17 de maio de 2026
República de Moçambique: Renamo Ameaça Jornalistas em Sofala (18 de Outubro de 2008)
19 de dezembro de 2025
Moçambique: A Ilha de Moçambique - Memórias do Património e do Seu Povo
25 de agosto de 2025
Moçambique: Ordem dos Advogados Assume Reabilitação do Edifício "Vila Algarve"
O edifício Vila Algarve, na cidade de Maputo, vai funcionar como sede da Ordem dos Advogados de Moçambique ainda no decurso do presente mandato de cinco anos, iniciado na última segunda-feira com a tomada de posse dos novos corpos sociais da agremiação. Por enquanto, segundo Gilberto Correia, o novo Bastonário da Ordem, a missão de base é restituir a credibilidade do órgão junto dos associados e da sociedade em geral como pressuposto para o desenvolvimento de parcerias necessárias para a implementação dos projectos previstos no seu manifesto eleitoral.
Segundo Gilberto Correia, neste momento a Ordem não dispõe de fundos próprios, especialmente destinados à reabilitação da Vila Algarve, razão por que se vai impor um trabalho de mobilização de dinheiro junto de potenciais parceiros da agremiação. “Vamos criar uma comissão com um mandato específico para lidar com o assunto, que assumimos desde já que é algo delicado. O edifício será a nossa “jóia da coroa”, mas não será coisa imediata. Na verdade não teremos sede da Ordem a funcionar no edifício Vila Algarve dentro dos próximos dois anos, mas a nossa meta é fazer com que isso aconteça dentro do presente mandato. Vamos trabalhar para isso, como vamos procurar cumprir com tudo aquilo que consta do nosso manifesto”, disse Correia.
Na óptica do Bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique, uma vez instalados os corpos sociais, o passo seguinte é iniciar os contactos para persuadir potenciais parceiros e entidades diversas a colaborar. “Tal como temos vindo a dizer, estamos dispostos a enfrentar todas as dificuldades que nos surgirem pela frente, porque não somos de recuar nos nossos compromissos. Precisamos é de tempo para trabalhar, e isso implica planificação, mobilização de apoios e outros procedimentos”, disse.
Sabe-se que o Estado disponibilizará 10 por cento dos 600 mil dólares necessários para a reabilitação do edifício.
“Reabilitado, o edifício pode ser rentabilizado. E nós acreditamos que é possível encontrar parcerias para avançar. É fundamental, para uma Justiça credível, que a Ordem seja também credível, que a advocacia contribua com toda a sua pujança. É preciso que a Ordem tenha um rosto que faça por merecer a confiança necessária”, disse Correia.
O anterior elenco directivo da Ordem chegou a estar muito perto de conseguir um acordo de financiamento com a União Europeia e Portugal para a reabilitação do edifício, facto que acabaria por não acontecer devido a atrasos no encaminhamento do processo.
Os novos corpos sociais da Ordem dos Advogados tomaram posse semana passada em Maputo.
Maputo, Terça-Feira, 6 de Maio de 2008:: Notícias
28 de junho de 2024
14 de agosto de 2023
Moçambique: Entrevista feita por Allen Isaacman ao Presidente Samora Machel - Maio de 1979
Entrevista feita por Allen Isaacman ao Presidente Samora Machel - Maio de 1979, Moçambique
SAMORA MACHEL, GRANDE ENTREVISTA, Maio de 1979
Allen Isaacman: Moçambique condenou o ataque da China contraVietname. Isto representa uma mudança da política da FRELIMO em relação a divisão Sino-Soviética no movimento comunista internacional?
Samora Machel: já que fala ai no mundo queremos responder. Não são vocês [que estão preocupados]; são os outros que estão preocupados “há mudanças em Moçambique.” O Partido FRELIMO defendeu e defende a unidade do movimento comunista e operário internacional. Agiremos sempre em favor desta unidade. Em diferentes situações podemos ter divergências com partidos irmãos e até mesmo termos posições opostas. Abstemo-nos por princípio de fazermos debates públicos sobre essas divergências e contradições. Muito embora em privado não hesitemos em apresentar os nossos pontos de vista quando para isto solicitados. Temos como principio sistematicamente distinguir os erros dos amigos por graves que sejam da acção do inimigo. Esta distinção leva-nos a dar um tratamento diferente as situações. Igualmente por grave que sejam os erros dos amigos nunca esquecemos o seu apoio nas horas difíceis e a contribuição dada ao movimento revolucionário noutros momentos. Entendem? Os princípios do respeito das fronteiras e da inviabilidade do território nacional, do regulamento [resolução] pacifico nos diferendos entre estados, do não recurso à força nas relações internacionais são princípios básicos e elementares que garantem a paz e segurança internacionais, são princípios cuja defesa compete a todos os estados. A República Popular da China é um estado amigo que ao agredir o Vietname violou estes princípios básicos. Calarmos é aceitarmos tacitamente uma grande violação das normas que regulam as relações internacionais. A violação feriu-nos tanto mais que tratava-se de um estado socialista atacando outro estado socialista. Nossa amizade com a República Popular da China mantem-se inalterável tal como permanece inalterável a alta apreciação que temos pelo apoio que nos foi prestado nas horas dificeis e pela contribuição histórica da revolução chinesa para o desenvolvimento do processo revolucionário mundial. Apoiamos a ajuda fraternal prestada pela República Socialista do Vietname ao Campuchea. Da mesma maneira como apoiamos a ajuda fraternal da República Unida da Tanzânia ao Uganda. O Vietname como a Tanzânia foram atacados diversas vezes por regimes despóticos e expansionistas no quadro da legitima defesa tinham o direito de neutralizar os agressores. No quadro do dever internacionalista de solidariedade apoiaram as insurreições contra regimes despóticos. Importa-nos sempre sabermos contra quem estão viradas as armas. Se contra o povo ou se contra a tirania. Hoje no sudoeste asiático entre o Vietname, Laos e Campuchea, surgem laços fortes de amizade e solidariedade que constituem factor fundamental para o triunfo da causa do socialismo na zona. E permitem a consolidação da paz e segurança internacionais em toda a região. Entre a Tanzânia e o Uganda gere-se um clima de paz e cooperação que contribuirá para a estabilidade e progresso da África Oriental e para o reforço da luta de libertação na África Austral. Felicitamo-nos pelo recomeço das negociações entre o Vietname e a China e desejamos ardentemente que elas tenham sucessos de modo a restaurar a tradicional amizade revolucionária entre os povos e estados da região e a refazer a frente anti-imperialista. É esta nossa posição.
5 de novembro de 2021
Da folia do Entrudo na Avenida de Angola (por Aldino Muianga, 01/11/2021)
20 de julho de 2021
Trilogia da Contestação: Bispo de Quelimane Dom Manuel Vieira Pinto (Por Jorge Ferrão 04 de Maio 2020)
Uma trilogia de memórias me vem à cabeça, sempre que falamos no Bispo Dom Manuel Viera Pinto, que nos deixa uma saudade e o sentido de que a sua missão está distante do final.
Primeiro, quando foi expulso de Nampula, ali no aeroporto, bem próximo de sua residência, em 1974, afirmando para os microfones da rádio “…saiu pela porta grande e com as minhas malas, todavia, quem me expulsou, sairia pela janela e sem nada em suas mãos…”. Não foi apenas uma saga, pois, meses depois se confirmava o que antes parecia sonho.
A minha geração ainda teve o privilégio de escutar muitas das homilias. Falava com sentido de oportunidade e de forma convincente. Repetia, bem alto e em bom tom, que gostaria de morrer em Nampula e de ser sepultado à entrada da Sé Catedral, para continuar próximo de seus fiéis.
Em segundo lugar, me recordo da famosa carta dele e dos sacerdotes da sua diocese, sob o título "Imperativo de Consciência", que eu nunca cheguei a ler, aparentemente redigida pelos padres Combonianos, um documento demasiado famoso para ser ignorado, em contexto moçambicano. Aliás, essa carta não agradou ao Governo de Marcelo Caetano, ao exigir uma resposta corajosa aos problemas graves do povo moçambicano.
Finalmente, a carta que Dom Manuel Viera Pinto escreveu a Samora Machel, em Setembro de 1986, um mês antes do factício acidente que o roubou do nosso convívio. Esta carta, aliás, merece uma releitura. Samora e Vieira Pinto conversavam e debatiam este país com profundidade e respeito. Assim, com a devida vénia, transcrevo à carta. Oxalá, um dia o seu maior desejo em vida, seja satisfeito e regresse à sua cidade de coração, Nampula.
O povo não sabe onde pôr o coração
A confiança que Vossa Excelência nos merece, como Presidente da Frelimo e da República Popular de Moçambique, leva-nos a falar, mais uma vez, das violências que não cessam de humilhar e destruir o nosso povo. A guerra continua e com ela a violência, a humilhação, os abusos, os excessos, as atrocidades e os crimes. Permita-nos, Senhor Presidente, que falemos, concretamente, das violências que, neste momento, mais humilham e esmagam o nosso Povo, mais destroem o país e o encobrem de vergonha e de sangue: os massacres, as execuções sumárias, os assassinatos, as n.... e as torturas.
“D. Manuel Vieira Pinto Arcebispo de Nampula – Cristianismo: Política e Mística” (Guilherme d’Oliveira Martins)
O livro de Anselmo Borges (Edições Asa, 1992) é uma obra que espelha a ação de uma das maiores figuras da Igreja portuguesa contemporânea, com uma extraordinária coerência entre a palavra, o espírito e a ação.
CUIDAR DE UM MUNDO MELHOR
Muitos de nós começámos a ouvir falar do Padre Vieira Pinto a propósito dos encontros do Movimento por um Mundo Melhor (MMM) e da sua capacidade de mobilizar os cristãos portugueses, desejosos de verem horizontes abertos. Era o espírito do Concílio que estava a germinar e o carisma do Padre Manuel era capaz de tornar os sinais dos tempos marcas efetivas de mudança… Nascido em Amarante em 1923 foi ordenado presbítero no Porto em 1949, tendo sido assistente da Ação Católica, diretor espiritual do Seminário Diocesano no Porto, além de ter desempenhado funções nas paróquias de Campanhã e Cedofeita. Envolvido no MMM, visita Roma em 1960 e na sequência do Concílio Vaticano II, participa com o Padre Vítor Feytor Pinto num conjunto de ações no sentido da renovação da Igreja. A renovação da vida cristã, a leitura dos sinais dos tempos, o lançamento de estratégias que favorecessem a mudança e a conversão, bem como a promoção da justiça social, a paz e a reconciliação entre os povos e nações constituíram prioridades defendidas pelo Padre Riccardo Lombardi, S.J., fundador em 1952 do Movimento. A teologia do Concílio constituiu um corolário lógico desse espírito e um exigente desafio em que o então jovem sacerdote se envolveu com muito entusiasmo e com uma especial preocupação teológica e pastoral. E assim impulsionou em Portugal esse movimento e essa motivação. E muitos recordam a sua grande capacidade mobilizadora no sentido de uma Evangelização renovada e aprofundada, na linha da “Gaudium et Spes” e da “Lumen Gentium” – em iniciativas que ficaram na memória de todos no Pavilhão dos Desportos em Lisboa e no Palácio de Cristal no Porto. O Povo de Deus não era uma abstração, era um apelo concreto, para tornar o mundo melhor, com mais atenção e cuidado, mais justiça e paz. Em abril de 1967, o Papa Paulo VI nomeou-o Bispo da nova Diocese de Nampula, tendo recebido a ordenação episcopal no dia 29 de junho desse ano, festividade de S. Pedro.
Moçambique: A Carta de D. Manuel Vieira Pinto que Samora Machel não leu
Samora Machel e Manuel Vieira Pinto fazem parte da História de Moçambique. O primeiro foi o líder incontestável líder que conduziu o país à independência tornando-se no primeiro presidente durante 11 anos. O segundo foi o único bispo português que se insurgiu pública e abertamente contra a dominação colonial, pronunciando-se, em coerência, pela autodeterminação do povo moçambicano o que lhe custou a expulsão, dias antes do 25 de Abril. Nos 11 anos de independência, as relações entre o Estado e a Igreja estiveram longe de ser as melhores. Apesar disso, Vieira Pinto e Samora Machel nutriam uma sincera admiração e respeito um pelo outro. Eles procuravam manter encontros pessoais. Em 25 de Setembro de 1986, Manuel Vieira Pinto escreveu a carta que não chegaria ao destinatário, em virtude deste morrer (19 de Outubro) antes de a receber, num encontro a dois. Era um inventário frontal das inúmeras situações provocadas pela guerra provocadas pelos dois lados e do apontar dos caminhos julgados mais eficazes para a obtenção da paz.
Eis o conteúdo da carta:
O Povo não sabe onde pôr o coração.
A confiança que Vossa Excelência nos merece, como Presidente da Frelimo e da República Popular de Moçambique, leva-nos a falar, mais uma vez, das violências que não cessam de humilhar e destruir o nosso povo. A guerra continua e com ela a violência, a humilhação, os abusos, os excessos, as atrocidades e os crimes. Permita-nos, Senhor Presidente, que falemos, concretamente, das violências que, neste momento, mais humilham e esmagam o nosso Povo, mais destroem o país e o encobre de vergonha e de sangue: os massacres, as execuções sumárias, os assassinatos, e as torturas.
Massacres:
As informações de que dispomos dizem-nos que os massacres, cometidos por uns e por outros, não são um boato ou uma pura invenção, mas, sim, uma triste e dolorosa realidade. Sabemos que ao longo destes anos de guerra, os massacres de pessoas e de populações inocentes e indefesas foram muitos, contando-se por milhares, o número de vítimas: homens, mulheres, velhos e crianças, jovens e adolescentes, mães lactantes e mães grávidas. O povo pergunta pelas razões destes crimes, destes actos executados, e pergunta igualmente por quem os comete ou manda cometer. Julgamos que não basta responder com a desculpa de que a guerra é guerra ou de que na guerra não há lei, nem há moral.
O povo entende que na guerra há uma inelutável irracionalidade congénita, o que necessariamente dá origem a abusos e a violências arbitrárias. O povo entende que a irresponsabilidade, a indisciplina, o descontrolo, o espírito de represália e de vingança podem tornar, num dado momento, os homens armados em homens ferozes, homens sem lei e sem um mínimo de respeito pela vida, pela dignidade da pessoa humana e pela segurança a que as populações têm inegável direito, mas, bastarão estas razões para explicar os numerosos massacres, cometidos contra pessoas inocentes, populações indefesas e contra o próprio Povo? Não haverá outras causas, além da lógica diabólica da guerra e da irresponsabilidade de quem os comete, permite ou manda cometer?
10 de junho de 2021
Moçambique: Mouzinho, herói em Chaimite
Mouzinho de Albuquerque escreveu uma página de ouro na história de Portugal. À frente de um punhado de soldados, penetrou no reduto da revolta anti-lusitana e capturou o imperador vátua, Gungunhana. Enquanto o “Leão de Gaza” era levado preso para Lisboa, o herói concluía a pacificação de Moçambique.
Apesar da cedência do Governo ao humilhante Ultimato britânico de 1890, que impusera a retirada do nosso país dos territórios entre Angola e Moçambique incluídos no chamado Mapa Cor-de-Rosa, os ingleses continuaram a manobrar contra a presença portuguesa na África Oriental.
Em 1894-1895, agentes britânicos baseados na África do Sul incentivaram – e financiaram – a revolta dos vátuas, indígenas do sul de Moçambique, que chegara a ameaçar a própria capital, Lourenço Marques.
As tropas portuguesas, comandadas pelo comissário régio António Enes, contra-atacaram, conseguindo, em Novembro de 1895, conquistar Manjacaze, a principal praça-forte do imperador vátua, Gungunhana, que retirou para Chaimite, no território moçambicano de Gaza. António Enes pediu a Lisboa reforços para concluir a pacificação de Moçambique – e, na falta de uma resposta satisfatória, apresentou a demissão.
Sucedeu-lhe no comando das operações o então capitão Mouzinho de Albuquerque, nomeado, a 10 de Dezembro, governador militar da província de Gaza. Mouzinho decidiu então dar um golpe de mão audacioso.
À frente de poucas dezenas de soldados de cavalaria e umas centenas de auxiliares africanos, internou-se no mato e, ao fim três dias de marcha, pôs cerco a Chaimite, a “capital” vátua, onde residia Gungunhana.
Às 7 da manhã do dia 28 de Dezembro, Mouzinho de Albuquerque entrou no povoado através de um pequena abertura na paliçada, à frente dos militares portugueses. Os cerca de 300 vátuas que compunham a elite guerreira dos insurrectos – armados de espingardas fornecidas pelos ingleses – fugiram sem disparar um tiro.
28 de julho de 2020
Moçambique: A “diligência” confidencial de Maputo para libertar reféns dos EUA no Irão
A eventual “diligência” de Moçambique no início da crise entre os EUA, Irão e os possíveis apelos de Maputo no sentido da libertação dos reféns norte-americanos são referidos confidencialmente pela embaixada de Portugal em Dezembro de 1979.
28 de junho de 2020
Branqueamento da história exclui lutadores pela independência de Moçambique, diz Daviz Simango
O presidente do MDM, Daviz Simango, considerou esta quinta-feira que o país cometeu “erros graves” com o branqueamento da sua história, reescrita segundo a agenda do Governo, e defendeu a “inclusão de heróis” com títulos “negados”.
Moçambique: Telegrama "confidencial" revela ataque da Frelimo contra católicos em 1978
Um telegrama "confidencial" da embaixada de Portugal em Maputo revela que Sérgio Vieira, dirigente da Frelimo, ameaçou directamente os bispos católicos em 1978.
Moçambique: Contributos para a História (José Milhazes, 2007)
Moçambique e a União Soviética precisavam deste herói (José Milhazes, 2010)
Artigo sobre o meu livro: "Samora Machel-Atentado ou Acidente" publicado no suplemento Ipslon do Público:

































