24 de março de 2012

Os Guardiões do Segredo de Estado ou da MÁFIA? (Nguituka Salomão)


Luanda - O segredo é a alma do negócio. – Provérbio popular

Introdução

“Se eu revelar Segredos de Estado, não sei se o País acorda amanhã” tal bombástica e abismal afirmação é atribuída ao antigo comandante da polícia nacional da província de Luanda, Quim Ribeiro (QR). As fontes de tal noticia esqueceram-se voluntaria ou involuntariamente de mencionar o local e as circunstancias em que tal assombrosa afirmação foi proferida, se o fizera durante o contacto regular entre o réu/QR e os seus advogados ou se numa audiência de julgamento, tal é importante para a ‘formatação’ dos comentários a volta do mesmo.

O Prenuncio do Armagedon Politico

Que segredos de Estado QR esta se referindo? O segredo no que refere a localização de baterias de mísseis e regimentos de forças especiais espalhados pelo País? O sistema de defesa anti-aéreo de Angola? As últimas decisões do ‘ultra (?!) secreto staff privativo de JES? A localização do Bunker de JES? A localização de uma hipotética rede de túneis sob o Futungo ou o improvável plano de ataque das FAA a um País vizinho?

Em suma, QR esta realmente na posse de segredos de estado que perigam a Segurança ou Defesa interna e externa de Angola? Ora qualquer uma das hipóteses acima mencionada “pode até ser verdade” mas será que o proferimento ou a publicação de qualquer uma delas faria com que o “país não acordasse no dia seguinte?” na minha opinião não é a divulgação deste ‘tipo’ de segredo que iria fazer desembocar o País para o ‘abismo’ pois este é precisamente o cenário ‘desenhado’ pela mente ‘bestial’ de QR, se meter a boca no trombone; ABISMO ou o Armagedon politico do País.

Então uma pertinente pergunta impõe-se que tipo de segredo de Estado se referiu QR? Ora, vamos analisar o contexto da referida afirmação, de acordo a imprensa; “Meu crime foi desmantelar a rede do narcotráfico”.

A MÁFIA EM ANGOLA – Antecedentes

Ninguém dúvida de que em Angola existe o crime organizado, (Máfia quer dizer essencialmente; Crime organizado) devidamente escalonado e ‘vibrantemente’ actuante em toda a extensão do território Angolano e com ramificações e contactos a Máfia internacional. O crime organizado em Angola teve o seu inicio ‘oficial’ pouco tempo antes da derrocada da chamada era do partido único (1984-1992) em 1992 já a Máfia estava seriamente enraizada na sociedade, e como já o mencionei num dos meus artigos, os serviços secretos, a chefia das ex-FAPLA e da polícia estiveram na vanguarda da organização da Máfia em Angola.

22 de março de 2012

Toda a mentira (Pedro Santos Guerreiro)



Portugal apruma-se como bom aluno. Não somos muito marrões, mas ficámos com respeitinho e até um pouco graxistas. Quando apanhamos um estrangeiro, fazemos carinha de anjo e portamo-nos como um urso de peluche que repete quando se lhe aperta a barriga: "Portugal não é a Grécia".

Portugal apruma-se como bom aluno. Não somos muito marrões, mas ficámos com respeitinho e até um pouco graxistas. Quando apanhamos um estrangeiro, fazemos carinha de anjo e portamo-nos como um urso de peluche que repete quando se lhe aperta a barriga: "Portugal não é a Grécia". Porque cumprimos. Porque não mentimos. Mas aqui para nós: não descobrimos nós mentiras todos os dias? Como agora, com as autarquias?

"Portugal não é a Grécia" é uma saudação inteira à Pátria. E sim, senhores credores, senhores mercadores, senhores e senhoras da troika, da Alemanha, da Holanda, dos países nórdicos, estamos a cumprir. Não ignoramos como a Grécia, não desafiamos como Espanha. Escolhemos executar a sermos executados.

Já privatizámos empresas, já despedimos nos transportes, já cortámos custos, já reformámos a lei laboral e a lei das rendas, já estamos a consolidar, a mexer os défices, já estamos a desalavancar. E a Grécia não fez nada disto, nem um quilómetro de ferrovia reduziu.

Mas aqui que ninguém nos ouve, a mentira grassa e ainda não pagou os seus impostos. Nada é comparável à falsificação grega mas esta verdade conveniente de que omitir não é mentir é o mata-borrão da nossa década. Porque em cada armário há esqueletos a rir às gargalhadas nas nossas caras.

O saco azul do poder (Armando Esteves Pereira)


A execução orçamental dos primeiros meses de 2012 confirma que os funcionários públicos e os reformados são os principais alvos dos cortes na despesa, enquanto a economia encolhe e aumenta a pressão sobre os contribuintes que restam.

Mas as maiores vítimas da crise são as empresas que fecham portas e as centenas de pessoas que diariamente perdem o emprego. Neste quadro negro fica a ideia de que a crise não é igual para todos. A denúncia da Associação de Juízes sobre os gastos dos gabinetes do anterior Governo tem o mérito de alertar para as despesas escondidas do poder, de ministros que formalmente não recebem muito, mas que graças aos cartões de crédito e fundos de maneio, conseguem um rendimento bastante superior.
 
Correio da Manhã, 22 de Março de 2012

Santa Comba Dão lança “marca Salazar”




Salazar vai ser marca registada

António de Oliveira Salazar nasceu no Vimieiro, a 28 de abril de 1889, onde está também sepultado, mas a ideia de recorrer à "marca Salazar" para o desenvolvimento do concelho, como explicou o presidente da autarquia, João Lourenço, "não pretende alicerçar-se no saudosismo nem nas romarias da saudade" em relação ao antigo ditador.

Segundo João Lourenço, "o tempo dos grandes investimentos acabou para as autarquias. Os municípios têm tudo feito, das redes de saneamento aos espaços culturais e desportivos, e, obrigatoriamente, o papel dos municípios terá de ser redirecionado, o desenvolvimento tem de partir de ideias locais".

O objetivo da autarquia – que criou já a Associação de Desenvolvimento Local (ADL) de Santa Comba Dão - é "ligar um nome conhecido em todo o mundo aos produtos da terra", como é o caso do vinho, criar condições para historiadores e investigadores poderem estudar o Estado Novo e fornecer aos visitantes um espaço que lhes permita contactar com o passado de Oliveira Salazar na sua terra".

Toda a parte de recuperação patrimonial pode custar, segundo o autarca, dez milhões de euros, dinheiro esse que terá de vir da iniciativa privada, "mas também de entidades públicas" que tenham como missão o desenvolvimento local, sendo que este "é um dos ‘projetos âncora’ para o desenvolvimento da região Dão-Lafões".

O objetivo é potenciar a economia do concelho que viu nascer o antigo Presidente do Conselho, Santa Comba Dão, e um dos primeiros produtos com esse cunho será o vinho "Memórias de Salazar".

A ideia é dar agora um "novo fôlego" ao projeto, criar uma "marca Salazar" e, através da ADL, "procurar investidores que permitam o desenvolvimento integral da ideia, que passa pela recuperação da área urbana do Vimieiro ligada ao património que pertenceu a Salazar e espaço envolvente".

Para Maria Natália, de 78 anos, que nasceu na casa ao lado daquela que viu nascer Oliveira Salazar, "é uma necessidade não deixar morrer a memória de Salazar".

Sapo PT 15 de Março de 2012

18 de março de 2012

Moçambique: Mendigo dormindo na Praça Samora Machel em Maputo



Um Homem dormindo próximo da Praça Samora Machel, em pleno dia de chuva, na capital do País, realidade cada vez mais crescente num dos países mais pobres do Mundo.

Sapo MZ

David Simango dançando com as mamanas



Mamanas levam o Edil de Maputo a dar um pé de dança no dia da homenagem ao Ex-Presidente da Camara de Roma.

Sapo MZ

Moçambique: O dia-a-dia dos varredores de rua em Maputo



Em plena Avenida Eduardo Mondlane, um varredor de rua usa todos os meios para tirar o lixo da cidade, até mesmo colocar ervas e capim sobre a cabeça.

Sapo MZ

Moçambique: Mesquita remodelada em Maputo



Na cidade das Acácias houve a remodelação de uma das mais antigas mesquita do País, a zona da baixa ganhou um novo ar, após recentes mudanças.

Sapo MZ

Alemanha: Casas típicas (Estado da Baviera)



O virtuoso Vale (Francisco Moita Flores)



Sempre me fascinaram os grandes burlões. De tal forma que escrevi uma série para televisão sobre o maior entre os maiores, o Alves Reis, célebre falsário que na década de 20 do século passado encharcou o País com notas de 500 escudos com um golpe quase perfeito e com tal impacto que pôs o País à beira da bancarrota.

Também o Alcibiades, um poderoso feiticeiro da palavra, conseguiu vender a ponte 25 de Abril a um grupo americano. O fascínio resulta de perceber que vigaristas deste coturno começam por acreditar nas suas próprias palavras, nas suas fantásticas propostas, para passarem aos actos com a convicção de que aquela verdade é tão óbvia que basta a sedução e a exploração dos sentimentos interesseiros das suas vítimas para realizarem as suas proezas criminosas.

Vale e Azevedo não chega aos calcanhares dos dois campeões que recordei. Persiste na verdade que criou, na sua convicção construída, para já condenada pelos tribunais portugueses, forjando, alimentando e produzindo a imagem de uma vítima perseguida pelas forças maléficas da Justiça portuguesa. Porquê? Porque era o arauto da transparência contra a corrupção que minava o futebol. O lusitano Viriato, espada desembainhada, a defender o seu Benfica, que, diga-se, também vigarizou para os seus negócios ilícitos, contra todos os bandidos futebolísticos do País e dos arredores. Esta posição vingadora fez furor na altura. Ele sabia manipular as paixões. Porém, veio o balde de água fria.

Um punhado de crimes descobertos, e Vale e Azevedo na cadeia. No tribunal, a mesma defesa. Ele era vítima dos poderosos interesses obscuros, que, dizia o próprio, estavam amedrontados com a sua fabulosa cruzada purificadora. Terá havido um tal juiz Barroso que não foi na cantiga e o meteu cadeia. Passados tempos, libertado. Tempos de depois, pira-se para Londres, vivendo na zona luxuosa dos lordes. Teve um mérito a sua fuga. O pedido de extradição anda embrulhado há anos nos tribunais ingleses, revelando que os atrasos não são só na nossa Justiça, até que agora um tal juiz Purdy declarou que não estava perante uma vítima, mas frente a um criminoso fugido à Justiça portuguesa.

Declaração mais relevante de Vale e Azevedo, e dita com convicção, depois da decisão: Eu não fugi! Pois não, acrescento eu. Malta deste calibre não foge. Apenas dá de frosques.

Correio da Manhã, 18 de Março de 2012

Negócio da China (João Vaz)



Os portugueses têm uma visão da China que se confunde com dinheiro fácil. Todos sabem o que é um negócio da China, mais ou menos entendido como forma de enriquecimento ilícito. E por alguma razão há pouco mais de um século se entendeu plantar em Macau a nova árvore das patacas.

Pataca era o nome da moeda portuguesa na colonização do Brasil e serviu para fazer correr muita riqueza de lá para cá. Após a independência do grande país-irmão (1822), os novos poderes acabaram com as patacas. O nome fazia porém reluzir os sonhos portugueses, e a pataca reapareceu como moeda portuguesa de Macau quando a China acordou. A pataca ainda é a moeda de Macau, mas os magnatas dos casinos enriquecem sem saber o que é a árvore das patacas.

As expressões populares traduzem ideias arreigadas nos nossos comportamentos. Quando o capital chinês substituiu o Estado na EDP e na REN, avisou-se que ia haver electricidade a preço de loja do chinês. Não se esperou muito até ver como os portugueses gostam de negócios da China e árvores das patacas. Caem muito mal estes abusos num ano de dificuldades em que o País tanto precisava da convicção, coragem e honestidade do Governo.

Correio da Manhã, 18 de Março de 2012

12 de março de 2012

10 de março de 2012

Os Lusíadas na versão cleptocrática



Os Lusíadas na versão cleptocrática

I
As sarnas de barões todos inchados

Eleitos pela plebe lusitana

Que agora se encontram instalados

Fazendo o que lhes dá na real gana.

Nos seus poleiros bem engalanados,

Mais do que permite a decência humana,

Olvidam-se de quanto proclamaram

Nas campanhas com que nos enganaram!

II

E também as jogadas habilidosas

Daqueles tais que foram dilatando

Contas bancárias ignominiosas,

Do Minho ao Algarve tudo devastando,

Guardam para si as coisas valiosas.

Desprezam quem de fome vai chorando!

Gritando levarei, se tiver arte,

Esta falta de vergonha a toda a parte!

III

Falam da crise grega todo o ano!

E das aflições que à Europa deram;

Calam-se aqueles que, por engano,

Votaram no refugo que elegeram!

Que a mim mete-me nojo o peito ufano

De crápulas que só enriqueceram

Com a prática de trafulhice tanta

Que andarem à solta só me espanta.

IV

E vós, ninfas do Tejo onde eu nado,

Por quem sempre senti carinho ardente,

Não me deixeis agora abandonado

E concedei engenho à minha mente,

De modo a que possa, convosco ao lado,

Desmascarar de forma eloquente

Aqueles que já têm no seu gene

A besta horrível do poder perene!

Luiz Vaz Sem Tostões

Recebido por e-mail. Reencaminhe

5 de março de 2012

Portugal visto por Guerra Junqueiro (1896)


"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
(...)

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."


Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896.

4 de março de 2012

Excelente artigo de Jacques Amaury sobre Portugal


Excelente artigo de Jacques Amaury, sociólogo e filósofo francês, acerca de Portugal

Um artigo de Jacques Amaury, sociólogo e filósofo francês, professor na Universidade de Estrasburgo, a ler com olhos de ler.

"Portugal atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história que terá que resolver com urgência, sob o perigo de deflagrar crescentes tensões e consequentes convulsões sociais.

Importa em primeiro lugar averiguar as causas. Devem-se sobretudo à má aplicação dos dinheiros emprestados pela CE para o esforço de adesão e adaptação às exigências da união.

Foi o país onde mais a CE investiu "per capita" e o que menos proveito retirou. Não se actualizou, não melhorou as classes laborais, regrediu na qualidade da educação, vendeu ou privatizou mesmo actividades primordiais e património que poderiam hoje ser um sustentáculo.

Os dinheiros foram encaminhados para auto-estradas, estádios de futebol, constituição de centenas de instituições público-privadas, fundações e institutos, de duvidosa utilidade, auxílios financeiros a empresas que os reverteram em seu exclusivo benefício, pagamento a agricultores para deixarem os campos e aos pescadores para venderem as embarcações, apoios estrategicamente endereçados a elementos ou a próximos deles, nos principais partidos, elevados vencimentos nas classes superiores da administração pública, o tácito desinteresse da Justiça, frente à corrupção galopante e um desinteresse quase total das Finanças no que respeita à cobrança na riqueza, na Banca, na especulação, nos grandes negócios, desenvolvendo, em contrário, uma atenção especialmente persecutória junto dos pequenos comerciantes e população mais pobre.

Imaginem...

IMAGINEM...

Imaginem que eu, Mário Crespo, não aceitava logo no dia a seguir às eleições um lugar que já estava prometido, para N.York, onde gosto de estar, como prémio de tão "duro" que fui antes...

Imaginem que os Loureiros, Varas, Limas... deste país são julgados e obrigados a repor o que roubaram...

Imaginem que se conseguia com esta camarilha pagar todos os empréstimos que andam por aí e se relançava o aparelho produtivo...

Imaginem que havia justiça e mão pesada para os prevaricadores e não se faziam leis para os momentos e personagens que vão passando pelo poleiro...

Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados.

Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação.

Marginal de Maputo



A Marginal de Maputo visto de cima, um dos cartões de visita da capital moçambicana.

Sapo MZ

26 de fevereiro de 2012

Alzheimer: Molécula contra doença



Há uma molécula, a 1-11 E2, que está a ser desenvolvida em Itália e poderá ser usada para criar uma vacina contra a doença de Alzheimer. Poderá levar a cabo uma reacção imunitária contra a substância responsável pelas alterações mentais.

in: Lusa, 15 de Janeiro de 2012

Salários Mínimos na Europa

A Troika em Portugal...