28 de dezembro de 2013

Pão com badjia




Comece o dia de uma forma diferente. Pão com badjia é gastronomia típica de Moçambique. Com chá, sumo ou "refresco", pão com badjia sabe sempre bem...a nossa maneira.


Fonte: Sapo MZ

Litchi: A Fruta da Época




Litchi é a fruta do momento. Em cada esquina de Maputo encontram-se  vendedoras ambulantes com bacias carregadas desta deliciosa fruta. Com o calor que se faz sentir na capital, esta é uma boa ideia para fazer sumo natural ou salada de fruta.


Fonte: Sapo MZ

Nas Águas do Tempo (Mia Couto)



Meu avô, nesses dias, me levava rio abaixo, enfilado em seu pequeno concho. Ele remava, devagaroso, somente raspando o remo na correnteza. O barquito cabecinhava, onda cá, onda lá, parecendo ir mais sozinho que um tronco desabandonado.

- Mas vocês vão aonde?

Era a aflição de minha mãe. O velho sorria. Os dentes, nele, eram um artigo indefinido. Vovô era dos que se calam por saber e conversam mesmo sem nada falarem..

- Voltamos antes de um agorinha, respondia.

Nem eu sabia o que ele perseguia. Peixe não era. Porque a rede fica amolecendo o assento. Garantido era que, chegada a incerta hora, o dia já crepusculando, ele me segurava a mão e me puxava para a margem. A maneira como me apertava era a de um cego desbengalado. No entanto, era ele quem me conduzia, um passo à frente de mim. Eu me admirava da sua magreza direita, todo ele musculíneo. O avô era um homem em flagrante infância, sempre arrebatado pela novidade de viver.

Entrávamos no barquinho, nossos pões pareciam bater na barriga de um tambor. A canoa solavanqueava, ensonada. Antes de partir, o velho se debruçava sobre um dos lados e recolhia uma aguinha com sua mão em concha. E eu lhe imitava.

- Sempre em favor da água, nunca esqueça!

Era a sua advertência. Tirar água no sentido contrário ao da corrente pode trazer desgraça. Não se pode contrariar os espíritos que fluem.

Fotos da Ilha de Moçambique

A Europa sobre rodas



Fonte: Recebido por email

18 de dezembro de 2013

Moçambique: Banco Nacional Ultramarino da Beira


Desenhado pelo engenheiro José Figueiredo Correia, num gosto «arte deco» tardio, foi inaugurado em 9 de Setembro de 1954.


Fonte: Arquivo Pessoal

Que raio de país é este (José Goulão)


1º de Maio de 1974, momento ímpar de mobilização colectiva de que os portugueses rapidamente desistiram, o dr. Soares fez-se notar por um trabalho oratório, glosando, com toda a razão e propriedade, o mote “Que raio de país era aquele!?” – aludindo ele ao Portugal de Salazar e Caetano, da Pide e dos banqueiros, da guerra e da brutalidade, da miséria e ausência de direitos que, julgavam os presentes e muitos ausentes, acabara de ficar para trás.

Uns lembram-se, outros não, outros ainda fazem por esquecer, mas o facto entrou para a História. Agora acompanhem-me um pouco na evocação de acontecimentos dos últimos dias, escolhidos ao acaso entre outros do mesmo jaez, nesse país chamado Portugal. Dizem as notícias que a PSP, o corpo de polícia que manda os seus agentes comprar as fardas de trabalho e que deve dinheiro a três mil deles, gastou 300 mil euros na compra secreta de instrumentos marítimos e aéreos, entre os quais dois drones (aviões sem piloto), máquinas assassinas que têm feito as delícias do presidente Obama e das autoridades israelitas quando se trata de proceder a execuções extra judiciais de “terroristas” – seja lá o que isso for – através do mundo. Digamos que o drone tem funcionado como um longo braço de foras de lei, definição que assenta que nem uma luva ao caso de Portugal, onde, como têm afirmado as instituições competentes, não há enquadramento legislativo para uso de tais meios – deve ser culpa da Constituição. E tal como a compra foi um acto secreto, também as finalidades reservadas aos engenhos potencialmente letais são apenas do conhecimento das almas do negócio.

E por falar em negócio, recordo que, também segundo as notícias, o signatário da transacção, então comandante da PSP e entretanto demitido por, segundo o governo, não ter estado à altura dos acontecimentos na escadaria da Assembleia da República por ocasião das manifestações de agentes de forças policiais, foi colocado em Paris num cargo milionário que não existia. Falta-nos saber de quem são e em que apertos estarão presos os rabos dos envolvidos nesta criação de uma prateleira dourada na cidade luz para um alto funcionário do Estado demitido por indecente e má figura – foi essa, então, a interpretação governamental.

Dizem ainda as notícias que os quinhões principais dos CTT, essa empresa pública que sabia merecer os esforços dos contribuintes portugueses, ficam nas mãos de duas conhecidas entidades privadas, logo de bem, o Goldman Sachs e o Deutsch Bank. Do Goldman Sachs sabemos que o seu presidente se define como “um banqueiro a fazer o trabalho de Deus”, coisa meritória se partirmos do princípio de que foi abolido – o mais certo é ter sido em segredo - o mandamento “não roubarás”. O mundo vai conhecendo as tropelias de tal instituição e os portugueses também sabem que, além do falecido gestor responsável pelas privatizações, também o secretário de Estado do primeiro-ministro de Portugal tutelando as privatizações e as ligações com a troika foi um alto quadro do Goldman Sachs. Ele há coincidências, é verdade, mas em dois anos o governo português rifou a preço de saldo a EDP, a REN, os aeroportos, os CTT e os Estaleiros de Viana, e o mais que vier a seguir se lhe derem tempo.

Tudo boas áreas de negócio e que por um qualquer desígnio divino, quem sabe se devido à intermediação privilegiada entre o presidente do Goldman Sachs e o Senhor, têm de pertencer ao sector privado – ao mercado, pois, como sinónimo de liberdade e democracia. Quarenta anos depois, e dispensando o labor oratório, basta perguntar exclamando ou exclamar perguntando – que raio de país é este!?

Jornal de Angola, 17 de Dezembro, 2013

17 de dezembro de 2013

A guerra suja do dinheiro (Álvaro Domingos)


O sistema financeiro mata mais que uma guerra de destruição maciça. O fosso entre ricos e pobres é cada vez maior. No meio ficam os guetos. Os muito ricos estão a lançar para os campos de concentração do neo-liberalismo milhões de seres humanos, ultrapassando em desumanidade o regime nazi. Os mercados submetem países que ainda ontem eram potências. Reduziram a França, Espanha e Itália à sua expressão mais ínfima.

Os líderes destes países estão de joelhos ante o capital financeiro que é cego e não vê a pobreza extrema que está a semear no mundo. Não sabe que está na origem de todos os conflitos mais ou menos violentos. Em África há milhares de seres humanos acossados por senhores da guerra, “drones” e bombas da OTAN. Vivem na miserável condição de refugiados em países onde os nacionais também não têm o mínimo para viver. É gasolina atirada para a fogueira.

No Médio Oriente a situação é idêntica. O mundo continua a tolerar que milhões de palestinos nasçam, vivam e morram em campos de refugiados. Na Síria está em palco uma tragédia sem precedentes na História da Humanidade. Grandes potências que mexem os cordelinhos dos “mercados” querem dominar a rota da energia e não hesitam em lançar irmãos contra irmãos. A Al Qaeda é inimiga das potências ocidentais no Afeganistão, no Paquistão ou no Magrebe. Mas é o braço armado dessas potências na Síria. A ONU convive com estas iniquidades políticas sem pestanejar. Ban Ki-moon exige que os responsáveis pelo uso de armas químicas na Síria sejam punidos. Tem que procurar os responsáveis em Riade, Ancara, Paris, Londres ou Washington. Mas nesses santuários da OTAN ninguém se atreve a tocar. E a Arábia Saudita tem tanto petróleo que até pode fazer figura da ditadura mais retrógrada do mundo.

O sistema financeiro está a criar condições para colocar ao seu serviço a Ucrânia. O que se passa naquele país mete pena. A soberania do Estado é posta em causa por governantes estrangeiros que vão conviver com os manifestantes do “Inverno Duro” com que a Alemanha quer derrubar o governo legítimo e o Presidente eleito. A “Primavera Árabe” não foi tão longe. Nenhum membro de governos estrangeiros se atreveu a ir às praças do Cairo apoiar os manifestantes. Em Kiev é o que se vê.

Durão Barroso, em nome da União Europeia, uma espécie de polícia de luxo dos “mercados”, exige que o Governo de Kiev respeite os manifestantes. Reprova à cabeça qualquer intervenção policial. No país dele, em Lisboa, umas dezenas de jovens tentaram subir a escadaria do Parlamento. Foram selvaticamente agredidos pela polícia, que os perseguiu pelas ruas limítrofes. Quanto a isso nada disse. Em Kiev os manifestantes ocuparam sedes de ministérios, vandalizaram equipamentos públicos, mas Durão Barroso diz que se a polícia impuser a ordem, comete um crime.

Um senador americano, John Mcain, foi visitar os manifestantes às praças de Kiev. Como se na Ucrânia não haja soberania e ninguém mande. Aquele país fornece mão-de-obra qualificada mas quase gratuita às grandes fábricas da Alemanha e de outros países europeus.

Um dia destes é apenas uma feitoria. O Presidente da República recusou fazer um contrato de associação com a União Europeia e o poder caiu na rua. Está a ser pressionado para não aceitar o bloco regional que está a criar uma União Aduaneira. Os “mercados” estão sedentos de consumidores e de escravos do trabalho. Querem regressar aos tempos do feudalismo porque acreditam que assim vão conseguir fazer frente ao poderio económico da China.

Os cidadãos livres do mundo assistem a estes jogos de poder e não reagem. Estão demasiado entorpecidos com o entretenimento, o lixo mediático e o consumismo desenfreado. Milhões de seres humanos entregam-se voluntariamente à morte nesta guerra do sistema financeiro. Mal vai o mundo quando o Papa Francisco, chefe de uma Igreja, é obrigado a dizer aos seres humanos que estão a ser vítimas da guerra do dinheiro e estão prisioneiros dos mercados.

De um Papa esperamos outros serviços à Humanidade, muito importantes. Mas o holocausto que o sistema financeiro tem em marcha sobre os seres humanos mais frágeis obrigou-o a ser um líder político na tentativa de salvar da derrota um exército de pobres e oprimidos que engrossa todos os dias, mas tem cada vez menos força para fugir da dominação e da escravatura.

A Ucrânia vai acabar tão mal como o Egipto, a Tunísia ou a Líbia. Pode mesmo entrar no caminho da Síria. O sistema financeiro é implacável e não se vislumbra força humana que trave o desastre que ameaça a Humanidade com a mais terrível ditadura de sempre: o dinheiro.

Jornal de Angola, 16 de Dezembro, 2013

A Corja



Fonte: Recebido por email

5 de dezembro de 2013

O Espantalho de Belém



Fonte: Recebido por email

Nova Versão dos Livros da Anita



Fonte: Recebido por email

1 de dezembro de 2013

Orquestra Djambo: Elisa Gomara Saia

João Domingos: Um homem com (um sentido de) 80 anos!


 

A SIDA tem cura. Façam como explico, irão descobri- la. – Eu sou cego. – A PIDE matou o evangelizador que curava as populações. – Depois de ter matado milhares de pessoas, ‘killer man’ foi descoberto em Inharrime e tinha 234 anos. – Dilon Djindji é mentiroso. Coloquem-no nas proximidades de um detector de mentiras. O instrumento irá explodir...

Se um dia alguém lhe trouxesse uma mensagem sobre o fim de um infortúnio – a morte, por exemplo – que se eterniza, como o estimado leitor reagiria? Certamente que manifestaria muita alegria. Não é essa a mensagem desta matéria. De qualquer modo, anime-se afinal – como afirma o célebre músico moçambicano, João Domingos – “a SIDA tem cura”. Nenhuma estratégia de persuasão para atrai-lo à leitura desta matéria nos interessa, mas a conversa com o ancião foi reveladora.

Aqui, a sua história artística já narrada, inúmeras vezes, na e pela imprensa nacional, é dispensável. Queremos falar-lhe sobre as suas experiências espirituais – diga-se porque é verdade – empolgantes e apavorantes. É preciso que os factos se narrem por si, ou pela pessoa que os viveu. Por isso, construímos uma narrativa em que abunda um discurso autodiegético – deixando o próprio líder do Conjunto João Domingos expressar-se.

Na verdade, esta cavaqueira – com João Domingos – é um projecto materializado na última sexta-feira de Junho de 2013, na sua casa, no bairro de Maxaquene, algures em Maputo. É um evento que se enquadra nas festividades – que na verdade não se realizaram, ou, pelo menos na dimensão proporcional ao homem. Mas isso é outro assunto – dos seus 80 anos de idade, assinalados em Maio.

São 8 décadas de uma vivência rica em que se cruzaram experiências artísticas e de tantos (outros) conhecimentos que envolvem a cosmogonia dos seus tempos. O líder do Conjunto João Domingos nasceu em 1933. Já haviam transcorrido 15 anos depois do fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e, em certo sentido, foi influenciado pelos acontecimentos do segundo grande conflito na terra. Das peripécias do fenómeno armado, este texto possui alguns sintomas.

Carta Aberta a um MENTECAPTO (João César das Neves)




Meu Caro João,

Ouvi-te brevemente nos noticiários da TSF no fim-de-semana e não acreditei no que estava a ouvir.

Confesso que pensei que fossem “excertos”, fora de contexto, de alguém a tentar destruir o (pouco) prestígio de Economista (que ainda te resta).

Mas depois tive a enorme surpresa: fui ler, no Diário de Notícias a tua entrevista (ou deverei dizer: o arrazoado de DISPARATES que resolveste vomitar para os microfones de quem teve a suprema paciência de te ouvir). E, afinal, disseste mesmo aquilo que disseste, CONVICTO e em contexto.

Tu não fazes a menor ideia do que é a vida fora da redoma protegida em que vives:

- Não sabes o que é ser pobre;

- Não sabes o que é ter fome;

- Não sabes o que é ter a certeza de não ter um futuro.

Pior que isso, João, não sabes, NEM QUERES SABER!

Limitas-te a vomitar ódio sobre TODOS aqueles que não pertencem ao teu meio. Sobes aquele teu tom de voz nasalado (aqui para nós que ninguém nos ouve: um bocado amaricado) para despejares a tua IGNORÂNCIA arvorada em ciência.

Que de Economia NADA sabes, isso já tinha sido provado ao longo dos MUITOS anos em que foste assessor do teu amigo Aníbal e o ajudaste a tomar as BRILHANTES decisões de DESTRUÍR o Aparelho Produtivo Nacional (Indústria, Agricultura e Pescas).

És tu (com ele) um dos PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS de sermos um País SEM FUTURO.

De Economia NADA sabes e, pelos vistos, da VIDA REAL, sabes ainda MENOS!

João, disseste coisas absolutamente INCRÍVEIS, como por exemplo: “A MAIOR PARTE dos Pensionistas estão a fingir que são Pobres!”

Estarás tu bom da cabeça, João?

Mais de 85% das Pensões pagas em Portugal são INFERIORES a 500 Euros por mês (bem sei que que algumas delas são cumulativas – pessoas que recebem mais que uma “pensão” - , mas também sei que, mesmo assim, 65% dos Pensionistas recebe MENOS de 500 Euros por mês).

Pior, João, TU TAMBÉM sabes. E, mesmo assim, tens a LATA de dizer que a MAIORIA está a FINGIR que é Pobre?

Estarás tu bom da cabeça, João?

João, disseste mais coisas absolutamente INCRÍVEIS, como por exemplo: “Subir o salário mínimo é ESTRAGAR a vida aos Pobres!”

Estarás tu bom da cabeça, João?

Na tua opinião, “obrigar os empregadores a pagar um salário maior” (as palavras são exactamente as tuas) estraga a vida aos desempregados não qualificados. O teu raciocínio: se o empregador tiver de pagar 500 euros por mês em vez de 485, prefere contratar um Licenciado (quiçá um Mestre ou um Doutor) do que um iletrado. Isto é um ABSURDO tão grande que nem é possível comentar!

Estarás tu bom da cabeça, João?

João, disseste outras coisas absolutamente INCRÍVEIS, como por exemplo: “Ainda não se pediram sacrifícios aos Portugueses!”

Estarás tu bom da cabeça, João?

Ainda não se pediram sacrifícios?!?

Em que País vives tu, João?

Um milhão de desempregados;

Mais de 10 mil a partirem TODOS os meses para o Estrangeiro;

Empresas a falirem TODOS os dias;

Casas entregues aos Bancos TODOS os dias;

Famílias a racionarem a comida, os cuidados de saúde, as despesas escolares e, mesmo assim, a ACUMULAREM dívidas a TODA a espécie de Fornecedores.

Em que País vives tu, João?

Estarás tu bom da cabeça, João?

Mas, João, a meio da famosa entrevista, deixaste cair a máscara: “Vamos ter de REDUZIR Salários!”

Pronto! Assim dá para perceber. Foi só para isso que lá foste despejar os DISPARATES todos que despejaste.

Tinhas de TRANSMITIR O RECADO daqueles que TE PAGAM: “há que reduzir os salários!”.

Afinal estás bom da cabeça, João.

Disseste TUDO aquilo perfeitamente pensado. Cumpriste aquilo para que te pagam os teus amigos da Opus Dei (a que pertences), dos Bancos (que assessoras), das Grandes Corporações (que te pagam Consultorias).

Foste lá para transmitir o recado: “há que reduzir salários!”.

Assim já se percebe a figura de mentecapto a que te prestaste.

E, assim, já mereces uma resposta:


- Vai à MERDA, João!


Um Abraço,

Carlos Paz

Fonte: https://www.facebook.com/carlos.paz.756/posts/700844983261907

25 de novembro de 2013

O Governo de Passos Coelho é Profundamente Corrupto




Fonte: Recebido por email

Passos Coelho Palhaço e Estadista



Fonte: Recebido por email