22 de outubro de 2012
A insustentável dureza de Portugal...
Para além da austeridade aplicada ao português comum os funcionários públicos tiveram um corte de até 10% do vencimento, pagam mais contribuições, tiveram maiores penalizações no caso das reformas antecipadas e perderam dois subsídios. Qual foi a posição de quase todos os que agora protestam e acusam o governo de brutalidade? Ficaram calados, optaram pelo cinismo de ficarem em silêncio pensando que se sacrificavam alguns portugueses e os outros se escapavam.
Mas mais uma vez temos que recordar o famoso poema de Bertolt Bretch:
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Moral ruim (António Aleixo)
Acho uma moral ruim
trazer o vulgo enganado:
mandarem fazer assim
e eles fazerem assado.
Sou um dos membros malditos
dessa falsa sociedade
que, baseada nos mitos,
pode roubar à vontade.
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14 de outubro de 2012
Moçambique: Ao “Maravilhoso Povo” não deve caber apenas pagar salários
Maputo (Canalmoz) - Não há uma obrigação legal para que o chefe de Estado ou outro dirigente, que tem poderes em suas mãos para nomear e exonerar servidores públicos, venha a público explicar as razões que o levam a agir desta forma, mas por uma questão de transparência das decisões públicas, pensamos nós que devia se dar esclarecimentos ao povo.
Se para o caso das nomeações, parece não exigir muitas explicações, uma vez que parece ser óbvio que se nomeia quem tem potencial para servir na função para qual é indicado, já na exoneração, esta lógica parece não funcionar assim tão linearmente.
Se ao nomear podemos inferir que se viu potencialidade no nomeado para servir aquele sector, a inferência já não deve ser tão linear quando se exonera a meio do trabalho iniciado. A coisa fica mais complicada quando há outros que são transferidos de um ministério para o outro e outros que são transferidos de um Governo local para o Governo central e vice-versa. Então se dissermos que são exonerados os incompetentes e nomeados os competentes, não faria tanto sentido tirar um incompetente do Turismo com a esperança de que seja competente na Juventude e Desportos; ou tirar um incompetente do Governo provincial para ser competente no Governo central.
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Portugal: Lisboa em fotografias noturnas
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8 de outubro de 2012
Viagem a Moçambique de 1 a 16 de Novembro de 2012
VIAGEM A MOÇAMBIQUE
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Douro Vinhateiro: Região Demarcada do Douro
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Por bem menos o Santana foi à vida… (Armando Miro)
O valor e o significado das palavras tem sofrido significativas modificações nos últimos tempos. A evolução é um dado adquirido em tudo o que nos rodeia e interfere nas nossas vidas. É na forma como nos dizem que “nos sacam a massa” (ajustamento), no tratamento igualitário que acentua as diferenças, na redistribuição da riqueza onde há canais entupidos, na mão que diz que dá e nas duas que realmente tiram, nas estatísticas que realçam os números e esquecem as pessoas, nas políticas de criação de emprego que aumentam os despedimentos, no que se faz e disse não se fazer, na capitalização popular de via única com os trabalhadores a aumentarem em 8% do salário no capital da empresa sem qualquer retorno, etc. etc. etc…
Mantém-se ainda, mas mais frequentemente evocada e invocada, a comparação dos portugueses e dos seus índices com os dos “Cidadãos Europeus”. Dizem que estamos nos patamares inferiores naquilo que pagamos, sejam impostos, escalões, produtos ou outros, mas nunca nem ninguém fala do que ganhamos, e cada vez menos – só num ano foram mais de três vencimentos a seco – sem falar nos outros impostos que subiram, e por aí fora…
Mas há uma coisa que ganhou a liderança nas transformações sociais: a “multiplicação” dos pobres.
Fazem-nos muita falta… Além de serem coisa barata e de fácil produção, vejam-se os ganhos da recente produtividade governamental, exportam-se a baixo custo ou até nenhum se for a salto ou clandestino, reduzindo assim a despesa inerente. São além disso mão de obra fácil e dócil, e até trabalham de borla se almejarem o jackpot do RSI.
E já são tantos que, os que os tinham por abençoados, clamam pela sua redução pois não têm mãos a medir com a tarefa de os conduzir ao reino da felicidade, e já não conseguem aplacar-lhes o pecado da gula na sopa e no pão. Não há também mais almas que, na prática solidária da caridade, atingem a santidade ou o “reino dos céus”.
Tiram o dinheiro dos gastos e as compras descem assustadoramente. A receita fiscal, aumentando o rácio diminui no arrecadar. Insiste-se no mesmo à espera do milagre que não acontece pois se temos menos ainda será menos o que se gasta, e tudo a descer. Exportar mais? Mas o quê se até o investimento nos “clusters” desapareceu? Já terão dado conta que o povo só gasta do que tem e não tem o dom do Alves dos Reis nem as oportunidades dos banqueiros falidos?
Onde estudaram estes senhores, se é que estudaram e o quê, para fazerem do país o laboratório das ideias que, sendo inócuas quando se deleitam nos areópagos juvenis dos partidos, começam a tornar irreversível a recuperação da Economia. E mesmo os que, tendo cátedra e fama aparentemente verdadeiras, têm a experiência das aulas que o “magíster dixet” não deixa contestar, e melhores se consideram se forem novidade e inovação sem qualquer possibilidade de prova, pois talvez nunca tenham comprado um molho de grelos, e a coisa não passa para lá da sala de aula.
E se da minha parte procuro ver as coisas sem as perturbações ideológicas na doutrina e nas múltiplas visões e abordagens, escrutinando quem o disse para não aderir, duvidar ou refrear por simpatia ou repulsa, agora nem sequer de tal preciso. As análises, críticas e sugestões mais profundas, contundentes e ferozes, principalmente despois dos últimos suplícios, vêm dos sectores mais cotados e conotados aos partidos do governo.
E não me venham com a história de que são vinganças ou raivinhas pessoais, invejas mútuas por ausências de “convites” para mais outras mordomias, temor de lembranças de iguais modos, passa culpas antes que lhas apontem, ameaças de quebra de silêncio, segredos que sabem e que sabem que ele(a)s sabem, e que também ele(a)s sabem.
A grande culpa que os que agora repontam e refilam realmente têm, é terem deixado os putos a brincar à política, a fazerem de conta que já eram grandes, a aprenderem como se faz falta sem o árbitro dar conta e, afinal de tudo, a convencerem-se que, sendo jovens talentosos e inovadores, também eles poderiam ser governo, mesmo sem saberem realmente o que isso é…
À espera das esquerdas? Quais e como?
Do presidente? Vou ali e já venho. Por bem menos o Santana Lopes foi à vida…
Armando Miro
Repórterdomarão, 20 de Setembro de 2012
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O brilhante currículo profissional do formiga Miguel Macedo
Vejam o currículo profissional do ministro que disse que em Portugal há cigarras a mais e formigas a menos:
- Deputado nas V, VI, VII, VIII, X e XI Legislaturas
- Secretário de Estado da Juventude (1990-1991)
- Vereador da Câmara Municipal de Braga (1993-1997)
- Secretário de Estado da Justiça nos XV e XVI Governos Constitucionais (2002-2005)
- Secretário-Geral do PSD (2005-2007)
- Membro da Assembleia Municipal de Braga
- Líder Parlamentar do PSD (2010-2011)
Isto é, como diz o povo este senhor "nunca fez nada na puta da vida" a não ser encostar o cu às cadeiras do OE, e é um artista destes que sugere que o povo português formado maioritariamente por gandulos?
Bem, o rapaz como convém aos deputados ainda é sócio de um escritório de advogados e de uma consultora.
Esta formiguinha exemplar foi uma formiguinha que em tempos declarou ao Tribunal Constitucional que tinha uma casa em Lisboa, onde vivia, mas para sacar aos portugueses um subsídio de residência declarou que morava em Braga.
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7 de outubro de 2012
Vá bardamerda senhor Governador do Banco de Portugal!...
Vá bardamerda, senhor Governador!...
Sabiam que o Banco de Portugal comparticipa a ( Eu diria, paga ) 100% as despesas de saúde dos seus funcionários? Quem paga isso? Somos nós os contribuintes, enquanto que a ADSE paga só aquilo que nós sabemos. Eu não sei. Só sei que o meu sistema de saúde é o SNS . Discordo completamente, que haja vários sistemas de saúde.
É por isso que funcionários do Banco de Portugal fazem implantes dentários e os "outros implantes" que estão agora na moda às funcionárias e às mulheres dos funcionários.
Como é isto possível?
E nós que somos os pagantes, ficamos calados???...
Vá bardamerda senhor Governador!
Neste país há investigadores universitários que estudam todos os dias até altas horas da noite, que trabalham continuamente sem limites de horários, sem fins-de-semana e sem feriados. Há professores universitários que dão o seu melhor, que prepararam cuidadosamente as suas aulas pensando no futuro dos seus alunos, que dão o melhor e sem limites pelas suas universidades. Há policias que ganham miseravelmente, que não recebem horas extraordinárias, que pagam as fardas do seu bolso e para sobreviverem têm de prestar os serviços remunerados.
Toda esta gente e muita mais que poderia ser referida foi eleita como a culpada da crise, denunciada como gorduras do Estado, tratada como inutilidade social, acusada de ganhar mais do que a média, desprezada por supostamente não ser necessária para a direita se manter no poder. Mas há uns senhores neste país que ganham muito mais do que a média dos funcionários públicos, que têm subsídios extras para tudo e mais alguma coisa, que cumprem com incompetência as suas funções, que recebem pensões chorudas, que vivem do dinheiro dos contribuintes como todo o Estado, mas que não foram alvo de nenhuma das medidas de austeridade que até hoje foram aplicadas aos funcionários públicos. São os meninos e meninas do BdP.
Ainda as pessoas mal estavam refeitas do anúncio da pilhagem aos seus rendimentos e há um tal Costa, governador do Banco de Portugal, vinha defender que as medidas deste OE deveriam prolongar-se para além de 2014. Isto é, o senhor defende que os cortes se tornem definitivos. No mesmo dia a comunicação social informava que as medidas de austeridade aplicadas aos funcionários públicos não seriam aplicadas aos funcionários do banco de Portugal, o argumento para tal situação era o da independência do banco.
Mas se o Governo não pode nem deve interferir na gestão do BdP e o senhor Costa se comporta como um cruzamento entre a ave agoirenta e o Medina Carreira o mínimo que se espera é que ele dê o exemplo pois nada o impede de aplicar aos seus (incluindo os pensionistas do BdP) a austeridade que exige aos outros. No caso do BdP o senhor Costa não só estaria a adaptar as mordomias dos funcionários públicos e pensionistas do BdP à realidade do país como estaria a dar um duplo exemplo, um exemplo porque aplica aos seus a austeridade que exige aos outros e um exemplo porque chama os seus a responder pela incompetência demonstrada enquanto entidade reguladora de bancos como o BPN ou o BPP.
Porque razão um professor catedrático de finanças ganha menos do que um quadro do BdP, não recebe subsídio para livros como este e na hora da austeridade perde parte do vencimento e os subsídios enquanto o funcionário público do BdP não corta nada e muito provavelmente ainda recebe um aumento?
E já que falamos no BdP que tanto se bate pela transparência das contas públicas e do Estado enquanto o seu governador anda por aí armado em santinha das finanças, porque razão os vencimentos e mordomias do BdP não aparecem no seu site de forma a que sejam conhecidas pelos contribuintes que as pagam? Todas as colocações, subidas de categoria e remunerações dos funcionários públicos são divulgadas no Diário da República mas o que se passa no BDP é segredo, muito provavelmente para que o povo não saiba e assim manterem o esquema.
Ainda a propósito de transparência seria interessante saber porque razão os fundos de pensões da banca vão ser transferidos para o Estado e o do Banco de Portugal fica de fora. O argumento da independência não pega, o que nos faz recear que o fundo de pensões seja abastecido de formas pouco aceitáveis para os portugueses. Seria interessante, por exemplo, saber a que preço e em que condições uma boa parte do imobiliário que o banco detinha por todo o país foi transferido para o fundo de pensões dos seus dirigentes e funcionários.
É por estas e por outras o senhor Costa não tem autoridade moral para propor o mais pequeno sacrifício seja a quem for e deveria abster-se de parecer em público, este senhor só merece a resposta :
«Vá bardamerda, senhor governador»!...
Da autoria de um professor universitário e investigador
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Já tenho licentiatura (Máximo)
Já tenho licenciatura
Agora sou um doutor,
Tenho montes de cultura
Vou ser Ministro? E se fôr?...
Inscrevi-me ao fim do dia
Naquela Universidade
Dos diplomas de inverdade
P'ra testar o que sabia.
Já de manhã, mal se via,
De maneira prematura
Eu fiz muito má figura.
Mas mesmo sem saber nada
Formei-me na Tabuada,
Já tenho licenciatura!
Dei cem erros no ditado.
E agora o mais curioso:
Por estar muito nervoso
Á recta chamei quadrado!
Quando me foi perguntado
Se conhecia o Reitor,
Respondi que não senhor
Embora fosse meu tio!
Disse mentiras a fio,
Agora sou um doutor!
Com mesquinhez e com tudo
Puxei das equivalências,
Juntei outras mil valências
Deram-me mais um canudo.
Com diplomas, contudo,
Era fácil a leitura,
Deixei de ser um pendura,
Sou político afamado.
Sou falado em todo o lado,
Tenho montes de cultura
Já sou Mestre em Corrupção,
A todos sei enganar.
Habituei-me a roubar
Tirei curso de ladrão.
E agora, queiram ou não,
Mesmo sem nenhum valor,
Eu falo que é um primor
Na Assembléia sentado.
Para já sou deputado.
Vou ser Ministro? E se fôr ?
Máximo
Avis, 17 de Julho de 2012
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Apelo a Santo António
Ó meu rico Santo António
Meu santinho Milagreiro
Vê se levas o Passos Coelho
P'ra junto do Sá Carneiro
Se puderes faz um esforço
Porque o caminho é penoso
Aproveita a viagem
E leva o Durão Barroso
Para que tudo corra bem
E porque a viagem entristece
Faz uma limpeza geral
E leva também o PS
Para que não fiquem a rir-se
Os senhores do PSD
Mete-os no mesmo carro
Juntamente com os do PCP
Porque a viagem é cara
E é preciso cultivar as hortas
Para rentabilizar o percurso
Não deixes cá o Paulo Portas
Para ficar tudo limpo
E purificar bem a cousa
Arranja um cantinho
E leva o Jerónimo de Sousa
Como estamos em democracia
Embora não pareça às vezes
Aproveita o transporte
E leva também o Menezes
Se puderes faz esse jeito
Em Maio, mês da maçã
A temperatura está a preceito
Não te esqueças do Louçã
Todos eles são matreiros
E vivem à base de golpes
Faz lá mais um favorzinho
E leva o Santana Lopes
Isto chegou a tal ponto
E vão as coisas tão mal
Que só varrendo esta gente
Se salvará Portugal
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Impunidade sem fim (João Vaz)
Nada muda no Estado e os portugueses são cada vez mais castigados com maiores impostos e outras medidas calamitosas.
O Governo conseguirá, com a subida do IRS, cortar de facto os salários aos funcionários públicos.
E fará o mesmo aos trabalhadores do sector privado, com uma agravante trágica: provocará mais aumento do desemprego.
Governo e oposição partidária consolam-se a atirar as culpas para a troika. Entre ‘coladinhos’ e circunstancialmente distantes ou mesmo adversários, gera-se uma rede de impunidade. Como se não houvesse responsáveis por o Estado cair na mão dos credores.
A impunidade é o factor principal que afundou Portugal no já histórico ‘pântano’ de que Guterres fugiu e de que Barroso também se livrou, após clamar que o País estava de "tanga". A impunidade vai tão longe e revela-se tão cruel que Sócrates, último ex-chefe do desgoverno, é capaz de escapar ao assalto fiscal porque vive no estrangeiro e não recebe cá qualquer vencimento.
O actual safar-se-á graças às mordomias das consequências difíceis do assalto fiscal que ele próprio comanda.
João Vaz, Redactor Principal
Correio da Manhã, 07 de Outubro de 2012
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República insultada (Francisco Moita Flores)
A bandeira de todos nós, que se agita nas ruas, nas honras do Estado, era transformada em trapo.
Aquilo que se passou nas comemorações do 5 de Outubro é um retrato confrangedor, humilhante, diria mesmo insultuoso, daquilo que são os valores essenciais inscritos na utopia republicana. Inscreve valores superiores. A luta pela paz, pela liberdade, pela igualdade e pela fraternidade. A luta pela dignidade do Estado e dos cidadãos, pela afirmação da identidade da Pátria, tendo como símbolos maiores desta universalidade de princípios fundamentais o poder do povo expresso no voto universal, o hino nacional, a bandeira nacional. Comemorar significa comungar o mesmo tempo de memória. Partilhar a recordação de forma evocativa, actualizando esses valores principais, utilizando-os como cimento social que potencia a confiança no futuro.
Aquilo a que assistimos ontem não teve nada disto. Foi um acontecimento pífio que mais pareceu as Cortes de Lisboa, cercadas por militares e polícias, onde esteve o clero partidário, a nobreza dos políticos, e o povo representado pelo alcaide formado nas hostes da nobreza mais atávica. O verdadeiro povo passava para lá das grades ou, pura e simplesmente, ignorava o evento para o qual não foi convidado a partilhar. As Cortes falaram das tricas do costume que preocupam os altos dignitários, e a República nem sabe o que foi dito. Porque já fora insultada previamente quando hastearam um dos símbolos supremos da alma republicana. A bandeira de todos nós, que se agita nas ruas, nos campos de futebol, nos comícios, nas honras do Estado, era transformada em trapo subindo ao mastro maior da Câmara de Lisboa. Pode ter sido um lapso. Mas aquela varanda estava cheia de bispos da política e de marqueses do poder e é espantoso como ninguém, absolutamente ninguém, percebeu que no dia da República, na varanda onde foi proclamada há 102 anos, se humilhava a ideia que se procurava comemorar, ou melhor, evocar.
Num outro canto da cidade, outra galeria dos mesmos actores gritava pela unidade das esquerdas, valha isto o que valer, desnorteados, esquecidos do povo porque são aristocratas da mesma cepa, exactamente iguais aos que se reuniram nas Cortes, convencidos de que são povo. Esse que morre de fome e de esperança e no silêncio das suas amarguras é insultado, como a sua República, por homens que já perderam o norte da Pátria e do País.
Francisco Moita Flores, Professor Universitário
Correio da Manhã, 07 de Outubro de 2012
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República de pernas para o ar (Raquel Oliveira)
As cerimónias oficiais do 5 de Outubro em Lisboa já estavam envoltas em polémica, com a escolha do Pátio da Galé, um espaço fechado e com acesso restrito, para os tradicionais discursos dos presidentes da República e da Câmara de Lisboa, em vez dos Paços do Concelho. Mas ninguém estava à espera de que as celebrações da implantação da República ficassem marcadas por um incidente simbólico: Cavaco Silva e António Costa hastearam a bandeira nacional virada ao contrário.
Símbolo de rendição perante o inimigo, a bandeira esteve de pernas para o ar durante largos minutos e só foi hasteada correctamente já o Presidente da República e a comitiva se tinham instalado na tribuna do Pátio da Galé. Apesar do acesso restrito, controlado por seguranças, aquele espaço a escassos metros dos Paços do Concelho foi palco de mais dois incidentes: uma mulher desempregada, de 57 anos, irrompeu pela sala protestando contra a situação do País. Cavaco Silva prosseguiu o discurso, enquanto os seguranças arrastavam Luísa Trindade para fora do recinto. No final, novo protesto, protagonizado pela cantora lírica Ana Maria, que entoou ‘Firmeza’, de Fernando Lopes Graça. No exterior, apenas meia dúzia de pessoas apuparam os convidados à saída, tornando desnecessárias as várias carrinhas da PSP.
"CULPA NÃO É DOS PORTUGUESES"
Durante as comemorações da Implantação da República na cidade do Porto, que foi organizada pela Associação Cívica e Cultural 31 de Janeiro, Paulo Morais, vice-presidente da Organização da Transparência Internacional, deixou claro que a culpa da crise é dos políticos que usaram e abusaram do dinheiro do Estado. "A culpa não é dos portugueses, fizeram-nos acreditar que vivemos acima das nossas posses, mas isso é mentira. A culpa é dos políticos e dos privilégios malditos que possuem", afirmou.
Raquel Oliveira
Correio da Manhã, 07 de Outubro de 2012
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Corrupção (Paulo Morais)
A corrupção é a principal causa da crise em que estamos mergulhados. É este fenómeno que está na origem de sucessivos negócios ruinosos, verdadeiros roubos, que conduziram ao descalabro das contas públicas. Nas últimas décadas, assistimos a um regabofe sem limite com os dinheiros públicos.
A Expo 98 transformou um perímetro industrial degradado numa zonaurbanizável, gerou mais-valias urbanísticas milionárias, através da construção de hotéis, equipamentos e apartamentos de luxo. E, apesar disso, no final deu prejuízo. As acusações de corrupção foram tíbias e até hoje ninguém foi condenado. Mas foi assim também o Euro 2004, cujos estádios tiveram derrapagens de custo colossais. Também aqui o processo Apito Dourado borregou e a culpa morreu solteira. E foi ainda a compra dos submarinos, com pagamento deluvas a portugueses. A corrupção foi provada na Alemanha, os corruptores foram julgados e presos. Em Portugal, o Ministério Público não sabe de nada.
Mas os exemplos não acabam nunca. Nos últimos anos, os mais criminosos de todos os negócios públicos são os contratos de parceiras público-privadas (PPP), nomeadamente as rodoviárias. Através deste modelo de negócio, garantem-se aos privados rentabilidades de capital superiores a 17%, haja ou não trânsito. O Estado assume todos os riscos e cede todos os potenciais lucros. A primeira de todas as PPP foi a Ponte Vasco da Gama. Os privados financiaram apenas um quarto do valor da ponte e, com isso, ganharam o direito às receitas com portagens da Ponte Vasco da Gama, da ‘25 de Abril’ e ainda o exclusivo dastravessias rodoviárias do Tejo por toda uma geração. O governante que concebeu este calamitoso negócio, Ferreira do Amaral, preside hoje à empresa concessionária, a Lusoponte. Os seus sucessores seguiram-lhe o triste exemplo. Jorge Coelho e Valente de Oliveira, ministros das Obras Públicas de Guterres e Barroso, são administradores na maior concessionária de PPP, a Mota-Engil. Todos estes negócios ruinosos para o Estado têm responsáveis, que a Justiça portuguesajamais pune. E têm como consequência os sacrifícios por que hoje passamos. E continuaremos a passar se não for erradicada a causa que está na origem desta situação a que chegámos: a corrupção.
Paulo Morais, Professor Universitário
Correio da Manhã, 18 Setembro 2012
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21 de setembro de 2012
Ao "povo", pede-se o reencaminhamento deste texto
Ao "povo", pede-se o reencaminhamento deste texto, através de redes sociais ou de e-mail para todos os contactos.
Cá vai um importante contributo, para que o Ministro das Finanças não continue a fazer de nós parvos, dizendo com ar sonso que não sabe em que mais cortar. Acabou o recreio !!!!!!!!!!!!!!!
Este texto vai circular hoje e será lido por milhares de pessoas. A guerra contra a chulisse, está a começar. Não subestimem o povo que começa a ter conhecimento do que nos têm andado a fazer, do porquê de chegar ao ponto de ter de cortar na comida dos filhos!
Estamos de olhos bem abertos e dispostos a fazer -quase-tudo, para mudar o rumo deste abuso. Todos os ''governantes'' [a saber, os que se governam...] de Portugal falam em cortes de despesas - mas não dizem quais - e aumentos de impostos a pagar. Nenhum governante fala em:
1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, etc.) dos três ex-Presidentes da República.
2. Redução do número de deputados da Assembleia da República para 80, profissionalizando-os como nos países a sério. Reforma das mordomias na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode.
3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego.
4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de euro/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.
5. Por exemplo as empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros? e se não são verificados como podem ser auditados?
6. Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembleias Municipais, numa reconversão mais feroz que a da Reforma do Mouzinho da Silveira, em 1821.
7. Redução drástica das Juntas de Freguesia. Acabar com o pagamento de 200 euros por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e 75 euros nas Juntas de Freguesia.
8. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas actividades.
9. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País;.
10. Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, os filhos das amantes...
11. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado e entes públicos menores, mas maiores nos dispêndios públicos.
12. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado a compras, etc.
13. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira e respectivas estadias em Lisboa em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes que vivem em tugúrios inabitáveis.
14. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos por nós) que nunca está no local de trabalho. Então em Lisboa é o regabofe total. HÁ QUADROS (directores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE ADVOGADOS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES, QUE NÃO NOS DÁ COISA PÚBLICA.
15. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - há hospitais de província com mais administradores que pessoal administrativo. Só o de PENAFIEL TEM SETE ADMINISTRADORES PRINCIPESCAMENTE PAGOS... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder.
16. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar.
17. Acabar com as várias reformas por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.
18. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao BPN e BPP.
19. Perseguir os milhões desviados por Rendeiros, Loureiros e Quejandos, onde quer que estejam e por aí fora.
20. Acabar com os salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos.
21. Acabar com os lugares de amigos e de partidos na RTP que custam milhões ao erário público.
22. Acabar com os ordenados de milionários da TAP, com milhares de funcionários e empresas fantasmas que cobram milhares e que pertencem a quadros do Partido Único (PS + PSD).
23. Assim e desta forma, Sr. Ministro das Finanças, recuperaremos depressa a nossa posição e sobretudo, a credibilidade tão abalada pela corrupção que grassa e pelo desvario dos dinheiros do Estado.
24. Acabar com o regabofe da pantomina das PPP (Parcerias Público Privado), que mais não são do que formas habilidosas de uns poucos patifes se locupletarem com fortunas à custa dos papalvos dos contribuintes, fugindo ao controle seja de que organismo independente for e fazendo a "obra" pelo preço que "entendem".
25. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e adquiriram patrimónios de forma indevida e à custa do País, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controlo, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efectivamente dela precisam;
26. Controlar rigorosamente toda a actividade bancária por forma a que, daqui a mais uns anitos, não tenhamos que estar, novamente, a pagar "outra crise".
27. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efectivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida.
28. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.
29. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu património antes e depois.
30. Pôr os Bancos a pagar impostos.
31. Denunciar as falsas boas vontades de campanhas, seminários e 'formações' destinadas a caçar subsídios, a subsídiodependência, em que cada acção é um modelo novo na frota automóvel.
32. Não papar festivais e golpadas, como 7 maravilhas disto e daquilo, que engordam muitos à custa dos votos e telefonemas imbecis para promover aquilo que não tem excelência e nem qualidade para ser destacado. Todas estas manobras promovem 'salazares e alheiras' e afundam o que realmente tem valor em Portugal...
33. Impedir o 1.º Ministro de cometer graves atropelos à Constituição, à Lei Geral e Lei do Trabalho, tais como as medidas catastróficas e mesmo criminosas, mascaradas num falso plano de austeridade que vai conduzir Portugal ao abismo.
34. Revogar os prazos de pagamento da dívida ao FMI, BCE e CE, no sentido de os alargar ao maior prazo possível sem agravamento dos já altíssimos juros.
35. Tomar medidas urgentes contra as multinacionais, holdings e bancos, que são os verdadeiros donos do FMI, BCE e CE., e estão a aguardar agindo nos bastidores, como abutres que espreitam moribundos, que as empresas entrem em falência para serem absorvidas a preços ridículos, alastrando uma praga de desemprego e miséria que é cada vez mais grave.
Ao "povo", pede-se o reencaminhamento deste texto, através de redes sociais ou de e-mail para todos os contactos. » POR TODOS NÓS E PELOS NOSSOS FILHOS.
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MOZ














