22 de junho de 2010

Moçambique e Portugal mantêm diálogo de respeito


Moçambique e Portugal mantêm diálogo de respeito

O diálogo em curso entre Moçambique e Portugal não é entre colonizado e colonizador, porque as relações neste momento são baseadas no respeito mútuo, no princípio de que se trata de países soberanos, clarificou a Presidente da Assembleia da República (AR), Verónica Macamo.

Verónica Macamo, que encabeçou uma delegação parlamentar, falava num breve encontro que manteve com a comunidade moçambicana residente na capital portuguesa, Lisboa, na quarta-feira, no âmbito da visita oficial a Portugal, concluída na última quinta-feira.

Moçambique nada fez para aproveitar as oportunidades do “Mundial”


Falou-se muito e trabalhou-se pouco

Moçambique nada fez para aproveitar as oportunidades do “Mundial”

Maputo (Canalmoz) – O anúncio da realização do Campeonato Mundial de Futebol 2010 na África do Sul encheu Moçambique de expectativas. O evento foi visto como uma oportunidade de negócios. Moçambique foi um dos que entrou na rota dos países sonhadores e que acreditava que o “Mundial” da África Sul podia trazer grandes benefícios para muitas das suas actividades económicas, sobretudo para o turismo.
De estratégias em estratégias, achou-se melhor institucionalizar as oportunidades, criando o Gabinete Técnico para o “Mundial 2010”.
Mas, segundo tudo indica, as expectativas do Governo não tomaram em conta a realidade moçambicana e como consequência todo um sonho “mundial” se transformou numa autêntica frustração.

21 de junho de 2010

Moçambique: Gorongosa, um antigo problema ecológico


Gorongosa – um antigo problema ecológico

Maputo (Canalmoz) - O sinal de alerta lançado sexta-feira última pela ministra da Coordenação da Acção Ambiental, Alcinda Abreu, para o perigo de aluimento de terras na Serra da Gorongosa, mercê de práticas agrícolas erradas, serviu para ilustrar um dos aspectos da grave situação que se faz sentir nesse ponto do país. Tais práticas, a par das queimadas descontroladas, do derrube de árvores, do garimpo e da dizimação de espécies animais, espelham uma realidade amarga que se tem vindo a agravar desde a independência em 1975. Efectivamente, trata-se de um problema já antigo que conheceu novos contornos com o advento da independência nacional.

“A Frelimo sujou conquistas da Independência com políticas devastadoras”


“A Frelimo sujou as conquistas da Independência com as suas políticas devastadoras”

– afirma o presidente do partido Renamo, Afonso Dhlakama, a propósito da celebração dos 35 anos da Independência Nacional

“Toda a gente abraçou a Independência por ter lutado por ela, e, com a saída dos colonos, os nacionalistas já se podiam afirmar, mas, surpreendentemente, o Governo da Frelimo veio a piorar a situação e em muito pouco tempo matou muitas pessoas, mais do que durante os quinhentos anos da colonização portuguesa. A Frelimo negou a democracia. Matou quem se arriscasse a pensar de maneira contrária à sua ideologia marxista-comunista. Quem pensasse de forma diferente era morto. Muitos moçambicanos foram fuzilados por serem acusados de anti-independência” – Afonso Dhlakama

18 de junho de 2010

Jornalismo vergonhoso (Canal de Opinião: por Borges Nhamirre)


Canal de Opinião: por Borges Nhamirre

Jornalismo vergonhoso

Maputo (Canalmoz) – Evito, sempre que possível, criticar publicamente os erros dos colegas, porquanto entendo que somos uma classe e “roupa suja não se lava fora”. Mas, quando um comportamento desonesto e deliberado de um colega se confunde com o “modus operandi” de toda a classe e atira areia aos olhos do povo, é preciso repudiá-lo publicamente.
Escrevo a propósito da peça apresentada no telejornal da TVM, do dia 10 de Junho de 2010. Escuso-me a citar o nome do seu autor, pois não é meu objectivo atacá-lo pessoalmente, mas sim criticar o seu trabalho. E, neste, partilha as responsabilidades com a direcção editorial da TVM.
No mesmo dia em que o director do Gabinete de Controlo de Bens Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA, Adam Szubin, concedeu uma vídeo-conferência na Embaixada norte-americana em Maputo, para explicar os contornos do “caso MBS”, o jornalista da TVM exibiu uma peça produzida na sala de estar do empresário Momade Bachir Sulemane – ressalvo que não tenho nada contra nem a favor dele. Na peça, Bachir aparece a chorar perante as câmaras da TVM, com os membros da sua família reunidos. Até se confundia com uma telenovela ou comédia televisiva!

Corrupção ataca Urgências do Hospital Central de Maputo


Corrupção ataca os Serviços de Urgências do Hospital Central de Maputo

Maputo (Canalmoz) – A chamada pequena corrupção está instalada nos Serviços de Urgências do Hospital Central de Maputo, que funcionam na entrada da Avenida “Eduardo Mondlane” daquela unidade sanitária. Um doente que procura socorro naquele sector do HCM pode levar mais de seis horas na sala de espera, sem receber o atendimento médico, depois de ter passado pela recepção e pagar 150 meticais de entrada. Para ser atendido rapidamente – que nem chega a ser tão rápido – é preciso pagar um valor extra aos serventes que recebem as fichas do doente e as encaminham para as salas médicas.
Depois de receber queixas dos utentes daquele hospital, a nossa reportagem esteve presente nos Serviços de Urgência do HCM para observar como tudo se passa.

Apelo ao Santo António


Apelo ao Santo António

Ó meu rico Santo António
Meu santinho Milagreiro
Vê se levas o Zé Sócrates
P'ra junto do Sá Carneiro

Se puderes faz um esforço
Porque o caminho é penoso
Aproveita a viagem
E leva o Durão Barroso

África do Sul: Vai uma boleia?


Vai uma boleia?

Um babuíno tenta entrar para o carro de um turista perto do Parque Nacional da Península do Cabo, na África do Sul.

Foto@EPA/Helmut Fohringer

17 de junho de 2010

Quando se zangam as comadres, descobrem-se as verdades...


Quando se zangam as comadres, descobrem-se as verdades...

Canal de Opinião: Por Noé Nhantumbo

…Ou quando o Quarto Poder se exclui e colabora com os lesa-pátria...

Beira (Canalmoz) – Se havia alguma dúvida sobre o que movia a maioria dos jornalistas moçambicanos, um facto aparentemente não ligado a eles e nem por eles iniciado ou investigado teve a virtude de mostrar para todos o tipo de jornalistas que temos.
Ao mesmo tempo veio validar a tese de que temos uma maioria de intelectuais de trazer no bolso, pois para pouco mais servem.
As diferentes abordagens que abundam na imprensa moçambicana, e elaboradas por jornalistas moçambicanos, sobre o alegado treinamento de terroristas em solo moçambicano só podem espantar aos observadores menos atentos.
Quase todos se pronunciam no sentido e em defesa da soberania nacional, sem olhar para o outro lado da mesma questão. Há já muito tempo que se ouvem e se observam sinais inegáveis de todo um procedimento que coloca a defesa da soberania em risco prático e concreto.

Portugal: Manel dos Cromos


Manel dos Cromos

Manuel Santos, conhecido como "Manel dos Cromos", vende e troca cromos em Lisboa desde 1974. Na Estação do Rossio, em Lisboa, vende por estes dias cromos do Mundial 2010 da África do Sul.

Foto@Lusa/Miguel A. Lopes

16 de junho de 2010

Portugal: Estamos a criar 'alunos que não sabem ler, nem escrever'


Estamos a criar 'alunos que não sabem ler, nem escrever'

Maria do Carmo Vieira quer dar uma 'reguada' ao sistema de ensino português: através da Fundação Manuel dos Santos (presidida pelo sociólogo António Barreto), lançou esta semana o ensaio 'O ensino do Português'.

Sem pudor, a professora de Língua Portuguesa - já com 34 anos de experiência - dirige duras críticas ao baixo nível de exigência do actual sistema de ensino, aos professores, aos sucessivos Governos, às escolas. No dia em que arranca a primeira fase dos exames nacionais do ensino secundário, o SAPO foi ouvi-la.

15 de junho de 2010

Mia Couto, apresentou em Lisboa, o seu novo livro "Pensageiro Frequente"


Mia Couto um "Pensageiro Frequente" da LAM

Em pré-lançamento ainda, já que o livro só vai estar à venda daqui por um mês, Mia Couto apresentou esta tarde, em Lisboa, na livraria Buchholz, o seu mais recente livro “ Pensageiro Frequente”. Um conjunto de crónicas que escreveu para a revista Índico, das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM).

O autor diz que a bordo de um avião torna-se um pensageiro, ou seja um passageiro que apesar de frequente continua a sentir o mesmo medo a cada viagem. Para entreter o medo põe-se a escrever. Estas crónicas surgem na sequência de alguns desses voos e foram feitas a pensar no passageiro que entre fusos horários procura uma distracção.

São 26 artigos sobre as gentes e terras de Moçambique, textos que viveram numa revista de bordo para “ fazer com que o meu país voasse pelos dedos do viajante, numa visita às múltiplas identidades que coexistem numa única nação. Esse era o serviço daquela escrita.” Agora estão disponíveis num único livro.

Sapo MZ,
15 de Junho de 2010

Novo B.I. tem emblema da República Popular de Moçambique


Novo B.I. tem emblema da República Popular de Moçambique

Todos os bilhetes a que tivemos acesso, último dos quais emitido a 5 de Abril do ano em curso, contêm o mesmo erro. É um erro que, segundo uma fonte da Direcção de Identificação Civil (DIC), já foi detectado e reconhecido pelas autoridades governamentais.

O novo Bilhete de Identidade contém, na parte holográfica, no fundo, emblema do período socialista, com a escrita “República Popular de Moçambique”, ao invés de “República de Moçambique”, o que viola o artigo 1, do capítulo 1, que designa o nosso país “República de Moçambique” e define-o como um Estado independente, soberano, democrático e de justiça social. São, ao todo, cinco emblemas com a escrita “República Popular de Moçambique”: dois grandes e três pequenos.

Polónia: Depois da inundação


Depois da inundação

Um urso de peluche ficou perdido no meio da lama em Wilkow, na Polónia, depois de a vila polaca ter ficado inundada. Milhares de pessoas ficaram desalojadas devido às fortes inundações que têm afectado a Polónia.

Foto@EPA/Wojciech Pacewicz

Verónica Macamo em Portugal em busca de apoio para o parlamento


Verónica Macamo em Portugal em busca de apoio para o parlamento

A presidente da AR é acompanhada pelos chefes das bancadas da Renamo, Maria Angelina Enoque, e do MDM, Lutero Simango, e pelo vice-chefe da bancada da Frelimo, Tobias Dai

Maputo (Canalmoz) – A presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, está de visita a Portugal em busca de cooperação institucional entre os órgãos legislativos dos dois países. Como resultado da visita da presidente da AR a Portugal, a Assembleia da República garante que em breve os dois parlamentos irão “incrementar novas áreas de cooperação, com vista a melhorar o trabalho dos deputados em matérias legislativas e de fiscalização”.

12 de junho de 2010

Portugal: Escolas proíbem roupas curtas e decotadas


Escolas proíbem roupas curtas e decotadas

Rapazes com mais de 13 anos proibidos de usar calções ou raparigas impedidas de envergar minissaias exageradas são regras que se encontram com alguma frequência nos regulamentos internos de escolas públicas e privadas em Portugal.

Numa pesquisa rápida e aleatória na Net, a Lusa descobriu que, por exemplo, o regulamento interno da Escola Dr. Horácio Bento de Gouveia, no Funchal, Madeira, reza que os alunos devem evitar calções de praia, «minissaias exageradas», tops e camisolas de alças, vestuário roto, camisolas demasiado curtas e vestuário de cintura muito descida.

Alfabeto para combater a pobreza – X como Xénon

Alfabeto para combater a pobreza – X como Xénon

Imagino alguns leitores assíduos deste tipo de séries que envolvem todo o alfabeto a fazerem apostas em relação às letras do alfabeto mais difíceis, estilo “quero ver que palavra ele vai inventar agora para o X! Aposto que ali ele vai encalhar...”. Esses leitores subestimam a fertilidade da imaginação dum sociólogo. Na verdade, o mais difícil não é identificar uma palavra útil com essa inicial. O mais difícil é decidir que história contar a partir das várias que são possíveis. Por exemplo, quando comecei a pensar nesta série de textos anotei as primeiras palavras que me ocorreram. Quando chegou a vez do X a primeira palavra que me ocorreu foi xénon porque eu estava a ver o cinema Xenon na janela da minha cabeça. E logo a seguir ocorreram-me dois sentidos. Um etimológico que, na verdade, normalmente é o primeiro que me ocorre; o outro químico.

Alfabeto para combater a pobreza – V como Virtude

Alfabeto para combater a pobreza – V como Virtude

Já abordei a questão da virtude em artigo anterior desta série. Volto aqui à carga porque é importante. Importante em minha opinião, claro. Vamos começar por um exemplo. Há compatriotas entre nós que desde que começaram a pensar meteram na cabeça que a fonte do mal no mundo pode ser encontrada na injustiça. Eles têm em mente a injustiça na distribuição da riqueza dum país. São muito exactos no seu pensamento. Localizam a fonte da injustiça no sistema económico que, após a leitura de Marx, eles chamam de capitalista. Para eles a justiça é um valor e, consequentemente, em nome desse valor eles procuram ajustar a sua vida aos imperativos colocados pela necessidade de acabar com a injustiça no seu mundo. Assim, quando eles olham para o país e para o conjunto de relações sociais que o fazem, o que eles vêem não é simplesmente o país ou esse conjunto de relações sociais. Eles vêem a manifestação da injustiça de modo que quando eles abrem a boca é para chamar atenção a isso bem como à necessidade de se lhe pôr fim.

Alfabeto para combater a pobreza – U como Unidade

Alfabeto para combater a pobreza – U como Unidade

Usiwana / uloyi, diz-se em changana (pobreza é feitiçaria). E é mesmo. O feiticeiro não tem família, não tem onde ir encostar a cabeça quando volta deprimido duma das suas voltas nocturnas à procura de vítimas, não pode, enfim, dar na cara. Outra coisa também não era de esperar. O feiticeiro coloca-se voluntariamente à margem da sociedade pelo que faz sentido, de facto, que a imaginação popular associe a pobreza ao isolamento. Não há pior destino para um Changana do que a perspectiva de morrer sozinho sem ninguém próximo para nos enterrar. Morrer assim é o pior dos destinos. Pode parecer engraçado, mas quando um Changana diz “essa tua mulher vai te enterrar” ou “esses teus vizinhos vão te enterrar”, está a tecer um elogio. Está a constatar que alguém não está a sós no mundo.

Alfabeto para combater a pobreza – T como Trabalho

Alfabeto para combater a pobreza – T como Trabalho

Há quem diga ser possível trabalhar sem resultados; o que raramente acontece é ter resultados sem trabalho. Aí está: trabalho. A palavra trabalho é uma das mais maltratadas do nosso vocabulário social. No tempo colonial já serviu para definir o que era necessário fazer para que pudéssemos ser aceites como humanos. O empreendimento colonial português ganhou uma boa parte da sua coerência graças à regulação do chamado “trabalho indígena” encetada sob orientação lúcida de António Enes. Através desta regulação foi possível não só redefinir institucionalmente o africano como alguém preguiçoso, vivendo da exploração do trabalho da mulher (curiosamente, o mesmo argumento que alguns programas da indústria do desenvolvimento de vez em quando usam) e pouco previdente, como também criar as bases para o estabelecimento do aparelho estatal colonial.