Os diamantes são eternos e Saurimo, a cidade diamante, ficou gravada eternamente na minha memória quando, jovem repórter, acompanhei o Presidente Neto numa viagem ao Leste, depois de regressar de Maputo, onde gozou umas curtas férias. Desde então, a cidade passou a ser um marco importante na minha carreira profissional, que é curta e modesta, comparada com os grandes jornalistas que conheço e com quem sempre procuro aprender.
“Porque não cobriram esta reunião?”, Neto tinha acabado de se reunir com os dirigentes da província e estava mesmo à nossa frente, a perguntar. Foi em 1977, a primeira vez que o vi de perto, depois da histórica proclamação da Independência. Naqueles anos, o país precisava de sarar as feridas trazidas da luta de libertação e a Lunda-Sul era uma nova unidade administrativa. Saurimo vinha da época colonial como um centro económico importante e Neto, sabendo disso, fez questão de ir, pessoalmente, à sede da UNITA, propor a Savimbi a unidade entre os dois movimentos de libertação para a travessia da transição. Debalde! As dificuldades da época tornaram-se maiores, a cidade ficou com a vida económica parada e a Independência teve de ser arrancada. Nós, os repórteres, dormimos naquele dia no Hotel Galito, sem lençóis nem luz. De manhã, acordámos com mordidelas de percevejos. Mas o ar de Saurimo, fresco, fez-nos recuperar as forças.
A cidade diamante tem uma História com futuro. Os habitantes de Saurimo têm orgulho nesta cidade fundada por Henrique de Carvalho, o enviado do rei de Portugal à Mussumba do Muata Iânvua. A cidade está na encruzilhada da viagem feita no início do século XX pelo explorador português, deixada em vasta obra literária. Henrique de Carvalho foi de Luanda ao Cuango, partiu depois para Chipaca e daí alcançou Luembe. Concluiu a expedição em Calanhi, depois de abraçar o imperador Muata Iânvua (ou Muatiânvua). A portentosa Lunda foi então desenhada entre o Cuango, a Bota do Dilolo e as terras mágicas de Saurimo.


























