16 de setembro de 2011

Cabo Verde: Verde é cor de esperança


Verde é cor de esperança

As últimas chuvas vieram animar os camponeses nas ilhas mais agrícolas. E as previsões é de que este ano será bom em termos das colheitas.

O verde que orgulha o cabo-verdiano


O verde que orgulha o cabo-verdiano

"Dia k tchuva bem, umm ta ba bskob pa no bem dançá"... A letra desta música diz muito sobre o significado das chuvas em Cabo Verde. Por estes dias, montanhas e vales das ilhas apresentam-se cobertos de verde, como mostra a foto, do interior de Santiago.

A Pedra (Antonio Pereira)


A PEDRA

O distraído, nela tropeçou,

o bruto a usou como projétil,

o empreendedor, usando-a construiu,

o campônio, cansado da lida,

dela fez assento.

Para os meninos foi brinquedo,

Drummond a poetizou,

Davi matou Golias...

Por fim;

o artista concebeu a mais bela escultura.

Em todos os casos,

a diferença não era a pedra.

Mas o homem.


Autor: Antonio Pereira (Apon)
Este poema foi publicado em 1999 no livro: Essência.

Angola: "Otchinganji" animam Estádio dos Coqueiros em Luanda


"Otchinganji" animam Estádio dos Coqueiros

Uma das figuras mais imponentes do nosso folclore oriunda da região Centro Sul: os "Otchinganji", que animavam as cerimónias tradicionais dos ovinbundos e nas mesmas representavam espíritos dos antepassados deste povo, actualmente são também levados para os estádios de futebol para dar sorte no jogo. Aqui no Estádio dos Coqueiros, em Luanda. Viva o nosso folclore.

Angola: Um sorriso de esperança


Um sorriso de esperança

Quantas vezes já ficou frustrado por não conseguir comprar a carteira que viu na vitrina de uma loja? Quantas vezes zangou-se e sentiu o mundo a desabar por faltar dinheiro para saciar os seus mais fúteis caprichos?

Pois bem nesta vida há quem nada tem, mas a cada luz do dia, que Deus o concede ver, recebe-a com um sorriso de esperança pois sabe que é o principio de um novo começo. As coisas materiais são um subterfúgio pouco inteligente para escondermos o nosso verdadeiro ser e com elas desligamo-nos do mais importante: viver. Pense nisso.

Quénia: A noiva massai


A noiva massai

Ao centro Nelly Nkurunka é a noiva. Nelly está rodeada por mulheres da aldeia do noivo que a acolhem com canções e danças. Tem 18 anos e vai casar com Lesian Ole Lasiti Maante, de 25 anos. Lesian é o líder da sua tribo e tem de casar e constituir família, construir riqueza em número de cabeças de gado e filhos e atingir a maioridade. A maioridade é um período de muita responsabilidade, sobretudo para o jovem chefe que lidera mais de 10.000 jovens guerreiros massai.

Maputo: O cinema construiu imagem da nova nação (Ruy Guerra)


O cinema construiu imagem da nova nação

Ruy Guerra , autor do filme “Mueda, Memória Massacre” é homenageado hoje, em Maputo. Uma homenagem merecida, daquele que é considerado o percursor do cinema nacional, agora a residir no Brasil, país que elegeu como sua segunda pátria, desde 1958. A iniciativa de homenageá-lo é da Universidade Técnica de Mocambique (UDM), em parceria com o DOCKANEMA, e este foi um pretexto para uma longa e interessante conversa com o autor.

Porque abandonou Moçambique?

Naquela época havia aqueles movimentos da juventude contra o salazarismo, nomeadamente o movimento de unidade democrática, quando a Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE) foi instalada aqui em Moçambique nós fomos perseguidos porque nós escrevíamos, era um grupo que escrevia e que faziam parte Rui Knopfli, João Mendes, Noémia de Sousa, era um grupo com forte expressão cultural e que era alvo de perseguições enquadradas numa lei sobre qualquer coisa como segurança nacional. O caso mais grave é que nós éramos menores pouco podiam fazer contra nós. Lembro-me que João Mendes foi deportado na época para Angola e depois para a Ilha do Sal, ele era maior tinha entre 27 e 28 anos e nós tínhamos entre 17 e 18 anos.

Consta-me que apesar de ser menor foi preso na sequência dessas perseguições que eram alvos da PIDE. Confirma?

Não chegamos a ficar presos, éramos menores, estudantes do liceu. Também havia aquele estatuto colonial e havia contradições porque o próprio do governo da época não queria que a PIDE se instala-se aqui. Portanto, eles não agiam com muita força, foi um passo gradual que eles estavam usando sobre o aspecto da repreensão. Então a gente era detida e volta e meia lá no liceu escrevíamos um artigo e ia lá alguém prender um de nós. O reitor nunca deixava o jeep da PIDE entrar na escola e assim conseguíamos fugir. Nunca fiquei preso mesmo.

15 de setembro de 2011

Moçambique vai testar vacina contra o vírus causador do HIV


Num trabalho conjunto desenvolvido pelo Instituto Nacional de Saúde e o Hospital Central de Maputo.

O ministro da Saúde , Alexandre Manguele, esclarece que não se trata de cura do Sida, mas um estudo que pode reforçar a capacidade de defesa do organismo humano em contrair o vírus causador do Sida. Aliás, ainda não há nenhuma vacina eficaz para a prevenção desta doença.

Moçambique vai testar, ainda este mês, uma vacina contra o vírus causador do Sida, numa altura em que as taxas de infecção por esta doença, no país, rondam os 11.5 por cento, de acordo com os últimos dados disponibilizados pelo Inquérito sobre Sida, denominado Insida.

O ministro da Saúde, Alexandre Manguele, diz que o primeiro teste clínico sobre a vacina terá uma duração de um ano e meio. O estudo será realizado pelo Instituto Nacional da Saúde e o Hospital Central de Maputo e os investigadores destas duas instituições é que vão liderar o processo.

Contudo, Manguele deixou claro que ainda não há cura contra o Sida, ou seja, “a vacina a ser testada em Moçambique não significa cura da doença, mas pode reforçar a capacidade de defesa do organismo em contrair o vírus causador do Sida”.

Combate à doença: Vacina contra malária disponível em 2015


Combate à doença

Vacina contra malária disponível em 2015

Uma vacina antipalúdica será lançada no mercado em 2015, anunciou terça-feira à imprensa na capital francesa, Paris, a diretora executiva da Parceira “Fazer Recuar a Malária”, Awa-Marie Coll-Seck.

A antiga ministra senegalesa da Saúde precisou que a vacina estava na sua última fase de validação pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

« A vacina será eficaz em pelo menos 50 por cento, o que quer dizer, contudo, que não tem vocação para substituir os outros meios de prevenção e tratamento do paludismo. Vai reforçá-los e ajudar a continuar na dinâmica dos progressos contra a doença registados nos últimos anos», sublinhou.

Coll-Seck evocou igualmente o objetivo de erradicar o paludismo até 2015 em 10 países afetados pela doença.

«Temos a ambição de lá chegar, graças aos esforços dos países atingidos e ao apoio da comunidade internacional. Tendo em conta os progressos já obtidos, parece-nos perfeitamente concebível fazer desaparecer o paludismo em 10 países até 2015”, indicou.

Num relatório divulgado segunda-feira à noite, a Parceria «Fazer Recuar a Malária » sublinha os progressos obtidos na luta contra o paludismo em África.

Segundo o documento, países como o Rwanda, o Senegal e a Zâmbia realizaram progressos espectaculares na aplicação da sua estratégia nacional de luta contra o paludismo.

Os autores do relatório sublinham, em contrapartida, os desafios logísticos e estruturais que dificultam a luta contra o flagelo na Nigéria e na República Democrática do Congo (RDC).

O relatório, que será apresentado esta semana em Nova Iorque, nota a progressão nítida dos financiamentos internacionais de luta contra o paludismo, passando de perto de 100 milhões de dólares americanos em 2003 para cerca de um bilião e 500 milhões em 2010.

(AIM)
15 de Setembro de 2011

Índia: Funeral do elefante


Funeral do elefante

Habitantes de uma vila indiana na floresta de Naxalbari choram a morte de um elefante macho. As autoridades vão agora investigar as causas da morte deste animal, que no hinduísmo é sagrado.

14 de setembro de 2011

Venenos de Deus, Remédios do Diabo (Mia Couto)


Um rio onde as águas se separam

Venenos de Deus, Remédios do Diabo:

Mais do que palavras, Mia Couto é um escritor que nos transporta ao avesso, ao sonho, ao fantástico, ao extraordinário. Na sua incursão por “Venenos de Deus, Remédios do Diabo”, navegamos também por esse mundo do surreal, que, segundo André Breton, “ é o automatismo psíquico puro pelo qual se propõe expressar, verbalmente, por escrito, ou de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento. O pensamento é ditado com ausência de qualquer outro exercício da razão, à margem de toda a preocupação com estética ou moral. Ou melhor: existe outra realidade, tão real e lógica como a exterior, que é a dos sonhos, da fantasia, dos jogos espontâneos do inconsciente que se desenvolve à margem de toda a função filosófica, estética ou moral”. Com Mia, mais do que sonharmos em noites do interplanetário, viajamos em naus por terras intransponíveis.

- Cure-me de sonhar, Doutor.

- Sonhar é uma cura.

- Um sonhadeiro anda por aí, por lonjuras e aventuras, sei lá fazendo o quê e com quem... Não haverá um remédio que me anule o sonho?

- Todos elogiam o sonho, que é o compensar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos.

- Sonhar só o faz ficar mais vivo.

- Para quê? Estou cansado de ficar vivo. Ficar vivo não é viver, Doutor.

- É que o senhor entra neste quarto malcheiroso e eu o vejo mais como coveiro do que meu salvador. Aqui, neste leito, eu já vou no meu próprio desfile fúnebre. Págs. (16-17)

“Angolanos olham para o Brasil, mas brasileiros não para Angola”

“Angolanos olham para o Brasil, mas brasileiros não para Angola”


Quem o diz é Pepetela

Enquanto os angolanos vêem o Brasil como um “irmão mais velho”, os brasileiros pouco sabem sobre o país africano com quem partilham raízes lusófonas, diz o escritor de Angola Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, de 69 anos, conhecido por Pepetela.

Em entrevista conduzida por Júlia Dias Carneiro, à BBC Brasil, o escritor angolano disse que, embora as relações económicas e políticas entre Brasil e Angola venham crescendo, as relações culturais entre os dois países ainda deixam a desejar, e são predominantemente de mão única. Vencedor em 1997 do Prémio Camões, o maior reconhecimento literário da língua portuguesa, Pepetela tem a história angolana como pano de fundo para as suas ficções, abordando temas como o colonialismo, a luta pela independência e a guerra civil angolana. O escritor esteve no Rio de Janeiro para lançar o livro “O Planalto e a Estepe” (Editora LeYa) na Bienal do Livro.
Como vê as relações entre Brasil e Angola?

As relações estão mais desenvolvidas do ponto de vista político e económico, e também no trânsito de pessoas de um lado para o outro. Nesse aspecto, deveria haver uma maior fluidez. Nem é por mal, mas por uma questão da burocracia angolana, demora-se muito tempo para conceder vistos. Ultimamente, o Brasil também está retaliando. Agora, um angolano tem de pedir o visto brasileiro com um mês de antecedência. É retaliação, também não resolve. Prejudica até empresas brasileiras, cujos trabalhadores têm dificuldade em ir trabalhar lá. Prejudica Angola, portanto, porque a empresa não está a trabalhar como deveria. Mas penso que na parte cultural é onde há menos relacionamento, e deveria ser mais intenso. É verdade que alguns escritores (angolanos) vêm ao Brasil, e escritores brasileiros vão a Angola, ainda que raramente. Às vezes vai um músico, sai um livro, aparecem algumas coisas. Mas é muito pouco, tinha que ser muito mais.

Angola: Acidente no Huambo faz 30 mortos, incluindo três generais


Acidente no Huambo faz 30 mortos, incluindo três generais

Uma aeronave do tipo Embraer, da Força Aérea Nacional angolana, despenhou-se hoje no aeroporto da cidade Huambo, acidente do qual resultou a morte de 30 pessoas, sendo que três são oficiais-generais das Forças Armadas Angolanas (FAA).

Há a informação de pelo menos três sobreviventes.

Um total de30 mortos e 6 feridos é o resultado apurado pela Polícia Nacional angolana no acidente de uma aeronave de origem russa Antonov, hoje (quarta-feira), na província do Huambo.

As causas do acidente ainda não foram apuradas, mas o serviço de bombeiros e das forças armadas angolanas encontram-se no local do incidente, a recolher dados.

O avião de marca Tango Embraer–500, despenhou-se logo a seguir à descolagem. A aeronave transportava uma delegação de generais das Forças Armadas (FAA).

Os sobreviventes encontram-se no hospital militar daquela província a receberem os primeiros socorros.

Segundo um ferido grave, o acidente foi muito rápido, pelo que não conseguiu descrever o ocorrido com detalhe, mas assegurou que o Comandante da tripulação tinha conhecimento que o voo tinha alguns problemas.

Sapo MZ, 14 de Setembro de 2011, 14:27

Angola: Leila Lopes é a mulher mais bela do Universo


Leila Lopes é a mulher mais bela do Universo

É a segunda mulher negra africana e a quarta negra a vencer o maior concurso de beleza do Mundo. A angola Leila Lopes é a grande vencedora do Miss Universo 2011.

9 de setembro de 2011

A gordura do Estado (Francisco Moita Flores)


A gordura do Estado

Sugar o tutano até à pobreza radical a milhões de contribuintes é um filme gasto e pouco credível.

Não sei quem inventou a expressão mas ela entrou nas narrativas políticas como mel. É capaz de ser, neste momento, a fórmula mais usada para identificar os gastos excessivos do Estado. Retirar a gordura do Estado é uma obsessão do governo. Corre o risco de ter de criar um ministério nutricionista que faça a gestão da coisa. Porém, o diagnóstico é velho. Nos últimos vinte anos, o discurso repete-se com outras variações. Emagrecer o Estado foi outra expressão que, em tempos, se converteu em lugar-comum. Ao fim e ao cabo, quer dizer o mesmo. Precisamos de um Estado esbelto, de curvas bem delineadas, sensual. Porém, as receitas para chegarmos a esse patamar superior da beleza política, escorraçando gorduras, com dietas rigorosas de vegetais, onde pão, carne e peixe são coisa para ricos, têm sempre a mesma fórmula. Começa-se por sugar o sangue aos contribuintes, e as gorduras, alegremente, lá ficam tornando o doente mais doente.

Isto é, o governo precisa de dar com urgência um sinal ao País sobre o corte das adiposidades crónicas. E até agora não o deu. Sugar o tutano até à pobreza radical a milhões de contribuintes é um filme tão gasto e tão pouco credível que só o aceitamos se percebermos que a estrutura do Estado entra em verdadeira dieta severa. Ou seja, que avançam reformas severas na esfera administrativa, na mobilidade de pessoal, na reconversão dos torresmos e toucinhos que se abrigam nos corredores do poder. Dou um exemplo: para aprovar um Plano de Pormenor urbano, são necessários pareceres de vinte e oito (!) instituições do Estado. Coisa que leva, em média, quatro anos a realizar. Conheço uma parte deste labirinto de poderzinhos que habita nos alvéolos mais gordurosos de vários ministérios. Com honrosas excepções, a incompetência domina e a arrogância impera. Consiga o governo reduzir a catorze entidades e tenha a coragem de pôr na rua quem não trabalha e parasita o Estado e pode cantar vitórias dietéticas daqui por mais dois anos. É que é o trabalho fundamental para perder gordura: acabar com a preguiça e correr com preguiçosos. Sem esta coragem, o governo só nos trará mais do mesmo: um Estado mais gordo e flatulento. E a fome do outro lado desta falta de imaginação.

Francisco Moita Flores
Correio da Manhã, 08 de Setembro de 2011