Casamentos tradicionais no Chinde
O distrito do Chinde fica situado na zona sul da província da Zambézia, limitando-se, a norte, pelo distrito de Inhassunge, a oeste pelo distrito de Mopeia, a este, pelo Oceano Índico e a sul, pelo distrito de Marromeu, em Sofala, através do rio Zambeze. A sua sede distrital, uma ilha encravada no delta do Zambeze, dista a cerca de 70 quilómetros a sul de Quelimane, a capital provincial da Zambézia.
Administrativamente, o distrito está dividido em três postos administrativos (Chinde, Micaune e Luabo), compostos pelas localidades de: Vila de Chinde, Matilde, Mucuandaia e Pambane, pertencentes ao Posto Administrativo-Sede, Luabo, Mangige, Nzama, Rovuma, Samora Machel e 25 de Setembro, ao Posto administrativo de Luabo e Arijuane, Magaza, Micaune, Mitange e Nhamatamanga, ao Posto Administrativo de Micaune.
A língua predominante é “maindo”, que é falada pela maioria da população do distrito, calculada em mais de 130 mil habitantes e que cobre os postos administrativos de Micaúne e sede distrital. Os habitantes do Posto Administrativo de Luabo, comunicam-se pela língua nacional Chissena.
Nas regiões de Sombo e Matilde, a sul da vila-sede do distrito e Maimba, em Micaune, a língua maindo começa a perder originalidade, admitindo a ocorrência de palavras da língua chissena. Essa língua que resulta da mistura de maindo com chissena, falada predominantemente a Este de Luabo, chama-se Podzo.
Na parte nortenha do Posto Administrativo de Micaune, ou seja as localidades de Mitange, Arijuane e Magaza, a língua maindo começa igualmente a sofrer alterações, sobretudo no sotaque, que começa a confundir-se com Chicarungo, falada em Inhassunge e que se assemelha a Chuabo, predominante na cidade de Quelimane e arredores.
Diferentemente da chamada “Alta Zambézia”, que compreende os distritos a norte da cidade de Quelimane falantes da língua lomuè, cujos casamentos são matrilineares, Chinde e outros distritos da Zambézia situados ao longo do Vale do Zambeze, perseguem o regime patrilinear, ou seja, o homem é quem manda em casa.
Neste distrito, a iniciativa do casamento pertence ao homem, a quem cabe a responsabilidade de propor o namoro, embora a mulher tenha pleno direito de sugerir as melhores modalidades a serem seguidas e os contornos pelos quais devem decorrer as diferentes etapas das cerimonias matrimoniais.
O casamento no distrito do Chinde inicia com o namoro, através do qual o homem apaixonado propõe a namorada para sua futura esposa. Este encontro, regra geral, decorre em locais de diversão nocturna, na sua maioria caracterizados por danças tradicionais, sendo a mais influente “Ibondo”.
Mais tarde, com a presença de aparelhagem musical trazida pelos chamados “madjonidjoni” ou seja, indivíduos que trabalham na África do Sul, a diversão nocturna poderia ocorrer nos chamados clubes nocturnos, onde decorriam os bailes localmente designados “Chinguere”.
Os clubes, também conhecidos por assembleias, eram feitos de material local precário, mais precisamente folhas de coqueiros e estacas de “micándala” ou outros paus extraídos em matagais e mangais, abundantes na região costeira do distrito. Normalmente eram construídos debaixo de árvores frondosas (mangueiras e cajueiros), para conferi-los a necessária escuridão, que era do interesse dos bailarinos, na sua maioria jovens.
Mais tarde e apesar da oposição dos jovens, foram usados petromaxes para iluminar os referidos locais de diversão nocturna. Nesses convívios, por causa da forma como as danças eram executadas, normalmente em pares de homens e mulheres assegurando-se pelas costas e nádegas, a semelhança do que acontece actualmente com as chamadas “passadas”, os dançarinos poderiam apaixonar-se e a partir daí desencadear uma relação amorosa que pode culminar em casamento.
Porem, nem tudo era uniforme. Alguns pares, mesmo aquelas que as danças os pudessem conduzir a inevitável atracção mutua, não chegavam a contrair matrimónio, terminando apenas no amantismo.
Outras das formas não menos usadas de namoro e que resistem aos imperativos das mudanças que o tempo impõe na mente, hábitos e costumes dos homens, consistem em os pais escolherem esposas e maridos para seus filhos e filhas.
Este método, por ser potencialmente compulsivo e retrógrado e, obviamente menos apreciado pelos jovens modernos, tende a desaparecer. Quanto menos, o que os pais e familiares em geral podem fazer para ajudar seus filhos e filhas na escolha de futuros genros ou noras, é identificar a pessoa e, por métodos subtis, propor ao interessado para análise e aprovação.
Este processo, porem, é de difícil aplicação para as meninas que não tem a liberdade de escolher, por iniciativa própria, os futuros esposos. Aliás, qualquer mulher que assim proceda, será recusada e poderá ser acusada de mil e uma coisas, incluindo feitiçaria, pois não é admitido, por tradição local e, por extensão, a algumas regiões do pais, mulheres proporem o namoro aos homens.
Se tiver iniciado o namoro, o rapaz e a rapariga, normalmente depois de se conhecerem sexualmente, combinam uma apresentação em casa dos pais da namorada, como forma de formalizar a intenção (perdoem e redundância). O rapaz, depois de informar a sua intenção aos seus pais, arranja um padrinho, usualmente mais velho que ele, conhecido por “sebueni”, para se deslocarem a casa dos pais da noiva, para a chamada cerimonia de apresentação designada “buhdueia”.
Para esta cerimónia que geralmente decorre a noite, entre 19.00 as 21.00 horas, o rapaz, acompanhado do seu “sebueni”, leva consigo cinco litros de “sura” - uma bebida alcoólica extraída a partir da seiva do coqueiro, e dinheiro numa importância equivalente a 50 meticais, ou escudos no tempo colonial.
A menina tem a obrigação de informar aos pais, por via da mãe, a intenção e o projecto amoroso em edificação. Nessa altura, a apaixonada aproveita anunciar a presença dos “hóspedes” para efeitos de apresentação. Caso os pais consintam, marca-se a data e o noivo aparece.
A chegada, a recepção da encomenda de “sura”, pelos parentes da namorada, é indicador que evidencia o consentimento dos pais face ao pedido da filha.
Desta feita, convidam-se os hóspedes para entrarem e se sentarem, normalmente dentro de casa, a luz de candeeiro, já que energia eléctrica pertence ao passado, com excepção da sede distrital.
A conversa inicia depois do jantar. Aqui, o pai, em representação da família e na presença da mãe e irmãos da “moça”, pergunta-a se conhece ou não o rapaz ora presente. Ela, regra geral, responde positivamente, pois a chegada do rapaz a casa dos futuros sogros tem sido de consenso mútuo dos namorados, sendo raras as vezes que a donzela pode surpreender o namorado com uma recusa.
Como prova de que tudo correu bem e que o rapaz foi aceite, vai-se buscar a “sura”, coloca-se nos copos e os familiares da rapariga partilham, após um brinde que começa com o pai a entornar, ao chão, um pouco da bebida para os espíritos. Nesta ocasião, mesmo sendo oferecido, o noivo deve recusar-se a beber, pois se o fizer, será conotado como bêbado e falta de respeito pelos mais velhos, e isto pode chegar a inviabilizar o projecto matrimonial.
VICTOR MACHIRICA16 de outubro de 2009
Moçambique: Casamentos tradicionais no Chinde
Casamentos tradicionais no Chinde
O distrito do Chinde fica situado na zona sul da província da Zambézia, limitando-se, a norte, pelo distrito de Inhassunge, a oeste pelo distrito de Mopeia, a este, pelo Oceano Índico e a sul, pelo distrito de Marromeu, em Sofala, através do rio Zambeze. A sua sede distrital, uma ilha encravada no delta do Zambeze, dista a cerca de 70 quilómetros a sul de Quelimane, a capital provincial da Zambézia.
Administrativamente, o distrito está dividido em três postos administrativos (Chinde, Micaune e Luabo), compostos pelas localidades de: Vila de Chinde, Matilde, Mucuandaia e Pambane, pertencentes ao Posto Administrativo-Sede, Luabo, Mangige, Nzama, Rovuma, Samora Machel e 25 de Setembro, ao Posto administrativo de Luabo e Arijuane, Magaza, Micaune, Mitange e Nhamatamanga, ao Posto Administrativo de Micaune.
A língua predominante é “maindo”, que é falada pela maioria da população do distrito, calculada em mais de 130 mil habitantes e que cobre os postos administrativos de Micaúne e sede distrital. Os habitantes do Posto Administrativo de Luabo, comunicam-se pela língua nacional Chissena.
Nas regiões de Sombo e Matilde, a sul da vila-sede do distrito e Maimba, em Micaune, a língua maindo começa a perder originalidade, admitindo a ocorrência de palavras da língua chissena. Essa língua que resulta da mistura de maindo com chissena, falada predominantemente a Este de Luabo, chama-se Podzo.
Na parte nortenha do Posto Administrativo de Micaune, ou seja as localidades de Mitange, Arijuane e Magaza, a língua maindo começa igualmente a sofrer alterações, sobretudo no sotaque, que começa a confundir-se com Chicarungo, falada em Inhassunge e que se assemelha a Chuabo, predominante na cidade de Quelimane e arredores.
Diferentemente da chamada “Alta Zambézia”, que compreende os distritos a norte da cidade de Quelimane falantes da língua lomuè, cujos casamentos são matrilineares, Chinde e outros distritos da Zambézia situados ao longo do Vale do Zambeze, perseguem o regime patrilinear, ou seja, o homem é quem manda em casa.
Neste distrito, a iniciativa do casamento pertence ao homem, a quem cabe a responsabilidade de propor o namoro, embora a mulher tenha pleno direito de sugerir as melhores modalidades a serem seguidas e os contornos pelos quais devem decorrer as diferentes etapas das cerimonias matrimoniais.
O casamento no distrito do Chinde inicia com o namoro, através do qual o homem apaixonado propõe a namorada para sua futura esposa. Este encontro, regra geral, decorre em locais de diversão nocturna, na sua maioria caracterizados por danças tradicionais, sendo a mais influente “Ibondo”.
Mais tarde, com a presença de aparelhagem musical trazida pelos chamados “madjonidjoni” ou seja, indivíduos que trabalham na África do Sul, a diversão nocturna poderia ocorrer nos chamados clubes nocturnos, onde decorriam os bailes localmente designados “Chinguere”.
Os clubes, também conhecidos por assembleias, eram feitos de material local precário, mais precisamente folhas de coqueiros e estacas de “micándala” ou outros paus extraídos em matagais e mangais, abundantes na região costeira do distrito. Normalmente eram construídos debaixo de árvores frondosas (mangueiras e cajueiros), para conferi-los a necessária escuridão, que era do interesse dos bailarinos, na sua maioria jovens.
Mais tarde e apesar da oposição dos jovens, foram usados petromaxes para iluminar os referidos locais de diversão nocturna. Nesses convívios, por causa da forma como as danças eram executadas, normalmente em pares de homens e mulheres assegurando-se pelas costas e nádegas, a semelhança do que acontece actualmente com as chamadas “passadas”, os dançarinos poderiam apaixonar-se e a partir daí desencadear uma relação amorosa que pode culminar em casamento.
Porem, nem tudo era uniforme. Alguns pares, mesmo aquelas que as danças os pudessem conduzir a inevitável atracção mutua, não chegavam a contrair matrimónio, terminando apenas no amantismo.
Outras das formas não menos usadas de namoro e que resistem aos imperativos das mudanças que o tempo impõe na mente, hábitos e costumes dos homens, consistem em os pais escolherem esposas e maridos para seus filhos e filhas.
Este método, por ser potencialmente compulsivo e retrógrado e, obviamente menos apreciado pelos jovens modernos, tende a desaparecer. Quanto menos, o que os pais e familiares em geral podem fazer para ajudar seus filhos e filhas na escolha de futuros genros ou noras, é identificar a pessoa e, por métodos subtis, propor ao interessado para análise e aprovação.
Este processo, porem, é de difícil aplicação para as meninas que não tem a liberdade de escolher, por iniciativa própria, os futuros esposos. Aliás, qualquer mulher que assim proceda, será recusada e poderá ser acusada de mil e uma coisas, incluindo feitiçaria, pois não é admitido, por tradição local e, por extensão, a algumas regiões do pais, mulheres proporem o namoro aos homens.
Se tiver iniciado o namoro, o rapaz e a rapariga, normalmente depois de se conhecerem sexualmente, combinam uma apresentação em casa dos pais da namorada, como forma de formalizar a intenção (perdoem e redundância). O rapaz, depois de informar a sua intenção aos seus pais, arranja um padrinho, usualmente mais velho que ele, conhecido por “sebueni”, para se deslocarem a casa dos pais da noiva, para a chamada cerimonia de apresentação designada “buhdueia”.
Para esta cerimónia que geralmente decorre a noite, entre 19.00 as 21.00 horas, o rapaz, acompanhado do seu “sebueni”, leva consigo cinco litros de “sura” - uma bebida alcoólica extraída a partir da seiva do coqueiro, e dinheiro numa importância equivalente a 50 meticais, ou escudos no tempo colonial.
A menina tem a obrigação de informar aos pais, por via da mãe, a intenção e o projecto amoroso em edificação. Nessa altura, a apaixonada aproveita anunciar a presença dos “hóspedes” para efeitos de apresentação. Caso os pais consintam, marca-se a data e o noivo aparece.
A chegada, a recepção da encomenda de “sura”, pelos parentes da namorada, é indicador que evidencia o consentimento dos pais face ao pedido da filha.
Desta feita, convidam-se os hóspedes para entrarem e se sentarem, normalmente dentro de casa, a luz de candeeiro, já que energia eléctrica pertence ao passado, com excepção da sede distrital.
A conversa inicia depois do jantar. Aqui, o pai, em representação da família e na presença da mãe e irmãos da “moça”, pergunta-a se conhece ou não o rapaz ora presente. Ela, regra geral, responde positivamente, pois a chegada do rapaz a casa dos futuros sogros tem sido de consenso mútuo dos namorados, sendo raras as vezes que a donzela pode surpreender o namorado com uma recusa.
Como prova de que tudo correu bem e que o rapaz foi aceite, vai-se buscar a “sura”, coloca-se nos copos e os familiares da rapariga partilham, após um brinde que começa com o pai a entornar, ao chão, um pouco da bebida para os espíritos. Nesta ocasião, mesmo sendo oferecido, o noivo deve recusar-se a beber, pois se o fizer, será conotado como bêbado e falta de respeito pelos mais velhos, e isto pode chegar a inviabilizar o projecto matrimonial.
VICTOR MACHIRICA
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Moçambique: Distrito de Malema na província de Nampula, um verdadeiro celeiro
NAMPULA: MALEMA UM VERDADEIRO CELEIRO
Pouco mais de 244 mil toneladas é a quantidade de produtos alimentares diversos contabilizados até ao momento pelas autoridades governamentais do distrito de Malema, interior da província de Nampula, que espelham os resultados das colheitas da presente safra, como tendo sido um sucesso para o qual contou a forte sensibilização para o incremento das áreas de cultivo e garantia de incentivos aos produtores com fundos de financiamento de iniciativas locais, vulgarmente conhecido por “sete milhões”.
Na campanha agrícola 2007/2008, o distrito de Malema produziu cerca de 177 mil toneladas de produtos diversos, com destaque para o milho, feijões e hortícolas, além da mandioca e algodão, quantidades que na sua maioria foram comercializadas, uma vez que aquela região do oeste de Nampula está há vários anos livre da fome.
De acordo com Henrique João, director distrital dos serviços de actividades económicas em Malema, a campanha 2008/09 foi caracterizada por um clima favorável à prática da agricultura, aliada à queda e distribuição regular da chuva, o que catapultou os produtores para o trabalho, munidos de insumos agrícolas alocados pelo Governo, com enfoque para fertilizantes e sementes de culturas diversas.
Malema possui recursos hídricos abundantes para irrigação dos campos, o que permite aos produtores fazer o máximo de quatro épocas e o mínimo de duas, dependendo do tipo de culturas desenvolvidas na região. Nas últimas três campanhas agrícolas, o distrito tem focalizado o cultivo de feijões, milho soja, no quadro do programa de incremento agrícola para fazer face à crise alimentar global.
Para garantir a prossecução do referido programa, o Governo de Malema recorreu aos fundos de financiamento de iniciativas locais num montante estimado em vinte milhões de meticais aplicados num período de três anos. Segundo Henrique João, o volume de colheitas tem estado a registar um incremento considerável e as vendas revelam uma contribuição positiva na subida dos níveis de qualidade de vida das famílias.
PRODUTORES DE FEIJÕES ARRECADAM UM MILHÃO
Os produtores de Malema já efectuaram a colheita da maior parte das 277 mil toneladas de produtos alimentares conseguidos até à última semana, mas a cultura de feijão bóer é aquela que concentra a atenção dos produtores locais, devido à oferta por parte dos intervenientes no processo de comercialização de preços que superam a expectativa.
O distrito produziu na presente safra cerca de 75 toneladas de feijão bóer, sendo que até ao momento foram compradas mais de cinquenta toneladas daquela leguminosa a preços que variam entre quinze a 20 meticais o quilograma, e segundo contas feitas pelos produtores de Malema estimam que as suas receitas rondam perto de um milhão de meticais.
O feijão bóer, tanto quanto outras espécies daquela leguminosa, é praticado de forma consorciado com as outras culturas alimentares, de acordo com Henrique João, sendo por essa razão difícil estimar o número de produtores envolvidos na sua produção.
O feijão bóer comprado nos distritos do oeste de Nampula destina-se a fornecer o mercado asiático, com destaque para a República da Índia e do Paquistão, cuja população na sua maioria defende hábitos alimentares baseados em vegetais, segundo dados em nosso poder.
A nossa Reportagem questionou a Lopes Almeida, produtor de Malema, as razão da azáfama que tem caracterizado a comercialização de feijão bóer naquele distrito, tendo respondido que “este valor que atingiu os 20 meticais o quilograma deve ser aproveitado porque a qualquer momento pode variar no sentido negativo, sobretudo quando a quota do mercado asiático atingir o pico de satisfação”.
O nosso entrevistado acrescentou que, nas duas últimas épocas agrícolas, o preço de feijão bóer por quilograma estava fixado a uma média de dez meticais. Explicou que a sua subida gradual do preço nos últimos dois anos se prende com a qualidade do vegetal que é praticado sem a aplicação de fertilizantes, o que torna o produto preferido nos países da Ásia e Europa.
O milho é outra cultura tradicional e que nos últimos dois anos tem registado índices de produtividade bastante notáveis em Malema, mas que a sua comercialização ainda não atingiu o patamar do feijão bóer. Artur Muquissirima, dos serviços distritais de actividades económicas naquele distrito, explica que o facto se deve à estratégia adoptada pelos produtores visando vender a sua produção a preços concorrenciais para compensar o seu esforço, segundo preconiza a política de mercado actualmente aplicada.
A meta de produção do milho para Malema relativa à campanha finda é de 38 mil toneladas, contra as 25 mil colhidas na safra 2007/08, mas Artur Muquissirima assegura que a mesma foi largamente superada, o que vai contribuir para o aumento das receitas dos produtores acima das suas expectativas.
ESTRATÉGIA DE PRODUÇÃO FOI O SEGREDO DO SUCESSO
Para a campanha agrícola finda, o Governo de Malema cedo iniciou o processo de mobilização dos produtores visando incrementar as suas áreas de cultivo e informar sobre a existência de sementes melhoradas de culturas alimentares, incluindo as formas de aquisição que gozam de descontos além de o seu pagamento poder ser efectuado depois das colheitas.
Adicionalmente, efectuou a distribuição atempadamente de juntas de bois devidamente treinadas para a tracção animal aos produtores e associações que mais se tem evidenciado na gestão daquele processo de maneio do gado bovino para produção agrícola. Além de facilitar o aumento das áreas de cultivo, o uso de tracção animal no processo de produção agrícola facilita a realização de três a quatro campanhas numa só, sobretudo nas culturas de milho, gergelim, incluindo hortícolas que são uma das principais fontes de arrecadação de receitas das famílias.
No capítulo de sementes, o distrito adoptou o uso de sementes melhoradas comercializadas pela Pannar. Segundo Luís Muquissirima, a semente de milho Pan 67, tem registado índices de produtividade assinaláveis, pois produz três a quatro espigas em cada planta.
“Este ano propomo-nos a massificar o uso de adubos para aumentar o volume de produtividade por hectare de milho a partir da semente Pan 67”, revelou o nosso informador para depois acrescentar que o Fundo das Nações Unidas para a Alimentação (FAO) acaba de garantir a disponibilização de um fundo não revelado para suportar a compra de fertilizantes visando a distribuição aos produtores que, entretanto, deverão comparticipar com metade do custo das suas necessidades globais em relação ao preço praticado no mercado normal.
CONDIÇÕES DE VIDA MELHORAM
A nossa Reportagem questionou ao director dos SDAE, em Malema, Henrique João, se as novas construções de habitações à base de material convencional e misto um pouco por todo distrito têm alguma relação com o incremento dos índices de produção que se vem registando nos últimos anos, tendo afirmado que “a melhoria dos níveis de vida no distrito não se pode medir apenas recorrendo às condições de habitação, mas também pela aquisição de viaturas de carga, motos e motorizadas, sem excluir alguns tractores por parte de grupos de produtores”.
Acrescentou que o comércio, em Malema, sofre um outro tipo de exigência por parte da população local, sobretudo para colocar nos estabelecimentos em funcionamento aparelhos de televisão, sonoros de alta potência, antenas parabólicas que facilitam a informação do que se passa noutros pontos do mundo.
Contudo, o Governo de Malema mostra-se preocupado com o facto de os produtores locais não dominarem os princípios que regem o mercado agrícola, uma situação que os coloca numa posição de vulnerabilidade em relação aos potenciais intervenientes no processo de comercialização que em muitos casos arbitram os preços dos produtos que pretendem comprar.
“Os produtores precipitam-se em colocar a sua produção nos momentos em que o mercado regista preços relativamente baixos. O desafio do overno é capacitar o produtor com ferramentas que o permitam saber interpretar o comportamento dos mercados e isso vai resultar em vendas positivas dos seus excedentes para o bem da sua família e comunidade em geral” – disse Henrique João.
O interlocutor frisou que o treinamento dos produtores em gestão de negócios deve ser desenvolvido num curto espaço de tempo, porquanto a próxima campanha que já está em processo de preparação promete ser muito mais promissora que a última. Com efeito o Governo de Malema acaba de adquirir um total de 156 cabeças de gado bovino para formar 52 juntas para tracção e fomento animal.
Os animais já se encontram no distrito em processo de treinamento devendo arrancar a lavoura dos campos logo no próximo mês de Novembro. Com fundos do FIL, o distrito adquiriu três tractores que se encontram posicionados nos postos administrativos de Chuhulo, Mutuali e de Malema, prestando um auxílio notável aos produtores no processo de produção agrícola.
Carlos Tembe
Maputo, Sexta-Feira, 16 de Outubro de 2009:: Notícias
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15 de outubro de 2009
Filme moçambicano exibido em Paris
Filme moçambicano exibido em Paris
O filme moçambicano, “A Ilha dos Espíritos”, que retrata a história da Ilha de Moçambique, foi projectado, durante a semana passada, para os participantes da trigésima quinta Conferência Geral da Organização para a Educação, Ciência e Cultura das Nações Unidas (UNESCO), que decorreu na sua sede, em Paris.
A projecção do filme fez parte de uma sessão especial sobre Moçambique que teve como tema a “Diversidade Cultural e Desenvolvimento Sustentável”.
“A Ilha dos Espíritos” é um documentário de 63 minutos, que foi realizado por Licínio de Azevedo e co-produzido pela Ebano Multimedia e Technoserve, que teve a sua estreia durante o quarto Dockanema, Festival De Filme Documentário, que decorreu em Maputo de 11 a 20 de Setembro último.
O filme aborda a história da ilha, que muito antes de dar nome ao país, durante séculos, teve um papel fundamental no Oceano Índico, pelo facto de ter servido como ponto de escala de navegadores do Oriente e do Ocidente que procuravam alargar as fronteiras do mundo conhecido até os dias de hoje.
Sapo MZ, 15 de Outubro de 2009
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Angola: Noddy Faz Anos e Vem a Luanda festejar com os Kids
Noddy Faz Anos e Vem a Luanda festejar com os Kids
Dias 7 e 8 de Novembro Luanda vais assistir a dois Espectáculos do Noddy no Pavilhão da Cidadela Desportiva em Luanda.
Vai ser uma grande festa para miúdos e graúdos… Vem também dar os Parabéns ao Noddy….
"O Noddy e os seus amigos há muitas gerações que entretém muitas crianças, e é fácil perceber porquê. Com um elenco de memoráveis e divertidos personagens, boas morais e um borrifo de diversão e magia, o Noddy é um mundo cheio de personagens encantadoras que adoram ajudar-se uns aos outros a brincar e aprender. Utilizando enredos simples, os livros e espectáculos levam o seu filho numa aventura cheia de diversão, onde podem aprender algumas lições simples sobre a partilha, entreajuda e a simplicidade do certo e do errado."
Bilhetes à venda na MUNDO Produções e no Bazar da LAC
Informações e reservas: 921 548 469 ou 222 430 928
Sapo AO, 14 de Outubro de 2009
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Dicas para ter uns "Caracóis Perfeitos"
Caracóis Perfeitos
Se queres ter uns caracóis perfeitos, há que cuidar deles e para isso deves usar os produtos adequados, de maneira a que os caracóis não percam brilho e que estejam sempre bem definidos. Para isso tens de seguir algumas dicas de como usar os produtos certos para o teu cabelo!
. Tens uns caracóis sem vida e queres dar-lhes volume, então segue estas dicas, para que eles tenham mais elasticidade.
. Lave ou humedeça o cabelo e retira o excesso de água com uma toalha. Aplica um definidor de cachos de preferência de uma marca que já conheça, ou caso não tenha nenhuma marca em mente, fale com a sua cabeleireira para que ela lhe aconselhe o melhor produto para si, em seguida com os dedos em todo o cabelo deslize o produto ao longo do mesmo desde a raiz até às pontas.
. Com a cabeça inclinada para baixo defina os caracóis com os dedos para ganharem forma. Outra alternativa é enrolar as pontas do cabelo nos dedos para ajudar a desenhar melhor os caracóis.
. Use um difusor para secar suavemente o cabelo e não destruir os caracóis. Se não tiver difusor ligue o secador a uma temperatura baixa e aponte através dos dedos. Para ganhar volume e mais definição aperte delicadamente os caracóis com a mão. Afaste o secador e solte o cabelo suavemente libertando os seus caracóis.
. Resultado: caracóis controlados e definidos durante todo o dia!
Lia Campos
Sapo AO, 15 de Outubro de 2009
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14 de outubro de 2009
Moçambique: Três portugueses escapam a linchamento em Sofala
Três portugueses escapam a linchamento em Sofala
Três cidadãos de nacionalidade portuguesa escaparam a um linchamento no domingo, na localidade de Xiluvo, distrito de Nhamatanda, província de Sofala.
Os referidos estrangeiros foram supostamente confundidos com traficantes de crianças, na sequência de um boato espalhado naquela região.
A acção, que felizmente não chegou a causar perda de vidas humanas, resultou na danificação da viatura em que se faziam transportar as três vítimas e no desaparecimento de vários bens.
Em conexão com o assunto, pelo menos seis jovens estão a contas com a Polícia.
Segundo apurámos, o caso começa quando dois portugueses, Cláudio Mac Donald e Joseph Mac Donald, por sinal pai e filho, respectivamente, estacionaram a sua viatura naquela localidade para visitar antigas terras e começaram a fazer perguntas na tentativa de encontrar uma pessoa conhecida. Cláudio Mac Donald contou que minutos depois, um grupo de pessoas aproximou-se deles, algumas de forma pacífica e outras de forma agressiva, perguntando o que pretendiam no local em causa. As vítimas explicaram as suas intenções, mas os ânimos por parte de alguns curiosos aumentaram e acusaram-nos de raptores de menores. “Mandaram-nos abrir as pastas e vasculharam sem, no entanto, apanhar nada suspeito. Afinal tinham outras intenções”, exclareceu Cláudio Donald, uma das vítimas que de seguida esclareceu que as mesmas pessoas começaram a saquear os seus bens agredindo, por outro lado, com socos, paus e pedras.
Para felicidade dos dois, por perto estavam dois membros de policiamento comunitário que com apoio de alguns populares conseguiram arrastar os suspeitos para um esconderijo improvisado, e pouco tempo depois chegou à Polícia.
O País, Quarta, 14 Outubro 2009 13:18 Redacção
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Exercício de prevenção contra tsunamis na Indonésia
Exercício de prevenção contra tsunamis na Indonésia
Habitantes da vila Ule Lhuee, na Indonésia, fogem de um tsunami, durante um exercício de prevenção da Indian Ocean Wave Exercise, um sistema de prevenção utilizado pelos países à volta do Oceano Índico para antecipar e reduzir o risco de desastres naturais. Este sistema foi implementado pelo Conselho Honorário das Nações Unidas.
Foto@EPA/Hotli Simanjuntak
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Angola: Conduzido por qualquer um, mas pilotado por poucos
Conduzido por qualquer um, mas pilotado por poucos
Em Angola, mais concretamente em Benguela, tivemos a oportunidade de observar um dos carros mais deslumbrantes do mundo, o Ferrari.
Por onde quer que passe é logo reconhecido pela sua beleza inegualável.Este modelo, o F430 demonstra-nos o quanto a tecnologia tem estado a evoluir, sem qualquer barreira.
Com o referido modelo, a Ferrari iniciou uma nova geração de carros com 8 cilindros. Isto teve lugar no final de 2004, desenvolvidos em estreita colaboração com a gestão desportiva da escuderia Ferrari.
A projecção ficou por conta do estúdio Pinifarina, sob a supervisão de Frank Stephenson, responsável pelo design na Ferrari.
Em sua concepção aerodinâmica foram incorporadas técnicas e conceitos migrados da Fórmula 1. Na parte traseira destaca-se um amplo difusor, cuja função é facilitar a saída do ar que vem em grande velocidade da parte inferior do veículo gerando assim uma força descendente quando se está em alta velocidade.
Uma das novidades da F430, proveniente da Fórmula 1 é o “steering weel mounted switch (manettino)”, ou seja, um comando situado no volante de direcção que controla todas as reacções activas do carro. Ele proporciona cinco alternativas diferentes de condução:
Ice (máxima protecção com controle de tracção e estabilidade)
Baixa aderência (garante a estabilidade na chuva e situações de baixo atrito)
Sport (é a condição básica de dirigibilidade do carro, oferecendo assim o melhor compromisso de estabilidade e prestações)
Race (para ser usado exclusivamente em pista, uma das suas funções é reduzir ao máximo o tempo de mudança de marchas)
CST (controle de estabilidade e de tracção desligados, em que a pilotagem do carro está totalmente nas mãos do piloto)
Pelos cuidados despendidos com o sistema de tracção percebe-se que a F430 é um carro que pode ser conduzido por qualquer um, mas pilotado por poucos.
Este modelo vai de 0 a 100Km/h no tempo escasso de 4 segundos e ultrapassa a marca dos 315 Km/h (velocidade máxima).
O F430 é a prova de que a tecnologia evoluiu e tornou-se aliada de quem gosta de acelerar a fundo.
FICHA TÉCNICA
DIMENSÕES
Comprimento 4.512 mm
Largura 1.923 mm
Altura 1.214 mm
Distância entreeixos 2.600 mm
Bitola dianteira 1.669 mm
Bitola traseira 1.616 mm
Peso em ordem de marcha 1.450 Kg
MOTOR
Número de cilindros V8 a 90º
Diâmetro e curso 92 X 81 mm
Capacidade cúbica a 4.308 cm3
Taxa de compressão 11,3:1
Potência máxima 490 cv a 8.500 rpm
Torque máximo 47,4 Kgfm a 5.250 rpm
PNEUS
Dianteiro 225/35 ZR 19
Traseiro 285/35 ZR 19
DESEMPENHO
Velocidade máxima acima de 315 Km/h
0-100 Km/h em 4,0 s
Sapo AO, 14 de Outubro de 2009
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Angola: Fanta Tour a melhor boda de todos os tempos de Luanda
Fanta Tour a melhor boda de todos os tempos de Luanda
É já no dia 16 de Outubro, que o caro amigo vai poder conviver ao lado dos “melhores dj´s da actualidade" caso do Norte-Americano wall G convidado especial da edição Fanta Tour, organizada pela Mix Fm em Luanda, no Cine Atlântico, pelas 23 horas ao preço de usd 100.
Depois da grande arromba (festa) de Luanda, a organização do referido espectáculo em parceria com a 3XU vão apresentar a melhor tour de todos em diversas províncias do nosso país. Lobito, Lubango, Namibe e Benguela com a participação dos melhores Dj´s do mercado nacional e internacional tais como Ricardo Alves, Paulo Alves (Mix Fm), Leandro Silva, Lua Darcy e ainda com as participações ao vivo de Robin S.
Sapo AO, 14 de Outubro de 2009
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Moçambique: Queimadas devoram santuário do Parque Nacional da Gorongosa
As aberturas feitas para prevenção de casos desta natureza no início do período seco, através de limpeza da vegetação nos dois lados da cerca, foram incapazes de travar a passagem das labaredas para a referida área de protecção.
De acordo com informações fornecidas pelo director de Departamento de Conservação do PNG, Carlos Lopes Pereira, no princípio deste mês os sistemas satélite de detecção de fogos activos registaram o início de vários incêndios na área de Nhanguo, que se presume sejam da autoria intencional de caçadores furtivos e involuntária por parte de alguns membros das comunidades locais.
Conforme soubemos junto do mesmo interlocutor, registaram-se igualmente nesta quinzena outras ocorrências de manifestação de combustões na região de Tambarara. As chamas altas alastraram-se para o interior do santuário de 6200 hectares favorecidas pela direcção do vento, vegetação seca e elevadas temperaturas.
Para circunscrever os fogos que seguiam diferentes frentes com mais de três quilómetros de largura uma equipa de trabalho multissectorial constituída por pessoal da área de Conservação e das Infra-Estruturas trabalhou ininterruptamente durante as 48 horas subsequentes às primeiras deflagrações.
Foram, no entanto, necessários mais três dias para a consolidação dos resultados do combate aos incêndios por um grupo restrito de dez trabalhadores da área afectada.
As referidas queimadas descontroladas, que lavraram áreas extensas da vegetação do Parque Nacional da Gorongosa, podem mesmo vir a tornar este santuário inviável para continuar a manter os animais que acolhe presentemente devido à escassez de alimentos.
“Dependendo da situação, nomeadamente a disponibilidade de capim, teremos que tomar uma decisão de manter ou libertar os animais. E libertar significa expô-los aos caçadores furtivos que continuam muito activos em todo o parque apesar das detenções e desmantelamento de laços e armadilhas”– precisou Pereira.
Trata-se, segundo ele, de espécies selvagens introduzidas a custos elevados e muito esforço de outros parques nacionais e da África do Sul, no âmbito da restauração da fauna bravia do Parque Nacional da Gorongosa.
Esta área de conservação compreende uma extensão total de 3770 quilómetros quadrados. O parque cruza a extremidade setentrional do Sistema Africano da Grande Zona do “Rift”, sendo delimitado a noroeste pelo maciço da Gorongosa, a sul pelo rio Púnguè e a leste pelo planalto de Cheringoma.
Horácio João
Maputo, Quarta-Feira, 14 de Outubro de 2009:: Notícias
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Moçambique - Parque Nacional da Gorongosa
13 de outubro de 2009
Colômbia: Primeiro Campeonato Mundial de Rodeo
Primeiro Campeonato Mundial de Rodeo
David Velasquez, uma criança colombiana de cinco anos, participa numa das competições no último dia do 1º Campeonato Mundial de Rodeo, que decorre na cidade colombiana de Tulua. Cerca de 250 cowboys de EUA, Costa Rica, México, Venezuela, Brasil, Panamá entre outros países, participaram na competição.
Foto@EPA/Carlos Ortega
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EUA: Ex-condenado à morte vem a Portugal para três conferências
O equatoriano Joaquín José Martínez esteve, durante quatro anos, no corredor da morte nos EUA, onde aguardou execução na cadeira eléctrica. Mas esse dia nunca chegou, já que conseguiu provar a sua inocência. Agora o ex-condenado visita Portugal para três conferências centradas na pena de morte em Lisboa, Porto e Coimbra nos dias 13, 14 e 15 de Outubro, respectivamente.
Partindo da experiência de Martínez, a Secção Portuguesa da Amnistia Internacional (AI) organiza o ciclo de conferências "Pena de Morte – Testemunho de um Inocente", que vai passar por Lisboa (dia 13 às 18h no Anfiteatro 1 da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa), Porto (dia 14 às 17h no Salão Nobre da Faculdade de Direito da Universidade do Porto) e Coimbra (dia 15 às 15h no Anfiteatro 3.1 da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra) - todas de entrada livre.
Na sequência do Dia Mundial Contra a Pena de Morte, assinalado no sábado passado, a AI dá assim continuidade à discussão de um tema pelo qual se tem batido.
Além da organização humanitária, também Alexandrina Pereira e Rui Pinto de Almeida ajudaram a divulgar o caso de Martínez.
A condenação de Martínez
A 26 de Janeiro de 1996, quando Joaquín José Martínez regressava de casa da sua ex-mulher após uma visita às suas duas filhas, foi abordado pela polícia com um grande aparato de carros e helicópteros. Joaquín foi então preso sob a acusação da morte de um casal de jovens, assassinado três meses antes.
Martínez foi considerado culpado e condenado à morte pelo assassinato de uma das vítimas e a prisão perpétua pela morte da outra, sendo acusado de assassinato premeditado e roubo em domicílio. O julgamento decorreu na Florida, em 1997.
O caso de Joaquín José Martinez foi largamente divulgado em Espanha, onde os seus pais conseguiram mobilizar centenas de pessoas, meios de comunicação social e diplomatas, que tiveram uma influência decisiva no desenrolar do seu processo. O Parlamento Europeu, o Senado italiano, o Rei de Espanha e o Papa João Paulo II apoiaram também os apelos, para que a sua pena fosse comutada.
No segundo julgamento, concluído a 5 de Junho de 2001, o júri absolveu por unanimidade Martínez depois de ter concluído que as provas contra ele eram insuficientes.
Joaquín José Martínez tornou-se então no 21º prisioneiro, no Estado da Florida, e o 96º detido, nos EUA, a ser exonerado desde 1973 depois de ter estado no corredor da morte.
Mais informações no site português da Amnistia Internacional ou na página pessoal de Joaquín José Martínez.
Sapo, 13 de Outubro de 2009
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12 de outubro de 2009
África do Sul : Eugene Terre Blanche ainda sonha com República Boer
África do Sul : Blanche ainda sonha com República Boer
O líder do partido da extrema-direita “Afrikaner Weerstandsbeweging” (AWB), Eugene Terre Blanche, regressou à cena política sul-africana, prometendo aos brancos estar na fase final a construção de uma República Boer na África do Sul e declarando que nunca vai tolerar que a sua comunidade seja continuamente oprimida por negros.
“Recusamos abandonar o nosso plano sobre a construção de uma República para os Afrikaners (Boers)”, apontando que o AWB está a lançar uma nova jornada neste processo da sua libertação.
Nos anos 1980/90 o AWB destacou-se numa tentativa de querer impedir o poder da maioria negra na África do Sul.
Após uma série de desacatos, por não se conformar com a nova distribuição socioeconómica na África do Sul, Terre Blanche foi condenado a seis anos de cadeia, acusado de violentar um cidadão negro e tentar assassinar um agente de segurança em 1997.
Há dias Terre Blanche foi citado a revelar um acordo entre o AWB e Lucas Mangope, antigo chefe do Bantustão de Bophuthatswana, “para a ajuda mútua”, por ambos “partilharem a mesma ideia de uma República independente ou outras nações separadas dentro da África do Sul.
“Mas, depois fomos traídos”, afirmou, acrescentando que “o sangue derramado nas ruas de Mmabatho (capital do abolido Bantustão de Bophuthatswana), marcou o início desta nova luta pela criação de uma República independente boer no país.
Para Terre Blanche, “cidadão branco na África do Sul já chegou à conclusão de que a salvação reside na criação do seu próprio governo nos territórios dos seus ancestrais”.
Assim sendo, de acordo com Blanche, a extrema-direita sul-africana vai organizar uma campanha destinada a unir 23 grupos de extrema-direita. “Estes grupos vão apresentar uma queixa ao Tribunal Internacional de Haia, na Holanda, exigindo a libertação dos boers na África do Sul”, anunciou.
Na semana passada Blanche pediu ao Governo do Presidente Jacob Zuma o retorno do Transvaal Oriental e Norte do Natal (Mpumalanga e KwaZulu-Natal) para a administração boer e queixou-se que os muçulmanos foram autorizados a construir mesquitas em áreas dos boers.
Terre Blanche terá, por outro lado, solicitado a intervenção de Deus de modo a salvar os boers do que designou “opressão negra” e defendeu a realização de um referendo para se determinar o desejo ou não da criação de uma nação boer na Africa do Sul.
“Queremo-nos separar de um Estado unitário abalado por crimes, mortes, violação, mentiras e fraudes”, acusou, acrescentando que “um Estado com muita corrupção, onde o presidente enche os bolsos com dinheiro ilegal e é acusado de corrupção e fraude, e, só porque é presidente não pode ser julgado, não pode ser um verdadeiro Estado”.
“Não quero viver num Estado como este, em que uma pessoa tem seis mulheres e mantém relação sexual com uma seropositiva, com o agravante de ser sobrinha” declarou Terre Blanche, numa critica directa ao presidente Jacob Zuma.
O líder do Partido da extrema-direita sul-africano defendeu ainda que na Republica boer não vai tolerar a morte de pessoas por criminosos.
“Deus trouxe-nos aqui de diferentes partes do mundo para um objectivo. Deus tinha um plano quando nos trouxe para esta parte da Africa, que não passa de tirar a vida a inocentes ou violar mulheres e crianças”, acusou ainda Terre Blanche.
Jorge Dick, em Joanesburgo
Maputo, Segunda-Feira, 12 de Outubro de 2009:: Notícias
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Moçambique: Namaacha acolhe segunda maior peregrinação da Igreja Católica
Moçambique: Craveirinha era crítico à ideologia colonial (José Luís Cabaço)
Craveirinha era crítico à ideologia colonial - José Luís Cabaço no lançamento do livro “Folclore Moçambicano e Suas Tendências”
O antigo ministro da Informação José Luís Cabaço, autor do prefácio do livro “Folclore Moçambicano e Suas Tendências”, de José Craveirinha, lançado a título póstumo na noite de quarta-feira, em Maputo, descreveu o poeta-mor como um indivíduo polémico, provocador e crítico em relação aos resíduos da ideologia cultural colonial.
Falando durante a cerimónia de lançamento da obra póstuma de Craveirinha, Cabaço disse que Craveirinha provocava frequentemente os seus próximos, desafiando-os para pensarem nos problemas do país.
Estas dimensões do Craveirinha, sobretudo o seu lado polémico, estão patentes no seu recente livro lançado sob a chancela da “Alcance Editores”, seis anos após a sua morte (em Fevereiro de 2003), juntando-se a outras obras emblemáticas, como “Xigubo”, “Cela Um”, “Maria”, “Karingana wa Karingana”, “Babalaza das Hienas”, entre outras.
A obra resulta da compilação de textos escritos por Craveirinha entre 1955 a 1987, parte dos quais durante a altura em que ele gozava da liberdade condicional cedida na sequência da sua detenção pela Polícia do regime colonial português (PIDE) por motivos políticos.
“Não é um livro sem polémica”, disse Cabaço, lembrando que alguns dos textos que constam na obra foram mesmo polémicos na própria altura da sua publicação em diversos canais, incluindo nos jornais onde Craveirinha trabalhou como jornalista.
“Mas o homem estava numa situação extremamente delicada, ele era um crítico nato do regime colonial vigente na altura, mas tal não podia ser feito de maneira directa senão recolhia novamente à cadeia”, contou Cabaço.
“Craveirinha era um grande poeta, mas também foi um notável jornalista cultural e jornalista desportivo e dando esse carácter informativo e científico às notícias, ele furtava-se a dar uma interpretação política”, disse Cabaço, sublinhando que quando este fazia “jornalismo desportivo fazia jornalismo desportivo político. Quando fazia jornalismo cultural, fazia jornalismo cultural político”.
Os textos polémicos de Craveirinha publicados em “Folclore Moçambicano e Suas Tendências” abrangem diversa temática, tendo como palco principal a Mafalala, o então principal bairro indígena onde viviam os negros e mulatos pobres, na sua maioria empregados dos brancos residentes dos bairros de pedra.
Um desses temas é o conflito “mulato biológico” e “mulato cultural”, em que o autor insurge-se contra o facto do mestiço que tem as suas raízes culturais africanas procurar se afastar da mesma e procurar ascensão na classe branca.
A marrabenta é pornográfica é outra questão polémica levantada por Craveirinha, questionando igualmente a sua origem.
Aliás, dois grandes músicos de sul de Moçambique (o falecido Fany Mpfumo e o ainda vivo Dilon Ndjindji) reclamam o título de obreiros deste género de música e dança. Craveirinha não atribui o título a nenhum deles. Para o grande poeta, a marrabenta não foi fundada, surgiu.
Segundo ele, a marrabenta surgiu na sequência das diversas reinterpretações de magikhah e outras danças tradicionais durante as noites de diversão nas boates da Mafalala.
“A dança era tão enérgica que as pessoas iam dizendo “rebenta”, “rebenta”, disse Cabaço, comentando a abordagem de Craveirinha sobre o surgimento do nome marrabenta.
A abordagem de Craveirinha sobre a dança não termina por aí. Para ele, existe uma diferença entre o palco de realização das danças africanas e europeias. Enquanto as africanas se realizam no chão, no contacto entre o pé e a terra, as danças europeias, como a valsa, por exemplo, são aéreas, isto é, se realizam no espaço, com tendência a subir ao céu.
Maputo, Segunda-Feira, 12 de Outubro de 2009:: Notícias
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Poetas e Escritores de Moçambique
11 de outubro de 2009
Portugal: Eleições em Ermelo adiadas para o próximo domingo após homicídio
Eleições Autárquicas
Eleições em Ermelo adiadas para o próximo domingo após homicídio
As eleições para a freguesia de Ermelo, Mondim de Basto, serão repetidas no próximo domingo, após o assassinato do marido da candidata do PSD à Junta de Freguesia, disse à Lusa o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE)
«As eleições serão repetidas de hoje a oito dias. Esta situação em que o candidato de um partido mata o marido de uma candidata provocou um levantamento e uma tentativa de retaliação física sobre os delegados do partido do homicida [PS], o que obrigou à intervenção de forças de segurança», disse Nuno Godinho de Matos.
De acordo com o porta-voz da CNE, o governador-civil de Vila Real constatou «uma situação de tumulto», que «não permitiu a realização do acto eleitoral naquela freguesia», onde existem 935 eleitores, tendo a mesma ficado adiada para o próximo domingo.
O alegado homicida terá fugido para o Parque Natural do Alvão, onde a GNR montou uma operação para o deter.
A vítima tinha 57 anos, era familiar do alegado homicida e marido da presidente daquela junta de freguesia, Glória Clemente.
Lusa / SOL, 11 de Outubro de 2009
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9 de outubro de 2009
Academia Sueca: Barack Obama vence Prémio Nobel da Paz de 2009
Academia Sueca
Barack Obama vence Prémio Nobel da Paz de 2009
A Academia Sueca acaba de anunciar a atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2009 ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pelo impacto que teve na política internacional e pelos esforços na questão das armas nucleares
Segundo o Comité do Nobel, Obama recebeu o prémio «pelos seus extraordinários esforços de reforço da diplomacia internacional e cooperação entre povos».
«Só raramente uma pessoa consegue, como fez Obama, capturar a atenção de todo o mundo e dar ao seu povo esperança para um futuro melhor», disse o Comité no seu anúncio.
«A sua diplomacia é fundada no conceito de que os que lideram o mundo devem fazê-lo com base nos valores partilhados pela maioria da população mundial».
O Comité afirmou ainda que atribui especial importância ao esforço de Obama em trabalhar por um mundo sem armas nucleares.
«Obama criou, enquanto presidente, um novo clima na política internacional. A diplomacia multilateral recuperou uma posição de destaque, com ênfase no papel das Nações Unidas e de outras entidades internacionais».
A Academia Sueca recebeu neste ano o número recorde de 205 nomeações para o Nobel da Paz.
SOL, 09 de Outubro de 2009
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