13 de setembro de 2012

Carta ao primeiro-ministro


Sr. primeiro-ministro, os portugueses não podem ser cobaias de terapias económicas nunca antes testadas. Os portugueses, sr. primeiro-ministro, formam um povo dócil, ordeiro, trabalhador. Mas tais virtudes – ou agora volveram defeitos? – não legitimam uma troika tecnocrata para, através de si, apertar ainda mais o garrote que estrangula os milhões de famílias dos trabalhadores do País.

Sr. primeiro-ministro, o seu ministro das Finanças falha previsões em mais de 1,5 mil milhões em 2012, e o sr. primeiro-ministro passa agora a ser cúmplice de um erro ainda maior para 2013. O que acha o sr. primeiro-ministro que irá acontecer à procura interna com a penúria a que condena ainda mais as famílias? O senhor e o seu ministro das Finanças - que viu IVA e outros impostos minguarem, apesar da carga confiscatória que já atingem, enquanto os custos do desemprego sobem em flecha - conseguem prever o que será deste País em 2013?

Não tenha dúvidas - o coma a que as suas medidas brutais induzem a procura interna vai trazer falências, despedimentos, miséria em catadupa. Os 5,5 mil milhões que visa obter com esta insanidade política desenham sobre os céus de Portugal, em cego galope, dois cavaleiros do apocalipse. Fome e Morte, em sentido literal.

Sr. primeiro-ministro, quem só percebe de Finanças não percebe nada de Economia e não está habilitado a conduzir um Povo. A política não é a arte de dizer que sim a um bando de especialistas em agiotagem, enquanto se fustigam milhões de cidadãos honestos, inocentes e indefesos. Sabemos, sr. primeiro-ministro, que não foi o seu Governo que nos trouxe até aqui. O monstro, esse Estado gordo em alegre comezaina com vários níveis de corrupção, não é obra sua. Mas não há solução neste caminho que impõe. O mesmo Estado, com os mesmos tiques - que reformas já fez na Justiça, sr. primeiro-ministro? O que há de novo na área da transparência?-, lança-se sobre os cidadãos e alimenta-se das últimas réstias de rendimento disponível. Devora liberdade, felicidade e vida.

Política, sr. primeiro-ministro, seria a capacidade de usar o ímpar comportamento cívico dos portugueses para renegociar os juros da dívida do seu Estado vicioso. Patamares aceitáveis estão na casa dos 2%. Que ainda assim seriam o dobro do que o BCE exige à Banca.

Sr. primeiro-ministro, um juro razoável, na imensa dívida pública, libertaria igual verba anual do que esta seca maldição que lançou sobre o seu Povo.

Se o senhor apagar a luz no fundo do túnel, o túnel vai virar poço.

Correio da Manhã, 10 de Setembro de 2012

Já foi (Joana Amaral Dias)

Acabou o consenso social e político em Portugal. Levem-lhe flores. As medidas que Passos Coelho anunciou ontem, atacando uma vez mais os rendimentos do trabalho, revelando total insensibilidade com os pensionistas e, inevitavelmente, emagrecendo mais o consumo, cavando a recessão, foram a estocada final.

O consenso já andava debilitado, meio desmaiado, rojando-se pelas ruas, mas desta é que foi. Medidas para combater o desemprego? Zero. Apoio às empresas? Onde está o crédito? Outra vez os do costume a pagarem a crise? O Primeiro-Ministro diz que o capital também vai contribuir. Só não diz é como. Para os trabalhadores, o roubo é apresentado tintim por tintim para tapar o buraco orçamental. Dois salários a menos no sector público, um a menos no privado. Aumento de impostos disfarçado. Já as entidades patronais poupam e acontribuição oriunda da renegociação das PPP ou das rendas da energia é coisa vaga, assim-assim. Outras taxas sobre grandes rendimentos, água. Eis o Tribunal Constitucional bemfintado. Ah, e o que dizer do momento escolhido pelo Primeiro-Ministro para afiar as facas, uns minutos antes do jogo da selecção? Pão e circo? Não. Pão já era.

Joana Amaral Dias
Correio da Manhã, 8 de Setembro de 2012

10 de setembro de 2012

A torneira do dinheiro (Armando Esteves Pereira)


No início da década de 90, a explosão bancária em Portugal foi tão forte que, de norte a sul, nas principais praças, históricas pastelarias fecharam para dar lugar a agências bancárias.

Para os bancos, o negócio correu muito bem durante 20 anos, o caminho do euro baixou os juros e abriu a torneira do financiamento externo barato. Captar poupança passou a ser secundário. O que importava era emprestar dinheiro, e os portugueses passaram a ter tudo a crédito, da casa ao carro, da mobília às férias. Outra área favorita foi a especulação financeira com créditos que a crise financeira veio a revelar incobráveis. Agora que a torneira do dinheiro fácil acabou, a Banca despede e fecha balcões. Mas, com a crise, nem as pastelarias regressam à praça.

Armando Esteves Pereira
Correio da Manhã, 5 de Setembro de 2012

1 de setembro de 2012

Portugal país de paradoxos, do gamanço e da corrupção


No dia em que morreu Neil Armstrong, o primeiro homem que pisou a Lua, tive acesso ao acórdão do famigerado caso Freeport. São cerca de 100 páginas demolidoras contra a democracia, contra a honestidade, contra os valores supremos da cidadania. (Depois da (ir)resolução deste imbróglio internacional, nada mais tem sido numa sociedade que se diz democrática, justa, coerente, fraterna, igualitária e consequente com a sociedade portuguesa.

Nunca aflorei nas minhas congeminações semanais, nesta e noutras colunas da imprensa, este tema que se conheceu através de uma carta anónima, entregue em 20 de Outubro de 2004 no Departamento de Investigação Criminal de Setúbal da Polícia Judiciária. Nessa carta se afirmava que o Freeport fora aprovado à pressa em 2001/2002, mediante a entrega de dinheiros ao então ministro do Ambiente para a campanha eleitoral autárquica do seu partido político. Essa Averiguação Preventiva teve o nº 73/2004 e, segundo esse acórdão, “esteve a marcar passo” na comarca de Montijo, desde 4/2/2005 até 1/10/2008. Por esse facto, tal processo recebeu o título de “sui generis”.

Foi apresentado à Diretora do DCIAP em 13/7/2010 que não lhe deu o melhor seguimento.

Entretanto, as televisões, a imprensa escrita e falada fizeram manchetes de todos os tamanhos, apontando nomes de políticos de proa, antes e depois do empreendimento. Apesar das graves acusações sobre políticos locais, regionais e nacionais, foram adquiridas 80 testemunhas que permitiram ao Coletivo dos Juízes e ao Ministério Público exarar no Acórdão com 91 factos provados, cada qual o mais escandaloso, o mais preocupante e o mais nocivo à formação cívica das novas gerações. Não foi um juiz só, nem uma ou duas testemunhas a confirmar as provas. Foram inquiridas 80 pessoas; formuladas 91 acusações que mencionam muitos milhões de euros, favores pagos a pesos de ouro; despachos redigidos à medida dos corruptores, enfim, uma sentença que vai ficar na história como uma das maiores catástrofes política, ética e social, em nove séculos de odisseia, reduzida a cinzas. Os democratas mereciam provas concludentes do contrário desta vergonha que ensombra a Lusofonia, desacredita a honorabilidade da justiça portuguesa e, em vez de convidar as novas gerações à prática dos valores morais, antes os incita a mais assaltos, mais criminalidade organizada e a menos respeito pelos sãos princípios que foram timbre do Povo Português.

Nestes quase quarenta anos de vigência democrática já muitos casos semelhantes se deram.

A Lusitanidade de Lourenço Marques – História de uma Cidade

A Lusitanidade de Lourenço Marques – História de uma Cidade (Ano 1965)

Devemos ter por certo que, já do tombadilho das caravelas de Vasco da Gama, se avistara, pela primeira vez, em 1498, senão toda a baía, sequer o perfil alteroso da Inhaca, quando a frota gloriosa, rumando ao Norte, deixara o paralelo da Terra do Natal, para ir reconhecendo a costa, da qual, no Roteiro da grande viagem, se vão sucessivamente mencionado: a embocadura do rio do Cobre, ou seja a barra do Limpopo em Inhambane, a foz do rio dos Bons Sinais, em Quelimane, onde o Grande Capitão erigiu o padrão de S. Rafael e outros pontos do litoral até à ilha de Moçambique ao abrigo da qual a frota fundeou no dia 1 de Março de 1498.

Também Pedro Álvares Cabral em sua viagem a Moçambique no ano de 1500 e novamente o Gama em 1502, na sua segunda viagem à Índia, terão bem provavelmente avistado o grandioso estuário formado pelos rios que desaguam nessa formosa e vasta Baía da Paz, como lhe chamaram os primeiros navegadores. Alguns antigos cronistas e alguns outros mais recentes, referem-nos a descoberta, em 1544, da Baía de Lourenço Marques, pelo navegador e traficante português Lourenço Marques, tendo sido de tal descobrimento dada notícia a D. João III, por intermédio de D. João de Castro, que então singrava no canal de Moçambique, de passagem para a Índia de que ia assumir o governo.

Dois anos após ter sido notícia do reconhecimento da baía feito por Lourenço Marques, mandou D. João III que se fizesse reconhecimento dos rios que nela desaguavam e que, na margem direita do rio do Espírito Santo, se assentassem feitoria e fortaleza. A tais instruções corresponderam Lourenço Marques e António Caldeira que, porém, não se limitaram a cumprir a real ordem no respeitante ao rio do Espírito Santo, pois outros estabelecimentos fundaram também nas ilhas dos Elefantes e da Inhaca, simultaneamente comerciais e militares, com o consentimento do régulo da Inhaca.

Deve pois, remontar a 1546 o estabelecimento do presídio de Lourenço Marques que só em 1876 foi elevado à categoria de vila e que, em 10 de Novembro de 1877, teve, enfim, foros de cidade.

Uma visão do caos feita por Eça de Queirós em 1872



"Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesma baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal”.

Orgulhosamente sós (António Oliveira Salazar)


No plano africano, quatro anos de sacrifícios deram tempo a que esclarecesse melhor o problema das províncias ultramarinas portuguesas, a diversidade das situações criadas em séculos naquele Continente e os ganhos ou perdas, em todo o caso as dificuldades que a independência tão ambicionada por poucos trouxe a todos os mais e os dirigentes não sabem ainda como resolver. Assim bastantes povos africanos nos parecem mais compreensivos das realidades e mais moderados de atitudes. Eis o ganho positivo desta batalha em que – os portugueses europeus e africanos – combatemos sem espectáculo e sem alianças, orgulhosamente sós.

22 de agosto de 2012

Haja coragem para por fim à incompetência (Joaquim Santos)

Vejo com preocupação o discurso velho e salazarento da inanição intelectual que o primeiro-ministro nos premeia. A ausência completa da nação do estado desta Europa a definhar das políticas neoliberais e da destruição da democracia. Para o PM o desemprego vem em último lugar o que interessa é a qualquer custo arrecadar impostos de maneira a custear os desvarios que começaram em 1985 (esta data continua a cair nos meandros do alzheimer de que este PSD padece). Não se consegue construir uma nova economia destruindo tudo da antiga, só um lunático mexe assim com o tecido social. É hoje o PSD um partido fraccionado, senão não seria precisos os recados. Só um louco consegue ter certezas num quadro macro económico desta dimensão, só um covarde não tem coragem de negociar mais além, só um covarde ataca os mais fracos, quando não tem capacidade de enfrentar os mais fortes (veja-se já a hesitação em relação às fundações que já começaram a mexer). O primeiro-ministro não fala da justiça, pudera com tantos rabos de palha. Quando não se consegue arrumar a própria casa, como se espera arrumar um País. Todas as medidas a ser tomadas são de repressão e depois espera-se que o povo acredite. Haja coragem para acabar com a incompetência.

Joaquim Santos

OCrime, 16 de Agosto de 2012

O descanso das férias dos políticos (Manuel Cruz)


As férias sabem bem. Não que a maioria dos portugueses tenha dinheiro para uma banhoca nem que seja na Cruz Quebrada, mas porque os ministros, incluindo o seu líder máximo, estão de férias. Deixaram-nos em paz por uns tempos. Respiramos melhor. Estamos menos ansiosos. Poupamos nos Xanax, nos Lexotan, nos Prozac, nos Lorenin. Pena é que seja sol de pouca dura. Qualquer dia, dá-se a rentrée lá para as bandas do Pontal. E eles regressarão afobados para subir impostos, sacrificar, impor, despedir, insultar, abusar e levar este periclitante país para a cova já aberta. O pesadelo vai voltar. E os portugueses? Acordarão? Ou continuarão narcotizados com a demagogia, a mentira, o obscurantismo, as mais prigosas das drogas?

Manuel Cruz

OCrime, 16 de Agosto de 2012

21 de agosto de 2012

A união ainda pode ser a força (Luís Rodrigues)

Para que algo pudesse mudar em Portugal, bastaria que as pessoas se unissem aos milhares para que fosse exequível colocar uma acção em tribunais internacionais de direitos do homem, contra estes governantes, que não cumprem nem fazem cumprir a constituição e assim atropelam os direitos e a dignidade de quase 10 milhões de seres humanos, tal como está automaticamente violada a carta internacional dos Direitos do Homem, das Nações Unidas, a que Portugal está obrigado. Ou então, que nos uníssemos para fazer “boicote” às gasolineiras ou aos hipermercados, etc., obrigando-os a ceder às nossas exigências! Tudo coisas simples que podem ser feitas a partir de casa e no Facebook, mas é preciso união, muita união, de muitos portugueses.

Luís Rodrigues

OCrime, 9 de Agosto de 2012

Em luta por um novo humanismo (João Raimundo Gonçalves)


É um fartar vilanagem. E o que faz este Governo da vergonha? Saqueia as poupanças, rouba despudoradamente as poupanças dos reformados de longa contribuição, não confisca em combate o ilícito criminoso, rouba os indefesos pensionistas.

Isso mesmo, rouba. E ainda saqueia a população indefesa dos reformados. Exigimos a devolução do que já nos roubaram e a cessação do roubo já agendado. Por um novo humanismo.

João Raimundo Gonçalves

OCrime, 9 de Agosto de 2012

Portugal e a imagem do caos (Fernando Brandão)

Depois de 500 longos anos de doença crónica, Portugal está em fase terminal. Nada de espantoso, até aqui, não houvesse 10 milhões de habitantes que tivessem estado a descontar para a História, ao longo de todo este tempo, e se vissem agora na iminência de morrer como cães. Fomos exemplares na nossa postura, já que nunca nos indignamos, e estamos sempre preparados para transformar tudo em piedosas procissões, como na miserável Fátima, de Miguel Portas. Podemos dizer que também fomos jeitosos, no nosso experimentalismo político, já que andámos pela Monarquia, que se provou ser uma forma decadente da República; experimentámos a República que era uma forma decadente da Monarquia; passámos pela Ditadura, que era uma forma decadente da Democracia, e acabámos a vegetar numa Democracia, que é uma forma decadente de Ditadura. Até aqui, ainda tudo bem, porque a Polónia conheceu destinos piores, os curdos e palestinianos ainda estão à espera, e de Israel é melhor nem falar. Focando-nos na agonia, o meu problema não é o fim do fim, mas as enfermeiras, os auxiliares e os médicos que temos em redor.

Fernando Brandão

OCrime, 9 de Agosto de 2012

Os pecados mortais dos políticos (Tomás Nogueira)


Os partidos são compostos por pessoas. E nem todas as pessoas dentro dos partidos são iguais. O problema é quando as pessoas dentro dos partidos perdem a sua própria identidade. Nunca devemos desistir dos nossos ideais, para defender os ideais dos outros. Ser político não é uma profissão. É uma vocação e uma missão em prol da sociedade. Quem não entender isto está a mais na política, nos órgãos de soberania e no País.

Infelizmente, a esmagadora maioria dos nossos políticos só pensa no dinheiro que ela – a política – lhe irá trazer e no seu bem estar, em vez de pensarem – os políticos – no bem estar de todos. Se os nossos políticos defendessem o bem estar de todos os cidadãos, eles próprios estariam bem. Mas a gula, a luxúria e a preguiça são alguns dos pecados mortais que não conseguem evitar.

Deus lhes perdoe!

Tomás Nogueira

OCrime, 9 de Agosto de 2012

Mansos costumes e má fortuna (Manuel Cruz)

Fala-se muito por aí, e geralmente quem o diz é gente bem instalada na vida, que é preciso menos Estado Social. E eu pergunto: menos ainda? Neste momento, só pouco mais de 300 mil pessoas recebem subsídio de desemprego (subsídio que, lembro os mais distraídos, não é benesse nem esmola, foi paga com os próprios descontos de cada um ao longo dos anos). Se as contas não me falham, e não me falharão, isso faz com que cerca de um milhão de desempregados estejam entregues à sua sorte. Menos Estado Social? Mas como? Se já existem milhares de pessoas a quem o Estado abandonou, a quem o Estado trata como párias, a quem deixa que as dívidas, a fome, a miséria as atormente e aniquile? E a tudo isto se assiste impavidamente. Sem um grito de protesto. Um gesto de revolta. Mansos costumes. Brandas gentes. Má fortuna.

Manuel Cruz

OCrime, 9 de Agosto de 2012

Os extremos sempre se tocaram (Valdemar Parreira)


Há notícias que, apesar de tudo, me fazem alguma confusão. Antes, em tempos em que o heroísmo e carácter, dignificavam quem o tinha, sempre se disse que deserção e troca de valores, eram um acto condenável fosse em que parte do globo ele fosse praticado.

Hoje é o contrário, e então assistimos às notícias da deserção do primeiro-ministro sírio e a uma meia-cambalhota de Otelo, como se de actos dignos se tratassem. Um diz que foge dos criminosos do regime, como se ele nunca tivesse sido o chefe desse governo, o outro diz que Portugal precisa de um novo Salazar poupadinho.

Os nossos “jornalistas” à falta de defenderem valores maiores, já vão endeusando estas personagens, enquanto Clara Ferreira Alves diria, que só lhe merecem comentários pessoas maiores e cultas, e que um dia não me admirarei de ver, na reforma, Louçã a defender as virtudes de uma qualquer marca que bem poderá ser Salazar.

Afinal, os extremos sempre se tocaram e nunca, mas nunca, se electrocutaram!
Valdemar Pereira

OCrime, 9 de Agosto de 2012

12 de agosto de 2012

Moçambique: Praia da Ponta do Ouro

Cahora Bassa - a grande epopeia portuguesa do século XX


Cahora Bassa - a grande epopeia portuguesa do século XX


SALDAMOS AO ESTRANGEIRO AO PREÇO DA "UVA MIJONA" O MAIOR EMPREENDIMENTO PORTUGUÊS EM ÁFRICA

FORAM PORTUGUESES QUE DOMARAM A FÚRIA DO ZAMBEZE

Foram Portugueses os domadores das águas revoltas do rio Zambeze, cuja bacia hidrográfica ultrapassa 1.200.000 km2, percorrendo 800 km em território moçambicano.

O Gabinete do Plano do Zambeze foi criado por Salazar para concretizar o plano destinado a transformar o vale do Zambeze numa região invulgarmente rica e para proporcionar aos portugueses (brancos, negros e mestiços) condições de vida muito para além do que se verificava nos países africanos independentes. Os meios financeiros para o referido Plano estavam assegurados, sem recurso a empréstimos externos.

Para quem desconheça (e serão certamente muitos), o vale do Zambeze possui um subsolo rico em gás e carvão mineral, e um solo fértil para diversas culturas agrícolas, bem como condições privilegiadas para a pecuária e também para aproveitamento de rendabilidade segura de indústria transformadora. Acresce a tudo isto o facto de constituir uma região com todas as condições para empreendimentos turísticos.

Este conjunto de riquezas despertou interesses da "holding" Geocapital de Macau, de que fazem parte, como foi recentemente noticiado em alguns meios da comunicação social moçambicana e portuguesa, Stanley Ho, Ferro Ribeiro e Dr. António Almeida Santos, entre algumas personalidades políticas e governamentais moçambicanas.

A ÚLTIMA GRANDE OBRA DE SALAZAR

Cabora Bassa fazia parte de um projecto mais vasto e de singular importância que tinha por finalidade eliminar o subdesenvolvimento de uma região quase duas vezes superior à superfície do Portugal europeu. Era o Plano de Desenvolvimento do Vale do Zambeze que já estava a ser executado e que previa, no seu todo, abranger uma área superior a 210 mil km2, o equivalente a cerca de 1/4 da superfície de Moçambique. A barragem serve para regularizar os caudais do Zambeze e destina-se também a irrigar cerca de 1,5 milhão de hectares de terras do vale a que aquele rio deu o seu nome.

A 11 de Janeiro de 1968 foram abertas as propostas para o início das obras preliminares do desvio do rio Zambeze bem como as obras de pavimentação de duas estradas de acesso a Cabora Bassa e a construção de uma pequena mas bem delineada cidade, dotada de todas as infraestruturas (esgotos, água potável canalizada, energia eléctrica), e servida de escolas, hospital, aeródromo, telefones, estabelecimentos comerciais, clube e espaços de lazer, destinada ao alojamento do pessoal trabalhador, cuja população chegou a ser de nove mil almas, metade da qual era composta por naturais de Moçambique. Concorreram empresas portuguesas, da Alemanha Ocidental, da África do Sul, da França e da Suécia, e a 12/3/68 foram abertas as propostas para a execução da gigantesca barragem - a segunda maior de África e a quinta maior do mundo. Os estudos sobre os caudais do Zambeze na zona de Cabo Bassa, bem como noutros locais, foram realizados por técnicos portugueses de reputação internacional do Laboratório Nacional de Engenharia Nacional. Em meados de Julho de 1968 o Dr. Oliveira Salazar reuniu o Conselho de Ministros, tendo sido decidido adjudicar a obra ao consórcio ZAMCO que apresentou a proposta mais baixa: 7.033.048.345$00, não se tendo verificado "derrapagem orçamental" e os prazos cumpridos, pormenores de rigor que deixaram de se verificar, com frequência nas obras públicas depois de "25 de Abril. O concurso previa que o "financiamento estará completado no prazo de 20 anos, contados a partir da data do início da exploração do aproveitamento", salienta o jornalista e escritor A. Santos Martins no seu livro "Cabora Bassa - a última epopeia", editado no início de 2006. O autor acompanhou muito de perto a construção da gigantesca barragem e proporciona no livro citado um conjunto de pormenores de vária ordem que arrasa os argumentos dos cérebros virgens e dos almocreves do actual regime político.

A albufeira de Cabora Bassa tem, no seu ponto máximo, 40 km de largura e a sua extensão é de 270 km. Com estes números, o leitor pode ter uma ideia aproximada do que é aquele gigante erguido numa zona muito acidentada. A sua construção não colidiu com a Natureza, com o meio ambiente, como se diz agora.

A África do Sul garantiu ao Governo presidido por António de Oliveira Salazar: "se necessário compraria até 2/3 da energia produzida por Cabo Bassa" e, já então, era suposto que os países limítrofes passariam a importar energia eléctrica produzida por Cabora Bassa.

Autor do texto: Adulcino Silva (Jornalista)

Os custos da Presidência da República (Nelson Santos)



Um jornal descobriu agora qua e Presidência da República custa 16 milhões de euros por ano (163 vezes mais do que custava Ramalho Eanes), ou seja, 1.5 euros a cada português. Dinheiro que, para além de pagar o salário de Cavaco, sustenta ainda os seus 12 assessores e 24 consultores, bem como o restante pessoal que garante o funcionamento da Presidência da República. A juntar a estas despesas, há ainda cerca de um milhão de euros de dinheiro dos contribuintes que todos os anos serve para pagar pensões e benefícios aos antigos presidentes. Os 16 milhões de euros que são gastos anualmente pela Presidência da República colocam Cavaco Silva entre os chefes de Estado que mais gastam em toda a Europa, gastando o dobro do Rei Juan Carlos de Espanha (oito milhões de euros) sendo apenas ultrapassado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy (112 milhões de euros e pela Rainha de Inglaterra, Isabel II, que “custa” 46.6 milhões de euros anuais. Bonito!

Nelson Santos

O Crime, 26 de Julho de 2012

Vamos falar de um bando de vigaristas (António Pinto)


Os fanáticos que, por estes dias, servem em Portugal os interesses da ladroagem internacional, têm uma agenda política indefensável. Pelo que se vai percebendo e confirmando com as poucas notícias que rompem o manto das mentiras e da censura do pensamento único, têm também uma agenda económico financeira que não é exequível. O rombo nas contas públicas provocado pela austeridade, quando o que pretendiam era encher os cofres, vai obrigá-los a seguir esta via única: mentir, mentir, mentir mais, martelar as contas (lá estão os comunistas!!!), voltar a mentir… esconder números do défice real, mentir ainda um pouco mais. Longe vai o tempo do Passos Coelho que disse “governante que mentir… sai!”.

António Pinto

O Crime, 26 de Julho de 2012