22 de janeiro de 2014
Lei de Reforma da Assembleia (proposta de emenda à Constituição)
Querem guerra? Tê-la-ão.
REFORMAS POR TEMPO DE SERVIÇO - Leia, é importante
FAMILIARES, AMIGOS, COLEGAS, CONHECIDOS... VAMOS ADERIR À PRESENTE "PEC" ( PROPOSTA DE EMENDA CONSTITUCIONAL), DE INICIATIVA POPULAR.
Se hoje todos nós temos que trabalhar 35 anos para conquistar a reforma, eles também podem fazer por merecer...
Vamos acreditar que é possível mudar este país.Depende de nós começarmos este movimento, ou então achar que não vale a pena e ficarmos apenas reclamando.Atenção PORTUGAL tem que ser agora.
É assim que começa.
Peço a cada destinatário para encaminhar este e-mail a um mínimo de vinte pessoas da sua lista de endereços, e pedir a cada um deles para fazer o mesmo.
Dentro de três dias, a maioria das pessoas em Portugal terá esta mensagem. Esta é uma ideia que realmente deve ser considerada e repassada para o Povo.
Lei de Reforma da Assembleia (emenda à Constituição)
PEC de iniciativa popular:
Lei de Reforma da Assembleia (proposta de emenda à Constituição)
1. O deputado será assalariado somente durante o mandato. Não haverá 'reforma pelo tempo de deputado', mas contará o prazo de mandato exercido para agregar ao seu tempo de serviço junto ao INSS referente ao seu trabalho como cidadão normal.
2 . A Assembleia (deputados e funcionários) contribui para o INSS. Toda a contribuição (passada, presente e futura) para o fundo actual de reforma da Assembleia passará para o regime do INSS imediatamente. Os senhores deputados participarão dos benefícios dentro do regime do INSS, exactamente como todos outros portugueses. O fundo de reforma não pode ser usado para qualquer outra finalidade.
3. Os senhores deputados e assessores devem pagar os seus planos de reforma, assim como todos os outros portugueses.
4 Aos deputados fica vedado aumentar os seus próprios salários e gratificações fora dos padrões do crescimento de salários da população em geral, no mesmo período.
5. Os deputados e seus agregados perdem os seus actuais seguros de saúde, pagos pelos contribuintes, e passam a participar do mesmo sistema de saúde do povo português.
6. A Assembleia deve igualmente cumprir todas as leis que impõe ao povo português, sem qualquer imunidade que não aquela referente à total liberdade de expressão quando na tribuna da Assembleia.
7. Exercer um mandato na Assembleia é uma honra, um privilégio e uma responsabilidade, não uma carreira. Os deputados não devem "servir" mais de duas legislaturas consecutivas.
8. É vedada a actividade de lobista ou de 'consultor' quando o objecto tiver qualquer laço com a causa pública. "
Se cada pessoa reenviar esta mensagem para um mínimo de vinte pessoas, em três dias a maioria das pessoas em Portugal receberá esta mensagem.
PEC - Proposta de Emenda Constitucional
É ASSIM QUE VOCÊ PODE CONSERTAR A ASSEMBLEIA E OS PARTIDOS.
Se você concorda com o exposto, REPASSE. Caso contrário, basta apagar e dormir sossegado.
Por favor, mantenha esta mensagem CIRCULANDO para que possamos ajudar a reformar Portugal.
NÃO SEJA ACOMODADO.
NÃO ADIANTA SÓ RECLAMAR.
NÃO CUSTA NADA REPASSAR.
FAÇA COMO EU.
REENVIE.
Fonte: Recebido por email
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Uma burla criminosa (José Goulão)
Quem escutar os dirigentes políticos europeus e os seus megafones mediáticos há-de julgar que a crise é passado e o futuro promete ser brilhante com base num presente de alívio em que finalmente os indicadores económicos, essas bulas emitidas pelos sacerdotes do mercado, dão sinais de que todos vamos pelo bom caminho.
A mensagem dos indicadores económicos resume-se numa penada: a economia da União Europeia, mesmo dos países sob protectorado, começou a recuperar, o desemprego tende a diminuir, afinal a austeridade tardou mas começou a dar resultados, não estava errada como até alguns dos seus executores disseram. A propaganda amplia os registos com trombetas histéricas, uma bíblia das publicações financeiras do espaço europeu ousa até falar em “milagre económico” e logo no caso de Portugal, imagine-se. Alguém deveria ter alertado o escriba de que a mesma expressão foi usada no caso do Chile de Pinochet para saudar a devastação económica e social assente em dezenas de milhares de mortos, muitos mais presos políticos, pragas de miséria e desemprego, extinção da segurança social – caos de que o país não recuperou passados 40 anos.
O mundo tem uma larga experiência de que os indicadores económicos não dão emprego nem de comer a ninguém, estão nas tintas para as desigualdades sociais, borrifam na substituição de empregos estáveis por trabalho precário, podem até ser tanto mais fantásticos quanto maior o número de cidadãos que se aproximam da condição de escravos. Os tão prometedores indicadores económicos que todos os dias são apregoados pelos arautos da propaganda assentam em estruturas económicas arrasadas, em direitos laborais e sociais esmigalhados, em direitos humanos extintos. Os indicadores sobem, a tragédia humana continua a ampliar-se. Os indicadores evoluem, a sociedade apodrece sem recuperação no horizonte.
Olhemos de relance para a União Europeia: 26 milhões de desempregados, quase seis milhões de jovens sem trabalho, milhões na miséria ou à beira da pobreza e da exclusão social, quase um terço das crianças pobres e socialmente excluídas, mais de nove por cento dos cidadãos europeus submetidos a uma situação de privação material severa, quase um milhão de pessoas sem abrigo, enquanto continua a crescer o número de famílias que perdem a habitação para os bancos.
Este é o retrato real da Europa, aquele que as pessoas sentem em carne viva enquanto o regime canta indicadores como quem anuncia prémios de lotaria viciada onde a taluda continua a sair aos milionários, cada vez mais numerosos – e também generosos e gratos para com os carrascos que aplicam a austeridade.
Atente-se no caso de Durão Barroso, o foragido primeiro-ministro de Portugal que se transformou em presidente da Comissão Europeia depois de ter contribuído para lançar uma guerra assassina que devastou o Iraque e que agora deixa a União Europeia neste estado. Acaba de receber o prémio Carlos V, destinado aos que se distinguiram “no desenvolvimento da Europa” e que lhe vai nutrir a conta bancária em mais 45 mil euros.
A União Europeia é uma criminosa burla a descoberto.
Jornal de Angola, 21 de Janeiro de 2014
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9 de janeiro de 2014
"Eusébio" a São Bento
Quando muitos portugueses defendem a transladação urgente de Eusébio para o Panteão Nacional o que estão fazendo é dizer que não sendo possível ter em São Bento um Eusébio então que vá para a galeria das glórias nacionais. A questão está em saber se o defendem pela pessoa que foi ou pelos golos que marcou.
Mas daquilo que o país precisa é de um Eusébio em São Bento, competente no desempenho das suas funções, que tenha chegado ao estrelato sem ter ganho dinheiro fácil, que tenha tido como apoio uma mãe e não um falso padrinho cheio de dinheiro, e que acerte na baliza.
Daquilo que o país precisa é de um Eusébio em Belém, alguém único ao ponto de estar por nascer aquele que jogará melhor do que ele, que nunca teve casas de luxo no Algarve e muito menos beneficiando de trocas imobiliárias patrimonial e fiscalmente vantajosas, cujos familiares não façam negócios vantajosos com o Estado, que nunca tenha ganho dinheiro fácil em negócios de acções que acabaram por ser suportados pelos portugueses mais pobres.
Daquilo que o país precisa mesmo é de um Eusébio à frente do PS, alguém que nunca marcou um golo na sua própria baliza, alguém rápido na resposta ao adversário, que seja capaz de dar a volta ao resultado, que saiba decidir em campo para onde deve jogar a equipa, que saiba marcar golos de bola parada, de remate ou de cabeça, que consiga pensar o jogo, que não desapareça do jogo deixando a equipa ao ‘Deus dará’.
Daquilo que o país precisa é de um Eusébio à frente das empresas, que dêem o seu melhor sem receber prémios chorudos, que sejam capazes de vencer sem batota ou com a ajuda de arbitragens corruptas, que gostem da sua camisola sem contrapartidas, que sejam estimados pela equipa.
Infelizmente o país até tem muitos Eusébios, mas são os Eusébios errados e é deste tipo de Eusébios que o governo, os políticos de hoje e muitos dos nossos empresários mais apreciam. Eusébios que dão melhor pela camisola sem nada receber em troca ao mesmo tempo que outros enriquecem desmesuradamente à sua custa, Eusébios ingénuos e fáceis de enganar pelos dirigentes do clube.
Fonte: O Jumento, Janeiro 09, 2014
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A arte suprema de Eusébio e as Bucólicas de Virgílio (Artur Queiroz)
Os partidos portugueses representados na Assembleia da República acordaram, por unanimidade, que Eusébio vai para o Panteão Nacional. As elites corruptas e ignorantes não se conformam. Um futebolista que viajou de Moçambique para Portugal no ano em que começou a guerra colonial, não pode subir tão alto.
Porque veio da Mafalala, como Mantorras um dia chegou a Lisboa com a trouxa feita no Cazenga. Ou indo mais atrás, Peyroteo, Matateu, Vicente, Coluna, Santana, Costa Pereira, Yauca, Hilário, Dinis, Inguila e tantos outros.
Mário Soares faz parte das elites portuguesas. Nunca foi consensual e é-o cada vez menos. Nunca chegará ao Panteão Nacional como vai chegar o grande Eusébio. As elites portuguesas corruptas e ignorantes têm um traço em comum: a inveja. Soares sabe que pelas más companhias e por ele próprio nunca passará de um político medíocre que ganhou algum brilho por se apresentar em comícios com François Miterrand. Aprendeu a explorar as pausas, gerar expectativas, mas fez sempre tudo isso de uma forma requentada e sem imaginação.
O que ele disse de Eusébio da Silva Ferreira no dia da morte do Pantera Negra deixou-me siderado. Do alto da sua soberba disse que o “rei” era pouco culto. Mário Soares perdeu o juízo! Nada o autoriza a fazer semelhante afirmação. Nem sequer o paternalismo insultuoso que sempre usa quando se refere a alguém oriundo das antigas colónias portuguesas. Ou dos seus políticos e instituições. A cultura do amigo de Savimbi e outros bandidos internacionais, nunca passou o degrau do paleio balofo. Defende posições que o remetem para uma mediocridade cultural confrangedora. Não basta ter amigos e correligionários cultos. É preciso amar a cultura. E ele em Portugal nunca foi amigo da Cultura nem dos agentes culturais. As suas políticas como chefe de vários governos estão aí para o comprovar.
Eusébio era um homem muito culto. Sabia tudo da Mafalala e do seu povo. Falava a língua mãe, falava português, falava inglês. Artistas e intelectuais de todo o mundo veneravam-no como expoente máximo da arte do futebol. A sua cultura desportiva era superlativa.
Se Mário Soares atingisse na política o nível que Eusébio alcançou no desporto, podia ombrear com Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Mondlane, Samora Machel, António Macedo, Álvaro Cunhal, Miterrand e outros “reis” da política mundial. Mas não. Será sempre um político medíocre que foi elevado aos píncaros pela mão da CIA, do ELP, de Spínola e os restos do regime colonial-fascista.
Eusébio era o expoente máximo da cultura desportiva de dois povos: o moçambicano e o português. Mário Soares é a expressão mínima de um político oportunista que meteu o socialismo na gaveta e entregou a democracia aos ditames do poder económico. Marcou golos na própria baliza e enganou de uma forma atroz o Povo Português. Eusébio passeou a sua classe de desportista de eleição por todo o mundo. Era amado e respeitado. Pela sua infinita classe e inigualável cultura desportiva.
Mário Soares disse com ar compungido que Eusébio bebia uísque de manhã e à tarde. Uma alusão digna de um verdadeiro patife. Ernesto Lara Filho bebia Castelvinho de manhã, à tarde e à noite. Mas foi o maior repórter da sua geração, um poeta universal e um dos maiores cronistas de sempre de língua portuguesa. Eu bebi litros de catembe enquanto ouvia relatos dos jogos do Benfica de Eusébio e traduzia do latim para português as Bucólicas de Virgílio. Enquanto lia emocionado as desditas de Dido, ululando de dor pelos corredores do seu palácio, inconformada com a partida de Eneias, ouvia Nuno Brás, Amadeu José de Freitas ou Artur Agostinho gritar os golos de Eusébio. O genial futebolista era tão culto que inspirou artistas e intelectuais de várias gerações.
Soares disse que Eusébio bebia de manhã e à tarde, para de uma forma subliminar dizer aos portugueses que era um estroina. E sendo assim, não podia ser o Rei. E muito menos estar anos luz acima de um político que é de esquerda quando lhe dá jeito e fecha os olhos às fogueiras da Jamba para estar de bem com os próceres do apartheid. O Eusébio está acima dos mesquinhos interesses das elites portuguesas corruptas e ignorantes.
Vou fazer uma confissão. O meu ídolo do futebol é o grande Benje, o único guarda-redes que ganhou mais fama e glória do que todos os avançados. Um dia o Benfica veio jogar a Luanda contra uma selecção angolana. Benje era o dono da Baliza. Eu disse ao meu irmão Amado: o pior resultado que podemos fazer é zero a zero. O Benje vai fechar a baliza!
Saltámos o muro dos Coqueiros e fomos apoiar o Benje, atrás da baliza. Nas bancadas só se gritava: Eusébio! Eusébio! Eusébio! E nós cá em baixo respondíamos: Benje! Benje! Benje! Começou o jogo e o Eusébio roubou uma bola no meio campo do Benfica, arrancou em força e quando saiu do grande círculo levantou a cabeça, logo de seguida curvou-se em arco para a frente, puxou a perna direita atrás e rematou. Eu e o Amado só vimos a bola no fundo da baliza. O Benje nem reagiu. A bancada explodiu: Eusébio! Eusébio! Eusébio!
O Benje encaixou mais uns golos mas continuou a ser o meu ídolo no futebol. Quanto ao Eusébio destronou de uma assentada Homero, Virgílio, Salústio e um irlandês chamado James Joyce, a quem Louis-Ferndinand Céline chamava bêbado mas escreveu o Ulisses, um romance quase tão grandioso como o futebol do Eusébio.
Mário Soares neste universo é apenas o ajudante de cozinheiro de Júlio César na campanha da Gália, que só existe porque Brecht o imortalizou num poema. O antigo Presidente da República de Portugal devia ler as mensagens que o Presidente José Eduardo dos Santos enviou a Armando Gebuza e Cavaco Silva sobre a morte do Rei Eusébio. Não para aprender, porque como dizia a minha avó, burro velho não toma andadura. Mas para aplaudir. Se a inveja o deixar.
Jornal de Angola, 9 de Janeiro, 2014
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7 de janeiro de 2014
Tudo dentro do consenso (José Goulão)
A palavra “consenso”, nas suas múltiplas traduções, arrisca-se a ser a mais utilizada em 2014 no espaço da União Europeia, de acordo com o exercício de propaganda iniciado em 2013
Continuado nas conversas em família dos chefes nacionais em exercício por ocasião do Natal e do Ano Novo, imposto, sem alternativa, para substituir a palavra “crise”.
Não se arriscando nenhum alto dirigente a dizer que a crise acabou, dão como certo que a economia “está a recuperar” e para que tudo assim continue no bom caminho há que aplicar agora o consenso, a concordância a que nenhum cidadão pode fugir sob pena de ser um extremista, um marginal, um militante da crise – sujeitando-se às respectivas consequências. Em ano de eleições europeias, não há que pensar noutra coisa: consenso sobre a salvação do euro à moda da Alemanha, sobre a austeridade como solução para acabar de vez com a crise, sobre a supressão de direitos humanos e sociais para que os mercados e a alta finança possam respirar e confiscar em liberdade, sobre a amputação de salários, reformas e pensões.
No espaço europeu, o consenso económico foi estabelecido e funciona a todo o vapor: é o processo de transferir o dinheiro de todos para os bolsos de meia dúzia, de prosseguir a domesticação e aniquilação dos aparelhos de Estado até que fiquem reduzidos a muletas dos bancos predadores, das grandes indústrias, incluindo a da morte, dos casinos bolsistas, dos paquidermes químicos e farmacêuticos, dos monstros da actividade seguradora, das trituradoras que distribuem o trabalho temporário, dos formadores de carne para canhão, de preferência com a benesse do cheque ensino.
Este processo tem o seu correspondente político em fase de afinação prática e ideológica: o consenso. O consenso governou Portugal entre 1926 e Abril de 1974. O consenso governa o directório europeu – na Alemanha através da comunhão entre a direita e os sociais democratas, em França pelas mãos de Hollande que poderia chamar-se Sarkozy e vice-versa. Em Espanha não faltam consensos na camada que se instituiu como governante, em Inglaterra Blair poderia chamar-se Thatcher da mesma maneira que Cameron se vê ao espelho como Brown. Tudo uma grande família governante e consensual, com as suas questiúnculas como em qualquer grande família, sobretudo em matéria de interesses - pessoais ou de casta.
Em Portugal o consenso não estará tão afinado como desejariam Cavaco, Coelho e Portas, como recomendam Costa que governa o Banco de Portugal, ou Ulrich e Salgado, dos bancos do Portugal que dizem ser deles. O consenso existe, chama-se arco da governação, o problema a resolver é conseguir que ele funcione sem turbulência mesmo quando há eleições – chama-se “estabilidade política” – e de preferência a longo prazo, seja sob o comando do Coelho, do Seguro, do Sr. X ou Y – ao verdadeiro poder isso é o que menos interessa.
Quem prega o consenso, como Cavaco, invoca também a democracia e até o 25 de Abril, imaginem, dia em que os militares e o povo português e os das antigas colónias romperam com um longo tempo de consenso. Democracia, claro, para os que se submetem ao consenso porque aos outros, os que teimam em ter ideias, insistem em pensar pela própria cabeça, não desistem de propôr alternativas ao consenso, esses são perigosos inimigos desta democracia.A história oficial, e ficcionada, da União Europeia explica que tudo se iniciou na luta pela liberdade contra o sistema de partido único.
Sabemos que as verdadeiras razões eram bem outras, mas para o demonstrar nem é preciso procurar argumentos nos meandros do processo histórico. A União Europeia renega a própria origem oficial quando, como suporte de uma prática económica única, tendencialmente esclavagista, impõe um sistema político a que tanto faz chamar de consenso como de partido único.
Jornal de Angola, 7 de Janeiro de 2014
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Remorsos de um encenador de teatro (por Filipe la Féria)
Muita gente me acusa de ser o culpado do estado de desgraça do nosso país por ter reprovado Pedro Passos Coelho numa audição em que eu procurava um cantor para fazer parte do elenco de My Fair Lady. Até o espertíssimo gato fedorento Ricardo Araújo Pereira já afirmou que eu devia ser chicoteado em público todos os dias até Passos Coelho desistir de ser primeiro-ministro, como insistentemente o aconselha o Dr. Soares.
Na verdade, confesso que em 2002, quando preparava os ensaios para levar à cena My Fair Lady fiz uma série de audições a cantores para procurar o intérprete do galã apaixonado por Elisa Doolittle, a pobre vendedora de flores do Covent Garden, personagem saída da cabeça brincalhona e maniqueísta de Bernard Shaw, genial dramaturgo que no seu tempo se fartou de gozar com políticos. Entre muitos concorrentes à audição, apareceu Pedro Passos Coelho de jeans, voz colocada, educadíssimo e bem-falante. Era aluno de Cristina de Castro, uma excelente cantora dos tempos de glória do São Carlos que tinha sido escolhida por Maria Callas para contracenar com a diva na Traviata quando da sua passagem histórica por Lisboa. As recomendações portanto não podiam ser melhores e a prova foi convincente. Porém, Passos Coelho era barítono e a partitura exigia um tenor. Foi por essa pequena idiossincrasia vocal que Passos Coelho não foi aceite, o que veio a ditar o futuro do jovem aspirante a cantor que, em breve, ascenderia a actor protagonista do perverso musical da política. Se não fosse a sua tessitura de voz de barítono, hoje estaria no palco do Politeama na Grande Revista à Portuguesa a dar à perna com o João Baião, a Marina Mota, a Maria Vieira, e talvez fosse muitíssimo mais feliz. Diria mal da forma como o Estado trata a cultura em Portugal, revoltar-se-ia com os impostos que o teatro é obrigado a pagar, saberia que um bilhete que é vendido ao público a dez euros, sete vão para o Estado, teria um ataque de nervos contra os lobbies da Secretaria de Estado da Cultura, há quarenta anos sempre os mesmos... não saberia sequer o nome do obscuro e discretíssimo secretário da Cultura oficial, não perceberia porque em Portugal não há uma Lei do Mecenato que permita aos produtores de espectáculos cativar os mecenas, tal é a volúpia cega dos impostos, saberia que cada vez mais há artistas no desemprego em condições miserabilistas e degradantes, que fazer teatro, cinema ou arte em Portugal se tornou um acto de loucura e de militância esquizofrénica. Mas a cantar no palco do Politeama estaria bem longe da bomba-relógio do Dr. Paulo Portas, cada vez mais fulgurante como pop-star, da troika, agora terrível e pós-seguramente medonha, das reuniões de quinta-feira com o Senhor Professor, do Gaspar que se pisgou para o Banco de Portugal, dos enredos do partido bem mais enfadonhas do que as animadas tricas dos bastidores do teatro, das reuniões intermináveis com os alucinados ministros, das manifestações dos professores, dos polícias, dos funcionários públicos, dos pescadores, dos estivadores, dos reformados, dos trabalhadores de tudo o que mexe e não mexe em cima deste desgraçado país, ah!, e das sentenças do Palácio Ratton que agora são chamadas para tudo, só para tramarem a cabeça intervencionada do pobre Pedrinho... não bastava já as constantes birrinhas do Tó Zé Seguro, as conversas da tanga do Dr. Durão Barroso, o charme cínico e discreto de Madame Christine Lagarde, as leoninas exigências da mandona da Europa para Bruxelas assinar a porcaria do cheque. Valha-me o Papa Francisco que tudo isto é de mais para um barítono!
Assumo o meu mais profundo remorso. Devia ter proporcionado ao rapaz um futuro mais insignificante mas mais feliz. Mas, tal como Elisa Doolittle, que depois de ser uma grande dama prefere voltar a vender flores no mercado de Covent Garden, talvez o nosso herói renegue todas as vaidades e vicissitudes da política e suba ao palco do Politeama para interpretar a versão pobrezinha mas bem portuguesa de Os Miseráveis!
PS. O artigo foi escrito em português antigo. No Teatro Politeama nem as bailarinas russas aderiram ao Acordo Ortográfico.
por FILIPE LA FÉRIA*
* Encenador e dramaturgo. Diplomou-se em Londres com uma bolsa da Fundação Gulbenkian, foi diretor da Casa da Comédia. Com "What happened to Madalena Iglésias" iniciou e revitalizou o teatro ligeiro
Fonte: Diário de Notícias, 29 de Dezembro de 2013
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Moçambique: Banco Standard Bank na Cidade da Beira
Construído em 1896, trata-se de um dos primeiros edifícios a usar tijolo em vez de estruturas metálicas pré-fabricadas. O seu estilo classicizante adequava-se ao figurino prestigiante que a instituição pretendia exibir.
Fonte: Arquivo Pessoal
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Moçambique: Antigo Clube Inglês na Cidade da Beira
Sede do antigo Clube Inglês fundado em 1899. Inicialmente era uma casa em madeira e zinco, tendo sido reedificada em alvenaria, em data não posterior a 1923. Encontrava-se em ruínas quando o banco «Millenium BIM» o recuperou, a partir de projeto do arquiteto Francisco Ivo.
Fonte: Arquivo Pessoal
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29 de dezembro de 2013
O Sangue e os Mortos (David Borges, Jornalista)
Pede-me o Diário de Notícias que, mais do que sobre o chamado "mundo lusófono", escreva sobre a relação histórica de Portugal com África, no preciso espaço que, hoje, faz o balanço da visita de Cavaco Silva a Moçambique e abre um pouco mais a janela que mostra aos portugueses a paisagem chocante, e até aqui esquecida, dos mortos portugueses nos combates de África e que jamais retornaram à terra de onde, um dia, foram forçados a partir para, por erradas razões da Pátria, combaterem em nome de Portugal.
Não consta que Cavaco tenha visitado algum talhão militar português em Moçambique, mas poderia tê-lo feito porque firmemente agarrada aos mortos enterrados em África está uma das duas mais poderosas raízes da relação luso-africana, firmando-se a outra, também forte, na mistura de sangues, a mistura que produziu José Craveirinha, uma das maiores figuras da África que fala português e que dedicou ao seu "belo pai, ex-emigrante", o mais comovente dos seus poemas, uma elegia a esse Craveirinha de Algezur, do mesmo Algarve de Cavaco, que procurou em Moçambique, no distante ano de 1908, um futuro que o apertado horizonte português não lhe permitia vislumbrar.
Ao pai português, escreveu o africano José, "de coração ronga-ibérico mas afro-puro", que "as maternas palavras de signos", que viviam e reviviam no seu sangue, pacientemente esperavam a época de colheita, soltas já estando "as sentimentais sementes de emigrante português, espezinhadas no passo de marcha das patrulhas, de sovacos suando as coronhas de pesadelo".
Na sua "rude e grata sinceridade", José Craveirinha não esqueceu, nunca, o "antigo português puro", que gerou "no ventre de uma tombasana, mais um novo moçambicano, semiclaro para não ser igual a um branco qualquer, seminegro para jamais renegar um glóbulo que fosse dos Zambezes" do seu sangue...
Em Craveirinha, "ficaram laivos do luso-arábico Algezur" da infância do pai mas "amar por amor" ele só amou e somente podia e devia amar Moçambique, a sua "bela e única nação do mundo", onde a mãe nasceu, o gerou e com o pai "comungou a terra, onde ibéricas heranças de fados e broas se africanizaram para a eternidade" nas suas veias e o sangue do pai "se moçambicanizou nos torrões da sepultura de velho emigrante numa cama de hospital, colono tão pobre" como desembarcara em África.
Diante da sepultura do pai, chorou sempre José pelo seu "belo algarvio bem moçambicano", o seu "resgatado primeiro ex-português, número um Craveirinha moçambicano". E deixou-lhe, em "alinhavadas palavras como se fossem versos", uma "homenagem de caniços agitados nas manhãs de bronzes, chorando gotas de uma cacimba de solidão nas próprias almas, esguias hastes espetadas nas margens das húmidas ancas sinuosas dos rios"...
A elegia de Craveirinha ao seu belo pai ex-emigrante convoca-nos para a protecção de tantas e tão poderosas heranças luso-africanas, abrindo caminhos que sigam bem para lá dos negócios sem alma e do turismo sem coração. Só a continuada mistura de sangues, ibérico e africano, e com terras enriquecidas pelo ADN de portugueses e africanos, fará o futuro merecer o que de melhor o passado deu - a Portugal e a África.
Fonte: Diário de Notícias, 6 de Abril de 2008
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Ruy de Lacerda: Um dente que gerou uma amizade duradoura
Eu estava a cumprir o Serviço Militar, Obrigatório, no Batalhão de Engenharia, em Lourenço Marques, quando sou fulminado com dores na boca. Estávamos em pleno Janeiro de 1956. Procurei um médico dentista e aconselharam-me um que há pouco tempo tinha chegado e que dava consultas no Prédio African Life no segundo andar, mesmo ao lado do Cinema Gil Vicente.
Ali chegado, entrei para a sala de espera. Estava lá uma senhora e pouco depois abriu-se a porta do consultório. Saiu um homem e apareceu o médico. Era um homem bastante alto e já de cabelos brancos. Disse-lhe que estava com muitas dores. Ele pediu licença à senhora e mandou-me entrar. Esteve a analisar a minha boca e disse-me: Vou-te dar uma carta para entregares na tua Unidade, toma já este comprimido e amanhã de manhã, vais ter comigo ao Hospital.
Quando cheguei ao Hospital Miguel Bombarda, perguntei por ele na Portaria. Ligaram para ele e fui acompanhado por um servente a onde ele estava. Acompanhava-o o Dr. Pais, médico-chefe da Estomatologia. Fizeram-me radiografias e disseram-me que eu teria que ser operado, às gengivas. Marcaram-me para dois dias depois e deram-me uma carta para apresentar no Quartel e que eu lá estivesse às sete da manhã e em jejum.
Quando ali, fui com uma guia, soube que o médico tinha tido um desastre de viação na véspera e que seria o Dr. Pais que me iria operar. Eram onze da manhã, acordei num corredor, deitado numa maca. Sai dali, passei a Portaria, destranquei a motorizada e arranquei. Duzentos metros, mais adiante, a luz dos semáforos encadeou-me e estatelei-me, pois eu ainda estava com os efeitos da anestesia geral. Alguém me apanhou, meteu-me numa carrinha de caixa aberta e com a motorizada e levou-me à Engenharia, pois reconheceu o emblema das transmissões.
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Novas regras do Código da Estrada a partir de 1 de Janeiro de 2014
«A partir da próxima quarta-feira, se a polícia mandar parar o seu carro, terá de apresentar os habituais documentos: carta de condução, documento de identificação e papéis do seguro. É o procedimento normal, mas há uma regra nova: passa a ser também obrigatória a apresentação do cartão de contribuinte se o condutor ainda tiver bilhete de identidade. Caso não o tenha, arrisca uma multa de 30 euros.
Esta é só uma das mais de 60 alterações introduzidas ao Código da Estrada (CE) que entra em vigor a 1 de Janeiro. Entre as regras há uma que exige particular atenção dos automobilistas: a condução nas rotundas passa a estar regulamentada e os infractores - que ocupem, por exemplo, a faixa da direita sem terem intenção de usar as duas primeiras saídas - arriscam uma coima entre 60 e 300 euros. O uso de telemóveis e auriculares ao volante também vai implicar outros hábitos. O artigo 85 do CE tem uma nova redacção e determina que só possam ser utilizados "aparelhos dotados de um único auricular". Ou seja, se antes até podiam ser usados auriculares duplos - desde que o condutor os utilizasse só num ouvido, agora estes equipamentos passam a ser expressamente proibidos quando se está a conduzir.
O novo Código da Estrada também traz mexidas nas taxas de álcool. O limite fica mais apertado para os condutores profissionais e os recém-encartados (com menos de três anos de carta). Nestes casos, a taxa baixa para 0,2 g/l de sangue - menos de metade do actual limite, fixado em 0,5 g/l.
20 KM/H NAS CIDADES Com a nova lei entra em vigor um novo conceito: as "zonas de coexistência" nas cidades. O objectivo é devolver as ruas aos peões nas áreas residenciais. Estas zonas serão definidas em colaboração com as autarquias e vão estar assinaladas com um novo sinal vertical - que ainda está a ser desenhado. Aqui os condutores não poderão circular a mais de 20 km/h e os "utilizadores vulneráveis" - crianças, idosos, grávidas, deficientes e condutores de velocípedes - podem utilizar "toda a largura da via pública".
Os ciclistas também ganham novos direitos com a lei que agora entra em vigor. Serão criadas passadeiras especiais para velocípedes - onde os condutores são obrigados a ceder passagem - e as bicicletas podem circular na estrada, do lado direito da faixa. Ainda assim, os ciclistas devem cumprir regras: não o podem fazer se houver "intensidade de trânsito" ou em "vias de reduzida visibilidade". E não é permitido que mais de duas bicicletas circulem em paralelo ou que causem "perigo ou embaraço" ao trânsito.
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28 de dezembro de 2013
Pão com badjia
Comece o dia de uma forma diferente. Pão com badjia é gastronomia típica de Moçambique. Com chá, sumo ou "refresco", pão com badjia sabe sempre bem...a nossa maneira.
Fonte: Sapo MZ
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Sabores de Moçambique
Litchi: A Fruta da Época
Litchi é a fruta do momento. Em cada esquina de Maputo encontram-se vendedoras ambulantes com bacias carregadas desta deliciosa fruta. Com o calor que se faz sentir na capital, esta é uma boa ideia para fazer sumo natural ou salada de fruta.
Fonte: Sapo MZ
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Nas Águas do Tempo (Mia Couto)
Meu avô, nesses dias, me levava rio abaixo, enfilado em seu pequeno concho. Ele remava, devagaroso, somente raspando o remo na correnteza. O barquito cabecinhava, onda cá, onda lá, parecendo ir mais sozinho que um tronco desabandonado.
- Mas vocês vão aonde?
Era a aflição de minha mãe. O velho sorria. Os dentes, nele, eram um artigo indefinido. Vovô era dos que se calam por saber e conversam mesmo sem nada falarem..
- Voltamos antes de um agorinha, respondia.
Nem eu sabia o que ele perseguia. Peixe não era. Porque a rede fica amolecendo o assento. Garantido era que, chegada a incerta hora, o dia já crepusculando, ele me segurava a mão e me puxava para a margem. A maneira como me apertava era a de um cego desbengalado. No entanto, era ele quem me conduzia, um passo à frente de mim. Eu me admirava da sua magreza direita, todo ele musculíneo. O avô era um homem em flagrante infância, sempre arrebatado pela novidade de viver.
Entrávamos no barquinho, nossos pões pareciam bater na barriga de um tambor. A canoa solavanqueava, ensonada. Antes de partir, o velho se debruçava sobre um dos lados e recolhia uma aguinha com sua mão em concha. E eu lhe imitava.
- Sempre em favor da água, nunca esqueça!
Era a sua advertência. Tirar água no sentido contrário ao da corrente pode trazer desgraça. Não se pode contrariar os espíritos que fluem.
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