiente”, disse, explicando a sua engenharia visível. Pela encosta estendeu um oleado e na sua orla uma fila de bidões apanha o escorrimento da água que cai da chuva. “Quando é preciso regar é destes bidões que a vou buscar!”, diz. Em número crescente, incentivadas pela crise económica e a necessidade de sobrevivência, as hortas são uma paisagem constante, agradável, cultivadas por uma maioria de cabo-verdianos, guineenses e portugueses, abstraídos da paisagem de betão e do trânsito da cidade que as circunda. O cenário que o arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Teles diz “fazer falta a Lisboa”, revela que há até quem tenha plantado mandioca e bananeiras, difíceis de singrar neste clima, mas que a teimosia fez brotar. Estes pedaços de terra fecundados foram tema de um encontro de arquitectura e objecto de um prémio da Culturgest – a melhor horta nos critérios de organização, eficácia de meios e princípios ecológicos foi distinguida com dois mil euros, para a compra de matérias. Estendem-se pela zona periférica das grandes cidades, Lisboa e Porto. Na capital são visíveis ao longo de um anel de sete quilómetros que vai desde a Quinta da Granja (Benfica) até ao Vale de Chelas, passando pela Ameixoeira, Vale da Montanha (Olaias), Vale Fundão (Marvila), Tapada da Ajuda (Ajuda/Alcântara), Rio Seco (Ajuda), Pedrouços (Belém), Bairro Padre Cruz, Carnide, Benfica e Telheiras. Um designado “Plano Verde”, que está a ser estudado pelo gabinete do vereador do Ambiente e Espaços Verdes, José Sá Fernandes, visa a criação de corredores verdes onde se prevê um investimento de dois milhões de euros em 2009, de 2,1 milhões em 2010 e 2,5 milhões no ano seguinte. A ideia é revitalizar as hortas já existentes, conjugando-as nomeadamente com a abertura de parques hortícolas, de acesso livre, mas em que os produtos não podem ser vendidos. São apenas para consumo. Otilia Leitão A Semana, 7 de Maio de 2009

Portugal: Festa na conferência

Festa na conferência A conferência de imprensa que o treinador do FC Porto, Jesualdo Ferreira, dava no final da partida contra o Nacional foi interrompida pela euforia dos seus jogadores. Foto@Lusa/Estela Silva

Bento XVI: peregrinação aos locais por onde passou Cristo

Bento XVI: peregrinação aos locais por onde passou Cristo É uma visita de reconciliação: o papa Bento XVI está de visita ao Médio Oriente, no que a igreja descreve como uma "peregrinação de paz". Este percurso liga locais, hoje em diferentes países (Jordânia, Israel, territórios ocupados), que fazem parte da Terra Santa dos cristãos. A visita é tanto mais simbólica quanto esta zona é, também, o centro das religiões muçulmana e judaica. Veja aqui imagens actuais e antigas dos locais da Terra Santa que fazem parte desta visita. O papa esteve já em Monte Nebo (o local de onde Moisés terá avistado a terra prometida) e Wadi Kharrar (nas margens do Jordão, um dos locais apontados para o possível baptismo de Cristo); a partir desta segunda-feira, está em Israel, visitando Tel Aviv, Jerusalém e Belém, cidade que faz parte actualmente dos territórios ocupados palestinianos. Judeus e muçulmanos esperam muito desta visita; nomeadamente, que o papa peça desculpas públicas por comentários considerados ofensivos. Em 2006, Bento XVI enfureceu os muçulmanos num discurso em que associava o profeta Maomé à violência. Veio depois lamentar que esta declaração tenha sido entendida fora de contexto. Mais recentemente, o papa (de nacionalidade alemã, recorde-se, e com uma passagem pela juventude hitleriana) readmitiu na igreja um bispo que negou o Holocausto. Mas é sobretudo aos cristãos do Médio Oriente, cujo número tem vindo a diminuir, que se dirige o apelo de Bento XVI, para que se mantenham firmes na sua fé. Imagem: Um homem palestiniano afixa um poster do papa Bento XVI na janela da igreja da Natividade, em Belém. EPA/ABED AL HASHLAMOUN Saber mais: Galeria de imagens: papa Bento XVI de visita à Terra Santa - 8 a 11 de Maio de 2009 Lista de lugares bíblicos (SAPO Saber) Perfil e vida do Papa Bento XVI (SAPO Saber) Sapo, 11 de Maio de 2009

Kamoka (Cabo Verde)

KAMOKA Ingredientes: 1 l de milho di téra Preparo: Ponha uma panela ou uma frigideira funda ao lume, deite milho e vá mexendo com uma colher de pau, até o milho ficar cozido, mas sem deixar queimar. Fica com uma cor castanha, toda por igual. Ponha o milho no pilão, e vá pilando até obter a farinha. Num balaio de tenter ou numa panela, vá tirando a farinha. Ponha o xerén no pilão, e faça a mesma operação, pilar, peneirar, até não não conseguir tirar mais farinha de xerén. Se esta operação for feita num moinho, não sobra xerén. Os nossos avós contavam que no tempo das águas, preparavam uma quantidade de kamoka a que misturavam com mel ou açúcar di téra, até fazer uma massa que depois guardavam em potes, era desjejum das pessoas que iam trabalhar no campo, que misturavam essa massa com leite ou mesmo com água. É forte, saudável e dizem que ajuda muito a reter a memória.

Papa de milho (Cabo Verde)

PAPA DE MILHO Ingredientes: 2 chávenas de farinha de milho (de preferência de pilão) 6 chávenas de água Sal. Preparo: Ponha uma panela ao lume coma água a ferver e o sal, quando a água estiver a ferver, vá deitando farinha aos poucos, e mexendo sempre com uma colher de pau, para não encaroçar. A farinha sai por entre os dedos esquerda, enquanto a mão direita vai mexendo sem para, até a massa ficar com consistência desejada (poder deitar mais ou menos farinha, a seu gosto). Continue a mexer até a papa despregar do fundo da panela. Tape, apague o lume, deixe repousar durante alguns minutos, e está pronto a servir.

Pãezinhos crioulos (Cabo Verde)

PÃEZINHOS CRIOULOS Ingredientes: ½ kg de farinha ½ chávena (sopa) de fermento granulado 75 g de manteiga 2 ovos 50 g de açúcar (pão doce) ou um pouco de sal (pão salgado). Preparo: Desfaça o fermento num pouco de água morna, durante 15 minutos, junte todos os ingredientes, amasse bem e deixe descansar durante cerca de 1 hora, conforme o crescimento da massa, Faça os pãezinhos, coloque numa bandeja untada com farinha e leve a cozer em forno brando.

Sopa de tomate relâmpago (Cabo Verde)

SOPA DE TOMATE RELÂMPAGO Tempo de preparo: 10 minutos Receita para 2 pessoas Ingredientes: 1 colher (sopa) de cebolinha verde picada ½ chávena de creme de leite ½ litro de sumo de tomate Sal a gosto Modo de preparo: Misturar todos os ingredientes, menos a cebolinha. Bater tudo no liquidificador e servir com cebolinhas salpicadas por cima.

Parafuso à crioulo (Cabo Verde)

PARAFUSO À CRIOULO Tempo de preparo: 30 minutos Receita para 5 pessoas Ingredientes: 2 colher (chá) de cebola picada 1 colher (sopa) de óleo 1 pacote de macarrão parafuso (500 gramas) Sal e pimenta-do-reino a gosto 1 lata de sumo de tomate 1 lata de milho verde 8 salsichas Modo de preparo: Cortar as salsichas em rodelas de, aproximadamente, 1,5 cm de espessura. Aquecer o óleo e. fritar as salsichas, mexendo sempre. Acrescentar o sumo de tomate, o milho (com o líquido), a pimenta, o sal e a cebola. Mexer sempre. Deixar ferver, Reduzir o fogo e cozinhar em lume brando durante 10 minutos. Enquanto isso, cozinhar o macarrão. Servir o molho sobre este, se quiser, salpicar queijo parmesão ralado.

Reunião de Ministros da Saúde CPLP deverá aprovar Escola Médica em Cabo Verde

Reunião de Ministros da Saúde CPLP deverá aprovar Escola Médica em Cabo Verde O Conselho de Ministros da Saúde da CPLP que se vai reunir no próximo dia 15 de Maio no Estoril, Lisboa, vai debruçar-se sobre integração do projecto de uma Escola de Formação Médica da CPLP em Cabo Verde, no Plano Estratégico de Cooperação de Saúde da Comunidade. Segundo Maria do Céu Machado, alta comissária para a Saúde, essa Escola já acordada entre a comunidade médica e Cabo Verde contribuiria para uma uniformização de procedimentos nos diferentes paises. Um outro exemplo que o Plano Estratégico de Cooperação em Saúde da CPLP pode concretizar é a reestruturação das Escolas de Saúde Pública nos diferentes países. O Plano Estratégico de Cooperação em Saúde(PECS) apresentado no decurso do certame “Os dias do Desenvolvimento” por Manuel Lapão, director da cooperação, deverá custar entre 20 a 30 milhões de euros e será válido para o quadriénio 2009-2012 "Será muito difícil que os estados-membros consigam congregar o conjunto de verbas que é imprescindível para a sua concretização. E para tal será necessário desenvolver uma mesa-redonda de doadores, depois da aprovação e a assinatura do PECS pelos Estados, para tentar cativar apoios internacionais", salientou. No âmbito do PECS, a CPLP criou um fundo financeiro específico, que irá reunir os apoios financeiros para permitir o desenvolvimento do plano, disse ainda Manuel Lapão. "Vamos tentar envolver outros actores, como o Banco Mundial e a Comissão Europeia, para tentarmos mais tarde organizar uma mesa-redonda de doadores que possa financiar esse fundo", precisou. Os objectivos do PECS visam a promoção da melhoria da qualidade de vida das populações dos oito Estados membros e dos sistemas de saúde pública. O ex-presidente português Jorge Sampaio, que é também embaixador de Boa Vontade da CPLP e enviado especial do secretário-geral da ONU para a Luta Contra a Tuberculose, considerou a elaboração deste plano “ particularmente oportuna porque coincide com um período de crise internacional económica e financeira grave, cujo impacto na saúde pública se teme poder ter consequências gravosas". OL SapoCV, 10 de Maio de 2009

Conduto de peixe seco (Angola)

Conduto de peixe seco (Angola) Ingredientes: 1 cebola 1 tomate maduro 1 couve Rama de batata doce (ou espinafres) 2 colheres de sopa de azeite de palma 2 carapaus ou pargo ou garoupa Preparação: Fazer o refogado com cebola picada e um pouco de azeite. Acrescente um tomate maduro, duas colheres de sopa de azeite de palma e deixe refogar em lume brando. Acrescente água e couve esfarrapada, rama de batata doce ou espinafres e por fim quando a hortaliça estiver cozida acrescenta-se o peixe deixando refugar mais um pouco. Acompanhe com pirão. Nota: O peixe deve ser seco em sal, ou seja, deve-se deixar o peixe secar ao sol com muito sal em cima, durante 3 dias.
Quando o for cozinhar, convem demolha-lo perto de 2 ou 3 horas. História: Este conduto acompanha peixe seco como Bagre, Corvina, Caqueia ou Carapau.

Portugal: FC Porto é tetracampeão

FC Porto é tetracampeão O treinador do FC Porto, Jesualdo Ferreira, celebra mais um campeonato no final do jogo com o Nacional da Madeira no Estádio do Dragão, na cidade do Porto. Foto@EPA/Estela Silva

10 de maio de 2009

Chá dos Açores

Chá dos Açores A Fábrica de Chá Porto Formoso, nos Açores, uma das duas existentes na Europa, com uma produção anual de oito toneladas, tem apostado na defesa da cultura local, recriando anualmente o início da colheita do chá. Foto@Lusa/Eduardo Costas

9 de maio de 2009

Luiz Gonzaga: Procurando tu

Espanha: Gato preto nem sempre dá azar

Gato preto nem sempre dá azar O mais recente milionário é espanhol e comprou o bilhete vencedor na casa de jogo «O Gato Preto», em Madrid. O jogador ganhou a módica quantia de 126.231,764 milhões de euros. Na foto, o funcionário do estabelecimento exibe um cartaz com a indicação do prémio. Aqui fica a prova de que gato preto nem sempre dá azar. Foto@EPA/Gustavo Cuevas

Moçambique: Ilha Medjumbe (Arquipélago das Quirimbas)







Ilha Medjumbe A Ilha Medjumbe situa-se no Arquipélago das Quirimbas, no Norte de Moçambique. Tem 800 metros de extensão e 350 metros de largura. As suas praias cristalinas e os fantásticos lugares para mergulho, fazem da ilha privada de Medjumbe o local ideal para apreciadores de mergulho e uma excelente escolha para uma lua de mel. Aproveite para desfrutar de tudo o que a ilha tem para lhe oferecer.

Matapa, comida típica moçambicana

Matapa, comida tipica moçambicana
Os cozinheiros moçambicanos são excelentes. O peixe, marisco como lagosta, camarão, mexilhão são deliciosos. E depois há os temperos tradicionais da comida indiana que fazem as delicias de muitos paladares. No Norte de Moçambique pode comer, por exemplo Lumino – que demora horas a preparar. Os ingredientes são cacana embora por vezes possa ser feito com banana. E tem ainda tomate, cebolas, caril, coco e manga seca. Há ainda o Nkhungo. Bom este é feito com insectos e é mais praticado junto ao lago do Niassa. São misturados com coco, óleo e caril e formadas bolas. Podem também ser fumados. A Matapa é feita com cacana e couves e é cozido com leite de coco. Não convém beber alcóol junto com este prato senão vai amargar. Tocassado é peixe com tomate e cebola mas o cozinheiro pode ainda juntar mangas secas ou folhas de embondeiro. Para sobremesa no Norte come-se muito Cashews e pode servir para fazer bebidas alcóolicas. Por fim, o famoso café do Ibo para terminar em beleza. Algo que ficou do período colonial mas neste momento a sua produção está em declínio. Texto: Teresa Cotrim

Línguas: São 32 o número de línguas e variantes alistadas para Moçambique

Línguas São 32 o número de línguas e variantes alistadas para Moçambique CHOPI (SHICHOPI, COPI, CICOPI, SHICOPI, TSCHOPI, TXOPI, TXITXOPI) Com 760.000 falantes. Lingua com aproximadamente 760.000 falantes. Falada na costa, sul de moçambique, a norte do rio de Limpopo. O centro é Quissico, parte do sul do distrito de Zavala, na zona costeira de aproximadamente 100 quilômetros entre Inharrime e Chidunguela. CHWABO (CHICHWABO, CHUABO, CHWAMPO, CUABO, CICUABO, CUAMBO, CHUAMBO, TXUWABO, LOLO, ECHUWABO, ECHUABO) Com 664.279 falantes (censo de 1980).Falada na zona centro norte na parte costeira entre Quelimane e o Milanje . É de salientar que o Chwabo do distrito de Macusi e Marrara têm a similaridade 78% lexical. KOTI (COTI, EKOTI, AKOTI, ANGOCHE, ANGOXE) Lingua com aproximadamente 41.287 falantes (censo 1980). falada na Província de Nampula, distrito de Angoche, na zona costeira de Angoche e do arquipélago de Moma. Koti é provavelmente uma língua separada dentro do grupo de Makua. O mais perto a Sakaji. Perto de Maka e de Makhuwa. Koti usado por todas as idades em casa, no mercado, e em negocios. Aqueles acima de 15 anos podem usar Makhuwa (negocios, contactos com vizinhos) ou Maka, português é usado (escola, igreja, governo), usa- se muito pouco Swahili ou árabe. 20% são literate no português. KUNDA (CHIKUNDA, CIKUNDA, CHICUNDA) Lingua com aproximadamente 3.258 falantesem Moçambique (censo 1980); 29.000 em Zimbabwe ; 100.000 em todos os países. Em torno da afluência dos rios de Luangwe e do Zambeze Também na Zâmbia. RD Congo , Alta-volta. LOMWE (NGULU, INGULU, NGURU, MIHAVANE, MIHAVANI, MIHAWANI, MAKUA OCIDENTAL, LOMUE, ILOMWE, ELOMWE, ALOMWE, WALOMWE, CHILOWE, CILOWE, ACILOWE, LOLO) Lingua com aproximadamente 1.300.000 falantes em Moçambique (1991); 1.550.000 em Malawi (1993); 2.850.000 em todos os países. Do nordeste e central, a maioria da província de Zambezia o fala, província do sul de Nampula. O centro do prestigio é alto Molocue, Zambezia.É semelhante a Makhuwa, Chwabo. Diferente de Ngulu (Kingulu) de Tanzânia. MAKHUWA-MACA (MACA, MAKA, EMAKA, KHINGA, EKHINGA, TTHWARI, ETTHWARI, MWIKARI, EMWUIKARI) Lingua com aproximadamente 300.000 a 400.000 falantes(1989). Falada na costa da província central de Cabo Delgado, de Moma a ilha de Moçambique. Dialectos do Makua: ENAHARRA (MAHARRA, NAHARRA, NAHARA), EMPAMELA (NAMPAMELA), ENLAI (MULAI), EMAREVONE (MAREVONE, MARREVONE). Provavelmente uma língua separada dentro do grupo de Makua. Maca sul parece ser significativamente diferente de Maca norte e de Makhuwa-Makhwana. MAKHUWA-MAKHUWANA (MAKHUWANA, MAKUANA, EMAKHUWANA) Lingua com aproximadamente 2.500.000 falantes (1996). Falada na Provincia de Nampula. MAKHUWA-METTO (MAKUA, IMAKUA, MAKOA, MAKOANE, MATO, MAQUOUA, KIMAKUA, MACUA) Lingua com aproximadamente 1.500.000 falantes em Moçambique (1996); 360.000 em Tanzânia (1993); 7.000 nas ilhas Cômoros (1993); 1.867.000 em todos os países. No centro norte, Também possivelmente em Malawi. Dialectos De Makua: MEDO (METO, METTO, EMETO, EMEETTO), SAKA (ESAKA). Emeto tem 81% à similaridade 88% lexical com Esaka, 78% a 82% com Enahara, 78% a 80% com Makhuwana, 66% a 68% com Lomwe. MAKHUWA-SHIRIMA (MAKUA OCIDENTAL, XIRIMA, ESHIRIMA, CHIRIMA, SHIRIMA, MAKHUWA-NIASSA) Lingua com aproximadamente 900.000 falantes (1996). O centro pode ser Mada, a sul do rio de Lugenda na província de Niassa. provavelmente não se interliga com o dialecto Metto de Makhuwa. MAKONDE (CHIMAKONDE, CHINIMAKONDE, CIMAKONDE, KONDE, MAKONDA, MACONDE, SHIMAKONDE, MATAMBWE) Lingua com aproximadamente 360.000 falantes em moçambique (1993) incluindo 12.000 Ndonde (1980); 900.000 em Tanzânia (1993); 1.260.000 em todos os países. Nordeste de Moçambique. Dialectos De Yao: VADONDE (DONDE, NDONDE), VAMWALU (MWALU), VAMWAMBE (MWAMBE), VAMAKONDE (MAKONDE). Relacionamento pròxima a Maviha, que pode ser um dialecto. Isolado. Os falantes o falam foram de casa. MAKWE (KIMAKWE, PALMA) Lingua com aproximadamente 20.000 a 30.000 falantes (1993). Falada na Província de Cabo Delgado, no norte da costa de Pemba; Palma, Quianga, sul ao da ilha de Vamizi, e interior ao longo do rio de Rovuma. Dialectos De Swahili: MAKWE COASTAL (PALMA), MAKWE INTERIOR. similaridade 60% lexical com Swahili, 57% com Mwani, 48% com Yao. Não inerente interligação com Swahili. Todos os homens parecem falar Swahili, todas as mulheres o compreendem. A maioria de homens de Palma podem falar Mwani. A maioria de povos de Rovuma podem falar Makonde. Aqueles que tiverem alfabetização podem ler o português ou o Swahili. MANYIKA (CHIMANYIKA, MANIKA) Lingua com aproximadamente 100.000 falantes em Moçambique (1972); 348.350 em Zimbabwe (1969); 450.000 ou mais em todos os paísesde. Metade do norte da província de Manica. Também no Zimbabwe. Dialectos De Shona: BOCHA (BOKA), BUNJI, BVUMBA, DOMBA, GUTA, AQUI, HUNGWE, JINDWI, KAROMBE, NYAMUKA, NYATWE, TEVE, UNYAMA. Manyika tem 74% à similaridade 81% lexical com Ndau. MARENDJE (EMARENDJE, MARENJE) Lingua com aproximadamente 402.861 falantes (censo 1980). pode ser o mais próximo a Chwabo. MWANI (KIMWANI, MWANE, MUANE, QUIMUANE, IBO) Lingua com aproximadamente 100.000 falantes (1990); 20.000 falantes da língua. Província de Cabo Delgado, no norte da costa de Pemba; Ibo a Mocomia. Muitas ilhas do norte de moçambique. Dialects De Swahili: IBO, PEMBA, QUISSANGA, MOCIMBOA DA PRAIA. Os povos são chamados ' Mwani ', ' Namwani ', ou 'Namuane'. Similaridade 60% lexical com Swahili; 48% com Yao. Não há interligação com Swahili. Isolando- se muito. é o dialecto prestigiado da ilha de Ibo. O dialecto da Mocimboa da Praia é mais ou menos interligado com este. 30% a 40% dos povos usam o português como a segunda língua, 30% Swahili, 30% a 40% Makhuwa. Os homens são mais bilíngües do que mulheres. Os comerciantes e as as escolas primarias podem usar o português. Povo o uso KiMwani em casa, para finalidades sociais, em negocios; Swahili para negociar no norte; Português na escola, para o governo e em negocios. NDAU (CHINDAU, NJAO, NDZAWU, SHONA DO SUDESTE, SOFALA) Lingua com aproximadamente 109.000 falantes em Moçambique (1991); 391.000 em Zimbabwe (1991); 500.000 em toda a região central do país (1991).No sul de Beira em Sofala e na província de Manica. Dialectos De Shona: CHANGA (CHICHANGA, CHIXANGA, XANGA, SHANGA, MASHANGA, CIMASHANGA, SENJI, CHISENJI), DANDA (VADANDA, WADONDO, WATANDE), GARWE, TONGA (ABATONGA, ATONGA, BATOKA, BATONGA, WATONGA), BALKE (CIBALKE), NDANDA (CINDANDA). Os dialectos de Danda, de Amakaya, e de Chibambava têm 84% à similaridade 88% lexical; 74% a 81% com Manyika. Mais perto de Manyika, e muito mais divergente da união Shona. Danda e Ndanda podem ser o mesmo. Outros nomes geográficos ou étnicos: Dzika, Hijo, Buzi (Buji), Tomboji, Mukwilo. NGONI (CHINGONI, KINGONI, ANGONI, KISUTU, SUTU) Lingua com aproximadamente 35.000 falantes em Moçambique (1989); 170.000 na Tanzânia (1987); 758.000 em Malawi (1993); 963.000 em todos o país. Diversas regiões, na província central de Cabo Delgado, em torno de Macuaida na província de Niassa, na província de Tete no nordeste e sudeoeste da província de Maputo. NSENGA (CHINSENGA, SENGA) Lingua com aproximadamente 141.000 falantes em Moçambique (1993); 427.000 in Zambia (1993); 16.100 in Zimbabwe (1969); 584.000 e em todo o país. Dialecto: PIMBI. Distincto de Senga dialecto de Tumbuka na Zambia, Malawi e Tanzania. NYANJA (CHINYANJA) Lingua com aproximadamente 423,000 falantes em Moçambique (1993); 3.200.000 em Malawi (1993); 989.000 na Zambia (1993); 251.800 no Zimbabwe (censo 1969); 5.000.000 em todos os países (1995). Niassa, Zambezia e na Provincia de Tete. CiChewa no distrito de Macanga, Tete; CiNgoni em Sanga e Lago Niassa, Angonia em Tete; CiNsenga no Zumbo em Tete; CiNyanja ao longo do Lago Niassa e Tete. Tambem na Tanzania. Dialectos: CHEWA (CEWA, CHICHEWA, CICEWA), NGONI (CINGONI), NSENGA (CINSENGA), NYANJA (CINYANJA). NYUNGWE (CHINYUNGWI, CINYUNGWE, NYONGWE, TETA, TETE, YUNGWE) Lingua com aproximadamente 262.455 falantes (censo 1980). Na bacia central do rio Zambeze abaixo de Sena. PODZO (CHIPODZO, CIPODZO, PUTHSU, SHIPUTHSU) Lingua com aproximadamente 86.000 (1993). Na fronteira sul das Provincias da Zambezia e Sofala, este do rio Zambeze deste marromeu ate Chinde. Reportagens indicam que Podzo é ligado inerentemente ao Sena. aproximadamente ao Sena e Chwabo. 92% lexico similar com Sena. PORTUGUÊS Língua oficial de moçambique e com aproximadamente 30,000 falantes em Mozambique (1993), 27% falantes como linguagem secundaria (censo 1980); 170.000.000 em todos os países (1995). RONGA (SHIRONGA, XIRONGA, GIRONGA) Lingua com aproximadamente 423.797 falantes em Moçambique (censo 1980); 500.000 em todos os paises(1991). Sul da Provincia de Maputo, áreas costeiras. Tambem na África do sul. Dialectos: KONDE, PUTRU, KALANGA. Particular interligação com ShiTsonga and ShiTswa. SAKAJI (ESAKAJI, SANKAJI, SANGAJI, SANGAGE, THEITHEI) Lingua com aproximadamente 18.000 Falantes em Moçambique (1993). Na costa, no norte de Angoche na peninsula de Sangange em Zubairi, Charamatane, Amisse, Mutembua, Namaeca, Namaponda, e tambem emo Mogincual e Khibulani. Similar a Makhuwa e Swahili. SENA (CISENA, CHISENA) Lingua com aproximadamente 1.086.040 em moçambique (censo 1980). Nordeste das Provincias de Sofala, Tete, e Zambezia. Sena é a lingua predominante em Tete e Noroeste de Sofala. SHONA ("SWINA", CHISHONA) Lingua com aproximadamente 759.923 falantes em Mozambique, possivelmente incluindo o Ndau e Manyika (censo 1980); 6.225.000 no Zimbabwe (1989); 15.000 na Zambia; 7.000.000 em todos os países (1990). TAmbem em Malawi. Dialectos: KOREKORE (SHONA DO NORTE), ZEZURU (BAZEZURU, BAZUZURA, MAZIZURU, VAZEZURU, WAZEZURU). Interligado com Manyika. SWAHILI Lingua com aproximadamente 6.104 falantes em Moçambique (censo 1980); 5.000.000 falantes como lingua principal (1989 ); 30.000.000 como lingua secundaria (1989). Tambem no nordeste da Tanzania, Kenya, Uganda, Rwanda, Burundi, Somalia, Mayotte, Africa do Sul, Emirados Árabes Unidos, Oma, Estados Unidos da America. SWATI (SWAZI, ISISWAZI, SISWATI, TEKELA, TEKEZA) Lingua com aproximadamente 731 falantes em Moçambique (censo 1980); 1.670.000 em todos os paísess. tambem na Swazilandia e África do Sul. TONGA (GITONGA, INHAMBANE, SHENGWE, BITONGA, TONGA-INHAMBANE) Lingua com aproximadamente 223.971 falantes em Moçambique (1980 census). South, Inhambane area up to Morrumbane. Niger-Congo , Atlantic-Congo, Volta-Congo, Benue-Congo, Bantoid, Southern, Narrow Bantu, Central, S, Chopi (S.60). Dialects: GITONGA GY KHOGANI, NYAMBE (CINYAMBE), SEWI (GISEWI). 44% lexical similarity with Chopi. Different from ChiTonga of Malawi, ChiTonga of Zambia and Zimbabwe, or Tonga dialect of Ndau. NT 1890, in press (1996). Bible portions 1888-1989. Work in progress. TSONGA (SHITSONGA, XITSONGA, THONGA, TONGA, GWAMBA) Lingua com aproximadamente 1.500.000 falantes em Mozambique (1989); 1.646.000 na Africa do sul (1995); 19.000 na Swazilandia (1993); 3.165.000 em todos os países. Sul de Maputo, quase todas as Provincias de Maputo e Gaza. Dialectos: BILA (VILA), CHANGANA (CHANGA, XICHANGANA, SHANGAAN, HLANGANU, HANGANU, LANGANU, SHILANGANU, SHANGANA), JONGA (DJONGA, DZONGA), NGWALUNGU (SHINGWALUNGU). 'Tsonga' é usado para descrever XiChangana, XiTswa, e XiRonga, embora seja usada frequentemente como lingua permuta com o Changana, é a mais prestigiado das três. Todas são reconhecidas como linguas alternativas, todas elas estão interligadas. TSWA (SHITSWA, KITSWA, SHEETSWA, XITSWA) Lingua com aproximadamente 695.212 falantes em Mozambique (1980). Região sul, quase toda a Provincia de Inhambane. Tambem no Zimbabwe e Africa do sul. Dialectos: HLENGWE (LENGWE, SHILENGWE, LHENGWE, MAKWAKWE-KHAMBANA, KHAMBANA-MAKWAKWE, KHAMBANI), TSWA (DZIBI-DZONGA, DZONGA-DZIBI, DZIVI, XIDZIVI), MANDLA, NDXHONGE, NHAYI. Particular interligação com Ronga e Tsonga. YAO (CHIYAO, CIYAO, ACHAWA, ADSAWA, ADSOA, AJAWA, AYAWA, AYO, DJAO, HAIAO, HIAO, HYAO, JAO, VEIAO, WAJAO) Lingua com aproximadamente 194,107 falantes em Moçambique (censo 1980); 1,003,000 em Malawi (1993); 400.000 na Tanzania (1993); 1.597.000 em todos os paises. Centro Norte, na Área sul do Lago Niassa. Possivelmente no Zimbabwe. Dialectos: MAKALE (CIMAKALE), MASSANINGA (CIMASSANINGA). Yao na Tanzania é diferente pois usa difrente escrita. ZULU (ISIZULU, ZUNDA) Lingua com aproximadamente 1.798 falantes em Moçambique (censo 1980); 8.863.000 em todos os paises. Tambem na Africa do Sul, Malawi, Swazilandia, Lesotho. Fonte: Centro Cultural Luso Moçambicano

As Artes do Norte de Moçambique

As Artes do Norte de Moçambique O Norte de Moçambique sofreu a influência de muitas culturas, nomeadamente os Bantu, árabes, portugueses e indianos. O que está bem visível nos monumentos, na língua, na dança, na culinária… Contudo, é muito interessante verificar que a cultura árabe predomina, por exemplo no tipo de embarcações – os dowhs, na religião, pois o número de muçulmanos é de quase 99% e nos temperos utilizados para cozinhar. Mas mistela resulta numa cultura rica, variada e muito interessante. A dança a Norte de Moçambique é muito típica e no tempo colonial o povo utilizou-a também como forma de resistência à aculturação. Esta está impregnada de significados e ritos. Uma das mais comuns é a dança do mapiko. Regra geral são os macondes que a dançam mas neste momento em quase toda a Província de Delgado poderá assistir. Já no Niassa a dança mais típica é o N'ganda. Os tambores e a timbila são os instrumentos mais utilizados. E podem ter vários tamanhos e formas. O gocha, as maracas feitas de masala e sementes de frutas são também muito comuns, assim como o mpundu, uma espécie de trompete. O Norte de Moçambique é igualmente rico no que toca às artes. Pode admirar os potes cerâmicos de Moeda, Cestos de Mecufi, escultura makonde em pau preto, Coloridas esteiras de Palma que começaram por ser usadas nas mesquitas e a ourivesaria do Ibo e da Ilha de Moçambique. O ritual do Mapiko O Mapiko é uma máscara que o dançarino coloca na cabeça para esconder o rosto. E esta pode ganhar vários rosto, inclusive de animais. Se for a Pemba ao Centro de Arte Makonde pode admirar vários exemplares na prateleira. Estas são feitas com uma madeira mais leve e oca para não pesar na cabeça do bailarino. As roupas também são especiais e tudo isto serve para esconder a identidade do mapiko. Este simboliza os espíritos dos antepassados. Dos grandes líderes e dança-se para celebrar acontecimentos muito importantes, como por exemplo a passagem dos rapazes para a maioridade.
Os mais jovens explicaram-me que vão um mês para o mato e têm de sobreviver, depois quando voltam a celebração é feita com esta dança na aldeia. É um momento de orgulho. O mapiko pode também ser utilizado para comemorar a subida ao poder de um novo líder. Regra geral são utilizados quatro tambores e uma voz mas podem também usar ferrinhos para acompanhar o canto. Para quem está de fora talvez seja complicado entender a essência deste ritual. A dança do N'ganda Esta foi uma dança muito importante no tempo em que os povos lutavam pela sua libertação. Os líderes davam autênticos xutos ao entoar dos tambores. Esta continua muito popular entre os povos do lago do Niassa, a tribo Njanga, que a adoptou para cerimónias civis. Esta é acompanhada de uma voz e os temas são dedicados à pobreza, paz, saúde e política. Tufo Introduzido pelos árabes dizem que esta dança é religiosa e foi criada por Aicha, esposa do Profeta para apaziguar o mau humor de Mohammad. Apenas as mulheres dançam tufo, regra geral pintam a cara com musiro e usam capulanas muito coloridas. O nome vem de ad-duff, ou seja tambor em árabe. Maulide É uma demonstração da fé. Os homens dançam com uma espécie de alfinete ou instrumentos afiados que se chamam tupachi, que aparentemente penetram na carne mas não deitam sangue nem deixam marcas. Para preparar o corpo para este ritual alguns praticantes ficam 15 dias sem actividade sexual e sem comer peixe. É praticado nos casamentos islâmicos. É muito comum na Ilha de Moçambique. Texto: Teresa Cotrim

8 de maio de 2009

José Eduardo Agualusa: "O único país que até hoje me censurou foi Portugal"

José Eduardo Agualusa: "O único país que até hoje me censurou foi Portugal" A revelação do escritor angolano foi feita ontem, na casa Fernando Pessoa, durante uma mesa redonda sobre Crónica e Ficção, no primeiro dia do evento Letras em Lisboa II, e que juntou o brasileiro Luís Fernando Veríssimo, Agualusa, Patrícia Reis, moderado por Inês Pedrosa. A história, explicou José Eduardo Agualusa,aconteceu quando lhe pediram um texto para a revista de bordo da TAP, tendo o autor entregue um conto chamado "A Morte do Pai Natal", conto esse, aliás, "escolhido pelo Nobel de literatura nigeriano Wole Soyinka para constar de uma antologia dos melhores contos africanos." "Qual não foi o meu espanto quando, duas semanas depois, me ligaram dizendo que não o podiam publicar porque poderia ofender os passageiros angolanos", contou o escritor. Em relação a Angola, Agualusa revelou que nunca teve nenhuma experiência igual no seu país, onde é mais conhecido pelas crónicas que escreve nos jornais do que pelos romances que publica. Não deixou, no entanto, de responder ao público sobre a recente polémica à volta de uma opinião literária sobre a obra poética de Agostinho Neto. "O problema não teve que ver com ninguém do governo, mas sim de pessoas isoladas que exigiram a minha prisão. Daí considerar-se, adiantou, "o primeiro dissidente poético da História". Por seu lado, questionado sobre as fronteiras da crónica e da ficção, o brasileiro Luís Fernando Veríssimo - que mantém uma crónia mensal no jornal português Expresso - lembrou alguns dos personagens por si criados e que se tornaram muito populares entre os seus leitores. Como aquela personagem que, durante a ditadura militar, disse o escritor, "era a única a acreditar na honestidade do governo de então. Virou até atracção turística". Inês Pedrosa, actual directora da Casa Fernando Pessoa, trouxe para o debate as diferenças entre o que se escreve no Brasil e como se escreve, e os constrangimentos de publicar num país pequeno como Portugal. "Certa vez, numa loja da Baixa, tive de ouvir uma senhora que havia ficado ofendida com uma crónica minha saída essa semana, num jornal." Letras em Lisboa II continua, esta tarde de sexta-feira, com várias mesas redondas, no teatro São Luíz, com a presença de escritores como Germano Almeida, Leonor Xavier, Fernando Morais, Francisco José Viegas, Zuenir Ventura, Amílca Bettega, Teolinda Gersão, José Carlos Vasconcelos, entre outros. JA Sapo AO, 08 de Maio de 2009

Teta Lando: Senhora escutai minha voz