29 de julho de 2009

Azagaia: Combatentes da Fortuna

Combatentes da Fortuna “Esta vai para todos os dirigentes africanos Que prometeram-nos uma África melhor Mas deram-nos uma pior que a encomenda Cambada de filhos da mãe I Éramos escravos quando fizeram-nos sonhar com a liberdade Segregados quando fizeram-nos acreditar na igualdade Eles bombardearam discursos de unidade E libertaram-nos das grades da nossa passividade Nós, obedecemos àquelas ordens de combate Morremos p'ra nascermos homens livres de verdade Nós, combatemos o inimigo sem piedade A pão e água, na língua só o sabor da liberdade Operários, camponeses na trilha da revolução Eles eram os nossos deuses à quem fazíamos a adoração Donos dos nossos interesses, símbolos de idolatração Cristianismo bruxaria, socialismo religião Eles, discursaram contra ricos e burgueses, franceses, holandeses, portugueses e ingleses Eles, ensinaram-nos que o racismo tinha cor Que o diabo era branco e preta é a cor do senhor [Discurso de Samora Machel] Refrão: (2x) Vocês não são libertadores, são combatentes da fortuna E a liberdade existirá até onde for oportuna Capitalistas, socialistas ou então “comunas” Vocês não são nada disso, são combatentes da fortuna II Assassinaram desde Amílcar Cabral até Samora Os grandes lideres, mandaram-lhes para os manuais de história Prostituíram o socialismo e pariram por acidente Um falso capitalismo, filho bastardo do ocidente O ocidente pagava bem e eles foram sem “camisa” Pegaram o Vírus de Deficiência Orçamental Adquirida Esses revolucionários e recém-empresários Faliram bancos com empréstimos que nunca foram pagos Não se sabe que matou mais, se foi a guerra ou foi a fome Pela ganância que deixou milhões de africanos com fome Depois de venderem tudo, começaram a vender a fome E lucraram com imagens do povo a morrer à fome Eles, pegaram em armas e lutaram p´ra enriquecer Calaram as armas porque agora há um novo modo de o fazer Democracia, governantes no poder Eles são a única alternativa Tu és livre de escolher [Discurso de Samora Machel] Refrão (2x) III Neste combate vitalício nunca há desmobilizados Se não resulta com comícios, resulta com atentados Medias manipulados e civis sacrificados Resulta, nas eleições vemos os resultados E os combatentes da fortuna apenas mudaram de farda Ontem roubaram de balalaica, hoje é de fato e gravata Hoje é com a SADC A fingir que não vê Zimbabueanos condenados pelo direito de escolher Chibatados pelas costas como no tempo da escravatura Pelos mesmos africanos que os tiraram da escravatura Os falsos libertadores, combatentes da fortuna Corrompem a democracia e legitimam a ditadura Chiiii...cuidado que aqui também, há combatentes da fortuna Olhem bem para onde o nosso país ruma Quem não condena um ladrão manos, das duas uma Ou é ladrão, ou vai roubar na ocasião oportuna Refrão (2x) [Discurso de Samora Machel] (Azagaia)

28 de julho de 2009

S. Tomé e Príncipe: As Danças (os costumes, os rituais, os cantos, as saudações e as manifestações de cada dança)

Danças
Como no continente africano, a dança faz parte integrante da cultura são-tomense. Ao longo do ano, as danças animam as festas, os rituais e as manifestações. Os costumes, os cantos, as saudações marcam a originalidade de cada dança. A dança 'ussua' Teria nascido no início nos anos 1900, dança praticada pelos 'filhos da terra' de inspiração europeia: pas-des-lanciers, pas-de-quatre e minuete. A orquestra era composta a base de instrumentos europeus (acordeões) e africanos (tambores). É uma dança de salão das 'roças' que foi ensinada às crianças nas escolas até os anos 1960. No entanto, ela continua a ser dançada em diversas ocasiões para apresentações públicas. A dança 'socopé' O socopé é uma dança de origem africana: ritmo síncope, sensualidade, os textos criticam os acontecimentos nas comunidades. Etimologicamente, é uma dança que se dança 'só com os pés'. Trata-se de uma dança mundana nascida sem dúvida no Brasil no fim do século XVII e trazida a Portugal pela Corte que estava refugiada no Rio de Janeiro. Tivera sido introduzida em São Tomé no início do século XIX. Reúne todas as camadas sociais e todos os grupos étnicos. A orquestra é mais africana. A dança 'puita' A puita e a semba designam a mesma dança. A semba foi introduzida pelos Angolanos, ela deriva do caduque que era dançado em Luanda. A diferença é que o semba não venera os mortos como o caduque. Seu nome provem de um instrumento de música, uma flauta em bambú, denominada puita. Dança proibida na época colonial pelo seu carácter erótico, ela venera os defuntos. A tradição diz que no trigésimo dia depois da morte do defunto, uma festa seja organizada em sua honra pela sua saúde no outro mundo: come-se, bebe-se, dança-se. Ao amanhacer uma missa em honra do defunto põe fim à festa. 'Danço-Congo' É a dança mais popular e a mais africana. Ela é praticada pelos Angolares que ficaram muito tempo fechados às influências europeais. É uma dança violenta, muito ritmada que mobiliza todo o corpo. Foi também proibida na época colonial e pouco apreciada dos 'filhos da terra'. Encena, uns trinta dançarinos sob a orientação de um capitão acompanhado do 'logoso do anso molê' (anjo da guarda da roça que morre), de dois 'anso canta' (anjos cantores), de dois 'pé-pau' (dançarinos em andas), de quatro doidos, de um feticeiro, de um 'zugozugo' (ajudante feticeiro), de um 'djabo' (diabo), de quatro tocadores de tambor, o resto dança tocando canzas. Os trajos são muito coloridos, sarapintados, o feticeiro, seu ajudante e o diabo usam disfarces terrificantes, outros usam grandes chapéus. O tema do cenário é a herança de uma roça onde a estupidez e a fragilidade caracterizam os proprietários brancos das roças enquanto que a força, a bravura caracterisam os Angolores.

S. Tomé e Príncipe: Auto da Floripes é o 'Tchiloli' de Príncipe

Floripes
O Auto da Floripes é o 'Tchiloli' de Príncipe. É exclusivamente encenado uma só vez por ano, 10 de Agosto, dia do santo Lourenço. A festa dura um dia. O autor da peça é desconhecido e não se sabe como foi introduzida na ilha. A festa se passa da seguinte maneira: desde a madrugada do dia 10 de Agosto é dado uma alvorada nas ruas de Santo António pelo embaixador cristão e pelo embaixador mouro que reúne os actores ao som dos tambores e das cornetas. O embaixador cristão está a frente da igreja e o embaixador mouro está na outra extremidade da rua, do outro lado do rio. O encadeamento da história é construído em volta da guerra de Carlos Magno e dos seus doze pares contra o Almirante Balão e seus reis mouros. A guerra pode ser evitada se um dos grupos se converter à religião do outro. Cada grupo envia então, um embaixador para pedir ao outro que se converta a religião do grupo oposto. Três horas de combate opõem Olivério e Fierabras que é o filho de Balão. O amor de Floripes, filha de Balão, se converte ao cristianismo e salvará assim Guy de Borgonha, Olivério e os outros. A peça se desenrola em diferentes lugares da cidade. O papel de Floripes é desempenhado por uma jovem virgem de Príncipe que é escolhida entre as mais belas. Os outros papéis, como no Tchiloli, são hereditários. Não há nem orquestra nem danças. A festa acaba por volta das 20 horas. Como no Tchiloli os anacronismos fazem parte da peça: o guarda escruta com binóculos o céu, no caso do Almirante tentar um ataque aéreo. Os trajes são multicores e sarapintados.

São Tomé e Príncipe: História da peça de teatro "Tchiloli"

Tchiloli Desde o século XVI, uma peça de teatro, o Tchiloli, é encenada na ilha de São Tomé e Príncipe ritmando os tempos fortes do ano: as festas religiosas e as festas civis. A representação dura quase quatro horas. É uma obra atribuída ao poeta cego português Balthasar Dias: “A tragédia do marquês de Mântua e do Imperador Carlos Magno”. A peça foi introduzida em São Tomé e Príncipe no fim do século XVI pelos portugueses que vieram implantar a cultura de cana-de-açúcar. A história desenrola-se durante a época carolíngia e foi trazida sem dúvidas pelos trovadores de origem borgonhesa a partir do século XI em Portugal. O Tchiloli (nome crioulo da peça), mostra várias personagens históricas: Carlos Magno, seu filho Carloto, o Marquês de Mântua, Balduino, Reinaldo de Montalvão, Rolando. O encadeamento da história é construido em torno de um assassinato que dá lugar a uma longa apologia sobre a justiça. O assassinato acontece durante uma caçada, Marquês de Mântua descobre seu sobrinho Valdevinos, que agonisa. Valdevinos em agónia acusa o príncipe D.Carloto, seu melhor amigo, de o ter matado para lhe roubar a sua esposa, Sibila. Marquês de Mântua envia o duque de Amão e Beltrão a Corte de Carlos Magno para pedir justiça. É então organizado um processo na presença do defunto que é colocado entre as duas famílias. Uma carta encontrada, é levada por um jovem pagem, acabrunha Carloto. Apesar das súplicas da sua mulher, Carlos Magno condena à morte o seu filho na presença do ministrol da Justiça. D.Carloto recorre desta decisão com ajuda do seu advogado o conde Anderson mas em vão, Carlos Magno permanece inflexível. Desde o século XVI que os são-tomenses apropriaram-se desta peça incluindo os seus próprios textos e a sua cultura. Os textos são também improvisados de acordo com a actualidade local. Os fatos e os acessórios são frequentemente contemporâneos: telefone portátil que serve para chamar o advogado, um relógio é utilizado por Carlos Magno que consulta a hora, óculos de sol em plástico são utilizados pelos actores que utilizam também pastas, máquinas de escrever. A peça põe em cena um processo onde a justiça é feita, quer seja o acusado rico, quer seja o acusado pobre. A presença ainda muito importante desta peça após estes séculos passados pode ser explicada por dois factos essenciais. O primeiro é a visão do poder português em Carlos Magno e um público que se reconhece na pessoa de marquês de Mântua que é injustamente oprimido mas que resiste. O segundo é a representação da vítima que é omnipresente durante a peça que representa o culto dos Africanos para as mortes com a preocupação de honrá-los. As companhias teatrais, denominadas “Tragédia”, que dão as representações de Tchiloli, são constituídas por cerca de trinta pessoas: todos homens que desempenham então os papéis das mulheres. Os papéis são hereditários, cada um dos actores possui o seu papel durante toda a vida e transmite-o aos seus filhos ou afilhados.

Cabo Verde: Gilyto em Portugal para apresentar o seu novo álbum Stribilin!

27 de julho de 2009

Maputo: Paróquia de Santa Ana da Munhuana completou cem anos

Paróquia de Santa Ana da Munhuana completou cem anos A paróquia de Santa Ana da Munhuana, da Igreja Católica, na cidade de Maputo, celebra cem anos de sua criação. Centenas de crentes desta paróquia juntaram-se, domingo, para comemorar a efeméride.
A missão da Santa Ana foi fundada a dois de Janeiro de 1902. A história refere que um grupo de goeses vindo da província de Santa Ana de Goa, na Índia, formou um pequeno núcleo dos primeiros habitantes de Munhuana. Desde a sua fundação, a Paróquia tem desenvolvido diversas actividades em prol da vida religiosa e social contribuindo para a evangelização e para a formação humana dos cidadãos. A celebração Eucarística foi presidida pelo arcebispo de Maputo Dom Francisco Chimoio. Actualmente, a paróquia de Santa Ana da Munhuana tem uma Escola Comunitária que conta com mais de mil alunos da oitava à décima classes. A paróquia presta assistência a um centro de idosos. TVM, 27 de Julho de 2009

CPLP institui 5 de Maio como Dia da Língua Portuguesa

CPLP institui 5 de Maio como dia do português O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) aprovou a institucionalização do 5 de Maio como “Dia da Língua Portuguesa”. A decisão nesse sentido foi tomada no encerramento da 14ª Reunião do Conselho de Ministros da CPLP, realizada esta semana na Cidade da Praia, capital cabo-verdiana. Os ministros da CPLP decidiram igualmente criar um grupo de trabalho para reestruturar o Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP). A reestruturação do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, tema discutido pelos ministros dos Negócios Estrangeiros de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste deverá acontecer antes da cimeira da CPLP que se realiza no próximo ano, em Angola. O Ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, acredita que com a reunião da Cidade da Praia foi dado um novo impulso para a consolidação do português como língua das organizações internacionais. Citado pela BBC, Domingos Simões Pereira, Secretário-Executivo da CPLP, sublinhou que “decidimos propor a realização no próximo ano, no Brasil, de uma grande conferência internacional e de uma reunião ministerial extraordinária”. “Pretendemos aprovar um conjunto de orientações estratégicas para o ensino da língua em todos os países e em todo o espaço da CPLP”, disse Domingos Pereira. “Desejamos igualmente promover a consolidação do português como língua das organizações internacionais e a implementação do acordo ortográfico”, adiantou. Para o ministro cabo-verdiano dos Negócios Estrangeiros, José Brito, um dos grandes temas em debate na reunião do Conselho de Ministros da CPLP foi a situação na Guiné-Bissau, particularmente o processo de reforma do sector de defesa e segurança. “Renovamos a nossa solidariedade com o povo da Guiné-Bissau. Decidimos continuar o nosso apoio como a reforma do sector da segurança, que aqui discutimos”, disse. "Tomamos nota do convite feito pelo Presidente da Nigéria, que preside à CEDEAO (Comunidade Económica da Africa Ocidental), para a realização de uma conferência logo depois das eleições na Guiné-Bissau, para estudar os elementos necessários à concretização do plano aprovado na Cidade da Praia”. Segundo o Secretário-Executivo da organização, Domingos Simões Pereira, a CPLP decidiu, igualmente, abrir uma representação em Díli, para apoiar a implementação do Plano Estratégico de Cooperação para Timor-Leste. “Já estamos a trabalhar com as autoridades de Timor-Leste para implementar as duas decisões de um plano estratégico para o país e a abertura de uma representação permanente em Díli”. O Conselho de Ministros da CPLP aprovou o orçamento do Secretariado Executivo para 2009 que ascende a 1,6 milhãode euros. Maputo, Segunda-Feira, 27 de Julho de 2009:: Notícias

Cabo Verde: Campanha de limpeza no lazaret

São Vicente Campanha de limpeza no lazaret, São Vicente (Cabo-Verde). Foto@ Comunidade SAPO CV

Contos de fadas adulterados

Contos de fadas adulterados Ainda que não se assemelhem muito à imagem eterna que todos temos de cada uma destas personagens, estas duas americanas estão vestidas de Branca de Neve e Sininho. Na San Diego Comic-con, o maior festival de banda desenhada do mundo que hoje termina, é frequente os fãs aparecerem mascarados. Foto@EPA/Sean Masterson

Moçambique: Bola de preservativos alegram crianças

Bola de preservativos Em Moçambique bolas como esta, feitas de preservativos, alegram as crianças mas preocupam adultos de Chimoio. Os mais novos estão a fazer estas bolas a partir de preservativos que conseguem em campanhas de luta contra a SIDA ou junto de familiares, mesmo que já tenham sido usados. Foto@EPA/André Catueira

24 de julho de 2009

23 de julho de 2009

Mia Couto: Entrevista (23 de Julho de 2009)

Mia Couto: "Eu na escrita não sei, eu quero não saber"


Mia Couto: "Eu na escrita não sei, eu quero não saber" "Jesusalém", o novo romance do escritor moçambicano, é lançado hoje em Lisboa. Mia Couto falou-nos desta obra, da sua escrita, de Moçambique, da lusofonia, do (des)encantamento do mundo - e muito, muito, de poesia. Diz que na escrita não sabe, e quer não saber - que ama essa ignorância. Essa a premissa com que parte para cada novo livro, para não se prender nem a um formato, nem à imagem que o mundo começava a colar-lhe à pele: a de inventor de palavras. Em Jesusalém há menos palavras inventadas, mas há um país inventado segundo a vontade de um homem - Silvestre Vitalício, o pai de família que decide fundar a sua própria nação, Jesusalém, para se fechar ao mundo.
São vozes femininas as que Mia Couto convocou como fundo deste romance. É uma história povoada por homens, mas onde a ausência de uma mulher, Dordalma, é a figura omnipresente. Sophia de Mello Breyner, Hilda Hist, Alejandra Pizarnik e Adélia Prado - o escritor diz que as escolheu para abrir cada capítulo, mas que foram também elas quem o escolheu. Sapo MZ, 23 de Julho de 2009

Estados Unidos da América: Um passeio pela cidade

Um passeio pela cidade Esta mãe resolveu dar um passeio com os seus sete filhotes perto da Casa Branca, em Washington. Uma imagem única captada em plena capital dos Estados Unidos da América. Foto@EPA/Matthew Cavanaugh

Mia Couto lê um excerto do seu novo livro "Jerusalém"

África do Sul: Província de Mpumalanga regista ataques xenófobos



África do Sul: Mpumalanga regista ataques xenófobos As autoridades sul-africanas encontram-se em estado de alerta, na sequência de ataques contra estabelecimentos comerciais de estrangeiros registados hoje e terça-feira em Balfour, província de Mpumalanga (leste). Os ataques, que visaram pequenas lojas de comerciantes etíopes, paquistaneses e chineses e resultaram na fuga de uma centena de estrangeiros. O Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, já condenou os ataques, mas a situação continua tensa em várias zonas. Mpumalanga situa-se a norte da província do KwaZulu-Natal e junto à fronteira da Suazilândia e de Moçambique. Ao princípio do dia de hoje, vários grupos de vigilantes, que se afirmam descontentes pelo não cumprimento de promessas eleitorais por parte do partido no poder (Congresso Nacional Africano, ANC) continuavam a patrulhar Balfour e a localidade vizinha de Syathemba, enquanto um grupo de vereadores da província se reunia de emergência para fazer o ponto da situação e estudar formas de normalizar as áreas afectadas. Residentes de Balfour e Syathemba assumiram publicamente que promoveram ataques contra estrangeiros, destruindo e saqueando muitos dos seus estabelecimentos, mas afirmaram que as suas acções se devem às péssimas condições de vida e à pressão dos estrangeiros sobre o mercado de trabalho. “Somos africanos. Eles (as autoridades) deveriam forçar os estrangeiros a deixar o país. Estamos zangados porque o presidente da câmara não nos escuta”, disse Velaphi Radebe, um residente de um bairro degradado de Balfour a uma estação de rádio local. Um outro residente, que esteve alegadamente envolvido nos ataques contra cidadãos estrangeiros, disse à mesma estação que “as lojas dos estrangeiros foram incendiadas para chamar a atenção das autoridades”. Em várias outras zonas do país, em particular na província de Gauteng, vários protestos populares violentos contra a inércia das autoridades locais no combate à pobreza têm-se verificado nos últimos dias. Em Thokoza, a cerca de 30 quilómetros de Joanesburgo, centenas de residentes das delapidadas estalagens para trabalhadores migrantes, que existem desde os tempos do “apartheid” e que albergam tradicionalmente mineiros de outras províncias, queimaram pneus e construíram barricadas em estradas de acesso à localidade nos últimos dois dias, forçando à intervenção de unidades antimotins. Nas imediações de Meyerton, no sul da cidade, onde residentes de bairros degradados da área bloquearam terça-feira e hoje a estrada R59 e alvejaram viaturas com pedras e outros projécteis, a situação é ainda tensa. Mais de três dezenas de efectivos policiais estão ainda na zona, mantendo os manifestantes a uma distância prudente da R59. Grupos de residentes insatisfeitos com as condições de vida nos seus bairros - muitos sem electricidade, nem água canalizada - continuem a ameaçar novos ataques contra os motoristas e bloqueio daquela importante via. O presidente da Comissão Sul-Africana dos Direitos Humanos, Jody Kollapen, alertou para a possibilidade dos novos ataques xenófobos poderem agravar-se, como sucedeu no ano passado, quando por razões aparentemente idênticas, mais de 60 pessoas foram mortas por grupos de vigilantes que lançaram ataques contra moçambicanos, congoleses, malauianos e imigrantes de outras nacionalidades nos arredores de Joanesburgo. “É minha forte convicção que a violência é o resultado de males sócio-económicos e da percepção entre muitos sul-africanos de que estão a ser marginalizados. Eles olham para os cidadãos estrangeiros como concorrentes desleais”, disse Kolllapen. Lusa, 22 de Julho de 2009

22 de julho de 2009

Lisboa: Feira Tradicional Africana de 24-26 de Julho de 2009

Angola em destaque na televisão sul-africana


Angola em destaque na televisão sul-africana O crescimento da economia angolana foi ontem destaque na CNBC/África, o canal televisivo vocacionado para informação económica africana, com sede na África do Sul. No seu programa matinal, Punch Line, que acompanha a evolução diária dos negócios e dos principais mercados do mundo, o CNBC/Africa emitiu uma entrevista de 12 minutos, com Abdullah Verachia, especialista da Frontier Advisory, reconhecida empresa de pesquisa e consultoria, que apoia companhias de todo o mundo a encontrar os melhores mercados. Abdullah Verachia falou dos progressos alcançados por Angola, desde que alcançou a paz e elogiou a atitude do Presidente sul-africano, Jacob Zuma, em escolher Angola como o primeiro país a visitar, após a sua eleição, em Abril deste ano. Abdullah Verachia disse que a economia angolana foi das que menos sofreu com o impacto da crise financeira e económica mundial e continua a crescer de forma sustentada, sendo uma boa alternativa de investimento para as empresas sul-africanas que procuram inverter os resultados negativos. A ministra dos Negócios Estrangeiros da África do Sul, Maite Nkoana-Maschabane, confirmou que a visita de Zuma vai realizar-se “antes do Natal” e que visa o aprofundamento da cooperação económica, técnica, científica e cultural. “Em Angola há enormes oportunidades nas áreas de infra-estruturas, agricultura, pecuária, agro-indústria, refinarias e outros sectores em que os sul-africanos podem apostar”, disse o especialista, alertando que “muitos países vão procurar Angola para investir e os sul-africanos devem aproveitar e ser os primeiros”. Dados do Ministério do Comércio da África do Sul indicam que 50 empresas trabalham em Angola. Para aumentar o comércio, na delegação presidencial constam empresários e ministros ligados à área económica. Verachia acredita que o número de companhias em Angola vai aumentar, porque “o Governo sul-africano já anunciou que vai incentivar as empresas a virarem-se para Angola”. Quanto ao quadro legal para investimento, Abdullah Verachia sublinhou que “Angola está a dar passos importantes” e que “o quadro actual não inibe o investimento, porque há muito mais oportunidades”. Verachia aponta outra vantagem da economia angolana: é das que cresce mais rápido no mundo. No seu relatório deste ano, o Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola comparou entre Angola e a principal economia do continente, a África do Sul, e conclui que a diferença entre a riqueza produzida nos dois países reduziu desde 2000. Em sete anos, a proporção passou de 11/1 para 6/1. Se em 2000 o PIB angolano equivalia a nove por cento do sul-africano, em 2007, Angola subiu para 16,7 por cento. A economia angolana deve crescer este ano 6,2 por cento, antes de regressar, em 2010, aos dois dígitos que foi a média dos últimos sete anos. Angola foi também a economia que maior taxa de crescimento de longo prazo teve em África, entre 1989 e 2007, e foi a mais dinâmica nesse período, com uma taxa média de 9,6 por cento contra uma média de 4,0 por cento verificado nas maiores economias do continente. Cândido Bessa Jornal de Angola, 22 de Julho de 2009

Maior eclipse do século

Maior eclipse do século A Lua passou na frente do Sol e impediu a passagem da luz durante mais de seis minutos, num fenómeno espectacular visível em grande parte do continente asiático. Este terá sido o maior eclipse total do Sol deste século, com um recorde de duração que só será quebrado em 2132. Foto@EPA/Everett Kennedy Brown

França: A primeira corrida automóvel do mundo, Paris-Rouen de 1894

Michaud (nome desconhecido) num Peugeot, na corrida Paris-Rouen de 1894 (9º lugar) A primeira corrida automóvel do mundo Os alemães criaram os primeiros automóveis modernos, mas foram os franceses quem começou a usá-los como diversão. A 22 de Julho de 1894 teve lugar a primeira corrida automóvel da história, organizada pelo jornal parisiense Le Petit Journal. O percurso ia de Paris a Rouen, uma distância de 128 km. O vencedor, Jules Albert de Dion, conduzia um "de Dion-Bouton", mas acabou por não receber o prémio porque o veículo funcionava a vapor, pelo que os juízes consideraram que não cumpria os requisitos. Jules Albert de Dion, de uma família aristocrática e abastada, era um entusiasta da mecânica, paixão que o levou a financiar o projecto de construção de um carro com motor a vapor. Mais tarde, fundou uma fábrica automóvel com a marca de Dion-Bouton, que durante algum tempo teve bastante sucesso. Foi, ainda, o fundador do Automobile Club de France. Quanto à corrida, se já na altura o entusiasmo do público tornou populares estas corridas, um outro factor foi decisivo para a sua continuação: o apoio dos fabricantes, que ali viam uma forma de dar a conhecer os seus produtos. Sapo PT, 22 de Julho de 2009