13 de fevereiro de 2012

Lisboa: Veja quem está no Padrão dos Descobrimentos

Moçambique: Ainda sobre o assassinato do jornalista Carlos Cardoso


AYOOB SATAR TRANSFERIDO PARA COMANDO DA CIDADE DE MAPUTO

Caso BCM e assassinato de Carlos Cardoso

Maputo, 13 Fev (AIM) – Ayoob Satar, um dos co-réus no “Caso BCM” e no assassinato do jornalista moçambicano Carlos Cardoso, foi transferido na companhia de mais dois reclusos da Cadeia de Máxima Segurança (B.O), onde se encontravam a cumprir pena de prisão, para as celas do comando da Polícia (PRM) a nível da cidade de Maputo.
Ayoob junta-se ao seu irmão 'Nini' e a Vicente Ramaya, que foram transferidos na semana passada.

Assim, o quarteto envolvido no assassinato do jornalista investigativo Carlos Cardoso, que inclui os três reclusos ora detidos e Aníbal dos Santos Júnior (Anibalzinho), este último também encarcerado nas celas do Comando da PRM, volta a estar próximo.
Segundo informações publicadas pelo jornal “O País”, a transferência de Ayoob e de outros dois reclusos ocorreu nas primeiras horas do último sábado.

A transferência destes, bem como de Nini e Ramaya é justificada pelo facto de serem suspeitos de envolvimento nos sequestros de proeminentes empresários de origem asiática e de seus familiares directos, para em troca receberem resgates milionários.

“O País” avança que os cinco suspeitos estão, neste momento, a ser interrogados por uma equipa especial constituída por quadros da Procuradoria-Geral da República (PGR), do Ministério do Interior e dos Serviços de Informação e Segurança do Estado (SISE). A referida brigada terá sido constituída por recomendações de alto nível.

Moçambique: Portugueses tentam saída para a crise num "país de oportunidades"


Todos os meses chegam mais portugueses a Moçambique, tentando num país em grande crescimento a saída para a crise na Europa. Segundo a cônsul-geral de Portugal em Maputo, Graça Gonçalves Pereira, actualmente "há mais chegadas de portugueses a Moçambique, mas é um movimento que não começou agora, já se verifica desde 2010".

Maputo, 13 fev (Lusa) - Filipa Botelho veio "por muita sorte", em 2010, realizar um estágio em Moçambique e, em apenas um ano, criou a sua empresa, resultado da experiência profissional colhida em Portugal, onde "as coisas estão más" devido à crise.

Todos os meses chegam mais portugueses a Moçambique, tentando num país em grande crescimento a saída para a crise na Europa. Segundo a cônsul-geral de Portugal em Maputo, Graça Gonçalves Pereira, atualmente "há mais chegadas de portugueses a Moçambique, mas é um movimento que não começou agora, já se verifica desde 2010".

Desde há dois anos, o ritmo de entradas no país duplicou, refere a cônsul, ilustrando a afirmação com os cerca de 120 a 140 registos por mês no consulado, contra as 60 a 80 inscrições que se verificavam anteriormente aquele ano. "Podemos dizer que atualmente chegam pessoas com todos os perfis e para todos os tipos de atividade", que se instalam não só em Maputo, disse à Lusa Graça Gonçalves Pereira. De acordo com diversas estimativas, 25 mil portugueses vivem Moçambique, a maioria na capital do país.

O Museu do Prado, em Madrid, anunciou a descoberta de outra “Mona Lisa”


Considerada a copia mais antiga e pintada pelo pupilo de Leonardo da Vinci.

O Museu do Prado, em Madrid, anunciou a descoberta de uma cópia do famoso quadro de Leonardo da Vinci, “Mona Lisa”, que terá sido pintado na mesma altura que o original, por um dos pupilos preferidos do pintor, Andrea Salai (amante de Leonardo) ou Francesco Melzi. Esta, segundo a “Ipsilon”, é a cópia mais antiga de sempre da obra de arte.

Segundo o “The Art Newspaper”, este quadro agora descoberto terá sido pintado lado a lado com Leonardo da Vinci, no seu próprio estúdio. Ao que tudo indica, o pupilo do mestre renascentista foi pintando a obra à medida que Leonardo da Vinci pintava o seu trabalho. Este facto dá assim novas luzes não só sobre o enigmático quadro, como também sobre a forma de trabalhar nos estúdios dos reconhecidos artistas.

Maputo: Mercado de Peixe

O mercado de peixe é conhecido como um dos pontos turísticos da cidade de Maputo. Gente vindo de todas partes, reserva um dia para degustar-se das iguarias que ali se encontram. Camarão, peixe, amêijoas e muitos outros mariscos são vendidos no mercado de peixe.

Marracuene: Bebida de Canhú ou ‘Ukanyu’


A bebida de canhú é das bebidas mais procuradas na festa de Gwaza Muthini que acontece todos os anos no dia 2 de Fevereiro, no Distrito de Marracuene, Província de Maputo e durante o mês de Fevereiro.
Esta bebida é feita à base da fruta canhú e deixada a fermentar entre dois a três dias dependendo do teor de alcool que cada um gosta. É uma bebida que se bebe ao natural ou bem gelada.

Meninos de rua criam personagens do dia-a-dia


Nas ruas de Maputo, concretamente na avenida 25 de Setembro, meninos de rua taparam as cabeças com as suas camisetes e interpretaram personagens como as tartarugas 'ninja' e outros diziam ser talibãs.

País de solidão (Francisco Moita Flores)


País de solidão

Fosse outra a cultura cívica e era sobre este problema quea atenção estaria centrada. Mas isso pouco importa.

Há um país dentro de nós que muito raramente chega às notícias e é irrelevante para o alegre debate que cruza a agenda do dia. Esta semana, o tema foi saber se o primeiro-ministro chamou ou não piegas aos portugueses ou se o ministro das Finanças estava ou não de cócoras na conversa com o homólogo alemão. O ruído foi de Carnaval, e fez bem Passos Coelho em não dar tolerância de ponto porque para foliões já basta o dia-a-dia destes casos levados ao clímax de tão ridículos e patéticos.

Só a inutilidade se dedica tão intensamente a este concerto de coisinhas que em nada condicionam ou nos libertam deste apertado nó que a vida impôs. Deixámos de ver e ouvir. Passámos a ser um eco daquilo que se quis ouvir e desejou ver. Pouco interessa a realidade. Vale apenas a gritaria. Ouvi o primeiro-ministro dizer o que disse mesmo. Vi e ouvi o ministro das Finanças a falar com o ministro alemão. Nada tem a ver com as grandes tiradas que se seguiram, solenes e decadentes, meras extrapolações sem sentido, vazias, sem consciência do país em que vivemos este Carnaval contínuo que não é folião e é pesadelo. Nada há de mais natural do que um primeiro-ministro procurar mobilizar pessoas, recusando que seja a lamúria, a pieguice, o lamento a saída do buraco.

Como é natural o ministro das Finanças sublinhar que Portugal está a cumprir os acordos internacionais e que, caso exista um embaraço, espera ajuda. Para que o país não morra de fome de pão. Pois que de linguaradas, queixumes e melodramas vai saciando a fome da decadência. E de repente, como se fosse uma banalidade, surge a notícia de que no Portugal interior cresce assustadoramente o número de idosos que vivem sozinhos. Ficámos a saber que 780 mil casas são habitadas por um ou dois idosos. Que em 400 mil vive um idoso. E que esta realidade cresceu 29% nos últimos anos. Interessa isto à propaganda política? De que vale este intenso drama comparado com aquilo que este ou aquele disse? Fosse outra a cultura cívica de quem se diz comprometido com a política e era sobre este problema que a atenção estaria centrada. Sobre como parar a desertificação. Como reorganizar a malha social e económica para que a onda de solidão não traga os desequilíbrios, assimetrias e tristezas que está a produzir. Além do sofrimento. Mas isso pouco importa. Não dá para o folclore. E faz pensar.

Francisco Moita Flores
Correio da Manhã, 13 de Fevereiro de 2012

8 de fevereiro de 2012

Fotografias de Moçambique


Portugal: Fim do Euro, recomendações práticas (Pedro Braz Teixeira)


Fim do Euro, recomendações práticas

Embora seja uma reflexão, com alguma ficção, não deixa de ser curioso.

"Brás Teixeira (investigador do Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa da Universidade Católica) vem aqui dar-nos uns pequenos conselhos práticos para o caso de provável contratempo que poderá ocorrer ainda em 2012."

Fim do euro, recomendações práticas

I informação – por Pedro Braz Teixeira,

A saída do euro pode ocorrer de forma muito caótica, podendo levar ao colapso temporário do sistema de pagamentos e de distribuição

O risco de saída de Portugal do euro tem associados múltiplos riscos, dos quais gostaria de salientar três: o risco do colapso temporário do sistema de pagamentos, o risco do colapso temporário do sistema de distribuição de produtos e o risco de perda – definitiva – de valor de inúmeros ativos (depósitos à ordem e a prazo, obrigações, ações e imobiliário, entre outros).

Considero que todos os portugueses devem “subscrever” seguros contra estes riscos, tal como fazem um seguro contra o incêndio da sua própria casa. Quando se compra este seguro, o que nos move não é a expectativa de que a nossa casa sofra um incêndio nos meses seguintes, um acontecimento com uma probabilidade muito baixa, mas sim a perda gigantesca que sofreríamos se a nossa habitação ardesse.

Quais são as consequências imediatas de Portugal sair do euro? A nova moeda portuguesa (o luso?) sofreria uma desvalorização face ao euro de, pelo menos, 20%. Todos os depósitos bancários seriam imediatamente transformados em lusos, perdendo, pelo menos, 20% em valor. Todos os depósitos ficariam imediatamente indisponíveis durante algum tempo (dias? semanas?) e não haveria notas e moedas de lusos, porque o nosso governo e o Banco de Portugal não consideram necessário estarmos preparados para essa eventualidade.

O mais provável é que a saída do euro fosse anunciada numa sexta-feira à tarde, havendo apenas o fim de semana para tratar da mudança de moeda. Logo, na sexta-feira os bancos retirariam todas as notas de euros das máquinas de Multibanco e quem não tivesse euros em casa ou na carteira ficaria sem qualquer meio de pagamento.

Durante algumas semanas (ou mais tempo) teríamos um colapso do sistema de pagamentos e,
provavelmente, também um corte nos fornecimentos. As mercearias e os supermercados ficariam incapazes de se reabastecer, devido às dificuldades associadas à troca de moeda.

Estes “seguros” de que falo, contra este cenário catastrófico, não podem ser comprados em nenhuma
companhia de seguros, mas podem ser construídos por todos os portugueses, estando ao alcance de todos, adaptados à sua realidade pessoal.

O que recomendo é algo muito simples que – todos – podem fazer. Ter em casa dinheiro vivo num montante da ordem de um mês de rendimento e a despensa cheia para um mês. Esta ideia de um mês de prevenção é indicativa e pode ser adaptada à realidade de cada família.

Não recomendo que façam isso de forma abrupta, mas lentamente e também em função das notícias que forem saindo. De cada vez que levantarem dinheiro, levantem um pouco mais que de costume e guardem a diferença. De cada vez que fizerem compras tragam mais alguns produtos para a despensa de reserva.

Aconselho que procurem produtos com fim de validade em 2013 ou posterior, mas, nos casos em que issonão seja possível, vão gastando os produtos de reserva e trocando-os por outros com validade mais tardia.

Desta forma, sem qualquer rutura, vão construindo calmamente os vossos seguros contra o fim do euro.

Quanto custará este seguro? Pouquíssimo. Em relação ao dinheiro de reserva, o custo é deixarem de receber os juros de depósito à ordem, que ou são nulos ou são baixíssimos. Em relação aos produtos na despensa de reserva, é dinheiro empatado, que também deixa de render juros insignificantes.

Quais são os benefícios deste seguro? Se o euro acabar em 2012, como prevejo, o dinheiro em casa não se desvaloriza, mas o dinheiro no banco perderá, no mínimo, 20% do seu valor. Além disso terá o benefício de poder fazer pagamentos no período de transição, que se prevê extremamente caótico. A despensa também pode prevenir contra qualquer provável rutura de fornecimentos, garantindo a alimentação essencial no período terrível de transição entre moedas. Parece-me que o benefício de não passar fome é significativo.

E se, por um inverosímil acaso, a crise do euro se resolver em 2012 e chegarmos a 2013 com o euro mais seguro do que nunca? Nesse caso – altamente improvável – a resposta não podia ser mais simples: basta depositar no banco o dinheiro que tem em casa e ir gastando os produtos na despensa à medida das suas necessidades.

Pedro Braz Teixeira
Investigador do NECEP da Universidade Católica

Atenção à actualização da relação dos seus dependentes!


Atenção à actualização da relação dos seus dependentes!

Actualize a sua lista de DEPENDENTES na DECLARAÇÃO ANUAL DE RENDIMENTOS
(Por definição, são seus DEPENDENTES, todos aqueles que você é OBRIGADO, POR LEI, A SUSTENTAR)

Assim, são SEUS DEPENDENTES:

- Presidência da República e assessores;
- Governo e assessores;
- Câmara Municipal e assessores;
- Águas de ... (consumos mínimos e estimado);
- EDP (consumos mínimos e estimado);
- Gás de Portugal (consumos mínimos e estimado);
- Beneficiárias da taxa de saneamento básico (recolha de lixo, etc);
- Centros de inspecção de veículos;
- Companhias seguradoras (seguro automóvel obrigatório);
- BRISA (Portagens);
- Concessionárias de parques e estacionamento automóvel;
- Concessionárias de terminais aeroportuárias e rodoviários;
- Instituições financeiras (Taxas de administração e manutenção de contas correntes, renovação anual de cartões, requisição de cheque etc.);
- Mais de 230 deputados da Assembleia da República e respectivos ESQUEMAS de apoio;
- Vagabundos;
- Arrumadores de automóveis;
- BCP, BPN, BPP e demais esquemas de enriquecimento fácil de administradores e gestores cleptomaníacos a que o estado entrega os impostos que pago, para evitar o alarme social e financeiro ...
... Para o ano é provável que ainda haja MAIS!!!

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Portugal: Nova Língua Portuguesa


NOVA LÍNGUA PORTUGUESA

Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar aos pretos 'afro-americanos', com vista a acabar com as raças por via gramatical, isto tem sido um fartote pegado!
As criadas dos anos 70 passaram a 'empregadas domésticas' e preparam-se agora para receber a menção de 'auxiliares de apoio doméstico' .
De igual modo, extinguiram-se nas escolas os 'contínuos' que passaram todos a 'auxiliares da acção educativa'.
Os vendedores de medicamentos, com alguma prosápia, tratam-se por 'delegados de informação médica'.
E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em 'técnicos de vendas '.
O aborto eufemizou-se em 'interrupção voluntária da gravidez';
Os gangs étnicos são 'grupos de jovens'
Os operários fizeram-se de repente 'colaboradores';
As fábricas, essas, vistas de dentro são 'unidades produtivas'e vistas da estranja são 'centros de decisão nacionais'.
O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à 'iliteracia' galopante.
Desapareceram dos comboios as 1.ª e 2.ª classes, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes 'Conforto' e 'Turística'.
A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: «Sou mãe solteira...» ; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: «Tenho uma família monoparental...» - eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade impante.
Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um 'comportamento disfuncional hiperactivo'
Do mesmo modo, e para felicidade dos 'encarregados de educação' , os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, 'crianças de desenvolvimento instável'.
Ainda há cegos, infelizmente. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado 'invisual'. (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o 'politicamente correcto' marimba-se para as regras gramaticais...)
As p----- passaram a ser 'senhoras de alterne'.
Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em 'implementações', 'posturas pró-activas', 'políticas fracturantes' e outros barbarismos da linguagem.
E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a «correcção política» e o novo-riquismo linguístico.
Estamos lixados com este 'novo português'; não admira que o pessoal tenha cada vez mais esgotamentos e stress. Já não se diz o que se pensa, tem de se pensar o que se diz de forma 'politicamente correcta'.
E falta ainda esclarecer que os tradicionais "anões" estão em vias de passar a "cidadãos verticalmente desfavorecidos"...
Os idiotas e imbecis passam a designar-se por "indivíduos com atitude não vinculativa"
Os pretos passaram a ser pessoas de cor.
Os gordos e os magros passaram a ser pessoas com disfunção alimentar.
Os mentirosos passam a ser "pessoas com muita imaginação"
Os que fazem desfalques nas empresas e são descobertos são "pessoas com grande visão empresarial mas que estão rodeados de invejosos"
Para autarcas e políticos, afirmar que "eu tenho impunidade judicial", foi substituído por "estar de consciência tranquila".
O conceito de corrupção organizada foi substituído pela palavra "sistema".
Difícil, dramático, desastroso, congestionado, problemático, etc., passou a ser sinónimo de complicado.

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5 de fevereiro de 2012

Portugal na Hora da Verdade – Como Vencer a Crise Nacional


Esta é a página nº 511 do livro “Portugal na Hora da Verdade – Como Vencer a Crise Nacional” (editora Gradiva), escrito por Álvaro Santos Pereira, agora Ministro da Economia e do Emprego.

Transcrição da página 511:

“POLÍTICAS PARA RETOMAR O SUCESSO

fnal? Claro que não. Como sublinhei ao longo deste livro, há fortes indícios de que o nosso Estado está a matar a economia nacional. No entanto, isto não quer dizer que os funcionários públicos sejam os responsáveis por esta situação. Com efeito, nada poderia estar mais errado. Uma verdadeira reforma do Estado que torne as nossas contas públicas saudáveis e sustentáveis não deve ser feita contra os funcionários públicos ou contra o serviço público. Muito pelo contrário. Uma verdadeira reforma da administração pública terá de melhorar o serviço público, não piorá-lo. Uma verdadeira reforma da função pública terá de aumentar o prestígio do emprego público, não diminuí-lo. Uma verdadeira reforma do Estado terá de incentivar a auto-estima dos funcionários públicos e fazer com que sejam eles próprios e estimular a mudança de que a nossa administração pública necessita. Finalmente, uma verdadeira e duradoura reforma do nosso Estado não poderá encarar a necessária dieta da administração pública como uma mera poupança de euros e de despesa pública, mas assim como uma oportunidade única para melhorar a eficiência do Estado e, assim, simplificar e auxiliar a vida dos portugueses. É neste sentido que uma reforma da administração pública tem de ser feita com os funcionários públicos e não contra eles. Porquê? Porque toda e qualquer reforma que seja contra os funcionários públicos está condenada ao fracasso. E porque, como já disse, não são eles os responsáveis pela situação actual, mas sim os nossos governantes. É verdade que os funcionários públicos têm, em média, remunerações e benefícios sociais um pouco acima dos auferidos no sector privado. No entanto, não só esta situação é comum a quase todos os países mais avançados, como também não podemos fazer dos funcionários públicos os bodes expiatórios desta crise. Não são. A culpa do descalabro das finanças públicas nacionais não é dos funcionários públicos, é dos governos. E claro que" Fim de transcrição.
_________
Nota:
Será que o Sr. Ministro pode mostrar esta folha ao seu chefe Passos Coelho e ao seu colega das Finanças? Ou será caso para dizer: “Façam o que eu digo (escrevo) e não façam o que eu faço”?

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Portugal: Motorista de Relvas ganha € 73.446,00




Espanha: Este é o famoso Azulejo de Toledo



Para que não tenham dúvidas... Esta é a sua tradução para português:


A SOCIEDADE É ASSIM:

O POBRE TRABALHA
O RICO EXPLORA-O
O SOLDADO DEFENDE OS DOIS
O CONTRIBUINTE PAGA PELOS TRÊS
O VAGABUNDO DESCANSA PELOS QUATRO
O BÊBADO BEBE PELOS CINCO
O BANQUEIRO ESFOLA OS SEIS
O ADVOGADO ENGANA OS SETE
O MÉDICO MATA OS OITO
O COVEIRO ENTERRA OS NOVE
O POLÍTICO VIVE DOS DEZ

URGENTE FAZER CIRCULAR...... Acorda Portugal


URGENTE FAZER CIRCULAR...... Acorda Portugal

BASTA DE PSEUDO ESPERTOS – AINDA P0R CIMA FOMOS NÓS QUE LÁ OS SENTAMOS … MUITOS A DORMIR!...

Acorda Portugal

Peço a cada destinatário deste e-mail que o envie a um mínimo de vinte pessoas em sua lista de contatos, e por sua vez, peça a cada um deles que faça o mesmo.

Em três dias, a maioria das pessoas neste país lerá esta mensagem.

Esta é uma idéia que realmente deve ser considerada e revista por todos os cidadãos.

Alteração da Constituição de Portugal para 2012 para poder atender o seguinte, que é da mais elementar justiça:

1. O deputado será pago apenas durante o seu mandato e não terá reforma proveniente exclusivamente do seu mandato.

2. O deputado vai contribuir para a Segurança Social de maneira igual aos restantes cidadãos. Todos os deputados ( passado, presente e futuro) passarão para o actual sistema de Segurança Social imediatamente. O deputado irá participar nos benefícios do regime da Segurança Social exactamente como todos os outros cidadãos. O fundo de pensões não pode ser usado para qualquer outra finalidade. Não haverá privilégios exclusivos.

3. O deputado deve pagar seu plano de reforma, como todos os portugueses e da mesma maneira.

4. O deputado deixará de votar o seu próprio aumento salarial.

5. O deputado vai deixar o seu seguro de saúde atual e vai participar no mesmo sistema de saúde como todos os outros cidadãos portugueses.

6. O deputado também deve estar sujeito às mesmas leis que o resto dos portugueses.

7. Servir no Parlamento é uma honra, não uma carreira. Os deputados devem cumprir os seus mandatos (não mais de 2 mandatos), e então irem para casa e procurar outro emprego.

O tempo para esta alteração à Constituição é AGORA. Forcemos os nossos políticos a fazerem uma revisão constitucional.

Assim é como se pode CORRIGIR ESTE ABUSO INSUPORTÁVEL DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA.

Se você concorda com o acima exposto, ENTÃO VÁ PARA A FRENTE. Senão, PODE DESCARTÁ-LO.
Por favor, mantenha ISTO A CIRCULAR.

in: http://vidalcastro.multiply.com/journal

4 de fevereiro de 2012

Carta aberta ao 1º Ministro (Myriam Zaluar, 19/12/2011)


Carta aberta ao 1º Ministro

E fico a pensar....quantas portuguesas e portugueses, com esta idade (que é a média da dos meus 3 filhos), não têm um pensamento e uma situação semelhante.

Eu imigrei para este pais, há 36 anos, imposto por uma "revolução que o libertou" e que o pouco de bom que melhorou está a milhares de anos luz daquilo que se perdeu...provavelmente para todo o sempre (pelo menos para mim e para os da minha geração). Emigrei depois e voltei há 6 anos, com vontade de continuar a trabalhar mas poder estar mais perto dos filhos e dos netos que entretanto nasceram.

Desperdicei dinheiro e tempo e não consegui "vencer as barreiras da burocracia que mutilam este país" e não consegui trazer para Portugal, produtos que lancei e que fizeram sucesso no país que me recebeu em 1987. Tive de desistir, com muita mágoa.

E, como o tempo não para, hoje com quase 70 anos, pouco me vale a pena de querer continuar.

Ir para outro país?

Não é o medo de ir.

É sim o medo de já ter menos saúde e isso ser uma armadilha perigosa onde, se cair, posso não poder livrar-me com facilidade.

Os governos que "reinaram" neste país, desde o 25 de Abril, foram na maioria de fraca referencia e eficácia.

Primeiro foram os tempos difíceis, pós revolução. Agora é uma Europa em retalhos. Temos de pagar o que esbanjámos durante décadas.

Os burlões, protegidos por diversas "capas" de sociedades ocultas e semi-ocultas ,do tipo Maçonaria,Opus,e das CIAs & Ca.

Agora vejo uma juventude desesperada à procura de uma solução....

Uma geração de uma idade já média, como a dos meus filhos, à procura duma saída para um país que se arrasta pelos corredores de Bruxelas, de Paris e de Bona, mendigando empréstimos para tapar furos...de subsistência.

Quo Vadis Portugal?

E ainda se levantam vozes contra os "Velhos do Restelo"...que falam em Salazar.

Os "velhos que fizeram o 25 de Abril"(Otelo e Vasco Lourenço) que são da minha idade, dizem agora que não deviam ter feito essa Revolução dos Cravos...

Que bem que eu estaria...

Na minha terra, com um clima e uma gente boa. Uma terra que dava tudo. Uma terra onde os limites de horizonte é o céu...

Quando um comerciante/industrial não percebe do seu ofício, deve fechar a loja...

Porque não aparece alguém que encerre esta loja endividada e vá abrir outra, com gente de raça, aqui ao lado....

ou mesmo longe daqui.

Esta mulher que escreveu a carta ao PM é uma Senhora, Uma Cidadã honesta que merece encontrar solução para si e para os filhos....

Vai ter de emigrar.....o que talvez seja a sorte do desespero.....

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Exmo Senhor Primeiro Ministro

Começo por me apresentar, uma vez que estou certa que nunca ouviu falar de mim. Chamo-me Myriam. Myriam Zaluar é o meu nome “de guerra”. Basilio é o apelido pelo qual me conhecem os meus amigos mais antigos e também os que, não sendo amigos, se lembram de mim em anos mais recuados.

Nasci em França, porque o meu pai teve de deixar o seu país aos 20 e poucos anos. Fê-lo porque se recusou a combater numa guerra contra a qual se erguia. Fê-lo porque se recusou a continuar num país onde não havia liberdade de dizer, de fazer, de pensar, de crescer. Estou feliz por o meu pai ter emigrado, porque se não o tivesse feito, eu não estaria aqui. Nasci em França, porque a minha mãe teve de deixar o seu país aos 19 anos. Fê-lo porque não tinha hipóteses de estudar e desenvolver o seu potencial no país onde nasceu. Foi para França estudar e trabalhar e estou feliz por tê-lo feito, pois se assim não fosse eu não estaria aqui. Estou feliz por os meus pais terem emigrado, caso contrário nunca se teriam conhecido e eu não estaria aqui. Não tenho porém a ingenuidade de pensar que foi fácil para eles sair do país onde nasceram. Durante anos o meu pai não pôde entrar no seu país, pois se o fizesse seria preso. A minha mãe não pôde despedir-se de pessoas que amava porque viveu sempre longe delas. Mais tarde, o 25 de Abril abriu as portas ao regresso do meu pai e viemos todos para o país que era o dele e que passou a ser o nosso. Viemos para viver, sonhar e crescer.

Cresci. Na escola, distingui-me dos demais. Fui rebelde e nem sempre uma menina exemplar mas entrei na faculdade com 17 anos e com a melhor média daquele ano: 17,6. Naquela altura, só havia três cursos em Portugal onde era mais dificil entrar do que no meu. Não quero com isto dizer que era uma super-estudante, longe disso. Baldei-me a algumas aulas, deixei cadeiras para trás, saí, curti, namorei, vivi intensamente, mas mesmo assim licenciei-me com 23 anos. Durante a licenciatura dei explicações, fiz traduções, escrevi textos para rádio, coleccionei estágios, desperdicei algumas oportunidades, aproveitei outras, aprendi muito, esqueci-me de muito do que tinha aprendido.

Cresci. Conquistei o meu primeiro emprego sozinha. Trabalhei. Ganhei a vida. Despedi-me. Conquistei outro emprego, mais uma vez sem ajudas. Trabalhei mais. Saí de casa dos meus pais. Paguei o meu primeiro carro, a minha primeira viagem, a minha primeira renda. Fiquei efectiva. Tornei-me personna non grata no meu local de trabalho. “És provavelmente aquela que melhor escreve e que mais produz aqui dentro.” – disseram-me – “Mas tenho de te mandar embora porque te ris demasiado alto na redacção”. Fiquei.

Aos 27 anos conheci a prateleira. Tive o meu primeiro filho. Aos 28 anos conheci o desemprego. “Não há-de ser nada, pensei. Sou jovem, tenho um bom curriculo, arranjarei trabalho num instante”. Não arranjei. Aos 29 anos conheci a precariedade. Desde então nunca deixei de trabalhar mas nunca mais conheci outra coisa que não fosse a precariedade. Aos 37 anos, idade com que o senhor se licenciou, tinha eu dois filhos, 15 anos de licenciatura, 15 de carteira profissional de jornalista e carreira ‘congelada’. Tinha também 18 anos de experiência profissional como jornalista, tradutora e professora, vários cursos, um CAP caducado, domínio total de três línguas, duas das quais como “nativa”. Tinha como ordenado ‘fixo’ 485 euros x 7 meses por ano. Tinha iniciado um mestrado que tive depois de suspender pois foi preciso escolher entre trabalhar para pagar as contas ou para completar o curso. O meu dia, senhor primeiro ministro, só tinha 24 horas…

Cresci mais. Aos 38 anos conheci o mobbying. Conheci as insónias noites a fio. Conheci o medo do amanhã. Conheci, pela vigésima vez, a passagem de bestial a besta. Conheci o desespero. Conheci – felizmente! – também outras pessoas que partilhavam comigo a revolta. Percebi que não estava só. Percebi que a culpa não era minha. Cresci. Conheci-me melhor. Percebi que tinha valor.

Senhor primeiro-ministro, vou poupá-lo a mais pormenores sobre a minha vida. Tenho a dizer-lhe o seguinte: faço hoje 42 anos. Sou doutoranda e investigadora da Universidade do Minho. Os meus pais, que deviam estar a reformar-se, depois de uma vida dedicada à investigação, ao ensino, ao crescimento deste país e das suas filhas e netos, os meus pais, que deviam estar a comprar uma casinha na praia para conhecerem algum descanso e descontracção, continuam a trabalhar e estão a assegurar aos meus filhos aquilo que eu não posso. Material escolar. Roupa. Sapatos. Dinheiro de bolso. Lazeres. Actividades extra-escolares. Quanto a mim, tenho actualmente como ordenado fixo 405 euros X 7 meses por ano. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. A universidade na qual lecciono há 16 anos conseguiu mais uma vez reduzir-me o ordenado. Todo o trabalho que arranjo é extra e a recibos verdes. Não sou independente, senhor primeiro ministro. Sempre que tenho extras tenho de contar com apoios familiares para que os meus filhos não fiquem sozinhos em casa. Tenho uma dívida de mais de cinco anos à Segurança Social que, por sua vez, deveria ter fornecido um dossier ao Tribunal de Família e Menores há mais de três a fim que os meus filhos possam receber a pensão de alimentos a que têm direito pois sou mãe solteira. Até hoje, não o fez.

Tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: nunca fui administradora de coisa nenhuma e o salário mais elevado que auferi até hoje não chegava aos mil euros. Isto foi ainda no tempo dos escudos, na altura em que eu enchia o depósito do meu renault clio com cinco contos e ia jantar fora e acampar todos os fins-de-semana. Talvez isso fosse viver acima das minhas possibilidades. Talvez as duas viagens que fiz a Cabo-Verde e ao Brasil e que paguei com o dinheiro que ganhei com o meu trabalho tivessem sido luxos. Talvez o carro de 12 anos que conduzo e que me custou 2 mil euros a pronto pagamento seja um excesso, mas sabe, senhor primeiro-ministro, por mais que faça e refaça as contas, e por mais que a gasolina teime em aumentar, continua a sair-me mais em conta andar neste carro do que de transportes públicos. Talvez a casa que comprei e que devo ao banco tenha sido uma inconsciência mas na altura saía mais barato do que arrendar uma, sabe, senhor primeiro-ministro. Mesmo assim nunca me passou pela cabeça emigrar…

Mas hoje, senhor primeiro-ministro, hoje passa. Hoje faço 42 anos e tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: Tenho mais habilitações literárias que o senhor. Tenho mais experiência profissional que o senhor. Escrevo e falo português melhor do que o senhor. Falo inglês melhor que o senhor. Francês então nem se fale. Não falo alemão mas duvido que o senhor fale e também não vejo, sinceramente, a utilidade de saber tal língua. Em compensação falo castelhano melhor do que o senhor. Mas como o senhor é o primeiro-ministro e dá tão bons conselhos aos seus governados, quero pedir-lhe um conselho, apesar de não ter votado em si. Agora que penso emigrar, que me aconselha a fazer em relação aos meus dois filhos, que nasceram em Portugal e têm cá todas as suas referências? Devo arrancá-los do seu país, separá-los da família, dos amigos, de tudo aquilo que conhecem e amam? E, já agora, que lhes devo dizer? Que devo responder ao meu filho de 14 anos quando me pergunta que caminho seguir nos estudos? Que vale a pena seguir os seus interesses e aptidões, como os meus pais me disseram a mim? Ou que mais vale enveredar já por outra via (já agora diga-me qual, senhor primeiro-ministro) para que não se torne também ele um excedentário no seu próprio país? Ou, ainda, que venha comigo para Angola ou para o Brasil por que ali será com certeza muito mais valorizado e feliz do que no seu país, um país que deveria dar-lhe as melhores condições para crescer pois ele é um dos seus melhores – e cada vez mais raros – valores: um ser humano em formação.

Bom, esta carta que, estou praticamente certa, o senhor não irá ler já vai longa. Quero apenas dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: aos 42 anos já dei muito mais a este país do que o senhor. Já trabalhei mais, esforcei-me mais, lutei mais e não tenho qualquer dúvida de que sofri muito mais. Ganhei, claro, infinitamente menos. Para ser mais exacta o meu IRS do ano passado foi de 4 mil euros. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. No ano passado ganhei 4 mil euros. Deve ser das minhas baixas qualificações. Da minha preguiça. Da minha incapacidade. Do meu excedentarismo. Portanto, é o seguinte, senhor primeiro-ministro: emigre você, senhor primeiro-ministro. E leve consigo os seus ministros. O da mota. O da fala lenta. O que veio do estrangeiro. E o resto da maralha. Leve-os, senhor primeiro-ministro, para longe. Olhe, leve-os para o Deserto do Sahara. Pode ser que os outros dois aprendam alguma coisa sobre acordos de pesca.

Com o mais elevado desprezo e desconsideração, desejo-lhe, ainda assim, feliz natal OU feliz ano novo à sua escolha, senhor primeiro-ministro e como eu sou aqui sem dúvida o elo mais fraco, adeus.

Myriam Zaluar, 19/12/2011

in: http://vidalcastro.multiply.com/journal

30 de janeiro de 2012

O 25 de Abril e a História (António José Saraiva)



O 25 DE ABRIL E A HISTÓRIA

Se alguém quisesse acusar os portugueses de cobardes, destituídos de dignidade ou de qualquer forma de brio, de inconscientes e de rufias, encontraria um bom argumento nos acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril.

Na perspectiva de então havia dois problemas principais a resolver com urgência. Eram eles a descolonização e a liquidação do antigo regime.

Quanto à descolonização havia trunfos para a realizar em boa ordem e com a vantagem para ambas as partes: o exército português não fora batido em campo de batalha; não havia ódio generalizado das populações nativas contra os colonos; os chefes dos movimentos de guerrilha eram em grande parte homens de cultura portuguesa; havia uma doutrina, a exposta no livro Portugal e o Futuro do general Spínola, que tivera a aceitação nacional, e poderia servir de ponto de partida para uma base maleável de negociações. As possibilidades eram ou um acordo entre as duas partes, ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem, isto é, escalonada e honrosa.

Todavia, o acordo não se realizou, e retirada não houve, mas sim uma debandada em pânico, um salve-se-quem-puder. Os militares portugueses, sem nenhum motivo para isso, fugiram como pardais, largando armas e calçado, abandonando os portugueses e africanos que confiavam neles. Foi a maior vergonha de que há memória desde Alcácer Quibir.

Pelo que agora se conhece, este comportamento inesquecível e inqualificável deve-se a duas causas. Uma foi que o PCP, infiltrado no exército, não estava interessado num acordo nem numa retirada em ordem, mas num colapso imediato que fizesse cair esta parte da África na zona soviética. O essencial era não dar tempo de resposta às potências ocidentais. De facto, o que aconteceu nas antigas colónias portuguesas insere-se na estratégia africana da URSS, como os acontecimentos subsequentes vieram mostrar.

Outra causa foi a desintegração da hierarquia militar a que a insurreição dos capitães deu início e que o MFA explorou ao máximo, quer por cálculo partidário, quer por demagogia, para recrutar adeptos no interior das Forças Armadas. Era natural que os capitães quisessem voltar depressa para casa. Os agentes do MFA exploraram e deram cobertura ideológica a esse instinto das tripas, justificaram honrosamente a cobardia que se lhe seguiu. Um bando de lebres espantadas recebeu o nome respeitável de «revolucionários». E nisso foram ajudados por homens políticos altamente responsáveis, que lançaram palavras de ordem de capitulação e desmobilização num momento em que era indispensável manter a coesão e o moral do exército para que a retirada em ordem ou o acordo fossem possíveis. A operação militar mais difícil é a retirada; exige em grau elevadíssimo o moral da tropa. Neste caso a tropa foi atraiçoada pelo seu próprio comando e por um certo número de políticos inconscientes ou fanáticos, e em qualquer caso destituídos de sentimento nacional. Não é ao soldadinho que se deve imputar esta fuga vergonhosa, mas dos que desorganizaram conscientemente a cadeia de comando, aos que lançaram palavras de ordem que nas circunstâncias do momento eram puramente criminosas.

Isto quanto à descolonização, que na realidade não houve. O outro problema era da liquidação do regime deposto.

Os políticos aceitaram e aplaudiram a insurreição dos capitães, que vinha derrubar um governo, que segundo eles, era um pântano de corrupção e que se mantinha graças ao terror policial: impunha-se, portanto, fazer o seu julgamento, determinar as responsabilidades, discriminar entre o são e o podre, para que a nação pudesse começar uma vida nova. Julgamento dentro das normas justas, segundo um critério rigoroso e valores definidos.

Quanto aos escândalos da corrupção, de que tanto se falava, o julgamento simplesmente não foi feito. O povo português ficou sem saber se as acusações que se faziam nos comícios e nos jornais correspondiam a factos ou eram simplesmente atoardas. O princípio da corrupção não foi responsavelmente denunciado, nem na consciência pública se instituiu o seu repúdio. Não admira por isso que alguns homens políticos se sentissem encorajados a seguir pelo mesmo caminho, como se a corrupção impune tivesse tido a consagração oficial. Em qualquer caso já hoje não é possível fazer a condenação dos escândalos do antigo regime, porque outras talvez piores os vieram desculpar.

Quanto ao terror policial, estabeleceu-se uma confusão total. Durante longos meses, esperou-se uma lei que permitisse levar a tribunal a PIDE-DGS. Ela chegou, enfim, quando uma parte dos eventuais acusados tinha desaparecido e estabelecia um número surpreendentemente longo de atenuantes, que se aplicavam praticamente a todos os casos. A maior parte dos julgados saiu em liberdade. O público não chegou a saber, claramente; as responsabilidades que cabiam a cada um. Nem os acusadores ficaram livres da suspeita de conluio com os acusados, antes e depois do 25 de Abril.

Havia, também, um malefício imputado ao antigo regímen, que era o dos crimes de guerra, cometidos nas operações militares do Ultramar. Sobre isto lançou-se um véu de esquecimento. As Forças Armadas Portuguesas foram alvo de suspeitas que ninguém quis esclarecer e que, por isso, se transformaram em pensamentos recalcados.

Em resumo, não se fez a liquidação do antigo regímen, como não se fez a descolonização. Uns homens substituíram outros, quando os homens não substituíram os mesmos; a um regímen monopartidário substituiu-se um regímen pluripartidário. Mas não se estabeleceu uma fronteira entre o passado e o presente. Os nossos homens públicos contentaram-se com uma figura de retórica: «a longa noite fascista».

Com estes começos e fundamentos, falta ao regime que nasceu do 25 de Abril um mínimo de credibilidade moral. A cobardia, a traição, a irresponsabilidade, a confusão, foram as taras que presidiram ao seu parto e, com esses fundamentos, nada é possível edificar. O actual estado de coisas, em Portugal, nasceu podre nas suas raízes. Herdou todos os podres da anterior; mais a vergonha da deserção. E com este começo tudo foi possível depois, como num exército em debandada: vieram as passagens administrativas, sob capa de democratização do ensino; vieram «saneamentos» oportunistas e iníquios, a substituir o julgamento das responsabilidades; vieram os bandos militares, resultado da traição do comando, no campo das operações; vieram os contrabandistas e os falsificadores de moeda em lugares de confiança política ou administrativa; veio o compadrio quase declarado, nos partidos e no Governo; veio o controlo da Imprensa e da Radiotelevisão, pelo Governo e pelos partidos, depois de se ter declarado a abolição da censura; veio a impossibilidade de se distinguir o interesse geral dos interesses dos grupos de pressão, chamados partidos, a impossibilidade de esclarecer um critério que joeirasse os patriotas e os oportunistas, a verdade e a mentira; veio o considerar-se o endividamento como um meio honesto de viver. Os cravos do 25 de Abril, que muitos, candidamente, tomaram por símbolo de uma primavera, fanaram-se sobre um monte de esterco.

Ao contrário das esperanças de alguns, não se começou vida nova, mas rasgou-se um véu que encubra uma realidade insuportável. Para começar, escreveu-se na nossa história uma página ignominiosa de cobardia e irresponsabilidade, página que, se não for resgatada, anula, por si só todo o heroísmo e altura moral que possa ter havido noutros momentos da nossa história e que nos classifica como um bando de rufias indignos do nome de nação. Está escrita e não pode ser arrancada do livro.

É preciso lê-la com lágrimas de raiva e tirar dela as conclusões, por mais que nos custe. Começa por aí o nosso resgate. Portugal está hipotecado por esse débito moral, enquanto não demonstrar que não é aquilo que o 25 de Abril revelou. As nossas dificuldades presentes, que vão agravar-se no futuro próximo, merecemo-las, moralmente

Mas elas são uma prova e uma oportunidade. Se formos capazes do sacrifício necessário para as superar, então poderemos considerar-nos desipotecados e dignos do nome de povo livre e de nação independente.

Artigo de António José Saraiva
In o “Diário de Notícias” de 26 Janeiro 1979

Férias dos Portugueses em 2012


Férias dos Portugueses em 2012

...pelo menos enquanto conseguirem pagar a electricidade!!!

Universidade do Minho cria prémio nacional literário em Moçambique


Universidade do Minho cria prémio literário em Moçambique

A Universidade do Minho, através da Fundação Carlos Lloyd Braga, e a organização não-governamental portuguesa Karingana Wa Karingana acabam de criar um prémio nacional literário em Moçambique. O concurso tem apoio do Ministério da Educação daquele país africano e visa distinguir contos ou novelas inéditos de jovens pré-universitários. O júri é presidido pelo conceituado escritor Mia Couto.

O autor vencedor terá direito a uma bolsa de estudos de licenciatura por três anos na UMinho e as três melhores obras a concurso vão ser editadas em todos os países lusófonos, "com vasta cobertura e estímulo à sua leitura". O valor monetário do "Prémio Literário Karingana Wa Karingana/Universidade do Minho" torna-o um dos maiores prémios literários em Portugal.

Tem como grande objetivo fomentar a escrita criativa dos jovens e o uso do português enquanto língua de cultura e de enorme tradição literária, explica o presidente da Fundação Carlos Lloyd Braga, professor Luís Couto Gonçalves. As candidaturas estão abertas até maio para os alunos que terminaram a 12ª classe do ensino secundário em Moçambique no final de 2010 ou 2011. O júri anuncia o trabalho premiado em setembro, estando a entrega solene marcada para 17 de novembro de 2012, na UMinho.

Este prémio literário surge na sequência da doação recente de 140 mil livros às bibliotecas e escolas mais carenciadas de Moçambique. A campanha de recolha decorreu nos últimos meses em Portugal, na qual participou também a comunidade académica da UMinho. A campanha foi organizada a nível nacional pela Karingana Wa Karingana ("Era uma vez"), com apoio da Fundação Carlos Lloyd Braga, que é sua sócia fundadora.

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UMinho,sexta-feira, 02-12-2011