17 de abril de 2012

Basta de atitude anti-democrática


Uma concentração que estava a ser organizada por dois movimentos da sociedade civil da Guiné-Bissau acabou por não se realizar porque foi dispersada pelos militares, constatou a agência Lusa, ontem, dia 16 de Abril.

Sapo MZ

Maputo: Melhorada capacidade de parto no hospital José Macamo

Melhorada capacidade de parto no hospital José Macamo

Entrega da sala de partos devidamente reabilitada e apetrechada no Hospital Geral José Macamo, em Maputo.

Sapo MZ

Cahora Bassa será totalmente de Moçambique em 2014

O acordo foi ontem assinado, Cahora Bassa será totalmente de Moçambique em 2014

O Primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho acompanhado pelo Presidente de Moçambique Armando Guebuza durante a assinatura dos acordos de contrato de Cahora Bassa, em Maputo, Moçambique, 09 de abril de 2012. Passos Coelho encontra-se numa visita de dois dias a Moçambique para tratar da questão de Cahora Bassa.
Sapo MZ

Ahh, se tivéssemos mar! (João Quadros)

Da crónica de João Quadros no Negócio On-Line:

"Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores importadores portugueses."

Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, esta semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de frescos dos supermercados parece uns jogos sem fronteiras de pescado e marisco. Uma ONU do ultra-congelado. Eu explico.

Por alto, vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca egípcia, sapateira de Madagáscar, polvo marroquino, berbigão das Fidji, abrótea do Haiti? Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais viajado que nós. Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio do Haiti ou um berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica a mais de 2.000 quilómetros de casa é exótico. Eu sou curioso, tenho vontade de falar com o berbigão, tenho curiosidade de saber como é que é o país dele, se a água é quente, se tem irmãs, etc.

8 de abril de 2012

Condenados à morte (Hebricartoon)

Barragem de Cahora Bassa "não é só fonte de energia, mas de muita energia política"



Maputo, 07 abr (Lusa) - O economista moçambicano António Francisco considera que na reversão da Hidroelétrica de Cahora Bassa de Portugal para Moçambique "estão interesses privados pouco conhecidos", que podem tornar o empreendimento "não só fonte de energia, mas de muita energia política".

Durante a visita que vai efetuar a Moçambique na próxima semana, o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, e o Presidente moçambicano, Armando Guebuza, vão assinar os documentos finais dos acordos relativos à compra dos 15 por cento que Portugal ainda detém na barragem.


Na sequência de um pacto alcançado em reuniões que decorreram em Lisboa, na semana passada, para a transferência de metade das ações de Portugal, o Estado moçambicano deverá passar a deter a totalidade do capital social da Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) até 2014.

MNE moçambicano em Díli para reforçar cooperação entre os dois países



Díli, 07 abr (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Oldemiro Balói, disse hoje que a sua viagem a Timor-Leste visa "diagnosticar" formas para reforçar a cooperação entre os dois países.

Segundo Oldemiro Balói, a visita visa ter um "quadro completo do que se passa em Timor-Leste" para "diagnosticar melhor as formas" de reforçar a cooperação.

"De um modo geral, as relações entre os nossos países carateriza-se por a nível político serem excelentes, mas a nível da cooperação estarem ainda algo fracas. Um desafio que temos é elevarmos a cooperação a todos os níveis e este é o objetivo geral desta minha visita aqui", salientou o chefe da diplomacia moçambicana.

O INE já publicou a versão rascunho do Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS) de 2011


Moçambique: O INE já publicou a versão rascunho do Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS) de 2011

Alguns dados interessantes e encorajadores para Moçambique:

Mortalidade infantil baixou consideravelmente (de 147 em 2008 (MICS) para 97 em 2011).

Na área da nutrição:

Desnutrição crónica: 42.6% (MICS 2008: 44%)

Desnutrição aguda: 5.9% (MICS: 4.2%)

Baixo peso para idade: 14.9%

Anemia nas crianças: 69% (Estudo 2002: 75%)

Anemia nas mulheres: 54% (Estudo 2002: 48)

A situação do aleitamento materno exclusivo nas crianças de 0-5 anos melhorou: 41%

O documento ainda não contem dados sobre a suplementação com vitamina A e o consumo de sal iodado.

Se quiserem comparar podem encontrar o estudo realizado anteriormente em IDS 203.

Sapo MZ

Moçambique: Entrega de contentores para o lixo em Namaacha



Contentores de conservação de resíduos sólidos foram entregues no distrito de Namaacha, província de Maputo, no âmbito da campanha de saneamento do meio.

Sapo MZ

Maputo: Mulheres participam no lançamento do Ano Internacional das Cooperativas



Mulheres das cooperativistas moçambicanas participam na cerimónia do lançamento oficial do Ano Internacional das Cooperativas em Moçambique.

Sapo MZ

Zuma diz que não haverá eleições no Zimbabwe antes da Nova Constituição

Joanesburgo, 08 ABR (AIM) – O Presidente da África do Sul, declarou, sábado, na sua qualidade de mediador do problema zimbabweano, que não haverá eleições no Zimbabwe sem a conclusão do processo das reformas constitucionais naquele país da região.

A lógica do João...



O avô conta ao seu neto João as grandes mudanças que aconteceram na sociedade portuguesa, desde a sua juventude até agora...

«Sabes, João, quando eu era pequeno, a minha mãe dava-me dez escudos, que agora são 5 cêntimos, e com isso mandava-me à mercearia da esquina. Então eu voltava com um pacote de manteiga, dois litros de leite, um queijo, um pacote de açúcar, um pão e uma dúzia de ovos..!"

E o João perguntou-lhe:

«Mas avô, na tua época não havia câmaras de vigilância?»

27 de março de 2012

Moçambique: Agentes comunitários sensibilizando a população

 
Em Tete, o dia-a-dia dos agentes comunitários é mais do que dar palestras para sensibilizar a população a adoptar comortamentos saudáveis. Implica integrar-se no meio rural, perceber a população e posteriormente criar mecanismos convincentes a tomada de decisões.

Sapo MZ

Automobilistas e excessos de álcool em Maputo

O excesso de álcool tem caracterizado o dia a dia dos moçambicanos.
Bebem tanto que acabam em situações insólitas, o pior, é quando pegam no volante e somos confrontados com índices de acidentes de viação elevadíssimos.
Sapo MZ

Continua o braço de ferro entre vendedores e o Conselho Municipal de Maputo


Depois do Conselho Municipal ter autorizado a prática do negócio de rua em algumas avenidas da cidade de Maputo, uma medida que exclui os passeios das escolas e dos hospitais, ainda se verifica uma certa resistência por parte de alguns vendedores, que afirmaram ao SAPO que “custe o que custar, não iremos deixar de vender aqui”.

Após um encontro de concertação entre a edilidade e os vendedores dos passeios de forma a sensibilizar aqueles comerciantes à abandonarem os locais considerados de riscos e impróprios para a prática comercial, a proposta não foi aceite pelo grupo, facto que obrigou o Edil a ceder a pressão tendo logo estabelecido que somente proibia nos passeios das escolas e dos hospitais.

África do Sul: Basson admitiu ter trabalhado em defesa da humanidade

Pretória, 27 MAR (AIM) – O antigo chefe do programa de armas químicas do abolido regime do apartheid “Delta Coast”, na África do Sul, Wouter Basson, admitiu, na segunda-feira em tribunal, que o seu envolvimento naquele projecto visava prevenir a perda de vidas humanas e exacerbação da violência entre as forças de segurança e manifestantes.

Falando no Tribunal Supremo de Pretória, a capital sul-africana, perante o “Comité de Conduta Profissional do Conselho de Profissões Sanitárias da África do Sul” (HPCSA), Basson, mais conhecido por “Médico da Morte”, disse que ao idealizar e pôr em execução o programa da manufacturação de armas químicas durante a segregação racial visava beneficiar a humanidade.

“O que fiz no programa Delta Coast foi de prevenir mortes e a exacerbação da violência no país,” admitiu.

O ex-médico pessoal do falecido chefe do Estado do apartheid, Pick W.Botha, revelou ter fornecido às forças policiais gás lacrimogénio, como uma alternativa, em vez de balas vivas que causariam a morte dos manifestantes anti-apartheid.

Carta Aberta ao Primeiro-Ministro e Ministros da Economia e das Finanças



Srs. Governantes de Portugal,

Sou uma técnica administrativa, de uma empresa pública de transportes da área metropolitana de Lisboa (que está prestes a ser destruída), sou possivelmente uma candidata séria ao desemprego, pois aquilo que está previsto para esta área é bastante preocupante. Aufiro um vencimento que ronda os 1100€ (líquido), tenho 36 anos e “visto a camisola” da minha empresa desde os 19 anos.

Tenho o 12º ano de escolaridade, porque na época em que estudava os meus pais, que queriam o melhor para mim, não tinham possibilidade de me pagar uma universidade, por isso tive de ingressar cedo no mercado de trabalho, investi na minha formação e tirei alguns cursos para evoluir, continuo a ambicionar tirar um curso superior. Pensava efectuar provas no próximo ano, para tentar ingressar numa universidade pública, faria um sacrifício para pagar as propinas (talvez com o dinheiro que recebesse do IRS, conseguisse pagá-las), mas realizaria um sonho antigo.

24 de março de 2012

Eduardo dos Santos institucionalizou a violencia em Angola (Fernando Vumby)


Alemanha - Eles estavam preparados para matar caso os manifestantes lhes fugissem do controle. Só faltava esta, depois da corrupção JES acaba de institucionalizar a tortura e a morte em Angola.

A brutalidade dos homens ao serviço do carrasco JES, provou que tinham ordens para matar caso a situação lhes obrigasse ou fugisse do seu controle.

Quando o presidente (JES) se sente tão orgulhoso por ter um serviço policial nacional assassino e cruel , acabamos por não conhecer os seus limites como ser humano.

E dá-nos cada vez mais a certeza de que á implantação da democracia em Angola passa necessariamente pelo seu afastamento e restam-nos poucas duvidas de que ele é o único mentor de toda essa tortura e violência em Angola.

Desde vários anos JES, acostumou-se á louvar publicamente o serviço criminoso prestado pelo seu exercito e policia secreta, quando envolvidas em acções de massacres de seus opositores.

Estimulando-os e os motivando para acções de violência como as decorridas no sábado passado na cidade de Luanda e Benguela com prémios e medalhas de mérito.

A sociedade angolana aos poucos vai atingindo os seus limites, e quase ninguém suporta mais essa brutalidade e violência das forças policias sob as ordens de JES.

Como se já não bastassem as tantas mortes dos contra o regime que grassam nos quimbos , lá nos confins da terra onde aos sobas foram impostos medalhões da ditadura ao peito.

Transformado-os em mercadorias, banalizadas suas funções e valores tradicionais obrigados á perseguirem os seus próprios irmãos e matá-los á paulada .

Enquanto são instruídos a utilizar as metralhadoras automáticas modernas requisitadas para á eliminação dos que pensam e agem ao contrário.

Num país onde cada vez mais se vai tornando acto cultural, as narrativas sobre mortes de angolanos , destruição de famílias, sonhos e o despedaçar permanente de crianças pela miséria institucionalizada.

A grande maioria destas situações ainda podemos evitar se ganharmos consciência e senso de responsabilidade para continuarmos com a nossa luta pacifica até afastarmos do poder toda essa bandidagem que governa Angola hoje.

Angola não tem legislativo, executivo e nem judiciário , o que temos são bandidos e criminosos que já se deram conta de si próprios mais insistem em não mudar de comportamento até um dia serem forçados.

Ainda bem, que os nossos mortos, feridos, desaparecidos, torturados e perseguidos têm nomes , e a própria historia se encarregará de honrá-los e condenar seus carrascos.

Irmãos, resta-nos solidarizarmos-nos com as vitimas das torturas e violência deste regime bárbaro , encorajando-os para que não desistam.

Porque estamos no bom caminho e tarde ou cedo cantaremos canções de gloria festejando o fim do sistema ditatorial sob gestão de JES e seus lacaios.

Mesmo conscientes de que muitos de nós ainda seremos emboscados na primeira esquina e cairemos cravados de baionetas a nossa luta vai continuar e é irreversível .

Estamos fartos destes assassinos e suas acções coordenadas por uma presidência da republica das mais cruéis que a história de Angola conhece.

Viva Angola!
Abaixo a ditadura!
Viva a oposição!
Fora com o corrupto JES
Pátria ou morte venceremos.
Fórum Livre Opinião & Justiça

Fonte ponto-final.net (12 Março 2012)

Estamos todos à rasca (Mia Couto)



Maputo - Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida. Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações. A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.

Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...),mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse.

Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada. Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo.

E éramos (quase) todos felizes. Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou. Foi então que os pais ficaram à rasca.

Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado. Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais. São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração. São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer “não”. É um “não” que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas. Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso.

Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam. Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável. Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada. Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio. Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?

Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos! Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos – e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas – ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca. Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens. Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.

A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la. Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço

Fonte: Novo Jornal (06 Março 2012)

Aulas de Salazar (Domingos Chipilica Eduardo)



Benguela - As lições do passado que os angolanos sofreram, perseguições, torturas, assassinatos e prisões animam a minha alma. As cadeias de Tarrafal, São Nicolau e outras foram verdadeiros centros de concentrações de homens destemidos e solidários para a conquista da liberdade e opressão colonial.

Os pedacinhos de história que ainda nutro, permite-me afirmar que os meus nacionalistas eram tratados cruelmente pelo inimigo da independência. Os lutadores eram indígenas e não cidadãos. Pois somente possuíam deveres. A celebre frase de Salazar “fazer um cidadão dura séculos” navegou e comandou o regime.

Indaguei alguns amigos se naquela altura da luta de libertação nacional, o direito a imagem, bom nome, reputação, injuria, … Eram respeitados por parte dos indígenas? Parece que foram unânimes em responder: o objectivo era apenas Livrarem-se do tormento e não se olhava a “dor das palavras”. Diziam-se palavrões a Salazar e os seus sequazes, ladrões, assassinos, corruptos… E os supostamente ofendidos mandavam os seus homens massacrar, prender … Cumprindo cabalmente os planos satânicos do colono.

Actualmente o mundo é banhado por ondas libertadoras de manifestações sangrentas, mortíferas e pacíficas. Motivadas por fins egoísticos, pessoais e raramente colectivos. Enquanto o apego ao poder e a sua perpetuação não permitem comunhão. Resultado, a herança colonial! Como afirmou o Chefe” herdamos a pobreza e os problemas”. E nós acrescemos, As perseguições, agressões, “as sentenças que não são sentenças”, “negócios de amigos” e as ordens superiores que são verdadeiras leis! Cópia fiel!

As violações do Direito por parte de muitos não devem continuar impunes. Todavia sabemos que um sistema judicial forte sem pressão tornaria a cadeia um lugar da elite. Entretanto o vazio institucional para liberdade de expressão, satisfação das necessidades colectivas, respeitando e posicionando o cidadão como prioridade são prejuízos a Nação. Quem sempre crítica ou contraria com fundamentos e sugestões aos argumentos do chefe, nas reuniões, nos partidos, nas ONG´s , nas igrejas, nas Escolas enfim invés de criar-se um clima harmonioso e cordial habitualmente surge o afastamento, a exclusão …Cada um de nós deve fortalecer a democracia sob pena de construirmos um espaço de medrosos .

Fracamente sentir-me-ia felicíssimo, Se eu estivesse como vítima nos massacres de 4 de Janeiro, 4 de Fevereiro, sentir-me-ia felicíssimo se eu passasse nas cadeias da Pide, por acreditar numa Angola livre. Sentir-me-ia grato, se o meu nome constasse, no processo 50, no 15 de Março, 11 de Novembro e em todos os acontecimentos históricos despidos da carga excessiva partidária mas sim patriótica. Aí se o nome constasse! Já me sinto feliz em saber que me registaram nos serviços.

Fonte: Club-k.net (18 Março 2012)