4 de dezembro de 2011

Feriados (João Pereira Coutinho)


Feriados

A Igreja cedeu dois feriados religiosos e o governo propôs os seus para abate: o 5 de Outubro e o 1º de Dezembro. Um ultraje, como se escreveu por aí? Duvidoso.

A beleza dos nossos feriados ‘históricos’ é que o país podia passar bem sem eles. Sim, o 25 de Abril marca o fim de uma ditadura; infelizmente, marca também o início de um período de loucura revolucionária que destruiu a economia e ameaçou a liberdade dos portugueses. Sim, Camões é o poeta da língua; mas o 10 de Junho é uma criação artificial que serviu a propaganda republicana, continuou a servir o Estado Novo – e sobreviveu misteriosamente em democracia. Do 5 de Outubro, nem vale a pena falar: pessoas sérias não festejam regimes de violência e terror. E sobre a Restauração, para quê celebrar a independência a 1 de Dezembro quando a pátria está novamente disponível para trocá-la por um cheque alemão?

Os nossos feriados ‘históricos’ oscilam entre o anacronismo, a ambiguidade e a farsa. Não fazem grande falta.

João Pereira Coutinho
Correio da Manhã, 04 de Dezembro de 2011

Moçambique: Lago Niassa



Geração à Rasca - A Nossa Culpa (Maria dos Anjos Polícia)


Geração à Rasca - A Nossa Culpa

Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

3 de dezembro de 2011

O fim do Euro? (Henricartoon)

Moçambique: Cultura e gastronomia unidas numa só obra


Cultura e gastronomia unidas numa só obra

Bolo de Timbila: Cultura e gastronomia moçambicana unidas numa só obra. O bolo representa a Timbila, instrumento musical declarado Património Cultural Mundial pela UNESCO.

Sapo MZ

“O primeiro-ministro dá pesadelos aos portugueses em vez de dar soluções”


“O primeiro-ministro dá pesadelos aos portugueses em vez de dar soluções”

O líder do PS acusou Passos Coelho de dar “pesadelos aos portugueses” em vez de dar “soluções”, ao ter pré-anunciado “mais austeridade”.

Segundo o secretário-geral do PS, o primeiro-ministro revelou na entrevista que deu na quarta-feira que não acredita no seu Orçamento, desresponsabilizando-se da sua execução, e demonstrou que havia a “margem” que os socialistas têm vindo a reclamar para atenuar o embate da austeridade.

“O primeiro-ministro pré-anunciou mais medidas de austeridade para o próximo ano. Quer dizer, em vez de dar soluções, o primeiro-ministro dá pesadelos aos portugueses”, afirmou António José Seguro.

O secretário-geral socialista viu na entrevista dada por Passos Coelho à SIC a manifestação de um “baixar de braços, conformismo, ausência de esperança e ausência de sensibilidade social”.

“Quando o primeiro-ministro tem um instrumento como o orçamento para aplicar a única coisa que sabe dizer é que se houver algum erro, se houver alguma falha, pedirá mais sacrifícios aos portugueses e mais sacrifícios às empresas”, defendeu, acusando Passos Coelho de não ter dado uma palavra aos desempregados, sobretudo aos jovens.

Para Seguro, as declarações de Passos revelam “um primeiro-ministro que não acredita no Orçamento” que acabou de ver aprovado, porque se acreditasse, “demonstrava confiança”, sendo que “a confiança é vital para dinamizar a economia”.

“Esse pré-anúncio revela desresponsabilização porque quem apresenta um Orçamento tem que se responsabilizar pela sua execução, porque essa execução é garantia de cumprir as metas que esse Orçamento indica”, acusou.

in: http://podbredasociedade.blogs.sapo.pt/

Dama de Aço: "A Intocável" - A dívida oculta da Alemanha


DAMA DE AÇO: "A INTOCÁVEL"

A dívida oculta da Alemanha

A ser verdade, então digam lá, porque motivo a Alemanha é intocável ?

Simplesmente porque os seus parceiros não têm capacidade para denunciar a senhora Merkel ???

Handelsblatt, 23 setembro 2011

"A verdade" - é o título do Handelsblatt, que baseando-se em números espantosos, põe termo ao mito da alegada parcimónia do Estado alemão. Oficialmente, a dívida alemã, em 2011, é de 2 biliões de euros. Mas isso é apenas uma meia verdade, porque a maior parte das despesas previstas com reformados, doentes e pessoas dependentes não foram incluídas nesse cálculo. De acordo com os novos números, a dívida real ascende a mais 5 biliões de euros. Por conseguinte, a dívida da Alemanha atingiria 185% do seu produto interno bruto e não os 83% oficialmente anunciados. Como termo de comparação, a dívida grega em 2012 deverá ascender a 186% do PIB da Grécia e a dívida italiana é actualmente de 120%. O limitar crítico a partir do qual a dívida esmaga o crescimento é de 90%. Desde que chegou ao poder, em 2005, Angela Merkel "criou tantas novas dívidas como todos os Chanceleres das quatro últimas décadas juntos", refere o economista principal deste diário económico. "Estes 7 biliões de euros são um cheque sem provisão que nós assinámos e que os nossos filhos e netos terão que pagar.".

in: http://maquiavelencias.blogspot.com/

Portugal - Caso BPN: Escândalo e Impunidade

MAIS UM PODRE E VERGONHA NACIONAL ... 9.710.539.940,09 euros
9.710.539.940,09€ (NOVE-MIL-SETECENTOS-E-DEZ-MILHÕES-DE-EUROS)

CASO BPN: ESCÂNDALO E IMPUNIDADE

A burla cometida no BPN não tem precedentes na história de Portugal !!!

O montante do desvio atribuído a Oliveira e Costa, Luís Caprichoso, Francisco Sanches e Vaz Mascarenhas é algo de tão elevado, que só a sua comparação com coisas palpáveis nos pode dar uma ideia da sua grandeza.

Com 9.710.539.940,09 (NOVE MIL SETECENTOS E DEZ MILHÕES DE EUROS...) poderíamos:

Comprar 48 aviões Airbus A380 (o maior avião comercial do mundo).

Comprar 16 plantéis de futebol iguais ao do Real Madrid.

Construir 7 TGV de Lisboa a Gaia.

Construir 5 pontes para travessia do Tejo.

Construir 3 aeroportos como o de Alcochete.

Assim, talvez já se perceba melhor o que está em causa.

Distribuído pelos 10 milhões de portugueses,caberia a cada um cerca de 971 euros !!!

Então e os Dias Loureiro e os Arlindos de Carvalho onde andam?!

E que tamanho deveria ter a prisão para albergar esta gente?!

DIVULGAR PARA QUE O POVO PORTUGUÊS SAIBA QUEM SÃO OS LADRÕES DESTE PAÍS !!!

in: http://podbredasociedade.blogs.sapo.pt/

Convocatória para a Convenção de Lisboa dia 17 de Dezembro de 2011


Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública

Convocatória para a Convenção de Lisboa

Os cortes nas mais básicas funções sociais do Estado têm sido justificados com a necessidade de financiar o pagamento da dívida pública. As medidas de austeridade afectam a vida das pessoas, que sentem no seu dia-a-dia os efeitos do empobrecimento e da degradação das condições de acesso à saúde, à educação, à habitação, ao trabalho, à justiça, à cultura e a todos os outros pilares da democracia.

Conhecer a dívida pública é, não só um direito, como uma etapa essencial para delinear estratégias de futuro para o país. Porque nem sempre todas as parcelas de uma dívida correspondem efectivamente a compromissos do Estado e nem sempre estes são legítimos. Numa auditoria à dívida, verificam-se os compromissos assumidos por um devedor, tendo em conta a sua origem, legitimidade, legalidade e sustentabilidade. Uma auditoria à dívida pública faz essa análise relativamente aos compromissos do sector público perante credores dentro e fora do país, incluindo a dívida privada garantida pelo Estado.

No início da intervenção da troika, a dívida pública portuguesa tinha ultrapassado os 90% da riqueza anual produzida no país (PIB). Em 2013, quando é suposto esta intervenção terminar, a dívida estará acima de 106% do PIB desse ano. Entretanto a produção de riqueza terá regredido para valores de há quase uma década e o desemprego situar-se-á acima dos 13%. Estas são as previsões do próprio governo. A realidade poderá ser pior. Muito dependerá da evolução da situação na Europa e no resto do Mundo.

A incapacidade das lideranças europeias, demonstrada pelo deteriorar da situação na Grécia, poderá pôr em risco o Euro e o próprio projecto de integração europeia. A insistência na via da austeridade, sabemos hoje, está a precipitar uma nova recessão à escala global.

Escândalo na UE - Atenção: Ler e divulgar


Escândalo na UE – ATENÇÃO: LER E DIVULGAR Noruegueses, Finlandeses, Suecos, Franceses,…. Portugueses!, todos a denunciar! e a exigir HONESTIDADE

Já reparou? Os políticos europeus estão a lutar como loucos para entrar na administração da UE! E por quê?

Leia o que segue, pense bem e converse com os amigos. Envie isto para os europeus que conheça! Simplesmente, escandaloso.

Foi aprovada a aposentadoria aos 50 anos com 9.000 euros por mês para os funcionários da EU!!!. Este ano, 340 agentes partem para a reforma antecipada aos 50 anos com uma pensão de 9.000 euros por mês.Sim, leu correctamente!

Para facilitar a integração de novos funcionários dos novos Estados-Membros da UE (Polónia, Malta, países da Europa Oriental …), os funcionários dos países membros antigos (Bélgica, França, Alemanha ..) receberão da Europa uma prenda de ouro para se aposentar.

Porquê e quem paga isto?Você e eu estamos a trabalhar ou trabalhámos para uma pensão de miséria, enquanto que aqueles que votam as leis se atribuem presentes de ouro. A diferença tornou-se muito grande entre o povo e os “Deuses do Olimpo!”

Devemos reagir por todos os meios começando por divulgar esta mensagem para todos os europeus. É uma verdadeira Mafia a destes Altos Funcionários da União Europeia ….

2 de dezembro de 2011

Portugal: Boys - Les enfants terribles


BOYS - LES ENFANTS TERRIBLES

Afinal os Boys agora são Les enfants terribles, tipo exterminador implacável da função pública. Mudaram as moscas ….

Depois de ouvir com muita atenção o discurso do Passos Coelho, dei uma vista de olhos pelo site do governo e eis que senão, quando a minha vista se depara com isto:

Nomeados com ligações partidárias (a lista segue a ordem pela qual surgem no site do próprio Governo).

1.Nome:João Montenegro
Cargo: Adjunto do primeiro-ministro
Ligação ao PSD: Foi vice-presidente da Comissão Política Nacional da JSD
Vencimento: 3.287,08 euros

2. Nome:Paulo Pinheiro
Cargo: Adjunto do primeiro-ministro
Ligação ao PSD: Foi adjunto do gabinete de Durão Barroso
Vencimento: 3.653,81 euros

3.Nome: Carlos Sá Carneiro
Cargo: Assessor do primeiro-ministro
Ligação ao PSD: Foi adjunto de Pedro Passos Coelho na São Caetano à Lapa
Vencimento: 3.653,81 euros

4.Nome: Marta Sousa
Cargo: Assessora do primeiro-ministro
Ligação ao PSD: Responsável por deslocações e imagem de Passos Coelho enquanto líder do PSD
Vencimento: 3.653,81 euros

27 de novembro de 2011

Atrás da Máscara dos Banqueiros (Nick Dearden )


Atrás da Máscara dos Banqueiros

No contexto de mais uma crise financeira, as auditorias à dívida poderiam ser uma forma de contrabalançar o poder da grande finança. Nick Dearden apresenta na Red Pepper um dossier especial.

A crise económica levou os activistas de países como a Grécia e a Irlanda a olhar para os países em desenvolvimento à procura de modelos para a luta contra um sistema financeiro todo-poderoso e egoísta, que força as pessoas a pagar o preço dos seus erros. De Dublin a Harare os apelos a «auditorias à dívida» têm-se constituído como um primeiro passo vital para a educação e mobilização das pessoas contra o sistema financeiro injusto que beneficia a minoria à custa da maioria.

Nick Dearden apresenta aqui a história e significância da campanha para as auditorias à dívida e em seguida Alan Cibils da Argentina, Maria Lucia Fattorelli do Brasil e Andy Storey da Irlanda expõem as suas próprias experiências de auditorias à dívida e de incumprimento e exploram as lições para os activistas de justiça económica.

Terminou a primeira onda da crise bancária. Os bancos passaram com sucesso as suas perdas para o sector público e os seus lucros voltaram a «enriquecer». Agora esperam que os governos repitam o truque. A Grécia, a Irlanda e Portugal estão a sofrer políticas de «ajuste estrutural» para que o dinheiro público continue a derivar para as instituições cujo comportamento é responsável pela crise económica global.

Por toda a Europa, mas sobretudo na Grécia, as pessoas estão a revoltar-se — não apenas para discutir «quem paga a factura.» Estão envolvidos numa luta pela democracia no seu verdadeiro sentido, por um sistema económico baseado num conjunto de valores radicalmente diferentes. E usam os modelos dos movimentos sociais desenvolvidos nos países do sul para dar início ao processo necessário de educação e empoderamento.

Responder à tirania com conhecimento

Uma das ideias que alimenta a imaginação dos activistas na Grécia e na Irlanda é a de uma «auditoria à dívida» para abrir as finanças dos seus países ao escrutínio e análise públicos. A conferência de lançamento em Maio em Atenas teve centenas de pessoas na plateia e uniu uma grande parte da esquerda grega, até então seriamente fracturada. Entretanto o mesmo apelo foi seguido por activistas na Irlanda e tem gerado interesse em Espanha, Portugal e até no Reino Unido.

Moçambique precisa de profissionais e oferece oportunidades de negócios


Moçambique precisa de profissionais e oferece oportunidades de negócios – Armando Guebuza

O presidente de Moçambique, Armando Guebuza, disse hoje (Domingo) em Lisboa que o país precisa de profissionais para trabalharem nas explorações de carvão e gás natural e que oferece oportunidades de negócio em várias áreas.

Guebuza está em Lisboa para participar na primeira Cimeira Luso-Moçambicana, prevista para segunda e terça-feira, durante a qual será reforçada a relação entre os dois países.

Num evento deste Domingo com a comunidade Moçambicana, o chefe de Estado destacou a calorosa saudação com que foi recebido pelas cerca de 500 pessoas (de uma comunidade total de 3600 a viver em Portugal) presentes num hotel em Lisboa para o ouvirem.

Na ocasião, o embaixador de Moçambique pediu hoje ao presidente Guebuza, que está em Portugal em visita oficial, soluções para evitar o fim dos voos para Lisboa operados pela companhia Linhas Aéreas de Moçambique.

"Fomos surpreendidos por a companhia Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) suspender voos para Lisboa a partir de 22 de novembro dada a importância para o turismo e para os moçambicanos residentes em Portugal", afirmou Jacob Nyambir.

Guebuza aterrou às 08h40 (10h40) no aeroporto militar de Figo Maduro, apesar de um corpo policial da PSP estar à sua espera no Aeroporto Internacional de Lisboa. Para a cimeira, faz-se acompanhar pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Oldemiro Baloi, dos Transportes e Comunicações, Paulo Zucula, da Energia, Salvador Namburete, e das Obras Públicas, Cadmiel Muthemba.

A cimeira, inicialmente prevista para o início deste ano, acabou por ser adiada devido à realização, em Junho, de eleições antecipadas em Portugal. Tem na agenda oficial a avaliação e o reforço da cooperação bilateral, segundo disse à lusa fonte moçambicana.

Armando Guebuza reúne-se na segunda-feira, ao fim da tarde, no Palácio de Belém, com o seu homólogo português, Aníbal Cavaco Silva, que lhe oferece um jantar. Para o mesmo dia estão previstas reuniões sectoriais entre os ministros moçambicanos das Finanças, Negócios Estrangeiros e Economia, e os seus homólogos portugueses.

REN entra em Cahora Bassa

Durante a permanência da delegação moçambicana em Lisboa, será oficializada a entrada da REN no capital da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, adquirindo metade dos 15 por cento que Portugal ainda detém, segundo disse à Lusa uma fonte ligada ao processo.

Deverá ainda ser conhecido o aumento da subscrição do capital do Banco Nacional de Investimento (BNI), detido em partes iguais pelos dois estados e em por cento pelo BCI (do grupo CGD), que será de 70 milhões de euros, passando mais tarde para 125 milhões de euros.

Esta dotação permitirá ao BNI envolver-se no projecto da ponte Maputo-Katembe (350 milhões de euros) e em toda a reabilitação rodoviária e urbana (150 milhões de euros) nessa zona a sul da capital moçambicana. Mas deverão ser empresas chinesas, e não a Mota Engil, como chegou a estar previsto, a construir a ponte do Katembe.

Na terça-feira, o Presidente moçambicano e comitiva restrita têm pelas 10h30 um encontro, no Palácio das Necessidades, com o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, a que se seguirá a reunião plenária, assinatura de acordos e uma conferência de imprensa conjunta.

Depois de um almoço oferecido por Passos Coelho, Armando Guebuza e comitiva deixam Lisboa com destino a Paris.

Sapo MZ, 27 de Novembro de 2011

A Queda da Europa (Ângelo Correia)


A queda da Europa

Até há algumas décadas, os chamados ‘estados civilizados’ faziam a guerra com armas, homens e equipamentos. Hoje, os actores são múltiplos, e muitos deles mais importantes do que alguns Estados, actuando na esfera das finanças, da economia, da comunicação.

O que se passa com a crise das dívidas soberanas europeias é porventura expressão dessa nova forma de guerra: não no terreno, mas nos computadores e nas salas de mercados.

Wall Street, ou seja, alguns grandes interesses financeiros de empresas sediadas nos EUA, quer ganhar à custa da fraqueza das economias europeias. Começaram por atacar os mais fracos e endividados. Progressivamente, ampliaram a sua esfera de acção e irão chegar ao coração da Europa. Esta não tinha mecanismos de defesa; para não falar de mecanismos de direcção e coordenação. É um conjunto sem unidade e comando, e um exército sem esses elementos é facilmente derrotado.

A Europa política não percebeu as novas formas de guerra, não percebeu que os mercados são os novos teatros de operações. É por isso que os actuais líderes políticos europeus ficarão para a história como aqueles que em vez de a construírem a deixaram tombar.

Por: Ângelo Correia, Gestor
Correio da Manhã, 27 de Novembro de 2011

Este é o mesmo Soares que apoiou Sócrates? (João Miguel Tavares)


Este é o mesmo Soares que apoiou Sócrates?

O doutor Mário Soares veio encabeçar um manifesto chamado ‘Um Novo Rumo’ que cheira mais a bolor do que um queijo Roquefort, com a desvantagem de causar azia só de olharmos para ele. Você já conhece a lenga-lenga de cor, caro leitor, mas é sempre divertido repeti-la: Soares & Amigos "opõem-se a políticas de austeridade que acrescentem desemprego e recessão", recusando-se a "assistir impávidos à escalada da anarquia financeira internacional". Vai daí, apelam "à participação dos cidadãos" e à "construção de um novo paradigma".

Manifesto que é manifesto tem de ter um novo paradigma. E que novo paradigma é esse? É tão novo, mas tão novo, que passa por "denunciar a imposição da política de privatizações" (uma ideia extremamente original), condenar o "recuo civilizacional na prestação de serviços públicos essenciais" (uma ideia incrível da qual nunca ninguém se tinha lembrado), repudiar as afrontas à "dignidade no trabalho" (uma ideia tão espantosamente nova que até reluz ao sol do Inverno) e convidar ao "aprofundamento democrático".

A parte do "aprofundamento democrático" é a minha favorita, até porque o doutor Soares foi durante largos anos um comovente apoiante do engenheiro Sócrates, que aprofundou tanto a democracia em Portugal que abriu túneis directos até à Líbia, Venezuela e Queluz de Baixo. Foram, aliás, tantos os seus buracos democraticamente abertos que tivemos de pedir à troika para vir a correr tapá-los. Pois é, caro leitor: o novo rumo que o doutor Soares e os seus amigos têm para propor ao país é o velho rumo que nos trouxe até aqui. E se fossem aprofundar a democracia para outro lado?

Por: João Miguel Tavares
Correio da Manhã, 25 de Novembro de 2011

Mortas e humilhadas (Francisco Moita Flores)


Mortas e humilhadas

Este é um combate sem tréguas. Para que a cidadania não seja apenas privilégio de alguns.

Esta semana evocaram-se as vítimas de todas as formas de violência doméstica e reafirmou-se um pouco por todo o mundo declarações de combate contra esta traiçoeira forma de agressão, como lhe chamou o ministro Miguel Relvas. E sublinho a condição de ministro e o facto de ser homem, porque, nestes momentos de ritualidade cívica em defesa da dignidade das mulheres, o poder, vulgarmente, gosta de falar no feminino. É importante que Miguel Relvas enquanto ministro dê a cara por este combate. Compromete a política e o poder com a necessidade de devolver dignidade de cidadania a quem a vê comprometida pela brutalidade masculina. Nos últimos cinco anos foram assassinadas quase duas centenas de mulheres pelos maridos ou companheiros. Os números impressionam e dizem muito sobre aquilo que ignorámos na caminhada para uma sociedade mais culta e, por isso mesmo, com maior sentido de alteridade.

É certo que tem poucas décadas a denúncia militante contra a violência em ambiente familiar. Violência física, violência psicológica, conceitos que durante séculos não existiam no quadro parental. "Ele bate no que é seu", "quanto mais me bates, mais gosto de ti", "entre marido e mulher não se mete a colher" são lugares comuns vindo do tempo da barbárie que recusavam a um ser humano, só por diferença de sexo, outra condição que não fosse a de propriedade. E bem se sabe, numa sociedade com os vários poderes marcados pela misoginia, pela arrogância do macho com o mundo centrado no seu umbigo, como é difícil romper as malhas do silêncio e dar um murro na mesa que imponha respeito aos murros imundos que persistem entre os bárbaros dos nossos tempos. Tornar crime público os actos de violência doméstica foi uma decisão histórica. A mais importante desde a Constituição de 76. Mas outras se lhe seguiram. Sobretudo nas polícias, com a criação de unidades efectivas de tratamento destes crimes. Porém, são grandes as manchas de silêncio que encobrem a barbárie. Continuo sem perceber, vinte anos depois dos primeiros grandes actos contra a violência doméstica, o papel passivo da Escola na matéria. Não percebo a indiferença. Este é um combate sem tréguas. Para que a cidadania não seja apenas privilégio de alguns.

Por: Francisco Moita Flores, Professor Universitário
Correio da Manhã, 27 de Novembro de 2011

Mira Amaral responde ao autor de um livro sobre o enriquecimento de políticos

Eis uma leitura recomendável, para reflexão sobre as práticas em uso.

Mira Amaral responde ao autor de um livro sobre o enriquecimento de políticos.

O jornalista António Sérgio Azenha é o autor do livro "Como os Políticos Enriquecem em Portugal"



Exmo. Senhor António Sérgio Azenha,

Estou verdadeiramente chocado com a inclusão do meu nome no livro que acabou de escrever.

É que a sua análise sofre dum grave erro metodológico. Com efeito, a sua análise sobre rendimentos deveria incidir sobre a totalidade da vida profissional, antes e depois do governo e não apenas a comparação entre o que se recebia no governo e depois do governo. Comparar o magro vencimento que tinha no governo em 1994 com um vencimento perfeitamente “normal” num grupo privado em 2001 é comparar alhos com bugalhos. Recordo!me aliás do meu colega Engº Alves Monteiro no dia em que saiu comigo do governo e regressar ao Banco de Fomento como Director duplicar o vencimento em relação ao que ganhava como meu Secretário de Estado da Indústria!

É que eu já trabalhava antes de ir para o governo. Fui quadro da EDP e do Banco de Fomento e quando cheguei ao governo já tinha 16 anos de vida profissional. E toda a gente sabe que no governo se ganha menos do que na vida empresarial, onde já estava antes de ter tido essa infeliz ideia.

Se tivesse feito uma análise dinâmica desse tipo, começando pela minha vida profissional antes do governo, concluiria facilmente que só perdi dinheiro com a passagem pelo governo.

Se tivesse comparado a minha posição profissional antes de entrar no governo com a de outros colegas meus nessa altura e depois verificasse a evolução deles, concluiria facilmente que aquilo que auferi depois do governo teve um atraso e no fundo foi inferior ao desses colegas. A dinâmica profissional que tive depois do governo não se deveu pois apenas a este mas sim às minhas competências e, como referido, nem sequer consegui obter posições idênticas às desses colegas que tiveram o bom senso de não aceitarem cargos políticos.

26 de novembro de 2011

“Carta aberta” de um cidadão alemão (Walter Wuelleenwebera)

“Carta aberta” de um cidadão alemão, Walter Wuelleenweber, dirigida a “caros gregos”, com um título e sub-título:

Depois da Alemanha ter de salvar os bancos, agora tem de salvar também a Grécia

Os gregos, que primeiro fizeram alquimias com o euro, agora, em vez de fazerem economias, fazem greves


Caros gregos,

Desde 1981 pertencemos à mesma família. Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum, com mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de qualquer outro povo da U.E.

Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo.

Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos. O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós.

No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro. Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até agora, cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o povo que mais gasta em bens de consumo.

19 de novembro de 2011

Vou só ali ao Brasil matar alguém e volto já (João Miguel Tavares)


O Cronista Indelicado

Vou só ali ao Brasil matar alguém e volto já

Deixem-me cá ver se eu percebo. Todos os juristas escutados a propósito do caso Duarte Lima afirmaram que mesmo que o ex-deputado venha a ser condenado à revelia pelo assassinato de Rosalina Ribeiro dificilmente será extraditado para o Brasil – porque não se extraditam cidadãos nacionais – e dificilmente será preso em Portugal – devido a falhas de legislação na transmissão de sentenças entre os dois países.

Seguindo este extraordinário raciocínio, se o caro leitor estiver indisposto com alguém, tiver um vizinho irritante ou se a sua esposa deixar demasiadas vezes queimar o arroz ao jantar, tem agora uma forma simples de solucionar o seu problema. Basta-lhe comprar duas viagens para o Brasil, afogar o motivo de incómodo numa cachoeira ou baleá-lo à beira da estrada, e raspar-se de lá o quanto antes. Nem sequer precisa de se dar ao trabalho de cometer o crime perfeito: apenas assegurar que foge a tempo para Portugal. A partir daí, tem de ter cuidado nas visitas a Badajoz, por causa da Interpol, mas pode gozar um justo repouso aqui na piolheira. Seja Duarte Lima culpado ou não, qualquer pessoa que tenha acompanhado a investigação sabe que o caso fede – e não é pouco. As provas são fortíssimas, as contradições assustadoras, e é óbvio que Duarte Lima tem de responder à justiça. E no entanto, acontece esta coisa espantosa: a única entidade que parece minimamente empenhada em deslindar o alegado assassinato de uma cidadã portuguesa por um cidadão português é a polícia brasileira. Portugal, esse, limita-se ao seu papel de offshore da justiça: quem tem dinheiro consegue sempre escapar.

Por João Miguel Tavares
Correio da Manhã 04 Novembro 2011

16 de novembro de 2011

Maputo: E quando há falta de gás...


E quando há falta de gás...

Um cidadão em plena avenida 25 de Setembro, em Maputo, carrega na cabeça lenha para levar para casa. Com a falta de gás de cozinha na capital, a solução passa pela lenha.

Sapo MZ