Assunção Esteves: Camilo em vez de Simone (Por Saragoça da Matta, Advogado) Assunção Esteves, se tivesse estado à altura do cargo e da função que desempenha, ter-se-ia limitado a dar instruções à PSP para evacuar as galerias A 11 de Julho de 2013 viveu-se no parlamento um dos mais insólitos momentos da vida democrática dos últimos 39 anos. Perante uma manifestação nas galerias do hemiciclo, a presidente da Assembleia da República reagiu gritando aos manifestantes que fizessem o favor de sair. E repetiu várias vezes o comando! O facies, o tom de voz e as próprias palavras só têm uma qualificação: foram inadmissíveis e intoleráveis. Assunção Esteves é, antes de mais, deputada. É, depois, titular do segundo cargo na hierarquia do Estado. É também uma mulher formada. Com traquejo político e social. Ex-juíza-conselheira do Tribunal Constitucional. Ex-docente universitária. Representa e vincula o Estado. Assunção Esteves não está, portanto, obrigada apenas pelos deveres que impendem sobre os representantes da nação. Está sujeita às exigências de dignidade, probidade, educação e respeitabilidade que são inerentes ao estatuto e à função do cargo presidencial que desempenha. Cargo que implica "majestade", no mais próprio sentido do termo. Assunção Esteves, naquele momento, escancarou a alma: percebeu-se o que sente pelo desespero daqueles que em tempos a elegeram e agora protestam, bem como a simpatia que tem pelo estado anímico de quem exerce o "direito de resistência" manifestando-se. Assunção Esteves não esteve à altura do cargo e da função que desempenha. Para estar ter-se-ia limitado a dar instruções à PSP para evacuar as galerias, esperando em majestático silêncio poder retomar os trabalhos. Não o fez. Gritou com os manifestantes. Baixou o nível. Dirigiu-se a quem protestava ordenando-lhes, crispada, que saíssem do parlamento. Berrou contra os berros. Em tom irritado, ultrapassou os limites que lhe eram autorizados pela educação e pela dignidade que o cargo lhe exige. E nada disso era necessário no exercício dos poderes que tem para conduzir os trabalhos do parlamento. Não sendo necessário, é indesculpável. Das mais altas figuras do Estado esperam-se apenas virtudes. Por isso são os nossos "maiores". Ora toda a respeitabilidade desaparece quando se desce ao nível do bate-boca, da fúria incontida, do descontrolo. Como dominaria a sessão se os deputados portugueses tivessem os hábitos de pugilato comuns noutros parlamentos? Se não foi eleita para ser desrespeitada, claramente desrespeitou-se, bem como a nós. Depois do que vi e ouvi, nunca mais verei em Assunção Esteves a presidente do parlamento. Verei apenas uma mulher capaz de zanga, irritação, fúria, descontrole. O que se seguiu ainda foi pior: já com o povo expulso, quis ter um momento de erudição invocando Simone de Beauvoir. Devia ter-se lembrado da "Queda de Um Anjo". Era mais próprio. E ao fazê-lo foi injusta, porque o brando povo luso nunca foi carrasco. Tem sido, isso sim, vítima de muitos carrascos. Para coroar o episódio, confrontada com o espectáculo dado à nação, não pediu desculpas, não assumiu o erro, não teve o mínimo laivo de humildade. Tentou explicar o inexplicável, desculpar o indesculpável, maquilhar o intolerável. Se o tivesse feito, assumiríamos simplesmente um momento de humanidade. Não o tendo feito, ninguém esquecerá isto. Jornali, 13 de Julho de 2013
31 de julho de 2013
29 de julho de 2013
Investigar o medo (Ademar Costa)
Correio da Manhã, 27 de Julho de 2013
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O antigo 7ºAno já dá direito ao título académico de Dr.!!!
Diário da República, 2.ª série — N.º 138 — 19 de julho de 2013
PRESIDÊNCIA DO CONSELHO DE MINISTROS
E MINISTÉRIO DA ECONOMIA E DO EMPREGO
Gabinetes do Ministro da Economia e do Emprego
e do Secretário de Estado da Cultura
Despacho n.º 9457/2013
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28 de julho de 2013
A mentalidade colonial (José Goulão)
Há quem fique chocado com a qualificação de “protectorado” atribuída à situação em que vivem Portugal, Grécia, Irlanda, Chipre, países submetidos ao poder dos credores exercido por intermédio da troika – aliança austeritária constituída pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional.
As mentes mais sensíveis consideram que protectorado é outra coisa, é o exercício da soberania política directa, como se não soubéssemos todos muito bem que, neste caso na União Europeia, a política não passa hoje de um instrumento manipulado pelos grandes interesses financeiros e económicos. Por isso também há quem defina o regime como uma “ditadura dos mercados”, nova seta capaz de ferir as tais almas delicadas.
Deixemos então o campo de batalha dos argumentos, coisa académica quando estamos perante a tragédia do sofrimento de milhões de pessoas, e passemos à prática, vamos a factos crus. É verdade que a notícia não caiu como uma bomba nas redacções, porque também estas são envolvidas por escudos protectores incensados de pudores censórios, mas não deixou de chegar. Discretamente, mansamente mas verdadeira, obscenamente autêntica.
Diz-nos essa notícia que o governo grego de fachada, o que é formado pelo embrião de partido único que é o “bloco central” de direita e socialistas, decidiu gratificar os agentes da troika residentes no país com generosas isenções fiscais. Isto é, os estrangeiros instalados em Atenas ao serviço das instituições que constituem a troika podem comprar, por exemplo, vivendas, automóveis e barcos de luxo sem necessitarem de os declarar perante a administração fiscal. Milhões e milhões de gregos sofrem as agonias de uma carga fiscal cruel, a mortalidade no país cresce de maneira exponencial, os nascimentos diminuíram radicalmente, 2.500 professores foram despedidos esta semana por telefone, mesmo antes de haver leis para isso, o serviço público de rádio e televisão continua silenciado 900 horas depois da decisão do Supremo Tribunal Administrativo que ordenou o seu regresso à actividade, a Orquestra Sinfónica da Grécia deu o seu último concerto e os agentes da troika estabelecem lustrosas isenções fiscais para si mesmos.
Como os compreendemos bem! A Grécia é um paraíso mediterrânico, a invasão estrangeira, de matriz alemã, deixou a economia do país de pantanas, existem, de certeza, oportunidades únicas para deitar as mãos ao luxo saldado a preço de lixo. E quando as isenções fiscais arrasam o que ainda possa existir de concorrência no saque, este torna-se perfeito, fácil, escorreito. Os invasores chegaram, instalaram-se e definem as leis e as práticas para servirem os seus amos, recebendo as respectivas compensações pelo desempenho das fatigantes comissões de serviço.
Através da linguagem fria e técnica de um Código Fiscal, permite-se um assalto colonial, liberta-se o caminho para que o protectorado adquira todas as suas valências, da repressão, à humilhação do povo subjugado, ao roubo dos seus direitos humanos, valores culturais e riquezas naturais.
Deixemo-nos de rodeios, a troika não é um mero instrumento para a defesa de interesses de invisíveis credores. É um exército colonial, um bando que saqueia e rapina povos e países, aviltando com práticas fascistas valores nobres como é, por exemplo, o da democracia.
Jornal de Angola, 26 de Julho de 2013
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Banco Central Europeu
Alteração nos hábitos de alimentação (Roger Godwin)
Alguns países africanos, vítimas de todo um novo estilo de vida que desde há muito vem afectando o ocidente, estão a sentir por parte das suas populações toda uma série de alteração nos hábitos e métodos de alimentação, o que se traduz no aumento de casos de saúde pública, como a obesidade e os diabetes.
Na região Austral de África, a Zâmbia tem sido dos países que mais tem sentido na papel os efeitos do crescente recurso a hábitos de alimentação importados de outros continentes graças ao êxito que as grandes cadeias de supermercados locais estão a ter com a exploração do confeccionamento de comida que depois vendem a preços sedutoramente reduzidos.
Até há pouco tempo essas grandes cadeias de supermercados vendiam os seus produtos a grosso a pequenos revendedores que depois os comercializavam e obtinham uma pequena margem de lucro.
Actualmente, o grande negócio dessas grandes redes consiste em aproveitar os seus próprios produtos, sobretudo carne e galinha, para os confeccionar nas suas instalações e vendê-los a preços praticamente imbatíveis.
Essas grandes redes de supermercados possuem, tanto na África do Sul como na Zâmbia (e antes no Zimbabwe), propriedades onde produzem e criam uma parte significativa daquilo que depois vendiam aos retalhistas. Eram estes que depois os comercializavam com os restaurantes e hotéis onde eram consumidos.
Segundo dados do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), em 2009 o continente africano era aquele que menos carne consumia, logo atrás do sudoeste asiático e da China, numa lista que era então liderada pelos Estados Unidos da América. Neste momento, o continente africano já consome mais carne do que o sudoeste asiático e aproxima-se da China.
Embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) ainda não se tenha pronunciado com rigor em relação a esta situação, existe uma convicção popular quase generalizada de que o recente aumento dos índices de morte súbita em África está directamente relacionado com a alteração que se tem registado nos hábitos alimentares da população.
Este tema não tem merecido a devida atenção por parte de alguns governos que se sentem mais confortados com as receitas que arrecadam dos impostos pagos pelos gigantes da indústria de alimentos, menosprezando o impacto que essa atitude tem na saúde das suas populações.
O sistema de assistência médica no continente africano, salvo honrosas excepções, ainda é afectado por algumas debilidades, pese o facto de, em quase todos os países, se ter vindo a registar um aumento em termos de número de anos de esperança de vida.
Uma possibilidade que está a ser estudada por países como o Gana e o Quénia, prende-se com a aprovação de uma medida que obrigue as redes de supermercados a confeccionar comida mais saudável, alargando a sua oferta que agora se restringe, quase só, a hambúrgueres, galinha frita, batatas fritas e muitos molhos que muitas vezes são usados para disfarçar o aspecto final desses pratos.
As fazendas onde são criados os animais também possuem produtos hortícolas e frutas que quase sempre ficam de fora desses cardápios, para já não se falar no pão que é de má qualidade e feito com o que de pior a farinha tem.
Na Nigéria, que representa um apetecível mercado de 167 milhões de pessoas, existem planos para um repentino alargamento do número de redes subsidiárias dos grandes supermercados, cuja maioria estão sediados na África do Sul e mostram-se relutantes em aceitar parcerias com empresários dos países onde se instalam.
Mas nem tudo é negativo neste novo tipo de negócio, já que ele tem contribuído para um aumento muito significativo do número de postos de trabalho, sobretudo na Zâmbia, onde um só supermercado, em escassos três anos, o número de empregados subiu de 60 para cinco mil.
A oferta de empregos tem sido um dos principais argumentos utilizados pelos donos das grandes cadeias de supermercados nas campanhas publicitárias, onde surgem jovens, com aspecto saudável, a comer aquilo que outros jovens sorridentes lhes estão a oferecer.
Não é por um mero acaso que são precisamente os jovens aqueles que mais consomem um tipo de comida rápida que os especialistas consideram relativamente pouco saudável. Esses novos hábitos são adquiridos por via da publicidade e de um modismo impiedoso que não se compadece com os sistemáticos conselhos de apelo aos bons hábitos alimentares para que se possa ter uma boa saúde.
Por isso mesmo seria útil que fossem revistos em África alguns códigos de publicidade, de modo a evitarem-se situações nas quais os especialistas estão impotentes para impor aquilo que levaram anos a aprender face a ardis do marketing que apenas procuram a conquista de mercados consumistas.
Tem que haver a sensibilidade necessária para se ver que com estas práticas alimentares se está a comprometer o futuro de milhões de pessoas, com ou sem recursos, que não olham a modas quando se trata da hora de confortar o estômago.
Jornal de Angola, 26 de Julho, 2013
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Organização Mundial de Saúde
27 de julho de 2013
Maputo: Primeiras damas africanas solidárias
Primeiras damas de África acompanhadas pela primeira dama de Moçambique, Maria da Luz Ghuebuza, visitam o Hospital Geral da Polana Canico, no âmbito da 7ª Conferência Sobre o Cancro da Mama, do Colo do Útero e da Próstata em África.
Sapo MZ
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Disponíveis fundos para novo centro de saúde da Ilha de Moçambique
O Ministério mocambicano da Saúde (MISAU) já dispõe de um fundo destinado a financiar as obras de construção de um novo centro de saúde na parte insular da Ilha de Moçambique, que além de aumentar a capacidade de resposta dos serviços sanitários vai minorar o sofrimento que os residentes do território ainda enfrentam.
Sem quantificar o montante do pacote financeiro, a vice-Ministra da Saúde, Nazira Abdula, que revelou esta informação no final da visita, hoje, do Primeiro Ministro, Alberto Vaquina, ao centro de saúde da Ilha de Moçambique, segundo dia de trabalho na província de Nampula, Norte do país, disse que o montante contempla um hospital na parte continental do distrito.
Abdula disse que o fundo para o efeito já foi identificado estando a decorrer consultas visando delinear todos os aspectos que antecedem o arranque das obras que, na expectativa do MISAU, deverão estar concluídas num prazo máximo de dois anos.
“O plano do Ministério da Saúde é lançar a primeira pedra ainda este ano e, nos próximos dois anos, ter as duas unidades prontas, para melhor responder as necessidades dos residentes que procuram pelos cuidados médicos”, disse a fonte.
A parte insular da Ilha de Moçambique, com um universo de 14 mil habitantes, depende de um centro de saúde que oferece serviços de consultas externas, laboratório, internamento, estomatologia, raio x e serviços materno infantil (SMI).
No entanto, o centro funciona num edifício completamente decrépito aliás, basta afirmar que foi construído no ano de 1877 do século XIX (na imagem), e apesar do seu valor histórico por constituir a mais antiga unidade sanitária do país, quando Moçambique era ainda província da colónia portuguesa, o ideal é, na óptica de Abdula, construir um novo edifício.
A Ilha de Moçambique foi, durante 80 anos (1818/98 do século XIX), a capital de Moçambique e no último ano das oito décadas a mesma foi transferida para Lourenço Marques, actual cidade de Maputo, onde ela permanece até então.
Além dos actuais serviços, o novo centro de saúde, na parte insular, deverá dispor também de uma maior capacidade de internamento de doentes e o hospital, na parte continental, dum bloco operatório, para uma melhor resposta a elevada demanda de cuidados médicos.
Os residentes da ilha há bastante tempo pedem a expansão da rede sanitária, para garantir que os moradores divididos em oito bairros possam reduzir as distâncias que percorrem à única unidade ali existente, assim como a prestação de cuidados até aqui não existentes, situação que os obriga a se deslocarem a parte continental.
O outro constrangimento que os residentes da ilha gostariam de ver ultrapassado tem a ver com a fraca disponibilidade de medicamentos na farmácia do centro de saúde, situação que é um verdadeiro sufoco para as famílias maioritariamente de baixa renda e, por conseguinte, com dificuldades de custear a compra a preço alto noutros locais.
(RM/AIM), 27 de Julho de 2013
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Moçambique - Geografia e Natureza
A dissimulação (Pedro Silva Pereira)
Paulo Portas decidiu-se: escolheu dissimular. Assim sendo, o anunciado “segundo ciclo” de governação da direita será, assumidamente, o ciclo da dissimulação. E o espectáculo já começou.
No mesmo comunicado em que, por razões de alegada "consciência", anunciou a sua famosa demissão "irrevogável", Paulo Portas antecipou, com impressionante franqueza, o que significaria continuar no Governo. Explicou ele, preto no branco: "ficar no Governo seria um acto de dissimulação". É sabido que depois, pensando melhor entre a demissão e a dissimulação, Portas decidiu-se: escolheu dissimular. Assim sendo, o anunciado "segundo ciclo" de governação da direita será, assumidamente, o ciclo da dissimulação. E o espectáculo já começou.
Como explica o Dicionário da Porto Editora, "dissimulação" é o "acto ou efeito de dissimular; fingimento, disfarce; ocultação". E "dissimular" é "fingir" ou "fazer parecer diferente". A propaganda ostensiva dos últimos dias prova que o desafio assumido por este Governo remodelado é esse mesmo: fazer parecer que é o que não é.
O primeiro fingimento, demasiado grosseiro para passar despercebido, consiste na tentativa de fazer passar este Governo remodelado por um "novo Governo". A intenção é óbvia: fugir às responsabilidades pelos resultados desastrosos dos últimos dois anos - como se estes devessem ser facturados não ao Governo de Passos Coelho e Paulo Portas mas a essa outra entidade, entretanto desaparecida: o "Governo do primeiro ciclo". Mas não há disfarce que resista:
o Governo que Gaspar reconheceu falhado e desacreditado, e que o País viu dividido e desautorizado, é este mesmo Governo que Passos Coelho e Portas conduziram até aqui, com 127% de dívida pública, 10,6% de défice, 4% de recessão e quase 18% de desemprego. Nenhuma renovação de caras, nenhuma revisão orgânica, nenhuma redistribuição de poder poderá apagar estes dois anos de falhanço, desastre económico e tragédia social.
O segundo fingimento não é menor do que o primeiro e diz respeito à própria ideia de um "novo ciclo". É aí que Paulo Portas terá de jogar o melhor das suas habilidades na arte da dissimulação para cumprir uma estratégia de absoluta duplicidade: garantir continuidade à ‘troika' ao mesmo tempo que se promete mudança aos portugueses. É certo, a escolha do discurso e dos protagonistas pode ajudar. Mas não é tudo. Há-de chegar o momento da verdade, sem lugar para mais fingimentos nem disfarces: o Orçamento para 2014 e o corte de 4.700 milhões de euros. O novo ciclo confirmar-se-á, então, como um segundo ciclo de austeridade, com mais cortes nas pensões e nos salários. Com mais despedimentos na função pública e com mais desemprego. Nesse dia, cairá a máscara.
Ao fim de dois anos de reconhecido falhanço e três semanas de crise política, o Governo, a mando do Presidente da República, propõe-se perguntar ao Parlamento se é digno de confiança. Mas, verdadeiramente, não é sobre isso que o Parlamento lhe vai responder. O que vai ser votado é o juramento de fidelidade do CDS a um Governo que queimou, uma a uma, todas as bandeiras políticas que fizeram a identidade do CDS - dos contribuintes, aos pensionistas. E que, com maior ou menor dissimulação, vai continuar a fazê-lo. Ficaremos então a saber o que já se suspeitava: a identidade do CDS é revogável.
Económico, 26 de Julho de 2013
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O click do crescimento
Agora que anda tanta gente a dizer que vem aí a fase do crescimento será bom recordar que é ao Gaspar que se deve o anúncio desta estação primaveril tantas vezes anunciada. Atrapalhado com os sucessivos erros de previsão e com a economia em colapso o ex-ministro anunciou a fase do crescimento ao mesmo tempo que preparava a duplicação da dose da austeridade.
Desde então o governo não se cansa de anunciar a mudança para a estação do crescimento, chegou mesmo a divulgar um vasto programa e o malogrado sôr Álvaro inventou mesmo a tese da reindustrialização da Europa, chegou mesmo a envolver um condescendente e paciente governo francês nesta palermice digna de uns bitaites de um intervalo entre a bica e o bagaço.
Ao que parece as economias entram em recessão por decisão governamental como se fosse uma dieta para combater uma troika formada pelo colesterol, diabetes e hipertensão e quando estão magrinhas e elegantes o governo decide que está na hora de voltar a crescer, mas desta vez em vez de crescer à base de celulite despesista, deverá fazê-lo com músculo, um crescimento saud´vel a que designam sustentado, deve ser por ser sustentado por tanta miséria...
Parece que estamos naquela fase em que podemos voltar a ganhar volume, ainda que a dieta continue a ser rigorosa, tão rigorosa que vamos ficar com pele e osso. Mas mesmo assim a direita anima a vítima prometendo-lhe a fartura. Este governo lembra-me a anedota do amigo que na hora do jantar metia um filho ao colo e ia-lhe falando as melhores iguarias até que, deliciado com tanta fartura, o puto acabava por adormecer. Cada vez que um adormecia gritava para a mulher “ó Maria, traz outro que este já jantou!”.
Estes senhores querem convencer-nos que depois de terem destruído uma boa parte do tecido económico, depois de terem falado mal de Portugal e dos Portugueses em todo o mundo, depois de terem atirado o país para uma profunda crise social, depois de terem promovido a fuga de capitais, os consumidores desatam a consumir r os investidores fazem fila nas fronteiras. Para isso basta nomear para a Economia um rapaz simpático com o MB e promover o Porta a primeiro-ministro em exercício.
Estes palermas estão esquecidos do tempo em que Durão Barroso aumentava o défice de forma exponencial prometia linhas de TGV em barda, divulgava mega orçamentos para a investigação em reuniões extraordinárias realizadas em Óbidos e todos os dias via sinais de retoma. Tudo servia de sinal de retoma, desde as cotações da bolsa às previsões meteorológicas. A direita portuguesa sempre teve um grande jeito para promover o desenvolvimento económico.
Cavaco gastou milhões e deixou a economia em recessão, Durão deixou um défice digno de uma república das bananas e fugiu de Portugal com o país em recessão. Vai ser o grandioso Passos Coelho que sabe tanto de economia como eu de lagares de azeite que sem investir um tostão, com os bancos à rasca, os investidores e os consumidores assustados e com mais um programa de austeridade brutal vai conseguir o crescimento.
Esta tese de que se decide o crescimento económico com um click só pode ser gozo, estão gozando com Portugal e com os portugueses.
O Jumento, 27 de Julho de 2013
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Incompetência e corrupção (Abílio Lopes)
Devido à corrupção e incompetência, este País está como está. O desemprego é o maior flagelo. E é arrepiante ouvir os comentadores televisivos dizerem que tem de se cortar nas reformas e salários! Veja-se o que aconteceu no BPN e o que se passa nas empresas públicas. Porque é que estes senhores não apontam para aí as suas baterias?
Correio da Manhã, 26 de Julho de 2013
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Duas cervejas que contam a história de Moçambique (Cláudia Faria)
"Contra factos não há argumentos e um facto dentro de um copo é Laurentina.
Laurentina a grande cerveja para grandes sedes" (Autor: Mozindico - MOZ)
A Laurentina dispensa apresentações, a 2M é hoje a mais vendida. Estas duas cervejas, criadas na época colonial portuguesa, contam a história de Moçambique nos últimos oitenta anos. E rimam com calor.
Sentado na esplanada do restaurante Piri-Piri, em Maputo, Manuel Teixeira recorda o tempo em que pedia uma cerveja Laurentina ou uma 2M e os empregados lhe traziam um prato de camarões para acompanhar. «Eram os nossos tremoços», diz. Foi há mais de 35 anos e a cidade, então chamada Lourenço Marques, era a capital da província ultramarina de Moçambique.
O empresário português, que ao longo das últimas décadas viajou para o país regularmente, foi testemunha da prosperidade da época colonial, da miséria dos anos da guerra civil (Moçambique chegou a ser o país mais pobre do mundo) e do renascimento da última década em que os índices de crescimento atingem os sete por cento ao ano.
Mesmo assim, Manuel Teixeira não conseguiu evitar o choque quando regressou a Maputo em 1986, 11 anos após a independência de Moçambique. «Já não havia camarão para comer, quanto mais para petiscar. Foi todo levado para a China e para a Rússia em meganavios que aspiravam o fundo do mar sem critério. Por cá só se comia peixe frito, normalmente carapau, que os russos mandavam congelado como contrapartida pelo peixe e pelo camarão que levavam.» O acompanhamento era, normalmente, repolho e, com alguma sorte, arroz. Cerveja e outras bebidas alcoólicas eram um luxo ainda mais difícil de arranjar. «Só com cunha e, mesmo assim, era preciso enfrentar filas de várias horas. Estava tudo racionado», conta o português de 62 anos.
José Moreira, administrador das Cervejas de Moçambique, proprietária das marcas Laurentina e 2M, admite que nessa época era impossível abastecer eficazmente o mercado. «Tínhamos grandes dificuldades de produção. Faltava dinheiro para a matéria-prima e para substituir as peças que se iam avariando. No máximo, conseguíamos enviar dois ou três barris por semana para cada restaurante, o equivalente a sessenta-noventa litros. Mal chegava para um dia.»
João dos Santos, publicitário e responsável pela imagem destas duas marcas de cerveja, confirma: «Nos restaurantes estava estabelecido que só se podia vender uma cerveja por refeição. Quem queria beber mais, ia pedindo mais pratos de comida que se iam amontoando nas mesas, completamente cheios, ao lado das garrafas de cerveja vazias.»
A história das cervejas Laurentina e 2M começou, no entanto, muito antes destas convulsões. No início do século xx, um imigrante grego chamado Cretikos, que percorria os bairros ricos de Lourenço Marques a vender água fresca de porta em porta, apercebeu-se de que não existia gelo para conservar o peixe que todos os dias era descarregado nas docas da cidade. Foi assim que, em 1916, Cretikos abriu a primeira fábrica de gelo e de água mineral de Moçambique, mesmo em frente ao porto de pesca. Chamava-se Victoria Ice and Water Factory e foi um êxito imediato. Em poucos anos, começou também a produzir refrescos e a sonhar com a primeira marca de cerveja feita em Moçambique. Aconteceu em 1932, quando o grego viajou até à Alemanha para contratar um mestre cervejeiro que desenvolveu uma receita de cerveja de estilo europeu a que Cretikos chamou Laurentina, em homenagem aos naturais de Lourenço Marques - laurentinos.
A receita desta cerveja permanece secreta, mas sabe-se que uma parte do seu sucesso resulta da mistura de três maltes e de uma dupla filtragem a frio que lhe confere estabilidade. A Laurentina é até hoje a mais premiada de todas as cervejas de Moçambique. E as suas variantes clara, preta e Premium já lhe valeram diversos prémios internacionais, entre eles a medalha de ouro Monde Selection, na Bélgica.
No entanto, se costuma comprar cerveja Laurentina em Portugal, saiba que a verdadeira, produzida a partir da receita original de Cretikos, só está à venda em Moçambique, na África do Sul e em algumas lojas especializadas do Reino Unido. «A que aparece nos supermercados portugueses é uma imitação registada na Alemanha depois do 25 de Abril por um português que viveu em Moçambique no tempo colonial», esclarece o responsável de imagem da Laurentina, João dos Santos.
Depois de 36 anos a trabalhar diariamente com estas cervejas, o administrador José Moreira conhece bem estas e outras histórias. Abandonou o sonho de estudar Medicina para começar a trabalhar nas Cervejas de Moçambique assim que terminou o 12.º ano, pouco antes da independência do país. Acabaria por ir para a universidade mais tarde, mas para estudar Economia. «De um momento para o outro a fábrica perdeu mais de metade dos quadros, entre eles todos os técnicos qualificados que [em consequência da descolonização] partiram repentinamente para Portugal, para o Brasil e para a África do Sul», conta. «Por causa disso, o presidente Samora Machel [primeiro presidente de Moçambique, morto em 1986] decidiu que todas as pessoas que já tivessem concluído o ensino secundário tinham de começar a trabalhar nas áreas mais urgentes para manter o país a funcionar», esclarece José Moreira, 56 anos, que trabalha até hoje na fábrica da cerveja 2M, abreviatura de Mac-Mahon, uma marca quase tão icónica como a Laurentina, criada durante o período colonial português, em 1962. O nome desta cerveja é, aliás, uma homenagem ao antigo presidente francês Marie Edmé Patrice Maurice, conde de Mac-Mahon, que, em 1875, decidiu a favor de Portugal numa disputa com a Grã-Bretanha sobre qual dos dois países deveria ficar com a posse do Sul de Moçambique.
Ao contrário da Laurentina, conhecida por ser a cerveja das elites, a 2M - atualmente a cerveja mais consumida no país - afirmou-se, sobretudo, entre a classe mais pobre, chegando a ser vendida sem rótulo durante os anos da guerra civil, de 1976 a 1992. «Naquele tempo, só era possível reconhecer uma 2M pelo símbolo estampado na carica», conta João dos Santos, autor da primeira grande campanha de publicidade da marca, uma das principais responsáveis pelo êxito atual da 2M.
José Moreira lembra-se bem desta fase e diz que os rótulos eram o de menos. «As máquinas que usávamos na fábrica estavam completamente obsoletas. Trabalhávamos dois dias, parávamos uma semana», conta. Um dos episódios mais marcantes deste período foi a avaria irreversível da máquina pasteurizadora que fez descer o prazo de validade das cervejas de três meses para uma semana. «Após cinco dias, começavam a aparecer sedimentos dentro da garrafa e a cerveja começava a apodrecer.»
O administrador conta que, durante esses anos, a maior parte da cerveja vendida em Moçambique era imprópria para consumo. «O transporte para fora de Maputo era feito por barco. Só para chegar ao porto de Nacala, no Norte do país, demorava vinte dias - quando lá chegava já estava completamente fora do prazo. E dali ainda tinha de ser descarregada e distribuída até aos pontos mais remotos. Quando chegava ao consumidor já tinha pelo menos 45 dias.» No entanto, garante, nunca ninguém ficou doente nem apresentou qualquer queixa sobre a qualidade da cerveja.
O presidente Samora Machel conhecia bem as dificuldades de José Moreira. Costumava fazer inspeções à fábrica pessoalmente. Estas vistorias de surpresa, conhecidas como visitas-relâmpago, mantinham as empresas moçambicanas em sobressalto. «Uma vez apareceu cá à uma da manhã e encontrou a maior parte do pessoal a dormir, muitos homens bêbedos, de barba por fazer, descalços.» Foram despedidos.
José Moreira assistiu de perto à glória, à decadência e ao renascimento da Laurentina e da 2M e diz que as duas cervejas são também um reflexo da história recente de Moçambique. A empresa, que começou por ser privada, sofreu uma intervenção do governo de Samora Machel após a independência de Moçambique, em 25 de junho de 1975, e foi privatizada de novo já nos anos 1990 quando a multinacional Castel, proprietária da famosa cerveja Cuca, de Angola, comprou a Laurentina. Em 2002, a marca foi vendida, por fim, à multinacional sul-africana SABMiller, que comprou também a 2M e a cerveja Manica, muito popular na região centro/norte de Moçambique.
A primeira cerveja de mandioca do mundo
Neste mês, a empresa Cervejas de Moçambique, dona das marcas Laurentina e 2M, anunciou a criação da primeira cerveja de mandioca do mundo. Chama-se Impala e, de acordo com José Moreira, administrador da empresa, tem um sabor parecido ao das cervejas de malte, mas um preço mais baixo. Foi desenvolvida com um duplo objetivo: para ser consumida pelas camadas mais pobres da população, que se alimentam sobretudo desta raiz, e para ajudar os pequenos agricultores do Norte de Moçambique a escoarem os excedentes de mandioca que ficavam a apodrecer nos campos.
Neste mês, a empresa Cervejas de Moçambique, dona das marcas Laurentina e 2M, anunciou a criação da primeira cerveja de mandioca do mundo. Chama-se Impala e, de acordo com José Moreira, administrador da empresa, tem um sabor parecido ao das cervejas de malte, mas um preço mais baixo. Foi desenvolvida com um duplo objetivo: para ser consumida pelas camadas mais pobres da população, que se alimentam sobretudo desta raiz, e para ajudar os pequenos agricultores do Norte de Moçambique a escoarem os excedentes de mandioca que ficavam a apodrecer nos campos.
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21 de julho de 2013
Maus resultados a Português (Celso Neto)
Com o objetivo de destruir tudo o que seja bem público, Nuno Crato está muito animado com as besteiras que tem feito! Nos exames de Português do 9º ano tivemos o pior resultado de sempre! Tal significa que os jovens escrevem pior, leem e interpretam pior, compreendem menos, etc., etc., isto é, estão menos aptos para entrentar o futuro.
Correio de Manhã, 20 de Julho de 2013
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17 de julho de 2013
Mais olhos do que barriga
Há muitos anos que a nossa direita vê no Estado a nova fonte de financiamento para mais uma década de corrupção e de subsidiodependência, há muito que ideólogos da direita como Miguel Cadilhe (o tal que dizia que resolvia os problemas do BPN com 400 milhões de euros) até dizem que o número de funcionários a despedir é de 150.00o, só não esclarecem se o faroleiros das Berlengas está incluído.
Recorde-se que o primeiro governo a organizar despedimentos em massa no Estado foi o de Cavaco Silva, chegaram a ser feitas listas de disponíveis (foi o termo usado na época), mas o habitual oportunismo eleitoral da personagem levou a que o assunto fosse esquecido. Mas o destino tem destas coisas e como a personagem tem agora o estatuto de rata velha descobriu uma solução, Passos Coelho designou o despedimento em massa por requalificação, Cavaco prefere chamar-lhe plataforma de salvação nacional e disfarça-lo com o pós-parto a que ele chama pós-troika.
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16 de julho de 2013
15 de julho de 2013
Magistratura de vingança (Nuno Saraiva)
«Ninguém terá dúvidas - à exceção, porventura, do primeiro-ministro - de que o Governo é incompetente e irresponsável, e que está condenado, desacreditado, ferido de legitimidade - não formal, mas democrática. Como dizia Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo, "está morto, só falta enterrá-lo". Por mais que Passos Coelho negue, a situação política em Portugal já está apodrecida.
E as últimas duas semanas deram um forte contributo para que assim seja. Primeiro a humilhação pública a que foi sujeito o Presidente da República com a notícia da demissão "irrevogável" de Paulo Portas, uma hora antes da insólita tomada de posse de Maria Luís Albuquerque como ministra das Finanças. Depois a pressão inaceitável sobre Cavaco Silva que significou o ato público de refundação da coligação, com o anúncio da promoção de Paulo Portas a vice-primeiro-ministro, no momento preciso em que o Presidente estava ainda em fase de avaliação e decisão. Isto para não falar das birras de uns ou das cartas públicas de outros a apoucar ex-colegas de governo, que são apenas mais um exemplo do estado de crise política em que vivemos, desde setembro do ano passado, e do irregular funcionamento das instituições.
Mas o que estes dias também trouxeram ao de cima, sem prejuízo dos factos aqui descritos, foi, mais uma vez, a verdadeira natureza do político profissional Cavaco Silva: vingativo e egocêntrico.
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O problema
Há quem veja em Cavaco um presidente e até votaram nele duas vezes, talvez seja da minha vista mas eu vejo nele um político sem dimensão, mesquinho, manhoso na forma como se relaciona com o país, mais preocupado consigo e com o seu partido do que com o país que o elegeu e que reage mais em função dos seus ódios do que do interesse nacional.
Há quem veja na decisão de não dizer nem sim nem não à remodelação que lhe foi apresentada pela coligação, mas eu vejo nessa decisão de Cavaco uma pequena vingança contra Paulo Portas, um político que ao lado de Mário Soares e José Sócrates está no pódio dos maiores ódios do cavaquismo. Cavaco Silva não molestou nem o PSD, nem o CDS, nem a coligação, limitou-se a impedir a ascensão de Paulo Portas, impediu ao líder do CDS de ficar com os frutos da chantagem que fez sobre Passos Coelho.
Há quem veja nesta proposta de compromisso uma tentativa de salvar o país, mas por mais que me esforce não vejo no gesto de Cavaco Silva qualquer preocupação com o país, o que vejo é Cavaco chamar a si a capacidade de salvar uma coligação abalada com o atestado de incompetência de Passos Coelho passado por Vítor Gaspar na sua carta de demissão. O que vejo é Cavaco Silva tentando salvar uma política de austeridade brutal já assumida perante a troika e inviável em termos constitucionais, o que vejo é um velho manhoso fazendo chantagem sobre o PS para que em vez de qualquer consenso force este partido a votar favoravelmente uma revisão constitucional de facto.
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