
31 de dezembro de 2008
28 de dezembro de 2008
A cidade que nos resta (Mia Couto)
A CIDADE QUE NOS RESTA (MIA COUTO) Perguntava-me um amigo estrangeiro, acabado de chegar a Maputo, em que ruas ele podia circular à vontade. - À vontade? - perguntei, apenas para ganhar tempo. O fulano ficou olhando o meu rosto pensativo. Poucos anos antes eu teria respondido sem muita hesitação. A cidade mantinha áreas de relativo sossego, onde o pacato cidadão podia circular sem riscos. Mas naquele dia eu acabava de receber a notícia que um colega meu do serviço, em plena Rua Joaquim Lapa, a escassos metros da Esquadra, tinha sido assaltado à mão-armada, em pleno dia. No dia anterior, assim rezava o jornal, uma mulher fora violada na marginal. Não acontecera no lusco-fusco. Sucedera à luz do dia. Na noite anterior eu escutara no noticiário televisivo bairros inteiros reclamando contra o reino de terror da bandidagem. Na semana anterior, um estrangeiro que visitava a nossa empresa, próximo do Hotel Polana tinha sido agredido por um grupo de jovens. Nós tínhamos informado esse mesmo consultor estrangeiro que o bairro era tranquilo e que ele podia caminhar pelas redondezas sem problema. Horas depois, estávamos visitando o pobre homem no Hospital. - Ora caminhar à vontade .... ruminei eu, já consciente do preço da minha demora. O visitante salvou-me do embaraço, decidindo filosofar sobre a tendência universal do aumento da criminalidade. Eu acreditava que o mau momento passara quando ele lançou nova interrogação: - E conduzir? - Conduzir? Ao menos, eu fizesse uso de mais imaginação. A repetição da pergunta era um estratagema que ameaça saturar. - Sim, conduzir um carro? Acha que posso? - Claro que pode, se tiver carta de condução. - Tenho, sim. Mas é seguro? - Bem... quer dizer... é preciso ter alguns cuidados... - Como, por exemplo....por exemplo.... Desta feita, as imagens cruzaram-me a mente com a velocidade de um chapa cem. Como explicar ao pobre turista que nos semáforos não se arranca quando abre o verde. Como explicar que, em certas esquinas, o vermelho corresponde ao verde e só se pára no amarelo? Que em outros cruzamentos o verde corresponde ao amarelo? Como esclarecer que os chapas nunca param nos semáforos e param sempre no meio da estrada? O estrangeiro entendeu a demora na minha resposta. Deve ter ficado a matutar: a pé não podia, de carro não devia. Como usufruiria ele da cidade? E a mim mesmo eu me questionei: que cidade nos resta a nós, cidadãos de Maputo? Não podemos oferecer a cidade aos outros porque ela está deixando de ser nossa.
- Deixe estar, disse ele para me tranquilizar. Eu vou ficando no Hotel. Num impulso eu quase dizia: eu também me vou mudar para o seu Hotel. E enquanto conduzia o meu amigo rumo ao seu alojamento eu fui olhando Maputo e pensando se como o cidadão está perdendo a cidade, como nos restam de Maputo as sobras daquilo que a voragem do caos não está ainda dominando.
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Dois estandartes da Revolução Moçambicana: o Nacional e o do Partido Frelimo
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21 de dezembro de 2008
19 de dezembro de 2008
O primeiro postal de Natal (Dezembro de 1843)

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17 de dezembro de 2008
O avô e o neto (Jacob Grimm and Wilhelm Grimm)

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A rapariga e os fósforos (Christian Andersen)

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Uma visita inesperada (Acácio Simões)

UMA VISITA INESPERADA Foi na noite de Natal. Um anjo apareceu a uma família muito rica e falou para a dona da casa. - Trago-te uma boa notícia: esta noite o Senhor Jesus virá visitar a tua casa! Aquela senhora ficou entusiasmada. Jamais acreditara ser possível que esse milagre acontecesse em sua casa. Tratou de preparar um excelente jantar para receber Jesus. Encomendou frangos, assados, conservas, saladas e vinhos importados. De repente, tocaram a campainha. Era uma mulher com roupas miseráveis, com aspecto de quem já sofrera muito. - Senhora, - disse a pobre mulher, - Será que não teria algum serviço para mim? Tenho fome e tenho necessidade de trabalhar. - Ora bolas! - retorquiu a dona da casa. - Isso são horas de me vir incomodar? Volte outro dia. Agora estou muito atarefada com um jantar para uma visita muito importante. A pobre mulher retirou-se. Um pouco mais tarde, um homem, sujo de óleo, veio bater-lhe à porta. - Senhora, - disse ele, - O meu camião avariou aqui mesmo em frente à sua casa. Não teria a senhora, por acaso, um telefone para que eu pudesse comunicar com um mecânico? A senhora, como estava ocupadíssima em limpar as pratas, lavar os cristais e os pratos de porcelana, ficou muito irritada. - Você pensa que minha casa é o quê? Vá procurar um telefone público... Onde já se viu incomodar as pessoas dessa maneira? Por favor, cuide para não sujar a entrada da minha casa com esses pés imundos! E a anfitriã continuou a preparar o jantar: abriu latas de caviar, colocou o champanhe no frigorífico, escolheu, na adega, os melhores vinhos e preparou os coquetéis. Nesse momento, alguém lá fora bate palmas. "Será que agora é que é Jesus?" -pensou ela, emocionada. E com o coração a bater acelerado, foi abrir a porta. Mas decepcionou-se: era um menino de rua, todo sujo e mal vestido... - Senhora, estou com fome. Dê-me um pouco de comida! - Como é que eu te vou dar comida, se nós ainda não jantámos?! Volta amanhã, porque esta noite estou muito atarefada... não te posso dar atenção. Finalmente o jantar ficou pronto. Toda a família esperava, emocionada, o ilustre visitante. Entretanto, as horas iam passando e Jesus não aparecia. Cansados de tanto esperar, começaram a tomar aqueles coquetéis especiais que, pouco a pouco, já começavam a fazer efeito naqueles estômagos vazios, até que o sono fez com que se esquecessem dos frangos, assados e de todos os pratos saborosos. De madrugada, a senhora acordou sobressaltada e, com grande espanto, viu que estava junto dela um anjo. - Será que um anjo é capaz de mentir? - gritou ela. - Eu preparei tudo esmeradamente, aguardei a noite inteira e Jesus não apareceu. Por que é que você fez essa brincadeira comigo? - Não fui eu que menti... Foi você que não teve olhos para enxergar. - explicou o anjo. - Jesus esteve aqui em sua casa três vezes: na pessoa da mulher pobre, na pessoa do motorista e na pessoa do menino faminto, mas a senhora não foi capaz de reconhecê-lo e acolhê-lo em sua casa". Acácio Simões
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14 de dezembro de 2008
A dinâmica do Instituto Camões no espaço CPLP (Inês Costa Pessoa)
A DINÂMICA DO INSTITUTO CAMÕES NO ESPAÇO CPLP
Inês Costa Pessoa
O Instituto Camões, criado em 1992, tem como objectivo genérico a divulgação da língua e cultura portuguesas no estrangeiro, actuando através de três eixos: diplomático-consular, artístico-cultural e científico-académico. É no espaço CPLP que o Instituto concentra grande parte da sua dinâmica – 11 de entre os 19 Centros Culturais criados concentram-se em países da CPLP, dos 20 Centros de Língua Portuguesa criados, 10 encontram-se em países da CPLP. Por outro lado tem-se vindo a verificar a consolidação da rede de docência, a atribuição de bolsas de estudo e de investigação, etc.
Vocacionado para divulgar a língua e cultura portuguesas no estrangeiro, o Instituto Camões (IC) figura, desde a sua criação em 1992 (data em que toma o lugar do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa - ICALP) (1), como uma das mais importantes plataformas de promoção e afirmação da identidade lusófona além fronteiras. Esta afirmação é particularmente estimulada e estimulante num tempo em que proliferam os receios – deveras discutidos e sempre questionáveis – de anulação ou silenciamento das culturas nacionais e locais perante um processo de globalização (entendido como sinónimo de “americanização” e “europeização”), por muitos considerado hegemónico e homogeneizante.
Por conseguinte, é a esta entidade que cabe, em parceria com outros organismos estatais – designadamente o Instituto da Cooperação Portuguesa (agora APAD), os Ministérios da Cultura, da Educação, do Ensino Superior e da Ciência, pôr em prática os vectores prioritários da política cultural externa portuguesa, onde é dado especial destaque à questão linguística, isto é, à multiplicação do número de falantes de português. Mas não só. Visa, em concomitância, fazer chegar Portugal aos quatro cantos do mundo nas mais diversas dimensões artístico-culturais, como a história, o património e a arquitectura, a literatura e a poesia, as artes plásticas, performativas e cinematográficas, a fotografia...
Esferas de actuação do IC
Com vista à concretização dos objectivos assinalados, a esfera de intervenção do IC desdobra-se em uma tríade de eixos fundamentais: diplomático-consular (a cargo das embaixadas e consulados); artístico-cultural (dinamizada pelos Centros Culturais) e científico-académica (ao cuidado dos Centros de Língua Portuguesa, Universidades e Institutos Superiores).
Progressivamente dilatadas, as acções empreendidas contemplam iniciativas tão diferentes quanto complementares. De entre elas destacamos as seguintes:
Celebração de acordos ou protocolos de cooperação com países terceiros que estimulem a difusão da língua portuguesa no estrangeiro e a promoção da cultura lusófona;
Implementação, coordenação e dinamização das iniciativas empreendidas nos centros culturais e de língua portuguesa;
Ampliação e consolidação da rede de docência em universidades estrangeiras (formação de leitores e criação de cátedras);
Investimento na rede de bibliotecas (dotando-as de melhores equipamentos e ampliando os fundos documentais);
Atribuição de bolsas de estudo e financiamento de projectos de investigação nas áreas da educação, investigação e criação artística que se debrucem em torno da língua e cultura lusas, bem como apoio à edição de obras escritas em português;
Fomento de contactos e estabelecimento de parcerias com entidades congéneres, instituições de âmbito cultural, universidades e consulados;
Apoio à representação portuguesa em eventos no estrangeiro, de modo a conferir visibilidade aos signos de portugalidade, valorizando-os (é o caso da participação nas feiras do livro, espectáculos e exposições);
Incentivo ao intercâmbio cultural e educativo;
Organização de encontros internacionais (congressos, seminários, cursos) em torno da língua e cultura lusófona.
Dinamização do recém-criado Centro Virtual Camões, um espaço privilegiado para dar a conhecer, a uma rede que se pretende cada vez mais ampla, a língua, lugares, personalidades, informações e criações nacionais e que, pelo facto de estar disponível online, goza da vantagem de contribuir, sem constrangimentos físico-espaciais, para o cumprimento dos propósitos do Instituto.
É de assinalar ainda que, para além da elaboração de programas próprios, susceptíveis de disseminar pelo mundo os signos linguísticos e culturais portugueses, este organismo tem incentivado e publicitado iniciativas públicas e privadas, nacionais e internacionais em torno da produção, distribuição e consumo da cultura lusófona.
Instituto Camões no espaço CPLP
O português, falado por mais de 200 milhões de indivíduos, figura como a terceira língua materna europeia com maior representação mundial, a sexta mais falada no mundo, sendo ainda o idioma oficial dos oito Estados que compõem a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) constituída em 1996 – Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor-Leste, o mais recente membro –, daí o estatuto de veículo estratégico de comunicação internacional que lhe vem sendo reconhecido.
Estes países têm ocupado um lugar distintivo na política externa cultural portuguesa: Portugal assinou até hoje mais de 70 acordos culturais, dos quais cerca de duas dezenas com membros da CPLP. Porém, se muitas vezes os acordos e protocolos não passam de meras declarações de intenções incapazes de converter-se em práticas efectivas, a crescente proliferação de Centros Culturais e de Língua Portuguesa no espaço lusófono, a consolidação da rede de docência nestes países, a atribuição de bolsas de estudo e investigação a estudantes nacionais do espaço CPLP, a criação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), o apoio à edição e a atribuição anual do Prémio Camões (2) a autores lusófonos, entre vários outros exemplos, são testemunhos vivos do real interface entre Portugal e os mesmos.
De um total de 19 Centros Culturais (incluindo os pólos) criados pelo IC no mundo, 11, isto é metade, estão concentrados na área CPLP. Dos 20 Centros de Língua Portuguesa implementados em 16 países (3), 10 figuram nesse mesmo espaço. Em termos de projectos futuros na área CPLP, o IC visa incrementar o número de Centros Culturais, e também acentuar a colaboração com instituições locais, mediante o accionar de programas específicos de cooperação. Sendo a valorização do português nos territórios que integram a CPLP um objectivo premente do IC, a dinamização do IILP e o seu envolvimento na criação do Instituto Internacional de Línguas Oficiais (INLO) em Timor-Leste lideram a lista de prioridades desta entidade.
Em conclusão, registe-se que, apesar de o espaço da CPLP constituir um dos palcos estratégicos da política cultural externa portuguesa, é imprescindível reavivar e intensificar os laços históricos e culturais que unem o país aos demais parceiros desta comunidade, para que a mesma não se esgote, como por vezes aparenta, na mera afinidade linguística.
__________
1 A partir de 1994, o IC passa a ser tutelado pelo MNE, superintendência que até esta data permanecia a cargo do ME.
2 Este galardão é atribuído conjuntamente, desde 1989, pelo Instituto Camões e o Instituto Nacional do Livro Brasileiro.
3 Encontram-se em fase de instalação mais nove Centros de Língua Portuguesa. Agradecemos a incansável colaboração da Dra. Ana Paula Duarte e do Dr. Jorge Encarnação.
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Frelimo: A emancipação da mulher num programa revolucionário
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8 de dezembro de 2008
O sonho do Pai Natal (Vaz Nunes)
O SONHO DO PAI NATAL O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E não queria acordar porque neste ano os Humanos encheram-se de boa vontade e fizeram um acordo de Paz, que silenciou todas as armas. Em todos os cantos do planeta, mesmo nos lugares mais recônditos da Terra, as armas calaram-se para sempre e os carros de combate e outras máquinas de guerra foram entregues às crianças para neles pintarem flores brancas de paz. O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E não queria acordar porque nesse sonho não havia fome: em todas as casas havia comida, havia até algumas guloseimas para dar aos mais pequenos. Mesmo as crianças de países outrora pobres tinham agora os olhos brilhantes, brilhantes de felicidade. Todas as crianças tinham acabado de tomar um esplêndido pequeno-almoço e preparavam-se para ir para a escola, onde todos aprendiam a difícil tarefa de crescer e ser Homem ou Mulher. O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E no seu sonho não havia barracas, com água a escorrer pelas paredes e ratos pelo chão, nem gente sem tecto, a dormir ao relento. No sonho do Pai Natal, todos tinham uma casa, um aconchego, para se protegerem do frio e da noite. O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E no seu sonho não havia instituições para acolher crianças maltratadas e abandonadas pelos pais nem pequeninos e pequeninas à espera de um carinho, de um beijo… de AMOR. Todas as crianças tinham uma família: uma mãe ou um pai ou ambos os pais, todas as crianças tinham um colo à sua espera. O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E no seu sonho não havia palavrões e outras palavras feias, não havia empurrões, má educação e desentendimentos. Toda a gente se cumprimentava com um sorriso nos lábios. Nas estradas, os automobilistas não circulavam com excesso de velocidade, cumpriam as regras de trânsito e não barafustavam uns com os outros. O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E no seu sonho não havia animais abandonados pelos seus donos, deixados ao frio, à fome e à chuva, nem animais espetados e mortos nas arenas, com pessoas a aplaudir. Mas, afinal, quando despertou verdadeiramente, o Pai Natal viu que tudo não tinha passado de um sonho; que pouco do que sonhara acontecia de verdade. Ficou triste, muito triste, e pensou: « - Afinal, ainda é preciso que, pelo menos uma vez por ano, se celebre o Natal!». E, nessa noite, o Pai Natal começou os preparativos para dar, mais uma vez, um pouco de alegria a todas as crianças do Mundo. Retirado de "Diário de Aveiro", de 2000/12/07 Adaptado por Vaz Nunes - Ovar
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7 de dezembro de 2008
Elegia na morte de Samora Moisés Machel (Carlos Domingos)
ELEGIA NA MORTE DE SAMORA MOISÉS MACHEL
(Poema inscrito no livro de condolências da
Embaixada da República Popular de Moçambique)
Não venho trazer-te flores, mas um grito.
No teu sangue derramado
lateja a minha dor e a minha raiva.
Dentro de mim estremeceu o mundo
e o mar ferveu,
os sorrisos voaram em estilhaços
e desmoronou-se a torre em construção.
Agora estamos nus sob os escombros
e a tua ausência é um vento frio
soprando por dentro.
Mas nada poderá deter-te, nem a morte!
De súbito, surgiste ao nosso lado,
sentimos a tua mão de confiança,
continuas de pé, jovem, invencível,
com a vitória a sorrir-te nos lábios.
Nada poderá deter-nos, Samora Machel.
As nossas mãos, a nossa voz, as nossas armas
velarão a tua memória
e arrancarão os frutos renitentes
à terra ainda em flor.
Carlos Domingos
(22 de Outubro de 1986)
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Presidente da República Samora Moisés Machel
As cicatrizes da África na Moçambique de Mia Couto
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Maputo - Avenidas: 24 de Julho, Brito de Camacho e o Liceu Salazar (2005)
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Maputo - Avenidas: Craveiro Lopes, Augusto de Castilho e Pinheiro Chagas (2005)
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