6 de outubro de 2011

Samora Machel: estrondosa ovação ao vate!


Samora Machel: estrondosa ovação ao vate!

“O coração de Samora continua a bater ao ritmo do tambor africano”. - Samito Machel Júnior

Moçambique parou para prestar tributo ao filho de Chilembene e um dos mais nobres rebentos do nosso país e de África: Samora Machel. Foi uma homenagem prestada a um homem ímpar, que soube viver para além da situação imposta no seu tempo pelo sistema colonial implantado no país. Ela aconteceu justamente no dia em que completaria 78 anos de idade, 29 de Setembro, e também no ano a ele dedicado, pela passagem dos 25 anos depois do seu assassinato, pelo regime do Apartheid, nas colinas de Mbuzini, na África do Sul.

O percurso histórico de Samora Machel merece toda a pompa. Até porque, tal como fizeram questão de referir várias individualidades, nenhuma homenagem a Samora é suficiente se tivermos em linha de conta que dele foi a responsabilidade de edificar o Estado moçambicano. Contudo, é importante continuar a realizar acções de reconhecimento ao seu trabalho, à sua grandeza e a sua entrega pelas causas mais nobres da Nação moçambicana, sobretudo a luta por si abraçada pela Independência Nacional.

E a terra onde ele nasceu foi pisada por gente de todas as latitudes, não tendo passada despercebida a presença de figuras que com ele privaram, como é o caso do Presidente do Congo Brazaville, Denis Sassou-Nguesso, que para vincar a sua amizade com Samora trouxe e exibiu várias imagens fotográficas que juntos tiraram naquela época. Igualmente marcou presença no local o Chefe do Estado do Botwsana, Seretse Khama Ian Khama.

Um verdadeiro embondeiro da Nação Moçambicana, Samora Machel foi um exímio militar, estratega militar, político e diplomata, daí que se diga que homens da sua estatura nunca morrem, mas sim separam-se do mundo dos vivos, tal como referiu o secretário-geral da Associação dos Combatentes da Luta Armada de Libertação de Moçambique, para quem o saudoso estadista continua a inspirar gerações e gerações de jovens.

A pilhagem da riqueza dos países pelo Banco Mundial e o FMI


A pilhagem da riqueza dos países pelos grandes bancos e corporações internacionais, o Banco Mundial e o FMI

A estratégia dos grandes bancos e corporações internacionais, do Banco Mundial e do FMI de pilhagem da riqueza dos países é concretizada, principalmente, através da criação de dívidas soberanas (dívidas dos estados) impagáveis, as quais acabam por obrigar os estados a realizar dinheiro, para o pagamento das suas dívidas, através da privatização (venda aos "investidores do mercado") de todo o património público dos países que possa gerar lucros.

Por exemplo:

a) Os transportes aéreos (TAP - Transportes Aéreos Portugueses e ANA - Aeroportos de Portugal);

b) Os transportes ferroviários (CP - Comboios de Portugal e em estudo a REFER - Rede Ferroviária Nacional);

c) Os transportes rodoviários (Carris e STCP);

d) Os metropolitanos (Metro de Lisboa);

e) A electricidade (EDP - Electricidade de Portugal e REN - Redes Energéticas Nacionais);

f) A água (Águas de Portugal);

g) O gás e outros combustíveis (GALP);

h) As comunicações e telecomunicações (Portugal Telecom e CTT - Correios de Portugal);

i) A comunicação social (RTP - Rádio e Televisão de Portugal (Televisão Pública, Antena 1, 2 e 3) e LUSA - Agência de Notícias de Portugal);

j) Campos petrolíferos (não há no caso português, ou melhor, os campos existentes ainda não foram considerados economicamente viáveis para serem explorados);

k) Minérios (já foram concessionadas ao "capital estrangeiro", anteriormente, todas as minas rentáveis portuguesas)

Suiça: A maior lavandaria de dinheiro do mundo ameaça falir!


«Suiça: A maior lavandaria de dinheiro do mundo ameaça falir!

A Suíça estremece.
Zurique alarma-se.

Os belos bancos, elegantes, silenciosos de Basileia e Berna estão ofegantes.

Poderia dizer-se que eles estão assistindo na penumbra a uma morte ou estão velando um moribundo. Esse moribundo, que talvez acabe mesmo morrendo, é o segredo bancário suíço.

O ataque veio dos Estados Unidos, em acordo com o presidente Obama. O primeiro tiro de advertência foi dado na quarta-feira.

A UBS - União de Bancos Suíços, gigantesca instituição bancária suíça viu-se obrigada a fornecer os nomes de 250 clientes americanos por ela ajudados para defraudar o fisco.

O banco protestou, mas os americanos ameaçaram retirar a sua licença nos Estados Unidos. Os suíços, então, passaram os nomes. E a vida bancária foi retomada tranquilamente.

Mas, no fim da semana, o ataque foi retomado. Desta vez os americanos golpearam forte, exigindo que a UBS forneça o nome dos seus 52.000 clientes titulares de contas ilegais!

O banco protestou. A Suíça está temerosa. O partido de extrema-direita, UDC (União Democrática do Centro), que detém um terço das cadeiras no Parlamento Federal, propõe que o segredo bancário seja inscrito e ancorado pela Constituição federal. Mas como resistir?

A União de Bancos Suíços não pode perder sua licença nos EUA, pois é nesse país que aufere um terço dos seus benefícios. Um dos pilares da Suíça está sendo sacudido.

O segredo bancário suíço não é coisa recente. Esse dogma foi proclamado por uma lei de 1934, embora já existisse desde 1714. No início do século 19, o escritor francês Chateaubriand escreveu que neutros nas grandes revoluções nos Estados que os rodeavam, os suíços enriqueceram à custa da desgraça alheia e fundaram os bancos em cima das calamidades humanas.

Acabar com o segredo bancário será uma catástrofe económica.

30 de setembro de 2011

Portugueses em Moçambique e Angola pode gerar "nova fratura" entre povos


"Grande desconhecimento" de emigrantes portugueses em Moçambique e Angola pode gerar "nova fratura" entre povos - investigadora Paula Meneses

Coimbra, 30 set (Lusa) - A antropóloga moçambicana Paula Meneses manifestou-se hoje preocupada com o "grande desconhecimento" que os portugueses que estão a emigrar para Moçambique e Angola revelam desses países, podendo estar a criar-se uma "nova fratura" entre povos.

"A realidade destes países mudou muito (desde a independência) e esta tentativa de aproximação a Moçambique e a Angola com um grande desconhecimento preocupa-me", disse a investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, que hoje interveio no "Encontro sobre Inclusão Social e Cidadania", organizado pela Casa de Moçambique em Coimbra.

Na sua opinião, "o risco que se pode correr é de uma nova fratura, de pessoas que pessoas que vão com grande expetativas dizerem que são mal recebidas, porque não há conhecimento do que mudou do lado de lá".

Samora recusou ser presidente segundo Joaquim Chissano


Samora recusou ser presidente

Segundo Joaquim Chissano.

O antigo chefe do Estado moçambicano, Joaquim chissano, diz que Samora Machel recusou-se a ser presidente quando indicado para o cargo depois da assinatura dos acordos de Luzaka, que davam direito de Moçambique criar o seu próprio Governo pela conquista da independência.

Segundo Chissano, o primeiro presidente de Moçambique independente nunca pensou em ser presidente da República, depois da independência.

“Samora queria apenas continuar como homem de combate. Quando indicado a presidente, não aceitou”, revelou Chissano, que falava ontem numa palestra a propósito das comemorações do Ano Samora Machel, pela passagem dos 25 anos da morte deste líder. Contudo, o primeiro presidente de Moçambique independente foi convencido pelos “camaradas” a tomar o cargo, uma vez que só pensava em servir o povo.

O ex-presidente da República defendeu ainda que Samora era um homem que contagiava a todos pela rapidez do seu pensamento e de tomada de decisões.

“Ele pensava rápido em tudo o que fazia. Essa rapidez no pensamento, nos actos, foi transmitida a todos durante as conversas e em todos os momentos em que estivemos juntos”, disse.

André Manhice
SAPO MZ, 28 Setembro 2011

O bicho da Madeira (Henricartoon)

Moçambique, África do Sul e Suazilândia unidos pelo turismo


Moçambique, África do Sul e Suazilândia unidos pelo turismo

Lançado projecto de turismo integrado

Autoridades dos três países lançaram, em Sundton, KwaZulu-Natal, um projecto de turismo integrado, que torna pontos de Moçambique, África do Sul e todo o território da Suazilândia um único destino turístico.
A cidade e província de Maputo, Suazilândia e a província sul-africana de KwaZulu-Natal já são um destino turístico único, na sequência do lançamento da iniciativa tripartida de promoção de turismo regional. O projecto visa permitir que turistas que visitam KwaZulu-Natal, por exemplo, possam facilmente chegar a Maputo ou ir à Suazilândia num único pacote turístico. Trata-se de uma rota que, na visão das autoridades dos três países, pode ser feita num único dia.

A iniciativa foi lançada, segunda-feira, na cidade de Sandton, Joanesburgo, província de KwaZulu-Natal, pelas autoridades dos três países envolvidos.

Moçambique fez-se representar, no acto, pela secretária permanente do Ministério do Turismo, Fernanda Matsinhe, sendo que a Suazilândia e África do Sul foram representadas, respectivamente, pelo ministro do Turismo e Assuntos Ambientais, MacFord Sibanzde, e pelo ministro do Desenvolvimento Económico e Turismo da província de KwaZulu-Natal.

Moçambique: Investir é a palavra de ordem


Investir é a palavra de ordem

Investir é o verbo mais utilizado entre Moçambique e Portugal nos últimos anos. A política abriu os corredores aos empresários e, hoje, Portugal está nos negócios de peso no país:

Banca, construção civil, hotelaria e turismo e energias renováveis. É sobre estes sectores que, próxima quinta-feira, empresários dos dois lados vão sentar-se, em Maputo, para discutir.

Portugal é, a olhos vistos, um dos principais investidores em Moçambique. Ao olhar-se para a revista da KPMG sobre as 100 maiores empresas do país, nota-se com facilidade o forte peso de Portugal nos negócios em Moçambique.

Alexandre Munguambe denuncia empregadores com má-fé


Alexandre Munguambe denuncia empregadores com má-fé

Alexandre Munguambe, Secretário-geral da Organização dos Trabalhadores de Moçambique-Central Sindical (OTM-CS), discursa durante o lançamento da semana comemorativa do dia da criaçao da Organizaçao dos Trabalhadores de Moçambique, realizado hoje em Maputo. Alexandre acusou alguns empregadores que mesmo tendo as suas empresas a render desviam o dinheiro para fins inconfessáveis do que honrar com os compromissos que tem para com a sua massa laboral, adiantando que algumas destas empresas até não pagam, por má-fé, o salário mínimo definido pela Comissão Consultiva do Trabalho (CCT), alegando falta de fundos.

SAPO MZ

Maputo: Os reponsáveis pelo engarrafamento na N4


Os reponsáveis pelo engarrafamento na N4

Congestionamento na N4, via Maputo - Matola causado pelos camiões esta manhã, dia 29 de Setembro.

SAPO MZ

29 de setembro de 2011

Portugal: Isaltino Morais foi detido


Isaltino Morais foi detido

O presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, foi detido pelo Grupo de Investigação Criminal da PSP de Oeiras, segundo o Jornal de Negócios.

Pouco passava das 20 horas quando o autarca foi levado para a zona prisional anexa à PJ. O jornal escreve que Isaltino Morais deverá agora cumprir os dois anos de cadeia a que foi condenado pelo Supremo Tribunal de Justiça.

O Jornal de Negócios falou com o advogado do autarca, Rui Elói Ferreira, que não confirmou a prisão e garantiu «não ter sido informado oficialmente da nada» . Confirmou, contudo, a existência de uma mandato de detenção emitido pelo Tribunal de Oeiras.

Isaltino Morais, escreve o Jornal de Negócios, foi constituído arguido em 2005, num processo relacionado com contas bancárias não declaradas na Suíça e na Bélgica. De acordo com a acusação que lhe foi deduzida em 2006, o autarca de Oeiras «recebia dinheiro em envelopes entregues no seu gabinete da Câmara», segundo o “Público”. Esse dinheiro serviria para licenciar loteamentos, construções ou permuta de terrenos.

SIC, 29 de Setembro de 2011

Novas notas começam a circular a partir de 1 de Outubro de 2011


Novas notas começam a circular a partir de 01 de Outubro

Maputo, 29 set (Lusa) - Uma nova série de notas de 20, 50 e 100 meticais, a moeda nacional moçambicana, entram em circulação a 01 de outubro, e são produzidas com polímero, material sintético que garante a sua durabilidade, anunciou o Banco de Moçambique.

As notas 20, 50 e 100 meticais são as mais suscetíveis de se degradarem, na medida em que são as mais usadas nas transações e concessão de trocos.

O governador do Banco de Moçambique, Ernesto Gove, referiu que a introdução de moedas produzidas com polímero reduzirá significativamente os custos de reposição das notas degradadas.

Ernesto Gove apontou ainda que a rotação "média das notas é de três anos e com estas notas acredita-se que as mesmas possam, pelo menos, resistir por cinco anos ou até mesmo duplicar o seu tempo de vida em circulação".

O Banco de Moçambique referiu que a circulação das novas notas será simultânea e a substituição decorrerá de uma forma gradual, contudo não implicará a retirada das notas atuais.

Tal como as que estão em circulação, as novas notas ostentam a efígie de Samora Machel, o primeiro Presidente de Moçambique.

HYC.
Lusa/Fim 29 de Setembro de 2011

Redacção de 1913 acerta com futuro


Redacção de 1913 acerta com futuro

Uma investigação de trabalhos escolares antigos na região de Norfolk, Reino Unido, levou à descoberta de um Nostradamus do último século: Edgar Codling, que aos 12 anos, em 1913, frequentava a escola em Hillington, escreveu numa redacção sobre o final do século: "Os aviões serão tão difundidos como os automóveis" e as bicicletas, na altura muito caras, "ficarão ao alcande de todos". Mais, previu um boom nas viagens aéreas e que os aviões serviriam "para deslocações de negócios e de prazer".

João Vaz
Revista Sábado, 29 de Setembro de 2011

Frase do dia (Jorge Coelho)



"Se os portugueses vão para Angola só para ganhar no imediato, então levem também o caixão, porque até o caixão é muito mais barato em Portugal".

 
Jorge Coelho, Grupo CEO da Mota-Engil

Revista Sábado, 29 de Setembro de 2011

27 de setembro de 2011

Cesária Évora: Empresário José da Silva garante que “perigo já passou”


Cesária Évora: Empresário José da Silva garante que “perigo já passou”

A cantora cabo-verdiana Cesária Évora "ainda está fraca mas o perigo maior já passou", afirmou hoje o empresário da "Diva dos Pés Descalços" à Agência Lusa, em Paris. José da Silva declarou também que Cesária Évora está afastada dos palcos, mas "não é de excluir que possa vir a gravar" de novo e a colaborar com outros cantores.

A conhecida cantora foi admitida de urgência na sexta-feira, no hospital de La Pitié-Salpétrière, em Paris, "na sequência de um AVC agravado por sérias dificuldades respiratórias", lembrou o adido cultural de Cabo Verde em Paris, David Leite, num comunicado dirigido no domingo à noite à comunidade cabo-verdiana em França.

Depois de um dia crítico no sábado, a cantora recuperou e hoje, "apesar de fraca, estava a gozar com a situação", afirmou José da Silva, contactado pela Lusa no estúdio de Paris onde Cesária Évora tinha previsto uma nova sessão de gravações.

"O maior perigo já passou e os médicos estão confiantes. Continua na unidade de reanimação para que tentem estabilizar a respiração", acrescentou o empresário da cantora.

"A Cesária está consciente, está a falar e mesmo a gozar porque gosta de mostrar que está bem e que está forte, mesmo que se veja que ela ainda está fraca", relatou José da Silva.

A decisão de abandonar definitivamente os palcos, anunciada dois dias antes do acidente vascular de sexta-feira, "não foi do agrado mas Cesária está consciente que o corpo não ia ajudar mais", adiantou o empresário.
José da Silva vive este abandono dos palcos da grande voz de Cabo Verde como "um momento difícil porque não ficamos bem ao ver alguém assim diminuído e com dificuldades".

"A decisão de terminar a carreira foi muito dura de tomar. Quem conhece a Cesária sabe que ela se sente bem só quando está no palco. A vida dela é isso, o contacto com os fãs que a amam. Parar é extremamente duro para ela", disse ainda José da Silva.

"A minha esperança é que ela recupere e possa mais tarde fazer coisas, participar ou gravar. Mas ainda é cedo para pensar nisso. Para já, a preocupação é a recuperação dela", acrescentou, no entanto, o empresário.

Agência Lusa/Expresso das Ilhas, 27 de Setembro de 2011

Fé e paixão numa nação pária (Policarpo Mapengo)


Fé e paixão numa nação pária

Policarpo Mapengo Para Adelino Timóteo

Esse interessante escritor de uma “Nação Pária”


“Se os homens são tão maus com religião, como seriam sem ela?” Benjamin Franklin

 
... agora parece que a nossa política se escondeu das referências e despiu-se da moral – ou nunca a teve, mas sempre soube fingir. Na verdade - acho que Egídio Vaz e Ericino de Salema têm uma opinião diferente – a política despiu-se de paixão e, literalmente, ela vai nua como o rei.

Vi Beira a arder!

Quando pensei em te escrever, debati-me com o que realmente percebo sobre paixão. Podia-me prender na leviandade lírica, refugiar-me em Luís de Camões e resumir-te simplesmente no “fogo que arde sem se ver”.

Acho, meu caro escritor, que o amor, por mais que em termos práticos possa ser algo complexo, em termos poéticos se desvanece e as coisas simplificam-se nessa cadência de versos desaguando nesse fogo “blá blá” de Camões.

Meu caro, não te quero cansar com estes “romantismos” próprios dos poetas. lembrei-me da tua “Nação Pária” que, curiosamente me remete ao “último voo de flamingo” de Mia Couto que como tu, acaba chamando-nos atenção para um país que desaparece.

Há semanas, assistia compulsivamente à TV e desesperava-me pelas marchas “holigans” na tua apaixonada Beira, no jogo do Ferroviário local. Sempre olhei para o futebol e a religião como os perigosos campos das paixões. Estou a falar-lhe dos espaços onde a fé é dominadora e cega à capacidade reaccionária do ser humano.

A mãe dos poetas moçambicanos (Nelson Saúte)


A mãe dos poetas moçambicanos

A segunda edição de “Sangue Negro”, livro de Noémia de Sousa, foi lançada esta semana.

Do seu posfácio fomos buscar dois textos, um de Nelson Saúte, que tem como título “A mãe dos poetas moçambicanos”, e outro de Francisco Noa, que nos ajudam a perceber a alma que existe nos textos desta poetisa.

Eu tinha 15 anos e o poema dizia: “Somos fugitivas de todos os bairros de zinco e caniço./Fugitivas das Munhuanas e dos Xipamanines,/viemos do outro lado da cidade/com nossos olhos espantados,/nossas almas trancadas,/nossos corpos submissos escancarados./De mãos ávidas e vazias,/de ancas bamboleantes lâmpadas vermelhas se acendendo,/de corações amarrados de repulsa,/descemos atraídas pelas luzes da cidade,/acenando convites aliciantes/como sinais luminosos na noite”. Passados estes anos não sei proclamar o meu espanto. Mas lembro que sobre a retina daquele rapaz que eu era, na incauta leitura de uma antologia de Orlando Mendes (Sobre Literatura Moçambicana), ficou a reverberar um nome estranho.

Quem seria essa mulher que se escondia no nome de poeta Noémia de Sousa? - interrogou-se o menino que fui. Naquele então a literatura que conhecia era sobretudo o pecúlio trazido no ombro dos guerrilheiros. Era essa a poesia que sobrava das artes de declamação experimentada nos pátios das escolas, onde fomos continuadores da revolução e exaltadores de todas as utopias - tudo o que agora está inscrito no refluxo dos nossos sonhos.

26 de setembro de 2011

Cesária Évora: Angola

Cesária Évora: Sodade (Live)

Cesária Évora: Partida