25 de outubro de 2013

Quando Mário Soares Defendia o Plano do FMI



Em Agosto de 1983, o Governo do Bloco Central PS-PSD, assinou um memorando de entendimento com o Fundo Monetário Internacional. Os impostos subiram, os preços dispararam, a moeda desvalorizou, o crédito acabou, o desemprego e os salários em atraso tornaram-se numa chaga social e havia bolsas de fome por todo o país. O primeiro-ministro era Mário Soares. Veja como o homem que hoje quer rasgar o acordo com a troika defendia os sacrifícios pedidos aos portugueses:

“Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto”. - DN, 27 de Maio de 1984
“Não se fazem omeletas sem ovos. Evidentemente teremos de partir alguns”. - DN, 01 de Maio de 1984

“Quem vê, do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este governo.” - JN, 28 de Abril de 1984

“Quando nos reunimos com os macroeconomistas, todos reconhecem com gradações subtis ou simples nuances que a política que está a ser seguida é a necessária para Portugal”. - Idem
“Fomos obrigados a fazer, sem contemplações, o diagnóstico dos nossos males colectivos e a indicar a terapêutica possível”. - RTP, 1 de Junho de 1984, Idem, ibidem

“A terapêutica de choque não é diferente, aliás, da que estão a aplicar outros países da Europa bem mais ricos do que nós”. - RTP, 1 de Junho de 1984

“Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”. - Idem

“O importante é saber se invertemos ou não a corrida para o abismo em que nos instalámos irresponsavelmente”. - Idem, ibidem

“[O desemprego e os salário em atraso], isso é uma questão das empresas e não do Estado. Isso é uma questão que faz parte do livre jogo das empresas e dos trabalhadores (...). O Estado só deve garantir o subsídio de desemprego”. - JN, 28 de Abril de 1984

“O que sucede é que uma empresa quando entra em falência... deve pura e simplesmente falir. (...) Só uma concepção estatal e colectivista da sociedade é que atribui ao Estado essa responsabilidade." - Idem

“Anunciámos medidas de rigor e dissemos em que consistia a política de austeridade, dura mas necessária, para readquirirmos o controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos ao abrigo de humilhantes dependências exteriores, sem que o pais caminharia, necessariamente para a bancarrota e o desastre”. - RTP, 1 de Junho de 1984

“Pedi que com imaginação e capacidade criadora o Ministério das Finanças criasse um novo tipo de receitas, daí surgiram estes novos impostos”. - 1ª Página, 6 de Dezembro de 1983

“Posso garantir que não irá faltar aos portugueses nem trabalho nem salários”. - DN, 19 de Fevereiro de 1984

“A CGTP concentra-se em reivindicações políticas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar”. - RTP, 1 de Junho de 1984

“A imprensa portuguesa ainda não se habituou suficientemente à democracia e é completamente irresponsável. Ela dá uma imagem completamente falsa.” - Der Spiegel, 21 de Abril de 1984

“Basta circular pelo País e atentar nas inscrições nas paredes. Uma verdadeira agressão quotidiana que é intolerável que não seja punida na lei. Sê-lo-á”. - RTP, 31 de Maio de 1984

“A Associação 25 de Abril é qualquer coisa que não devia ser permitida a militares em serviço”. - La Republica, 28 de Abril de 1984

“As finanças públicas são como uma manta que, puxada para a cabeça deixa os pés de fora e, puxada para os pés deixa a cabeça descoberta”. - Correio da Manhã, 29 de Outubro de 1984

“Não foi, de facto, com alegria no coração que aceitei ser primeiro-ministro. Não é agradável para a imagem de um politico sê-lo nas condições actuais”. - JN, 28 de Abril de 1984

“Temos pronta a Lei das Rendas, já depois de submetida a discussão pública, devidamente corrigida”. - RTP, 1 de Junho de 1984

“Dentro de seis meses o país vai considerar-me um herói”. - 6 de Junho de 1984

Recebido por email

Mário Soares desejou que os Portugueses do Ultramar fossem atirados aos Tubarões



Porém na memória de muitas pessoas, ainda vivas, o mal que lhes causou com a tal descolonização exemplar. Mário Soares e a "canalha" do Partido Socialista (que sempre lhe haja prestado vassalagem) contribuíram para o estado caótico em que Portugal se encontra.  

Ele o Mário Soares tomou Portugal como se a ele lhe pertencesse. É um "artista" de golpes que enriqueceu à conta de nós todos, portugueses, os contribuintes.

O destino encarregou-se, agora um velho inútil, de o julgar e prestar-lhe a justiça que merece.  

Os livros que foi escrevendo ao longo de seu percurso político, jamais servirão para se limpar das "cavaladas" que a história já o julgou, ainda vivo, como um traidor à Pátria e igual a outros envolvidos na fragmentação do espaço lusófono e a desgraça de centenas de milhares de seres humanos que de um momento para outro se viram desalojados da terra aonde, muitos, nascidos.

A descolonização a tal exemplar é a ovelha ranhosa da história de Portugal depois de 1500 e de quando se deu a era da expansão de Portugal no Mundo e a união de outros povos com a Europa.

Recbido por email

A DESCOLONIZAÇÃO PORTUGUESA CONTADA POR MÁRIO SOARES


 
A DESCOLONIZAÇÃO PORTUGUESA CONTADA POR MÁRIO SOARES

Ministro dos Negócios Estrangeiros logo após o 25 de Abril de 1974 (I, II e III Governos Provisórios), Mário Soares, em entrevista com Dominique Pouchin, apresenta a sua versão sobre o processo de descolonização.

Na medida em que nele foi parte activa, editamos aqui o que faz registar sobre o assunto.

Referência bibliográfica:

Mário Soares. Memória viva. Entrevista com Dominique Pouchin. Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições, 2003 (Biblioteca "Primeiras Pessoas"- vol. I).

A DESCOLONIZAÇÃO PORTUGUESA

- A revolução nascera das guerras coloniais, e a primeira das urgências era pôr fim a essas guerras. Nessa altura o senhor começa a negociar com cada um dos movimentos nacionalistas. Começou, de certa forma, pelo mais fácil, pela Guiné, a seguir trabalhou em relação a Moçambique, e finalmente Angola. Como se passaram as coisas com os Guineenses?

É preciso começar por dizer que não existia uma visão política homogénea no seio do governo provisório. Na ausência de coordenação, cada um fazia mais ou menos aquilo que entendia. Quando aceitei a pasta dos Negócios Estrangeiros, tinha uma ideia para levar a bom termo a descolonização. Pretendia fazer assinar rapidamente um cessar-fogo nos territórios em guerra, para acabar com ela localmente. Mas tinha de respeitar o presidente Spínola, o qual possuía os seus próprios pontos de vista nessa matéria.

Ele desejava a constituição de um processo sob controlo armado, para chegar a uma espécie de "Commonwealth portuguesa". Numa altura em que a opinião pública apelava à manifestação nas ruas a favor das independências, da fraternidade e da paz, isso era claramente impossível.

A população reclamava o regresso dos seus soldados ao País. As tropas portuguesas estacionadas no Ultramar começavam, também elas, a confraternizar com os nacionalistas. A política de Spínola era, por conseguinte, irrealista.
Do lado oposto, havia a visão do Partido Comunista. Convém lembrar que, naquela época, nos aproximávamos do período da máxima expansão da União Soviética no Mundo. Os comunistas portugueses desejavam fazer entrar as antigas colónias portuguesas na esfera de influência soviética, uma vez que elas albergavam no seu seio movimentos de tendência comunista. Estávamos então em 1974.

Finalmente, uma terceira tendência era a que preconizava Melo Antunes, um tenente-coronel do Exército português e ao mesmo tempo um intelectual, que me sucedeu no ministério dos Negócios Estrangeiros. A sua ideia de descolonização negociada estava mais próxima da minha, sem ser exactamente a mesma. Ele era muito "terceiro-mundista". Então cada um começou a trabalhar para seu lado.

Encontrei-me com Agostinho Neto, dirigente do Movimento Popular de Libertação de Angola, no dia 2 de Maio de 1974, em Bruxelas, mas dois dias mais tarde, Spínola enviava um embaixador (...), para se encontrar com ele na Suiça. Quanto aos comunistas, esses avançavam com os seus negócios através de Moscovo.

Os dirigentes africanos compreenderam então que cada um de nós conduzia uma política própria, o que lhes abria possibilidades de negociação. Naquela altura, enquanto ministro, estabeleci os primeiros contactos com Aristides Pereira, o dirigente guineense que encontrara em Dakar, no Senegal, com quem consegui negociar um cessar-fogo.

No próprio dia do cessar-fogo a guerra estava terminada na Guiné, sem nada acordar em troca. Isso para nós foi um importante sucesso. Relativamente à minha proposta, a seguir encontrámo-nos em Londres, para pôr a funcionar as modalidades da transição do poder, porque naquela altura ainda não se falava de independência.

Mas, no momento em que chegámos a Londres, fomos informados das ordens estritas de Spínola, que não queria conceder a autodeterminação.

Ora ao proibir ao PAIGC que se exprimisse, não era possível manter o cessar-fogo. O ministro dos Territórios das antigas colónias, o meu amigo António de Almeida Santos, e eu estávamos francamente embaraçados, pois não dispúnhamos das menores condições para uma verdadeira negociação.

A seguir, estabeleci contactos com os Angolanos, eles próprios divididos em três movimentos nacionalistas diferentes. Precisávamos de negociar com os três, o MPLA pró-soviético, a UNITA de Jonas Savimbi, que naquela época estava muito próxima dos Chineses e a FNLA, o movimento de Holden Roberto, próximo do Congo e dos Americanos.

O xadrez tornou-se ainda mais complexo, quando foi igualmente necessário levar em conta Moçambique. Encontrei-me então com Samora Machel, presidente da FRELIMO, o movimento da independência, o qual veio a ser Presidente do seu país em 1975. Isso aconteceu na Zâmbia. (...). Encetámos então as negociações.

Mas estas vieram a verificar-se mais difíceis, porque Chissano, o número dois de Samora, e actual Presidente, avisara-nos que o cessar-fogo só seria respeitado uma vez obtidas as garantias solenes da nossa parte quanto ao reconhecimento da FRELIMO como representante legítimo do povo Moçambicano.

Houve um acordo verbal, abraços e novos aplausos, mas quando nos sentámos à mesa das negociações, eles recusaram-se a assinar. E os Guineenses regressaram com a mesma disposição.

- Portanto, a FRELIMO por um lado, o PAIGC por outro, tal como Angola, exigiam que Portugal os reconhecesse como representantes dos seus povos antes de qualquer cessar-fogo.

E isso, no preciso momento em que o cessar-fogo entrava espontaneamente em aplicação no terreno. (...)

- O caso mais difícil continua a ser, mesmo assim, o de Angola.

Angola foi sem dúvida o caso mais complexo, em virtude da realidade dos movimentos pró-independentistas. As outras colónias ainda não pensavam na descolonização. Nem Cabo Verde, nem São Tomé, nem Timor estavam em guerra, e os Indonésios, naquela altura, não queriam ouvir falar de descolonização. (...)

- O senhor assinou os acordos de descolonização em Alvor, no Algarve, em Janeiro de 1975?

Nessa altura, Spínola já estava afastado do poder. O Presidente da República era o general Costa Gomes, e eu ainda era ministro dos Negócios Estrangeiros. Os acordos de Alvor, com os três movimentos angolanos, que estabeleciam a independência de Angola, foram assinados em Janeiro de 1975, por Almeida Santos, Melo Antunes e por mim.

E, pela parte de Angola, por Jonas Savimbi, Agostinho Neto e Holden Roberto, os líderes dos três partidos nacionalistas: UNITA, MPLA, FNLA. Esses acordos de Alvor fixaram as modalidades de independência. O último soldado português deveria abandonar o território angolano antes de 11 de Novembro de 1975.

Em contrapartida, não assinei os acordos com Moçambique, mas apenas assisti, após os acordos, ao acto de independência de Moçambique, no Maputo, assim como também não negociei, uma vez que já não era ministro dos Negócios Estrangeiros, a independência de Cabo Verde e São Tomé. Em Março de 1975, tive de abandonar a minha pasta.

Após o 11 de Março de 1975- data do golpe militar atribuído ao general Spínola, que teve de fugir para o estrangeiro- tornei-me ministro sem pasta... e sem poder. (...)

- Que balanço faz dessa descolonização portuguesa, que representa o último império ocidental?

Com o distanciamento e a perspectiva histórica que hoje possuo, julgo que não havia outro caminho senão conceder a independência às colónias, o que fizemos num tempo recorde. Fomos forçados a isso pela pressão internacional e pelas condições internas portuguesas.

Disse-se, posteriormente, que a descolonização tinha representado um trauma para aqueles que viviam nas colónias. Não nego que alguns dos que acreditaram poder lá ficar tivessem depois tido de fugir e regressar a Portugal, sem trabalho, sem dinheiro, sem casa.

Isso é efectivamente traumatizante, mas todos os processos de descolonização passam por aí. Penso que, apesar de tudo, temos a nosso favor a rapidez com que concluímos o processo, e a generosidade que nos guiou nessa obra de descolonização. Foi isso que nos abriu o caminho do futuro!

- Mas deixaram em Angola uma guerra civil que nunca cessou depois disso.

Não se pode misturar guerra civil com descolonização. Quando a independência foi proclamada unilateralmente pelo MPLA, a UNITA contestou de maneira muito forte, e a isso seguiu-se uma guerra civil que durou até à morte de Savimbi.

Em Moçambique, a guerra civil foi posterior à independência. A FRELIMO era naquela época um partido marxista-leninista, e a guerra só aconteceu depois de ter aparecido um outro partido, a RENAMO, não marxista, apoiado pela África do Sul.

Ao princípio, todos os movimentos nacionalistas africanos de expressão portuguesa estavam próximos da União Soviética e pretendiam construir nos seus países regimes ditos democracias populares, de partido único. Ora isso não era possível em África, nomeadamente por causa do contexto europeu e da guerra fria.

Na perspectiva portuguesa, não poderíamos ter feito outra coisa: o 25 de Abril de 1974 era para nós sinónimo de liberdade, e não podíamos fazer outra coisa a não ser pôr fim às guerras coloniais. As condições sociológicas em que conduzíamos aquelas guerras condicionavam-nos completamente, e era-nos impossível continuar.

Os militares portugueses, cansados de uma guerra colonial sem saída, recusavam-se a combater. Já ninguém acreditava na guerra, e a paz só poderia desembocar num mundo novo e na independência. Por conseguinte, fomos forçados a conceder a independência, de acordo com as Nações Unidas, e fizemos bem.

Salazar e Caetano eram incapazes de dialogar, incapazes de perceber a realidade. Eram autistas, no sentido político do termo, e deixaram a situação apodrecer. Pela nossa parte, conseguimos descolonizar sem demasiados choques, e actualmente temos boas relações com as nossas antigas colónias. (...)

(p. 97-104)

Fonte: Arquivo Pessoal

19 de outubro de 2013

Insulto de Lisboa (Álvaro Domingos)


O Bloco de Esquerda em Portugal beneficia de indulgência e compreensão porque os seus mais importantes dirigentes ainda não sabem como devem apresentar-se ante a sociedade. Prometeram uma prática política diferente, sobretudo ao nível das lideranças. Mas em breve surgiu Francisco Louçã dizendo que o partido era ele, num arremedo de Rei Sol com tiques evidentes de Menino de Deus.

Os outros dirigentes sentados à mesa da liderança comeram e calaram. Mas o desastre eleitoral nas últimas legislativas ditou o afastamento do rei, que uma vez morto foi substituído por Catarina Martins, uma simpática bloquista bojuda, histriónica, politicamente assim-assim e sem a noção do que é ser líder de um partido com representação parlamentar. O cabotinismo é um adorno desaconselhável.

A humilhação que foi infringida ao Bloco de Esquerda pelos eleitores portugueses nas recentes eleições autárquicas deixaram o resto da “mesa” em fanicos e agora é o salve-se quem puder e o último a sair que enterre João Semedo, um verdadeiro erro de casting que merecia melhor sorte, dada a sua inegável qualidade política. Os ratos começaram a abandonar o navio logo no primeiro desaire eleitoral. Um deles assentou praça no “Expresso” e para compor a ração, dispara tiro instintivo contra Angola.
O bufão sobrevive rente ao chão, acotovelando vermes e minhocas, para ter algum espaço que lhe permita apodrecer. Um dos seus últimos bafos é altamente condenável. Chamou mercenários aos portugueses que labutam em Angola. Ainda que o biltre não mereça resposta nem responso, por uma questão de solidariedade temos de reprovar semelhante afronta.

Os portugueses que trabalham em Angola são gente boa e desempenham as suas tarefas com competência e profissionalismo. Estão sempre disponíveis. Respeitam os angolanos e muitos já constituíram cá família. Outros, depois do período de adaptação, trouxeram mulheres e filhos. Regra geral, os portugueses são os mais entusiastas e activos agentes da reconstrução nacional. Não merecem que um bloquista oportunista lhes chame mercenários.

Porque apesar de terem sido acolhidos em Angola fraternalmente, quase todos têm saudades da sua pátria e enviam todos os meses para Portugal as suas poupanças. As remessas dos emigrantes portugueses que trabalham em Angola estão em terceiro lugar, depois da França e da Suiça. Também por isso não merecem que um escriba desalmado lhes chame mercenários.

Mas sobretudo porque o Bloco de Esquerda tem grandes responsabilidades na situação em que Portugal hoje se encontra e que levou centenas de milhares de portugueses a deixaram a sua terra natal, as suas casas, as suas famílias e os seus amigos. A direita deu a Louçã e seus acólitos todo o espaço nas televisões, rádios e jornais. Eram as estrelas da companhia. Como resultado dessa exposição mediática, o Partido Comunista enfraqueceu.

Como a receita funcionou bem, a direita pôs Francisco Louçã e os seus papagaios a atacar o Governo do engenheiro José Sócrates, o melhor que Portugal teve depois do 25 de Abril. Num quadro de gravíssima crise internacional e particularmente na Zona Euro, o Bloco de Esquerda ajudou a direita a derrubar José Sócrates, escancarando as portas à Troika que desde então, confisca tudo quanto é dinheiro aos portugueses que vivem dos seus salários e das suas pensões e reformas.

Chamar mercenários aos portugueses que cá trabalham é uma indignidade revoltante. Se aqueles que são a voz oficial de Pinto Balsemão vivessem em Angola, se vissem os olhares tristes de muitos portugueses que deixaram tudo para trás para poderem sobreviver e manter as suas famílias, não se atreviam a semelhante monstruosidade.

Em Angola não há portugueses mercenários. São todos bons cidadãos, trabalhadores, educados e responsáveis. A direcção do Bloco de Esquerda só tem um caminho: desautorizar imediatamente o farsante que ousou insultar milhares e milhares de portugueses que além de estarem a governar as suas vidas e as dos seus familiares, ainda mandam remessas de dinheiro para que a garotada que tomou de assalto a política portuguesa se divirta à grande e à francesa. Para aqueles que são a voz oficial de Pinto Balsemão não há crise. Nadam todos em dinheiro. Por isso, a infâmia é ainda mais condenável.

Os mercenários portugueses estão todos em Lisboa e os mais desprezíveis pertencem ao império mediático de Pinto Balsemão.

Jornal de Angola, 19 de Outubro de 2013

Amália Rodrigues e António Mourão

António Mourão - Mãe

António Mourão - Meu nome é ninguém

António Mourão - Oh tempo volta p'ra trás

Moçambique, Lourenço Marques, 1970

João Maria Tudela - Kanimambo

Dulce Pontes - Canção do Mar

Carlos Paião - Cinderela

Carlos Paião - Lá Longe Senhora

Moçambique : Praia da Macaneta

 

Fonte: Sapo MZ

Cemitério da cidade do Uíge está transformado num grande matagal (Joaquim Júnior)


 
As campas no cemitério municipal da cidade do Uíge estão cobertas de capim. Os arruamentos estão transformados em matagais e lixeiras. Pessoas e animais invadem o “campo santo” e fazem do espaço uma latrina pública. Os vivos perderam o respeito pelos seus mortos.

É notária a degradação e falta de limpeza no cemitério municipal da cidade do Uíge. Durante o dia é invadido por dezenas de pessoas que vivem nas imediações. Vão buscar água ao chafariz instalado no seu interior e que por milagre ainda funciona. À noite os marginais tomam conta do espaço. Passa a ser um covil de bandidos.


A reportagem do Jornal de Angola encontrou no cemitério pessoas munidas de baldes, bacias e bidões. Abasteciam-se de água no único chafariz das redondezas. Muitos riam e falavam alto. Outros sentavam-se em cima das campas enquanto esperavam a sua vez. As crianças corriam de um lado para o outro em grande algazarra. A água do cemitério serve para tudo, menos para a limpeza e higiene do “campo santo”.

O Cemitério Municipal do Uíge tem milhares de campas. As famílias da cidade têm lá sepultado um ente querido. Mas todos estão mais preocupados com os vivos do que com os mortos. O abandono é chocante. O matagal em que se transformou o cemitério é uma vergonha para aqueles que têm a responsabilidade de zelar pela sua manutenção e limpeza.

“A nossa missão é difícil. Trabalhamos muito e ganhamos mal. Ser coveiro é um grande risco. Trabalhamos aqui desde 2005 em regime de contrato. Os 14.250 kwanzas que recebemos de ordenado não são suficientes para cobrir as nossas necessidades”, disse Eduardo Marques, responsável da brigada de coveiros do cemitério. Ele pede que o trabalho dos coveiros seja dignificado e considerado.

“São oito pessoas que trabalham no Cemitério Municipal do Uíge e enfrentamos muitas dificuldades. A sujidade que o recinto apresenta tem a ver com o facto de sermos poucos e haver muito trabalho para fazer, apesar de os salários não serem compatíveis com o esforço que fazemos”, referiu.

Os trabalhadores fazem o trabalho de acordo com a remuneração: limpam apenas as áreas que mais dão nas vistas, como a entrada do cemitério, deixando centenas de campas cobertas de capim.

Muitas vezes só são limpas pelos familiares no dia dedicado aos defuntos, em Novembro. Costuma dizer-se que pouco dinheiro, pouco trabalho.

Desculpas da Administração

O administrador municipal do Uíge, Altamiro Benjamim, admitiu que o estado actual do cemitério “é preocupante”, mas assegurou que está a fazer esforços com vista a melhorar a situação. “A Administração Municipal não tem verbas suficientes para assumir a recuperação do cemitério”, disse. Mas não explicou o que tem feito para conseguir essas verbas. “Dada a necessidade de dar uma nova imagem ao local, estamos a e seleccionar uma empresa que seja capaz de realizar melhor os trabalhos de manutenção do cemitério”, disse Altamiro Benjamim. Acrescentou que Governo Provincial aposta na recuperação total do cemitério, desde as campas, aos acessos. E também está nos planos do governo do Uíge, pagar melhores salários aos coveiros. Enquanto os “planos” não são executados, o Cemitério Municipal do Uíge está num estado que envergonha tudo e todos.

Desolação do padre

O padre Correia Hilário já celebrou missas fúnebres no Cemitério Municipal do Uíge. Manifestou à nossa reportagem a sua desolação com o estado em que o campo santo se encontra.

O padre Hilário lembrou que o cemitério nunca foi um lugar para comercialização ou diversão. “A nossa tradição reza que depois de assistirmos ao enterro de alguém, no regresso lavamos as mãos. Mas o que estamos a verificar hoje revela na verdade a falta de consciência cívica e moral das pessoas. É importante referir que a cidadania passa também por estas coisas, o respeito pelos lugares que considerados sagrados”, disse.

O sacerdote explicou que “a cruz na Igreja chama a atenção da necessidade do Homem procurar o Senhor enquanto está vivo”.

No cemitério, acrescentou, “a cruz é o sinal de que Jesus morreu para a salvação da humanidade”. E no hospital, “a cruz alerta para uma realidade: a vida pode terminar a qualquer momento”.

O padre Hilário lembrou que “todos somos futuros mortos. E se temos esta consciência, temos de respeitar o lugar onde já repousam os nossos entes queridos. É uma pena ver o cemitério da cidade muito mal conservado. Isso deixa muito a desejar”, afirmou. E mostra incompetência de quem tem a responsabilidade de gerir e assegurar a manutenção do campo santo.

Responsabilidade é de todos

Para o sacerdote, também é preciso educar a população para o respeito pelos lugares sagrados: “essa tarefa não deve ser apenas da responsabilidade da Igreja, mas também das famílias e das autoridades, transmitindo mensagens educativas sobre a necessidade de ser respeitado o cemitério como um lugar sagrado, onde não se pode fazer uso de bebidas alcoólicas, gritarias, ou destruir as campas.

“O cemitério deve ser visto como um lugar de silêncio e os vivos devem cuidar do lugar onde são depositados os restos mortais dos seus entes queridos”, concluiu o padre Correia Hilário.

Jornal de Angola, 16 de Outubro, 2013

18 de outubro de 2013

Príncipe de Angola: "José Eduardo dos Santos não tem carisma"


 
Venâncio Lucungo considera que o governo do seu país está a ser precipitado e a desvalorizar a importância de Portugal.

Venâncio Filipe Ngondo Lucungo, que reclama ser príncipe de Angola, enquanto descendente de uma rainha que morreu há mais de quatro séculos, afirmou esta sexta-feira que está contra o fim da parceria estratégica entre Angola e Portugal e acusou o chefe de Estado angolano de não ter uma “atitude humilde”.

“A cooperação [entre Angola e Portugal] não pode morrer assim. Estamos a prejudicar o futuro dos nossos filhos. Angola não pode pensar que já é uma potência mundial”, disse o príncipe Venâncio ao CM.

As declarações daquele que afirma ser o herdeiro do trono de Angola surgem no seguimento do anúncio feito pelo presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, de terminar as parcerias estratégicas entre Luanda e Lisboa.

O executivo angolano não terá gostado do facto do primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho, ter desvalorizado o pedido de desculpa do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, pelas investigações feitas pela Justiça portuguesa a altos responsáveis angolanos.

Descendente de Ngola Nzinga Mbandi, rainha de Ndongo (Angola), que viveu entre 1581 e 1663, Venâncio Lucungo considera que o governo do seu país está a ser precipitado e a desvalorizar a importância de Portugal. “Não devemos tratar assuntos de Estado apenas com emoção. Angola precisa de Portugal. É um país muito mais avançado que o nosso. Angola precisa de uns 800 anos para chegar ao nível de Portugal, para ter a influência e as ligações que Portugal tem a uma escala mundial”, justificou o príncipe angolano.

Quanto às críticas feitas ao Governo de Passos Coelho e à imprensa nacional nos editoriais do ‘Jornal de Angola’, Venâncio Lucungo afirma que são apenas “encomendas” do regime de Luanda e que o objetivo é “fazer chacota” de Portugal. “Eles acham que vocês [portugueses] precisam de Angola. Eu sinceramente acho que não. É um país muito mais desenvolvido e que tem relações de cooperação muito fortes com outras potências”, disse ao CM.

O príncipe é da opinião que o atual líder angolano tem de ser mais “humilde”. “José Eduardo dos Santos não tem carisma. As suas palavras não têm poder para pôr fim às relações que os nossos antepassados fomentaram. O que falta a Angola é paz e transparência”, garante Venâncio Lucungo.

Esperançado que os dois países voltem a ter uma parceria estratégica forte, o príncipe de Angola pede aos políticos portugueses para terem calma e para não se deixarem “ajoelhar aos pés” da antiga colónia.
Por: Joana Marques Alves

Correio da Manhã, 18 de Outubro de 2013

Portugal agachado (Paulo Pinto Mascarenhas, Jornalista)


Só pede desculpas quem tem culpas no cartório. O pedido de desculpas do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, por causa de investigações judiciais a altas individualidades do poder angolano, abriu as portas à resposta do presidente José Eduardo dos Santos, que ontem ameaçou com o fim da "parceria estratégica" com Portugal.

Nas sempre bravas reações lusas nas redes sociais aos recados diplomáticos do presidente angolano, leu-se de tudo um pouco, do mais rasteiro racismo a acusações de corrupção, passando por mensagens dominadas pelo velho complexo colonial, o fardo do homem branco de Kipling em versão portuguesa.

O mais grave é que muito do que se escreveu no ‘Jornal de Angola’ sobre Portugal corresponde à verdade dos factos. Por exemplo, quando se fala de "elites portuguesas ignorantes e corruptas" ou quando se afirma que o nosso país "não tem moral para dar lições" às suas ex-colónias.

Não tem, de facto. O País do BPN e das negociatas público-privadas não tem autoridade para julgar seja quem for.

Correio da Mnhã, 16 de Outubro de 2013